terça-feira, 15 de março de 2011

BLOGDOROCHA: OS PASSARINHOS URBANOS

BLOGDOROCHA: OS PASSARINHOS URBANOS: "Manaus possui apenas 12 mil quilômetros quadrados, enquanto o Estado do Amazonas chega a mais de 4 de milhões, no entanto, a concentração po..."

domingo, 13 de março de 2011

ÁLVARO REIS PÁSCOA

* Luciane Barros Viana Páscoa

A obra - Dentre as suas obras pictóricas, destaca-se o painel “As Forças Armadas e a Integração da Amazônia”(1972), que é uma pintura mural em azulejos coloridos com grandes dimensões (8,19m X 7,28m) instalada em logradouro público, junto ao Colégio Militar de Manaus. A obra possui uma sequência narrativa, que mostra vários aspectos do trabalho humano. A atividade no seringal, o trabalho feminino (índias com o pilão), o aprendizado da leitura, e o esforço físico do militares aparentam uma harmonia pacifica. Porém algumas figuras humanas estão com os rostos propositalmente escondidos, talvez como uma referência ao sentido da coletividade e do anonimato, mas certamente como uma indicação dos trabalhadores silenciados pela força das armas. Os corpos possuem um contorno formal bem definido, e o gestual a postura do caboclo é acentuada. Embora seja uma das suas menções menos contundentes do ponto de vista da crítica social, teve um impacto forte sobre as pessoas que acompanhavam a sua obra, justamente por estar instalada num bastião militar. Ali está o retrato fiel do que é a exploração e a degradação das criaturas humanas aqui na Amazônia. Ninguém melhor do que o professor Álvaro Páscoa, conseguiu retratar num painel essa situação toda de Amazônia, mostrando um aspecto que a gente nunca conseguiu ver, por que aqui sempre foi o reino encantado, o reino das mil maravilhas, o reino das grandes ilusões. Então as coisas sempre pintadas da forma como o colonizador sempre gostou e apesar de ser português e morar aqui na Amazônia, o professor Álvaro Páscoa teve a sensibilidade de captar exatamente o drama da sociedade amazonense.

O autor - Nascido em Oliveira do Bairro, Portugal, em 1920 e falecido em Manaus, Brasil, em 1997, Álvaro Reis Páscoa, foi escultor, entalhador, gravurista, professor, e atuou na administração cultural do Estado do Amazonas. Mas a relação de sua família com Manaus começou no início do século XX quando seu pai, José Reis Páscoa, imigrou para o Amazonas. Vindo durante os anos áureos do Ciclo da Borracha, ele estabeleceu negócios nesta cidade, dentre os quais a firma de importação e exportação com um sócio, chamada Páscoa & Monteiro.

Por volta de 1909, indo residir numa vila de casas habitadas, mormente por imigrantes portugueses, na Rua Rocha dos Santos, José Reis Páscoa conheceu Maria dos Anjos Pereira com quem se casaria em 1911. Em 1913 na capital do Amazonas, nasceu a primeira filha do casal, Celeste dos Anjos Páscoa. A família precisou se separar temporariamente, pois nos anos seguintes a mãe precisou ir para a Europa com certa urgência, vitimada que estava por uma paralisia decorrente de trauma psicológico vivido em um incêndio, à época em que residia ao lado da Igreja de São Sebastião.

A partir deste momento, José Reis Páscoa dividiu-se entre os negócios que manteve até a década de 30, simultaneamente na cidade do Porto e em Manaus. Em 1917, na Rua das Pedras Negras, em Lisboa, nasceu o segundo filho do casal, Jaime dos Anjos Páscoa, mas a família não se fixou na capital lusa.

Em 1919, a crise que abalava as grandes cidades em consequência da Primeira Guerra Mundial, levou os Páscoa a residir durante um tempo em Oliveira do Bairro, distrito de Aveiro. Lá, Maria dos Anjos juntava-se aos familiares de seu esposo e em 1920, em meios às baixas da gripe espanhola, nasceu o filho mais novo do casal, Álvaro Reis Páscoa.

Vivendo então sua primeira infância em Oliveira do Bairro, Álvaro Páscoa realizou o curso primário na Escola Secundária de Espinho, local onde a família possuía uma casa de veraneio, no número 1042 da Rua 14. Já no Porto, onde os Páscoa estabeleceram-se na Rua da Constituição, foi fazer o curso liceu na Escola Acadêmica e posteriormente o curso comercial da Escola Raul Dória na mesma cidade. Esta última não aconteceu apenas pelo desejo paterno em preparar o filho para os negócios, de vez que o mais velho formava-se em Economia na Universidade de Coimbra. Já dependente das muletas, situação ocasionada por um tumor na medula, a Escola Raul Dória tinha proximidade conveniente ao novo endereço da família, na Travessa da Fontínha, mandado construir por José Reis Páscoa. Frequentou os círculos intelectuais portuenses que se formavam justamente no perímetro de suas andanças. Desse modo, toda a sua formação acadêmica e artística foi realizada em Portugal.

Aos vinte anos afastou-se de suas atividades escolares pelos motivos de saúde já mencionados. A doença desencadeou uma série de tratamentos e após a realização de uma cirurgia para a remoção do tumor (a primeira a ser realizada em Portugal), ficou internado em recuperação durante dois anos, tendo como sequela a paralisia da perna direita. Mas o isolamento fez com que aprimorasse seu desenho, experimentando também a escultura e o entalhe, técnica tradicional do norte de Portugal.

Álvaro Páscoa chegou a Manaus em setembro de 1958 e logo em seguida integrou-se à movimentação cultural existente, especificamente o Clube da Madrugada. Como já conhecia as tendências da vanguarda européia, influenciado, sobretudo pelo Neo-Realismo e pelo Expressionismo, o caráter social de sua produção artística tornou-se ainda mais acentuado no Amazonas, a partir da observação dos costumes da população, do trabalho dos caboclos e de suas feições características. Foi Diretor da Pinacoteca Pública e Presidente da Fundação Cultural do Amazonas.

A articulação histórica e cultural que Álvaro Páscoa fez de maneira consciente com o seu ambiente social, expondo aí os suas preocupações sociais mostram que sua concepção estética não se baseava em preceitos estreitos ou em rótulos fechados que poderiam se confundir com uma ânsia de afirmação de identidade e consequentes tentativas de engajamento ou absorção a «grandes centros». Sua atuação foi ampla e feita de modo discreto: como membro do Clube Madrugada, como professor, como gestor cultural e como artista, deixou uma contribuição muito importante, que foi a intervenção social e intelectual na cidade.

* Doutora em História Cultural, pela Universidade do Porto/Faculdade de Letras, Portugal.

sábado, 12 de março de 2011

OS DESCLASSIFICADOS

ARTISTAS AMAZONENSES CONTRA A OMB/AM – O Sr. Sérgio Salazar, presidente da Ordem dos Músicos do Brasil, seção Amazonas, volta e meia anda se indispondo contra os músicos amazonenses. Recentemente, impediu um show da cantora Márcia Siqueira (sem uma justificativa plausível), depois, foi acusado pela cantora Lucilene Castro por fraude e de impedi-la de trabalhar, por último, o técnico de som Reldson de Paulo, acusou os dirigentes de ter mantido o artista em cárcere privado, na própria sede da instituição -,os dois últimos prestaram queixa contra os representantes da entidade na Polícia Federal. Os músicos amazonenses irão fazer uma manifestação contra a gestão local, será no dia 14 de Março em frente à sede da Ordem, localizada na Rua Maceió, bairro Adrianópolis. Pesam contra a Ordem dos Músicos do Brasil/AM as seguintes denúncias (estão postadas no Facebook, não sei e não posso afirmar, apenas listo o que está escrito na mídia): Ausência de prestação de contas/desconhecimento da categoria dos critérios para contratação dos fiscais/inexistência de eleição anual de 1/3 do Conselho/contas pendentes na antiga sede/aplicação indevida de multas/possível extorsão/abuso de autoridade/perseguição e represália a músicos e empresários do ramo do entretenimento/possível expedição irregular de carteiras profissionais e assédio moral. Ufa! É muita coisa! A Ordem dos Músicos é uma autarquia pública federal, criada através da Lei 3.857, de 22/12/1960, tendo como objetivo a preservação, fiscalização e regulamentação da profissão dos músicos do Brasil – pelos escândalos e polêmicas envolvendo a instituição do Estado do Amazonas, não estão nem chegando perto desses objetivos, sou totalmente solidário aos músicos da minha terra. Intervenção Já!

A BANDA “RESTART” (RESTO DE ARTE) É PRECONCEITUOSA – Esta Banda pobre de espírito, irá se apresentar em Manaus no dia da mentira (1º de Abril), no Studio 5 – É mole ou quer mais? Vocês sabem o que o baterista falou com relação ao Amazonas e ao seu povo? Não? Então, Thomas ai: - numa entrevista, o músico é perguntado sobre quais lugares ele ainda gostaria de tocar. Thomas responde: “Queria tocar no Amazonas. Imagina, tocar no meio do mato, não sei nem como é o público de lá. Não sei nem se tem gente civilizada, civilização!. Dê uma olhada nessa Banda escrota no YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=P6nPwb_L33c.  Para ele, Manaus é somente mato e que o povo é da época das cavernas. Puro preconceito. Se é assim do fresca, então, toma essa fuleiro: - Vá “Thomás” no teu Cupuaçu, filho de baranga! Ainda vai ter muito babaca que irá pagar ingressos de R$ 40,00 e R$ 90,00 para assistir esses caras preconceituosos! No compasso da música deles de maior sucesso: "Levo Comigo" o agravo (ofensa) pela declaração infeliz desse baterista viadinho!

O GOVERNO DO AMAZONAS LEVA A FRENTE O MONOTRILHO – Apesar das recomendações do Ministério Público Federal e do Ministério Público Estadual, o governo passou por cima e manteve a licitação para este tipo de transporte. Não estão nem ai se existem diversas irregularidades no projeto básico; de ser economicamente inviável e de correr o risco de não ficar pronto até a Copa de 2014. O povo não quer este tipo de transporte; ainda irá estragar mais o já estragado centro histórico de Manaus; não deu certo em lugar nenhum do mundo; será caríssimo, muitas escolas deixarão de ser construídas por conta da conta do monotrilho; mesmo a par de tudo isso, o governo do Amazonas está apostando todas as suas fichas nesse negócio da China (para eles, é claro!). Veja mais: http://www.pram.mpf.gov.br/institucional/acoes-do-mpf/recomendacao/Recomendacao_MPF_MP_AM_MONOTRILHO-MANAUS.pdf.  

A FESTA VAI COMEÇAR E OS BOIS AINDA NÃO TÊM O REGULAMENTO – Todo ano é a mesma coisa, os dirigentes dos Bois Garantido e Caprichoso são intransigentes, brigam feio na elaboração do Regulamento do certame. As principais polêmicas são as seguintes: 1. Mudança de jurados - passariam de nove para vinte e sete; 2. Os escolhidos seriam da Região Norte, exceto do Amazonas; 3. O Secretario Estadual de Cultural, Doutor Robério Braga, saiu de campo, não quer participar dos debates – as agremiações querem a sua volta; 4. O Prefeito de Parintins, Bi Garcia, tem como Secretário de Finanças, o senhor Telo Pinto, presidente do Garantido – o Caprichoso teme que ele vá ajudar o contrário (o contrário à organização da festa é ele!). Enquanto não resolvem este “quiprocó”, os ensaios do Bar do Boi ficarão suspensos, bem como, a SEC não repassará os recursos para o festival. Esses caras não são profissionais, fazem beicinhos por “merda”, prejudicam esta grandiosa festa, prejudicam o povo parintinense e aos turistas que ficam na dúvida se vai ter ou não festival. Pode escrever ai: eles vão resolver tudo na última hora, o dinheiro sairá tarde demais, o Bumbódromo será recuperado às pressas, a cidade não vai ter tempo suficiente para se preparar para receber os milhares de turistas que irão para a festa – tudo por culpa da Dona Márcia Baranda e do Senhor Telo Pinto, presidentes incompetentes dos bois! Tem que mandar esses dois pastar bem longe! Chegou a hora de profissionalizar a direção das agremiações bovinas, não tem mais sentido essa bagunça toda!

Vaias, muitas vaias para os desclassificados acima! É isso.

sexta-feira, 11 de março de 2011

O REMO NO AMAZONAS

O esporte náutico “Remo” tem história no Amazonas, sob a influência dos ingleses, esta prática esportiva foi muito disseminada em Manaus, no século passado. Ainda sobrevive, na atualidade, apesar de todas as dificuldades financeiras, em decorrência da falta de apoio governamental e patrocínio dos empresários locais.

Segundo o site da Confederação Brasileira de Remo http://www.cbr-remo.com.br/  “Ensina-nos a história que o remo desde os seus primórdios está repleto de episódios importantes em suas derivações, principalmente no comércio e na guerra foi de indiscutível relevância no tocante a sua utilidade. Um faraó egípcio conseguiu organizar uma frota de 400 navios movidos a remo, que era a sua esquadra daquela época. Isso mais ou menos nos anos 2000 a.C. Esporte náutico popularizado com denominação de remo para mais facilmente diferenciá-lo do iatismo. Há notícias de competições que se realizaram em Veneza -Itália, no distante ano de 1315 e na Inglaterra em 1715. Foi neste último país que o remo se organizou pela primeira vez, inclusive através de clubes, de que é um exemplo o Leander Club (1817), o mais antigo de todo o mundo. Mas o esporte ganhou rumo definitivamente no ambiente universitário. As universidades de Cambrigde e Oxford adotaram-no e, em 1829, iniciaram a realização da tradicional regata que anualmente revive, no Rio Tâmisa, os primórdios do remo”.

Segundo o saudoso senador Jefferson Peres, no seu livro "Evocação de Manaus" – as competições oficiais eram realizadas no Rodoway, sempre na Semana da Pátria, existiam três clubes – O Clube do Remo (antigo Manaus Ruder Klub): fundado por alemães, tinha a sua garagem de zinco (hoje está atracado embaixo da ponte de Educandos), no Igarapé de Manaus, com acesso pela Ponte Cabral (I Ponte da 7 de Setembro) – O Clube Amazonense de Regatas: ficava as margens do Rio Negro, na Escadaria dos Remédios – O Grêmio Náutico Portugal: com sede na orla do Rio Negro, no início da Avenida 7 de Setembro.Praticavam várias modalidades: Skiff, Canoa e Out-Rigger. As competições eram realizadas na baia do Rio Negro, com partida em frente aos coqueiros do bairro de São Raimundo, com a linha de chegada em flutuantes colocados em frente ao Rodoway. Os atletas de destaque eram: Walmir Robert, Simão Abnader e Francisco Reis Filho. Havia também o “Water-Polo”, praticados pelos atletas do Remo – as raias eram armadas ao lado das garagens dos remos; disputavam em pé de igualdade com os times do Navio-escola Almirante Saldanha (brasileiro) e Apollo (esquadra inglesa).

Segundo a Federação Amazonense de Remo http://www.far-remo.com.br/ “Dos anos de 1970 até meados dos anos 1990, o remo no Amazonas ficou no ostracismo, devido ao fato de encontrar-se em situação irregular perante a Confederação Brasileira de Remo, sendo proibido de participar de competições oficiais. Em 1997, com o Desafio Internacional entre as Universidades de Cambridge e Oxford, mais a participação da Seleção Brasileira de Remo, realizado nas águas do Rio Negro, no percurso entre o Rodoway e a praia da Ponta Negra, a Federação Amazonense ressurge com uma nova proposta: revitalizar o esporte, proporcionando infra-estrutura aos clubes e, principalmente, aos atletas. Foi através do trabalho desenvolvido pelo presidente, à época, o senhor José Augusto de Almeida, que a Federação Amazonense de Remo foi regulamentada e reorganizada administrativamente. Os primeiros anos foram de reestruturação e de embate pelo resgate da credibilidade do remo amazonense”.

Conheco de vista o Manassés Barbosa, ele foi um dos que mais incentivaram esta modalidade de esporte no Amazonas, bato palmas para ele e para outros jovens e senhores abnegados que, tanto lutaram e ainda lutam para manter o Remo, afinal, este esporte tem história entre os amazonenses.

O Remo é praticado na Praia da Ponta Negra, onde fica a sede da FAR, a Diretoria é formada pelas seguintes pessoas:
José Augusto de Almeida - PRESIDENTE DE HONRA
Aristóteles G. de Almeida Neto -PRESIDENTE
Daniel Herzon - VICE PRESIDENTE
Evandro Botelho – SECRETÁRIO
José Olmiro Borges – TÉCNICO
Agenor Braga – FINANCEIRO
Clóvis Aguiar – RELAÇÕES PÚBLICAS.

Noticias do Remo do Amazonas:

Os atletas amazonenses foram campeões do Torneio Norte-Nordeste, nos anos de 2002, 2004 e 2005. Campeonato Brasileiro Aberto de Remo 2010 - O Amazonas foi bem representado pelos clubes Manauara e Amazônia, no campeonato brasileiro aberto de remo, realizado na Lagoa Rodrigo de Freitas, na cidade do Rio de Janeiro. Tivemos cinco atletas medalhistas competindo com toda a força do sudeste e sul. Fomos os melhores colocados da Região Norte e Nordeste novamente, ratificando nossa posição no ranking nacional.

4 comentários:

Escola de Remo de Manaus disse: Desculpe mas o senhor Manasses, não e o técnico da equipe amazonense a mais de 10 anos, o mesmo trabalha com a liga náutica contribuindo ao time paraense. E como você deve ter observado nesses 10 anos tivemos uma grande melhora na classificação amazonense. Ranqueando os clubes entre os 5 melhores do Brasil, classificando os atletas entre os 3 medalhista nas provas e colocando atletas dentro da seleção brasileira 10 temos o gaúcho José Olmiro, trabalhando com a equipe principal e a 3 anos Edvando Alves, amazonense trabalhando com a pre-equipe e com a escola de remo amazonense.

Anônimo disse: O Sr. Manassés sempre foi incentivador do nosso remo, e se ele está trabalhando com o remo do Pará qual é o problema? Temos gente de outros lugares no nosso remo também. Você está magoado?

Anônimo disse: Só tenho a dizer ao remo amazonense que o Manasseh foi um das maiores forcas do remo e ate hoje esta lutando tentando vencer os obstáculos com o seu projeto remo sociais, localizado na quarta dl no santo Antônio tirando crianças das ruas das drogas e transformando em remadores e tai uma prova disso e o remado Ailson Heráclito da Silva vice campeão do mundo hoje no bota fogo mais quem fez esse remado foi ele chamado Manasseh Barbosa o nosso Rei do remo amazonense, se ele não esta na escola de remo de Manaus, vocês devem saber porque!

Anônimo disse: Acredito que esse embate todo deveria ser decidido de forma esportiva, cada um defendendo dentro d’água nos campeonatos estaduais, e ele não participa porque não quer, e o Ailson foi fruto del sim parabéns, mais porque será que eles não se dão bem hoje ?(o rapaz esteve em Manaus e não compareceu ao seu antigo lugar de treinamento, ele deve estar chateado com alguma coisa, isso não convém discutirmos né! Mas que a resposta deve ser feia. Mas acredito que poderia ser feita “aprova do rei”: onde colocaria uma modalidade e cada um dos clubes se armava com seus melhores atletas e barcos para decidir!

Esta postagem foi feita no ano passado, resolvi publicar novamente, em decorrência dos comentários polêmicos acima. E viva o Remo do Amazonas! Viva os seus atletlas! Viva! É isso. 

quinta-feira, 10 de março de 2011

CAVAQUINHO, O CAVACO BRASILEIRO

Este instrumento musical teve a sua origem em Portugal, precisamente na cidade de Braga, sendo conhecido naquelas bandas como “Braquinha”, enquanto, no Brasil, é apelidado carinhosamente por “Cavaco”.

A sua escala é dividida em dezessete trastos, aqueles filetes de metal característicos dos instrumentos de cordas dedilháveis e, servem para dividir o ponto numa série de semitons e indicam o lugar dos dedos.

Ele é bem pequeno, menor que um violão, agora, possui uma enorme popularidade, imaginem, sem ele numa “Escola de Samba”, nem pensar! Chora Cavaco! Imaginem sem ele numa roda de “Choro”, nem pensar, também! E o choro continua! Pense sem ele num grupo de “Pagode”. Eta cavaquinho preguiçoso!

Para os iniciantes de instrumentos de cordas (cordofone), deve ser muito difícil tocar um violão, apesar da sua escala grande e de seis enormes cordas, agora, imaginem tocar um Cavaco, deve ser um martírio, o tocador deve ter o famoso “dedo de anjo”, pois a escala é diminuta, além de treinar muito para manipular apenas quatro pequenas cordas.

Até hoje não teve uma pessoa que superasse o Waldir Azevedo (Rio de Janeiro, 1923-1980), ele é considerado o pioneiro, tirou o cavaquinho como mero acompanhante no choro e o colocou em destaque como instrumento de solo. Compôs o famoso “Brasileirinho” (apenas poucos iluminados conseguem tocar direitinho), “Pedacinhos do Céu”, “Chiquitas” e “Vê Se Gostas”, na realidade, ele fez centenas de composições, todas famosas no Brasil e no exterior. Tenho um disco de vinil da dupla imbatível “Waldir Azevedo & Jacob do Bandolim”, deixado de lembrança do meu pai.

Aqui, em Manaus, encontramos muitas feras no Cavaco, existe um cara que foi muito amigo do meu saudoso pai, chama-se “Zé da Manola”, ele é um exímio tocador de cavaquinho, além do “Júnior do Cavaco”, o "Major da Rua Izabel", o “Junior Curubão”, dentro outros, todos eles podem ser encontrados dando o maior show no “Bar Caldeira”, “Bar Chão de Estrelas”, “Bar da Loura (ET Bar)”, no conjunto musical “Os Amigos do Som” e no “Bar da Gestina”.

O meu saudoso pai foi uma famoso “Luthier”, fez milhares de cavaquinhos, a grande maioria era de primeira qualidade, com o tampo em Marupá, lateral e fundo em Macacaúba” e o braço de Cedro, ele fazia um desenho em marchanteria na boca do cavaco, além da largura do cabo de acordo com o gosto do freguês, o som e a escala agradava aos “gregos e troianos”, fez também outros tantos, destinados aos nossos irmãos caboclos do interior.

Esse instrumento musical, muito popular, pode ser encontrado nas lojas do ramo, porém, quem desejar adquirir um de qualidade superior, deve procurar o mestre Rubens, da Escola de Lutheria da Amazônia, onde todos os instrumentos são confeccionados com madeiras certificadas e com o devido "selo verde".

E viva o Cavaco! E isso.

segunda-feira, 7 de março de 2011

A VITROLA NIVICO HI-FI DA DONA DIVA

Posted by Picasa

Nos anos sessenta, na Rua Igarapé de Manaus, sem numero, existia uma moradora, a Dona Diva - ela tinha um equipamento moderno e caro para a época, um privilégio para poucos, era uma “Vitrola”, um termo que está em desuso (vem de Victrola, uma marca registrada), somente é conhecida por alguns colecionadores.

Era um móvel de madeira, bastante grande, bem trabalhado, com caixas de som embutidos, servia para reproduzir sons gravados em disco de vinil (Long Play e Compact Disc), tinha um regulador de discos, dava para colocar em torno de seis LP´s, iam caindo automaticamente no prato e, um braço com uma agulha de diamante, deslizava suavemente e começava a tocar a primeira faixa musical do disco.

Era também conhecido, antigamente, como “Eletrola”, “Fonógrafo” ou “Gramafone”. Modernamente, chama-se “Toca-Discos”, muito utilizados pelos profissionais “DJ”, pois segundo eles, os sons dos graves e agudos são bem melhores, mais nítidos do que as mídias atuais.

A “Vitrola da Dona Diva” tinha um extraordinário recurso chamado de “alta fidelidade”, conhecido também como “HI-FI” do inglês, tinha uma maior fidelidade possível ao som real.

A Dona Diva e o seu marido, eram donos de algumas casas, fomos uns dos seus inquilinos, morávamos na parte detrás da casa deles; aos sábados, ela gostava de tomar umas cervejas e ouvir uma boa música, era muito festeira, botava no volume máximo, dava para ouvir em todo o quarteirão.

No quesito lazer, a geração dos anos sessenta de Manaus, não tinham televisão em suas casas, pois somente chegaram à década seguinte – o aparelho de rádio imperava, porém, somente em alguns lares eram encontrados – quanto ao dispor de uma vitrola Nivico HI-FI, somente os mais abastados tinham este privilégio.

A nossa família era humilde, somente possuímos um rádio a válvulas e, por ser grande demais e muito pesado, ficava a maior parte do tempo na oficina do meu pai - moral da história: não tínhamos nada para passar o tempo em casa, sendo a única solução para entretenimento, ouvir aos sábados as músicas tocadas na vitrola da Dona Diva.

Os grandes sucessos daquele tempo bom, foram: Palhaçada (Doris Monteiro)/Blue Moon (The Marcels)/Faz Me Rir (Edith Veiga)/Biquini De Bolinha Amarelinha (Ronnie Cord)/It’s Now Or Never/Surrender (Elvis Presley)/Negue (Nelson Gonçalves)/Maringá (Carlos Galhardo)/Ninguém É De Ninguém (Cauby Peixoto)/Boato (Elza Soares)/Solidão (Núbia Lafayette)/Ansiedad (Nat King Cole)/Mulata Assanhada (Miltinho), dentre outros.

Passados todos esses anos, com o mercado de entretenimento fazendo lançamentos a todo o momento, com possibilidades de ouvir uma boa música em qualquer lugar, a qualquer momento, com equipamentos portáteis, com sons de alta qualidade, ligados online com o mundo inteiro, ainda encontro um tempo para lembrar os velhos vinis e da “Vitrola Nivico Hi-Fi da Dona Diva”. Eu, hein!

sexta-feira, 4 de março de 2011

AMAZÔNIA - OS FILHOS DO AMANHÃ - A SABEDORIA NÃO ENVELHECE.wmv



Olá amigos,

Este video está no YouTube  canal BLOGDOROCHA - com a poderosa voz do David Assayag, mostro algumas fotografias da nossa querida Amazônia, todas feitas por mim, por ser amador não sairam muito boas, mas o importante é a mensgem de preservação da nossa morada. Nas primeiras fotografias, aparecem este humilde servo do Senhor, meus filhos  e o meu saudoso pai, mostra também Manaus, Iranduba, as Comunidades Nossa Senhora de Fátima e Livramento e, a cidade de Parintins. É isso. 

ITACOATIARA, A CIDADE DA PEDRA PINTADA


Recentemente, fui convidado pelo Marcelo de Lemos Saraiva, para colaborar com o seu site http://www.canalitacoatiara.com.br/ , para mim foi uma honra, apesar de não ser historiador ou pesquisador, apenas escrevo algumas coisas certas por linhas tortas, versando sobre a nossa região amazônica, em particular, sobre Manaus e as cidades do nosso querido Amazonas.

A cidade de Itacoatiara é a terceira mais populosa do Amazonas, beirando aos cem mil habitantes, possui um nome indígena, pois nos seus primórdios fora encontrado uma pedra pintada com inscritos em tupi, por isso é que conhecida como a Cidade da Pedra Pintada (ita = pedra / coatiara = pintado, gravado, escrito), chegou a ser chamada de Serpa, em homenagem a Nossa Senhora do Rosário de Serpa, pois os portugueses rebatizaram a maioria das cidades da Amazônia com nomes católicos de além-mar, depois, voltou ao seu nome original. Fica distante de Manaus, em torno de 267 quilômetros por rodovia (AM-10), fazendo parte da Região Metropolitana de Manaus.

Possuo um carinho todo especial pela cidade de Itacoatiara, inclusive, já postei muitas fotos antigas e atuais no nosso BLOGDOROCHA, no endereço http://www.jmartinsrocha.blogspot.com/ .

Lembro da primeira vez em fui àquela bonita cidade, devia ter uns dezenove anos de idade, na época, trabalhava numa empresa de importação, em Manaus, fiz amizade com o pessoal do setor de câmbio do London Bank, ficava localizado na Rua Guilherme Moreira, atual Top Internacional. Eles estavam organizando uma caravana para passar um final de semana na nossa querida Velha Serpa, topei na hora.

Viajei em companhia do meu compadre Klinger, conhecido popularmente como “Peninha”, um excelente intérprete da nossa música popular brasileira, principalmente, do samba canção, bem como, do meu brother Kleber, o cara era um excelente músico, tocava um violão maravilhosamente bem. Formamos um grupo muito coeso, passamos o sábado, domingo e a segunda-feira, era um feriadão prolongado, foi um agito total, foram três dias de lazer, afinal, eu estava com todo o gás da minha juventude, ainda guardo boas recordações da primeira vez naquela cidade, inclusive, tenho algumas fotografias tiradas da urbe e da passagem pelo Rio Urubu.

Lembro também da primeira vez em que fui ao Festival da Canção de Itacoatiara (FECANI), um evento que acontece em Setembro de cada ano, onde são descobertos novos valores musicais da Região Norte. Fiquei hospedado na casa de um casal amigo, conhecidos por Isaac (o “Louro” para os íntimos) e Nety, hoje, eles moram em Boa Vista (RR). Tive a oportunidade de conhecer melhor a cidade, visitei alguns bairros, fui apresentado a várias pessoas (nunca fui candidato a nada), frequentei alguns bares e clubes noturnos, fiquei fascinado com os prédios antigos, pois sou um cara vidrado em coisas antigas, todos foram construídos na época da borracha, assim como Manaus e Belém, a cidade de Itacoatiara teve também o seu apogeu com o ouro branco (látex).

Espero que os administradores municipais, juntamente com os técnicos do IPHAN, coloquem em prática a recuperação do centro do histórico – imaginem aquela cidade toda recuperada, revitalizada, aliada a beleza inconfundível do nosso Rio Amazonas, bem como, ao seu povo ordeiro e hospitaleiro, seria uma cidade muito visitada o ano inteiro pelo turistas nacionais e estrangeiros.

A foto colagem acima, mostra a "Praça do Relógio" e uma famosa casa aviadora do início do século passado, não sei se a praça ainda existe, pois faz muitos anos que não vou a Itacoatiara -  quanto ao casarão antigo, ele ainda resiste ao tempo, consigo vê-lo quando em viagem de barco para Parintins. Estou motivado a voltar novamente a Itacoatiara, a cidade da pedra pintada, quem sabe no próximo Fecani. É isso.

quinta-feira, 3 de março de 2011

GRES BALAKU BLAKU

História


A Balaku Blaku foi fundada em 22 de outubro de 1977 na Rua Isabel, no Centro de Manaus.

Em 1978, ainda como um Bloco Carnavalesco, consagrava-se campeã frente à Batucada Baré e a Batucada Acadêmicos do Rio Negro. Alguns dos Seus fundadores – Churchill, Fernando Teixeira, Rivaldo, a família Teixeira - deram de tudo para que a batucada crescesse e alcançasse um patamar de boa qualidade, anos depois a batucada entrava na qualidade de Bloco de Enredo.

Em 1989, foi transformada em escola de samba. Em 1992 a Balaku Blaku desfilava no então recém inaugurado Sambódromo de Manaus e, em 1995 com o vice-campeonato com o Enredo sobre as três raças, a escola finalmente se posicionava como uma das maiores do Carnaval amazonense.

Enredos

1987 Acesso Do Sonho à Realidade, 10 Anos de Glórias
1988 Acesso Em Cima da Hora - Circo de Pobre
1989 Acesso No Esplendor do Carnaval
1990 Acesso O Mundo Encantado de Charles Chaplin
1991 Não houve " Balaku Blaku na Disneylandia"
1992
1993 Especial Inca: Império do Sol
1994 5º lugar Especial No Mundo das Nuvens: Venha Voar Comigo
1995 2º lugar Especial O Canto das Três Raças
1996 4º lugar Especial Os Sete Pecados Capitais do Brasileiro
1997 5º lugar Especial Hoje Quem Paga Sou Eu
1998 3º lugar Especial Império do Sol Nascente no Esplendor do Carnaval
1999 Desclassificada Especial Das Barrancas do Juruá ao Palácio Rio Negro: "Quem Sabe Faz"
2000 5º lugar Especial Olímpico, O Jardim da Kamélia
2001 Campeã Especial Nilton Lins, Educação - Ontem, Hoje e Amanhã
2002 6º lugar Especial Itacoatiara: Mito, Força e Beleza
2003 6º lugar Especial Ativa, Mulher Guerreira de Ontem, de Hoje e de Amanhã
2004 6º lugar Especial Mitos, Luxos e Folia no Carnaval de Todos os Tempos
2005 6º lugar Especial Aquarela da Amazônia Para o Mundo Ver
2006 4º lugar Especial Dos Rios e das Matas
2007 7º lugar Especial Um Fenômeno Chamado Calypso
2008 7º lugar Especial Balaku Blaku Apresenta Marcelo Mourão: Filho da Mata, Filho do Mundo
2009 7º lugar Especial Akator - Nem Ouro, Nem Prata, o Eldorado Existe e é Verde - Amazônia
2010 7º lugar Especial Da Escrita à Internet: Não se Comunicou, Dançou
2011 Especial “Do divino ao profano. Na vida e na morte. Do natural ao artificial. A força mais poderosa do universo: Luz”


Foto: J Martins Rocha

terça-feira, 1 de março de 2011

VELHOS CARNAVAIS NO SAMBÓDROMO DE MANAUS

O ponto máximo do carnaval amazonense é o desfile das Escolas de Samba no Sambódromo (Centro de Convenções de Manaus), adoro toda aquela movimentação, apesar de nunca ter desfilado oficialmente em nenhuma agremiação, mesmo assim, tenho boas recordações dos nossos velhos carnavais. Faz algum tempo, bote tempo nisso, sai de gaiato na última Escola a desfilar, fiz uma fantasia “arrumadinha” com os restos que ficavam ao longo da Avenida, foi o máximo ter ficado por muito tempo na concentração, desfilar e chegar à dispersão, com o Sol batendo na cara, foi um misto de alegria, cansaço e orgulho de ter desfilado pela primeira vez (ainda não teve a segunda) numa Escola de Samba. O que mais me chama a atenção nos desfiles carnavalescos é o carro “Abre-alas” e a “Bateria", além das mulatas, sambando, é claro! Certa vez, fui assistir aos desfiles com o meu irmão Rocha Filho, ele estava “Prá lá de Bagdá”, ficamos estacionados no esquenta da Bateria da Escola de Samba do Rio Unido da Liberdade, acredito que foi em 1999, ela estava fazendo uma justa homenagem ao Armando Brasileiro, proprietário do Bar Armando, reduto de intelectuais, jornalistas, universitários, juízes e artistas diversos -, pois bem, o meu querido irmão resolveu dormir em pé, segurando num pau de uma barraca de venda de bebidas, de repente, uns trezentos ritmistas começaram a tocar os seus instrumentos, pensei que ele iria acordar daquele sono profundo, mas, nada aconteceu, ele simplesmente, começou a roncar bem alto, os caras da bateria ficaram espantados, um deles bateu várias vezes o “Surdo de Primeira” bem próximo ao ouvido do meu brother e, nada! Ele somente acordou quando a Escola já estava no final da avenida. Credo em cruz! Tenho um amigo chamado Delfim, pense numa figura, o cara desfilava sempre na Escola de Samba Vitória Régia, da Praça 14 de Janeiro, a verde rosa que tem como madrinha a Mangueira, do Rio de Janeiro; um certo ano, não sei precisar, resolveram fazer um carro Abre-alas homenageando uma Balsa de travessia de Iranduba-Manaus, era chamada de “Boto Navegador”, uma homenagem ao governador Gilberto Mestrinho – o Delfim estava tomando um Johnnie Walker, um puro “dezoito anos” (assim ele se gabava) com gelo de água de côco, além de uns petiscos de primeira qualidade – é mole ou quer mais? Eu quero é mais, papai! Foi convidado pelo amigo para tomar umas pequenas doses, pois ele iria desfrutar de tal regalia no carro principal, ele estava fantasiado de Almirante, tudo nos trinques – quando a empilhadeira chegou, ele ficou cheio de pose, subiu uns cinco metros, acenava para todo mundo, era o próprio "bicho da Goiaba branca", - ficou acomodado lá dentro da cabine do Comandante, no entanto, ele cometeu um erro fatal: esqueceu do whisky 18 aninhos em minhas mãos, com o gelo e aqueles petiscos maravilhosos! Ai foi graça, quando ele deu falta, gritava que nem um maluco, eu não dava a mínima, ainda coloquei uma dose tamanho marítima com bastante gelo, levantava para ele ver e tomava numa boa, suavemente, ele babava de raiva e chamava palavrões “prá caralho”! Não dava pra fazer mais nada, ainda tentei convencer o empilhador para levar o “Reino da Escócia” até o Delfim, mas, o cara não dava à mínima e, ainda teve a cara-de-pau de pedir uma dose para ele e outra para o seu amigo. Onde nos encontramos, ele gosta de contar deste ocorrido, fala que desceu na maior secura, pior de tudo, de tão puto que estava, leu errado a “Carta Náutica”, ao invés de ir para Iranduba, foi parar no Careiro de Várzea!  Ainda tive que pagar diversos engradados de cervejas para ele, por conta do “dezoitão” que eu detonei. Essa é prá acabar! O Bar Caldeira, centro antigo de Manaus, foi homenageado em 2003, pela “GRES Mocidade Independente do Coroado, com o tema “Caldeira é Tradição, História e Carnaval”, geralmente uma Escola quando faz o seu enredo, procura um patrão forte para ser o “cara” que vai bancar parte das despesas para colocar o samba na Avenida. O Bar Caldeira entrou com a "cara e a coragem", mesmo assim, ainda fez uma quota com os frequentadores mais assíduos, dando uma modesta contribuição para a Escola. Tanto que o carro Abre-alas foi feito quase todo de papelão, jornais e isopor – lembro muito bem, fui com o meu amigo Amazonas, o famoso historiador do bairro de Educandos, o cara estava cheio da “manguaça”, ele iria ficar no carro principal, juntamente com o Adriano, Dona Maria, Roberto, Dra. Graça Silva, Miudinho e outros convidados especiais – ele foi avisado para não arredar o pé onde fora colocado, pois existiam somente algumas tábuas, o resto era imitação, pois bem, depois de entornar mais umas e diversas que estavam dentro de uma caixa de isopor, em plena Avenida, resolveu “verter água”, saiu da sua posição e caiu entre as ferragens, depois de algum tempo, deram pela falta do Amazonas, foram encontrar o bebum preso no chassi do carro alegórico, puxaram o pobre coitado pelos cabelos, ainda deu para voltar na maior, brincou o carnaval até o final. Como estava sem condições de dirigir o seu carro e também não lembrava onde o tinha deixado estacionado, deixou amanhecer o dia, tomou muita água, sucos e uma suculenta Sopa de Mocotó, deu uma melhorada geral, foi quando encontrou o seu veiculo e pode voltar numa boa para a sua casa. Ô louco, meu! Antes do horário do desfile oficial, marca a presença o “Bloco de Samba da Terceira Idade”, mudaram o nome para “A Melhor Idade” -, tenho um amigo aposentado, chamado de Dr. Fernando Português, ele sempre foi contra esta mudança. Ele fala o seguinte: - O cara que não pode mais trabalhar, vive tomando remédios, utiliza o Viagra para dar uma lenhada e que já está com o pé na cova, não pode dizer que está na “melhor idade”, um caralho, a melhor idade é quando somos jovens! Acho que ele deve começar a frequentar os “Clubes de Convivência dos Idosos”, com certeza, ele mudará de opinião, pois, fico feliz em ver aqueles senhores e senhoras todas fantasiadas, alegres, com muito samba no pé, eles voltam a ser crianças novamente, pode chover canivetes, mas, eles não arredam o pé da avenida do samba. Que bom, quem sabe daqui uns anos, poderei fazer parte dessa turma. Os profissionais da área de saúde gostam de sair com o “Bloco da Camisinha”, certa vez, saíram na avenida com uma “Mirantinga” de três metros de comprimento, parecia um antigo “Canhão de Guerra”, para divulgar o uso de preservativos nas relações sexuais, evitando, principalmente, pegar a AIDS, eles ficavam ensinando a galera como usar a camisinha, utilizando uma “piroca” tamanho “GG”, ainda fizeram a distribuição de milhares e milhares de peças, engraçado, o povo pegava as camisinhas, assopravam e faziam balões, não estavam nem aí para o objetivo maior da campanha do Bloco da Camisinha. Agora, mais engraçado, foi quando eles terminaram o desfile e voltaram correndo para a concentração, ficaram bem no meu meio dos velhinhos que iriam desfilar em seguida, o carro Abre-alas era aquele “Pirocão”, os idosos não estavam nem ai para aquele órgão copulador dos homens -, ficavam assoprando as camisinhas durante todo o desfile. É mole, mas sobe! É isso ai foliões! Se Deus permitir, irei mais um ano marcar presença do Sambódromo de Manaus, irei ficar de olho no lance, qualquer coisa engraçada que acontecer, contarei para vocês. Bom carnaval a todos os brasileiros! É isso.

PRAÇA ANTIGA DE MANAUS

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

TUDO PARA O CUVÃO


O “cuvão” era um local conhecido, antigamente, em Manaus, onde as pessoas jogavam lixos, na realidade, era um grande buraco, uma lixeira a céu aberto, servia de depósito para tudo o que não prestava mais, jogavam móveis velhos, fogões, geladeiras, animais mortos, lixo e muito lixo. O nome pegou, tanto que as pessoas falavam “pode comer e beber a vontade, pois tudo para o cuvão” -, o menino perguntava: - Maaaé, onde eu jogo esta bicicleta velha? Ela respondia: - Joga no cuvão, meu filho! Era cuvão prá lá, cuvão prá cá. Hoje, os mais antigos ainda utilizam esta palavra para exprimir tudo o que não presta, além das decisões erradas dos governantes, por ai vai, então, vou mandar muita gente e coisas erradas para o cuvão. Quando foi ventilado que a Prefeitura de Manaus iria implantar o sistema binário de trânsito, com mão única nas Avenidas Djalma Batista e Constantino Nery, a primeira providencia foi retirar centenas de Palmeiras Imperiais que estavam no canteiro central; passado quase um ano, não se fala mais no sistema binário, quem pagou o pato foram as palmeiras e o povo de Manaus, pela merda que eles fizerem, o Prefeito de Manaus e os seus asseclas merecem ser jogados num cuvão bem grande. Os grandes shopping center de Manaus, além de venderem produtos mais caros, ainda cobram pelo estacionamento dos veículos, um absurdo, o cliente vai comprar e ainda tem de pagar para estacionar o carro, quando há um furto ou danificação no veiculo, eles de esquivam de pagar o prejuízo – os administradores dos shopping merecem ser jogados no cuvão. A sociedade civil organizada de Manaus conseguiu a duras penas, o tombamento provisório do Encontro das Águas, o procurador geral do Estado do Amazonas ingressou com uma ação na Justiça Federal contra o tombamento, pois o governo que ver destruído aquela imensa beleza que Deus nos deu – o governador, o senador e o procurador geral devem ser jogados dentro do cuvão. Certo Deputado Estadual criou um projeto de lei para a redivisão do Estado do Amazonas, tentou no final do mandado emplacar a sua idéia goela abaixo do povo amazonense, não ouviu as pessoas, fez audiências públicas nas coxas, não houve plebiscito e nem estudos de viabilidade econômica e de georreferenciamento (descrição dos imóveis), ainda bem que ele não conseguiu se eleger para Deputado Federal, o povo o mandou direto para o cuvão. Vou parar por aqui, pois poderei mandar muitas pessoas para o cuvão, o espaço seria pequeno. Mas a pergunta que não quer calar: Quem, nobre leitor, você mandaria para o Cuvão? Pode escrever que eu publico!


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

OS CARNAVAIS DE MANAUS

A terça-feira de carnaval deste ano será no dia 08 de março – é uma data móvel, ou seja, cada ano acontece num dia diferente; a data é definida de acordo com o ano lunar no Cristianismo – tem tudo a ver com a Semana Santa e a Páscoa – contando do dia 09 de março (cinzas) até 17 de abril, perfazem 40 dias, durante este espaço de tempo é conhecido por Quaresma (do latim quadragésima = 40 dias) – é o adeus a carne, pois no carnaval tudo pode (carne vale = carnaval).

Sendo assim, a nossa Banda da BICA, sairá no sábado magro de carnaval – no dia 26 de fevereiro de 2011 – o tema será “No reinado do Belão, todo mundo mete a mão” – A Banda é uma das mais irreverentes de Manaus, todo ano escolhe um político ou uma “otoridade” que pisou na bola, para ser “homenageada” pelos foliões.

Na verdade, ninguem quer ofender ninguém, tudo é brincadeira de carnaval, tanto que, faz alguns anos a BICA tirou saro com a própria filha do Armando, com um imbróglio com as carteirinhas da OAB/AM - este ano, estão gozando o próprio tio de um dos diretores da banda, o Anchieta Lins - todo mundo vai dançar e brincar até a madrugada, depois, tudo volta ao normal e o Belão será esquecido pelo povão! 

O escolhido desse ano é o Deputado Estadual Belarmino Lins, conhecido como “Belão”. O citado parlamentar nasceu em Fonte Boa/Amazonas, advogado, entrou na política em 1991, foi presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, de 2005 a 2010. A mídia do Amazonas, sempre destacou as inúmeras denúncias de corrupção envolvendo o nome do Deputado. Segundo o Belão “Eu não sei nem engatinhar na oposição. Não conheço os passos da oposição porque nunca fui de oposição. A minha índole é governista, é apoiar os programas para o Estado e para a população e não vender dificuldades para ganhar facilidades. Faço parte, atualmente, do grupo político comandado por Omar Aziz, Eduardo Braga e Átila Lins”.

A marchinha é atribuída a membros da confraria que já se foram: Celito Chaves e Carlinhos Genesiano (música), Flávio Gerson e Jorge Mota (letra) e Maestro Carriço (arranjos). Como a letra chega aos mortais? Os autores são médiuns, recebem na mesa branca e sai a marchinha. É mole?

A letra oficial para 2011 é esta:

No reinado do Belão todo mundo mete a mão
No reinado do Belão
A minha bica vai entrar
Vai fazer mais um cordão
Pro Belão e sua turma rebolar
Rebola Belão aquí, rebola Belão prá lá
Ô Belão seu rebolado é bom prá Bica entrar
Veja que reinado é esse
A babita anda correndo solta
O Dudu puxou o dindim prá fora
E encheu de voto a urna da Vanessa
E a malandragem no reinado vai a mil
E dar-lhe Bica puta que o pariu
Pau é pau, Bica é Bica
Não diga que protesto é votar em Tiriricas
Coitado do Arthur
Já era o nobre senador
Se lascou todo nesse fight
Só le resta o tatame do judô
A Lourdes disse e o Armando confirmou
De beleza nada tem esse Belão
Um Gajo desse lá em Portugal
Vai se acabar na masmorra da prisão
pau é pau....



Mas, mudando de pau para cavaco – o blog é um pouco saudosista – vou falar um pouco dos carnavais da minha infância e adolescência, vamos lá foliões:

Curti os primeiros carnavais no Cube do Amazon Hotel, ficava na esquina da Rua dos Andradas com a Rua Rocha dos Santos; o prédio ainda resiste até hoje, ainda bem! O meu pai reunia toda a família, comprava as fantasias e levava toda a turma para brincar a folia de momo. Lembro muito bem, deveria ter uns dez anos de idade; o clube ficava no segundo andar, gostava de brincar na escada de madeira que dava acesso ao salão de danças; curtia também apanhar no chão, os restos de confetes e serpentinas, para jogar novamente nos pequenos foliões, lembro do papai tomando aquela cerveja genuinamente cabocla, a famosa "XPTO" e, eu e a molecada no Graphete & Baré Cola. Lembro, também, das “Batalhas de Confetes” e dos desfiles dos "Blocos de Sujos", na Avenida Eduardo Ribeiro; gostava de toda aquela movimentação, adorava juntar tampinhas em miniaturas de refrigerantes que eram jogadas pelos brincantes dos blocos. Na minha adolescência, presenciei os desfiles dos primeiros blocos carnavalescos, que seriam mais tarde as primeiras Escolas de Samba de Manaus, lembro da Unidos da Selva, Unidos do Rio Negro e Barelândia. A Avenida Eduardo Ribeiro não suportava mais tanto foliões e espectadores, foi quando resolveram mudar o palco do carnaval para a Avenida Djalma Batista, os desfiles ocorrem até o ano de 1990 e, depois para o Sambódromo.

Agora sou um cinquentão; faço parte da  banda mais irreverente de Manaus "A Banda da Bica", bem como, frequento os ensaios da Escola de Samba Aparecida, assisto todos os anos aos desfiles das Escolas no Sambódromo de Manaus, ou seja, o carnaval corre nas minhas veias!

Vocês sabem qual é a melhor Banda de Manaus? Alguns dirão: É a Banda da BICA, outros, a Banda das Piranhas – Erraram, a melhor é a "BANDA DE TAMBAQUI NA BRASA" – com bastante vinagrete, farinha e tucupi! Brincadeiras à parte – vamos curtir o carnaval com muito respeito a si mesmo e ao próximo, nada de violência. Fui para o carnaval! Eu, hein!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

SERINGAL MIRIM DE MANAUS


Quem passar pelo início da Avenida Djalma Batista, antiga João Alfredo e, olhar para o lado esquerdo, no sentido centro/bairro, verá um monstrengo da Eletrobrás, uma estrutura de redistribuição de energia elétrica para aquela parte de Manaus, muitos, com certeza, não imaginará que, aquele lugar já fora uma belíssima praça, onde existiam cento e vinte seringueiras, a famosa “Hevea brasiliensis” fornecedora do “ouro branco” para a construção do primeiro ciclo de desenvolvimento do Estado do Amazonas – o lugar era conhecido como “Seringal Mirim” (pequeno seringal).

Segundo os historiadores, em 1913, o Sr. José Claudio de Mesquita, antigo proprietário daquela área, encontrou no local oito seringueiras, ao qual deu os nomes de A a H, depois, fez outras 112 plantações com sementes vindas do Rio Jamari. Em 1944, foram encontradas as 120 seringueiras (todas preservadas), segundos os estudos realizados pelos pesquisadores da época, as nativas eram mais produtivas, sendo que a planta “E” morreu - restando as sete, com idade desconhecida e as outras 112 com idade de trinta anos.

Na década de 40, o local pertencia ao Estado do Amazonas, estando sob a administração do Dr. Admar Thury, Diretor do Serviço de Fomento Agrícola, na foto antiga, pode-se vê-lo dando uma aula racional de extração do “látex da Hevea” às professoras estagiárias – também é possível ver como era o local, com as seringueiras todas enfileirada. Uma beleza!

Fomos à bancarrota (falência, ruína) no início do século passado, em decorrência de explorarmos somente as seringueiras nativas, enquanto, os malásios plantaram, racionalmente, as sementes pirateadas pelos ingleses na Amazônia. O Sr. Cláudio Mesquita teve a brilhante idéia de fazer o mesmo, depois de trinta anos, o local estava servindo de laboratório para os pesquisadores.


Na outra foto, mostra os soldados da guarnição militar de Manaus, fazendo aprendizagem da extração do leite de uma seringueira do Seringal Mirim. Veja como foi importante aquele local, serviu de escola para os “soldados da borracha”, nome dado a milhares de brasileiros que foram alistados e enviados para a Amazônia, entre 1943 e 1944 (segunda guerra mundial), com o objetivo de extrair borracha para os Estados Unidos da América (Acordos de Washington).

Mas, como tudo é bom, tem logo o seu fim! O local ficou esquecido, serviu por muito tempo de praça e, aos poucos foram fazendo a derrubada das seringueiras, finalmente, o governo do Amazonas, cedeu o local para a antiga Eletronorte, ao qual derrubou as últimas sobreviventes, o local virou uma subestação de energia.

E agora? Como é que fica? Reclamar para quem? Imagine os senhores, um Estado que teve o seu primeiro ciclo de desenvolvimento econômico, creditados ao látex extraído das Seringueiras, com o qual conseguiu, com o dinheiro ganho, construir o Teatro Amazonas, o Palácio da Justiça, as Pontes da Sete de Setembro, embelezar a cidade de Manaus, fazer muita gente enriquecer do dia para a noite – não tem uma única praça que o homenageie a árvore que foi a responsável por tudo isto – os insensatos derrubaram o “Seringal Mirim”!Uma Seringueira vive mais de cem anos, caso tivessem preservardo o Seringal Mirim, muitas delas ainda estariam de pé!
Para a construção do "Novo Seringal Mirim" e resgatar parte da nosso memória, tenho a seguinte sugestão a fazer para os nossos governantes:

1. Conseguir outro local para a atual Eletrobrás construir a sua subestação de energia, pode ser no terreno da antiga fábrica da Coca-Cola (está abandonado faz muito tempo);

2. Revitalizar o local, fazer convênios com os pesquisadores do INPA e UFAM, para coleta, análise e plantio de 120 pés de Seringueiras;

3. Fazer uma ampla divulgação junto aos estudantes do ensino médio e fundamental, para que conheçam um pouco mais da nossa história e valorize o novo “SERINGAL MIRIM DE MANAUS”;

4. O local deverá ser permanentemente cuidado, com um administrador e auxiliares, poderá ser transformado em um parque, com a administração da Prefeitura Municipal de Manaus.

Acredito que se tomarmos esta decisão, ainda hoje, daqui a trinta anos, a futura geração poderá retomar o processo de pesquisas, além de servir de local de respeito aquela árvore que tanto contribuiu para o nosso Estado e, quem sabe, um dia ainda irá contribuir muito mais. É isso.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

MUSEU DE CIÊNCIAS NATURAIS DA AMAZÔNIA

Está localizado na Rua Cachoeira de São Gabriel, s/nº, na Cachoeira Grande, bairro da Cidade Nova, telefone para contatos 92 3644-2799, fica numa área de 2 hectares (em anexo 3,5 hectares de bosque naturais), com uma área construída de 600m2.

Tem como objetivo a educação sobre a natureza às crianças brasileiras. Orientação aos estrangeiros que visitam Manaus. Exibe mais de 120 espécimes de peixes, com 1 aquário de 200t (com exemplares vivos de Pirarucu), 6 aquários de 2t e mais de 120 espécimes de insetos e mais de 50 itens de outras espécimes.

Segundo o site http://amazontower.net/po/museuinf.html  apresenta uma mensagem do Diretor Shoji Hashimoto:

“Tendo muito interesse em insetos, principalmente em borboletas, desde a infância, cheguei a Manaus como um imigrante japonês em 1975. Na época, com cerca de 600 mil habitantes, um terço da população atual, Manaus já demonstrava indícios de grande desenvolvimento em diversos pontos, baseado na política de Zona Franca adotada pelo governo federal do Brasil.Todavia, a urbanização e o desenvolvimento das áreas periféricas da cidade não trazem somente benefícios. O rápido desenvolvimento econômico pós-guerra no Japão destruiu a natureza da minha terra natal, transformando o ambiente natural onde passei a minha infância em campos de golfe, poluindo os lindos riachos, e exterminando a biodiversidade com uso descontrolado de agrotóxicos. Temendo que no futuro próximo aconteça o mesmo em Manaus, decidi construir o Museu de Ciências Naturais, realizando o sonho de muitos anos.Em junho de 1988, no mês e ano em que comemorava os 80 anos da Imigração Japonesa no Brasil, inauguramos este Museu de Ciências Naturais da Amazônia. No dia 22, no dia de sua abertura, tivemos a presença do Príncipe Akishino, o neto do Imperador Hirohito, da época, quando pudemos apresentar-lhe com grande honra, os espécimes que eu mesmo colhi da natureza local e preparei. (na foto acima, à direita, o Príncipe Akishino e o Diretor Hashimoto, ao centro).O principal objetivo da construção deste museu foi de proporcionar às crianças amazônicas a possibilidade de conhecer melhor o ambiente natural desta região. Tinha a convicção de que não haveria o futuro para a Amazônia, sem que as crianças locais tivessem o interesse pela preservação desta maravilhosa natureza. Mesmo em Manaus, onde o desenvolvimento econômico colocava as crianças no meio da “guerra educacional”. As crianças começavam a preferir os vídeos-game que os insetos da natureza. Hoje restam apenas poucos bosques naturais, incluindo o do meu museu e alguns poucos parques municipais, que era abundante na época em que cheguei aqui.Felizmente, em 1980 consegui adquirir o terreno por um valor bastante acessível, e dois amigos do Japão, Sr. Masanori Mizuno e Sr. Yuji Shiraishi, nos apoiaram muito. Estes senhores, embora tivessem muitos interesses em insetos da Amazônia, tiveram que continuar tocando os negócios herdados de seus pais. Disseram-me: “Você vá atrás do seu sonho, que também é nosso!”, oferecendo a ajuda financeira para a construção do museu. O sucesso deste museu tornou-se minha obrigação, perante a “AMIZADE” de muitas pessoas que me apoiaram, como o Sr. Susumu Horibe, o idealizador da torre de observação Amazon Tower, e muitos outros.Com a autorização concedida pelo IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal), o Museu recebeu nestes treze anos de seu funcionamento mais de 150 mil visitantes, um fato que me orgulha muito, por nossa contribuição na divulgação da natureza amazônica ao mundo.Desejo retribuir à geração do futuro, em sinal de gratidão, pelo que a Amazônia e o Brasil proporcionaram para mim esta oportunidade de conhecer as maravilhas desta terra. É um modesto museu com a exibição de apenas 2,5 % da biodiversidade, entre peixes e insetos. Entretanto, mesmo com apenas 2,5%, é possível mostrar uma pequena amostra da rica diversidade da fauna amazônica, através da qual, os visitantes brasileiros e turistas estrangeiros possam marcar na sua lembrança a importância da preservação desta natureza”.

Passados mais de duas décadas da inauguração do museu, o sonho do Sr. Shoji Hashimoto vai acabar, brevemente, infelizmente, pois a instituição está dois anos no vermelho, não tendo mais condições financeiras para manter-se aberto à visitação pública, irá fechar no final de março deste ano.

A idéia dos administradores do museu será de embalar todo o material, secar os tanques, soltar os Pirarucus num lago (irão morrer de fome, pois, eles não sabem mais procurar o seu alimento, em decorrência de estarem muito tempo em cativeiro). Eles pensam em reabri-lo próximo a Copa do Mundo de 2014, em decorrência do grande fluxo de turistas estrangeiros que virão para Manaus; acho que será muito improvável isso acontecer, pois eles não tem o dinheiro suficiente para manter aberto agora, imaginem, conseguir um grande aporte financeiro para começar tudo de novo em 2013, mas, tudo é possivel. 

Talvez, pela sua formação e origem japonesa, eles não gostam de pedir ajuda, preferiram manter o museu com a colaboração da colônia japonesa e com a cobrança de ingressos - resistiram até o fim. Se houvesse um pouco de sensibilidade do Prefeito Manaus ou do Governador do Amazonas, poderiam muito bem fazer um convênio, dando um suporte financeiro para manter o museu aberto.

Para os senhores terem uma ideia, o governo do Amazonas fez no ano passado (ano de eleições), uma doação milionária para as ONG´s e OSCIP´s ligadas à políticos da situação, enquanto isso, muitas criancinhas passam fome em Manaus e no interior do Estado. Com certeza, os homens do governo não estão nem ai se o museu vai fechar ou não!

Os próprios moradores da nossa cidade poderiam ajudar, fazendo campanhas para manter aberto o museu, incentivando as pessoas a visitarem o local, bem como, os empresários do Distrito Industrial poderiam muito bem dar a sua contribuição.

Vamos todos ajudar o museu de ciências naturais, manter vivo o sonho do Sr. Shoji. Um museu jamais poderá ser fechado, assim como uma escola, uma faculdade, um hospital, dentre outros estabelecimentos importantes para a sociedade. É isso.