domingo, 12 de abril de 2020

ANIVERSARIANTE DO DIA - José Rocha Martins


JOSÉ ROCHA FILHO
Nasceu no Igarapé de Manaus, local onde passou a sua infância e parte da vida adulta.
É filho do mestre Luthier Rochinha e da Dona Nely Soares Fernandes.
Pai da advogada Dra. Bruna Martins.
São seus irmãos: Zé, Henrique, Graciente e Kelva.
Estudou no famoso Colégio Estadual D. Pedro II, na época em que somente entravam os melhores e mais dedicados estudantes.
Formado em Ciências Contábeis, na antiga Universidade do Amazonas (atual UFAM), quando somente existia essa instituição de ensino superior e, para passar no vestibular era um martírio para os estudantes, pois eram oferecidas poucas vagas e somente os mais preparados conseguiam êxito.
Fez especialização em Administração Hospitalar, atuando por um período no Hospital Adriano Jorge.
Trabalhou durante muitos anos no Banco do Estado do Amazonas (BEA) e na Caixa de Assistência dos Funcionários do BEA (CABEA).
Por ser um mestre na ciência que estuda e interpreta os registros dos fenômenos que afetam o patrimônio de uma entidade, possui o seu próprio escritório de contabilidade, onde desempenha as suas atividades profissionais, mesmo estando aposentado pela previdência social.
Foi morador antigo do Conjunto Tocantins, onde é muito querido pelos vizinhos e amigos, pois é uma pessoa simpática com todos.
Atualmente, mora com a família no Condomínio Villa Dei Fiori, na Chapada.
Ajudou-me na elaboração do meu primeiro livro "O IGARAPÉ DE MANAUS (que será lançado brevemente em E-book) e irá escrever brevemente as suas reminiscências.
Gosta de passar o Happy Hour (hora feliz) com os amigos no Bar Caldeira e Bar do Armando, no centro antigo de Manaus.
Parabéns, meu irmão! Saúde e Vida Longa.
José Roberto Pinheiro Pinheiro, Carlos Alberto Lamêgo Guimarães Lamêgo e outras 3 pessoas
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Comentários

  • É o Cão... kkkkk
    Rochinha companheiro de longas “goladas “, começando pelo boteco do Arthur, Janela, Sambão, descaindo pelo Armando até chegar no Caldeira. Vida longa velho amigo
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  • Meus parabens Rochinha .
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  • Felicitações....pelo aniversário...meu amigo Rochinha...Saúde!!.
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  • FELIZ ANIVERSÁRIO AO MELHOR GUARDA LIVRO DE MANAUS.... DO IGARAPÉ DE MANAUS !
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    sábado, 11 de abril de 2020

    SOMOS OU NÃO POLIGLOTAS?


    Confesso que estou em dúvidas sobre qual é o nosso idioma, todos nós sabemos que o oficial é a língua portuguesa, oficiosamente, falamos muita coisa em inglês (speak English), o primeiro foi colocado goela abaixo pelos nossos descobridores (ou invasores) lusitanos, o segundo, está sendo implantado na marra pelo imperialismo norte-americano (em nome da tal globalização), além disso, somos obrigados a conhecer um pouco de espanhol, em decorrência de quase todos os nossos “hermanos” da América do Sul falar esta língua (nas reuniões do MERCOSUL deve-se falar o espanhol), porém, poucos sabem que a nossa língua “mater” (Latim = mãe) é o Tupi-Guarani (Awañene: abanheém - língua de gente). E agora, José? Brasileiros, somos todos poliglotas?

    A língua portuguesa é derivada do latim vulgar, foi espalhada pelo mundo quando Portugal estabeleceu um império colonial e comercial, atualmente, ela é falada por mais de 260 milhões de pessoas, sendo oficial no Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial.

    Quando alguém não entende o que a outra pessoa está falando é comum dizer “Você está falando Russo!”. Na realidade, a língua portuguesa é muito difícil, pode ter certeza, teremos que estudar a nossa gramática até a morte! E a língua falada no Brasil é diferente da praticada em Portugal, tanto que todos os manuais de produtos importados distinguem a escrita dos dois países. Ainda tem um complicador: o nosso país é continental, dessa forma, falamos o português diferente em cada região: Amazonês, Carioquês, Paulistês, Mineirês, Gauchês, etc.

    Quando ousei em montar o meu blog, tive e, ainda tenho uma dificuldade terrível em expor a minhas ideias – ainda bem que existe uma pequena ajuda do “corretor ortográfico” do “Microsoft Words”, do Dicionário eletrônico do Aurélio XXI e da Gramática do Prof. Bechara, além da ajuda dos amigos, assim mesmo é complicado a nossa língua portuguesa, tanto que certa vez escrevi um “post” sobre “Uma Noite de Insônia: O relógio digital da minha cabeceira marca 02 h 31 mim 10 seg., sexta-feira de uma madrugada sem sono! O que fazer com esta insônia? Ler, lembrar do passado, ridicularizar o presente ou viajar para futuro! Não sei o que fazer, estou entediado, talvez seja melhor esperar o sono chegar, mas ele não chega! Terei que fazer alguma coisa, mas o que? Acho melhor escrever, mas escrever o quê e sobre quem? Lá vêm as dúvidas! Acho melhor ligar esta poderosíssima ferramenta - o notebook! Por que não pegar o tradicional papel e a caneta? Não sei, mas quem tem cão, não caça com gato (ou não se paga pet shop), diz o ditado popular! Será? Não importa, terei que escrever independente dos meios! Fiquei a pensar: tenho muitos assuntos para escrever, porém, ainda não dominei a nossa língua culta, que vergonha para um caboclo cinquentão! Vem o consolo: estou no mesmo barco como a grande maioria dos brasileiros, não conhecemos profundamente o nosso idioma; falar é fácil, o coloquial é uma beleza, mas escrever o português de Camões, a coisa toda muda!"

    O inglês (English) é uma língua que se desenvolveu na Inglaterra durante a era anglo-saxão, foi difundida, inicialmente, através da influencia militar, econômica, cientifica, política e cultural do Império Britânico, hodiernamente, foi espalhada pelo resto do planeta em decorrência do imperialismo dos norte americano. Cerca de 380 milhões de pessoas falam o inglês como sua primeira língua, perde somente para o chinês mandarim.

    Para quem deseja seguir a carreira no setor público, deve conhecer além da nossa difícil gramática, a língua inglesa ou espanhola. Houve uma disseminação violenta das escolas de inglês no nosso país. Tem que falar inglês, senão os jovens não conseguem ter uma boa educação escolar no terceiro grau e pós- graduação: os livros dos “papas” estão escritos em inglês. Hoje, a grande maioria dos jovens domina a língua inglesa aos vinte e dois anos de idade – é a famosa geração “Y”. Coitado de mim, sou da geração “Palmatória”, aprendi a falar e a escrever “mais ou menos” o português pegando bastante bolo; estou tendo uma dificuldade enorme para pronunciar algumas expressões em inglês. Será que papagaio velho aprende a falar? Sei, não!

    Não tem jeito, o inglês está no nosso cotidiano – caminhem pelas ruas de Manaus, observe os nomes das lojas, entre nos Shopping Center, traduza o Cardápio dos restaurantes e das lanchonetes, entre nas Lan Houses e Cyber Café, entre nos Orkut, Twitter e Blogs da vida, a grande maioria está em inglês! Pode conferir: Amazon Resgate, Oftal Center, Clinfit, Mobile Moveis, Eye Center, Super Sport, All Tennis, Top Life, Relax Moveis, Fath Copy, Fast Foods, Delivery, Rent a Car, Hot Dog, X-burger, Fitness, Brother, Playboy Motel, entre outras milhares de palavras e frases em inglês.

    Lembro de uma velha piada: o cara estudou três anos numa escola de inglês em Manaus, foi para os USA fazer intercâmbio cultural, depois de alguns dias ligou para a sua casa e o seu pai atendeu: - Alô father, cadê a mather, como está a Help, tá tudo very well por ai? O velho respondeu: - Não estou entendendo patavina do que você está falando. Quem quer falar com você é a Quiti. O filho respondeu: - Pô father ainda não aprendi em inglês o que Quiti! Ai o velho detonou: - Quem quer falar é a Qui Ti Pariu, a tua mãe, sai prá lá com esse teu inglês de merda, sêo porra! O cara nunca mais ligou “falando” em inglês!

    O espanhol ou castelhano teve a sua origem no norte da Espanha, foi levado para as Américas, África e Ásia com a expansão do Império Espanhol. São 329 milhões de pessoas falando o espanhol como idioma nativo, perdendo somente para o chinês mandarim (também pudera, lá a população é de 1 bilhão e trezentos e vinte milhões de pessoas!) e o inglês.

    Na America do sul e Central é oficial o Espanhol, somos os únicos diferentes, aliás, no Tratado de Tordesilhas esta parte da Amazônia pertencia ao Reino da Espanha, caso não fosse a esperteza dos portugueses da época da União Ibérica, estaríamos falando o espanhol (ainda bem!).

    Depois de anos olhando somente para o nosso umbigo, finalmente, voltamos a nossa atenção para a América do Sul e Central – o Brasil conseguiu se firmar na política e na economia, passando por todas as turbulências que assolaram o mundo capitalista, tornado-se o tutor de vários países vizinhos. Os nossos “hermanos” não conseguem assimilar a nossa língua, eles dizem que ela é parecida com o francês – moral da estória: tivemos que aprender a falar o famoso Portunhol.

    O Tupi-guarani é a nossa língua mãe, quando os portugueses aqui chegaram em 1500, os nossos irmãos das tribos indígenas falavam línguas pertencentes à dita família tupi, existe algumas correntes de pensadores brasileiros que sonham em um dia voltar a falar este idioma no nosso país.

    O jornalista Ozias Alves Jr – e-mail Ozias@matriz.com.br escreveu o seguinte: “No primeiro semestre de 1995, assisti na televisão uma reportagem interessante do programa Fantástico, da Rede Globo, sobre a implantação futura da língua Tupi-Guarani como matéria optativa nas escolas públicas do Rio de Janeiro. Hoje, passados cinco anos, o projeto não saiu do papel por falta de professores, mas achei a idéia instigante. Muitos acham a medida um absurdo, outros a consideram fabulosa tal como seria a reação do personagem Policarpo Quaresma, do romance de Lima Barreto intitulado "Triste Fim de Policarpo Quaresma", publicado na segunda metade do século passado. Para quem não conhece essa obra, Quaresma era um cidadão extremamente nacionalista que defendeu obcecadamente a idéia da adoção do Tupi-guarani como língua oficial do Brasil, salientando que o português deveria ser abolido por tratar-se do idioma dos colonizadores. Lembro-me do relato de um senador amazonense chamado Pedro Luís Simpson (1840-1892). Este foi oficial do exército brasileiro na guerra do Paraguai (1865-1870). Conhecedor de nheengatu (tupi-guarani), ele entendia perfeitamente o guarani falado pelos soldados paraguaios prisioneiros interrogados por ele no idioma indígena brasileiro. Simpson foi autor de "Gramática de Língua Brasílica". Aprendeu a língua indígena durante sua infância, em Manaus, Amazonas. Quando garoto, brincava com crianças índias. O nheengatu (tupi-padrão) era o idioma que os padres jesuítas influenciaram os índios a falarem nas missões organizadas por eles na Amazônia”.

    O nosso país sediará a Copa de 2014, queira ou não, teremos que falar um segundo idioma, não tem jeito, E agora, José? Não sei não, mas terei que aprender na marra, pois, daqui a alguns anos, terei que escrever nas duas línguas (inglês e português) ou quem sabe nas três (incluindo o espanhol), ou melhor, incluindo também o Tupi-Guarani!

    Até logo! Hasta luego! So long! Anauê.

    A MALHAÇÃO DO JUDAS PEDRÃO

    A malhação de Judas desde tempos idos, sempre foi uma manifestação de revolta por parte da comunidade cristã, para vingar-se daquela pessoa que traiu Jesus, entregando-o aos romanos para ser morto e crucificado – essa tradição está perdendo forças em tempos atuais, indo lentamente acabando, porém, sempre lembrado pelos mais velhos – é o meu caso em que no Sábado de Aleluia lembro-me da última malhação em que participei: A Malhação do Judas Pedrão.
    Aos doze anos de idade fui morar na Vila Paraíso, com entrada pela Rua Tapajós, depois, casei e mudei-me para o Conjunto dos Jornalistas, após separado da mãe dos meus filhos, voltei para o meu ninho de outrora, reencontrando com os meus velhos amigos, colegas e vizinhos, participando com força total de todos os eventos em minha rua, particularmente da parte conhecida como Ladeira da Tapajós.
    Falam os mais velhos que devemos respeitar a Sexta Feira da Paixão ao acordarmos até a boca da noite. Respeitando essa tradição, reunimos uma galera no Bar da Dona Vanda, para beber umas geladas e confeccionar um Boneco de Judas.
    Lembro-me de alguns colegas: Batata, Capuchinho, Núbia, Hino, Manoel Mormão, Magaiver, João Cana Brava, Wanderlan, Paulinho, Taca, Alcenir, Chiquito, China, Tia Vanda, Tia Daca, Zigomar, Henrique e outros.
    Cada um deu a sua contribuição: calça jeans, cinturão, sapatos, camisa manga comprida, meias, jornais, isopor, agulhas, linhas e muita paciência para confeccionar o Judas.
    Não foi fácil fazer o Judas, pois não tínhamos experiência em confecção de bonecos. Deu trabalho danado encher os sapatos, as pernas, o corpo e os braços, o problema maior foi a cabeça, pois parecia mais um ET (extraterrestre).
    Lá pelas onze da noite a fera ficou pronta, faltava apenas dar um nome ao Judas. Todos entraram em comum acordo: o homenageado seria um vizinho metido a besta, fanfarrão, contador de lorotas, abacabeiro, pescador, barrigudão e que se achava o machão da Rua Tapajós.
    Não deu outra: penduramos o boneco numa árvore no quintal do Manoel Mormão (atual Academia do Tabosa), com uma placa no peito "PEDRÃO, O MACHÃO!”.
    A estratégia era acordar bem cedo, tocar fogo no fuleiro, correr ladeira acima e zonar com o Pedrão antes do homenageado saber.
    Conforme combinado, ao chegarmos no quintal do Mormão, ele deu um pulo da rede e gritou:
    - Prefeito, o Felipe Viriato veio aqui de madrugada com um terçadão, cortou o Pedrão e levou lá prás bandas da Getúlio Vargas!
    Para que não conhece o Felipe, ele é gente boa, filho do grande advogado Dr. Viriato, morador tradicional da Avenida Getúlio Vargas - quando era mais jovem gostava de aprontar, qualquer bronca era com ele mesmo, ao ficar mais velho mudou de feição, virou uma pessoa de boa índole.
    Pois bem, resolvi encarar o Felipe, entrei pela Vila Paraíso até a Getúlio, onde pude observar o "Pedrão, o Machão", pendurado numa árvore em frente a Casa Aroeira. Dei uma bronca no Felipe, ele na maior cara de pau chegou até a chorar, pediu mil desculpas.
    Subiu na árvore, cortou o Pedrão e o levou inteirão para ser estraçalhado na Ladeira da Tapajós. Nesse ínterim, o Pedrão de carne e osso já estava sabendo da onda. Como de costume, se plantou em frente da casa do Mormão, sem camisa, mostrando aquele barrigão sensual, prá negas dele, é claro!
    Ficamos sem jeito nem clima para fazer a malhação. Entramos num comum acordo: colocamos o Pedrão sentado numa cadeira de macarrão, com chapéu e óculos tipo Raimundo, sem nada de malhação com o Pedrão!
    Passou o dia todo na Ladeira da Tapajós, pousando para as fotografias, com muita cerveja, dominó , peixe frito e som do DJ Lourão Isaac, tudo pago, é claro, pelo "machão" PEDRÃO!
    Salve o Sábado de Aleluia e a Malhação de Judas!

    sexta-feira, 10 de abril de 2020

    40 ANOS DO PROJETO JARAQUI





    O Fórum Permanente de Debates sobre a Amazônia, fez o lançamento oficial do Projeto Jaraqui, no dia 14 de março de 1980, no Auditório da Faculdade de Estudos Sociais  da Universidade do Amazonas, onde foi realizado uma mesa redonda debatendo a temática “proposta para uma política florestal para a Amazônia”,  contando com a presença de professores, acadêmicos, intelectuais, ecologistas e pessoas preocupadas com a problemática da Região Amazônica.

    Na proposta inicial, o Projeto Jaraqui teria um período mínimo de quatro anos e contaria com o apoio financeiro da Universidade do Amazonas (UA), Banco da Amazônia (BASA), Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA), Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, as Ciências e a Cultura (UNESCO).

    A proposta inicial do projeto teria as características:

    1. PARLAMENTO POPULAR E NÚCLEO DE SOLIDARIEDADE ao desenvolvimento adequado e autêntico da Amazônia, com a participação indispensável de representantes de todos os segmentos e camadas sociais;

    2. Levar aos diversos segmentos da comunidade regional a discussão dos problemas amazônicos conhecimentos empíricos dos nativos e dos neo-nativos;

    3. Estimular programas e projetos científicos e comunitários;

    4. Suscitar uma autocritica e uma possível tomada de posição sociocultural, econômica e estético-filosófica as sociedades urbanísticas.

    O projeto teve o nome do peixe Jaraqui, o mais pescado, comercializado e consumido no Estado do Amazonas, com o seu paladar famoso em arrebatar os visitantes do nosso torrão. Ele é a principal fonte de proteína animal para a maior parte da população. Foi um nome justo, pois o Jaraqui é um dos ícones maior da nossa cultura.

    No dia 16 de março de 1980, às 10 horas de um domingo, aconteceu o primeiro encontro do Projeto Jaraqui em público. Aconteceu na Praça Heliodoro Balbi (Praça da Polícia), tendo como tema “A Defesa da Amazônia”.

    Estiveram presentes ao primeiro ato público o poeta Thiago de Mello, professores da Universidade do Amazonas, políticos e pessoas ligadas a movimentos em defesa da Amazônia.

    Os oradores se pronunciaram particularmente contra o anteprojeto enviado ao Parlamento Federal pelo Ministério do Interior, que definia a politica de exploração econômica da floresta Amazônica, em decorrência de excluir pontos fundamental importância para a preservação da floresta, aprovados pela Comissão de politica florestal para a Amazônia brasileira.

    Compareceram poucas pessoas ao evento, o que foi encarado pelos organizadores como “absoluta falta de informação do povo com relação aos problemas da Amazônia”.

    Na ocasião foi defendida a ideia de que o Projeto Jaraqui deveria ser levado aos estabelecimentos de ensino, a fim de que o estudante seja conscientizado da importância da Amazônia.

    Na semana seguinte o Projeto Jaraqui ouviu a experiência popular. Um senhor de 72 anos de idade, chamado Francisco Cariatá, um cortador de seringa no Purus e Japurá, esteve na Praça e fez a seguinte declaração: “Os constantes desmatamentos da floresta amazônica levarão Manaus a ter uma temperatura, no futuro, por volta dos quarenta graus”. 

    O futuro é agora, o desmatamento continua e a previsão daquele homem interiorano se concretizou: em setembro, em pleno verão amazônico, em Manaus, faz mais de quarenta graus, na sombra!

    No segundo encontro o Senador Evandro Carreira propôs a utilização de um satélite artificial para policiar a devastação da Amazônia. O professor  Frederico Arruda, um dos membros do Fórum,  conclamou novamente todos os amazonenses e participantes da mobilização para conquistar a preservação da Amazônia, bem como, convidou a comunidade para estar presente a um ato público em frente da Igreja da Matriz na quarta-feira seguinte.

    O Projeto Jaraqui passou trinta anos parado, quando foi resgatado por alguns políticos e professores da UFAM, em particular sob a coordenação do professor e antropólogo Ademir Ramos, um militante dos Movimentos Sociais, acadêmico da Universidade Federal do Amazonas, um dos fundadores do Movimento dos Professores do Estado, bem como do Movimento Indígena e das Comunidades de Base, um atuante nas lutas sociais e pela afirmação da Democracia no Brasil.

    O assessor político Paulo Onofre e o então Vereador Mário Frota, também ajudaram na volta do novo Projeto Jaraqui, sendo aquele o coordenador do Festival de Marchinhas do Jaraqui e da Banda de Carnaval do Jaraqui.

    É isso ai. Parabéns pelos 40 anos do Projeto Jaraqui. Espero que nova geração de manauaras leve em frente este projeto para o futuro.

    Fontes: Jornais A Critica e Commercio

    sábado, 4 de abril de 2020

    LEOPOLDINO GONÇALVES MARQUES

     Por Abrahim Baze

    Nascido de família de pescadores, na então Vila de Póvoa de Varzim, em 23 de novembro de 1929, Leopoldino Gonçalves Marques cedo (18 anos incompletos) e cedo imigrou para Ultramar-Moçambique – onde cumpriu o serviço militar. 

    De volta a Portugal, imigra definidamente para o Brasil-Manaus por carta de chamada de seu amigo de infância, José Pereira Campos, isto em 1952. 

    Em 1954 manda vir a família, que ainda vivia em Portugal: sua esposa e companheira até o fim de sua vida, Generosa Lopes da Conceição, e seus três filhos portugueses; Joaquim, Fernando e José. 

    De pronto associou-se ao Luso Sporting Club, onde foi de tudo, de atleta (futebol) a diretor, ator amador do Teatro do Luso até chegar a Presidência onde, com a ajuda de muitos amigos, que sempre os soube fazer, realizou uma profícua administração, completando as obras da sede social com construção da varanda interna, lado oeste. 

    Fortaleceu as reuniões sociais e deu forte impulso à “Juventude do Luso”, movimento jovem com grande passagem pelo clube. 

    Teve como seus colaboradores: José e Manoel Pereira Campos, Alfredo Jangadeiro, Germinal, Lameiras, Fernando Maravalhas, Rui e José Leite, Simão, Sr. Américo, Sr. Ivã, Sr. Martinho, Carreira, Armando Soeiro, dentre muitos outros.

    Completou a família com mais cinco filhos brasileiros: Dilce, Herbert, Leopoldino Junior, Leogene e Shirley, criando-os a todos, brasileiros e portugueses, com elevado sentido de luso-brasilidade. 

    Faleceu em 17 de janeiro de 1997.



     Esta postagem foi motivada por vários fatores, dentre eles, cito alguns: 1. O livro do Abrahim Baze foi-me doado pelo atual Presidente do Luso Club, o Senhor Flávio Grillo Filho, dono da Distribuidora Casa Portugal, no bairro da Redenção. Foi um prazer enorme, pois além de ser seu amigo, o Luso é uma agremiação de todos os portugueses, brasileiros e, principalmente, dos descendentes e dos manauaras da minha época; 2. Sou amigo de quatro filhos e um neto do Senhor Leopoldino Gonçalves: 2.1 – José Gonçalves (Zé): o conheci faz muito anos. Ele era funcionário da antiga subsidiária da Eletrobrás, a Eletronorte Amazonas. Nos finais de semana visitava o seu patrício, o Nelson Português, na Rua Huascar de Figueiredo, pois os dois possuíam um hobbie em comum: a criação de canarinhos. Ele parava no Bar do Amadeu, na esquina da Joaquim Nabuco, tomava umas cervejas e conversava com todos que bebericavam na janela. Tempos depois, o encontrei no Bar Caldeira, onde foi possível bater longos papos e tornar ser seu amigo. Ao se aposentar da empresa de eletricidade foi ser executivo da Distribuidora Dilce Ltda., de sua irmã mais nova. 2.2 Joaquim Gonçalves: fui trabalhar na empresa Casas dos Óleos, no ano de 1984, na administração, situada no bairro da Raiz. O Dr. Joaquim foi um dos mais respeitados economistas da ONU/Cepal. Era executivo das empresas dos senhores Ambrósio, Walph e José Mário Assayag, além de ser sócio do Café Manaus. Fui seu discípulo, aprendi muito com ele. Infelizmente nos deixou no ano passado. 2.3 Leopoldinho júnior: O Dinho. Formado em Contabilidade, exerceu o seu mister na empresa Casas dos Óleos. Fomos colegas de trabalho, mas, tivemos pouco contado. Nunca mais o vi. 2.4 Dr. Fernando Gonçalves: um dos médicos mais conceituados em Manaus. Inteligentíssimo, com uma memória fora do comum. Foi sondado várias vezes para ser secretário de Saúde do Município e do Estado do Amazonas, porém declinou todas vez em que era chamado. O conheci no Bar Caldeira (amigo do Adriano Cruz, Dona Maria e do Carbajal) , onde gostava de tomar umas cervejas com os amigos nos finais de semana. Era amigo do Armando Soares, frequentador também do Bar do Armando em tempos idos. Trabalhou na PMM, no Governo do Amazonas e na SUFRAMA. Está aposentado, porém, continuamos amigos virtualmente. Conheci também o filho do Dr. Fernando, Fernando Junior, um grande amigo. Era da SUFRAMA. Faz um tempão que não o vejo. Gente boa esses portugueses!

    DANDO UM ROLÉ POR MANAUS EM ÉPOCA DE CORNOVÍRUS



    Pulei da rede quando o galo já tinha cantado fazia horas. Sem olhar o aparelho celular, tentei fazer um exercício de memória para adivinhar as horas e o dia da semana. Será oito ou nove da manhã? É sábado ou domingo? Sei lá! Tanto faz como tanto vez. Não tenho mais horário para cumprir, não estrou nem pregando um prego no sabão. Pode ser segunda-feira, o dia da preguiça ou sexta da armação e zoação ou final de semana de encontrar com os amigos e família. Tá tudo igual! Não tem mais trabalho, happy haour nos botecos, pegação no Xavante, striptease no Remulo´s, passeio no shopping com os netos e caminhada no Parque Jefferson Péres. Tudo fechado. Ai veio uma luz. Vou sair do meu cafofo e dar um rolé por ai, entrar em tudo que estiver aberto e permitido. Cansei de ficar enclausurado! Tenho de respirar, ver a minha cidade e passear  senão irei endoidar! Fui rufeca e todo equipado: bermuda, tênis, camisa manga comprida, boné, máscara e álcool em gel. Pense numa figura do outro planeta, foi como se senti. Parei num posto de gasolina para colocar somente um cheirinho de gasosa e calibrar os pneus. Entrei num caixa eletrônico para sacar um couro de rato que caiu na minha conta. Passei na padaria para compras pães para consumir em três dias. Entrei num supermercado para comprar água sanitária, sabão e, cerveja puro malte em lata, meu objeto de desejo para hoje. Resolvi continuar o meu rolé pela Feira da Manaus Moderna (?). Fui comprar algumas verduras e frutas na hora da xepa. O único que estava de máscara era o cidadão aqui. Todos me olhavam. Um peão deu uma indireta: - O cornovírus só pega barão! Tentei morder a minha língua ferina, mas não deu, disparei a minha metralhadora giratória: - Barão, ó caralho! Sou um fu-di-de-o-dó. Faz um tempão que nem saio de Manaus! Esses fio-de-uma-égua tem grana para dar um rolé no mundo inteiro e voltam para phoder a gente aqui em Manaus! Fui. Peguei o beco! No retorno, passei pela Rua Lobo DÁlmada para matar a saudade. Tudo fechado, não avistei nem um cachorro vira-lata na área. Realmente, o maluco beleza Raul Seixas acertou em suas previsões ou alucinações, quando teve um sonho sonhador de O Dia Em Que a Terra Parou. Como é que pode em pleno sábado onde se reúne o maior metro quadrado de Manaus, com boêmios, sambistas, muito rock hall, primas e bordões, bibas e o carvalho a quatro, encontrar-se vazio, sem uma viva alma? Vai ficar na história! Na esquina com a Rua José Clemente tive uma alucinação: ouvi músicos tocando chorinho, gente falando alto. Parei, entrei e sentei. Antes e pedir uma breja bem gelada, um gordinho falou: - E ai, Rocha, tu vais dá um tapa no telhado? Caramba, acordei, estava no Salão Caldeira e não no Bar Caldeira, fechado por tempo indeterminado! No final da rua foi tentar uma fezinha na Quina, chega da quina da mesa! Fiquei a pensar “Esse rua foi uma das mais bonitas de Manaus, toda arborizada, com belíssimos casarões, e uma dos seus moradores resolveu abrir uma empresa chamada Cabacense, onde muitos anos depois se tornou o lugar preferido das profissionais do sexo. Cabaço é ruim, hein”. Para finalizar, ao chegar ao meu barraco, passou por mim uma vizinha gostosona, dando um "Olhar 43" (Seu corpo é fruto proibido/É a chave de todo pecado e da libido/E prum garoto introvertido como eu/É a pura perdição). Sei, não, o camarada dela vai pegar um Cornovirus na maior. Pus para gelar os maltes “puro sangue”, depois de umas e outras resolvi escrever essas zoeiras para vocês. Chega de rolé na casa de mané! Fui.