domingo, 10 de maio de 2015

O EMPRESÁRIO PILANTRA



Trabalhei numa grande empresa de revenda de eletroeletrônicos, situada na Rua Marechal Deodoro, centro de Manaus - certo dia, apareceu por lá um grande empresário de Manacapuru, ele fez uma enorme compra de camas, colchões, criados-mudos, ventiladores, ar condicionados, geladeiras tipo frigobar, abajures, espelhos e televisores – imaginem o que ele iria montar, é isso mesmo, um Motel em Manacá – o empresário ganhou um bom desconto e ainda foi brindado com um financiamento para pagar em doze suaves duplicatas.

Ele ficou empolgando e caído pela vendedora que o atendeu e, como forma de agradecimento, convidou toda a galera da loja para a inauguração do “Hotel” disfarçado, pois um motel nunca fora bem visto pelo pároco e pelos mais velhos moradores do interior.

Segundo ele, seria servido um jantar especial: – Guisado de Tracajá, Sarapatel e Pirarucu no leite da castanha da Amazônia, além de algumas caixas de cerveja - tudo seria por sua conta.

Num sábado, uma turma viajou cedo da manhã, enquanto outra seguiu após o expediente - desde as duas da tarde que o “mé” rolava solto, depois, chegaram uns caboclos da região, se enturmaram e começaram a derrubar as ampolas, encheram a cara, foram embora sem pagar nenhuma, tudo bem, não tinha problema, pois tudo era “zero oitocentos”.

Notei que o empresário estava afim da vendedora gostosona, mas ela não dava a mínima para o sujeito – ela começou a amostrar as asinhas para o meu lado, naquela época eu não dispensava nada, pegava até gripe.

O velho ficou impaciente, serviu o jantar com uma cara feia e, no final fez as contas e detonou:

- O “Traca” e o “Piraca” é por minha conta, porém, as bebidas vocês devem pagar.

Tomei um puto do susto, quase que vomitava o bicho de casco na hora, peguei um pouco de folego e falei:

- O senhor falou lá Manaus que tudo era por sua conta!

Ele respondeu na maior cara de pau:

 - O jantar, meu filho, aqui é um comércio, quem é que vai dar bebidas de graça por ai, talvez em casamentos ou aniversários, não é o caso por aqui, quero agora a “babita” aqui na minha mão!

E agora, José? O bicho pegou!

Fizemos a cota, quase deixa a negada na lisura, ainda bem que era final de mês, tínhamos recebido a nosso salário. Deu para pagar a conta, depois, fomos para o Clube do Flamengo, curtimos uns embalos de sábado à noite.

Não engoli direito aquilo, foi uma pura sacanagem do velho, ele tinha um sotaque diferente, não era filho de Manacapuru, pois o povo de lá é gente boa.

Propus fazermos outra conta no domingo de manhã, primeiro, compramos as passagens de ônibus, deixamos toda arrumada as nossas bagagens, o lance era beber e comer até minutos antes da saída do ônibus e “sair à francesa” -, deu tudo certo.

Na terça-feira, bem cedinho, o velho apareceu para cobrar a conta, todos foram chamados a falas pelo Gerente Geral - até explicar que “nariz de porco não servia para tomada”, pegamos uma baita chamada “no saco”, ainda tivemos que fazer um vale no financeiro para pagar a conta - o pior, o velho multiplicou a conta por dez, jurou de pés junto que nos consumimos tudo aquilo, somente para sacanear de novo.

O problema era a vendedora que deu um fora no malandro, inclusive, ele fez cena e ainda queria cancelar parte das compras, somente não foi efetivada, pois na última hora a coitada aceitou jantar com ele.


Outro detalhe: as doze duplicatas foram pagas somente com a pressão do advogado da empresa - nas minhas andanças por Manacapuru, evitava passar pela frente do Motel daquele empresário pilantra. É isso ai.
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