quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O ANIVERSÁRIO DO POETA MARCILEUDO BARROS


Marcileudo Barros, um amazonense polivalente, ele é poeta, escritor, compositor e artista plástico, vai ficar no berço amanhã, completará o seu 61º aniversário – o convite já foi distribuído pelo seu amigo dileto o Celestino Neto (Lé)

“Rochinha. Nesta quinta (16) vamos tomar umas “cervejotas” no Bar da Lior, na Avenida Castelo Branco com a Rua Barcelos, contamos com a tua presença a partir das 19 horas”

Não dá para perder esse 0800 e dar um grande abraço no meu amigo.


O escritor e poeta Simão Pessoa escreveu o seguinte sobre o seu amigo:

O poeta e escritor Marcileudo Barros é meu amigo de infância. Conhecemos-nos quando eu morava na Rua Waupés (atual Castelo Branco), nos anos 60, e depois de um longo tempo sem notícias um do outro, voltamos a nos encontrar nos anos 90, durante a fundação do Sindicato de Escritores do Amazonas. Autor do imperdível “O Boteco”, onde ele narra histórias acontecidas no “Boteco da Zeza”, que resiste bravamente até hoje, Marcileudo Barros já publicou dez livros de poesia e possui mais de cinco mil poemas inéditos.
Parte deste material está sendo musicado pelo seu filho, Marcel Barros, um talentosíssimo instrumentista e também artista plástico.
Marcileudo Barros também é um exímio contador de causos hilariantes, mas tem se negado a participar de um show no Teatro Amazonas, que pretendo produzir, colocando em cena ele, Paulo Paixão (um fantástico imitador do sotaque interiorano) e João Rodrigues (outro excelente imitador de vozes, além de artista plástico de alto calibre)”.
Alguns poemas do nosso poeta amazonense:

Favela
Para Mário (do Fino da Bossa)

Favela é um nome bonito
Pra tanta tristeza
Um nome sem atrito
pra tanta rudeza
O que não condiz
com a aquela pobreza

Fá, uma nota musical
Vela, algo que ilumina
não podem compor
o nome da sina
que banha o corpo
de quem vive lá.

A impressão que me dá
alguém quis disfarçar
com um nome bonito
uma vida levada
na base do grito
Grito que só é ouvido
A cada carnaval

Guerra Psicológica
Sérgio Eduardo Gomes

Até simplória
a estória do macaco
que paquerava
uma linda bananeira

E do cachorro
que vigiava
sem nunca marcar bobeira.

Veio outra safra
e a bananeira se portava
linda e altaneira
e de cachos reluzentes
E se o macaco mostrava a cara
Cachorro mostrava os dentes

E o macaco sem comer
e cachorro sem dormir
e a bananeira brotando
não estava nem aí
de tudo fica um lição
carregada de beleza
guerra psicológica

não afeta a natureza


Nódoa

Quando não se tem um amor
é solidão
Quando se tem e se perde esse amor
é solidão mais dor
Nas escolha entre as duas
preferiria nenhuma
Pois solidão é imprópria
gruda na gente a dor
gruda na gente o amargor
feito nódoa

O famoso Boteco da Lió, onde será feito o rega-bofe do nosso poeta, possui história, ele é tradição no bairro.

Quem conhece de montão  o estabelecimento é o Simão Pessoa:

No cruzamento das ruas Barcelos e Castelo Branco, na alta Cachoeirinha, existe um boteco no formato meia-água, que já estava no local quando eu nasci e provavelmente vai continuar lá depois que eu morrer. No meu tempo de criança ele se chamava “Boteco da Zeza”, apelido de dona Maria José, mãe do escritor Marcileudo Barros. Depois, cada vez que um dos filhos de dona Zeza começava a gerenciar o boteco, ele passava a incorporar o apelido do sujeito: “Boteco do Mundico” (aka Raimundo Arnaldo), “Boteco do Kid Márcio” (aka Márcio Barros), “Boteco do Leudo Brasinha” (aka Marcileudo Barros) e, atualmente, “Boteco da Lió” (aka Eleonora Barros). Desde que me conheço por gente, o boteco sempre vendeu cachaça, cervejas e refrigerantes. Só, somente só. Nos anos 70, o boteco era ponto de encontro dos boêmios daquela parte do bairro. Os verdadeiros pés inchados começavam a chegar ao covil assim que ele abria as portas, por volta das 6h da manhã. E haja Brandicana, Cocal, Correinha, Januária, Oncinha, Praianinha, Serra Grande, Tatuzinho, Pitu, Kokinho, Lobatinha, Chora Rita e Jurubeba Leão do Norte pra fazer frente à demanda, que o boteco era bem sortido”.

O Marcileudo e seu amigo Celestino Neto participaram ano passado do projeto “Café com o Escritor”, no Vanilla Caffé, uma empresa de gastronomia de Manaus, que teve uma grande sacada em aproximar um poeta ou autor de relevância, com os frequentadores do estabelecimento, com parceria da Editora Valer.

O Marcileudo escreveu "O Boteco" e a trilogia "Meninas, Meninos e Esquinas". Ele também é considerado o maior produtor de Haikai Pornô de Manaus (o haikai é uma forma poética de origem japonesa, que valoriza a concisão e a objetividade), estou aguardando com muito ansiedade o lançamento desse trabalho, aliás, já tive o privilegio de ouvir alguns do próprio poeta.


Tênue

O amor tem várias formas
de engate
Às vezes um olhar, um gesto,
um toque indevido,
parte



Feliz aniversário, meu amigo Marcileudo! Saúde e vida longa!

Fotos: acervo do Simão Pessoa e Celestino - 1. Marcileudo e Celestino; 2. Marcel Barros e Marcileudo; 3. Simas,Marcileudo, um amigo e Simão Pessoa, aparecendo ao fundo, o famoso Bar da Lió).

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

CABOCO & CABOCA




Caboclo ou caboco, qual o termo correto? Para nós, brasileiros, nascidos nos lugares rodeados por rios e matas da nossa Amazônia, não existe este intrometido “”, somos conhecidos por cabocos e, nada de colocar entre parênteses por não existir oficialmente, aliás, achamos estranhíssimo quando alguém pronuncia a palavra “caboclo”, não soa muito bem nos nossos ouvidos, fica parecendo algo que foi empurrado goela abaixo.

O famoso Câmara Cascudo, um dos maiores estudiosos da cultura brasileira, fez o Dicionário do Folclore Brasileiro, onde defende a forma caboco, pois, segundo ele, o “l” teria sido introduzido na palavra sem encontrar base nas diversas hipóteses etimológicas, como a que afirma derivar do tupi caa-boc “o que vem da floresta” ou do kari`boca “filho do homem branco”.

Como surgiu o caboco? Dizem os historiadores que surgiu através da mestiçagem na colonização brasileira – por estas bandas chegaram muitos portugueses, franceses e ingleses, vinham sozinhos, a solução foi se unirem as mulheres nativas, desse acasalamento entre o branco europeu e a índia brasileira, resultou no caboco.

Atualmente, não sabemos exatamente quantos cabocos existem, pois, muitos não gostam de ser assim chamados ou mesmo desconhecem a sua origem. O IBGE colocou o caboco no mesmo saco de outras combinações de raças, tudo agora é da cor parda.

O Deputado Estadual Luiz Castro (PPS/AM) conseguiu incluir no calendário oficial do Amazonas o “Dia do Caboco”, passando a ser comemorada no dia 24 de Junho. Atendendo a demanda do movimento mestiço, a lei tem por finalidade homenagear o caboco, defendê-lo e repudiar o preconceito e a discriminação contra a sua cultura e identidade.

Nunca tive vergonha das minhas origens, aliás, sempre tive muito orgulho. A minha mãe era uma caboca nascida em Terra Nova (interior do Amazonas), filha de um branco maranhense com uma caboca de marcantes traços indígenas – o meu pai era filho de uma mulher branca descendente de espanhóis e um negro – portanto, sou uma mistura de raças (branco, índio e negro).

Sou um cabocão com muito orgulho e muito amor. É isso ai, cabocada!

BANDA DO ESTRELAS - G1.GLOBO.COM


"Banda do 5 Estrelas" arrasta 10 mil 




foliões na Zona Sul de Manaus


A festa fez homenagem ao patrono da 'banda da Bica', Armado Soares.
A concentração ocorreu neste sábado, às 16h, na Avenida Getúlio Vargas.

Marcos DantasDo G1 AM
Mais de 10 mil pessoas são esperadas pela Polícia. (Foto: Marcos Dantas / G1 AM)Mais de 10 mil pessoas são esperadas pela
Polícia. (Foto: Marcos Dantas / G1 AM)
A tradicional 'Banda do 5 Estrelas' fez a festa de pelo menos 10 mil foliões neste sábado (11), na Avenida Getúlio Vargas, no Centro de Manaus. Os brincantes fizeram uma homenagem especial à Armando Soares, dono do 'Bar do Armando', hospitalizado desde o dia 31 de dezembro de 2011. Por conta da internação do proprietário do bar, a tradicional 'Banda da Bica', da qual ele é patrono, não será realizada neste ano.
Nas proximidades do bar 5 Estrelas, a Polícia Militar (PM) informou que pelo menos 10 mil pessoas deveriam comparecer ao local. "Estamos preparados para fazer a segurança dos brincantes que vierem. Nos posicionamos estrategicamente para inibir e coibir pequenos crimes que possam ocorrer.", disse o Sargento Oliveira, da Força Tática, ao G1.
Homenagem
Biqueiros prestigiaram festa em homenagem à patrono da 'Banda da Bica'. (Foto: Marcos Dantas / G1 AM)Biqueiros prestigiaram festa em homenagem à
patrono da 'Banda da Bica'.
(Foto: Marcos Dantas / G1 AM)
A festa em homenagem ao Armado, um dos fundadores de uma das bandas mais tradicionais do carnaval manauara (Banda da Bica), não poderia deixar de ser prestigiada pelos 'biqueiros', que compareceram em peso à festa da '5 estrelas'.

Rocha, 'biqueiro' uniformizado, disse que a homenagem à Armando Soares deixou a festa ainda mais bonita. "O Charles (fundador da 'Banda do 5 estrelas') está fazendo uma festa muito bonita, está caminhando para que a '5 Estrelas' se torne tão tradicional quanto a 'Bica'. Seria perfeito se o Armando estivesse na festa aqui com a gente, mas enquanto não podemos contar com ele, vamos brincando e torcendo pela recuperação desse grande amigo.
Dinheiro extra
Ambulantes esperam bom faturamento no carnaval. (Foto: Marcos Dantas / G1 AM)Vendedores ambulantes esperam bom
faturamento no carnaval.
(Foto: Marcos Dantas / G1 AM)
http://g1.globo.com/amazonas/carnaval/2012/noticia/2012/02/banda-do-5-estrelas-arrasta-10-mil-folioes-na-zona-sul-de-manaus.html
Os vendedores ambulantes apostam nas bandas para faturar um pouco mais no carnaval. Waltemir dos Santos, de 45 anos, trabalha pelo terceiro ano consecutivo como ambulante nas noites de carnaval e diz que a expectativa de faturamento é boa. "Com muita gente assim, é muito difícil a gente sair daqui sem vender tudo. Hoje estou esperando faturar R$ 700, isso é quase o que eu faço por quinzena.", disse o ambulante.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

MEUS VELHOS CARNAVAIS



Curti os primeiros carnavais no Cube do Amazon Hotel, ficava na esquina da Rua dos Andradas com a Rua Rocha dos Santos; o prédio resiste até hoje, ainda bem!

O meu pai reunia toda a família, comprava as fantasias e levava toda a turma para brincar a folia de momo.

Lembro muito bem, deveria ter uns dez anos de idade; o clube ficava no segundo andar, gostava de brincar na escada de madeira que dava acesso ao salão de danças; curtia também apanhar no chão os restos de confetes e serpentinas, para jogar novamente nos pequenos foliões.

Lembro-me do papai tomando aquela cerveja genuinamente cabocla, a XPTO e, eu e a molecada no Graphete e Baré Cola.

Lembro também das “Batalhas de Confetes” e dos desfiles dos "Blocos de Sujos", na Avenida Eduardo Ribeiro; gostava de toda aquela movimentação, adorava juntar tampinhas em miniaturas de refrigerantes que eram jogadas pelos brincantes dos blocos.

Na minha adolescência, presenciei os desfiles dos primeiros blocos carnavalescos, que seriam mais tarde as primeiras Escolas de Samba de Manaus - Unidos da Selva, Unidos do Rio Negro e Barelândia.

A Avenida Eduardo Ribeiro não suportava mais tanto foliões e espectadores, foi quando resolveram mudar o palco do carnaval para a Avenida Djalma Batista, os desfiles ocorrem até o ano de 1990 e, depois para o Sambódromo.

Os meus filhos estão chegando à casa dos trinta, quando eles eram crianças, adoravam ir aos bailes infantis que aconteciam no Sírio Libanês, Sheik Club e Bancrevia Clube – eu fazia a mesma coisa o que o meu pai fazia, ou seja, levava toda a petizada para brincarem os velhos carnavais.

Agora, já passei e muito dos cinquenta; faço parte da diretoria da banda mais irreverente de Manaus "A Banda da Bica", frequento os ensaios da Escola de Samba Aparecida, assisto todos os anos aos desfiles das Escolas no Sambódromo de Manaus, ou seja, o carnaval corre nas minhas veias!

Mas, uma vez e outra, no período momesco, lembro com muitas saudades dos velhos carnavais. É isso ai.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

BAR DO CARVALHO

O bar fica localizado na Avenida Castelo Branco esquina com a Rua Ipixuna, no bairro de Cachoeirinha, a sua fundação aconteceu no inicio da década de 50, pelo senhor Antônio Carvalho, constituindo-se num patrimônio cultural e etílico da cidade de Manaus.

O seu proprietário completará este ano 91 anos, anda em cadeiras de rodas por causa da sua idade avançada, ele foi homenageado no ano passado pela “Banda do Carvalho”, uma agremiação com 19 anos de estrada, formada pelos frequentadores mais assíduos do boteco, o tema foi “90 Anos de Vida” – foi uma justa homenagem. 


A Banda do Carvalho sai hoje, o tema é "Carvalho na Ponte dos Milhões", uma sátira à construção da ponte Manaus/Iranduba, uma obra superfaturada em mais de 500 milhões de reais.

Na esquina onde está localizado o bar, já foi palco de muitos noticiários policiais de antigamente, tudo por causa dos inúmeros acidentes automobilísticos com vitimas fatais que aconteciam por ali, ceifando a vida de muitas pessoas, tanto que o local ficou conhecido como “A Curva da Morte”.

Declarações da comunidade “Orkut – Bar do Carvalho”, com 107 membros:

“O Bar do Carvalho sem dúvida é do CAR..v..ALHO, não tem outro igual em matéria de atendimento, nesse bar o garçom manda mais que o dono. E os outdoors? Alguém lê tudo aquilo? E dando continuidade as esquisitices, acredito que você compartilhe da mesma opinião de que a gente está diante de um bar enigmático, ou seria um armazém, ou então de uma loja de construção, tem de tudo lá mano, que loucura compadi! Se você ainda tem alguma dúvida quanto ao lugar dá só uma olhadinha pra dentro do bar, é bizarro! Mas se não fosse assim não seria o Bar do Carvalho, único no mundo”.

“Sou de Manaus, nasci e morei vizinho ao Bar do Carvalho, na Av. Ipixuna, número 1.438, comprei muitas coisas lá quando vendia de tudo, tinha o melhor picolé de açaí, ele também comprava sucata de tudo, garrafa vazia, metal, alumínio, ele era ralador, sempre correu atrás, saía de madrugada com um remo nas costas e pegava a canoa dele debaixo da ponte de ferro e buscava as coisas para vender na mercearia, era carvão, banana, pirarucu seco etc..., conheci o pai dele, tinha um comércio na Avenida Sete de Setembro, de frente ao Palácio Rio Negro, ele tinha dois irmãos, um de nome Jorge. Em 1997 quando fui a Manaus, estive com o Carvalho e tenho várias fotos dele e do Bar, conheço os filhos dele, estudaram no Euclides da Cunha junto comigo. Rio 01.01.09”.

Realmente, o bar tinha esta fama, o cliente além de tomar aquela cerveja geladíssima, poderia fazer as suas compras, pois tinha de tudo: agulhas, linhas, botões, zíperes, ferramentas, material de limpeza, bilhas, potes, areias, tijolos, cimentos, quinquilharias, etc.

Na década de 80, com a inflação chegando próximo a casa de 1.000%, correu um boato pela cidade que tinham furtado um bilhão de cruzados novos do Carvalho, muitos amigos correram até o boteco, ao chegarem lá, foram logo querendo saber como tinha ocorrido a subtração daquele alto valor, foi quando o senhor Carvalho informou que na realidade foi roubado somente uma “bilha grande” e não um bilhão de patacas! Este fato foi motivo de gozação por muitos e muitos anos!

A Banda da BICA fez, em 2003, uma “homenagem” ao então prefeito Alfredo Nascimento, a letra era mais ou menos assim:

Ai, Alfredo Nascimento
O teu expresso
É pior do que jumento!
É o tal do Estresso 171
Vai da casa do Carvalho (Bar do Carvalho)
Pra lugar nenhum!

O Leandro Grande Circular, um cidadão amazonense que ganha a vida vendendo CD´s nos botecos de Manaus, falou o seguinte sobre o Bar do Carvalho “É um bar tradicional de Manaus, apareço por lá todo o santo dia, quem toma conta do bar são os dois filhos do velho Carvalho, um é o Ordep (Pedro ao contrário) e o Rosem, eles se revezam a cada semana; os clientes tradicionais estão sumindo, estão aparecendo por lá muitos jovens, acho que são estudantes da UEA”.

O meu amigo Agenor Valente, restaurador da nossa Manaus Belle Époque, lembra da sua juventude quando frequentava o boteco “Quando tinha meus dezoitos anos, gostava de frequentar o Clube Nostalgia, antes, passava no "Bar do Car.v..alho" para esquentar os tamborins, tempos bons, hein!"


Recebi a seguinte mensagem do meu amigo Mestre Pinheiro:



Caro Rocha. Estive no Bar do Carvalho, conversei com a Rossy Carvalho e com  Rosembergue Carvalho, ambos filhos do Senhor Carvalho, me falaram que esse ano era ideia deles homenagearem o Armando, mas não tinham contato com alguém da BICA.Ficaram contentes com minha visita e nos convidaram para participar da festa de hoje,  e que nos receberam com muita honra, portanto, você também é convidado para participar da folia. Convidei o Mário Adolfo e o Assis Almeida. O Mário confirmou que vai lá. O Rosemberg relatou que certo dia a pedido  de seu pai, foi fazer uma visita ao Armando  conversaram  muito. A Rossy  estava desanimada para o carnaval, porque faz 3 meses que perdeu o seu esposo, mas, como é espírita e, para o espírita, a vida continua, vai brincar também. Outra, a banda que toca lá, é a Demônios da Tasmânia (a mesma da BICA) , portanto,  estamos em casa.Te encontro lá".

É isso ai! Viva o Bar do Carvalho!


Fotos: Mestre Pinheiro

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

JOGANDO FORA O GORDINI TEIMOSO


Segundo o meu amigo Jokka Loureiro (um gozador da melhor qualidade), existem três coisas que não valem a pena emprestar: CD, carro e mulher, pois, segundo ele, o CD volta todo arranhado, o carro todo batido e, a mulher toda fodida! Com relação ao CD é normal emprestar e ter decepções na devolução; quanto à mulher, dizem as más línguas que existe muito neguinho por ai que gosta de ceder a sua mulher para os outros – por último, o carro, poucos emprestam, agora, jogar o seu próprio carro fora é muito difícil de acontecer, no entanto, esta eu presenciei, aliás, participei da empreitada.

Na minha juventude, estudei o ensino médio no Colégio Sólon de Lucena, tive um colega de sala chamado Klinger, conhecido por todos por “Peninha”, um “figuraço”, ele tinha a fama de cantor e de pegador das gatinhas, pois além do papo mole de derrubar avião, tinha também um automóvel, coisa muito rara para os rapazes da plebe.

O compadre Klinger, ainda muito jovem, foi trabalhar no setor de câmbio do London Bank, o cara dominava fluentemente a língua inglesa e lecionava em escolas de idiomas, isto o permitiu amealhar uma grana a mais e, comprar um carro Gordini da última safra de 1968, na cor de vinho de buriti.

Este tipo de carro era apelidado de “Teimoso”, uma versão popular do Renault, foi fabricado pela Willys–Overland do Brasil S.A. – era considerado um dos carros mais ordinários produzidos em terras brasileiras. O pessoal na gozação comentava “Compre um Gordini e leve grátis uma caixa de Cibalena para curar a sua dor de cabeça!

Pois bem, todos os finais de semana saímos para caçar as cocotinhas do pedaço – eu não tinha papo e nem jabaculê, era um típico peixe Surubim “liso, mas cheio de pinta”, no entanto, estava ao lado do maior cara de pau da urbe, passeando de carona a bordo do respeitado Teimoso, que não era aquele carrão, mas as famosas “Maria Gasolina” de Manaus davam o maior valor.

O carro já tinha zerado várias vezes a quilometragem, estava fora de linha fazia uns oito anos e, não era fácil encontrar peças de reposição. O Teimoso já estava entrando na terceira-idade e, começando a dar problemas, pegava somente no tranco e o motor esquentava que não era brincadeira.

Numa bela sexta-feira caliente de Manaus, fomos ao aniversário da namorada do Klinger, por sinal, foi a primeira das dez esposas que ele teve – é mole ou quer mais! Depois das onze da noite, resolvemos dar um pulo no puteiro “Saramandaia”, ficava nas imediações onde é hoje o Conjunto Santos Dumont  - foi com a gente o compadre Kleber, o cara era cantor e tocador de guitarra.

O carro não quis dar partida de jeito nenhum, empurramos ladeira abaixo e o bicho pegou no tranco, no trajeto, começou a esquentar o motor, o Klinger parou num posto de gasolina, pediu um balde de água e jogou na máquina quente, foi um santo remédio, deu para chegar até o lupanar.

Depois de passar a régua nas primas, resolvemos voltar lá pelas quatro de manhã, fomos até o Parque Dez deixar o compadre Kleber, na volta, na altura do Marreiro´s Bar (atual Habibs) o Teimoso travou de vez por todas, não pegava nem com reza braba, jogamos vários baldes de água no motor, mas ele não reagia, passamos mais de duas horas emburrando ladeira acima e descendo ladeira abaixo e, nada!

O dia amanheceu, estávamos sentados na sarjeta desconsolados, quando o Klinger tomou a decisão de jogar o carro velho numa vala profunda: - Meu compadre Rochinha, vamos dar a última empurrada no Teimoso, vou deixar os documentos dele e o toca-fitas Roadstar cabeça branca, quem quiser ficar com ele, que fique! – falou com as lágrimas nos olhos.

Seja feita vossa vontade e, assim foi feito! Voltamos de ônibus para as nossas casas. Durante algum tempo, acho que uns três meses o Teimoso permaneceu jogado por lá, depois, alguém se apossou dele e, levou para casa uma bela dor de cabeça!

O Kliger é o primeiro da direita na fotografia abaixo, ele está um pouco doente, mas uma vez e outra vai até o Bar da Loura e no Cipriano para jogar conversa fora e cantar, apesar de todas as dificuldades de locomoção.


Hoje, um Teimoso 1968, vale para os colecionadores a bagatela de vinte e oito mil reais, o preço de um carro Celta zero quilômetro. O compadre Klinger não sabe o que perdeu ao jogar o Teimoso fora! É isso ai.




Foto: J Martins Rocha - Delfim, Assante, Altamira e Klinger.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

PRIMEIRO PRÉDIO DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DO AMAZONAS


Este prédio foi onde abrigou a primeira Sede da Associação Comercial do Amazonas, situava-se na esquina da Rua das Flores (atual Rua Guilherme Moreira) com a Rua Quintino Bocaiuva, foi destruído e, em seu lugar construíram um mais “moderno”.

A ACA foi criada em 18 de junho de 1871, tendo como objetivo principal de “promover por todos os meios ao seu alcance, o desenvolvimento das classes empresariais, a sustentação e defesa de seus legítimos direitos e interesses”, conforme dispõe o art. 1º do seu Estatuto primordial.

Fizeram parte da primeira diretoria:
Presidente - José Coelho de Miranda Leão (político, comerciante e militar ilustre);
Secretário - Antônio Augusto Alves;
Tesoureiro - José Joaquim Pinto de França;
Manoel José Gomes de Lima;
Emílio Moreira

Para conhecer a história da ACA, acessar  www.aca.org.br    

domingo, 5 de fevereiro de 2012

SALIGNAC – VOCÊ É LUZ!



Ao ouvir as notícias sobre o estado de saúde do cantor Wando, veio a minha mente a figura do Cláudio Leomar Salignac, um boêmio amazonense que amava de paixão as musicas do rei das calcinhas, principalmente, do seu sucesso maior “Fogo e Paixão”, lançado num álbum de vinil, em 1988.

Ele era meio esquisitão, bebia sempre sozinho, não era de muito papo, tinha uma cara carrancuda e, quando conversava, parecia que estava brigando com o seu interlocutor, era nitroglicerina pura, gostava de arregalar os seus olhos e esbravejar por qualquer coisa.

Apesar de ser um birrento inveterado, era muito querido pelos frequentadores do Bar do Armando e pelo Cinco Estrelas, onde foi homenageado pós morte com um boneco gigante. 

Foi um dos fundadores da Banda Independente da Confraria do Armando (BICA), a mais irreverente de todos os tempos. Durante vários carnavais, teve a responsabilidade maior de levar pelas ruas de Manaus a bandeira da agremiação.

O conheci no Janela’s Bar, situado na Avenida Joaquim Nabuco esquina com a Rua Huascar de Figueiredo, um boteco do casal Afonso e Conceição Toscano.

Andava sempre bem trajado, gostava de usar uma bermuda com cinturão, camisa para dentro e tênis com soquete.

Não batia papo com ele, pois o cara não era chegado a jogar conversa fora com qualquer um, no entanto, todos davam corda nele, inclusive eu, bastava cantar bem alto “Você é luz...”

Ao ouvir aquela palavra mágica, tomava mais um gole, respirava fundo, transformando-se de birrento a melancólico e, com a sua possante voz, dava o seguimento a sua música preferida:

“É raio estrela e luar
Manhã de sol
Meu iaiá, meu ioiô
Você é "sim"
E nunca meu "não"
Quando tão louca
Me beija na boca
Me ama no chão
Me suja de carmim
Me põe na boca o mel
Louca de amor
Me chama de céu
Oh! Oh! Oh! Oh! Oh!
E quando sai de mim
Leva meu coração
Eu sou fogo
Você é paixão...!

Juro que nunca soube dos reais motivos de sua predileção por aquela canção, o homem cantou milhares e milhares de vezes, durante anos a fio, sempre a mesma música. Que paixão!

Apesar de gostar de montão de uma loura gelada e, frequentar a noite os botecos de Manaus, nunca faltou ao trabalho, foi um funcionário exemplar da Receita Federal, chegando a se aposentar no cargo de Técnico do Tesouro Nacional. 

Valeu Salignac! Você é Luz!


Foto: Carnaval de 2000 - site    http://amordebica.blogspot.com/