quinta-feira, 26 de julho de 2007


A MINHA PONTE
A minha ponte fica na Sete de Setembro, a famosa 1ª Ponte, possui o nome oficial de Ponte Romana I.

Aos domingos, a meninada da Rua Igarapés de Manaus, pulava da ponte; alguns se atreviam em pular de cabeça, certa vez tentei fazer igual aos outros, porem caí de peito, nunca mais tentei.

Na enchente, ficávamos brincando de bóia (tora de madeira), parávamos sempre embaixo da ponte, para escrever algumas coisas no teto; na vazante, ficávamos a observar lá de baixo o que tínhamos escritos, sempre acontecia alguma briga, pois os registros eram sempre zombando de alguém da rua.

A nossa brincadeira parava somente ao meio-dia, pois chegava a hora do almoço e de correr para assistir aos filmes no inesquecível Cine Guarani.

A minha ponte era famosa, até a década de 50 eram realizadas competições de remo, não alcancei esse tempo, conheci somente o Flutuante Clube do Remo; os Bondes passavam por lá, também não o conheci, somente os trilhos. O Palácio Rio Negro, a sede do governo estadual ficava lá, permitiam entrar somente no Dia das Crianças e no aniversario do governador.

A minha ponte está abandonada, não existe mais enchente, fizeram uma barragem lá na margem do Rio Negro, chamam de Manaus Moderna, acabaram com a Veneza dos Trópicos, restou somente um esgoto a céu aberto, desmontaram até a casa da Gaivota (uma senhora solitária que construiu uma obra-prima da engenharia, toda de material reciclado), ficava bem no meio do igarapé. Outro que se mandou foi o governador, foi lá pras bandas do Tarumã, o Palacete virou Centro Cultural.

Falar para os nossos filhos e netos que ali já foi um balneário aprazível, com certeza irão lamentar muito, pois o mais próximo (sem poluição) fica lá na outra margem do Rio Negro.

A minha Ponte, continua sendo a minha Ponte, a Ponte da minha infância, das minhas brincadeiras, das minhas ilusões!

quarta-feira, 25 de julho de 2007


O BOI DE PANO DO WALDIR

Na primeira metade dos anos 60 o boi-bumbá era a estrela do Festival Folclórico do Amazonas, realizado todos os anos no Estádio General Osório. Naquela época existia uma grande rivalidade entre os bois Corre Campo (Cachoeirinha) e Tira Prosa (Educandos), com torcidas também rivais.

Havia um sujeito que morava na Cachoeirinha, cujo apelido era "Terretifun" (até hoje não sei seu nome verdadeiro), que além de fazer parte do bumbá Corre Campo era fanático pelas toadas da época.

Apesar de morar na Cachoeirinha, Terretifun passava o tempo todo na Rua Igarapé de Manaus, cantarolando suas toadas.

Terretifun deu a idéia e o Waldir Viana concordou em fundar um boi na Rua Igarapé de Manaus.

O boi foi confeccionado no porão da casa do Sarto(nego mau), com ajuda do Rochinha do violão que forneceu a madeira leve e ajudou na compra das fantasias.O boi era bonito, com exceção da cabeça que mais parecia a cabeça de outro animal.

O boi vivia de donativos das famílias quando fazia suas apresentações. O bom de tudo é que além do donativo (venda da língua do boi), a dona da casa fornecia iguarias da época aos brincantes!!!!!

Certa vez, o boi se apresentava em uma casa na Rua Ipixuna, entre a Rua Major Gabriel e a Emílio Moreira, naquele dia a comida servida era pouca, e foi levada à mesa no meio da apresentação do boi.

A meninada dançando passava perto da mesa e enchia a boca e os bolsos de doces e salgados.

O Júlio Goiaba (filho do Goiaba nacionalino), por ser um exímio dançarino era o miolo (tripa) do boi, e não podia pegar nada para comer, pois estava embaixo dele e apenas olhava pela abertura lateral e gritava:
Deixem p!ra. mim!! deixem p!ra mim!!

Mesmo ouvindo os gritos do miolo ninguém obedeceu.

Terminada a apresentação não havia mais nada para o Júlio comer. Ele ficou indignado, jogou o boi no chão, foi para casa e saiu p. da vida falando que nunca mais ia ser miolo do boi. ah, ah, ah, ah, ah.

José Rocha Martins Filho


segunda-feira, 23 de julho de 2007






Aos domingos, uma turma se reune no Bar Caldeira, Centro de Manaus, para bebericar, tocar, cantar e comemorar aniversários . Ontem recebí do cantor Carlos Simões, uma xerocópia de uma matéria publicada no Diário da Tarde, ao qual reproduzo abaixo:

NOITADA ALEGRE NA DIFUSORA

Publicado no Diário da Tarde (Administração e Oficina na Avenida Eduardo Ribeiro, 556, Direção de Aguinaldo Archer Pinto), Manaus – Sábado, 4 de março de 1950.

Reinicio das audições de “Tem Gato na Tuba”, o mais alegre programa do radio caboclo.
· Divertimento e bom humor;
· Desfile de valores do quadro da “mais poderosa”;
· Distribuição de brindes;
· Um prêmio de cem cruzeiros para o calouro colocado em primeiro lugar;


Apresentação dos seguintes astros e estrelas da S-8:


. Orsine Marques
· Isinha Toscano
· Anízio Silva
· Neuza Ignez
· Carlos Simões
· Grace Moema
· Cancioneiros da Lua
· Regional Mariuá com Toinho e ritmo.

Dentro de mais algumas horas, o público amazonense terá para seu bom gosto, o reinicio do mais alegre programa do rádio caboclo, que é sem dúvida alguma. “TEM GATO NA TUBA” o popular cartaz da emissora cabocla, para selecionar novos valores, que integrarão o quadro da emissora da Rua Joaquim Sarmento. Os dirigentes da ZYS-8, tudo tem feito, a fim de proporcionar aos seus milhares de ouvintes e freqüentadores do seu auditório, audições bastante movimentadas, para o bom gosto de todos. Assim sendo, hoje, a partir das 21 horas e 30 minutos, assistiremos a primeira apresentação, nessa nova fase, dos programas “Tem Gato na Tuba”, como sempre, alegre e divertida. Antes do desfile dos calouros, teremos uma brilhante parada de “astros” e “estrelas” da “constelação” S-8. Os acompanhamentos estarão a cargo do famoso Regional Mariuá com Toinho e ritmo. Para o calouro colocado em primeiro lugar será conferido um premio de cem cruzeiros e para os demais colocados, brindes, gentileza de importantes firmas da praça, que colaboram para o maior brilhantismo da noite de hoje, na Radio Difusora, os ingressos são numerados e estão a venda nos escritórios da Difusora a rua Joaquim Nabuco.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

A Secretaria Municipal de Cultura, da PMM, lançou um Edital contendo um concurso para premiar o melhor trabalho sobre os bairros de Manaus. Infelizmente não irei participar, pois sempre morei no centro de Manaus e, somente conheço um pouco da historia das Ruas Igarapé de Manaus, Huascar de Figueiredo, Lauro Cavalcante, Ipixuna, Major Gabriel e Sete de Setembro; de qualquer forma, irei contar as historias dessas ruas, contando com a colaboração de vários colegas de rua, citarei alguns: Rochinha Galinha Preta, José Bombom Negrita, Henrique Pacu, Rogério Dias Português, Beto Carro Velho, Sarto Nego Mau, Pingo, Mal Feito a Martelo, Tico, Neno, Waldir Perna Torta, Zeca Pagodinho, Firmino Bolero e Gilson. Iremos comentar sobre As Bolachas, Dona Uchoa, Zé Inácio, Sr. Artur, Forró da Maria Belém, Casa da Gaivota, Sr. Goiaba Nacionalino Doente ,O Misterioso Dural, Os Circos do Sarto e do Aluisio, As 3 Pontes da 7, Banhos de Igarapé, Os Carroceiros, Rocha do Violão , Dona Pátria, Futebol na Várzea, Brigas Igarapé X Major Gabriel, etc. A primeira contribuição vem do Rochinha, vamos voltar a década de 60!




AS CARROÇAS E OS CARROCEIROS

José Rocha Martins Filho *


No início dos anos 60 havia um meio de transporte em Manaus denominado CARROÇA.

Conheci alguns carroceiros da época que moravam no igarapé de Manaus. Todos vieram do Nordeste, principalmente do Rio Grande Norte.

Como não tinham qualificação e, mesmo naquela época não havia oportunidades de trabalho, optaram pela carroça.

O Transporte era feito de restos de camionete ou pequenos caminhões, principalmente das rodas e o eixo, onde assentavam uma caixa de madeira para as cargas de mercadorias ou pessoas.

às 5 da tarde eles chegavam no Igarapé de Manaus, vindo pela Rua Lauro Cavalcante, depois de um dia de trabalho no Mercadão Adolpho Lisboa, eles vinham um após outro : Manoel Hilário, João Batista e Expedito.

A garotada corria para morcegar (pegar carona) das carroças. Era uma festa. Quando os carroceiros faziam um trocado bom no dia, vinham todos sorridentes e deixavam a molecada toda morcegar. Enchiam a carroça de meninos desde a Rua Lauro Cavalcante até a estribaria, situado em um terreno baldio, próximo a Rua Huascar de Figueiredo. Porém quando o apurado era ruim eles chegavam de mau humor, e quem se atrevesse em morcegar era açoitado pelo chicote deles. Ah! ah! ah! ah!


(*) O autor nasceu em Manaus, na Rua Igarapé de Manaus; formado pela UFAM em Ciências Contábeis.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Praca da Saudade, Portal Amazonia



Batizada pelo povo de Saudade, a praça 5 de Setembro data do início do século passado. Construída na quadra formada pelas ruas Ferreira Pena, Ramos Ferreira, Simão Bolívar e avenida Epaminondas, em plena área central da cidade. Conforme a Carta Cadastral da cidade, a área ocupada pela praça era bem mais ampla, à época do governo Eduardo Ribeiro, desde o antigo cemitério velho chamado de São José (nome também do primeiro bairro de Manaus) - localizado onde atualmente é a sede do Atlético Rio Negro Clube até o Instituto de Educação do Amazonas (local onde seria construído o palácio do governo).Um dado curioso da praça registra que na época do governo provincial do Presidente Francisco José Furtado em 1858, o cemitério foi cercado, a praça não passava de um largo com pouca arborização. Então em 1865, foi proposta pela Câmara Municipal a construção da praça e a proposta de se oficializar o nome de praça da Saudade. Não existe nenhum documento que comprove se foi ou não aprovado o nome. O que se sabe é que o povo acabou consagrando o lugar com o nome de Saudade.Outro fato ligado a praça diz respeito à construção do monumento em homenagem a Tenreiro Aranha. A construção do monumento foi uma proposta do vereador Silvério Nery, em 11 de maio de 1883, na época o Presidente da Província era José Lustosa da Cunha Paranaguá. De acordo com registros documentais, a praça veio somente a adquirir corpo e forma em 1932, na gestão de Emmanuel Morais com a construção de jardins. O cemitério nesta época já havia sido fechado. Após a demolição, os restos mortais que haviam no local foram transferidos para o São João Batista. O projeto para a nova obra era a construção do horto municipal com exemplares de todas as palmeiras do vale amazônico. O nome de Largo ou praça da Saudade foi batizado pelo povo talvez por está localizada bem em frente ao cemitério de São José, que também emprestava nome ao bairro. A praça foi aberta em 1865, bem depois da construção do cemitério. De acordo com pesquisas do historiador Mário Ypiranga, o nome da praça pode ter sido também devido a presença de um espanhol de sobrenome “Saudade” ou de um negro que viveu por volta de 1837, morador da área vizinha à praça, de nome José Pedro Saudade. O negro devia ser um escravo de forro, devido aos bens que possuía. O nome oficial de praça 5 de Setembro, portanto é em homenagem a data da elevação do Amazonas à categoria de Província e uma homenagem a Tenreiro Aranha que tanto lutou pela emancipação do Grão-Pará. Portanto, o nome oficial nunca se tornou popular.O certo é que mesmo o nome oficial estando inscrito na placa da estátua de Tenreiro Aranha, o manauense a conhece apenas por praça da Saudade.Portal Amazônia12.01.2006-GC




Atlético Rio Negro Clube (Manaus)

Alcunha
Barriga Preta

Fundação
13 de Novembro de 1913

Presidente
Eymar Gondim Pereira
treinador = Luiz Carlos Martins (Juniores) liga =
Campeonato Amazonense


Atlético Rio Negro Clube é um clube de futebol da cidade de Manaus (Amazonas). Seu apelido é “Barriga Preta”, em alusão ao seu uniforme número 1: camisa branca com uma faixa horizontal preta .Seu mascote é um galo carijó. A sede do clube fica na Avenida Epaminondas, 570, Centro.Ocupa a 70ª colocação no Ranking Oficial da CBF. É o clube mais tradicional do Amazonas, fundado em 13 de novembro de 1913, o Rio Negro é o clube símbolo da aristocracia manauara, dono da segunda maior torcida do Amazonas, e o segundo maior vencedor do Campeonato amazonense em toda a história. A diferença entre o Rio Negro e o seu rival é que seus títulos jamais foram contestados judicialmente, sempre foram ganhos dentro de campo ao contrário do rival que chegou a não ir a campo em 1982 pra tentar conquistar o título nos tribunais. O Rio Negro é uma das três equipes amazonense que já jogaram na principal divisão do futebol brasileiro. O único clube amazonense que possui títulos em todas as modalidades esportivas. Possui uma conquista internacional, a Taça Guiana Inglesa, disputada em Georgetown.


Títulos Estaduais
Campeonato Amazonense: 16 vezes (1921, 1927, 1931, 1932, 1938, 1940, 1943, 1962, 1965, 1975, 1982, 1987, 1988, 1989, 1990 e 2001).
Vice-Campeonato Amazonense: 1966, 1973, 1974, 1976, 1979, 1980, 1983, 1984, 1985, 1986, 1992, 1998, 1999 e 2003.
Torneio Início: 11 vezes (
1933, 1966, 1968, 1969, 1979, 1980, 1982, 1983, 1990, 1995 e 2002).
Outras Conquistas
Categorias de Base
Campeonato Amazonense Sub-20: 1999, 2000 e 2001.
Vice Campeão Brasileiro de futebol feminino
Campeão da taça Guiana Inglesa - Georgetown
Ranking da CBF
Posição: 72º
Pontuação: 183 pontos
Ranking criado pela
Confederação Brasileira de Futebol que pontua todos os times do Brasil.


Federação Amazonense de Futebol Clubes Amazonenses Campeonato Amazonense de Futebol
Primeira Divisão 2007: América Fast Clube Libermorro Nacional Princesa do Solimões Rio Negro São Raimundo Sul América
Principais Estádios: Vivaldão Colina Gilbertão



CAPRICHOSO - O ELDORADO É AQUI. CAMPEAO 2007.

terça-feira, 26 de junho de 2007


AVISO AOS NAVEGANTES

O rio é um recurso natural encontrado em grande quantidade na região Amazônica, no entanto, está sendo poluído pelo lixo fluvial lançado por passageiros e tripulantes das embarcações.

Com base nestes fatos a Sociedade de Pesquisa e Preservação da Amazônia – S.P.P.A. realizou a pesquisa “O Lixo Descartável / Reciclável nos rios da Amazônia”, no trecho compreendido Belém-Manaus e Belém-Macapá e está realizando a 2ª. Fase da campanha “VAMOS PRESERVAR OS NOSSOS RIOS”, que pretende sensibilizar os donos das embarcações, tripulantes e VOCÊ usuário, para não jogar lixos descartáveis nos rios, tais como: latas, copos, garrafas plásticas, vidros, talheres, pratos, sacos e outros.

Seja Caprichoso, só depende de você manter Garantido o nosso rio limpo.

LIXO FLUVIAL

O que é isso?

É o lixo composto, entre outros, por objetos lançados nos rios pelas embarcações de transportes de passageiros.

O lixo, quando acumulado nos rios, impede a passagem das águas, causando entupimentos, assoreamento e inundações, nos períodos de chuva.

Composição do lixo fluvial, segundo Pesquisa realizada pela S.P.P.A.:


· PLÁSTICOS: (75% do total) copos, refrigerantes, pratos, talheres, canudinhos, sacos e outros.


· ALUMÍNIO: (22% do total) latas e outros.

· VIDRO: (3% do total) refrigerantes, copos, pratos e outros.

Obs.: Os objetos descartáveis representam 95% do lixo fluvial.


COM VOCÊ PODE
COLABORAR E
PARTICIPAR DESTA
CAMPANHA PARA
PRESERVAR NOSSOS RIOS.


· Durante a sua viagem de barco, não jogue nos rios as embalagens descartáveis dos produtos que você consumir PROCURE A LIXEIRA MAIS PRÓXIMA.
·
· Converse com seus acompanhantes para agirem da mesma forma.
·
· No caso da embarcação não possui lixeiras solicite aos tripulantes sacos para recolher as embalagens e reivindique a colocação de lixeiras.
·
· A tripulação pode recolher todo o lixo a bordo e depositar nos coletores apropriados para o lixo fluvial instalados no porto onde a embarcação pára.


OS OLHOS NÃO VÊEM
MAS OS RIOS SENTEM!


NÃO JOGUE LIXO NOS RIOS!




sábado, 26 de maio de 2007

TACACAZEIRAS DA AMAZÔNIA
Adriano Aguiar – Geovane Bastos – CD Caprichoso 2007

É dia de feira, mulher guerreira
Que cedo levanta
Com a certeza de lutar

Escolhe o melhor tucupi
Cheiro-verde, tapioca, jambú
Camarão e pimenta murupí
Tem chicória e cebolhinha
Tem a cuia com a cestinha
Pra comprar
Ferve a goma na panela
Fundo preto
Pega abano, braço forte
No fogareiro a brasa a queimar
É fim de tarde, toalha de mesa
Arruma a banca traz cadeira
Que hoje tem cuia de tacacá
Pra tomar
Um cheiro!
Que o vento sopra
E leva distante
Que envolve o visitante
Fazendo provar
E nunca mais esquecerá
Desse sabor, basta provar
Meu tacacá é feito com amor

É mês de junho
Minha ilha está em festa
Bem no meio da floresta
Brilha a estrela
Do meu boi, Caprichoso

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Obras de Arnaldo Garcez


ARNALDO GARCEZ, músico instrumentista, compositor, artista plástico é o que pode chamar multimídia. Flutua por vários estilos, tanto nas artes plásticas quanto na música, navegando entre as tendências com todo os despudor que a arte exige.




quinta-feira, 17 de maio de 2007

BALNEARIO DO PARQUE DEZ DE NOVEMBRO


BALNEÁRIO DO PARQUE DEZ

Certo dia estava num engarrafamento infernal na Avenida Efigênio Sales com a Rua Recife, em direção ao bairro do Aleixo, por conta da construção de um viaduto; encontrava-me no limite da paciência, quando olhei para o lado direito e avistei parte do prédio, onde funcionava o restaurante e o clube dançante do balneário do Parque Dez. Num passe de mágica, voltei ao passado, expulsei todos os capetinhas que estavam rondando a minha cabeça.

O meu pai me acordava às 05 da manhã de domingo para irmos ao Mercado Municipal e, depois das compras rumávamos para o “banho do Parque Dez”, o principal problema era o transporte, pouquíssimos ônibus ( de madeira) circulavam em Manaus; o infortúnio da viagem (era uma eternidade o trajeto do centro para o bairro) compensava logo na chegada, era uma maravilha o meu Parque Dez! Passávamos o dia todo no maior lazer.

O balneário do Parque Dez foi estruturado para receber as famílias amazonenses em sua piscina natural, abastecida pelas águas límpidas do igarapé do Mindu, em vasta área verde, com zoológico e um restaurante para a satisfação gastronômica dos freqüentadores. O acesso ao balneário se dava pela rua Recife, que descia do bairro de Adrianópolis, em pista pavimentada de cimento, até o Parque Dez. Nas imediações, onde hoje está aberta a avenida Efigênio Sales, uma vereda, antigamente conhecida por V-8, levava a inúmeras chácaras, todas tendo ao fundo o igarapé do Mindu, formando banhos particulares. O bairro estava nos limites extremos de Manaus e, ao atravessar o igarapé, a floresta predominava em toda sua extensão. O local permaneceu por muito tempo como enorme área de lazer, onde os manauaras se refrescavam dos dias quentes e se esqueciam do mormaço econômico que insistia em medrar na capital do Amazonas.

Após essa maravilhosa viagem, acordei; rumei feliz em direção ao meu destino, não senti mais nenhum estresse com os outros engarrafamentos que encontrei pela frente.

sexta-feira, 4 de maio de 2007


O prefeito e a cangula pensa
Rua dos Andradas. Aos fundos, na rua Floriano Peixoto, o decadente prédio onde outrora funcionou o glamuroso Hotel Amazonas, que hospedou ilustres personalidades da república. Estamos no centro histórico da cidade de Manaus - a capital dos operários eletrônicos da Amazônia - em sua área mais degradada. São quase 8 horas da noite. O comércio local há muito fechou a porta das dezenas de estabelecimentos de miudezas e outras quinquilharias. O lixo, devidamente ensacado, foi depositado na frente das lojas à espera do caminhão de coleta, o que só acontecerá bem mais tarde. Justamente nesse período de tempo, o cenário será inteiramente modificado, no trecho entre os fundos da Igreja Nossa Senhora dos Remédios e a rua Mundurucus, única rua do centro da cidade a desembocar numa bucólica escadaria, hoje soterrada por um aterro com grossas camadas irregulares de asfalto, fruto da insanidade urbanística que há quase trinta anos desfigura, dia-a-dia, o patrimônio histórico e paisagístico de Manaus.Os desavisados que ali passassem e pousassem os olhos nesta cena - captada pela minha câmera fotográfica - imaginaria tratar-se de puro ato de vandalismo. Lêdo engano! Trata-se de um outro fenômeno social: anônimos cidadãos, ao tentar se incluir, informalmente, na economia da cidade no setor dos reciclados, deixam um rastro de sujeira, que só os analfabetos políticos poderiam imputar como total ausência de regras de conduta. Papel, papelão são os objetos desse desejo. Mulheres com criança de colo, crianças e adultos, jovens e mais velhos, são os protagonistas dessa obscenidade que diuturnamente atinge aquele trecho, logo após o lusco-fusco do anoitecer que banha a capital da Zona Franca, essa cidade morena que ostenta o título de quarto PIB brasileiro.Eis que o prefeito Serafim Côrrea, há dois anos do encerramento do seu mandato, resolveu por fim à escandolosa proteção de abastados setores da cidade na cobrança do IPTU. Há pelo menos duas décadas os reajustes eram irrisórios, cabendo às classes médias e à população mais pobre o ônus de manter esse mecanismo classista de privilégio de muito poucos. Mais do que uma peça publicitária, a divulgação da decisão política do prefeito encerra princípios inegáveis de justiça social contra a desigualdade alimentada pelos suseranos encastelados no poder: "paga mais quem pode; paga menos quem não pode; e não paga nada quem não tem com o que pagar".Entretanto, uma lógica anti-dialética insiste em defender a tese classista de sempre: "paga quem pode; quem não pode se sacode". Eis o retrato acabado de uma cangula pensa; e, pensa para a direita, meus prezados.
No quesito IPTU, tô nessa barca com o Sarafa! Um IPTU justo poderia evitar a constrangedora cena da imundície reinante em algumas áreas do centro histórico da cidade, livrando-nos da falta de fiscalização a que estão submetidas as áreas degradadas que ainda não foram objeto de revitalização pelo poder público.Evidentemente que a questão da inclusão social, que está por trás da sujeira provocada pelos que tentam se incluir na vida social e econômica da cidade, há muito reclama por uma discussão mais aprofundada sobre o modelo Zona Franca, que, se retirou o Estado da indigência do pós-ciclo da borracha, gerou uma concentração de renda perversa, haja vista a pobreza da nossa periferia. Um desafio para todos, especialmente para a esquerda política, outrora mais crítica quanto aos limites do modelo econômico baseado em incentivos fiscais e na abolição de alguns impostos. Eis o desafio intelectual de hoje, se não quisermos que o cérebro vire tacacá nos verões que se anunciam com o degelo próximo.
*****
NOTA1: Cangula - papagaio ou pipa grande e que não imbica.
NOTA2: Penso - gíria de empinador de papagaio que se refere ao papagaio que tende a inclinar para o único lado.
Fonte: O manaura - Leôncio Oliveira, Manaus: Edições Kintaw, 2005.
Curiosidade: Até o presente momento, a obra de Leôncio Oliveira é única. Apesar de algumas irregularidades (como a grafia de picica, com dois esses, que mereceu uma crítica de Zefofinho de Ogum, consultor e conselheiro espiritual do site
PICICA - Observatório dos Sobreviventes), é leitura obrigatória para quem aprecia a erudição cabocla, ou o caboquês, segundo o filólogo amador Joaquim Marinho, que escreve a orelha do livro.
Rogelio Casado

quinta-feira, 3 de maio de 2007

O nosso velho e querido "Mercadão" está sendo revitalizado pela Prefeitura Municipal de Manaus. Dizem que todo mercado central é a cara da cidade; realmente é uma verdade, basta visitá-lo para encontrar a culinária amazonica, o nosso artesanato indigena, a nossa gente (caboclos, com muito orgulho!).
Iamos todos os domingos ao mercado; chegavamos bem cedo, papai e os meus treis irmãos tomavamos aquele famoso café regional (café com leite, queijo qualho, mingau de milho e banana, pamonha, pé de moleque, cuscuz, etc.), depois íamos às compras, era o único dia da semana em que consumíamos carne vermelha; nos demais, somente frango e peixes.
O meu genitor fabricava e consertava violões de corda, hoje chamam a profissão de luthier; a nossa cola era feita do "bucho" do tambaqui. Tinha uma missão árdua de coletar as vísceras do peixe; as pessoas que por lá passavam, ficam com dó no coração ao ver um menino, abaixado e catando os restos, a grande maioria se ofereciam para ajudar-me, mas eu sempre recusava, pois apesar da nossa família ser de origem pobre, nunca faltou alimentos em nossa casa.
Nunca deixei de visitar o mercado, vou pelos menos duas vezes ao mês. Estou aguardando com grande ansiedade a sua reabertura.
Abaixo transcrevo um trabalho da professora Arminda.


Mercado Municipal Adolpho Lisboa ( Arminda Mendonça de Souza )
A evolução de Manaus e o aumento da população nos idos de 1855, concorreram para a criação da “Ribeira dos Comestíveis”, sob a egide do 1º. Vice-Presidente da Província, o Bacharel Manoel Gomes Correa de Miranda, que a instalou nas proximidades do local, onde posteriormente foi edificado o primeiro Mercado Municipal. Essa “feira”, a “Ribeira dos Comestíveis”, que vendia carne verde, pirarucu, mixira, arroz, feijão, farinha, frutas e legumes, foi, posteriormente, autorizada a se transferir para a Praça da Imperatriz, atualmente Praça Osvaldo Cruz, pelo então Presidente da Província, João Wilkens de Mattos, Barão de Mariuá, através da Lei nº 191 de 25.05.1869. Alguns anos depois, nova construção foi edificada à margem esquerda do Rio Negro, à Rua dos Barés, antigo Bairro dos Remédios. As obras desse novo Mercado, foram contratadas em 23 de outubro de 1880, mas somente dois anos depois, em agosto de 1882, é que tiveram início, originalmente ocupando uma área de 5.400m2.A firma construtora Bakus & Brisbin (de Belém), entregou provisoriamente o prédio construído, a 14.07.1883, constando de um pavilhão de ferro, com 45m de comprimento por 42m de largura. Na realidade, o grande edifício de ferro não passava de um simples galpão, em duas águas, sem nenhuma estética conforme comprovam fotos e documentos da época.Quanto à data de sua inauguração, existem divergências, pois alguns afirmam que ocorreu a 15 de julho de 1883, enquanto outros, ter sido a 15 de agosto, desse mesmo ano, mas certo é que a renda do Mercado foi transferida para O Município, no dia 4 de agosto, donde se conclui que a data mais provável é a primeira. O grande edifício em ferro, com o “tecto sustentado por 28 colunas desse metal”, onde se encontra gravado em seus fustes (peça principal da coluna entre o capítel e a base) o nome de “Francisc Morton, Engineers, Liverpool”, nos dão a certeza da sua origem inglesa. O calçamento do pavimento é de laje de cantaria de forma retangular e a rua central é calcetada com paralelepípedos. Fora as duas salas principais, foram construídos 20 stands separados entre si por grades de ferro e guarnecidos de balcões de madeira com o tampo superior em mármore, onde são dispostos os produtos para vendagem. A fachada voltada para o Rio Negro era muito mais elaborada, com a finalidade de impressionar, todos aqueles que chegavam a Manaus pela única via de acesso - o rio, possuindo uma estrada e duas edificações em alvenaria de tijolos. No decorrer de 1890, face ao crescimento da cidade, o Mercado sofreu ampliação com a construção de dois galpões iguais e abertos, nas laterais, com estrutura de madeira e recobertos com telhas de zinco. Poucos anos depois, 1897, o Mercado Público, não mais dispunha das condições higiênicas necessárias a um estabelecimento dessa natureza e o Sr. Intendente Municipal da Capital, determinou por ordem verbal ao engenheiro municipal interino, Dr. João Carlos Antony, para que fizesse uma perícia naquele estabelecimento e as conclusões apontadas pelo referido engenheiro, foram as seguintes: “achei este edifício em estado lastimoso quer pelo lado de conservação quer pelo lado da hygiene... Ao primitivo edifício foram-se acrescentando sucessivamente construções sem gosto artístico e em completa desarmonia com os comesinios preceitos de hygiene. Às duas alas acrescentadas..., posteriormente, ainda se acrescentaram, outras pequenas e imundas construções destinadas a diversos e disparatados mysteres, tornando-se assim a construção antiga imprópria ao uso que se destinava...” Para efetuar os trabalhos de reforma, foi contratado o engenheiro Filintho Santoro, que deu início às obras, construindo a fachada da Rua dos Barés em alvenaria de tijolos, no entanto estas melhorias só vieram a ser concluídas pelo empreiteiro Affonso Campora, nos idos de 1906, ou seja, quase no final do mandato de Adolpho Lisboa. Um ano antes de ser concluída a reforma, 1905, foi o Mercado arrendado para o cidadão Alfredo de Azevedo Alves, tendo este fato sido motivo de ação judicial que se estendeu por mais de duas décadas e graças a isso, foi possível resgatar muito da história sobre a construção desse prédio. Após esses problemas, Alfredo de Azevedo Alves cedeu seus direitos à firma inglesa, “The Manaos Markets and Slaughterhouse Limited” que teria a finalidade exclusiva de fazer cumprir o contrato anterior, ou seja, reforma ou ampliação de acordo com os projetos da Superintendência, além de construírem um Matadouro e realizarem melhoramentos na cidade, em troca receberiam o direito à exploração de Mercado, pelo prazo de 50 anos. Só que o acordo estabelecido não foi cumprido e em 1907, com obras de ampliação não prescritas no acordo com a Superintendência, foi o contrato rompido, tendo esse fato, sido alegado como uma das causa principais. Além de pesarem suspeitas da participação de elementos da administração pública na referida firma, caracterizando má fé e má destinação do erário público. Nesse mesmo período, foram montados os dois pavilhões de ferro com 360m2 de área útil, afora as projeções dos beirais abertos, encimados por arcos de ferro e recobertos de zinco estampado, sustentados por colunas de ferro, no lado oriental e ocidental do primitivo pavilhão central, onde eram efetivadas as vendas dos já referidos produtos alimentícios. Estas fachadas possuem frontões curvos que acompanham as formas dos arcos da cobertura e ostentam ornatos filigranados, em ferro fundido, com vidros coloridos. Os pavilhões possuem parapeitos de alvenaria em pedra até 1m de altura e sobre estes, sem nenhuma pretensão estética ou mesmo plástica, colunas de ferro, onde é possível ler “Walter Marcfarlane Glasgow” inscrito e que são atestatórios de sua origem escocesa. Outro pavilhão de mesma procedência, porém de componentes arquiteturiais totalmente diversos, fora construído para a venda de tartarugas (comércio hoje extinto), e fechado por chapas de ferro, possuindo venezianas também de ferro e vidro, com a cobertura de chapas onduladas, em quatro águas, desdobradas, formando um pequeno frontão decorado com ferro fundido e vidro colorido. Além do corpo principal do prédio, existiam dois pequenos pavilhões de planta octogonal, nas extremidades do “Pavilhão das Tartarugas” que se presume, seja também de origem escocesa, apesar de não se encontrar nenhuma inscrição visível, em qualquer das chapas ou mesmo nas colunas de ferro, que confirmem sua procedência, no entanto, a comparação com outros trabalhos dessa firma, publicados em catálogos, levaram os estudiosos a comprovarem a sua origem. O primeiro desses pavilhões era destinado ao Fisco, que se encarregava da cobrança dos tributos sobre os produtos oriundos do interior do Estado. Mais tarde esses dois pavilhões (Pará e Amazonas) transformaram-se em “café e botequim”. Outra peça importante é o velho relógio do frontão da fachada dos Barés, que anteriormente estava localizado na fachada voltada para o Rio Negro, e que continua a regular as atividades do velho mercado. De modo geral, podemos dizer que a justaposição de construções criou um ecletismo característico da época que, apesar de não se integrarem plasticamente, não seguindo nenhum projeto arquitetônico, não destoam entre si e o mais louvável é que o Mercado Adolpho Lisboa, mantém a finalidade para o qual foi criado, apesar de várias vezes surgirem sugestões para que o mesmo seja transformado em loja de artesanato regional. A evolução de Manaus e o aumento da população, nos idos de 1855, concorreram para a criação da “Ribeira dos Comestíveis”, sob a egide do 1º. Vice-Presidente da Província, o Bacharel Manoel Gomes Correa de Miranda, que a instalou nas proximidades do local, onde posteriormente foi edificado o primeiro Mercado Municipal. Essa “feira”, a “Ribeira dos Comestíveis”, que vendia carne verde, pirarucu, mixira, arroz, feijão, farinha, frutas e legumes, foi, posteriormente, autorizada a se transferir para a Praça da Imperatriz, atualmente Praça Osvaldo Cruz, pelo então Presidente da Província, João Wilkens de Mattos, Barão de Mariuá, através da Lei nº 191 de 25.05.1869. Alguns anos depois, nova construção foi edificada à margem esquerda do Rio Negro, à Rua dos Barés, antigo Bairro dos Remédios. As obras desse novo Mercado, foram contratadas em 23 de outubro de 1880, mas somente dois anos depois, em agosto de 1882, é que tiveram início, originalmente ocupando uma área de 5.400m2. A firma construtora Bakus & Brisbin (de Belém), entregou provisoriamente o prédio construído, a 14.07.1883, constando de um pavilhão de ferro, com 45m de comprimento por 42m de largura. Na realidade, o grande edifício de ferro não passava de um simples galpão, em duas águas, sem nenhuma estética conforme comprovam fotos e documentos da época. Quanto à data de sua inauguração, existem divergências, pois alguns afirmam que ocorreu a 15 de julho de 1883, enquanto que outros, ter sido a 15 de agosto, desse mesmo ano, mas certo é, que a renda do Mercado foi transferida para O Município, no dia 4 de agosto, donde se conclui que a data mais provável é a primeira. O grande edifício em ferro, com o “tecto sustentado por 28 colunas desse metal”, onde se encontra gravado em seus fustes (peça principal da coluna entre o capítel e a base) o nome de “Francisc Morton, Engineers, Liverpool”, nos dão a certeza da sua origem inglesa. O calçamento do pavimento é de laje de cantaria de forma retangular e a rua central é calcetada com paralelepípedos. Fora as duas salas principais, foram construídos 20 stands separados entre si por grades de ferro e guarnecidos de balcões de madeira com o tampo superior em mármore, onde são dispostos os produtos para vendagem. A fachada voltada para o Rio Negro era muito mais elaborada, com a finalidade de impressionar, todos aqueles que chegavam a Manaus pela única via de acesso - o rio, possuindo uma estrada e duas edificações em alvenaria de tijolos. No decorrer de 1890, face ao crescimento da cidade, o Mercado sofreu ampliação com a construção de dois galpões iguais e abertos, nas laterais, com estrutura de madeira e recobertos com telhas de zinco. Poucos anos depois, 1897, o Mercado Público, não mais dispunha das condições higiênicas necessárias a um estabelecimento dessa natureza e o Sr. Intendente Municipal da Capital, determinou por ordem verbal ao engenheiro municipal interino, Dr. João Carlos Antony, para que fizesse uma perícia naquele estabelecimento e as conclusões apontadas pelo referido engenheiro, são as seguintes: “achei este edifício em estado lastimoso quer pelo lado de conservação quer pelo lado da hygiene... Ao primitivo edifício foram-se acrescentando sucessivamente construções sem gosto artístico e em completa desarmonia com os comesinios preceitos de hygiene. Às duas alas acrescentadas..., posteriormente, ainda se acrescentaram, outras pequenas e imundas construções destinadas a diversos e disparatados mysteres, tornando-se assim a construção antiga imprópria ao uso que se destinava...” Para efetuar os trabalhos de reforma, foi contratado o engenheiro Filintho Santoro, que deu início às obras, construindo a fachada da Rua dos Barés em alvenaria de tijolos, no entanto estas melhorias só vieram a ser concluídas pelo empreiteiro Affonso Campora, nos idos de 1906, ou seja, quase no final do mandato de Adolpho Lisboa. Um ano antes de ser concluída a reforma, 1905, foi o Mercado arrendado para o cidadão Alfredo de Azevedo Alves, tendo este fato sido motivo de ação judicial que se estendeu por mais de duas décadas e graças a isso, foi possível resgatar muito da história sobre a construção desse prédio. Após esses problemas, Alfredo de Azevedo Alves cedeu seus direitos à firma inglesa, “The Manaos Markets and Slaughterhouse Limited” que teria a finalidade exclusiva de fazer cumprir o contrato anterior, ou seja, reforma ou ampliação de acordo com os projetos da Superintendência, além de construírem um Matadouro e realizarem melhoramentos na cidade, em troca receberiam o direito à exploração de Mercado, pelo prazo de 50 anos. Só que o acordo estabelecido não foi cumprido e em 1907, com obras de ampliação não prescritas no acordo com a Superintendência, foi o contrato rompido, tendo esse fato, sido alegado como uma das causa principais. Além de pesarem suspeitas da participação de elementos da administração pública na referida firma, caracterizando má fé e má destinação do erário público. Nesse mesmo período, foram montados os dois pavilhões de ferro com 360m2 de área útil, afora as projeções dos beirais abertos, encimados por arcos de ferro e recobertos de zinco estampado, sustentados por colunas de ferro, no lado oriental e ocidental do primitivo pavilhão central, onde eram efetivadas as vendas dos já referidos produtos alimentícios. Estas fachadas possuem frontões curvos que acompanham as formas dos arcos da cobertura e ostentam ornatos filigranados, em ferro fundido, com vidros coloridos. Os pavilhões possuem parapeitos de alvenaria em pedra até 1m de altura e sobre estes, sem nenhuma pretensão estética ou mesmo plástica, colunas de ferro, onde e possível ler “Walter Marcfarlane Glasgow” inscrito e que são atestatórios de sua origem escocesa. Outro pavilhão de mesma procedência, porém de componentes arquiteturiais totalmente diversos e que fora construído para a venda de tartarugas (comércio hoje extinto), e fechado por chapas de ferro, possuindo venezianas também de ferro e vidro, com a cobertura de chapas onduladas, em quatro águas, desdobradas, formando um pequeno frontão decorado com ferro fundido e vidro colorido. Além do corpo principal do prédio, existiam dois pequenos pavilhões de planta octogonal, nas extremidades do “Pavilhão das Tartarugas” e que se presume, seja também de origem escocesa, apesar de não se encontrar nenhuma inscrição visível, em qualquer das chapas ou mesmo nas colunas de ferro, que confirmem sua procedência, no entanto, a comparação com outros trabalhos dessa firma, publicados em catálogos, levaram os estudiosos a comprovarem a sua origem. O primeiro desses pavilhões era destinado ao Fisco, que se encarregava da cobrança dos tributos sobre os produtos oriundos do interior do Estado. Mais tarde esses dois pavilhões (Pará e Amazonas) transformaram-se em “café e botequim”. Outra peça importante é o velho relógio do frontão da fachada dos Barés, que anteriormente estava localizado na fachada voltada para o Rio Negro, e que continua a regular as atividades do velho mercado. De modo geral, podemos dizer que a justaposição de construções criou um ecletismo característico da época que, apesar de não se integrarem plasticamente, não seguindo nenhum projeto arquitetônico, não destoam entre si e o mais louvável é que o Mercado Adolpho Lisboa, mantém a finalidade para o qual foi criado, apesar de várias vezes surgirem sugestões para que o mesmo seja transformado em loja de artesanato regional. Fontes:1. Relatório apresentado ao Exmo. Sr. Dr. Fileto Pires Firmino. Governador do Estado, pelo Secretário dos Negócios do Interior, 5 de janeiro de 1898, 211 p. Anexos.2. Relatório do Superintendente Municipal de Manaus, Adolpho Lisboa, 1902-1907, Livraria e Tipografia Universal. p.19 a 26. Do original da CEDEAM.3. SILVA, Geraldo Gomes da. Arquitetura de Ferro no Brasil. Disertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Arquiterura e Urbanismo de São Paulo. Texto datilografado. p 240 a 254.

sexta-feira, 27 de abril de 2007


MOEDAS
Todo santo dia eu ia comprar pão na Padaria Modelo, na Avenida Joaquim Nabuco com a Rua José Paranaguá; numa dessas idas e vindas, deparei com uma loja que estava vendendo moedas antigas, foi uma paixão a primeira vista, comprei de imediato a minha primeira pataca de 40 réis. O meu dever diário de comprar pão passou a ser prazeroso, pois todo dia passava em frente da loja e ficava admirando as moedas, não tinha condições financeiras para adquiri-las, ficava apenas babando. Tive que vender picolé, bombons, bolhinhas e gibis para sustentar os meus hobbys: assistir filmes no Guarany e colecionar moedas. Infelizmente tive que vender toda a minha coleção; mato a saudade visitando o Museu de Numismática, no Centro Cultural Palácio Rio Negro, na Avenida Sete de Setembro, no centro de Manaus.

História das Moedas do Brasil:
Houve tempo em que a moeda brasileira era realmente valiosa e até doce. No início da colonização, pouco se falava em dinheiro por aqui: o reduzido comércio interno era feito na base de trocas e por isso era mínima a circulação de moedas. A unidade monetária usada era o real português, mas a primeira "moeda" brasileira de fato foi o "açúcar", que em 1614 passou a valer como dinheiro, por ordem do governador Constantino Menelau. O valor da arroba (15 kg) de açúcar branco foi fixado em 1.000 réis, o do mascavo em 640 réis, e o das outras espécies em 320 réis. Só os funcionários da administração portuguesa é que recebiam salários em moeda sonante. O dinheiro vinha de Portugal, mas sua origem verdadeira era a Espanha, muito mais rica em reservas metálicas devido à maior abundância de ouro e prata em seu império colonial. Houve até uma época – durante a dominação de Portugal pela Espanha, de 1580 a 1640 – em que a moeda utilizada na Colônia brasileira era o real hispano-americano, cunhado em Potosi (Bolívia). Havia moedas de 8, 4, 2, 1 e meio reales, que correspondiam respectivamente a 160, 80, 40 e 20 réis. Em 1624, a Holanda ocupou o nordeste brasileiro; sob seu domínio foi realizada a primeira cunhagem de moedas em território nacional. Quadradas, pequenas, feitas em ouro e prata, surgiram em Pernambuco, em 1645. Serviam principalmente para pagar os soldados holandeses aqui estabelecidos. Expulsos os holandeses, em 1654, e já restaurado o reino de Portugal, voltou a valer na Colônia sua política monetária. A partir de 1669, moedas de prata portuguesas passaram a circular no Brasil, carimbadas com um sinete real, nos valores de 80, 160, 320 e 640 réis. A confusão de vários tipos de moedas, com diversas origens e valores instáveis, persistia, mas não tinha grande importância, pois no período colonial, comerciava-se pouco: o mercado interno era muito pequeno. A maioria da população era composta de escravos e colonos livres: os primeiros não podiam comprar nem vender, por sua própria condição social, enquanto que os colonos recebiam seus pagamentos em mercadorias.

Moedas propriamente brasileiras só vieram a surgir no final do século XVII. Salvador era então a principal cidade da Colônia, sua capital e o mais importante centro de negócios. Por isso foi lá que, em 1694, os portugueses instalaram a primeira Casa da Moeda do Brasil durante o reinado de D. Pedro II. As moedas eram cunhadas em ouro e prata, sendo que as de ouro valiam 1, 2, e 4 mil réis. As de prata observavam uma progressão aritmética de valores mais original: 20, 40, 80, 160, 320 e 640 réis. O povo logo lhes deu o nome de patacas, que tinha certo sentido depreciativo, pois ninguém acreditava muito no valor das moedas cunhadas no Brasil. De 1695 a 1702, foram postas em circulação peças de cobre (10 e 20 reis), cunhadas na Casa do Porto e destinadas a Angola, mas aqui introduzidas por determinação régia. Logo deixou de ser vantagem para a Coroa manter a Casa da Moeda em Salvador. Com a descoberta de jazidas de ouro pelos bandeirantes e a intensa exploração das "Minas Gerais", a fabricação do dinheiro foi transferida para o Rio de Janeiro, em 1698, aí se cunhando ouro e prata nos valores já mencionados. Em 1700, a Casa da Moeda mudou para Pernambuco, voltando, porém ao Rio de Janeiro dois anos depois. Em 1714, já no reinado de D. João V, havia duas Casas da Moeda: no Rio de Janeiro e novamente na Bahia. Em 1724 criou-se a terceira, em Vila Rica, que foi extinta dez anos mais tarde. A falta de troco era tanta que o Maranhão chegou até a ter sua própria moeda, fabricada em Portugal. Era feita em ouro e prata, nos valores usuais, e em cobre, valendo 5, 10 e 20 réis. O uso do dinheiro se restringia à faixa litorânea, onde se situavam quase todas as cidades e se realizavam as grandes transações. Nos distritos mineiros, que só produziam ouro e importavam tudo o que consumiam, o próprio ouro, cuidadosamente pesado, funcionava prevalecendo em todo o imenso interior brasileiro. Já as regiões agrícolas apresentavam um sistema econômico peculiar. As fazendas, com suas legiões de escravos, eram praticamente auto-suficientes, produzindo quase tudo que necessitavam. Nelas, o dinheiro mesmo tinha pouca importância. A riqueza era avaliada com base na propriedade imobiliária e o gado era visto como um meio de intercâmbio tão bom como qualquer outro. Até a vinda da Corte portuguesa para o Brasil, com D. João, em 1808, o valor total das moedas que aqui circulavam não ultrapassava a irrisória cifra de 10.000 contos (ou 10 milhões de réis). O sistema monetário, irracional, complicava-se cada vez mais: chegaram a circular, ao mesmo tempo, seis diferentes relações legais de moedas intercambiáveis. Além disso, ouro em barra e em pó passava livremente de mão em mão, e moedas estrangeiras, algumas falsas, eram encontradas com a maior facilidade.
Ao transferir-se para o Rio de Janeiro, a Corte acelerou consideravelmente o processo econômico. Crescendo a produção e o comércio, tornou-se imprescindível colocar mais dinheiro em circulação. Fundou-se então o Banco do Brasil, que iniciou a emissão de Papel-Moeda, cujo valor era garantido pelo seu lastro, ou seja, por reservas correspondentes em ouro. Entretanto, quando D. João VI retornou a Portugal, levou não só a Corte, mas também o tesouro nacional. Golpe grave: as reservas bancárias da Colônia reduziram-se a 20 contos de réis. No dia 28 de julho de 1821, todos os pagamentos foram suspensos. Passou-se a emitir papel-moeda sem lastro metálico suficiente, ocasionando a progressiva desvalorização do dinheiro. Assim, quando D. Pedro I se tornou imperador do Brasil em 1822, encontrou os cofres vazios e uma enorme dívida pública. A independência brasileira começava praticamente sem fundos. Sob D. Pedro II a situação melhorou um pouco, devido ao aumento da produção industrial, ao café, e à construção de ferrovias e estradas, que permitiam um escoamento mais eficiente das riquezas. A desvalorização, porém, já era um mal crônico e as crises financeiras se sucediam. Só em 1911 – em plena República – é que o dinheiro brasileiro registrou sua primeira alta no mercado internacional. De lá para cá, muita coisa mudou na economia brasileira, inclusive a moeda, que trocou de nome: ao real sucedeu, em 1942, o cruzeiro (e as subdivisões em centavos), que em 1967 se transformou em cruzeiro novo, valendo mil vezes o antigo. Três anos depois, voltou a ser apenas cruzeiro. Em 1986 surge o cruzado, em 1989 o cruzado novo, em 1990, no plano Collor, volta o cruzeiro, em 1993 o cruzeiro real e finalmente em 1994 o real.

terça-feira, 24 de abril de 2007




HOSPITAL SANTA CASA DE MISERICÓRDIA


O prédio da Santa Casa de Misericórdia de Manaus, data do ano de 1880. Durante longas décadas serviu ao povo amazonense. Segundo o articulista Ribamar Bessa, do jornal Diário do Amazonas, não foram encontradas nenhuma documentação anterior ao ano de 1950, ou seja, não conhecemos a sua história na totalidade.
A Santa Casa, foi o local em que eu nasci, incluindo todos os meus irmãos, meu filho mais velho e, praticamente todos os manauenses que vieram ao mundo até a década de 80.
Tenho um afilhado, o Jair Tupinanbá, no dia em que ele rompeu a bolsa da sua mãe, fui levá-la a pé até o hospital, resolveu dar o ar da graça bem em frente ao Ideal Clube, passei por uma situação muito difícil; por fim conseguimos chegar até o hospital; estava lotado, não teve jeito, o menino nasceu nos corredores.
Eis algumas manchetes do nosso hospital:
KÁTIA BRASILda Agência Folha, em Manaus Gêmeas deixam a cama após 24 anos inertes Era o início dos anos 80, o Brasil vivia sob as brumas do regime militar, não havia internet nem telefone celular, quando as gêmeas Ana Maria e Mariana Castro Beviláqua, de Manaus (AM), então com dois anos, submergiram em um estado de letargia após uma forte febre seguida de convulsão. Para a família, não havia esperança --o diagnóstico dos médicos era de paralisia cerebral. Foram 24 anos deitadas numa cama sem falar nem fazer movimentos com as pernas e os braços. As duas não viram passarem seis presidentes, o fim do comunismo nem a revolução on-line. Mas, agora, as gêmeas voltaram a ter uma vida quase normal. Freqüentam a escola e estão sendo alfabetizadas. Em março de 2003, após um exame neurológico realizado na Santa Casa de Misericórdia de Manaus, elas iniciaram o tratamento da síndrome de Segawa ou distonia responsiva à dopa (DRD, na sigla em inglês). O diagnóstico da síndrome de Segawa causou surpresa à família. "Íamos aos hospitais, e diziam que era paralisia cerebral. Naquele tempo tudo era muito difícil", diz a lavadeira Maria do Socorro Castro Paz, 55, mãe das jovens. A enfermidade que as acometeu é caracterizada por distúrbios de postura e de locomoção motora (leia texto nesta página).Quando o diagnóstico é feito na infância, o que não ocorreu no caso das gêmeas --a doença é conhecida somente desde os anos 70--, a pessoa pode ter uma vida normal, mas deve tomar a medicação de maneira vitalícia, sem interromper a terapia.O tratamento das gêmeas Ana Maria e Mariana Beviláqua começou primeiro na Santa Casa de Misericórdia de Manaus, unidade que faliu neste ano. Hoje, elas são atendidas, a cada três meses, na Fundação Hospital Adriano Jorge, também no Estado.
“Morreu Álvaro Maia à 01h15min da madrugada de 4 de maio de 1969, num apartamento do Pavilhão Santana, da Santa Casa de Misericórdia de Manaus, acometido de infarto do miocárdio na manhã da véspera. Assistiram ao desenlace o médico assistente, Dr. Osvaldo Said, acompanhado pela enfermeira Ruth Helena, pela Srtª. Maria Helena Paiva Monte (prima) e Dr. Erasmo Alfaia (amigo). Imediatamente a notícia se espalhou e começaram a chegar ao hospital os amigos do morto, que foi velado no hall do Palácio Rio Negros desde o alvorecer. O sepultamento de Álvaro Maia se deu ao fim da tarde de 5 de maio, no Cemitério São João Batista, acompanhado por grande massa humana, sentida e emocionada”. (Dados biográficos de Álvaro Maia, de autoria do Dr. Djalma Batista, publicado no livro “Álvaro Maia – Poliantéia – 1984”).
Começa os estudos para reabertura da Santa Casa
Grupo de trabalho instituído para levantar situação física, financeira e funcional da unidade hospitalar apresentará informações parciais a cada semana. Prazo para conclusão dos trabalhos é de 60 dias.
Os 13 profissionais que compõem o grupo de trabalho, instituído junto à Secretaria de Estado da Saúde (Susam) na última sexta-feira, para verificar a atual situação da Santa Casa de Misericórdia e propor soluções para sua reativação, realizaram a primeira reunião na manhã da segunda-feira, 12.
De acordo com o presidente do grupo, médico Arnoldo Andrade, foram criadas quatro comissões temáticas, que começam a levantar informações gerais sobre a Santa Casa a partir da terça-feira, 13.
Os trabalhos serão feitos nos eixos de Administração e Finanças, para conhecimento de dívidas, análise de documentos e situação dos recursos humanos; Infra-estrutura e Patrimônio, para levantamento patrimonial e condições prediais; e Assistência à Saúde, para verificação dos ambientes hospitalares e as possibilidades de funcionamento e novas propostas. Também foi criada a comissão de Apoio, para responder aos questionamentos que não estejam inseridos nas outras três comissões e para dar suporte ao trabalho de todos os profissionais envolvidos.
A conclusão dos trabalhos deverá ser apresentada à Susam no prazo máximo de 60 dias, mas resultados parciais do estudo deverão ser apresentados semanalmente, conforme orientação do presidente Arnoldo Andrade. "Vamos elaborar propostas para curto, médio e longo prazo".
As comissões terão como ponto de partida o relatório preparado pela Susam, em março de 2005. O documento serviu de base para as primeiras propostas que o Governo do Estado apresentou à provedoria da Casa, à época. São dois volumes com mais de 300 páginas, reunindo textos e fotografias sobre as condições físicas e financeiras do hospital naquela data: cerda de R$ 7 milhões de dívidas, a maior parte referente a obrigações sociais e trabalhistas, e estrutura física precária na maioria dos ambientes que compõem os quase 15 mil metros quadrados de área construída da centenária unidade hospitalar.
"Para atualizar as informações vamos aplicar os mesmos instrumentos para o levantamento de dados e seguir o mesmo roteiro", explica Arnoldo. Todos os ambientes da Santa Casa foram visitados pelos membros do Grupo de Trabalho na manhã de ontem, para uma espécie de reconhecimento inicial da área que será avaliada.
A estrutura da Santa Casa conta com dois ambulatórios com 17 consultórios médicos e oftalmológicos, 202 leitos distribuídos em apartamentos e enfermarias da área clínica, cirúrgica e de maternidade, centro cirúrgico com cinco salas, uma UTI em construção e as áreas de apoio tradicionais como lavanderia, laboratórios, cozinha banco de sangue e salas administrativas. "Os ambientes e os equipamentos estão bastante deteriorados, mas os estudos mostrarão o que realmente terá que ser feito para recuperá-los, e o tempo necessário para isso", disse Arnoldo Andrade.
A atual presidente da Santa Casa, Ana Selma Pinheiro, que também integra o grupo de trabalho, afirma que a unidade está se esforçando para evitar que o patrimônio seja ainda mais desgastado. Ela comemora o trabalho de parceria que está sendo feito com o Governo do Estado e acredita que desta vez, uma solução viável será encontrada para a reativação da Santa Casa.
Desde 2005, o Governo sinalizou e apresentou propostas concretas para a reabertura do hospital, fechado no final de 2004, devido a grave crise financeira e administrativa.




TURMA DE DIREITO DA UNIP/MANAUS.

quinta-feira, 19 de abril de 2007




22 DE ABRIL - DESCOBRIMENTO DO BRASIL
O Descobrimento

Depois de 44 dias de viagem, a frota dePedro Álvares Cabral vislumbrava terra - mais comalívio e prazer do que com surpresa ou espanto
Na terça-feira à tarde, foram os grandes emaranhados de "ervas compridas a que os mareantes dão o nome de rabo-de-asno." Surgiram flutuando ao lado das naus e sumiram no horizonte. Na quarta-feira pela manhã, o vôo dos fura-buchos, uma espécie de gaivota, rompeu o silêncio dos mares e dos céus, reafirmando a certeza de que a terra se encontrava próxima. Ao entardecer, silhuetados contra o fulgor do crepúsculo, delinearam-se os contornos arredondados de "um grande monte", cercado por terras planas, vestidas de um arvoredo denso e majestoso. Era 22 de abril de 1500. Depois de 44 dias de viagem, a frota de Pedro Álvares Cabral vislumbrava terra - mais com alívio e prazer do que com surpresa ou espanto. Nos nove dias seguintes, nas enseadas generosas do sul da Bahia, os 13 navios da maior armada já enviada às Índias pela rota descoberta por Vasco da Gama permaneceriam reconhecendo a nova terra e seus habitantes. O primeiro contato, amistoso como os demais, deu-se já no dia seguinte, quinta-feira, 23 de abril. O capitão Nicolau Coelho, veterano das Índias e companheiro de Gama, foi a terra, em um batel, e deparou com 18 homens "pardos, nus, com arcos e setas nas mãos". Coelho deu-lhes um gorro vermelho, uma carapuça de linho e um sombreiro preto. Em troca, recebeu um cocar de plumas e um colar de contas brancas. O Brasil, batizado Ilha de Vera Cruz, entrava, naquele instante, no curso da história. O descobrimento oficial do país está registrado com minúcia. Poucas são as nações que possuem uma "certidão de nascimento" tão precisa e fluente quanto a carta que Pero Vaz de Caminha enviou ao rei de Portugal, dom Manuel, relatando o "achamento" da nova terra. Ainda assim, uma dúvida paira sobre o amplo desvio de rota que conduziu a armada de Cabral muito mais para oeste do que o necessário para chegar à Índia. Teria sido o descobrimento do Brasil um mero acaso? É provável que a questão jamais venha a ser esclarecida. No entanto, a assinatura do Tratado de Tordesilhas que, seis anos antes, dera a Portugal a posse das terras que ficassem a 370 léguas (em torno de 2 mil quilômetros) a oeste de Cabo Verde, a naturalidade com que a terra foi avistada, o conhecimento preciso das correntes e das rotas, as condições climáticas durante a viagem e a alta probabilidade de que o país já tivesse sido avistado anteriormente parecem ser a garantia de que o desembarque, naquela manhã de abril de 1500, foi mera formalidade: Cabral poderia estar apenas tomando posse de uma terra que os portugueses já conheciam, embora superficialmente. Uma terra pela qual ainda demorariam cerca de meio século para se interessarem de fato.


Tiradentes nasceu no ano de 1746, na Fazenda do Pombal, em Minas Gerais, propriedade da família. Não há registro da data de seu nascimento, apenas do seu batismo, em novembro daquele mesmo ano. Ficou órfão cedo - perdeu a mãe aos nove anos de idade e o pai aos 11, sendo criado, desde então, por um padrinho, que lhe ensinou a prática da odontologia.
A família não era pobre. Pertencia à nobreza civil, diferente da nobreza concedida por títulos.
Joaquim José da Silva Xavier, todos sabem, praticava a odontologia. E daí seu apelido: Tiradentes. Mas o que poucos sabem, ao contrário do que seu codinome insinua, é que o nosso herói da inconfidência não suportava arrancar dentes. Isso mesmo! Já era um adepto, então, do que se costuma chamar, hoje em dia, de odontologia preventiva. Ou seja, Tiradentes era muito mais a favor de preservar os dentes do que arrancá-los. Além do mais, não se preocupava apenas com os dentes. Preocupava-se também com o resto do corpo, fazendo uso, inclusive, de plantas medicinais, um modismo típico da medicina praticada na Europa do século dezoito.
No caso de Tiradentes, sua recusa em usar métodos terapêuticos agressivos se deve à influência exercida sobre ele pelo seu primo Frei Veloso, na época um grande botânico, que catalogou mais de 2000 plantas no Vale do Paraíba do Sul e organizou o Jardim Botânico, no Rio.
O idealismo de Tiradentes o levou a se envolver de corpo e alma na Inconfidência Mineira (movimento revoltoso ocorrido em 1789, na cidade de Vila Rica, hoje Ouro Preto, a favor da emancipação do Brasil da Corte Portuguesa). Seu envolvimento com a Inconfidência aconteceu após uma viagem ao Rio de Janeiro, em 1787, quando ele entrou em contato com as novas idéias políticas e filosóficas recém-chegadas da Europa. Esses novos pensamentos o influenciaram fortemente. Ao voltar para Vila Rica, em 1788, passou a divulgar em público os propósitos do movimento mineiro. Foi traído por Joaquim Silvério dos Reis, em 1789, quando foi preso no Rio de Janeiro. Ficou confinado numa cela durante três anos e no processo de investigação, conhecido como Devassa, foi interrogado quatro vezes e confrontado com todos que o denunciaram. Assumiu a responsabilidade da conspiração, inocentando os outros co-réus e, em 18 de abril de 1789, ouviu sua sentença de morte. Antes de ser enforcado no campo da Lampadosa - atual Praça Tiradentes - no Rio de Janeiro, disse: "Cumpri a minha palavra! Morro pela liberdade!"
Seu corpo foi esquartejado e a cabeça exposta em Vila Rica. Os outros pedaços foram espalhados pelo caminho, seus bens confiscados e sua memória difamada.
Só em 1822 Tiradentes foi reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira e em 1865 proclamado Patrono Cívico da nação brasileira.
É sabido que, entre os anos de 1786 e 1789, Tiradentes fez várias viagens ao Rio e que, nessa época, já devia estar conspirando em favor da inconfidência. No Rio, além do contato com idéias revolucionárias, se dedicou a muitos projetos de melhoria urbana.
Ele conhecia bem a cidade, seus morros, seus arredores, o povo do lugar, que também o conhecia como dentista prático. Suas habilidades, no entanto, não se limitavam apenas aos da odontologia. Tinha bons conhecimentos de topografia, o que fez com que Tiradentes intuísse grandiosos projetos de melhora urbanística para o Rio.
Documentos datados daquela época possibilitam concluir que o nosso impetuoso alferes idealizou diversas obras para a cidade. São elas:
abastecimento regular da cidade, pela canalização das águas do Rio Andaraí
construção de moinhos aproveitando a canalização do rio e mais os desníveis dos córregos Catete, Comprido, Laranjeiras e Maracanã
construção de um trapiche, isto é, o cais do porto, rudimentar, de madeira, avançando da praia o máximo possível dentro do mar
construção de armazéns para guarda de gado e outras mercadorias que, desembarcadas, ficavam expostas ao sol, à chuva e aos furtos
serviços de barcas de transporte de passageiros do Rio a Niterói (Praia Grande)
Em tempo: 30 anos depois de ter projetado essas melhorias, Dom João VI mandou fazer a canalização do rio, seguindo os planos de Tiradentes e, em 1889, exatamente 100 anos depois, o engenheiro André Paulo de Frontin canalizou as águas da Serra do Tinguá, dentro dos mesmos moldes arquitetados pelo inconfidente.

Tiradentes só começou a ser cultuado 98 anos depois de sua morte - sendo considerado herói nacional a partir de 1890. A imagem de mártir e patrono da nação foi construída pelos republicanos que representasse a luta pela ruptura do domínio português.
O mártir está diretamente ligado ao movimento que ficou conhecido como "Inconfidência Mineira". Os historiadores preferem "Conjuração Mineira" já que o que aconteceu em Minas Gerais foi um ato organizado para conquistar a independência do país e não um ato de deslealdade, traição ou infidelidade, que servem para traduzir a palavra inconfidência. Somente sob a ótica dos colonizadores, os "inconfidentes" foram considerados traidores.
cabeça de Tiradentes foi levada do Rio de Janeiro para Vila Rica, em Minas Gerais e ficou exposta num poste em frente à Igreja Nossa Senhora dos Remédios dos Brancos. Na terceira noite, foi roubada e nunca mais foi encontrada.
Tiradentes seguiu carreira militar, ocupando o posto de alferes, palavra que vem do árabe "al-fars", o cavaleiro. Significa o antigo oficial do exército com posto logo abaixo do tenente.

quarta-feira, 18 de abril de 2007


AS ONG´S E A AMAZÔNIAJosé Ribamar Bessa Freire08/04/2007 - Diário do Amazonas
“Temos 7.500 ONGs indígenas, mas para comprarmos o caixão do Galdino [Jesus dos Santos, índio Pataxó assassinado em Brasília] foi preciso pedir dinheiro ao governador. As ONGs deveriam estar aqui prestando contas a esta casa, a casa do Legislativo, de todo esse dinheiro que furtou das sociedades indígenas. Muito obrigado, senhor presidente”.
Este trecho, extraído da fala final de um cacique na sessão de 28/03/2001 de uma Comissão da Câmara dos Deputados em Brasília, pode ser um bom ponto de partida para discutir as expectativas dos índios em relação às organizações não-governamentais na Amazônia, questionar os objetivos dessas instituições e avaliar os seus resultados.
Discussão similar foi feita recentemente pelo filme ´Vale o quanto pesa ou é por quilo´? (2005), de Sérgio Bianchi, que faz uma crítica lúcida e implacável à atuação de algumas ONGs, colocando em xeque o trabalho ´desinteressado´ delas. Ele conclui, com ironia e desalento, que se os recursos destinados a projetos de atendimento aos menores de rua tivessem sido divididos pura e simplesmente entre os destinatários dos benefícios, era possível mantê-los todos, com bolsa integral, nos mais caros colégios particulares do Rio de Janeiro ou São Paulo. Acontece que grande parte da verba é consumida em viagens, diárias, estudos, consultorias, salários, impostos, aluguel, compra de equipamentos, computadores, ar-condicionado, etc
Qual seria o resultado se o montante de recursos financeiros empregados pelas ONGs nas áreas indígenas fosse dividido pelo número de índios? A resposta a essa pergunta é que nutre o sentimento que está por trás da fala citada do cacique. Ele se sente “roubado”, acreditando que os recursos financeiros, captados com o objetivo de beneficiar os povos indígenas, desaparecem no ralo da burocracia e no pagamento a terceiros por serviços prestados. O cacique tem razão de pensar assim?
O seu discurso contém elementos críticos legítimos, mas parece incorrer num erro de avaliação ao generalizar, sem perceber que as ONGs são como o colesterol: há o bom e o mal. É preciso diferenciar as que trabalham com seriedade em parceria com as comunidades indígenas daquelas convertidas em autênticos “gigolôs” de índios. Coincidentemente, essa confusão vem sendo cultivada por setores contrários aos direitos indígenas garantidos pela Constituição de 1988, que colocam todas as ONGs no mesmo saco, quando é preciso diferenciá-las
Segundo Vilmar Berna existem as chamadas “ONGs de combate”, cujo objetivo é organizar e mobilizar os setores interessados para reivindicar melhor qualidade de vida; as “ONGs profissionais”, que vão mais além e montam uma estrutura capaz de elaborar e executar projetos em parceria com governos, empresas e organizações indígenas, usando recursos públicos ou privados destinados a projetos; e até mesmo as denominadas “ONGs de cartório”, criadas para se beneficiarem de isenções fiscais e agregar valor às suas marcas institucionais, “desvirtuando e confundindo a noção de ONGs como organizações que representam os interesses da sociedade civil”.
As cifras indicam que no Brasil existem aproximadamente 250 mil organizações sem fins lucrativos, que movimentam anualmente bilhões de reais e contam com a colaboração de 3 milhões de pessoas. No entanto, não sabemos com precisão quantas dessas organizações atuam na Amazônia, quais são os seus projetos e resultados, de onde vêm os recursos com os quais operam, qual a porcentagem de fundos públicos e de que ministérios saíram, como estão sendo utilizados esses recursos, quantos voluntários prestam serviços a essas entidades etc.
As dúvidas são muitas, sobretudo agora que as ONGs, sempre em expansão, estão na berlinda. Houve até mesmo proposta para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito com o objetivo de investigá-las. Mas as respostas são ainda poucas. Não existem dados confiáveis, nem uma avaliação rigorosa da atuação dessas entidades, que tiveram sua imagem recentemente danificada, sobretudo porque a ausência de informações contribuiu para que se generalizasse, indevidamente, para todas as ONGs, as prática ilícitas de algumas “ONGs de cartório” que serviram de ´laranja´ para desvio de dinheiro público. De qualquer forma, parece legítima a reivindicação do cacique para que todas elas prestem contas do que fazem.
A sociedade começa a cobrar das ONGs maior transparência e visibilidade. Embora o presidente Lula tenha vetado recentemente a exigência de licitação para a escolha de Ongs que prestam serviços à comunidade com o dinheiro público, o ministro Jorge Hage (Controle e Transparência) anunciou em algum momento que estava estudando critérios de seleção para entidades contratadas pela União.
O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), através de uma Resolução de 1989, criou o Cadastro Nacional de Entidades Ambientalistas (CNEA), com o objetivo de manter em banco de dados o registro de entidades ambientalistas não-governamentais atuantes no país, cuja finalidade principal seja a defesa do meio ambiente. O Cadastro, acessado por órgãos governamentais e não-governamentais, nacionais e internacionais, disponibiliza informações para o estabelecimento de parcerias, habilitação em projetos, convênios e divulgação em geral.
Esse talvez seja o caminho para evitar a proliferação de instituições “pilantrópicas”, permitindo o estabelecimento de parcerias que possibilitem o cumprimento por parte do Estado de suas responsabilidades constitucionais e a garantia de políticas sociais diferenciadas, com ampla participação dos povos indígenas em todas as suas etapas de discussão e execução.
Essas parcerias já vêm se desenvolvendo com instituições criadas pelo próprio movimento indígena como a FOIRN – Federação das Organizações Indígena do Rio Negro, a OGPTB – Organização Geral dos Professores Ticuna Bilíngües; a OPIAC – Organização dos Professores Indígenas do Acre e a Vyty-Cati – Associação das Comunidades Timbira do Maranhão e Tocantins, envolvendo ainda ONGs como a ATIX – Associação Terra Indígena Xingu; a CCPY – Comissão Pró-Yanomami­­­; a CTI – Centro de Trabalho Indigenista; a CPI-AC – Comissão Pró-Índio do Acre; o Instituto de Pesquisa e Formação em Educação Indígena e o ISA &ndash! ; Instituto Socioambiental e muitas outras que desenvolvem projetos com os índios.
Na realidade, como sinaliza Hélio Matos, “a imensa maioria das organizações do Terceiro Setor é séria, honesta, não vive de dinheiro público. A maior parte dessas organizações se mantém basicamente pela solidariedade e pelo dinamismo da Sociedade Civil Brasileira, que são também imensos, ao contrário do que prejulgam aqueles aos quais faltam tais sentimentos republicanos e cidadãos

quinta-feira, 5 de abril de 2007

CINE GUARANI

CINE GUARANY

Freqüentava religiosamente o Cine Guarany, de preferência aos domingos, na sessão das 12h45min, passava sempre dois filmes, um de bang bang e outro romano.

Pela parte da manhã, eu e a molecada da Rua Igarapé de Manaus ficávamos tomando banho e pulando da Ponte Romana I, quando dávamos conta do horário já passava das 12h.

Corria até a minha casa, tomava um banho rápido para tirar o cauxi, vestia a minha roupa domingueira; não dava mais tempo para almoçar; saía correndo para assistir aos filmes no saudoso Cine Guarany.

Enquanto estava na fila para comprar o bilhete de ingresso, aproveitava para saborear um famosíssimo sanduíche de cachorro quente, servido com refresco de maracujá.

Ficava observando um mendigo chamado Jaú.
- uma esmolinha para o cego, uma esmolinha, por favor! Conseguia desviar-se dos homens; das mulheres nem tanto, era o famoso mão boba.

Gostava de ficar no lugar de cima, chamado de Poleiro; quando as luzes se apagavam era o momento certo para xingar e cuspir no pessoal que ficava no térreo, algumas vezes pegava alguns cascudos, outras vezes era advertido pelo lanterninha, era tudo diversão!

O sinal sonoro, o barulho dos ventiladores laterais, o fechamento das portas de madeira, a escuridão, a abertura das cortinas, o ataques dos veados em cima da macharada, os gols da rodada e a gritaria da molecada enxotando o urubu, tudo isso marcaram nossa infância.

Estou procurando um filme chamado Cine Paradiso, somente para matar a saudade do Guarany.

Abaixo transcrevo um comentário sobre este filme:

Cinema Paradiso
(Nuovo Cinema Paradiso, 1989)
Por Deivid Cardoso20/04/2004



Uma das coisas mais belas que a vida nos traz são as amizades que conseguimos ao longo dela. Não importa se são entre mulheres, homens, jovens, adultos, ou até entre crianças e adultos, desde que elas sejam verdadeiras. Isso é o que o diretor Giuseppe Tornatore, de Cinema Paradiso, nos mostra, em uma linda história entre uma criança que adorava ir ao cinema e o projecionista do local, que já era uma pessoa mais vivida. Quem é fã de cinema e já assistiu a esse filme sabe do que estou falando. Mas para os que somente o conhecem de nome, ou por ter ganhado o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1989, direi o que acho dessa bela obra.
O filme conta a trajetória desde a infância difícil, passando pelos problemas da adolescência, até a maturidade de Salvatore di Vitto (também conhecido por todos como Toto). O personagem foi interpretado por três atores diferentes: Salvatore Cascio (quando criança), Marco Leonardi (quando adolescente) e na fase adulta Jacques Perrin. A história se passa em uma Itália pós-guerra, na pequena cidade de Giancaldo. Um lugar onde todo mundo se conhece e a única atração restante é o velho Cinema Paradiso, aonde todos vão aos finais de semana para se divertirem um pouco.
Antes das sessões serem passadas ao público em geral, o padre local assiste ao filme da semana em particular para fazer a censura, cortando cenas que ele acha serem desprovidas de pudor. Isso sempre afetou as sessões, pois bem na hora daquele esperado beijo ardente, a cena é cortada para a seguinte, causando um furor entre os espectadores. Foi em uma dessas sessões de corte que o pequeno Toto, àquela época o coroinha do padre, que sempre freqüentava o cinema escondido dele, conheceu o projecionista do cinema, Alfredo (interpretado por Philippe Noiret). Assim, começou a amizade entre os dois, que a princípio não foi das melhores, pois o homem não gostava que o pequeno se metesse em seu trabalho. Também porque a mãe de Toto, que estava sempre à espera de seu marido que nunca voltaria da guerra, não aceitava que seu filho pequeno perdesse seu tempo indo ao cinema.
Por viver em um lar atormentado e ver no cinema sua única forma de esquecer os problemas de sua ainda curta vida, Toto foi perseverante e conseguiu que a amizade de Alfredo fosse conquistada. Agora os dois eram os projecionistas do Paradiso e podiam ver de camarote a alegria de um povo que via no cinema a sua forma de diversão. Tudo corria muito bem, até que um dia a película pega fogo, incendiando todo o cinema e fazendo com que Alfredo, salvo por Toto, ficasse cego, e o Paradiso fosse destruído por completo. Mas um morador local que havia ganhado na loteria e ficado milionário reconstruiu e o batizou de “Novo Cinema Paradiso”. Assim, Toto foi contratado e assumiu o cargo de seu velho amigo.
Os anos se passaram e o menino virou um adolescente cheio de vaidades e se apaixonou por uma moça, mas não foi retribuído. Sendo persistente como sempre, ele ganhou o seu amor. Mas foi por pouco tempo, pois ele teve de servir o seu exército e ela, ir para a faculdade. Voltando do exército, mas vendo que ali não tinha mais nada a fazer sem seu amor por perto, e com o conselho de seu velho amigo na cabeça, foi embora da cidade para tentar uma nova vida, onde veio a se tornar um cineasta, somente voltando trinta anos mais tarde, já amadurecido pela idade e pelas experiências de vida.
Cinema Paradiso não possui somente uma história tocante e de personagens sinceros e bem desenvolvidos. As tomadas são muito bem filmadas e o roteiro foi muito bem escrito pelo diretor e por Vanna Paoli (que foi uma colaboradora), mostrando um ambiente simples, mas ao mesmo tempo rico em personagens, mesmo os coadjuvantes, como o homem que se denomina dono da praça onde o cinema se localiza. A sequência em que os meninos ficam um pouco excitados com uma cena que está passando (isso quando o padre não as censurava mais) também é de uma inteligência rica.
Com um ambiente único e bem filmado, mostrando-nos nas expressões de cada personagem seus mais fortes sentimentos, Cinema Paradiso é uma ode à vida. O filme conta que a vida somente tem um sentido se temos alguma paixão e amizade para compartilhá-la, pois mesmo tendo muitos amores em sua vida, Toto nunca mais esqueceu de seu velho amigo e do Paradiso, que foi demolido para a construção de um estacionamento (essa é sem dúvida a cena mais emocionante do filme). Usando de palavras ditas pelo próprio personagem do filme, eu o descrevo como uma experiência “bela, mas triste”, pois todos nós, amantes do cinema, temos um pouco do Toto em nossos interiores.