quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

FARINHA DE PEIXE (PIRACUÍ)

Tenho visitado com certa frequência a Feira da Manaus Moderna e o Mercado Adolpho Lisboa, no beiradão do Rio Negro – por lá tenho comprado algumas iguarias típicas da nossa Região Amazônia – uma delas foi a “Farinha de Peixe”, conhecida pelos manos caboclos pelo nome indígena de “Piracui” (pira = peixe + cuí = farinha) - motivado pelas dicas dos meus amigos Sebastião Assante e Paulo Roberto.

Para quem não sabe, essa farinha é constituída de proteínas e gorduras digeríveis, obtida de restos de peixes sem interesse comercial (vísceras, cabeças, espinhas e restos dos peixes), através da cozedura, trituração e secagem (para redução do teor de água).

Pois bem, comprei 250 gramas, ao preço de cinco reais, somente para provar e aprovar o seu sabor – segundo o jornalista Sebastião Assante, o bolinho frito de piracui é uma delícia – o preparo é mais ou menos assim:

Cozinhar a batata e amassar - numa outra panela, refogar com azeite, alho e cebola, juntar o piracuí, colocar pimenta a gosto, salsinha e cebolinha e, adicionar a batata amassada, mexer bem, checar o sal e desligar o fogo. Fazer bolinhos com a massa, passar no leite, depois nos ovos batidos e finalmente na farinha de rosca, fritar em óleo quente e escorrer em papel toalha- servir com limão ou molho de pimenta.

A outra dica foi do meu amigo Paulo Roberto, um paraense de Santarém, segundo ele, para quem adora uma cerveja e está com aquela ressaca no dia seguinte, o melhor remédio é o “Caldo-de-Piracuí”, o seu preparado é assim:

O preferível é a farinha vinda lá de Santarém (PA), pois o Santareno (mocorongo) faz somente de Acarí Bodó ou de Tamuatá, peixes cascudos que fornecem um gosto todo especial. 

O preparo é simples, basta colocar água numa panela, com cebola, pimentão, tomate, pimenta de cheiro, cebolinha, coentro, chicória, alfavaca, leito de coco, alguns pingos de limão, azeite, sal a gosto, um pouco de farinha branca para engrossar o caldo e acrescentar o famoso piracuí, deixar ferver e servir ainda quente.

Hoje, primeiro de Janeiro, Dia Internacional da Paz, também o dia da maior ressaca do mundo, caiu muito bem o caldo de piracuí! É isso ai.
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