quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O VIOLÃO E O VIOLONISTA CLÉLIO DINIZ

Nasci e me criei dentro de uma oficina de fabricação e reparos de instrumentos de cordas (o Bandolim Manauense), pois o meu saudoso pai (José Rocha) era o luthier mais famoso da nossa cidade, tendo o violão o seu carro chefe – todas as sextas-feiras, o nosso local de trabalho ficava lotado de músicos amazonenses - foram dezessete anos ouvindo esse turma tocar, em decorrência disso criei uma predileção toda especial ao “pinho”, mesmo não sabendo tocar o instrumento - ainda hoje fico babando quando o Clélio Diniz dá os seus acordes, pois ele é, na atualidade, o melhor violonista de Manaus.

O VIOLÃO - No inicio, era conhecido como “Viola”, com cordas duplas e, na sua evolução, passou para cordas simples, para compensar a perda da sonoridade, foi aumentado o seu tamanho, passando o seu nome para o aumentativo “Violão”.

O meu saudoso pai, o luthier Rochinha, fez milhares de violões, ele era famoso no Brasil afora, tanto que o Wando, Gilberto Gil e o Dilermando Reis foram até a oficina do papai para comprar o instrumento – ainda guardo dois exemplares em minha casa.

Um fato interessante, o meu genitor não sabia tocar, apenas afinava o instrumento com auxilio do diapasão – ele gostava de uma boemia e, sempre que ia para a noite, levava consigo um violão, para os amigos tocarem, é claro!

Atualmente, existem dezenas de luthier em Manaus, com a grande maioria egressa da Escola de Lutheria do Amazonas (OELA), no bairro Zumbi II, onde o Rubens Gomes desenvolve um projeto reconhecido internacionalmente.




O VIOLINISTA CLÉLIO DINIZ – O Clélio Diniz é um amazonense de Manaus, um autodidata consagrado nacionalmente – tocou em diversas bandas de Manaus, tais como “Blue Birds”, “Os Embaixadores” e “Blue Star”, além de ter acompanhado as cantoras amazonenses Lucinha Cabral, Lili Andrade e a Felicidade Suzy. Trabalhou no Hotel Tropical Manaus, como violonista da casa. Fez várias apresentações sozinho e, outros com parceiros, como o Ítalo Jimenez e Renatinho Linhares. Gravou o CD “Ballet das Folhas e “Festa das Cordas”. No concurso de violão “Domingos Lima”, ficou em segundo lugar. Atualmente reside em Florianópolis e tem um trio que se chama “Clélio Diniz e Trio”. Ele é um dos maiores intérpretes da obra para violão de Villa Lobos e autor de centenas de composições.

Com o apoio do “Projeto Cultural Uakti” (coordenado pelo Dr. William Gama) fez duas apresentações em Minas Gerais (Extrema e Formiga). Seu violão poderoso calou os presentes e os mineiros se emocionaram com suas interpretações de Dilermando Reis, músico e pesquisador da música mineira.

O Clélio Diniz fará um show no próximo dia 28 de Dezembro, no “Bar Fino da Bossa”, situado a Av. Max Teixeira, 60, Travessa São Judas Tadeu, Flores – telefone 92 9271-5491, com inicio previsto para as vinte e uma horas e trinta minutos - será um show imperdível, pois o Clélio veio a Manaus somente para rever os amigos e familiares e, mostrar todo o seu talento para os seus conterrâneos amazonenses. 
   
Show "Violão Brasileiro - Dos Morros Cariocas aos Beiradões Amazônicos", com Clélio Diniz e convidados. No repertório: Balé das Folhas (Clélio Diniz), Odeon (Ernesto Nazareth), Graúna (João Pernambuco), Festa das Cordas (Clélio Diniz), 1 x 0 (Ozéas da Guitarra), Magoado (Dilermando Reis), Igapó (Sebastião Tapajós) Ingênuo (Pixinguinha), Ternura (Kximbinho), Trenzinho do Caipira (Villa-Lobos), Pedacinho do Céu (Waldir Azevedo), Olho D´Água (Armando de Paula), As Rosas não Falam (Cartola), Interrogando (João Pernambuco), Tempo de Criança (Dilermando Reis), Chorando Baixinho (Clélio Diniz), O Bem Amado (Toquinho), Delicado (Waldir Azevedo - Homenagem a Beto Beiçola), Porto de Lenha (Zeca Torres), Bicho de Sete Cabeças (Geraldo Azevedo), Brasileirinho (Waldir Azevedo).

Muito boa essa união do violão, um dos instrumentos de cordas dos mais queridos e amados do nosso país, com o melhor violonista de Manaus, o Clélio Diniz. É isso ai.


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