segunda-feira, 1 de junho de 2026

LIVRO 'EDUARDO RIBEIRO - VIAGEM AO PASSADO DE MANAUS' - AUTOR: JOSÉ ROCHA

­­­­­­­­­­­­­­­­­­Introdução

Ao escrever este livro, levei em consideração tanto a memória coletiva do povo amazonense quanto os registros históricos. A memória coletiva, por sua natureza subjetiva, apresenta diferentes versões de um mesmo acontecimento; já os fatos históricos são objetivos e precisos, baseados em fontes oficiais e aceitos pela comunidade de historiadores. A fusão desses elementos enriqueceu a narrativa, tornando-a atraente para diversos públicos. Se por vezes a história pode parecer árida, a memória coletiva lhe confere cor e brilho, revestindo os fatos de vida e emoção. Essa combinação também desperta maior interesse nos leitores. Este livro apresenta-se como um romance histórico, fruto de minha imaginação criativa e de intensas pesquisas em jornais antigos e obras de escritores amazonenses. Contou ainda com a colaboração da Inteligência Artificial, baseada em sistemas neurais artificiais inspirados no cérebro humano. Apesar desse esforço, reconheço que a obra pode conter erros e omissões. Seu objetivo principal é oferecer um vislumbre da história antiga e contemporânea da cidade de Manaus, bem como daquilo que permanece na memória de seu povo ao longo dos séculos. A construção desta obra envolveu inúmeros desafios, especialmente no desenvolvimento da trama, dos personagens e na criação de um universo que mescla realidade e imaginação. Inspirada pela física teórica e pela liberdade criativa da ficção, a narrativa ousa ultrapassar fronteiras de tempo e espaço. Na trama, a personagem principal vive no passado e, em sonhos, encontra-se com um personagem do presente. Juntos, viajam por meio de um portal, retornam ao presente e exploram diferentes épocas. No entanto, na imaginação do escritor, tudo é possível: personagens vivenciam aventuras em diferentes períodos, presenciam eventos marcantes e até mesmo alteram o curso da história. A ficção, afinal, oferece um espaço seguro onde as regras da física podem ser flexibilizadas para transmitir ao leitor a mensagem que desejo compartilhar. Este pequeno livro, com pouco mais de quarenta páginas, é repleto de emoção e inspiração histórica. Convido você a aproveitar cada página, deixar-se levar pela magia da leitura, enriquecer seus conhecimentos, refletir sobre sua própria vida e valorizar ainda mais nossa história e memória coletiva. Que todos tenham uma envolvente viagem no tempo.

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"...Naquele setembro quente e úmido, embarcou sozinho para Manaus. Não era uma visita qualquer. Riba voltava exatamente nas comemorações do sesquicentenário de nascimento de Eduardo Ribeiro, o enigmático governador negro que revolucionara              a cidade, o homem que, contra todas as forças contrárias, fincara no coração da floresta a joia que simbolizaria a ‘Paris dos Trópicos’.

O destino levou Riba ao Teatro Amazonas, que conhecia de cor desde a sua adolescencia como morador da Rua Tapajós e de participante da juventude franciscana da Igreja de São Sebastião - ou achava que conhecia. Caminhou pelos corredores vazios, saboreando o silêncio raro. Cada sala respirava história. Cada degrau parecia pulsar memórias de gala, glória e suor de operários. Até que algo quebrou aquela paz.

Uma pessoa passou correndo por ele, entrando no banheiro masculino. Era um homem de pele negra brilhando sob a luz amarela do corredor, vestido de maneria formal e elegante, com paletó, colete e calças escuras, gravata, camisa de colarinho alto e abotaduras, fraque e uma bengala. Riba parou. O coração bateu como se reconhecesse antes mesmo da razão. Aquela figura - real demais para ser sonho, improvável demais para ser real - entrou no banheiro masculino. O escritor hesitou por um segundo. Depois, como quem aceita um chamado antigo, abriu a porta.

 Ali estava ele. Eduardo Gonçalves Ribeiro, em carne, presença e mistério. O Pensador o observou com firmeza, como quem já o esperava. E falou com a naturalidade de quem conversa fora do tempo:

- Eu sabia, Ribamar. Você sempre acreditou que o tempo é uma estrada. Hoje, ela se abriu para nós dois. O escritor não respondeu. Apenas sentiu. Sentiu que aquela aparição não era visão, truque ou fantasma. Era convite.

Eduardo aproximou-se, apoiando a bengala no chão com leveza:

- Voltei para o presente e vim buscar você para o passado. Há coisas que só podem ser entendidas lá onde aconteceram. Venha. Vou lhe mostrar minha vida, minhas batalhas, minhas perdas. Irei falar sobre o meu nascimento, meus estudos, minhas publicações no jornal ‘O Pensador’, onde eu combatia a Monarquia e lutava pela implantação da República, tudo isto em São Luís do Maranhão. Você irá conhecer como foi a minha chegada a Manaus, o meu trabalho em prol da população, as obras que ficaram para a posteridader, as guerras políticas que enfrentei aqui e o suposto suicídio em minha Chacara e, sobretudo, quero que veja com seus próprios olhos o que fizeram comigo… e por quê, além de alguns acontecimentos após a minha passagem para outro plano – depois, voltaremos ao presente, onde você poderá escrever um livro contando a minha real história, enquanto eu, ficarei voltando algumas vezes ao presente,  passeando pelos corredores da minha obra-prima, o orgulho do povo amazonense, o nosso magestoso Teatro Amazonas, onde gosto de assistir do ‘Camarote Oficial do Governador’ as  apresentações do Festival de Ópera, Jazz, Companhias Teatrais e apresentações de artistas locais, nacionais e até internacionais.

Já próximo às dezessete horas, o momento de fechamento do Teatro Amazonas para visitação pública e sob orientação de Eduardo, os dois caminharam até a ‘Varanda Externa da Fachada Principal’. A boquinha da noite manauara parecia guardar mais segredos do que estrelas. Lá embaixo, a Praça São Sebastião repousava silenciosa, tendo ao centro o Monumento à Abertura dos Portos às Nações Amigas. Eduardo levantou a mão. O ar vibrou. O chão respirou. Um círculo de luz abriu-se diante deles, como se a própria história estivesse sendo reescrita. Um ‘Portal’, vivo, pulsante, chamando. Riba sentiu o corpo tremer - não de medo, mas de reconhecimento. A fronteira entre passado e presente estava se desfazendo.

 Eduardo sorriu:

- Pronto, Ribamar? Agora começa a verdadeira história. E juntos, lado a lado, atravessaremos o portal. Estamos na minha cidade natal, São Luís, capital do Maranhão. Vou resumir sua história, embora saiba que o ilustre professor conhece muito bem a História do Brasil. A cidade foi fundada em 1612 pelos franceses, liderados por Daniel de La Touche e François de Rasilly, em homenagem ao rei Luís XIII da França. Inicialmente parte da França Equinocial, foi conquistada pelos portugueses em 1615, sob o comando de Jerônimo de Albuquerque, dando início a um longo período de domínio colonial. Ao longo do tempo, São Luís passou por três fases principais: o domínio francês (1612–1615), o domínio português (a partir de 1615) e um breve período de ocupação holandesa (1641–1644). No século XIX, destacou-se economicamente com a exportação de algodão, o que impulsionou seu crescimento e modernização. Seu Centro Histórico é um dos maiores patrimônios culturais do Brasil, reconhecido pela arquitetura colonial portuguesa e pelo uso característico de azulejos nas fachadas. A cidade teve grande importância econômica durante o período colonial e mantém, até hoje, um rico legado cultural, marcado pela forte presença de tradições populares.

- Eu já conhecia, de fato, um pouco da história da cidade de São Luís, pois tenho grande interesse pelas tradições populares. Além disso, por ser manauara, sinto ainda mais gratidão por você - um maranhense que chegou jovem à minha cidade e ajudou a transformá-la em uma das mais belas do país, deixando obras suntuosas que continuam     a ser admiradas por várias gerações de amazonenses, brasileiros e até estrangeiros que visitam Manaus - disse Ribamar.

- Obrigado, Ribamar! Sei que não medi esforços para transformar, em poucos anos, a cidade de Manaus, mesmo sendo um homem negro e vindo de outro estado. Isso me trouxe alguns dissabores, pois fui perseguido por parte da elite local, que não aceitava meu trabalho honesto e administrativamente impecável. Alguns chegaram a sentir inveja da minha atuação ao transformar, em  apenas quatro anos, Manaus em uma cidade com estilo europeu em plena Amazônia...."

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