terça-feira, 21 de janeiro de 2014

AS CALÇADAS DE MANAUS


No ano de 2012, a cidade de Manaus foi a campeã da “Pior Calçada do Brasil”, com 3,6 pontos, numa escala de zero a dez, pelo Portal Mobilize Brasil-  um título nada honroso para uma das cidades mais ricas do nosso país – um contraste com aquela do início do século passado, onde as calçadas obedeciam, na maioria das vezes, o espaço ideal para os pedestres, construídas de forma plana, contínua e com blocos de pedras importadas de Portugal (as pedras de Lioz), que apesar dos pesares ainda permanecem em alguns lugares.

A cidade foi ao longo do tempo sendo maciçamente destruída, com calçadas apresentando irregularidade no piso, degraus dificultando a circulação, muitos obstáculos (postes, telefones públicos, lixeiras, bancas de revistas e ambulantes, entulhos, etc.), iluminação inadequada da calçada, deficiente sinalização para pedestres, poucas árvores para proteção do Sol – além de avanço dos muros particulares sobre o lugar público, deixando o mínimo possível para os pedestres e, pouquíssimas possuem rampa de acesso para os sofridos cadeirantes -constituindo um total desrespeito a cidade e ao cidadão que nela habita ou que está de passagem.

O ser humano sempre deseja impor a sua vontade, ser o dominador, fazer o que bem quer e entende, mas, sabemos que existem as normas para frearem esse instinto natural, para que ele possa viver plenamente em sociedade – as leis existem, mas, a grande maioria não é aplicada - falhando o poder público na fiscalização e correção dos desmandos, ficando tudo a La volonté.

Ainda bem que existe uma pequena minoria de cidadãos que pensam no coletivo e no bem comum e, mesmo sem serem cobrados, respeitam as normas de convivência.

A nossa cidade cresceu de uma forma assustadora, com o mínimo de planejamento urbano – com invasões por todos os lados, chegando até a fronteira da Reserva Ducke (área federal protegida, na zona norte) e na margem esquerda do Rio Negro (Puraquequara, na zona leste) - com o crescimento direcionado, na atualidade, para a BR-174 (Manaus-Boa Vista), AM-010 (Manaus-Itacoatiara) e com o Município de Iranduba, em decorrência da construção da ponte sobre o rio.

O governo municipal está enfrentando sérios problemas para a correção e utilização das calçadas do centro da cidade, onde os comerciantes e camelôs desocupam o lugar num dia e, voltam a ocupá-lo no dia seguinte, assim que a fiscalização vira as costas.

Louva-se a decisão do atual Prefeito, em padronizar as calçadas em toda a extensão da Avenida Djalma Batista, com 3 metros de largura e guarda-corpos (grade de proteção) - tendo em vista a preparação da cidade para a Copa do Mundo 2014 - trabalho semelhante foi feito por um prefeito, um dos atuais Senadores pelo Amazonas - ele fez um trabalho sério, corrigindo os desnivelamentos das principais calçadas do centro da cidade, dotando de rebaixamento em alguns pontos para a livre circulação dos cadeirantes - no entanto, os outros prefeitos que o sucederam, não deram continuidade ao seu trabalho, deixando em total abandono o centro histórico da nossa cidade.

A pior situação dos calçamentos está nos bairros, principalmente, nos conjuntos habitacionais e, em particular, da Cidade Nova, onde a Prefeitura faz anos que não aparece por lá, pois a desordem urbana impera naquele populoso bairro - com um trânsito infernal; construção de bares e lanchonetes nas calçadas; bueiros quebrados; buracos nas ruas (somente a principal recebeu asfalto); esgotos entupidos, dentre outros.

Somente para ter uma ideia, a Rua 024, do Conjunto Canarana II, impera o caos nas calçadas, pois servem de extensão aos donos dos imóveis,com a construção de muretas, forçando os pedestres a se locomoverem, perigosamente, pelo meio rua, por sinal, toda esburacada e com as tampas dos esgotos quebradas, além da iluminação publica precária.

Bem sei que, o atual Prefeito está se esforçando ao máximo, para embelezar a nossa cidade, fazendo correções que ficaram esquecidas por décadas, em decorrência da péssima administração da maioria dos outros prefeitos que o antecedeu – infelizmente, muitos deles somente se preocuparam em se enriquecer com o dinheiro público.

Ainda não observei, de fato, as ações conjuntas entre o município de Manaus e o governo do Estado – acredito que o executivo estadual deva estar liberando verbas para a comuna, tendo em vista a longa amizade entre os dois mandatários da administração pública.


Seria muito bom se a chefia maior do Amazonas destinasse pesadas verbas e, também colocasse “a mão na massa”, executando as pequenas, médias e importantes obras que a nossa cidade tanto reclama, como a revitalização do centro histórico, melhoria do sistema viário, incluindo as prometidas ciclovias, além de uma atenção especial na recuperação das calçadas das principais ruas e avenidas da cidade.

Dinheiro existe, pois a cada ano a arrecadação estadual bate recorde, além de uma maciça liberação de verbas federais, tanto que foram e estão em construção obras faraônicas (Arena da Amazônia, Ponte Rio Negro e Cidade Universitária).

Em minha opinião, o atual Prefeito, deveria descentralizar a sua administração, utilizando um modelo que já foi empregado com sucesso tempos atrás, com a designação de gestores por áreas (mini prefeituras), onde seria mais prático acompanhar e implementar as  politicas macros da PMM, além de estar a par, diariamente, de todos os problemas dos bairros e comunidades – no entanto, observa-se que o Prefeito demonstra ser um super centralizador das ações, o que será muito danoso para a cidade a médio prazo.


Caso esse cenário não for mudado de imediato, seremos bicampeões da cidade que possui a “Pior Calçada do Brasil” – uma vergonha para uma cidade que irá sediar três jogos da Copa do Mundo de 2014. É isso ai.
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