segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Homenagem aos 357 Anos da Cidade de Manaus — Obelisco (Monumento ao Primeiro Centenário da Elevação da Vila da Barra do Rio Negro à Categoria de Cidade)

No dia 24 de outubro, a cidade de Manaus completará 357 anos, levando em consideração a data da construção do Forte de São José da Barra do Rio Negro, sendo o mesmo dia e mês considerados a data da elevação da Vila à categoria de Cidade de Manaus, ocorrida em 1848. O monumento foi inaugurado exatamente no dia 24 de outubro de 1948, para comemorar o Centenário da Elevação do nosso município à condição de cidade.

A palavra obelisco significa "espeto" em grego — trata-se de um monumento comemorativo, típico do antigo Egito, constituído de um pilar de pedra em forma quadrangular, alongada e esguia, que se afunila ligeiramente in direção à sua parte mais alta. Normalmente, é decorado com inscrições hieroglíficas gravadas nos quatro lados, terminando com uma ponta piramidal (uma homenagem ao Deus Sol).

Observando uma fotografia antiga, pode-se notar o quanto a nossa cidade era pacata, porém muito bonita, limpa e arborizada. Aparece, em primeiro plano, o referido Obelisco; ao fundo, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, o Relógio Municipal, o Aviaquário, uma praça com chafariz e bandeirinhas de papel enfeitando o lugar. Há também os prédios do megaempresário J. G. Araújo, pouquíssimas pessoas na rua — com destaque para um moleque brincando de “roda” (o que me lembrou da minha própria infância) — e somente um automóvel passando pelo local.

Vamos entender um pouco sobre o significado do nosso Obelisco baré: segundo os historiadores, a fundação de Manaus deu-se em 1669, com a construção do Forte de São José do Rio Negro; em 1832, foi elevada à qualidade de vila, com o nome de Vila de Manaós ("mãe dos deuses"); em 1848, passou à categoria de cidade (24/10/1848), com o nome de Cidade da Barra do Rio Negro, permanecendo assim até 1856, quando voltou a denominar-se Cidade de Manaus (04/09/1856). Em 1948, o Obelisco foi erguido exatamente para homenagear o centenário dessa elevação.

Não conheço nenhum monumento em homenagem ao tricentenário da fundação de Manaus, ocorrido em 1969; porém, o Obelisco em questão merece todo o nosso respeito e admiração. Foi um trabalho primoroso do artista plástico amazonense Branco e Silva, construído por Tupinambá Nogueira.

Não sou especialista, mas deu para observar alguns detalhes: bem no alto existe um ramo de louro com as datas 1848/1948; mais abaixo, a homenagem ao centenário; descendo um pouco mais, alguém esculpiu na pedra a data de 1º/05/1952; e, embaixo e acima das quatro placas de mármore, existe o desenho de uma planta com três folhas na cor verde e galhos na cor de ouro. Trata-se de uma belíssima representação de ramos e frutos de guaraná, um dos maiores símbolos botânicos, culturais e econômicos do nosso Amazonas. Com esse traço da flora amazônica, o artista Branco e Silva homenageou a identidade baré e a riqueza da nossa região, eternizando-as no concreto.

Nas placas de mármore, existem inscrições homenageando várias autoridades dos três poderes, muitas das quais emprestaram seus nomes para ruas, estádios e colégios de Manaus. São elas:

  • Governador: Leopoldo Neves
  • Secretário-Geral: Péricles de Moraes
  • Chefe de Polícia: José A. T. Borborema
  • Polícia Militar: Cel. Antônio Bittencourt
  • Fazenda Pública: Almachio Braule Pinto
  • Imprensa Oficial: Withridates Corrêa
  • Educação e Cultura: Fuerth Paulo Mourão
  • Saúde: Alberto Carreira
  • Fomento Agrícola: Ademar Thury
  • Estatística: Manoel Alexandre
  • Serviços Técnicos: Arthur Pucu
  • Economia Agrícola: Paulo Almeida
  • Águas: Antônio Oliveira
  • Rodovias: Vilar Câmara
  • Assembleia Legislativa: Menandro Tapajós, Abdul de Sá Peixoto, Alexandre Montoril, Areal Souto, Arthur Virgílio Filho, Áureo Melo, Danilo Corrêa, Homero de Miranda Leão, Jaime Araújo, João Fábio de Araújo, Josué Cláudio de Souza, Mendonça Jr., Nobre da Silva, Paulo Jobim, Raymundo N. da Silva, Aderson de Meneses, Almeron Caminha, Aristophano Antony, Augusto Montenegro, Carlos Melo, Gama e Silva, Jackson Cabral, João Veiga, José Negreiros, Júlio de Carvalho Francisco, Ney Rayol, Paulo Pinto Nery, Plínio Ramos Coêlho, Thomaz Meirelles, Waldemar Machado e Silva.
  • Prefeitura de Manaus: Prefeito Raimundo Chaves Ribeiro e Secretário Oscar Rayol.
  • Câmara Municipal: Presidente Adriano Jorge e os vereadores Paula Gonçalves, Osias Martins, Raimundo Coqueiro Mendes, Rodolfo Vale, Sérgio Pessoa Neto e Walter Rayol.
  • Projeto do Obelisco: Branco e Silva
  • Construção: Tupinambá Nogueira
  • Tribunal de Justiça: Desembargadores Marcilio de Vasconcelos, Artur Virgílio, Stanislaw Afonso, Jorge Carvalho, Raimundo Pessoa, Sadoc Pereira, André Araújo, João Corrêa, João Machado, Felismino Soares e o Procurador-Geral Leôncio de Salignac.
  • Representação Federal: Senadores Álvaro Maia, Severiano Nunes e Waldemar Pedrosa; Deputados Federais Alexandre Carvalho Leal, Antônio Maia, Antovila Vieira, Cosme Ferreira, Francisco Pereira da Silva, Leopoldo Péres, Manoel Anunciação e Vivaldo Lima.

Passados 78 anos de sua inauguração, o Obelisco é o primeiro monumento a aparecer no início da Avenida Eduardo Ribeiro. Está bem preservado, mas milhares de pessoas passam por lá e não dão a mínima atenção; a grande maioria, inclusive, não conhece a sua história.

No último aniversário da cidade de Manaus, foi gasta uma fortuna com o “Boi Manaus”, mas esqueceram o Obelisco. Este ano, parece que continuará assim, pois nem um pequeno evento no local está programado. Ele continua esquecido e desvalorizado por muitos — mas de uma coisa os senhores podem ter certeza: eu nunca esqueci e jamais me esquecerei dele!