quinta-feira, 18 de novembro de 2010

SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA - REFLEXÕES

Por estarmos na semana da “Consciência Negra”, vamos retroceder um pouco na história e buscar compreender um pouco sobre formação do povo brasileiro, com ênfase na chegada dos negros no Brasil, os maus tratos e a resistência a escravidão.

Não sou historiador, fui buscar ajuda no livro História do Brasil, do professor Gilberto Cotrim, Editora Saraiva ,edição de 1999. Fiz um pequeno resumo, escrevendo a minha maneira. Vamos lá:

Tudo começou com o domínio dos portugueses do litoral da África, onde fundaram feitorias durante o século XVI. Formaram um perverso triângulo entre a África, Europa e América: os europeus levavam mercadorias para a costa africana (tecidos grosseiros, rum, tabaco, armas, etc.) e as trocavam por escravos, estes eram vendidos para os colonos americanos, em troca de açúcar, tabaco e ouro.

O ser humano era visto como uma mercadoria, tanto que nas trocas foram arrancados milhões de africanos de sua terra -, para ter uma ideia, estima-se que entre 1531 a 1855 desembarcaram no Brasil em torno de quatro milhões de africanos.

Os Bantos, tribos do sul da África, a maioria de Angola e Moçambique, foram levados para Pernambuco, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os Sudaneses, vindos das tribos de Daomé, Nigéria e Guiné, foram levados para a Bahia, parte foi para São Luís e de lá chegaram até Belém e Manaus.

Foram trabalhar para os seus proprietários, na agromanufatura do açúcar, na plantação de algodão e na mineração, além de trabalharem nos serviços domésticos. Excesso de trabalho, má alimentação, péssimas condições de higiene e castigos, contribuíram para a morte da grande maioria, não resistiam dez anos de trabalho.

Com tanta maldade por parte dos brancos, os escravos resolveram reagir, algumas mulheres provocavam o aborto para evitar o sofrimento futuro dos seus filhos; alguns escravos praticavam suicídios, outros reorganizavam rebeliões contra os senhores.

O Quilombo ou Mocambos, palavra africana, significa “união”, os seus membros eram chamados de quilombolas, calhambolas ou mocambeiros - foi um pólo de resistência a escravidão – existiram em várias regiões do Brasil, corresponde aos atuais estados do Pará, Minas Gerais, Bahia, Amazonas, Mato Grosso, etc.

O mais famoso foi o “Quilombo de Palmares” - recebeu este nome porque ocupava uma imensa região coberta originalmente de palmeiras, situado no atual estado de Alagoas.

Em Palmares, os negros criavam gado e cultivavam milho, feijão, cana-de-açúcar, mandioca, etc. O líder foi Ganga Zumba (grande senhor), fez um acordo de paz com o governador -, o seu sobrinho Zumbi discordou do acordo, o Zumba foi destituído e assassinado - Zumbi comandou a luta contra várias expedições.

O bravo Zumbi resistiu a diversos ataques, porém, em 1694 o Jorge Velho comandou uma tropa com seis mil homens, o quilombo foi destruído e sua população massacrada – o líder conseguiu escapar do cerco e fugiu com vários companheiros.

Dois anos depois, foi preso e morto, em 20 de novembro de 1695 -, a cabeça foi cortada e exposta em praça pública, na cidade de Recife.

Apesar de tudo de ruim que fizeram com os nossos irmãos africanos, eles participaram imensamente na formação da cultura brasileira, presente na literatura, musica teatro, dança, vocabulário, religião, alimentação, ciências, etc.

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Em Manaus, o bairro da Praça 14 de Janeiro, berço do samba, foi o local onde foram morar os negros vindos do Maranhão. Vamos conhecer um pouco da história, segundo a wikipedia:

A Vitória Régia foi fundada em dezembro de 1975 (em uma segunda-feira, dia 01/12/1975) na Casa da "Tia" Lindoca na rua Jonathas Pedrosa, bairro da Praça 14 de janeiro, Zona Sul de Manaus, por "seu" Fernando, Chiquito, Zé Ruidade, a própria Tia Lindoca, etc... Bem antes disso, em 1946 foi fundada a "Escola de Samba Mista da Praça 14" , que durou até 1961. Muitos dos antigos participantes daquela Escola eram avós, bisavós, pais, mães, enfim, parentes dos fundadores da Vitória Régia. As cores oficiais da Vitória Régia, são o verde e o rosa, inspirados na Mangueira do Rio de Janeiro.


A Vitória Régia realizava seus ensaios no Pátio da Casa da Tia Lindoca até 1988(In memorian – 1993), às vezes em ocasiões especiais, na própria Praça do Bairro. Daí o nome de Praça 14 de Janeiro. Em 1989 a Escola ganhou sua Quadra coberta, que localiza-se bem ao lado da Igreja - Rua Emílio Moreira,(Quando há missas, não há ensaios, se a missa acaba as 21:00, o ensaio começa depois desse horário). A verde e rosa detém ainda, a maior torcida de Manaus e no Sambódromo faz muita festa. A Escola tem a sina de ser de "samba no pé" e muito respeitada pelas outras agremiações, mantém ainda seu padrão de ser "povão". Em Manaus é, ainda a agremiação que reune o maior número possível de negros e mestiços de negros e caboclos, provando assim que a Praça 14 em Manaus - assim como era no Rio de Janeiro das décadas de 20 e 30 do Séc. passado, na área da Praça 11 de junho, à época, chamada de "Pequena África"- Uma analogia com a "Äfrica" de Manaus, que é a Praça 14 de Janeiro, o autêntico "berço do samba" baré.

Eses migrantes negros começaram a fazer no bairro, festas em homenagens aos orixás e muitos folguedos populares, festas de Bumba-meu-boi e também samba, na base de batuques. Pode-se afirmar que entre 1900 a 1940 aconteceu "rodas" de samba na Praça 14 e na área do Boulevard Amazonas, limite do bairro. Na rua Visconde de Porto Alegre por exemplo, havia um clube chamado de Solimões, que reunia os populares para as festas da época, festa de bairro longínquo do centro da cidade de Manaus naquele tempo (note-se que a Praça 14 hoje é um Grande centro comercial de acessórios para automóveis e outros tipos de comércios).

A Praça 14 de Janeiro é basicamente o "berço" do samba de Manaus. Entre 1890 e 1900, migrantes vindo do Estado do Maranhão, chegaram à Manaus da "Bélle Époque" e se estabeleceram em terras que viriam a ser no futuro do próprio bairro da Praça 14 – (Muitas dessas terras pertenciam em Glebas ao português Antônio Caixeiro e ao Sr. Martim Lopes) em relação à Praça que localiza-se no Centro do bairro, onde se situa a Igreja de N.S ª de Fátima, era um local já reservado para a sociedade ali nascente, logo depois essa mesma Praça abrigaria um Mercado de carnes e peixes, logo depois, por volta de 1965 transferido para outro lugar próximo.


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Quem me conhece, sabe muito bem, que eu sou um "cabocão negão", pois os meus avós paternos era formado por um negão e uma branca, os maternos era um branco e uma cabocla filha de índio - os meus pais era um negão e uma branca, nasceram três brancos e essa peça rara, o negão que vos escreve - mesmo com toda esta misturada, ainda me considero um afro-descendente e caboclo da gema. Casei com uma branca, nasceram duas brancas e um negão, este casou com uma branca e nasceu um curumim branco, uma das minha filhas conheceu o Boto e teve uma cunhantã branca - na próxima safra espero que nasça um negão e uma negona, para balancear, é claro! É isso ai.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

NESTOR NASCIMENTO - A ALMA NEGRA DO AMAZONAS

No próximo dia 20 de Novembro, será comemorado em Manaus o “Dia da Consciência Negra”, feriado municipal. Nada mais justo do que homenagear o saudoso Nestor Nascimento, considerado o maior líder negro da história do Amazonas, com uma marcante defesa dos direitos civis.

Tive o privilégio de conhecê-lo, inclusive foi meu professor de História, num cursinho preparativo para o vestibular da antiga Universidade do Amazonas, atual UFAM.

A biografia do Nestor, foi adaptado de texto retirado do Projeto de Decreto Legislativo nº 13/2001, visando conceder a medalha de ouro “Cidade de Manaus” a Nestor Nascimento.

Nestor José Soeiro do Nascimento nasceu em Manaus, Amazonas, no dia 11 de Dezembro de 1947, filho de Nestor do Nascimento e Sophia Soeiro do Nascimento. É divorciado e pai de 12 filhos, todos nascidos e residentes em Manaus. Vem de uma família tradicional do bairro da Praça 14 de Janeiro, em Manaus, onde viveu e estudou. Fundador da Associação dos Moradores e Amigos da Praça 14, Sócio Fundador da Escola de Samba da Vitória Régia. Sua mãe, dona Sophia Soeiro do Nascimento, foi uma ilustre Professora e diretora do Grupo Escolar Luizinha Nascimento. Cursou o ensino fundamental no Grupo Escolar Luizinha Nascimento, ensino médio no Colégio Estadual Rivadávia Corrêa (RJ); Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Amazonas, sendo inclusive um dos fundadores do Centro Acadêmico de Direito da universidade em referência. Participou de cursos de Atualização em Comunicação Social pelo Sindicato dos Jornalistas / Universidade do Amazonas; Introdução à Democracia pela Universidade do Amazonas e cursou Treinamento de Professores (Secretaria de Educação e Cultura / AM). Exerceu a função de Segurança do Ministro Lira Tavares pelo Ministério do Exército em 1968, escolhido pelo General Costa e Silva no Palácio das Laranjeiras. Atuou como repórter universal de notícias, no Rio de Janeiro, no ano de 1968; exerceu a função de colunista e Repórter no Jornal A Notícia, em Manaus, no período de 1972 à 1975; atuou como Diretor Geral do curso Dinâmico, em Manaus, no período de 1972 à 1979; atuou na elaboração de projetos de pesquisa, da Reforma Administrativa do Estado, nos seguintes projetos : 286 IPASEA ¬- Diagnóstico de Gestão, 142 - CELETRAMAZON - Diagnóstico de Gestão 465 - Aperfeiçoamento, Obrigações Fiscais e Trabalhistas no Estado do Amazonas, em 1972; atuou como assessor parlamentar na Câmara Municipal de Manaus, no ano de 1995. Foi procurador chefe da Câmara Municipal de Manaus, no período de 1996 a 1997, foi Subsecretário Municipal do Desenvolvimento Social, em Manaus, no ano de 1983 (Prefeito Amazonino Mendes); Diretor Superintendente Cultural do Amazonas em exercício entre os anos de 1984 à 1986 citado como um dos melhores alunos da Universidade do Amazonas, pelo Professor Samuel Benchimol, na Ordem dos Cobras, no livro Amazônia, um pouca antes além depois. Ativo participante como sócio da Escola de Samba da Vitória Régia e da Academia Samurai de Judô. Proprietário de um dos primeiros cursos de pré-¬vestibular de Manaus (curso Dinâmico). Foi Vice-Presidente do Clube da Madrugada c membro da Sociedade dos amigos de Portugal de Manaus e ainda foi Presidente do Conselho Estadual de Cultura 92/94. Atuou e fundou o Movimento Alma Negra – MOAN, em Manaus. Foi Presidente do Conselho de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra no ano 1988 e atualmente Presidente do Instituto dos Direitos Civis (I. D. C.) – AM. Ganhou o diploma de Honra ao Mérito, do Instituto Brasileiro, no ano de 1975. Pela sua trajetória em defesa dos direitos civis, Nestor Nascimento visitou os EUA a convite de Bill Clinton/1997, então presidente dos Estados Unidos, onde manteve contato com várias entidades, visitou o Capitólio, a Casa Branca e na oportunidade concedeu entrevista à voz da América como um dos mais ilustres defensores dos direitos civis no Brasil. Seu currículo é sem dúvida da maior grandeza e relevância na nossa cidade por sua participação e experiência na vida pública e administrativa em todos os seguimentos da sociedade manauense.

Comentários:

Vanessa disse...

Tem mais de 12 filhos. Nem todos os seus filhos moram em Manaus. Eu sou a mais velha de todos (40 anos).
Pai!
Saudade eterna ...
Te amo! Sua banzé!

Alessandra Coêlho - DIREITO/UFAM - 1988. disse...

Saudades meu querido amigo!Você será sempre lembrado com todo meu carinho e admiração.Sinto-me honrada de ter sido sua amiga. Obrigada.


EVANDRO disse...
ACHO JUSTA A HOMENAGEM. ASSIM COMO ENTENDO QUE NESTA SEMANA DEVERIA TER EVENTOS SOBRE A NEGRITUDE EM TODO O BAIRRO DA PRAÇA 14. CULMINANDO COM UMA FESTANÇA DIA 20. A PROPOSITO, ALGUEM PODE INFORMAR DADOS BIOGRAFICOS DA LUIZINHA NASCIMENTO.


"Comemorado no Brasil em 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra representa uma reflexão sobre a importância da manutenção da cultura afro-brasileira, além de celebrar a inserção dos negros em nossa sociedade. A data escolhida refere-se ao dia da morte do herói negro Zumbi - líder do Quilombo dos Palmares -, em 1695. Morto em combate, Zumbi dos Palmares lutou pelo fim da escravidão no Brasil Colonial, promovendo a resistência negra e defendendo a cultura de seu povo. A data foi estabelecida pela lei n° 10.639/03, que também institui a obrigatoriedade de inclusão da disciplina História e Cultura Afro-Brasileira e Africana nos currículos escolares de ensino fundamental e médio."














segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O MEU FINAL DE SEMANA PROLONGADO EM MANAUS


A minha ideia inicial era aproveitar o final de semana prolongado e ir para a Vila de Paricatuba, no município de Iranduba, não foi possível, fui convidado para ir a cidade de Rio Preto da Eva, deu também “capim na palheta”, o jeito foi ficar em Manaus e curtir a nossa cidade.

A Prefeitura Municipal de Manaus promoveu a I Virada Cultural da Região Norte, inspirado na “Nuit Blanche” de Paris; a primeira edição no Brasil aconteceu na cidade de São Paulo em 2005. O objetivo do evento é a promoção da cultura e arte pela cidade durante 24 horas ininterruptas, com espetáculos musicais, peças de teatro, exposições de arte, esporte, gastronomia entre outros.

Os palcos foram montados na Praça da Saudade, Praça do Eldorado, Parque dos Bilhares, Estrada da Ponta Negra e Jorge Teixeira. Por morar no centro de Manaus, abracei a primeira opção, antes, fiz o aquecimento no Bar Caldeira, centro antigo de Manaus, onde reuniram os amigos do peito: Graça Silva, Roberto, Kátia Maria, Jorginho, Olavo, Jokka, Enne Rocha, Dona Maria e Adriano. A programação do evento foi a seguinte: Big Manaus Band e artistas da PMM – Erudita: Trio Brasilis – Chorinho: Primas e Bordões e Aldeia do Choro – Michael Jackson de Manaus - MPB/POP: Lucilene Castro/Zeca Torres e Nicolas Junior – Bolero/Brega: Kátia Maria e Nunes Filho – Banda de Rock Tihuana (sucesso musical do filme Tropa de Elite).

Parei na barraca de Sebo “O Alienista” do meu amigo Celestino -, dei algumas gargalhas dos haicais pornôs do poeta Marceleudo, o cara é o máximo! Bati um papo com o DJ Tubarão, ele vai fazer uma surpresa no aniversário da Rosangela (Ro) Mamulengo, o evento será no final do mês de novembro, em Paricatuba, será uma “RaiveRo”. Gosto da música popular amazonense, porém, um rock uma vez e outra vai bem, curti muito os Tihuana, os roqueiro de Manaus marcaram a presença, foi massa!

Lá pelas três da madrugado o sono chegou. Fui e não voltei mais. Ainda iam se apresentar: Reggae: Jonny Jack Mesclado e Deskarados – Salsa: Tati Coração Latino e Conexão Latina. Segundo os coordenadores da ManausCult, a programação rolou solta no domingo, com Café da Manhã, Atividades Esportivas e Comando Garantido (toada de boi bumbá do Garantido), depois, veio o DJ Tubarão – Regional/MPB/POP: Imbaúba/Candinho e Inês/Nelly Miranda/Cléber Cruz/Simone Ávila/Robertinho Chaves, para finalizar, muito REGGAE: Elisa Maia/Ayhuaska e Cileno. No palco 3 foram exibidos 14 filmes (musicais/cult/brasileiro/mulheres).

Chega, cruz credo, mano velho, não tem ninguém que aguenta 24 horas no ar. Ou tem? Sei não, mas os manauenses são muito festeiros e “dão com força” na cerveja, com certeza, algum maluco “esticou a baladeira” na Praça da Saudade e curtiu totalmente a Virada Cultural.

No domingo, não passei pela Praça da Saudade, fui direto a Feira da Eduardo Ribeiro, tomei o meu café da manhã, reforcei com um saboroso suco misto de Guaraná, amendoim e xarope. Comprei o jornal “Amazonas Em Tempo”. Liguei o piloto automático, fui para o Rodoway, comprei a minha passagem e entrei num barco a jato, fui parar embaixo da Ponte Manaus/Iranduba – estacionei os meus ossos num Flutuante Bar, haja suco, guaraná, água mineral e banhos de chuveiro – muita reposição para curar a ressaca, eu, hein!

Abri o jornal e passei a ler na maior tranquilidade, as reportagens do jornal que me chamaram mais a atenção foram as seguintes:

1. De olho na Rua: “Diálogo desocupado no meio do rio sem água, entre os pilares da ponte: - Quando será que a água vai voltar pro rio? Pra que água no rio se vai ter a ponte? Que fim eu dou à minha canoa? Compra um carro”.

2. Marechal Deodoro (Evaldo Ferreira) – “Ex-rua do Imperador e, com certeza, Rua Marechal Deodoro, a partir da proclamação da República, em 15 de novembro de 1889. Um Diário Oficial de 1897, curiosamente a denominou de General Deodoro”.

3. Manaus, história, memória e esquecimento (Renan Freitas Pinto) – “O que marca essencialmente a singularidade de “Manaus, Meu Sonho”, de Joaquim Marinho, é o conjunto de textos, a cuidadosa e especial seleção das imagens e o modo com todos esses elementos foram pacientemente se integrando”.

4. Exercícios para a dor de cabeça – “Para muitas pessoas, somente o uso de medicamentos é capaz de aliviar a dor de cabeça. Pesquisas, porém, comprova que a prática de exercícios também é eficiente. No momento do exercício, há a produção de endorfina e serotonina, este último é o neurotransmissor do bem-estar, ele age como uma morfina natural do organismo”.

5. A morte das “rainhas” da floresta (Náferson Cruz e Cristina Muniz) – “Pelo menos 50 árvores centenárias da espécie castanha-do-brasil (Bertholleta excelsa), na lista oficial das espécies em extinção, foram derrubadas para dar lugar à construção do residencial Vila Cristina, empreendimento localizado na região do Macurany, no município de Parintins. Outras 90 castanheiras aguardam para serem derrubadas – com a palavra o IBAMA e o IPAAM”.

6. À procura da felicidade (Vera Lima) – “Buscar a felicidade no outro é o que grande parte dos humanos faz, entretanto, melhor seria se esse regozijo dependesse mais de si do que de terceiros - algumas religiões pregam que não se pode buscar a felicidade nas coisas (bens materiais) ou nas outras pessoas, porque ela é uma conquista individual e inalienável de cada ser humano. Creio que seja por ai”.

7. O Farmacêutico e o Diabetes (Paulo Roberto da Costa) – “Hoje, 14 de novembro, é comemorado o Dia Mundial do Diabetes. O diabetes ocorre quando o organismo não produz insulina. O farmacêutico ocupa um lugar estratégico na detecção, prevenção e tratamento do diabetes”.

Depois de ler o jornal, fiquei a pensar no que me leva a ir para o outro lado do rio, primeiro, me faz lembrar o flutuante onde eu nasci; a água do Rio Negro faz bem para o meu espírito; o barulho dos barcos regionais lembra a minha infância de ribeirinho e, o cheiro de peixe assado na brasa ativa as minhas papilas degustadoras, segundo, com o término da construção da Ponte, o local será amplamente habitado, tornando-se mais um bairro de Manaus, dessa forma, estou dando adeus à natureza do outro lado do rio.

Ao meio-dia, chegou a hora forrar o bucho, o pedido foi um Pacu assado, o famoso “Hipoglós”, com farofa, vinagrete e baião de dois, detonei o peixe sem nenhum rodeio, lambuzando as mãos e a boca, bem no estilo caboclo, estava uma delícia, além de curtir muita música brega, um estilo musical apreciadíssimo pelos interioranos.

Final de passeio, hora de voltar e comtemplar novamente o Rio Negro, as águas ainda estão turvas, em decorrência da grande seca, quando começar a entrar nos furos, lagos e igarapés, com a decomposição orgânica, a cor mudará para âmbar, a paisagem mudará, o rio ficará cheio novamente, completando mais um ciclo.

Por que é feriado na segunda-feira? Segundo os historiadores, a data é para ser comemorada a Proclamação (o anúncio em público e em voz alta pelo Marechal Deodoro da Fonseca) da República (do latim res publica – coisa publica), ocorrida no dia 15 de janeiro de 1889, na Praça da Anunciação, hoje Praça da República, no Rio de Janeiro; foi um golpe militar em que acabaram com a monarquia no Brasil, cessando o reinado do imperador D. Pedro II – o Brasil passou a ser uma República Federativa, com o governo provisório do Marechal Deodoro. A república é um sistema de governo, onde o presidente é o chefe do governo, auxiliado pelos seus ministros, o povo participa do governo ao votar – o poder é divido em três partes: o executivo (o administrador do Brasil, o presidente da república), o legislativo (elaboram as leis na Câmara dos Deputados e no Senado Federal) e o judiciário (julga o cumprimento das leis). Muitos ainda desejam a volta da Monarquia, inclusive, já foi feito um plesbicito, ganhando a República.

Alguns perguntarão: - E o resto do feriadão prolongado, como foi? Curti nos shopping Center de Manaus, conversei bastante com os meus filhos e brinquei muito de vovô no tapete da sala de estar.

Chega de final de semana prolongado, lamento por não ter ido a Paricatuba ou ao Rio Preto da Eva, mas, valeu ter curtido em Manaus - já estou com saudade do meu trabalho, depois de alguns dias na labuta, irei rezar para chegar logo o próximo feriado, - a vida é assim mesmo: se estamos aqui, queremos ir para lá, se estamos lá, queremos voltar! É isso ai.

Foto: Parte da Capa do livro "Manaus, Meu Sonho", do Joaquim Marinho

sábado, 13 de novembro de 2010

BLOGDOROCHA: OS XERIMBABOS DAS NOSSAS VIDAS

BLOGDOROCHA: OS XERIMBABOS DAS NOSSAS VIDAS: "Era um hábito comum entre as famílias pobres de Manaus, criar animais em seus quintais, os mais comuns eram as galinhas, os patos, os papaga..."

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O ACARI BODÓ & CIA.


O Liposarcus pardalis, conhecido popularmente como Acari Bodó, simplesmente Bodó para os manos do Amazonas – é o “patinho feio” na preferencia dos consumidores e pescadores - muitas pessoas não gostam nem um pouco dele, em decorrência do seu aspecto esquisito, bastante feio, parece de outro planeta, além do mais, o bicho é chegado a se alimentar de tudo o que aparece pela frente, não faz cerimônia, até merda ele come, na maior -, mesmo assim, dou o maior valor, o seu sabor é inigualável, além do seu nome está ligado a alguns fatos interessantes.

Na minha infância, ele sempre estava presente a nossa mesa, era sempre detonado assado na brasa ou na forma de caldeirada (cozido e servido com tucupi e bastante verduras) e também como farinha de piracui. Os meus filhos nunca tiveram a coragem de comê-lo, preferem os peixes nobres da água doce, puro preconceito, somente porque ele é feião, come fezes e nada mais!


Ele não tem escamas, possui uma puta de uma carapaça, você pode cometer uma gafe se pedir ao peixeiro um Bodó “ticado”. Somente pode ser preparado quando ainda estiver vivo, mesmo após o corte do rabo e parte do corpo, continua se mexendo! Um Bodó morto exala um fedor insuportável – um amigo meu comprou uma dúzia na Feira da Panair, colocou na mala do carro e esqueceu de tirá-los, passou o final de semana trancado, na segunda-feira quando entrou no carro notou o estrago que ele fez, foi uma semana de fedor, ficou entranhado. Dizem os especialistas que se forem tiradas as vísceras e conservado em gelo na temperatura de 20 graus, poderá ser comercializado até em doze dias.

O Igarapé de Manaus foi o local onde eu nasci, curti muito as enchentes e vazantes, o local era navegável, o Rio Negro invadia o seu leito e ia até a Rua Ipixuna; na seca, gostava de pescar o dito cujo, metia a minha mão nos buracos onde ele se escondia, sempre ficam dois, talvez um casal, não sei, - um era bastante grande, não fazia resistência, agora, o pequeno era brigão, não se entregava fácil.

O meu pai tinha um amigão do peito, o nome dele era Abdias, era conhecido pela alcunha de “Bodó” – pense numa figura, o cara era amolador de ferramentas no Mercado Adolpho Lisboa, nas horas vagas era polivalente: biriteiro, palhaço e cozinheiro.

Nos finais de semana, ele ia para a nossa casa/flutuante, a minha avó não gostava nem um pouco dele, pois foi ele quem incentivou o papai a começar a beber, além do mais, por ser católica fervorosa, considerava o Bodó o “sapato do diabo”, eis as razões da raiva da velha -, quando ele chegava, ela fazia o sinal da cruz e dizia: - Lá vem o Satanás, vou passar o dia fora de casa. O cara vestia uma bata da minha mãe, pintava os lábios, coloca uma peruca e um corpete, se transformava na cozinheira “Bodó do Igarapé de Manaus”, é mole!

Ele não era gay, gostava mesmo era da sacanagem, passava o dia todo tirando saro com todo mundo; contava piadas, colocava no máximo o som do rádio, preparava a batida de limão, fazia o almoço, jogava eu e os meus irmãos dentro d’água, dando o famoso “caldo” na molecada, enfim, ele era o cara mais divertido do pedaço. Os meus pais passavam todo o domingo sorrindo das travessuras do amigo, que legal, sinto ainda saudades do Bodó.

A minha amiga Celestina é sexy, digo, sexagenária -, faz bastante tempo que ela é viúva, ela diz que ainda dá no tranco, só pensa naquilo; atualmente, está sem namorado, pois o seu “carcará” o Sacy partiu para a cidade de Boa Vista, em Roraima, arranjou uma índia macuxi e não voltou mais para Manaus - certo dia um “caboco” gozador chegou próximo a um amigo meu e mandou ver: - Tu tens coragem de detonar a Celestina? Ele respondeu: - Te esperou, sou capaz de comer até cabeça de Bodó, imagine a Celé! Cruz credo, mano velho, sai prá lá “vovodófilo”!

Existe em Manaus uma banda chamada “Os Tucumanus”, gravaram uma música chamada “Acari Bodó”, composição do Mauricio Pardo e Denilson Novo, a letra é mais ou menos assim: "Acari Bodó/Bodó Bodó Bodó/Maniva utilíssima/H2O, H2O/Farinha utilíssima/ H2O, H2O/Misture tudo isso e faça um pirão/Êeeee refeição...Acari Bodó Bodó Bodó Bodó Bodó Bodó Bodó/É só levar ao fogo brando e esperar ferver/Mas não se esqueça, mexa, mexa, mexa/E pronto!
A última vez que eu provei do Bodó, foi no ano de 2008, no Festival Folclórico de Parintins, foram três dias brincando de boi, curtindo a cidade e dando com força no Bodó. No último dia, a cozinheira do barco onde eu estava alojado, fez uma "Panelada de Bodó", só em pensar dá água na boca – comi tanto que cheguei a passar mal.

No próximo ano, se Deus permitir, irei novamente a Parintins, irei comer Bodó que nem um doido. Haja Bodó, eu, hein!

FotoS: 1. Bodó Assado em Parintins - J Martins Rocha
            2. Caldeirada de Bodó - http://machiparo.blogspot.com/2008/05/paca-com-bod-na-segunda-palestra-na.html

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

CADA MACACO NO SEU GALHO

Posted by Picasa


Recebi críticas e também elogios sobre a postagem de ontem, procurei fazer uma avaliação e, resolvi não entrar mais nessa seara.

Algumas pessoas acham louvável o meu trabalho de divulgar a nossa cidade, outros, acham que eu não devo fugir do meu foco, pois a política não é a minha praia, aliás, não tenho nenhuma praia, apenas ouso em escrever um pouco sobre a Amazônia e, em particular, sobre a nossa querida Manaus, mesmo não sendo historiador ou pesquisador.

Com o advento da Internet, houve uma propagação em massa das redes e mídias sociais, assim como tem muito coisa boa, aproveitável, existe também muita coisa ruim, sem conteúdo.

Existe em Manaus uma infinidade de blogs, alguns são famosos, posso citar o BLOGDA FLORESTA, considerado uma mídia social, pois é feito a quatro mãos pelo jornalista Orlando Farias, comenta com propriedade sobre política e o dia-a-dia da cidade – o Núcleo de Cultura Política do Amazonas NCPAM, um trabalho de reflexão sobre política, elaborado pelos professores e alunos da Faculdade de Estudos Sociais da Universidade Federal do Amazonas, sob a coordenação do antropólogo Aldemir Ramos – o Diário de um Juiz, constitui-se numa excelente ferramenta para os operadores de Direito, sob a coordenação do Juiz Carlos Zamith – o PICICA comenta sobre a saúde mental, com a batuta do médico Rogelio Casado. Além do BLOGDOHOLANDA, BLOGDOCORONEL, BLOGDOSIMAOPESSOA, BLOGDOSARAFA, CRONICABIPOLAR, OMALFAZEJO, TAQUIPRATI, BAUVELHO, LITERATURAROGELSAMUEL, dente outros - cada um no seu quadrado.

O meu amigo Jorginho Laborda (Blog CRONICABIPOLAR) comentou que ao abrir o BLOGDOROCHA esperava ler uma postagem apaixonada, light e poética sobre a nossa Manaus de mil contrastes – ficou surpreso ao se deparar com a ”Banda Podre do Amazonas”, onde disparei a minha metralhadora giratória, mandando bala para todos os lados – fui aconselhado a não fugir do meu foco, aceitei a opinião, mas, confesso que uma vez ou outra quando dormir de cabeça para baixo e acordar com a “cuca até o toco de sangue”, irei fugir das propostas do blog e cuspir fogo contra os desvios dos políticos e desmandos dos nossos governantes.

Por ser Macaco no signo chinês, consigo rir dos meus erros e tenho um grande senso de humor, por isso, irei ficar, doravante, no meu galho – vou parodiar aquela famosa canção do Riachão, que é mais ou menos assim: “Cada macaco no seu galho/Xô xuá/Eu não me canso de falar/Xô xuá/O meu galho é em Manaus/Xô xuá/O seu é em outro lugar/Xô xuá”. É isso ai macacada.

Foto Colagem: J Martins Rocha

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A BANDA PODRE DO AMAZONAS

Existem aqueles dias em que, acordamos com a sensação de que dormimos de ponta cabeça, tipo morcego -, amanhecendo com o sangue todo na cabeça -, pois é, mano velho, hoje foi o meu dia, não estou nem um pouco com a vontade de escrever sobre a “Manaus dos meus sonhos”, deu logo a vontade de armar a minha “metralhadora giratória” e mandar bala para todos os lados, não vou dar moleza.

Os denominados “fichas sujas” amazonenses, com registros de candidaturas “sub judice” (sob apreciação judicial) conseguiram quase um milhão de reais com doações, a grande maioria oriunda de pessoas físicas – estou pasmo com os eleitores amazonenses, pois, além de colocar no poder um bando de aproveitadores, ainda doaram dinheiro para políticos com a ficha mais suja do que papel higiênico usado.

Crime ambiental no município de Coari, cometido por empresas que retiram areia dos rios (sem licença ambiental), provocando a mortandade de peixes e botos, pois ficam presos em buracos e lagos que tem se formado em decorrência da sucção de areia. O responsável do IBAMA, simplesmente afirmou que desconhece o problema, alem do mais, conta somente com um fiscal para cobrir oito cidades, incluindo Coari e todo o Médio Solimões - é agora, para quem iremos reclamar?

A Prefeitura de Manaus paga por mês R$ 148 mil a rede hoteleira Meliá, pelo aluguel de duas suítes (uma de luxo e outra standard), sem licitação, para servir ao Amazonino Mendes quando for à Brasília - é mole ou quer mais? Enquanto isso existe muitas criancinhas passando fome em Manaus.

O Polo Industrial de Manaus deve faturar em 2010 a bagatela de trinta e cinco bilhões de dólares – todo este dinheiro vai para os bolsos dos empresários de São Paulo e do exterior – ficando o trabalhador com migalhas, sem falar da população do interior do Estado que está abandonada.

O atual prefeito de Manaus, o senhor Amazonino Mendes é considerado o homem mais rico do Amazonas, recebe ainda uma pensão vitalícia de R$ 20.247,73, na condição de ex-governador – os conselheiros do TCE estão analisando este benefício. A pergunta que não quer calar: Para que serve mesmo o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas?

Com a imensa vazante ocorrido no Amazonas, os ribeirinhos estão fazendo uma grande matança dos Peixes-boi, no município de Silves, são quase 3,6 toneladas de carne do mamífero. Infelizmente, a carne ainda é muita apreciada em pelo caboclo amazônico – colocando em vão todo o trabalho dos abnegados pesquisadores do INPA, que apesar dos parcos recursos, tentam resgatar os peixes, induzir a reprodução em cativeiro e solta-los nos rios, tentando repovoar a espécie e evitando o fantasma da extinção do mamífero.

A cidade de Manaus cresceu sem planejamento, inchou, com invasões de toda ordem, para ser ter uma ideia, com o Censo de 2010, realizado pelo IBGE, a cidade conta com um milhão e oitocentos mil habitantes, superando Curitiba (PR) e Recife (PE) – os governantes dizem aos quatros cantos que a Zona Franca de Manaus está sendo responsável pela preservação da Amazônia, ou seja, com o esvaziamento do interior, a grande maioria veio para a capital, atraídos por empregos no Distrito Industrial – o interior ficou abandonado e a na cidade foi formado grandes bolsões de miséria.

O Porto Chibatão foi instalado na marra na orla do Rio Negro, mesmo sem licença ambiental, funcionou durante nove anos – fizeram plataformas dentro do Rio Negro – a mãe natureza deu o troco: houve um desabamento do pátio, infelizmente, com o desaparecimento de dois inocentes funcionários. O dono do estabelecimento chamado de “Passarão” não está dando a mínima para os familiares das vítimas.

O Deputado Estadual Eron Bezerra (PC do B) era o algoz do então governador Eduardo Braga, utilizou dezenas de vezes a tribuna da casa, para mostrar o mar de lama de corrupção do chefe do executivo – ganhou uma boquinha na Secretaria de Produção Rural – foi o famoso “cala boca”. Concorreu à reeleição, não conseguiu, agora, no final da carreira, está propondo um projeto para redivisão do Estado do Amazonas. Segundo o antropólogo e coordenador do NCPAM Aldemir Ramos “É um projeto de cima para baixo, as populações do interior não foram consultadas, parte de um deputado em final de carreira, não adianta criar mais municípios, com mais gastos para o erário publico, o povo quer é mais escolas, postos de saúde e oportunidade de emprego e de geração de rendas – isto reflete o quanto o governo do Estado não possui planejamento a curto, médio e longo prazo”. Endosso plenamente as palavras do nobre professor.

A cidade de Manaus está banhada pelo maior rio de água doce do planeta, no entanto, falta água na casa de muitos manauenses. Sem comentários!

Vou parar por aqui, comentei muito pouco sobre o que estão fazendo de ruim no nosso Estado. É isso ai.



segunda-feira, 8 de novembro de 2010

OBELISCO EM HOMENAGEM A CIDADE DE MANAUS


Existem alguns aspectos da nossa cidade que, com o tempo, perde o seu significado, ninguém dar mais valor, as pessoas passam por perto e não dão a mínima – o Obelisco em homenagem ao “Primeiro Centenário da Elevação de Vila da Barra do Rio Negro à Categoria de Cidade”, situado no início da Avenida Eduardo Ribeiro – é um deles.

Como todos sabem, um Obelisco significa em grego "espeto" - um momumento comemorativo, típico do antigo Egito, constituído de um pilar de pedra em forma quadrangular alongada e sutil, que se afunila ligeiramente em direção a sua parte mais alta, normalmente decorado com inscrições hieroglíficas gravadas nos quatro lados, terminado com uma ponta piramidal (homenagem ao Deus Sol). Os mais antigos obeliscos eram feitos a partir de apenas uma peça de pedra (monólitos), os mais famosos estão em São Paulo (Brasil), Buenos Aires (Argentina), Caracas (Venezuela), Washington (USA) e Paris (França).

Observando a fotografia antiga, pode-se observar o quanto a nossa cidade era pacata, porém, muito bonita, limpa e arborizada - aparece em primeiro plano o referido Obelisco, ao fundo, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, o Relógio Municipal, o Aviaquário, uma Praça com o Chafariz, bandeirinhas de papel enfeitando o lugar, prédios do megaempresário JG Araújo, pouquíssimas pessoas na rua, em destaque para um moleque brincando de “roda” (lembrei-me da minha infância) e somente um automóvel passando pelo local.

Vamos entender um pouco sobre o significado do nosso Obelisco baré -, segundo os historiados, a fundação de Manaus deu-se em 1669, com a construção do Forte de São José do Rio Negro; em 1832, foi elevada a qualidade de vila, com o nome de Vila de Manaós (mãe dos deuses); em 1848, passou a categoria de cidade (24/10/1848), com o nome Cidade da Barra do Rio Negro, ficou até 1856, quando voltou a denominar-se Cidade de Manaus (04/09/1856); em 1948, o Obelisco foi erguido exatamente para homenagear o centenário da elevação de Manaus a categoria de cidade.

Não conheço nenhum monumento em homenagem ao tricentenário da fundação de Manaus, ocorrido em 1969, porém, o Obelisco em questão, merece todo o nosso respeito e admiração -, foi um trabalho primoroso do artista plástico amazonense Branco e Silva, construído por Tupinambá Nogueira.


Não sou especialista, mas deu para observar alguns detalhes: bem no alto existe um ramo de louro, com as datas 1848/1948, mais abaixo a homenagem ao centenário, descendo um pouco mais, alguém esculpiu na pedra a data de 1-5/1952, embaixo e acima das quatro placas de mármore existe um desenho de uma planta com três folhas na cor verde e galhos na cor d’ouro -, não sei explicar que planta é esta que o Branco e Silva homenageia Manaus, seria muito bom se algum historiador nos informasse os detalhes do projeto. Nas placas de mármore, existem inscrições homenageando varias autoridades dos três poderes, muitas delas emprestaram os nomes para ruas, estádio e colégios de Manaus, são as seguintes:

Governador: Leopoldo Neves/Secretario Geral: Péricles de Moraes/Chefe de Policia: José A.T. Borborema/Policia Militar: Cel. Antônio Bittencourt/Fazenda Publica: Almachio Braule Pinto/Imprensa Oficial: Withridates Corrêa/Educação e Cultura: Fuerth Paulo Mourão/Saúde: Alberto Carreira/Fomento Agrícola: Ademar Thury/Estatística: Manoel Alexandre/Serviços Técnicos: Arthur Pucu/Economia Agrícola: Paulo Almeida/Águas: Antônio Oliveira/Rodovias: Vilar Câmara. Assembleia Legislativa: Menandro Tapajós/Abdul de Sá Peixoto/Alexandre Montoril/Areal Souto/Arthur Virgilio Filho/Aureo Melo/Danilo Corrêa/Homero de Miranda Leão/Jaime Araújo/João Fabio de Araújo/Josué Claudio de Souza/Mendonça Jr/Nobre da Silva/Paulo Jobim/Raymundo N. da Silva/Aderson de Meneses/Almeron Caminha/Aristophano Antony/Augusto Montenegro/Carlos Melo/Gama e Silva/Jackson Cabral/João Veiga/José Negreiros/Julio de Carvalho Francisco/Ney Rayol/Paulo Pinto Nery/Plinio Ramos Coêlho/Thomaz Meirelhes/Waldemar Machado e Silva. Prefeitura de Manaus: Prefeito: Raimundo Chaves Ribeiro/Secretario: Oscar Rayol. Câmara Municipal: Presidente: Adriano Jorge/Vereadores: Paula Gonçalves/Óseas Martins/Raimundo Coqueiro Mendes/Rodolfo Vale/Sérgio Pessoa Neto/Walter Rayol. Projeto do Obelisco: Branco Silva/Construção: Tupinambá Nogueira. Tribunal de Justiça: Desembarcadores: Marciliode Vasconcelos/Artur Virgílio/Stanislaw Afonso/Jorge Carvalho/Raimundo Pessoa/Sadoc Pereira/André Araújo/João Corrêa/João Machado/Felismino Soares/Procurador Geral: Leôncio de Salignac/Representação Federal: Senadores: Álvaro Maia/Severiano Nunes/Waldemar Pedrosa/Deputados Federais: Alexandre Carvalho Leal/Antônio Maia/Antovila Vieira/Cosme Ferreira/Francisco Pereira da Silva/Leopoldo Péres/Manoel Anunciação/Vivaldo Lima.


Passados sessenta e dois anos, o cenário do entorno do Obelisco é desolador, com centenas de pessoas andando por todos os lados; enormes engarrafamentos de automóveis; estacionamento de motocicletas; inúmeras barracas de camelôs, vendedores de frutas, peixes e comidas; lixo em toda a extensão; sumiram o Aviaquario e os prédios do JG (tocaram fogo); o Chafariz permanece no local, porém não jorra água; a Igreja continua imponente, ainda bem!

Nos finais de semana, pela parte da noite, o local vira uma “muvuca”, com muita gente bebendo, ouvindo som alto de brega e forró, “meninas” combinado programas, além das aglomerações de vendedores de peixes, frutas, verduras e de churrascos de gato. Agora, imaginem o que os turistas irão falar mundo afora, ao saírem dos seus luxuosos transatlânticos ancorados no Rodoway, ao presenciar aquela cena horripilante, com certeza, coisa boa não será!

No último aniversário da cidade de Manaus, foi gasto uma fortuna com o “Boi Manaus”, bem que o “alcaide” Negão Amazonino, poderia mandar higienizar o entorno, pintar o Obelisco e fazer um pequeno evento no local, mas, nada foi feito, continua esquecido e desvalorizado por muitos – uma coisa os senhores podem ter certeza: eu nunca esqueci e jamais me esquecerei dele! Espero que até 2014 com o advento da Copa de Mundo o local volte ao esplendor e seja novamente respeitado e admirado pelos manauenses. É isso ai.





Fotos atuais: José Martins Rocha

sábado, 6 de novembro de 2010

AMAZONAS FILM FESTIVAL



O Amazonas Film Festival chegou a sua sétima edição, sob a batuta do Dr. Robério Braga, Secretário de Cultura do Estado do Amazonas, o evento será realizado no período de 05 a 11 de Novembro.

Segundo o release distribuído a imprensa, pela Assessoria de Marketing e Comunicação da SEC, os números comprovam que o interesse de diretores, produtores e roteiristas em participar do AFF. O evento vem crescendo ano a ano, com 99 inscritos em 2007, 254 no ano passado e agora, em 2010, um salto ainda mais significativo, com 339 filmes inscritos.

O Amazonas é o maior estado brasileiro em extensão territorial, com mais de sessenta municípios, no entanto, a grande maioria dos eventos culturais ficam somente restritos a cidade de Manaus. O AFF deste ano está apostando na interiorização, levando cinema a cinco municípios (Anamã, Itacoatiara, Manacapuru, Codajás e Maués) e às comunidades rurais do Tarumã Mirim, Puraquequara, Pau Rosa, São Joao e Colônia Japonesa. Em Manaus será levada para os quatros cantos da cidade, incluindo os hospitais, asilos, abrigos e penitenciárias.

Tive o privilegio de assistir a abertura, no Largo de São Sebastião, tudo respira cinema, palmas para a Soledad Vilamil, atriz argentina e presidente de honra do festival, espalhou charme por onde passou e, para Carlos Manga, apesar de ter sofrido um acidente, prestigiou o festival, ficou encantado com a floresta amazônica e fez um dramático apelo para que os amazonenses a preserve. Palmas maior para o Robério Braga e toda a sua equipe,pela forma altamente profissional com que administram o evento. É isso ai.

Maiores informações acessar: http://www.amazonasfilmfestival.com.br/  



sexta-feira, 5 de novembro de 2010

PASSEIO PELA ORLA DO RIO NEGRO - ILHA DE SÃO VICENTE ATÉ O BAIRRO DE SÃO RAIMUNDO



Sobre este passeio ver uma postagem abaixo. O fundo musical é de uma gravação de um acústico do cantor compositor Lúcio Bahia, após o término do video ainda restam vinte minutos de som.

O TOMBAMENTO DO ENCONTRO DAS ÁGUAS



O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do IPHAN aprovou ontem, com unanimidade, o tombamento do encontro dos Rios Solimões e Rio Negro, baseado no caráter de excepcionalidade do fenômeno e em seu alto valor paisagístico.

Foi uma grande batalha travada entre os ativistas do Movimento S.O.S. Encontro das Águas versus Lajes Logística.

Tudo começou quando a empresa Lajes Logística - com capital social formado em 70% da Log-In Logistica Intermodal S.A. (uma das acionistas é a Vale do Rio Doce) e 30% da Juma Participações S.A. (do Grupo Simões, distribuidores da Coca-Cola de Manaus) resolveram implantar um porto, orçado em 220 milhões de reais, no entorno do Encontro das Águas – contando com o apoio do Eduardo Braga, Senador eleito nas últimas eleições, da Suframa e dos empresários do Distrito Industrial de Manaus.

A sociedade civil se mobilizou, formando o Movimento S.O.S. Encontro das Águas - ganhou adesão de lideres comunitário, intelectuais, estudantes, religiosos e formadores de opinião – articulou-se junto ao Ministério Publico Estadual e Federal, monitorou o processo de Tombamento e alertou o povo do Amazonas sobre as manobras contra esse Cartão Postal de Manaus.

O que mais deixou revoltado os membros do Movimento foi a omissão da Assembléia Legislativa do Amazonas, da Câmara Municipal de Manaus e do Prefeito da capital.

O atual Superintende do Ipham do Amazonas, Julio Valente, sempre demonstrou ser favorável ao empreendimento, somente recuou quando o Ministério Público Federal entrou em ação – mesmo assim, após a decisão do Tombamento, em vez de comemorar, fez a seguinte declaração: “O Tombamento é um instrumento de regulação e não impede que projetos sejam implantados naquela área – o projeto Porto das Lajes não está inviabilizado”.

O clamor das pessoas de bem foi escutado – fica a lição aos vereadores, aos deputados estaduais, ao governador, ao prefeito, a Suframa, aos empresários e ao Ipham local: Assim como colocamos os nossos representante no poder, com a união de todos, poderemos tirá-los, bem como, todo projeto nocivo e imbecil, poderá ser barrado pelos membros da sociedade civil organizada.

Esta importante vitória dos amazonenses será comemorada amanhã, às 10 horas, com uma Piracaia (festival de peixe), na Fundação Soka Kagai, porém, com um olho no peixe (Encontro das Águas) e outro no gato (Porto das Lajes).


Fonte e Foto: http://www.ncpam.com/

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

CASA DE LEITURA THIAGO DE MELLO

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O governo federal através do Ministério da Cultura está criando a Biblioteca-Museu, no Porto de Manaus (Rodoway), dentro do “Programa Mais Cultura”, com parcerias entre a Universidade Federal do Amazonas, Fundação Djalma Batista e o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, o local será chamado a Casa de Leitura Thiago de Mello.

A obra está em andamento, com um custo orçado em R$ 5,99 milhões, a entrega está prevista para o final de dezembro deste ano. Inicialmente, foi adquirido todo o acervo do poeta Thiago de Mello, avaliado em um milhão de reais, depois, foi realizado uma concorrência pública, tendo como objeto o “Projeto de Restauração, Conservação e Readequação do Antigo Prédio do Tesouro, Armazém 15, Trapiche do Armazém 15 e Áreas Externas do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico do Porto de Manaus”.

O espaço terá a primeira biblioteca temática do Brasil, reunindo oito mil itens, com o acervo literário, documentos, correspondências, recordes iconográficos, obras de artes e acervo multimídia (CDs e DVDs) do nosso poeta maior, estruturado em três grandes temas: o homem (a condição humana), a floresta (meio ambiente) e a América Latina (política, cultura e integração).

O local escolhido está intimamente identificado com a história da nossa cidade: dizem os historiadores que foi ali que nasceu Manaus, com a construção do Forte de São José da Barra. Com o advento do ciclo áureo da borracha, foram construídos inúmeros prédios, dentre eles, o Prédio do Tesouro Estadual (local onde foi o primeiro emprego do Thiago de Mello, na função de Contínuo), do Rodoway, com destaque para o Armazém 15 de novembro (em homenagem a data da proclamação da República do Brasil), construído em 04 de janeiro de 1890, na administração do capitão Augusto Ximeno de Villeroy, era conhecido também como “Trapiche Princesa Isabel".

Para Fabiano dos Santos (representante do MEC) “A Casa de Leitura Thiago de Melo é uma iniciativa do Ministro Juca Ferreira, no contexto chamado Biblioteca de Referência Temática, realizado em várias regiões do Brasil, como, por exemplo, no Nordeste, onde foi criada a Biblioteca de Cultura Popular, já na região Norte, o ministro pensou em transformar o acervo em uma biblioteca temática de referência nacional, tendo como base os três grandes temas desenvolvidos pelo poeta Thiago de Melo: a condição humana, o homem, a floresta, meio ambiente e a América Latina; será voltada para fruição, produção cultural, e também para o desenvolvimento da pesquisa e fomento da cultura com acesso ao livro e à leitura, ou seja, as pessoas terão acesso aos livros e ao seu ambiente, isso tem haver com o conceito de biblioteca de referência estabelecido pelo Minc; a Casa não deve ser entendida como um depósito de livro, pois além de ser um local de acesso à leitura, deve, também, ser um local de formação da leitura, ação de cidadania e de inclusão social”.

Quem é Thiago de Mello:

Natural do Estado do Amazonas, Thiago de Mello é um dos poetas mais influentes e respeitados no país, reconhecido como um ícone da literatura regional. Tem obras traduzidas para mais de trinta idiomas. Preso durante a ditadura (1964-1985) exilou-se no Chile, encontrando em Pablo Neruda um amigo e colaborador. Um traduziu a obra do outro, e Neruda escreveu ensaios sobre o amigo. No exílio, morou na Argentina, Chile, Portugal, França, Alemanha. Com o fim do regime militar, voltou a sua grande cidade natal, Barreirinha, onde vive até hoje. Seu poema mais conhecido é Os Estatutos do Homem, onde o poeta chama a atenção do leitor para os valores simples da natureza humana. Seu livro Poesia Comprometida com a Minha e a Tua Vida rendeu-lhe, em 1975, ainda durante o regime militar, prêmio concedido pela Associação Paulista dos Críticos de Arte e tornou-o conhecido. http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=134179&id_secao=11

A revitalização desse espaço é altamente louvável, todos estão de parabéns, falta apenas tirar a administração do porto das mãos de um bando de insensíveis (destruidores de parte do nosso patrimônio cultural) para que possamos, efetivamente, recuperar todo o Rodoway. Valeu!

Foto Colagem: Tela do artista plástico Francisco Lopes e foto do J Martins Rocha.


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

CAMINHANDO PELA ORLA DE MANAUS

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Manhã do Dia dos Finados, um belo dia com o Sol maneiro -, fiz uma caminhada pela orla de Manaus, no trecho entre a “Península de São Vicente e o Beiradão do Bairro de São Raimundo”.

A minha motivação em fazer esta caminhada, foi em decorrência da grande seca deste ano, desejava ver até onde o Rio Negro tinha chegado e olhar a minha cidade de outro ângulo.

Tomei o café da manhã no Rodoway, deu para ver o quanto o rio está seco – a minha maior surpresa foi verificar “in loco” a restauração do Trapiche do Armazém 15, incluindo as áreas externas, além do antigo prédio do Tesouro Estadual, onde será instalado uma biblioteca temática e um museu, o local Será chamado “Casa de Leitura Thiago de Mello”.

Fui até o inicio da Sete de Setembro, onde fica a administração da CEAM, não foi possível descer até a orla do rio, pois o local pertence à Marinha do Brasil e é proibido circular pela aquela área, o jeito foi fazer o contorno – a Penísla de São Vicente foi o berço da colonização de Manaus, o local é histórico, os nossos governantes não foram fortes e perderam o local para os militares, onde seria um local de lazer e de visitação pública, virou um local fechado e foi instalado o Comando Naval da Amazônia Ocidental.

Passei pela casa mais antiga de Manaus, na Rua Bernardo Ramos, o imóvel está em reforma faz bastante tempo, caminhei até a Rua Frei José dos Inocentes, na última casa da rua foi possível descer, caminhei numa trilha que dar acesso aos bairros do Céu e Aparecida. Fui em direção ao rio, fiquei um pouco receoso, pois o local é deserto e eu estava caminhando sozinho, a minha vontade de conhecer o local falou mais alto.

Caminhando um pouco mais, encontrei varias coisas que me chamaram atenção:

1. Existe uma enormidade de barcos, alguns servem até de moradias, encontrei um barco de luxo sendo construído, achei estranho onde se encontrava, pois ali nunca foi um estaleiro;

2. A praia é imensa, com areias brancas e finas, infelizmente, com uma montanha de lixos ao seu redor;

3. Existe uma enorme área toda coberta de vegetação, com muitas flores, ficou um tapete florido, pena que o rio voltará a alagar brevemente;

4. Encontrei uma grande estrutura de ferro, com uns cem metros de altura, está abandonado, não sei para que servisse aquilo;

5. A visão é espetacular da Fábrica Mirando Corrêa e da Termoelétrica da Aparecida – encontrei milhares de cacos de garrafas de cervejas, não deu para identificar, mas, com certeza, muitas são da famosa cerveja XPTO.

6. Deu para ver um grande cano, na beira do rio, talvez seja um cabo subaquático de energia para Iranduba ou de gás vindo do Urucu;

7. Cheguei bem no local onde desemboca no Rio Negro os Igarapés do Mindu/Frances/São Jorge/Outros, a visão da ponte e do bairro de São Raimundo é muito bonita, não explorei muito o local por está sozinho, confesso que deu um pouco de medo;

8.   Quase embaixo da ponte, encontrei um barco Empurrador e uma Balsa, estavam encalhados, não deu tempo para o proprietário fundeá-los no Rio Negro.

Tentei atravessar o rio, para alcançar a orla do bairro de São Raimundo, não foi possível, lamentei terem acabado com as Catraias, pois na vazante, os catraieiros ficavam numa pequena lâmina de água, a catraia servia de ponte, com a cobrança de uma pequena taxa.

O jeito foi voltar ao Bairro da Aparecida e pegar a Ponte Senador Fábio Lucena, - antes, desci pela lateral da ponte, fui até embaixo dela, deu para ver várias pessoas fazendo coleta de ferros no leito do rio, outros, estavam aproveitando as toras de madeiras que estão enterradas, fazendo cortes de tábuas de varias polegadas, no local existiam duas grandes serrarias; puxei conversa com o “proprietário” da “Oficina L. Gama”, fica bem embaixo da ponte, especializado em consertos de móveis e barcos regionais.

Na caminhada pela ponte, fiquei observando um pequeno estaleiro, fincado bem nos pilares de onde seria construída a primeira ponte, além da visão do bairro da Matinha e Glória, uma beleza!

A minha ideia era caminhar até o porto das balsas, não foi possível, o acesso é cheio de estaleiros, muitas pessoas não viam com bons olhos um estranho caminhando pela aquela área, no entanto, deu apreciar as “casas palafitas”, filmar e tirar fotografias com o meu celular, pena que ficou de péssima qualidade.

No “Estaleiro do Jaime Dias” escalei uma escada de uns cem degraus, senti o peso da idade, mesmo assim, voltei a pé para o centro da cidade, depois, parei no “Caldeira Bar”, pois ninguém é de ferro, além do mais, já tinha visitado os túmulos dos meus pais no domingo passado.

Conversei com o meu amigo Augusto, proprietário da loja de refrigeração “Augusto Máquinas e Equipamentos” sobre a minha caminhada pela orla de Manaus, ele ficou interessado em conhecer o local e me pediu para fazermos o mesmo trajeto no próximo domingo – quem se interessar, vale a pena conhecer, pois o Rio Negro está enchendo muito e a paisagem vai mudar rapidinho. É isso ai.


Foto Colagem: J Martins Rocha




segunda-feira, 1 de novembro de 2010

ONDE ESTÁ O BONDE DO LARGO DE SÃO SEBASTIÃO?


Na calada da noite, a réplica de um Bonde que estava estacionado no Largo de São Sebastião, sumiu para um lugar incerto e não sabido, todos estão apreensivos, afinal, ele é o nosso Bonde chamado Saudade.

Fica a pergunta que não quer calar: Para onde levaram o dito Bonde? Perguntei a várias pessoas, incluindo o Chiquinho Pipoqueiro, o Joaquim Tacacazeiro, o Goiano Sanduicheiro, o Armando Barzeiro, o Peru Praceiro, além do Professor Pensador, do Doutor Aristóteles do Coração, do Frei Fulgêncio e das beatas da Igreja de São Sebastião -, todos, sem exceção, não sabem, não viram e não tem a menor ideia, para onde levaram o Bonde! Acho melhor reclamar ao Bispo, vou falar com o Dom Luiz Vieira, quem sabe ele poderá desvendar este mistério!

Alguns especulam que, o Robério Braga, atual Secretaria de Cultura do Amazonas, levou-o de volta para o Teatro Chaminé, onde está em processo de reforma e, não voltará mais, para o lugar donde ficou consagrado pelos manauenses e pelos turistas.

Mas, se o referido Bonde, palco de gozação dos foliões da Banda da Bica; adorado pelas crianças, jovens, adultos e velhos, além de ser uma atração para os turistas do mundo inteiro, por que não é devolvido para o Largo de São Sebastião? Com a palavra o Dr. Robério Braga e os seus técnicos, não faço a pergunta diretamente por não ter acesso a eles.

Faz alguns anos, o governo do Estado do Amazonas fez um projeto para voltar a circular os Bondes em Manaus, seria apenas um pequeno trecho, no centro antigo, porém, nada foi feito, apenas desenterraram cem metros dos antigos trilhos e colocaram uma réplica de um Bonde, estacionado no Largo, o mesmo dito cujo que foi, recentemente, retirado para um lugar incerto e não sabido.

Agora, imaginem os senhores, no final do século dezenove, os homens de boa vontade, implantaram um eficiente sistema de transporte coletivo de bondes elétricos, com circulação no centro e em vários bairros de Manaus, - depois de várias décadas de uso, foi desativado; agora, em pleno século vinte e um, com toda a tecnologia e dinheiro saindo pelo ladrão, os atuais administradores públicos não tem a capacidade e nem à vontade política para fazerem os bondes voltarem a circular apenas num pequeno trecho!

Ainda não tivemos um governador que chegasse pelos menos aos pés do que foi o Dr. Eduardo Ribeiro, um maranhense que construiu a “Paris dos Trópicos”, como era chamada a nossa Manaus do início do século passado - assim como o Juscelino Kubitschek fez Brasília em quatro anos, o Pensador fez Manaus também num quadriênio! Os atuais administradores estão preocupados em fazer obras suntuosas, caríssimas, como a Ponte Manaus-Iranduba, a Arena da Amazônia, o Monotrilho e Viadutos – não estão muito preocupados com a nossa memória, não estão nem ai em fazer voltar a circular os Bondes, até a réplica foi guardada ou destruída, não sabemos ao certo.

Certa vez fiz uma postagem, contra a colocação daquele Bonde no Largo de São Sebastião, inclusive, postei uma foto com um trecho da letra de uma composição do Lúcio Bahia, foi mais ou menos assim: “Um Bonde parado, não tem graça, mas o motorneiro é São Sebastião...”. Confesso que errei, pois, se os homens do poder não tem a capacidade para fazer voltar a circular verdadeiramente os bondes, pelo menos, deixassem a réplica no Largo, serviria para tornar viva a história de que um dia tínhamos Bondes em Manaus!

Onde está o Bonde do Largo de São Sebastião? Quem descobrir ganhará um Bolo com Guaraná!


O Bonde foi encontrado, jogado, sucateado, esquecido - está no pátio do Teatro Chaminé - ficou somente a saudade de um Bonde chamado Saudade!.