segunda-feira, 8 de setembro de 2008

NAS RUAS DA MINHA INFÂNCIA - PAULO MONTE



ARTIGO PUBLICADO NO JORNAL DO COMMERCIO - 24 DE OUTUBRO DE 2006.

Deitado em minha rede e no vai e vem do seu balanço, começaram a surgir lembranças das ruas da minha cidade e de alguns cidadãos que o tempo fez questão de diluí-las na medida em que a cidade crescia e novas influências sofria. Fiquei feliz porque fiz renascer dentro de mim a imagem de figuras humanas que foram desaparecendo, uma após a outra, sem quase deixar registros de suas existências senão na memória de nossa infância. Se bem que essas pessoas nunca estiveram preocupadas com registros! Até porque sempre assumiram a plenitude do "eu" que escolheram e também não se preocuparam com as identidades que a população lhes impôs! Não posso e nem devo afirmar que eram felizes, ma uma coisa é certa, assumiram seus personagens e deixaram abertamente se desvelar pelas ruas de Manaus suas magníficas personalidades!
Nasci em 1954 e morei quase a vida inteira na rua Lauro Cavalcante, na parte dividida entre a Av. Getúlio Vargas e a Av. Joaquim Nabuco, muito próximo ao Colégio Estadual D. Pedro II, do Quartel da Polícia e da Praça Heliodoro Balbi. (mais conhecida como praça da Polícia). Acostumei, durante a infância, a ver e ouvir a banda musical da Polícia Militar tocar todas as manhãs em desfile com a tropa subindo e descendo a Av.Getúlio Vargas. Até aqui, nenhuma novidade. Entretanto, o que chamava a atenção não era o desfile dos militares carregando armas ao ombro ou as músicas marciais que a banda tocava. O que verdadeiramente animava o desfile era o Bombalá, cidadão que morava na Av. Joaquim Nabuco, ao lado da padaria Modelo, que pela manhã bem cedo ia para a Praça da Polícia esperar a banda sair do quartel e, quando ela se posicionava entre o Cine Guarani e o café do Pina, o Bombalá se colocava à frente e passava a reger a banda transbordando de felicidade! Ele era o maestro! Não tinha e não sobrava música para ninguém, só ele e somente ele é que reluzia no desfile. A medida que a banda subia a Av. Getúlio Vargas, aumentava seu entusiasmo na regência das músicas! Todos percebiam e ficavam perplexos com o entusiasmo do Bombalá, seu olhar fluía felicidade e na empolgação Bombalá babava e babva de pura felicidade!
A criançada gritava "lá vai o Bombalá"! "Pai, olha só o Bombalá", e os adultos respondiam para as crianças "ele é doido!", "ele é maluco" ou "ele é perturbado mental". Quanto mais aquela gente "sã" lhe qualificava com adjetivos perversos, lá ia ele, bem na frente da banda, gesticulando com as varas de regente nas mãos, desfrutando da felicidade que a música lhe proporcionava. Nunca revidou com insultos! Não agredia porque não era agressivo ou talvez a música lhe impedisse a agressividade. Não portava armas nem marchava atrás da banda. Com toda certeza, aquele não era o seu espaço!
Atrás da banda, todos marchavam com passos marciais pesados; ali, naquele lugar, atrás da banda, as pessoas tinham o semblante carregado, até porque carregar o peso do fuzil não causava satisfação a ninguém, ali as pessoas não eram felizes e nem faziam o que queriam! Ah! Bombalá, que bom era lhe ver todos os dias mostrando para todos e para a cidade que o lugar certo é na frente da banda e não na retaguarda ou até mesmo parado na rua para ver a banda passar! O desfile acabava onde começava, no quartel. Após o desfile, o Bombalá retornava para casa para retornar no dia seguinte.
Quando terminava o desfile outro cidadão entrava na cena da cidade! Afinal, a cidade crescia e o movimento de veículos com a cidade e a banda deixava o transito conturbado e lento a ida e vinda de veículos e carroças da cidade! E no cruzamento da Av. 7 de setembro com a Av. Getúlio Vargas, o Macaxeira entrava em ação para para por "ordem" no trânsito! Riscava um círculo no chão daquele cruzamento e com um apito na boca regia o trânsito!
Enfim, o Macaxeira ordenava a desordem e fazia da ordem a nova ordem! O que era mão se transformava em contramão e a contramão na mão da contravenção! E a mão da mão o contrário de tudo e da mão única e daí por diante...!!! Depois seguia para o cruzamento da Av. 7 de setembro com a Av. Eduardo Ribeiro marcando para dobrar à direita quando era para entrar à esquerda e assim por diante. Multava todos os carros, enfim, colocava a ordem na desordem e a desordem na ordem vigente!
Enquanto o Bombalá se ocupava da regência a Banda da Polícia Militar e o Macaxeira em ordenar o trânsito da cidade, mais um personagem entrava em ação: o Tom Mix, ou o Xerife.. Era um homem de idade avançada e transparecia bem em seu semblante as marcas da vida, seu rosto era fino e cheio de rugas. Perambulava pelas ruas do centro fechando as portas das casas e advertindo seus moradores sobre possíveis roubos, pois era difícil de prender os ladrões. Era uma pessoa fácil de se identificar. Tom Mix ou Xerife, usava um chapéu de Cowboy, terno preto com listas finas brancas e levava sempre no peito uma grande estrela de Xerife!
Como o Bombalá e o Macaxeira, o Xerife era, também, uma pessoa que não agredia a ninguém e todos esses cidadãos eram queridos e estimados pelas crianças, volta e meia o Tom Mix entrava nas brincadeiras infantis de bang-bang sempre na condição de Xerife. Ah! Ia me esquecendo! O Xerife era apaixonado pelo Roy Rogers e seu maior sonho era ter um cavalo branco igual ao do Cowboy. No meio das brincadeiras infantis, seu pesado semblante se modificava e via-se nele só doçura e ternura misturada à felicidade infantil! Alguns pais quando viajavam, principalmente para os Estados Unidos, traziam para ele estrelas de Xerife ou revólveres semelhantes àqueles dos atores dos filmes de Hollywood! Tom Mix saia diariamente portando estrelas de diferentes formas e tamanhos no peito e estava sempre impecável com seu paletó de listas finas sobre o colete e, é claro, com cartucheiras e revólveres de brinquedo, cada um mais bonito que o outro, tudo presente que recebia
daqueles que lhes afagava o ego!
Nas ruas da minha infância.
Paulo Monte *
* Paulo Monte é filósofo, com mestrado em Antropologia e professor da UFAM.

MARIO YPIRANGA MONTEIRO



ARTIGO
ÍNDIO, MEU IRMÃO.
Índio, meu irmão, aonde vais tu, todo paramentado, aiapá nos tornozelos, cueio de penas, caintar de penas de arara, aos ombros o adereço de estolica, iaticá, muirapara, o caboco com água para as grandes jornadas?
Que pretendes, meu irmão, nessa caminhada incerta?
Não percebeste que te querem envolver numa farsa, numa comédia bufa que só interessa a mais uma em que foram férteis os portugueses? Nunca existiu descobrimento do Brasil.
Jamais existiu um almirante chamado Pedro Álvares Cabral.
Existiu, isso sim, um simplório que comandou certa frota que pairou em frente ao litoral do Brasil e "descobriu" uma ilha excelente terra aguada. Esse foi um capitão de nome Pedro Álvares de Gouveia.
É a esse, que não descobriu coisa alguma, pois o continente sul já estava descoberto desde 1492 anos, pelo grande nauta Cristóvão Colombo, que os medíocres contadores de rodelas querem atribuir o mérito de navegador, que cabe somente, com razões, a um Vasco da Gama, em outras circunstâncias.
Índio, meu irmão, volta para a tua humilde choupana, a velar a alma de milhares de teus maiores sacrificados pela soldadesca e pela igreja cristã, em mais de duzentos anos de colonização nefasta, estéril, improdutiva, que nada deixou na tua terra que valesse a pena ser relembrada.
Índio, meu irmão, esqueceste o rastro de sangue deixado pela passagem de uma horda de degredados, cristão-novos, apedeutas, preguiçosos, cruéis?
Olha para trás: aquele fumaceiro que vês é a destruição de trezentas aldeias dos índios do rio dos Urubus; o sangue que vês correr rio abaixo é o de setecentos mortos; os gemidos e gritos são de quatrocentos escravos levados para Belém e províncias do Nordeste. Ouves mais? São os índios Muhras do rio Japurá, massacrados pelos portugueses numa guerra injusta, que não tiveram coragem de sustentar, mandando na frente os aliados Mundurucus. Queres mais? São os nobres índios Manau, destruídos totalmente porque não quiseram dobrar os joelhos diante da espada e do crucifixo do ádvena intruso.
Índio, meu irmão, esqueceste Aiuricáua preferindo morrer, numa grandiosa imolação de si mesmo, a ser enforcado em Belém ou Lisboa, para gáudio daqueles que ousavam levantar o crucifixo durante as chacinas.
Índio, meu irmão: onde está a tua dignidade? Onde estão teus valores, tua independência, tua coragem, o eco vitorioso de tuas batalhas contra o reinóis?
Índio, meu irmão: Portugal e o Vaticano não pediram perdão ao governo brasileiro pelas carnificinas praticadas em nome de um Estado que se dizia progressista, mas comprava penicos à Holanda; e de uma Religião que se dizia cristã mas aprovava a escravidão legal, praticando-a em nome de Jesus Cristo!
Índio, meu irmão: volta para a tua querência, não participes de uma farsa, não ajudes a tripudiar sobre os cadáveres de milhares de seres que tiveram por culpa única haverem nascido neste belo país!
Volta, meu irmão, volta, o caminho está maculado de sangue, os gemidos e gritos dos infelizes mortos e escravizados estão percutindo no tempo desta farsa que se chamou colonização portuguesa do Brasil. Os maus brasileiros querem submeter- te a uma humilhação, levando-te a aclamar o teu carrasco, bater palmas aos emprenhadores de donzelas, aos violentadores de lares, aos assassinos de crianças, aos pombeiros gananciosos que esvaziaram o rio Negro e afluente das suas melhores e mais populosas Humanidades!
Mario Ypiranga Monteiro*
* Artigo inédito, in memoriam. Escrito durante as comemorações dos 500 anos do descobrimento
do Brasil. O autor era historiados, folclorista e tem mais de uma centena de livros publicados.

GOVERNADOR EDUARDO RIBEIRO


sábado, 6 de setembro de 2008

POETATU - ANTOLOGIA POÉTICA - O RETORNO -

LUIZ BACELLAR

O POETA VESTE-SE


Com seu paletó de brumas
E suas calças de pedra,
Vai o poeta.

E sobre a cambria fina
Da camisa de neblina,
O arco-íris em gravata
Vai atado em nó singelo.

(um plátano, sobre a prata
da água tranqüila do lago,
se debruça só por vê-lo).

Ele leva sobre os ombros
A cachoeira do lago
(cachecol à moda russa)
Levemente debruada
De um fino raio de sol.

Vai o poeta
a caminhar pelas serras.

(pelos montes friorentes
Mal se espreguiça a manhã)

Com seu pull-over de musgo
(feito com lã das colinas)

Com seus sapatos de musgo
(camurça verde dos muros)

Com seu chapéu de abas larga
(grande cumulus escuro)

Mas algo ainda lhe falta
Para a elegância completa:

Súbito, pára, se curva,
num gesto sóbrio e perfeito,

um breve floco de nuvens
colhe e prende na lapela.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

ELEVAÇÃO DO AMAZONAS À CATEGORIA DE PROVINCIA

Para entendermos melhor a significação histórica da elevação do Amazonas à Categoria de Província, empresto o artigo do Ozorio Fonseca. Conversei com vários colegas sobre o tema, a grande maioria não tem a menor idéia do porquê do feriado; alguns somentem lembram da provincia, quando querem se referir com desprezo ao nosso povo "Manaus ainda não passa de uma provincia"

Um pouco de históriaPor Ozorio Fonseca* em 06/09/2007
No dia 5 de setembro comemora-se a elevação do Amazonas à Categoria de Província, um episódio resultante de longa luta em defesa de nossa autonomia política, pois éramos subordinados ao Pará e nos tornamos independentes nesse dia no ano de 1850. A história geológica da Amazônia tem seus primórdios geológicos situados há cerca de 4 bilhões de anos, mas os primeiros humanos só chegaram por aqui entre 11 e 13 mil anos atrás, segundo revelam vestígios antropológicos.A história melhor documentada começa com a chegada da missão portuguesa comandada por Francisco da Mota Falcão que, em 1699, aportou o Lugar da Barra e aqui construiu a Fortaleza de São José do Rio Negro, cujo local está marcado por uma placa colocada pelo governador Arthur Reis no antigo prédio do Tesouro do Estado, na região do porto de Manaus.Novos passos
Em torno desse forte foram se aglomerando as tribos barés, banibas e passes, mas a convivência pacífica não se estendeu aos caboriocenas, caraíbas e manaús (manaós) que não aceitaram a presença do homem branco e com eles travaram duras batalhas. A animosidade só diminuiu com a chegada do sargento Guilherme Valente um personagem misto de realidade e fantasia que melhorou a convivência e ainda casou com a índia Marari, dando início à miscigenação que deu origem à figura do caboclo, tipo especial da etnia amazônica.Essa paz relativa (lembrar Ajuricaba) permitiu o aumento do número de famílias ao redor do forte, formando o primeiro povoado do Lugar da Barra do Rio Negro, logo denominado de Vila da Barra, primórdio da cidade de Manaus.A ausência de ouro e pedras preciosas levou Portugal a abandonar a região durante muitos anos até que, sob o risco da invasão espanhola pelo oeste e norte, o reino português enviou missões compostas por militares e religiosos, para fixar o domínio territorial e cristianizar os silvícolas. Uma dessas missões formada por carmelitas fundou, no médio rio Negro, em 1728, a missão Mariuá para ser base operacional da comissão demarcadora dos limites do Tratado de Madrid.A CapitaniaAlguns anos depois, em 1755, D. José I criou a Capitania de São José do Rio Negro, raiz do Estado do Amazonas, cuja sede foi instalada por Francisco Xavier de Mendonça Furtado, na missão de Mariuá (nome indígena), que ele elevou à categoria de Vila mudando o nome para Barcelos (nome luzitano). Em 1791 o governador Lobo d’Almada transferiu a sede do governo para o Lugar da Barra, mas em 1799, reinstalou a Capitania em Barcelos cumprindo determinações de uma Carta Régia de 1788. A morte de Lobo d’Almada resultou na formação de uma Junta Provisória que fez a transferência definitiva da sede da Capitania para o Lugar da Barra em 29 de março de 1808.A Província e o EstadoO responsável pelo primeiro surto econômico foi Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão do Marquês de Pombal, que começou a explotação de espécies biológicas no ciclo conhecido como das especiarias e drogas do sertão, que durou até o final do século 19 quando começou o áureo período da borracha.E foi essa economia alicerçada nos produtos naturais (além da pressão política) que levou D. Pedro II a reconhecer a importância da região e elevar a Capitania à categoria de Província em 5 de setembro de 1850, nomeando, em 1851, João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha como primeiro governador.Naquele ano a população do Lugar da Barra foi estimada em 45.000 habitantes, 7,5 vezes maior do que em 1850, ano em que foi criada a Província do Amazonas, cuja capital foi definida como Manaus, em 1856, por decisão da Assembléia Legislativa Provincial. Em 15 de novembro de 1889, com a Proclamação da República, a Província do Amazonas passou à condição de Estado conservando Manaus como sua capital.Resolvi resumir (muito) nossa história para contrapor as bobagens ditas por autoridades civis, militares, professores e alunos entrevistados pela mídia durante as comemorações do último dia 5 de setembro.Foi desesperador assistir a agonia da educação de nossos jovens, revelada em meio às festividades alegóricas da nossa data maior. É preciso mudar esse rumo e minha primeira sugestão para as autoridades educacionais e professores é que leiam, com atenção, os livros de história do Amazonas entre os quais os de Antonio José Souto Loureiro, Artur Cezar Ferreira Reis, Etelvina Garcia, Marcio Souza, Mario Ypiranga Monteiro, entre outros. A regra é: Primeiro estudar, depois ensinar. Esse artigo é de responsabilidade do autor. Não reflete a opinião do Portal Amazônia ou do grupo Rede Amazônica. Opiniões devem ser envidas a
ozorio@netium.com.br

OITENTA ANOS DO POETA LUIZ BACELLAR




Hoje é dia de festa na Vila da Barra, atual Manaus; comemora-se os oitenta anos do poeta Luiz Bacellar. Segundo Tenório Teles “O poeta Luiz Bacellar é um dos autores mais singulares da poesia brasileira. Sua obra tem como referencia o mundo amazônico, mas o universaliza pela qualidade estética e pela maneira original de abordar os temas regionais”.

Biografia

Luiz Bacellar é um dos escritores mais significativos da literatura que se produz no Amazonas. Nascido em Manaus, no dia 4 de setembro de 1928, o poeta viveu sua infância numa época marcada pela crise econômica que se seguiu ao fausto do "ciclo da borracha". Sua obra é perpassada por elementos de forte componente erudito, ao mesmo tempo em que retrata temas e motivos da cultura popular, do folclore, em particular as vivências de sua infância no bairro dos Tocos, hoje Aparecida.
O universo poético retratado por Bacellar, sobretudo em Frauta de Barro, constrói-se sobre o plano da memória. Tece seus versos com os fios das lembranças, reminiscências de seu mundo infantil. Constrói um mapa esmaecido de uma cidade corroída pelo tempo e pelas transformações econômicas – Manaus. Não a que conhecemos hoje, surgida sob as determinações da Zona Franca, mas a Manaus provinciana da segunda metade do século que se encerra.
Estudou no Colégio São Bento, em São Paulo, onde completou seus estudos. Aperfeiçoando-se posteriormente, no Rio de Janeiro, em Pesquisa Social, Antropologia e Museologia, realizando parte de seus estudos sob a orientação do saudoso professor e estudioso da cultura brasileira Darcy Ribeiro. A música é outro componente importante de sua produção poética. Parte significativa de seus textos são plasmados por intensa musicalidade.
Foi professor de Literatura e Língua Portuguesa no Colégio Estadual D. Pedro II, pólo aglutinador, nos anos 50 e 60, da jovem intelectualidade de Manaus. Destacou-se no processo de renovação da literatura regional, participando da movimentação que culminou na fundação do Clube da Madrugada, em 1954.
Exerceu o jornalismo, atuando em diversos órgão de comunicação de Manaus. No plano institucional, foi conselheiro de cultura do Estado do Amazonas em diversas oportunidades. A vida literária do poeta Luiz Bacellar teve um começo feliz: conquistou, em 1959, o prêmio "Olavo Bilac", da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, com aquele que seria seu livro de estréia, Frauta de barro, publicado em 1963.
Remetente:
Aníbal Beça


Haicai

Perdido na grama o grilo responde ao canto do pássaro.
O brilho do salto do peixe na cascata lâmina de prata.


Balada das 13 Casas


São 13 casas unidas, são 13 casas nascidas no mesmo lance de rua, com as mesmas paredes-meias, os mesmos oitões de taipa, a mesma fachada nua e as mesmas janelas tristes de 13 casas na rua.
Unidas? Bem... desunidas nos problemas dos que habitam suas paredes estanques; mas juntas, pelo beiral, pelos caibros de itaúba, pelas telhas de canal de 13 casas na rua.
E as famílias que moravam (ainda algumas demoram) nos tempos do berimbau? Lembro: Cabelo-de-Fogo, família Boca-Medonha, a família Macaxeira e a família Bacurau das 13 casas da rua.
Das 13 só restam 11: 2 foram demolidas pra dar lugar a um convento de padres redentoristas que, não contentes com isso, de Tocos para Aparecida mudaram o nome do bairro das 13 casas da rua.
Numa delas eu vivi, numa outra me criei, e talvez venha a morrer; quanto às outras, pelos donos foram sendo reformadas, gente próspera e "elegante" como atestam as fachadas das 13 casas da rua.
Apenas esta onde moro de casa velha coroca conservou a identidade ainda usa arandelas, calhas, tabiques, escápulas, com manias e pirraças de quem "viveu" outra idade das 13 casas da rua.
Senhora Dona Donana (Anna Henriqueta da Cunha), ex-dona do quarteirão irmão no estilo e argamassa, a vós dedico e consagro esta balada sem graça em memória das antigas fachadas, já derrubadas, das 13 casas da rua.



(poema extraído do livro "Frauta de Barro", 1963)








segunda-feira, 1 de setembro de 2008

AMAZÔNIA TERRA SAGRADA




Terra Sagrada
Um mar infinito
Na verde imensidão
Amazônia guerreira
Encanto da natureza
Pérola que Deus criou
Fauna, flora, grandes rios
Preservar é o desafio
Herança dos meus ancestrais
Essa terra
Esse chão
Hóstia de fé e união

Que a mão do índio preservou
Árvores são velas profanas
Queimando a Terra Santa
Amazônia Terra Santa
As tribos clamam em oração
O que plantam e o que colhem
Nesse chão
O pão nosso de cada dia
Agradeço a água pura
Benta que banha os rios
Pai rogai por nós em proteção
Pela Amazônia, Terra Santa

Templário divinal
Sagrada natureza mãe
Onde o canto dos pássaros é mais
bonito
Onde a fauna e flora
Vivem em comunhão

Todas as tribos pela preservação
Rito de fé
Paz e união.
(Ronaldo Bazi, Mauro Souza e Wenderson Figueiredo – CD Caprichoso 200