domingo, 24 de julho de 2011

NONATTO, O CABOCLO-GAÚCHO (MANAUCHO).


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O nosso país é de dimensão continental, com uma diversidade cultural enorme, num extremo faz um calor de derreter a moleira, por estar próximo a linha do Equador, enquanto, no outro, faz frio de doer os ossos, chegando até a nevar, são opostos em tudo, mas, dizem que eles se atraem.

Imaginem uma pessoa que nasce na parte de cima, passando toda a sua infância e adolescência comendo Jaraqui com farinha, tomando banhos nos igarapés e, saboreando de montão o Tacacá na cuia. Pai d’égua, mano!

Porém, na sua fase adulta, resolve morar na parte de baixo, tendo de se acostumar a usar roupas de frio, comer churrasco de costela e, tomar Chimarrão na cuia. Más que barbaridade tchê!

Pois bem, o meu amigo Nonatto Silva, é um bom exemplo dessa situação. A sua irmã Graça Silva fez o seguinte depoimento:  "Ele é o meu irmão mais novo, aprendeu a tocar violão assistindo outros músicos, ou seja, é autodidata. Trabalhou na Mavel e depois no Banco Itaú. Como todos os domingos participava de um passeio turístico num barco da Amazon Explorers, a pedido do  saudoso Bebeh, proprietário e fundador da empresa, e, num dos passeios conheceu LISETE, uma gaúcha que gosta de cantar, e dai começou a mudança na vida do caboclo. Três meses depois foi conhecer Porto Alegre e de lá voltou noivo, para 3 meses depois casar com LISETE CHESLAK. Isso há 32 anos. Em Porto Alegre, ao ser dispensado pelo banco, foi trabalhar na noite, fazendo o que mais gosta - cantar e tocar violão - , e já se vão mais de 10 anos nessa vida de notívago. Como a Lisete também canta, o acompanha fazendo shows. Quando vem a Manaus, gosta de comer Jaraqui frito, mas com um detalhe, não come mais a nossa farinha, acho que adquiriu o costume sulista e esqueceu a nossa farinha do Uarini!  Lá no sul o chamam de manaucho (mistura de manauense com gaúcho), o casal tem uma filha Deborah, que é arquiteta e atualmente mora no Rio de Janeiro, onde faz pós-graduação".

Por ter nascido no Amazonas, conhece o “Amazonês” de cor e salteado, no entanto, teve de aprender na marra um novo idioma, o “gauchês” dos pampas!

O grau de dificuldade é muito grande para entender o linguajar dos gaúchos, somente para ter uma pequena ideia, eis algumas palavras e o seu significado:
Alemoa: loura/Baita: grande/Crêendios pai: exclamação quando algo dá errado/De revesgueio: de um tal jeito/Fincá: cravar/Garrão: calcanhar/Incebando: enrolando, fazendo cera/Jóssa: coisa/Kakedo: pessoas que não valem nada/Malinducado: mal educado/Paiêro: fumo de palha/Resbalão: escorregar/Sinalêra: semáforo/Tchuco: bêbado/Vortiada: passeio/Ximia: doce de passar no pão.

Ele nunca se esquece da sua cultura amazônica, não consegue passar muito tempo longe da sua terra e da sua gente, sempre que possível, ele pega um avião (asa dura, para os amazonenses), quando surgem aquelas promoções relâmpagos, vem bater por estas bandas, curtir o amor da sua mãezinha, a Dona Lili e a da irmã Graça Silva. Adora o Bar Caldeira, centro antigo, onde aos domigos, se reúne com os amigos, para bebericar, jogar conversa fora, cantar e tocar violão. 

Não pode ficar muito tempo na sua cidade natal, pois a sua esposa é gaúcha, ela não está acostumada com o calor de 40 graus de Manaus, além do mais, ele tem de trabalhar e sua vida está lá em Porto Alegre.

Vocês lembram daquela música do Martinho da Vila, chamada “Daqui Prá Lá”? A letra é mais ou menos assim:

Não sei se vou, não sei se fico
Se eu fico aqui, se eu fico lá
Se estou lá tenho que vir
Se estou aqui eu tenho que voltar.

Pois é, o Nonatto passa por essas mesmas inquietações, quando está em Porto Alegre, sente uma saudade danada de Manaus, quando chega aqui, tem de voltar!

Quando está em Porto Alegre, vem à lembrança o hino da sua cidade, do poeta amazonense Áureo Nonato:

Quem viu você
não pode mais esquecer
Quem vê você,
logo começa a querer.
Manaus, Manaus, Manaus,
minha cidade querida.
Manaus, Manaus, Manaus,
és a cidade sorriso,
esperança da nossa Amazônia.
Manaus, Manaus, Manaus,
Minha cidade querida.
Manaus, Manaus, Manaus

Quando está em Manaus, na hora de voltar, começa a cantarolar a música dos gaúchos Kleiton e Kledir:

Deu pra ti
Baixo astral
Vou pra Porto Alegre
Tchau!
Quando eu ando assim meio down
Vou pra Porto e bah! Tri legal
Coisas de magia, sei lá
Paralelo 30
Alô tchurma do Bonfim
As gurias tão tri afim
Garopaba ou Bar João
Bela dona e chimarrão

O nosso caboclo-gaúcho, vai ter que conviver para o resto da vida com os dois extremos: Manaus/Porto Alegre, Quente/Frio, Tacacá/Chimarrão, Camiseta-sandália/Casaco-bota, Amazonês/Gauchês, Música Popular Amazonense/Música Nativista, Rio Negro/Rio Guaíba, Tambaqui na brasa/Churrasco, Comedor de Jaraqui/Papa-areias e Nacional/Grêmio.

Um gaúcho chega com o Nonatto Silva e, faz a pergunta: - De onde tu és cria, vivente? Ele responde: - Eu sou dos pagos de Manaus, mas estou aquerenciado em Porto Alegre! É mole ou quer mais, tchê! 

Um abraço do tamanho da Amazônia para o Nonatto Silva, o nosso caboclo-gaúcho (manaucho)! É isso ai.

Foto: Graça & Nonato - facebook da Dra. Graça Silva

sexta-feira, 22 de julho de 2011

O ENTREGUISMO BARÉ

O Prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, tem a fama de ser um grande entreguista “Baré”, ou seja, em todas as suas administrações no comando do executivo estadual (1987/1990 e 1995/2002) e municipal (1983/1986, 1993/1994, 2009/2013), sempre foram marcadas com o interesse político em entregar o patrimônio do povo à exploração de grupos particulares. Vamos enumerar algumas façanhas do cabocão de Eurinepé:

Banco do Estado do Amazonas:

Na onda de desestatização ocorrida em 2002, as ações do Banco foram parar nas mãos do governo federal, através do Banco Central, posteriormente, foi a leilão e sendo arrematado num único lance e ao preço mínimo, adquirido pelo Bradesco, no valor R$ 182.914.000,00 – dizem as más línguas que o então governador Amazonino Mendes, deu de mão beijada e, a transação beneficiou somente uma meia dúzia de pessoas. Na época, o Banco possuía 85 agências e postos de atendimento e 185 mil clientes, era o único a atender todo o interior do Estado do Amazonas.

Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama):

Esta empresa era a responsável pelo sistema de água da capital e do interior. O filé da companhia (capital) foi vendido em 2000, para um grupo de franceses (Lyonnaise dês Eaux) pelo valor de 193 milhões de reais, bem abaixo do seu patrimônio, da ordem de 480 milhões de reais, deixando o osso para o Estado (interior). Dizem os especialistas que, o passivo trabalhista e outros prejuízos da empresa eram de 600 milhões de reais, para não transferir esta “bomba” (passivo a descoberto) para a iniciativa privada, o governo teve uma ideia genial, criou a companhia Águas do Amazonas, esta foi vendida para os franceses, ficando o povo do Amazonas com o prejuízo dos seiscentos milhões de reais.

Porto de Manaus (Rodoway):

A ideia original era passar a administração do Porto para um grupo de empresários do comércio de Manaus, com o processo de transição sendo feito pela Associação Comercial do Amazonas (ACA), quando eles sentiram que havia manipulação por parte do governo do Estado para entregar de “mão beijada”, mais um patrimônio do povo, para um grupo comandado pelo ex-Senador Carlos Alberto Di Carli, os empresário sérios da nossa cidade pularam fora e não embarcaram nessa “canoa furada”. A transferência foi oficializada em 2001, entregue à Sociedade de Navegação, Portos e Hidrovias (SNPH), até hoje ninguém conseguiu desatar o nó da traquinagem, um negócio que rende milhões para o empresário, em contrapartida, recolhe para os cofres públicos apenas uma “merreca”.

Mercado Adolpho Lisboa, demais mercados e feiras:

O prefeito Amazonino Mendes, mandou para a Câmara Municipal de Manaus um projeto de lei, em que autoriza o poder municipal a privatizar a gestão de mercados, feiras e “unidades de interesse histórico”. O negócio é o seguinte: dois cartões postais de Manaus estão em processo de revitalização – o Mercado Municipal Adolpho Lisboa e a Ponta Negra -, estão sendo investidos milhões e milhões de reais dos contribuintes, mesmo assim, depois de pronto, ele pretende colocar nas mãos dos empresários esse patrimônio do povo, por um período de trinta anos. 

O projeto de lei prevê ainda, a concessão de prédios para abrigar as atividades dos comerciantes populares (camelôs). A pergunta que não quer calar: Se a Prefeitura de Manaus não tem capacidade administrativa para gerir o nosso patrimônio público, então para que serve a figura do Prefeito?

Quero deixar claro que não tenho nada contra a pessoa do senhor Amazonino Mendes, mas, faço ressalvas quanto as suas decisões equivocadas enquanto administrador público. Todas as informações acima estão fartamente publicadas na Net, nada é novidade para leitor do nosso blog. Fiz esta postagem para mostrar a minha indignação com o trato da coisa pública e, do entreguismo Baré. É isso.

RIO NEGRO/AM


Foto Colagem: J. Martins Soares

quinta-feira, 21 de julho de 2011

PRÉDIOS ANTIGOS DE MANAUS


Descrição dos imóveis, em colunas, de cima para baixo
Primeira Coluna:
Fábrica Papaguara: está situado Avenida Constantino Nery, em frente do Colégio Sólon de Lucena, o imóvel pertence ao Grupo Simões, está abandnado pelos proprietários;
Quartel da Polícia Militar: atual Palacete Provincial, está totalmente recuperado, tornou-se um cartão postal de Manaus;
Residência do Comendador Emidio Vaz d´Oliveira (advogado e empresário), está totalmente recuperado, abriga a Biblioteca e Centro de Artes Infantil Emído Vaz d´Oliveira, está fechada faz vários meses por falta de interesse do Secretário de Cultura do Estado (Robério Braga).
Segunda Coluna:
Prédio situado na Rua Isabel, centro, está em péssimas condições, abandonado pelos proprietários;
Prédio situado na Rua Major Gabriel, próximo a Avenida Sete de Setembro, está também abandonado;
Corpo de Bombeiros, fica na Avenida Sete de Setembro, abrigou o Museu do Homem do Norte, está abandonado pela Prefeitura de Manaus.
Terceira Coluna:
Castelinho: fica na esquina da Rua 10 de Julho e Rua Barroso, está totalmente recuperado, no local funciona uma agência de viagens e um restaurante;
Colégio Barão do Rio Branco: está localizado na Avenida Joaquim Nabuco, era uma residência de um barão da borracha, está recuperado e abriga o colégio do Estado.
Quarta Coluna:
Prédio situado na esquina da Rua Miranda Leão com Rua dos Andradas, está em péssimas condições, apesar de ainda abrigar várias lojas;
Relógio Municipal: foi um cartão postal de Manaus, o relógio está funcionando, mas, não toca mais aquela música cativante, está abandonado pela Prefeitura de Manaus.
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terça-feira, 19 de julho de 2011

OS DOIDOS DE MANAUS

Nas décadas de sessenta e setenta, a nossa cidade ainda era pequena, todo mundo conhecia todo mundo, os doidos andavam pelas ruas, eram conhecidos por todas as pessoas, sabiam os seus nomes, onde moravam e as loucuras que cometiam; eles faziam parte da nossa sociedade, do nosso dia-dia e, apesar da personalidade psicótica, provocando algumas desarmonias, eram, mesmo assim, admirados por todos.

A cidade cresceu muito, estamos beirando aos dois milhões de habitantes, estamos perdendo o contato com as pessoas, não sabemos mais quem é doido ou não no centro da cidade, a não ser uns poucos que teimam em ficam nos cruzamentos de algumas ruas.

Os doidos de antigamente eram cantados em versos e prosas pelos intelectuais da nossa terra. Os blogs de resgate, saudosistas da época boa de Manaus, não se cansam de comentar sobre eles.

O Bessa Freira comenta sobre dois doidos famosos, postagem publicada no Blog do Rogélio Casado, no endereço: http://rogeliocasado.blogspot.com/2010/02/ribamar-bessa-e-os-loucos-da-cidade-de.html  

Bombalá - Ele adorava desfilar, vestido com uma calça pega-marreca. Era ele quem abria os desfiles da Polícia Militar, nas festas cívicas, regendo a banda de música da PM, com uma vara na mão, que lhe servia de batuta, gesticulando e marchando com passos marciais e ritmados. De uma família com posses, residia num casarão da Av. Joaquim Nabuco, perto da Praça da Polícia. Dizem que Bombalá chegou a estudar música. O certo é que quase nunca perdia uma apresentação no coreto da Praça da Polícia, onde a banda da PM sempre contava com a sua batuta de maestro. Cheguei a vê-lo, em minha infância, desfilando em frente do Colégio Estadual do Amazonas, na parada escolar de 7 de setembro, murmurando em forma cadenciada: - Toma-limonada-pra-cagar-de-madrugada, toma-limonada-pra-cagar-de-madrugada!

Tom Mix - O xerife, nasceu no velho oeste e entre bravos se criou. Tinha a cara bexiguenta. Nunca casou para não atrapalhar sua missão na terra. Era viciado em filme de bang-bang. Morava numa casa na esquina da Henrique Martins com Rui Barbosa, de propriedade de seu irmão, o Coronel Trigueiro, que trabalhava no Palácio do Governo. A vizinhança com os cines Polytheama e Guarani alimentava seu vicio: não perdia uma sessão. Assistia todos os seriados. Pulou para dentro das telas e passou a viver lá, enfrentando índios e bandidos que assaltavam diligências. Para isso, Tom Mix, já meio coroa, circulava pelo centro de Manaus sempre vestido de cowboy: botas country, calça de brim ajustada, camisa quadriculada com uma estrela no peito, jaqueta de couro, cinto com vistosa fivela, onde estavam penduradas duas cartucheiras com revolver de espoleta e, para completar, um chapéu cor de areia com arame embutido na aba, que ele só retirava para dar bom-dia às donzelas ou quando enfrentava ladrões de gado, montado no cavalo Champion, emprestado do Gene Autry.

Eram conhecidos também, a Nega Maluca, Carmem Doida, Nega Charuta, Macaxeira, Antônio Doido e a Gaivota.

A Carmem-doida, dizem que ela era uma mulher alta, magra e morena, gostava de dançar na rua, sozinha. Os estudantes não davam trégua, zombavam da pobre coitada o tempo todo, quando era chamada de Carmem-doida, sempre respondia na bucha - É a tua mãe, filho da puta, vagabundo!

O poeta Mady Benoliel Benzecry (1933-2003) fez uma homenagem a ela:

Carmem-doida! Gritava
a criançada da antiga
praça da prefeitura,
a Carmem-doida endoidava
mandava banana pra todos,
cuspia a dentadura
xingava a mãe e a família
da garotada e berrava
os piores palavrões…

Carmem-doida! E a tua mãe,
está no hospício também?
“No céu! Seus mizerentos
rebentos do Satanás,
na paz do Senhô, ela está!”
E ia ao “Juizado
de Menores” se queixar!
“Seu juiz, não é prussive,
tanta, tanta bandalheira,
eu sou muié de respeito
e não ardimito brincadeira!
A gente tem de acabá
com esses moleque de rua,
já é a quinta dentadura
que eles me faz quebrá,
entonces esta, foi cara,
ganhei ela de natar
e tinha um dente de ouro
bem na frente, seu dotô
eles tem de me pagá!”
E lá se iam dois guardas
a garotada autuar…

Um dia, foi no Natal
uma “vaquinha” correu
na praça da prefeitura
e Carmem-doida ganhou
um presente dos meninos
com cinco dentes de ouro
uma nova dentadura!
E desde então Carmem-doida,
muito mais doida, ficou…

(In: Sarandalhas, 1967)

Atualmente, quem mais conhece de doido em Manaus, chama-se Dr. Rogélio Casado, um dos médicos psiquiatras mais atuantes na nossa cidade, talvez, o único que luta faz bastante tempo por esta causa, para ser ter uma ideia, em 1987, ele fez uma greve de fome de 6 dias, pela reforma psiquiátrica.

O Rogelio Casado, juntamente com a Associação Chico Inácio (uma ONG em defesa dos direito civis e políticos dos portadores de transtornos mentais), possuem como bandeira “a construção de mais CAPS, leitos psiquiátricos em hospitais gerais, residência terapêutica, centros de convivência e a substituição do hospício por um hospital geral”.

O Eduardo Ribeiro foi o mais importante governador que o Amazonas já teve, ele construiu o Teatro Amazonas, o Palácio da Justiça, a Ponte Benjamin Constant, dentro outras obras importantes. Dizem os historiadores que, ele tinha surtos de loucura, demência e crises nervosas, suicidou-se em 1900 (alguns falam que ele foi assassinado), na “Chácara do Pensador”, situada na atual Avenida Constantino Nery, tempo depois, foi construído no local o “Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro”, em homenagem aos doidos de Manaus.

A postagem "Carmem, doida para viver", publicado no blog do Simão Pessoa, é demais! Acesse:  http://simaopessoa.blogspot.com/2010/11/carmem-doida-pra-viver-jornalismo.html

Fui casado por muito tempo com uma psicológa, ela falava que eu era um pouco doido. Diz o ditado popular que "de médico e louco, todo mundo tem um pouco". O quê? Eu, doido? Então, viva os doidos de Manaus!






domingo, 17 de julho de 2011

OSCARINO E O BONECO PETELECO

O Peteleco nasceu em Manaus, na década de cincoenta, ele é um típico negão beiçola, moleque, maluvido e respondão, foi criado pelo ventríloquo (pessoa que sabe falar sem abrir a boca) Oscarino Farias Varjão, um caboclo do Paraná do Xiborena (no Encontro das Águas dos Rios Solimões e Negro), formaram uma dupla perfeita, tipo unha e carne, fazem sorrir meninos, adultos e velhos, por mais de cinco décadas.

Foram quatros bonecos criandos pelo Oscarino, o primeiro, foi o Chiquinho, depois, o Marinheiro e o Charles, o Peteleco foi o que deu certo, com nome em homenagem aquela famosa cachuleta (pancada com o dedo indicativo ou médio na orelha de alguém).

A Secretaria de Cultura do Amazonas (SEC) contratou o artista Oscarino, ele sempre se apresenta aos domingos, na Casa de Música Ivete Ibiapina (Teatro de Bonecos), na Avenida 10 de Julho e, no Centro Cultural Povos da Amazônia, na antiga Bola da Suframa. Por ser considerado um patrimônio cultural do Amazonas, ele foi agraciado, por lei, com uma pensão vitalícia pelo governo do Estado.

Esta dupla é conhecida nacionalmente, fazem shows de norte ao sul do país. Foram convidados, em 2000, para se apresentarem no “Programa do Jô”, da Rede Globo. O apresentador perguntou ao Oscarino se as crianças tinham medo do Peteleco, pois quando ele era criança tinha medo de boneco. O Peteleco respondeu na maior: - O quê? Você senta na boneca desde pequeno? Deixando o gordo todo desconsertado!

Em ano eleitoral, muitos candidatos são conhecidos como “Petelecos”, ou seja, não possuem voz, a não ser a que lhe dá o seu manipulador - o Plínio Valério usava o famoso jargão “Não sou Peteleco de ninguém!” -, tempo depois, mesmo não disputando cargo nenhum, dizem, eu não sei,  que ele continua sendo um perfeito “Peteleco” do Prefeito Amazonino Mendes. Cruz, credo!
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Tem um detalhe, o Peteleco é um garoto “cincoentão”, ele é muito requisitado para fazer shows para adultos, ai bicho pega, ela conta piadas de sacanagem o tempo todo, a galera gosta muito do tema de “corno”, não sei explicar essa predileção.

Repertório do Peteleco:

Oscarino pergunta e, o Peteleco responde na bucha:
- Peteleco, quantas partes dividem-se o corpo humano? - Depende da porrada!
- Peteleco, como se fala noventa e nove em japonês? Quazixem!
- Peteleco, fale um pouco de você. – Nasci em 15 de maio de 1957, no Boulevard Sá Peixoto, no bairro de Educandos, filho do Oscarino e da Dona Peteleca, sou casado com a Petelecona, tenho um casal de filhos, o Peteleco Junior e a Petelequinha.
- Peteleco, se não fosse eu, tu nas terias nascido! Mas, se não fosse eu, tu já tinhas morrido de fome!
- Peteleco, chifre dói? – Não, se doesse eu tomaria Doril, em vez de cachaça!

A dupla está no Youtube, acesse os endereços abaixo, o primeiro, mostra no Programa do Jô, em 2000 e, o outro, num programa de auditório em 1985, na época em que o Ronaldo Tiradentes ainda era liso.

www.youtube.com/watch?v=yGahqzDtPUc  
www.youtube.com/watch?v=a9rmCxRKMI8  

Palmas, muitas palmas,  para a dupla Peteleco & Oscarino! Com certeza, eles fazem parte da nosssa história. É isso ai garotada! 

sábado, 16 de julho de 2011

COLÉGIO AMAZONENSE DOM PEDRO II


Este é o Colégio mais tradicional de Manaus, está situado na Avenida Sete de Setembro, 1097, centro antigo. Aos cinco dias do mês de setembro do ano de 1886, no salão nobre, o presidente da Província, Dr. Ernesto Adolpho de Vasconcelos Chaves, inaugurou solenemente o novo colégio.

Antes de se instalar definitivamente neste local, passou por vários lugares, recebeu também diversas denominações – Lyceu Provincial, Gymnasio Amazonense Dom Pedro II, Colégio Estadual do Amazonas e Colégio Amazonense Dom Pedro II.

Segundo a historiadora Carmelita Esteves de Castro:

A história do Colégio Amazonense Dom Pedro II, desde sua origem, é assinalada pela afirmação das lutas na busca de um ideal renovador e a razão do entusiasmo da Juventude que de geração em geração, sempre ávida de glórias, sedenta de instrução, vai a caminho de um futuro de respeito e veneração, mesmo nos momentos mais graves de sua vida, com acontecimentos marcados, muitas vezes pela desordem, agressão, como no caso da Revolta de junho de 1915, quando descontentes com o ensino ali ministrado que não satisfazia seus anseios, enfrentando crise moral e material, os alunos num movimento sistematizado de indisciplina, promoveram uma depredação desenfreada, gerando anarquia e terror, forçando o Diretor, os professores e os funcionários a abandonar o edifício, deixando-o entregue à sanha dos estudantes amotinados, tendo como resultado o fechamento do Colégio que só retornou às suas atividades normais em março de 1916.

Essa Revolta concorreu para que houvesse uma Reforma de Ensino com a elaboração de um novo regimento para o Colégio no qual constava um item renovador que dava responsabilidade aos “pais, tuctores ou protectores dos alumnos pelos delictos que estes pratiquem”, além da recuperação do prédio danificado.

Outro movimento estudantil de maior vulto e digno de destaque é a famosa Revolução Ginasiana de 30, quando todo o País encontrava-se num estado de agitação e alerta em decorrência dos acontecimentos político-econômicos que conturbavam a nação.

Aqui em Manaus, a Polícia Civil imbuída de grandes poderes, perseguia, prendia e espancava os estudantes que faziam comícios e praticavam, muitas vezes, arruaças nos bares, praças e ruas da cidade.

Aproveitando-se da situação instável que atravessava o país, estes estudantes iniciaram um movimento contra a Polícia, que culminou com o envolvimento do Exército, finalizando com a rendição desta mesma Polícia e a ocupação do seu prédio pelos jovens revolucionários.

O Governador Dorval Porto foi deposto e esses mesmos jovens o escoltaram do Palácio até as dependências do Grande Hotel, onde ficaria hospedado; foram momentos de glória para a juventude Ginasiana que briosamente tomou parte neste movimento.

O poeta e escritor Thiago de Mello, no seu livro "Manaus, Amor de Memória", escreveu sobre o Colégio Estadual:


De todas as coisas tantas que se pode dizer do Ginásio do nosso tempo esta frase tão simples é a fundamental: nós tínhamos orgulho de ser ginasianos. "Aqui só entra quem sabe", dizia com seu jeito mando o inspetor Júlio Nery, na manhã de 1937 em que minha turma se apresentou para o exame de admissão.


E já no fim do curso, o professor Machado e Silva, jovem diretor que soube honrar a tradição de amor à casa afirmada por Carlos Mesquita, nos advertiu ao encerramento de uma palestra inesquecível: "No Ginásio ninguém estuda para passar de ano, mas para ficar sabendo o que estudou..." “... Três figuras do quadro de funcionários do Ginásio habitam vivos nossa memória.


O principal deles, caboclo troncudo, sempre de cara amarrada, era o Eduardo, dito Cangalha, chefe geral de disciplina do ginásio. Trazia um passado de beque de futebol.


Ficava a um metro da banda muito estreita da porta, que só permitia a entrada de um aluno por vez, de olho em nós de gravata mal dado em botão desabotoado.


Encostado à portinha e recebendo a caderneta dos alunos, ficava o Rubi, que tinha residência no próprio terreno do Ginásio e era pai da Maria de Jesus nossa colega.


O terceiro era um Bedel, profissão subalterna, agradava pela feiúra do funcionário baixinho e de óculos de lentes espantosamente grossas, cuja timidez defendia com rompantes rabugentos. Chamava-se Themístocles, mas para o Ginásio era o Jacarandá.

Antes da falência do ensino fundamental e médio da rede pública, este Colégio era a referência na formação da elite pensante de Manaus, pois o prédio era um dos mais bonitos e espaçosos da cidade, os mais brilhantes professores lecionaram naquela instituição de ensino, o regime interno era baseado nas escolas militares, além do processo seletivo para admissão de novos alunos era demasiadamente rigoroso.

Não tive a capacidade intelectual suficiente para ingressar no Colégio Amazonense Dom Pedro II, porém, tenho muitas lembranças de lá: o meu irmão mais velho, o Rocha Filho, foi um aluno aplicado, lembro quando usava garbosamente a sua farda de gala nos desfiles da semana da pátria e do Amazonas.

O meu irmão conta que eles tinham um mascote, era um Bode, pertencia ao vigia Braquinha (pai do Geraldo da Sefaz), esse caprino era tão querido pelos alunos que nos desfiles de 5 e 7 de Setembro, ele era colocado em destaque bem em frente da turma, com farda, placa e tudo o mais.

Este Bode deu um "bode" danado, certa vez, uma turma levou o caprino para passear, foram até o Mercado Adolpho Lisboa - todos sabem que além da Cabra, o Bode não dispensa nada, tudo ele come, pois bem, o dito cujo furou um paneiro de farinha d´água da grossa e, botou para comer até encher a pança, quando retornou, tomou vários litros de água, o bucho do coitado tufou que nem pão no forno, morreu empazinado - foi uma mistura de revolta e tristeza geral nos estudantes!

Lembro com saudade dos domingos de manhã, pulávamos o muro para jogar bola na quadra de esportes do colégio; além das inúmeras "olhadelas" nas gatinhas “ginasianas” quando estavam fazendo educação física durante a semana.

Outro momento muito especial era nos dias de votação para os membros do legislativo e do executivo do nosso Estado, a minha seção ficava no Colégio, era uma oportunidade ímpar de reencontrar os meus velhos colegas do Igarapé de Manaus.

O Colégio Amazonense Dom Pedro II, vem com o passar dos anos se construindo e permanecendo como símbolo de cultura e história para o povo amazonense, que enfim, se orgulha de ter um patrimônio de tamanho significado para o Estado do Amazonas. É isso ai.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

OS PINTORES DA POESIA – AFRÂNIO DE CASTRO


Texto extraído da Revista do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas/Publicação do IGHA/Fase III – Abril – Maio – Junho de 2002 – Ano I – no. 2 – Manaus: Editora Valer, 2002.


MACUMBA

Afrânio Araújo de Castro
Ocupou a Poltrona no. 5, do IGHA – Patrono: Alexandre Von Humbolt

Lua cheia
Floresta grávida de luar,
São Jorge Guerreiro galopa
nas pradarias silentes do Astral.
Árvores violadas pelos ventos
Arreganham o terreiro adormecido.
Há um simulacro místico – a natureza
Veste-se de roupagens faiscantes.
Acorda agogô o lamento negro
Narrando a saga primitiva da raça
Banzando um queixume esquecido do preto
na escravidão das senzalas.
Ao som do luar
Nasce a magia nostálgica
Das eras primevas – falam tantãs
e atabaques – a voz antiga de Xangô,
cantando, chorando, a desdita do povo africano.
A poeira evola do chão aquecido
Pelo suor da gente sofrida,
orixás e exus possuem pais-de-santo, -
os cavalos de Ogum.
O frenesi do fetiche do lundu
ululante
seduz dos iniciados ardendo cachaça
e catimba
os possessos em transe exortam
despachos
mandingas.
Lateja o batuque visões dos Palmares
na pele da noite tatuada de Dor...

Sobre o autor, o saudoso Ruy Alberto Costa Lins escreveu o seguinte:

Afrânio de Castro nasceu a 3 de agosto de 1931, em Janauacá, naquele tempo distrito de Manaus. Foi um poeta de bons dotes e uma magnífico pintor e escultor.

Passou pouco tempo entre nós, faleceu a 20 de Setembro de 1981, dias depois de completar 50 anos. Todos nós que conhecíamos e convivíamos com Afrânio aqui no IGHA, nos nossos sagrados encontros, sabíamos das suas inquietações e dos seus questionamentos, sempre severos, e sempre colocados com muita clareza e dureza, não importando o local e as pessoas que estivessem presentes.

Pretendemos interromper o silencia do IGHA para com o seu ilustrado sócio efetivo, colocando-o como um dos Pintores da Poesia, naquilo que ele mais amava. Primeiro, uma fotográfica quando dirigia a Pinacoteca Pública, na época órgão da Fundação Cultural e que funcionava nos altos da Biblioteca Pública; depois, a sua poesia “Macumba” com a sua bela ilustração.

Quando se comenta sobre Afrânio de Castro, estamos ligando automaticamente ao que melhor existe em termos de obra de arte. Sim, porque as pinturas de Afrânio são obras de arte. Belas e valiosas obras de arte. Em que pese todas as dificuldades que enfrentou, foi um vencedor – sabemos hoje!

Com relação ao nosso homenageado fiz uma postagem sobre ele no endereço http://jmartinsrocha.blogspot.com/2008/06/alegria-quadro-de-afrnio-de-castro.html  

O quadro “Cabocla”, está exposto no Bar São Marcos, conhecido por todos como “Bar dos Cornos”, centro antigo de Manaus, foi uma homenagem do Afrânio de Castro a “Alegria”, filha da Dona Maria e do Senhor Luiz Antônio, antigos proprietários do bar. É isso ai.


quinta-feira, 14 de julho de 2011

VIOLÃO FABRICADO PELO BANDOLIM AMAZONENSE


O leitor Ricardo Bahiana, leu uma postagem no nosso blog sobre o trabalho de lutheria desenvolvido pelo meu saudoso pai, imediatamente, ele resolveu trocar e-mail comigo, conforme abaixo:

Olá Rocha, tenho um violão do Bandolim Amazonense, e a única informação que consegui saber o luthier que o fabricou, foi no, http://jmartinsrocha.blogspot.com/2009/02/rochina-diferente-historia-de-um-musico.html . Você tem mais alguma informação sobre a loja ou o luthier?

Abraços!

R - Olá Ricardo, o luthier Rocha é meu pai, ele faleceu faz quatro anos. Não existe nenhuma loja que revenda esses violões. Caso o teu for realmente fabricado pelo meu pai, pode ter certeza que ele é uma raridade. Peço ao amigo que me mande uma fotografia do violão. Verifica na "boca" do violão se existe uma assinatura e data, exemplo: José Rocha, 1978.

Abraços,

Olá Rocha, estas são as fotos do meu violão. Repare no desenho das curvas, que fogem das proporções da maioria dos violões. Ajude-me a descobrir quem fez esse instrumento. Ele é todo maciço, de jacarandá com pinho sueco. O case parece ter sido feito para ele.

Abraços!


R - Olá Ricardo, fiquei surpreso com as fotografias, pois o violão está bem conservado. O Sr. Nascimento Viana foi o patrão do meu pai, ele trabalhou por muitos anos no "Bambolim Manauense", a fábrica faliu e o meu genitor abriu o seu próprio negócio utilizando o mesmo nome. Acredito que o teu violão deva ter mais de cincoenta anos. Você pode me informar onde está este violão? Você tem interesse em vendê-lo?

Grato,

Olá Rocha, o case também está bem conservado, demonstrando pouco uso. No rótulo do violão está "Amazonense". Pela ortografia no rótulo, veja o "Manáos", deve ter uns 70 anos. Veja na foto anexa. Ele está no Rio de Janeiro, bairro Rio Comprido. Tenho interesse em vendê-lo, pois tenho vários violões e resolvi ficar apenas com dois. Levei-o para um luthier examiná-lo, e ele estimou em R$ 3.000,00, sem levar em conta o valor de peça rara e antiguidade.

Abraços!


R - Olá Ricardo, na realidade, o meu pai colocou o nome de "Bandolim Manauense", a o do Sr. Nascimento Viana, era "Bandolim Amazonense". Farei hoje uma postagem no Blogdorocha, irei colocar o teu e-mail para os interessados entrarem em contato com você, pois, infelizmente não poderei comprá-lo.

Abraços,


Quem desejar entrar em contato com o Ricardo Bahiana, pode escrever para o e-mail ricardobahiana@gmail.com .

Encontrei, hoje, o grande compositor e cantor amazonense Edu do Banjo, ele ficou interessado em ver as fotografias dessa raridade de violão.

Fiquei sabendo através do Edu, que os discípulos do luthier Rubens Gomes (fundador da Escola de Luteria da Amazônia - Oela) estão fazendo belíssimos instrumentos de cordas, incluindo o “charango” para o pessoal de Parintins.  É isso ai.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

STRESSO 171

Levando na esteira do “bafafá” da queda do ex-ministro Alfredo Nascimento, fui buscar alguns comentários sobre ele, no livro “Amor de Bica – A História e as histórias da Banda Carnavalesca mais debochada de Manaus”, na qual os “biqueiros” mandaram bala sobre um episódio da sua administração, quando foi prefeito de Manaus de 1997 a 2004.

Todo ano a “BICA” homenageia um político ou “otoridade” para malhar no carnaval de rua, no ano de 2003 o felizardo foi o Alfredo Nascimento (na lisura era conhecido como “Cabo Pereira”), com o tema “Stresso 171”, fazendo uma referência ao “Expresso 222”, do Gilberto Gil.

Segundo o autores da Marcha-enredo da BICA, o nosso sistema de transporte “expresso” ficou apelidado pela população como “extresso” e, foi feito na base do famosíssimo artigo 171, do Código Penal (estelionato).

O livro ao lado, foi escrito em 2005, por Mário Adolfo, Orlando Farias, Simão Pessoa e Marco Gomes – na página 227 eles mandaram ver:

“Em matéria publicada na revista Cidades do Brasil, de Abril de 2001, o então prefeito de Manaus, Alfredo Nascimento, atual ministro dos Transportes, afirmava que daria uma solução definitiva ao problema do transporte coletivo que atanazava a vida dos manauenses: Até o final deste ano, Manaus, capital do Amazonas, terá um sistema de transporte de Primeiro Mundo. A prefeitura irá implantar na cidade um dos mais modernos sistemas de transportes urbanos de passageiros, perfeitamente adequado às suas condições típicas de metrópole tropical.

As características dos novos ônibus articulados, com câmbio automático, arcondicionado e suspensão a ar, são fundamentais para uma cidade de clima tropical, que registra temperatura de 40 graus no verão. Orçado em R$ 40 milhões (Prefeitura e BNDES) e R$ 70 milhões de financiamento privado; o Expresso de Manaus foi considerado referencial de solução viária mais atualizada para as grandes metrópoles.

Dois anos depois dessas lambanças do prefeito potiguar, que ficaram apenas no plano das ideias bem-intencionadas, a implantação inadequada do tal Expresso não só esculhambara de vez como o já caótico trânsito da cidade, como também se transformou no pior pesadelo dos manauenses.

Some-se a isso a arborização das ruas de Manaus com palmeiras-imperiais importadas a peso de ouro de Santa Catarina e o cenário estava pronto. A BICA sentou o malho:

Marcha-enredo

Autores: Little Box, Paulinho de Deus, Elaine Ramos, Metralha, José Fernandes e Hiram Caminha

Ai, Alfredo Nascimento
O teu expresso é pior do que jumento!
É o tal do Stresso 171
Vai da casa do Carvalho pra lugar nenhum! (bis)
Se estou dentro não sai,
Se estou na fila não vem
E o trocador nunca tem troco pra ninguém.
Se para o Centro não vai,
Pra Zona Leste não vem,
Pra quê que serve então a merda desse trem?...
Ai, Alfredo, que estresse,
Lá em Natal o metrô se chama jegue
Ministério Lula é puro engano
Vou mais ligeiro no fusquinha do Armando
Teu social levado a sério não colou
Cadê a porra da babita do metrô?
A Lourdes disse, ô pá,
Armando, ó pá, confirmou:
É português o engenheiro do metrô.
Se o cabo velho gastou
Com palmeirinha a babita
Manaus inteira agora vai entrar na BICA!
Ai, Alfredo!”

É isso mesmo senhoras e senhores do meu Brasil varonil, o sistema de transportes coletivo somente funcionou em Manaus, no inicio do século passado, com a implantação dos bondes, depois, foi tudo lorota, conversa para boi dormir e, nada mais.

Estão querendo implantar na marra o “Monotrilho” e o BRT (Bus Transit Rapid), orçado em R$ 800 milhões, com recursos do PAC, tendo em vista a realização da Copa de 2014.

Não quero ser pessimista, mas, a turma da BICA vai ter um bom tema em 2014 para esculhambar novamente com os “extressos MONO & BR da vida”. É isso.



terça-feira, 12 de julho de 2011

MUIRAQUITÃ

É um termo próprio da Amazônia, tendo origem na língua geral tupi-guarani, traduzindo como “nó das árvores”, “pedra verde do rio” ou “pedra do chefe”, constituindo-se de um artefato talhado em nefrita (mineral compacto e esverdeado), com formas de quelônios, serpentes e, na maioria das vezes, de batráquios (sapos).

Tem sido encontrado com maior intensidade no baixo Rio Amazonas (Estado do Pará), e ao qual se atribuem virtudes de amuleto (poder mágico de afastar desgraças ou malefícios, com atributos mágicos e terapêuticos), conhecido também como “Pedra-Verde” ou “Pedra-das-Amazonas”.

Os primeiros exemplares foram encontrados na Amazônia, nos séculos dezesseis e dezessete, tornando-se, desde então, cobiçados por muita gente, poucos podem ser apreciados em sua região originária, dizem que podem ser vistos no Museu de Santarém (Pará), a grande maioria estão espalhados por vários museus do mundo e em coleções particulares.

Alguns estudiosos afirmam que, não existem jazidas desse mineral na Amazônia, isto comprova a origem asiática das antigas civilizações amazônicas, dizem que essa premissa está errada, pois foram encontrado o minério “Jade” no interior de São Paulo, Bahia, Minas Gerais e Pernambuco

A “Lenda do Muiraquitã” é mais ou menos assim:

Os verdadeiros Muiraquitãs são filhos da Lua retirados do fundo de um imaginário lago denominado Espelho da Lua, Iaci-uaruá, na proximidade das nascentes do rio Nhamundá, perto do qual habitavam as índias Icamiabas, nação das legendárias mulheres guerreiras que os europeus chamaram de Amazonas (mulheres sem marido). O lago era consagrado à Lua, pelas Icamiabas, onde anualmente realizavam a Festa de Iaci, divindade mãe do Muiraquitã, que lhe oferecia o precioso amuleto retirado do leito lacustre. A festa durava vários dias, durante os quais as mulheres recebiam índios da aldeia dos Guacaris, tribo mais próxima das Icamiabas, com os quais mantinham relações sexuais e procriavam. A lenda também diz que, se dessa união nascessem filhos masculinos, estes seriam sacrificados, deixando sobreviver somente os de sexo feminino. Depois do acasalamento, pouco antes da meia-noite, com as águas serenas e a Lua refletida no lago, as índias nele mergulhavam até o fundo para receber de Iaci os preciosos talismãs, com a configuração que desejavam, recebendo-os ainda moles, petrificando-se em contato com o ar, logo após saírem d’água. Então os presenteavam aos Guacaris com os quais se acasalavam, o que os faria serem bem recebidos onde os exibissem, além de dotar outros poderes mágicos ao amuleto.

O grande escritor Mário de Andrade (1893-1945) escreveu o livro “Macunaíma”, em 1928, considerado o seu maior romance, conta que Macunaíma nasceu numa tribo amazônica, cresceu e se apaixonou pela índia Ci, seu único amor, depois da morte da mulher, perde um amuleto que um dia ela havia lhe dado de presente, era a pedra “Muiraquitã”; a história do livro se desenrola com as suas aventuras na tentativa de reaver a pedra roubada pelo Piamã.

Os muiraquitãs podem ser encontrados na forma de colares, vendidos nas feiras de artesanatos de Manaus, Santarém e Belém. A tradição ainda permanece, a mulher apaixonada compra para presentear o seu amado, para preservá-lo dos malefícios da vida e assegurar-lhe sorte em seus projetos. É isso.

Fonte:


http://www.abrasoffa.org.br/folclore/lendas/muiraquita.htm  



domingo, 10 de julho de 2011

O ELDORADO É AQUI!

Este local fantástico e riquíssimo que povoa o imaginário de muita gente, acreditava-se estar no Deserto de Sonora (México), outros, diziam que ficava nas nascentes do Rio Amazonas ou ainda em algum ponto da América Central ou do Planalto das Guianas, região entre a Venezuela, a Guiana e o Brasil (Roraima), porém, todos os indícios indicam que ele fica, realmente, na Amazônia brasileira, ou seja, o Eldorado é aqui.

O Eldorado significa o “homem dourado”, uma lenda narrada pelos índios aos colonizadores espanhóis, na qual o imperador de uma rica cidade, tinha o hábito de passar ouro em pó em seu corpo para ficar com a pele dourada, mostrando o quanto o lugar era opulento, possuidor de grandes riquezas em ouro e prata.

Durante todos esses anos o Eldorado foi procurado e, nunca foi encontrado. Com o passar do tempo, acredita-se que na Amazônia existem riquezas que economicamente valem muito e muito mais do que o ouro e a prata.

Alguns poetas escreveram a toada: “O sonho dourado da cobiça de Orellana/É esse verde que emana/O Eldorado é minha floresta encantada/Pelo rio emoldurada”. Outros, com a letra da escola de samba: “Uma expedição partiu/Buscando o Eldorado no Brasil/A lenda virou história... o mundo quis conhecer/Piratas de todo lado... pagaram para ver/Chegou a hora do Brasil gritar com todo gás/Deixem o meu Eldorado em paz!”

Na Amazônia é encontrada a maior floresta tropical da América, contendo a maior coleção de plantas e espécies animais do mundo, com cerca de 2,5 milhão de espécies de insetos, dezenas de milhares de plantas, milhares de aves, peixes e mamíferos, além de petróleo, gás natural, nióbio, estanho, diamante, ouro, manganês, alumínio, etc.

Houve e haverá várias crises de petróleo, o Brasil parte para a exploração do pré-sal, mas, um dia acabará, pois ele não é renovável. No futuro, haverá a crise da água. Um barril de água será muito mais caro do que um barril de petróleo.

Este precioso líquido será mais importante do que o ouro, a prata e o petróleo juntos. A Amazônia tem o maior estoque de água doce do planeta Terra!

Seremos mais importante do que a “OPEP”, iremos vender água para todo o mundo! Porém, muito cuidado com a nossa Amazônia, seremos atacados por todos os lados, a invasão tem que ser contida a todo custo.

Os invasores não irão mais querer saber de ouro e prata, o negócio deles será água e  a mata! Por isso, sem sombra de dúvida, podemos garantir que, “O Eldorado é aqui!”. É isso ai. 

sábado, 9 de julho de 2011

OS PASSÁROS URBANOS

Esta postagem foi feita ano passado, resolvi republicá-la, em decorrência de um passarinho ter feito novamente um ninho num vaso de planta, no corredor da terceira escada do Bloco H, do Conjunto dos Jornalistas.

Ele colocou dois ovinhos e, apesar de ter de pular do ninho a todo o momento em que as pessoas passam pelo local, não abandonou os seus futuros filhotes, fiz até uma proteção com papelão para evitar a presença de curiosos e para não espantar a mamãe Sabiá.

Os especialistas dizem que o Sabiá coloca de dois a três ovos e, choca três vezes por ano, podendo ter até seis filhotes por temporada, eles nascem treze dias depois da fêmea deitar e sair do ninho, os filhotes se separam da mãe trinta e cinco dias após o nascimento.

Eles possuem longevidade, chegando aos trinta anos de idade; são dotados de uma rara beleza e o mais bonito canto em todo mundo; são grandes, medindo até 25 centímetros.

O Sabiá ficou famoso com o poeta Gonçalves Dias, com a Canção do Exílio:  "minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá - as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá" e, do nosso poeta e músico maior, Chico Buarque: "vou voltar para o meu lugar - e é lá - que eu hei de ouvir cantar - um sabiá”.

A postagem do ano passado foi assim:

Manaus possui apenas 12 mil quilômetros quadrados, enquanto o Estado do Amazonas chega a mais de 4 de milhões, no entanto, a concentração populacional é enorme, houve um crescimento desordenado, muitas invasões, com o surgimento de dezenas de novos bairros, muita mata virou cinzas, sobrou para os nossos passarinhos urbanos, destruíram a grande parte da sua morada.

Segundo os pesquisadores do INPA, existem 1.300 espécies catalogadas, porém, este numero poderá chegar a mais de 3.000! Novas descobertas poderão surgir, desde que o “bicho homem” deixe de destruir o lar dos pássaros: as árvores.

Foi morar no Conjunto dos Jornalistas na década de 80, tinha uma imensidão de mata ao redor do nosso conjunto, existia somente o Tocantins, Vila Kennedy, Bosque Clube e a Cidade Jardim – em três décadas foram destruídas imensas áreas de matas para construção de novos conjuntos habitacionais.

Para se ter uma ideia, existe uma imensa área que vai da Vila Militar até o Conjunto Kyssia, o proprietário vendeu para uma construtora de fora, serão milhares de árvores que irão para o chão, não entendo como os órgãos estaduais e federais de proteção ao meio ambiente permitiram essa destruição em massa dos lares dos passarinhos! Para os senhores conhecerem virtualmente esta área, basta baixar o programa “Google Earth”, viagem por Manaus e vejam o que está sendo destruído.

Moral da história: parte dos nossos passarinhos estão morando na cumeeira dos blocos dos apartamentos do Conjunto dos Jornalistas. Certa vez, um passarinho fez o seu ninho no vaso de plantas, na área de serviço do apartamento da minha filha, o local foi interditado e, somente liberado depois de o filhote ter batido as assas e voado.

Recentemente, um Sanhaçu fez um ninho num vaso que fica na área de acesso aos apartamentos do Bloco H, são dois ovinhos, fiz uma proteção para evitar a presença de curiosos, porém, o passarinho abandonou o ninho com medo da presença humana.

Num outro dia, caiu do ninho um filhote de Anum, estava sendo perseguindo por um gato, rapidamente o coloquei dentro de um saco, subi a árvore e devolvi ao seu ninho – existem pessoas que não gostam de Anum, diz que ele é agourento, santo Deus, agourento é quem derruba as árvores mata os animais!

Quando eu era moleque, andava sempre com uma “baladeira” (estilingue) nas mãos, certa vez, mirei um Bem-Te-Vi e acertei o alvo, o pássaro caiu morto no chão, peguei e o levei para mostrar para o meu pai, ele olhou nos meus olhos e me deu a seguinte lição: - Esta avezinha poderá ser a mãe de algum filhote que ficou no ninho esperando por comida, com certeza irá morrer, pois você matou a mãezinha dele, você quer que alguém faça isto com a sua mãe? Respondi que não, chorei, fiz o enterro do passarinho, quebrei a minha baladeira e, jurei que nunca mais iria maltratá-los!

Qual a importância dos pássaros para os humanos? Segundos os especialistas, os pássaros têm uma importância tão grande na natureza e no ecossistema que se os humanos soubessem, jamais iriam matar um pássaro sequer, por exemplo: o Bem-Te-Vi é o pássaro que come larvas de lagartas tipo taturanas, controlando a natureza, pois se não fosse este pássaro, em poucos anos as taturanas tomavam conta do mundo.

Outros pássaros comem pequenos insetos prejudiciais as frutas, verduras e plantas. A Coruja é um animal abençoado, embora gere muitos preconceitos - é o melhor amigo do ser humano, "limpando" os campos de ratos, ratazanas e pequenos animais peçonhentos.

Minha gente, de agora em diante, vamos olhar com mais carinho os nossos passarinhos urbanos, conviver pacificamente com eles, não custa nada oferecer-lhes água potável, banana, mamão e alpiste, afinal, estamos destruindo as árvores, a sua morada. É isso ai.