quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

DEPOIS DE LONGO E TENEBROSO INVERNO


Dediquei vinte anos da minha vida profissional, na labuta diária numa empresa do ramo comercial de Manaus e, em meados do ano passado, fui descartado, pois segundo os seus donos, eu estava ultrapassado e acomodado, chegando a hora da renovação dos seus quadros – por estar fora do mercado de trabalho em decorrência da idade, passei todo esse tempo tentando uma recolocação, mas, foi tudo em vão – o jeito foi investir os parcos recursos num negócio próprio e, depois de longo e tenebroso inverno, volto ao batente.

Todo início é muito difícil, são problemas de toda ordem no novo empreendimento, com quebras de equipamentos, vencimentos de validades, pouquíssima clientela, erros na compra e, por ai vai, sem contar o desânimo inicial em que todo empreendedor passa – mas, apesar de todos os pesares, não desistirei, serei persistente, pois não tenho outra saída, terei que levantar vôo puxando os próprios cabelos (ainda bem que não sou careca).

Nesses anos de trabalho formal, nunca tirei uma férias sequer – dizem os médicos que todo trabalhador, depois de um ou dois anos no máximo de labuta, deve se afastar do batente por um mês, pois o organismo cria toxinas prejudiciais ao corpo, o que pode acarretar sérios problemas a saúde e ao desenvolvimento pleno do trabalho profissional e, as férias é um santo remédio, pois depura tudo, voltando à normalidade.

Por ter ficado tantos e tantos anos sem férias, acho que estava até o tucupi de toxinas! Em compensação, fui forçado a tirar quinzes meses de descanso laboral - ainda bem que, consegui dez deles com uma remuneração especial.
Acabou a moleza e a remuneração – agora em diante, todos os centavos serão advindos do suor do meu rosto. Não será fácil, bem sei, mas, o meu nome é “Trabalho” e o sobrenome “Hora Extra”.

Os conhecimentos adquiridos nos bancos escolares serão muito importantes - terei que adquirir novos, reciclar a mente, fazer parceria com o SEBRAE, além de uma MBA, tudo dentro do seu tempo, é claro!

Mudei-me para a Cidade Nova II, onde abri um pequeno negócio na fronteira de Manaus com o meio rural – estou longe dos amigos e de todos, deixei de circular um pouco pelo centro da cidade - tudo é questão de tempo, voltarei quando tudo se normalizar – assim espero!

E a aposentadoria? Perguntam alguns! Sei lá por onde ela anda – respondo. Espero que Deus me conceda mais vinte anos de trabalho e, quando passar dos setenta e cinco, irei pensar no caso.


Pois é, meus amigos e amigas, depois de longo e tenebroso inverno, estou de volto a labuta – aproveito a oportunidade para agradecer a todos aqueles que direta e indiretamente me ajudaram ao longo das minhas férias. É isso ai.
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