sexta-feira, 16 de março de 2012

MESA DE BAR




Garçom! Aqui!
Nessa mesa de bar
Você já cansou de escutar
Centenas de casos de amor...
Garçom!
No bar todo mundo é igual
Meu caso é mais um, é banal
Mas preste atenção por favor...

Saiba que o meu grande amor
Hoje vai se casar
Mandou uma carta pra me avisar
Deixou em pedaços meu coração...

(Garçom - Reinaldo Rossi)

Fotos: J Martins Rocha - Bar da Vila de Paricatuba

quinta-feira, 15 de março de 2012

ÁUREO NONATO


Nasceu em Manaus, no bairro de São Raimundo, em 1º de Abril de 1921 e, faleceu no dia 23 de Março de 2004, no Instituto do Coração de Manaus, vitima de complicações pulmonares - foram 83 anos de muita produção artística, dedicada ao Brasil e a sua querida cidade natal - militou no jornalismo, foi também um escritor consagrado, além de poeta e compositor.

Ainda muito jovem, com apenas dezessete anos de idade, embarcou no navio “Prudente de Moraes” com destino ao Rio de Janeiro, como voluntário do Exército Brasileiro, ficou no 14º Regimento de Infantaria do 1º Exército, sediado em São Gonçalo - passou cincoenta anos no eixo Rio-SP, chegando a receber, em 1987, o título de cidadão do Estado do Rio de Janeiro.

Ao se aposentar, resolver viver os últimos anos da sua vida na sua amada Manaus – tinha condições financeiras para viver muito bem obrigado, mas, contrariando a família, foi morar no “Asilo Doutor Thomas”.

No abrigo em que morava voluntariamente, tinha toda a liberdade para entrar e sair, no horário que bem entendesse – por ser um boêmio inveterado, gostava da noite, era um notívago como todo bom poeta, adorava festas, era um exímio “pé-de-valsa”, contar causos era com ele mesmo, era muito bom de papo, mas, não gostava de ser contrariado, esquentava a cabeça facilmente – curtiu muito bem os seus últimos anos da sua vida nos botecos tracionais de Manaus.

Tive o privilégio de conhecê-lo lá pelas bandas do Bar do Armando, no Largo de São Sebastião, centro antigo de Manaus. Certa vez, no dia anterior ao aniversário da cidade, ele levou a sua amiga Salete, uma deficiente visual que ainda canta e encanta, para o lançamento do seu CD - foi uma bela noite, com direito a tomar copos e copos de Aluá (uma bebida fermentada da casca do abacaxi) e pitombas & biribás à vontade. Maravilha!

Com relação a sua produção cultural, o escritor e poeta amazonense Rogel Samuel, assim descreveu a atuação do Áureo Nonato: “Foi autor de várias obras importantes da literatura amazonense, entre eles “O Porto das Catraias” (1987) e “Os Bucheiros”, 1983 (Prêmio Osvaldo Orico), 1982, da ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS). Esta última sendo considerada a obra-prima do autor e utilizada pela Universidade Federal do Amazonas como leitura obrigatória do seu vestibular. O escritor era colaborador de jornais com suas crônicas sempre bem-vindas e pertencia à Academia Amazonense de Letras, ocupando a cadeira de nº 17. Ele era um excelente escritor, de prosa leve e agradável. Como compositor musical é autor de uma espécie de Hino Oficial do Amazonas, e de várias canções, uma das quais seria gravada por Elizeth Cardoso (não temos certeza de que a gravação foi feita). Viveu longamente no Rio e São Paulo. Trabalhou com Paschoal Carlos Magno no Rio, foi diretor da Companhia Dramática do MEC, Secretário do Teatro do Estudante, Secretário da Companhia Dulcina, da revista «Vida». Em São Paulo trabalhou no jornal "A noite". Seu livro "Os Bucheiros" traça um painel da vida amazonense de Manaus da década e 20 e 30, e tem como foco o seu pai açougueiro. Existe um vídeo sobre sua vida. O escritor vivia muito pobre, num asilo, em Manaus”. 

Deu um belo presente para a sua cidade com a música “Canção de Manaus”, com a seguinte letra:

Que viu você
Não pode mais esquecer
Quem vê você,
Logo começa a querer;
Manaus, Manaus, Manaus
Minha cidade querida.
Manaus, Manaus, Manaus,
És a cidade sorriso,
Esperança da nossa Amazônia.
Manaus, Manaus, Manaus,
Minha cidade querida.
Manaus, Manaus, Manaus.

Por ter frequentado assiduamente o Bar do Armando e amado muito a Banda da Bica, tornou-se um “biqueiro” de carteirinha, sendo homenageado por todos os colegas de boteco quando completou oitenta anos de idade, no dia 1º de Abril de 2001, que por coincidência é também o “Dia da Mentira” -, “Será que sou um mentiroso” – brincou Áureo Nonato, ao informar a data de seu nascimento.

O blog “Amor de Bica”, editado pelo Simão Pessoa, fez a seguinte homenagem ao nosso poeta: “Sem parar de escrever e cantar, que é seu hobby favorito, Áureo Nonato é crítico e costuma ironizar fatos políticos e a sociedade local em seus romances, crônicas e poesias. Ele completou o primário no grupo escolar Olavo Bilac e fez até o primeiro ano do ginásio no colégio Dom Bosco. O escritor se orgulha de sua formação acadêmica. “Aprendi rudimentos de francês e latim e sempre fui tido como uma criança inteligente”.Áureo garantiu que é o único amazonense até hoje a ganhar um prêmio da Academia Brasileira de Letras. Em 1982, ele conquistou o prêmio Osvaldo Orico com o livro Os Bucheiros, que é um memorial de infância.A obra foi aumentada e ilustrada para uma 3º edição, publicada pela Valer Editora. O livro, além das histórias dos amigos de Áureo, descreve com precisão a Manaus de 1921 a 1938. Além de Os Bucheiros, Áureo Nonato escreveu Pitombas e Biribás, livro formado por uma coletânea de crônicas e poemas publicados nos jornais da cidade, e Porto das Catraias, publicado pela Imprensa Oficial e que conta as lembranças da juventude do autor e sua viagem para o Rio de Janeiro como voluntário do Exército, em 1938, no navio Prudente de Morais”

O nosso poeta foi para o andar de cima, deixando uma obra inédita: “Batelão de Ilusões” ou “A Solidão Não Me Dói”, não chegou a optar pelo titulo definitivo, - “Este livro vai mexer com muita gente, conto coisas hilárias e ridículas que aconteceram ao meu redor”, assim confidenciou o autor ao Simão Pessoa, na comemoração dos seus oitenta anos.

Sempre em Junho, a Prefeitura de Manaus, por meio do Conselho de Políticas Culturais/ManausCult, promove a edição dos “Prêmios Literários Cidade de Manaus”, com o objetivo de distinguir obras inéditas de autores brasileiros, em Língua Portuguesa, com o  “Melhor Livro de Memória”, prêmio Áureo Nonato. Uma bela homenagem ao poeta e escritor.É isso ai.

Obs.: contribuição do meu amigo Aldemir Bispo:


Salve, Rocha.
Estou lhe enviando fotos que tirei de uma das cópias da partitura da "Canção de Manaus" (frente e costa) que me foi presenteada pelo saudoso Aureo Nonato, autor dessa notável homenagem feita com todo amor, para a nossa querida "Mãe dos Deuses". Como citei no comentário em seu blog a doação ocorreu em uma noite no Bar do Armando, que não sei mais precisar, se foi em 2000 ou 2001.
Grande postagem a sua.
Até breve e Saúde.







quarta-feira, 14 de março de 2012

A NOSSA ETERNA REDE DE DORMIR


A rede de dormir foi um invento dos indígenas da América do Sul - no Brasil, era conhecida por “Hamaka”, sendo a palavra “rede”, utilizada pela primeira vez, pelo Pero Vaz de Caminha, em carta ao reino de Portugal, onde descrevendo a povoação dos tupiniquins, seus hábitos e costumes, relata a maneira de dormir daqueles indígenas.

É um hábito muito comum nas regiões norte e nordeste, faz parte da nossa cultura - uma grande maioria das pessoas ainda utiliza a rede em substituição à cama de dormir, além de servir de descanso nas casas de veraneio.

Originalmente, era feita de cipó e lianas (trepadeiras que pendem das árvores). No Brasil colônia, era utilizada também para enterrar os mortos no meio rural, além de servir como meio de transporte, onde os escravos carregavam os colonos em passeios pela cidade.

As mulheres dos colonos portuguesas adaptaram as técnicas indígenas às suas varandas, passando a confeccionar as redes em algodão e enfeitando com franjas.

Existem muitos causos, tendo como personagem principal a rede de dormir, eis algumas:

Na minha adolescência, era comum entre a rapaziada de Manaus, o desejo de conhecer o Rio de Janeiro - quando alguém conseguia viajar pela primeira vez de avião, existia sempre aquela gozação: - Não adianta levar a rede, pois no avião não existe armador!

A nossa família era constituída pelo papai, mamãe, vovó, duas irmãs e três irmãos, com exceção dos meus pais, que utilizam a cama de casal, todos os outros usavam a rede de dormir, deixei de usá-la somente quando casei, após a separação, voltei para a minha querida rede de dormir!

Lembro, quando criança, os mais velhos falavam: – Além da mulher, a coisa melhor do mundo é a zoada da chuva no telhado de zinco, se embalar e coçar a frieira no punho da rede!

Tive um vizinho no Conjunto dos Jornalistas que, certo dia me revelou: – Ainda não deixei o hábito de usar a rede de dormir, mesmo após o casamento - ato a dita cuja bem cima da cama da mulher, desço somente para ir ao banheiro urinar ou dar uma “lamparinada” na velha, depois, subo para dormir!

Tenho um amigo morador da Vila de Paricatuba, município de Iranduba, possui um belo terreno no Lago de Paricá, inspirado pelos “Bumbódromos e Sambódromos” da vida, resolveu fazer um “Redódromo” – um barracão com duzentas redes enfileiradas, para servir de pousada para os turistas mochileiros - com a Ponte Manaus/Iranduba, a moda vai pegar!

O caboclo preguiçoso estava se embalando, quando uma grande cobra começa a deslizar pela rede, morrendo de medo, bota a boca no trombone: - Mãe, a senhora tem remédio para picada de cobra? A velha responde: - Tem não, meu filho, por quê? Ele responde naquela manha: - É que tem uma no punho da minha rede!- preferindo ser picado, ao sair da sua rede!

Um barco regional ao chegar ao seu destino, todos os passageiros saíram, ficou somente um dorminhoco, o comandante foi até ele e, começou a balançar a rede do caboclo: - Acorda, acorda, acorda! O cara meio sonolento deu um pulo e falou: - A corda é minha a rede eu não sei de quem é! O ladrão de rede se saiu muito bem!

Na Amazônia as estradas são os rios, para vencer qualquer lugar são utilizados os “Barcos Regionais”, dotados de alguns “Camarotes” para os mais abastados, sendo que a grande maioria utiliza-se das redes de dormir, ficam atadas (amaradas) pelos lados, por cima e por baixo, ficando sem espaços até para mexer as pernas!

Sempre gosto de ir ao Festival de Parintins, não tem coisa melhor do que ficar se embalando numa rede e, olhando o Rio Amazonas – por falar em festival, no ano passado passei o maior mico, o jornalista Jersey Nazareno presenciou a cena, ela publicou no Blog da Floresta:


No sufoco de cobrir matéria para o “BLOGDAFLORESTA”, hoje, no Porto da Manaus Moderna, escuto alguém dizer “vamos nessa”. Era “Caboco Rochinha” a caminho do barco que o levaria ao Festival de Parintins. Não titubeei e, segui o Rochinha até o motor-navio catamarã ”Rondônia”. Subimos juntos para o andar de cima, onde ele ataria sua rede. Meu espanto!  "Caboco Rochinha", que se criou rincando nas águas, ainda, não poluídas do Igarapé de Manaus, teve dificuldades para atar sua rede, porque não sabia dá o nó certo, como a grande maioria dos que nos barcos, singram os rios amazônicos e ao parque daqueles que vão ao Festival de Parintins. Ele teve que pedir ajuda de outro passageiro que atou a rede como mandava o figuro regional, enquanto ele observava. Olhou pra mim, sorriu, e deixou escapar: “agora eu sei que o nó não desata”. Saímos e fomos comer um bom jaraqui nas redondezas do mercado Adolpho Lisboa. Vale lembrar que o "caboco" que não sabe atar rede, sabe fazer outras coisas importantes, como por exemplo, colaborar com uma das maiores lojas de Manaus (Mirai Panasonic) e alguém que melhor entende de comércio exterior na Zona Franca de Manaus. (Jersey Nazareno)

Depois dessa, comecei a exercitar o nó no punho da rede, com certeza, não irei fazer feio na viagem de barco para o próximo festival de Parintins. É viva a rede! É isso ai!

terça-feira, 13 de março de 2012

POLÊMICAS: ONDE ESTÁ O MUSEU HOMEM DO NORTE?



As redes sociais estão ai, é uma realidade, ninguém pode fugir - esta conexão de pessoas proporciona uma grande comunicação, formando os laços sociais, muita coisa boa encontramos no dia-dia e, também muitos assuntos emprestáveis são veiculadas – quando encontro alguma coisa sobre a minha cidade Manaus, principalmente, sobre o nosso patrimônio cultural, fico ligado e, gosto de interagir.

O assunto para a nossa postagem de hoje, foi encontrado no Facebook, partiu de uma fotografia do Bob Medina, mostrando um casarão antigo, situado na Rua Quintino Bocaiúva, nº 626, onde aparecem duas placas, uma do Museu do Homem do Norte e, outra da Junta do Serviço Militar de Manaus (034 da CSM) – muitos internautas deram declarações bastante desencontradas.

Vamos lá:

Bob Medina: - Junta Militar ou Museu do Homem do Norte?
Tiago Araujo: - Área do antológico Bozo!
Acácia Neves: Bob, lembro de um bar ai! Como era o nome?
Bob Medina: - Era um espaço muito legal, mas, infelizmente não lembro o nome.
Magali Martucci: - Não é o local onde agora funciona o Sindicato dos Jornalistas?
José Rocha: - Este prédio foi transferido para a Prefeitura no governo do Serafim, o Sebastião Assante fez de tudo para dotar de toda a infraestrutura o “Museu do Homem do Norte”, chegando até ser aberto por algum tempo, porém, tudo o que foi feito, o Negão Amazonino mandou desfazer. Está fechado, assim como, o Museu que ficava na Avenida Joaquim Nabuco (antiga Sede dos Bombeiros), sem falar no prédio histórico do Parque Dez, a filha do prefeito deixou os vândalos destruírem tudo. Valeu Bob, estamos de olho!
Conceição Toscano: - Zé, a respeito da fotografia do prédio do Museu ou Junta, ali a mais ou menos 30 anos atrás, era a “Boate Piriquiton”. E o Museu do Homem do Norte, era na Avenida 7 de Setembro, na antiga sede do Corpo de Bombeiros. Só para lembrar!

Fui buscar ajuda dos especialistas para dirimirem as   dúvidas. Encontrei na internet um artigo de 05/04/2010, assinado pela Lúcia Gaspar, Bibliotecária da fundação Joaquim Nabuco:
“Quem sabe contar o enredo de um boi-bumbá, como se pesca pirarucu ou como se faz um tacacá, prato típico da região amazônica? Para dar essas e outras respostas ao visitante, o Museu do Homem do Norte, que reabre na sexta-feira (16/5), em Manaus, redimensionou seu acervo de modo a ampliar a visão do homem amazônico para além do índio e do caboclo, destacando sua forte identidade cultural. O museu fechou em fevereiro, com a mudança da administração federal para o município, para ser repensado e reformado. Antes adaptado em uma sala de uma antiga unidade do Corpo de Bombeiros, passa a ocupar um prédio histórico de três andares na Rua Quintino Bocaiúva, nº 626, no centro da capital do Amazonas. “Queremos que o museu exerça de maneira mais efetiva a função social cabível às instituições musicológicas, disponibilizando um espaço de educação, de lazer e de reflexão sobre a cultura do homem amazônico”, explicou Regina Vasconcelos, chefe do núcleo de museus da Prefeitura de Manaus e diretora do Museu do Homem do Norte. O acervo de mais de quatro mil peças foi herdado da Fundação Joaquim Nabuco, à qual o museu esteve vinculado desde a fundação, em 1985. As coleções do acervo, que ficarão em exposição permanente, são compostas por peças etnográficas e arqueológicas, implementos do extrativismo da borracha, da castanha, do minério, do folclore e da medicina popular. As peças permitem uma viagem histórica que passa pela cultura, religiosidade, diversidade e herança cultural até chegar à sua interação dinâmica com o meio ambiente. “Nesta nova montagem, o homem do Norte está sendo apresentado como um homem único, não sendo classificado como índio ou caboclo, mas sim como homem com uma forte identidade cultural”, disse Regina. Para reforçar a idéia de “encontro” presente na nova fase, o museu também abrigará um salão de exposições temporárias, que mostrará o que o homem do Norte desenvolve atualmente e discutirá como ele se insere no mundo moderno. Os responsáveis pela Revitalização também esperam que a implantação de um programa de ação educativa, com uso de uma biblioteca temática interligada à internet e visitação de alunos de escolas públicas, impulsione a retomada do local. “A biblioteca servirá de apoio à temática principal, além de fundamentar outras atividades, como palestras e filmes”, disse Regina. Segundo ela, além das escolas, o museu também investirá em parcerias com empresas e instituições locais para se aproximar do público amazonense e “desenvolver a educação patrimonial da população, reforçando positivamente a compreensão da importância do patrimônio histórico”.Outra estratégia para atrair o público ao Museu do Homem do Norte é o projeto Música no Museu, com a participação de músicos da Orquestra Sinfônica de Manaus.Mais informações sobre o museu podem ser obtidas na Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Manaus: (92) 3635-3301.Por Michelle Portela ( Fapeam) / Agência FAPESP”.


Conversei por telefone com a Diana Sá Peixoto Pinheiro, Gerente do Núcleo de Museus, da Prefeitura de Manaus - sobre o Museu do Homem do Norte, ela falou o seguinte:

“O projeto de implantação do Museu foi errado desde o inicio, sendo um dos motivos para não dar certo. A Fundação Joaquim Nabuco, detentora do acervo com mais duas mil peças, fez um contrato de Comodato (um empréstimo gratuito de coisa não fungível, a qual deve ser restituída no tempo convencionado) com a Prefeitura de Manaus, no término do contrato, a primeira parte não quis fazer a devida renovação, o que tornou impossível manter o Museu aberto ao público. Foi feito um trabalho de catalogação de todo o material, envolvendo os técnicos da Prefeitura de Manaus, da Fundação Joaquim Nabuco e da Secretaria de Cultura do Amazonas – todo o acervo foi encaminhado para o Centro Cultural dos Povos da Amazônia, onde se encontra a disposição do público. O prédio onde funcionava o Museu é alugado e, funciona a junta de alistamento militar. O antigo prédio da Avenida Joaquim Nabuco vai ser reformado e implantado um novo museu, assim como, no Paço da Liberdade será implantado o Museu da Cidade. Maiores informações, ligar para o telefone 92 3646-1493”.

Bem, acho que muita coisa foi esclarecida, peço desculpas ao pessoal da Prefeitura de Manaus, pois não sabia o que de fato tinha ocorrido. Mas, o importante é a cidade cuidar com muito carinho dos nossos museus, não pode, de forma alguma, deixá-los fechados. É isso ai.

segunda-feira, 12 de março de 2012

POLÊMICAS: FORMATO DAS PRAÇAS DE SÃO SEBASTIÃO (MANAUS), DE COPACABANA (RIO) E ROSSIO (LISBOA). QUEM FOI O PRIMEIRO?


O Dr. Rogélio Casado publicou na sua página do Facebook http://www.facebook.com/rogeliocasado:

A urbanização de Manaus aconteceu bem antes da que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro. Ocorre que as cidades europeias são mais antigas. Por isso, faz sentido que os portugueses, com sua tradição histórica de navegantes, aliada à sua alma poética, tenham sido os autores desse traçado tão simbólico. Ocorre que os amazonenses, nostálgicos de uma "belle époque" (é de se perguntar para quem?), tornaram-se arautos do superlativismo. Aqui tudo é grande, melhor de todos, o primeiro do mundo e coisas do gênero. Os mais críticos atribuem essa cultura a uma espécie de "leseira" endêmica na região, reagudizada pela criação da zona franca. Um doce de cupuaçu japones pra quem descobrir imagens da praça portuguesa com traçado semelhante ao calçadão de Copacabana e o calçamento da praça São Sebastião. Tem uma Praça em Portugal com o mesmo desenho. Teriam os portugueses copiados os amazonenses? Ou teríamos nós amazonenses copiados os portugueses? Certo mesmo é que a urbanização do Rio de Janeiro só foi possível graças aos impostos gerados pela economia da borracha. Ah, isso foi.

A esse respeito, fiz uma postagem no blog:


Dizem alguns amazonenses que, os cariocas imitaram o calçadão da Praça de São Sebastião, em Manaus, ao construírem o calçadão da Praia de Copabacana, no Rio de Janeiro.

Alguns chegam até a afirmar que o desenho ondulado em preto e branco, foi um trabalho artístico, mostrando as ondas do Rio Negro e Rio Solimões, fazendo uma alusão ao Encontro das Águas.





A foto ao lado, mostra a Praça Rossio, em Lisboa, com mesmo formato em ondas e cores alternadas, representando o Encontro das Águas do Rio Tejo com o Oceano Atlântico.











A outra foto mostra a orla de Copacabana, em 1910, sem o famoso calçadão. Sabe-se que  foi feito somente na década de 60, fruto do  trabalho do paisagístico Roberto Burle Marx.

O leitor Marcos, fez a seguinte observação:


"Só uma correção. O calçadão de Copacabana com as formas atuais de fato é da década de 60, que por obra de Burle Max aproveitou o desenho sinuoso já existente desde a década de 20. O que ele fez foi um projeto para toda a avenida atlântica e no calçadão propriamente dito aumentou as curvas e as deixou paralelas ao mar, como se fosse uma continuação das ondas quebrando à beira praia. O projeto original, de fato, é igual ao do Teatro em Manaus, com as ondas perpendiculares à rua".

A foto da nossa Praça de São Sebastião é do início do século passado, portanto, não fomos pioneiros, a origem é portuguesa, pois a Praça do Rossio foi feita em meados do século XIX, agora, se os cariocas se inspiraram em Lisboa ou em Manaus, não sei afirmar


Quem tiver mais informações a respeito, mande um e-mail para o blog.

sábado, 10 de março de 2012

NOS TRILHOS DOS BONDES DE MANAUS


Os coroas da minha geração, quando querem chamar alguém de velho, gostam de dizer o seguinte: - Tu já morcegou bonde, de montão e, ainda quer dá uma de garotão! Para quem não sabe, a gíria morcegar é utilizada para designar um sujeito que entra e sai de um bonde em movimento, sem pagar a tarifa e, bonde, foi um sistema de transporte que existia na cidade de Manaus, que foi desativado em 1957, deixando apenas os trilhos a mostra e muitas saudades.


O BLOGDOROCHA é saudosista e de resgate da nossa urbe antiga, pois Manaus no inicio do século passado, era uma das cidades mais bonitas do Brasil, infelizmente, o centro histórico foi sendo destruído ao longo de um século, tudo em nome do “progresso” – o bonde foi um deles, deixaram somente os trilhos, jogaram asfalto sobre eles, tentando apagar parte da nossa história.

Ainda bem que alguns desses trilhos estão devidamente recuperados e expostos no Largo de São Sebastião, além de uma réplica do “Bonde Saudade”, infelizmente, ele foi transferido para o Teatro Chaminé, na Manaus Moderna – ele fazia o maior sucesso entre os jovens e turistas -, todos gostavam de tirar fotografias, sentar nos seus bancos e apreciar toda aquela movimentação do entorno do Teatro Amazonas.

A capital do Estado do Amazonas foi a segunda cidade brasileira a ter luz elétrica, sendo possível no finalzinho do século dezenove, implantar este tipo de veiculo elétrico de transporte urbano, na administração do visionário governador Eduardo Ribeiro – naquele tempo, dinheiro não era problema, os cofres públicos estavam abarrotados de recursos, advindo dos impostos da comercialização do látex (água nascente) da árvore-da-borracha.

A empresa que administrava os bondes e o fornecimento de luz elétrica era a inglesa “The Manaos Tramways And Light Co. Ltd.” - esta corporação emitiu milhares de debentures (valores mobiliários) para a manutenção do seu capital social e dos investimentos, esses documentos até hoje são vendidos na internet para colecionadores.

Existe um projeto do governo do Estado, através da Secretaria de Cultura, para os bondes voltarem a circular em Manaus – inicialmente, será apenas uma pequena linha turística que fará o trajeto do Porto de Manaus (Rodoway) até o Teatro Amazonas.

Isto somente acontecerá após a revitalização de toda a extensão da Avenida Eduardo Ribeiro – boto fé na pessoa do secretário Robério Braga, o homem é competente e ama de paixão a sua cidade, com certeza, o projeto será implantado até a Copa de 2014.

“Um bonde parado, não tem graça, mas o motorneiro (motora) é São Sebastião!” – assim se expressou o meu amigo Lúcio Bahia na sua linda canção “Tacacá na Cuia” – realmente, um bonde parado não tem a menor graça - estou na torcida, espero que sejam desenterrados depois de 54 anos e que, os bondes voltem a circular nos seus trilhos, matando a saudade daqueles tempos bons de outrora. É isso ai.

sexta-feira, 9 de março de 2012

SOS ENCONTRO DAS ÁGUAS - CONVITE



 Reunião Ampliada – SOS Encontro das Águas

O Movimento Socioambiental “S.O.S Encontro das Águas” por meio da
Coordenação dos Moradores da Colônia Antonio Aleixo tem o prazer de
convidar os defensores do Encontro das Águas e de todos os recursos
hídricos do Amazonas para participar de reunião ampliada para tratar
da organização conjunta de um Manifesto e Ato Público alusivo ao dia mundial das Águas, cuja data
proposta é 17/03/2012, às 8:00 h no Mirante Encontro das Águas (antiga Embratel).

DATA da REUNIÂO AMPLIADA: 10/03 – Sábado
HORA: 15hs 
LOCAL: no Clube de Mães Ruth Moura, na Praça Central do Bairro
Colônia Antônio Aleixo(em frente a Delegacia 17 DIP). Ir pela Av.
André Araujó, ultrapassar as Rotatórias do Coroado, São José,
Reserva Sauim Castanheira, Colônia Antônio Aleixo e no Bairro pegar
todas às esquerdas até a Praça Central.


PAUTA: Organização de  Ato Público alusivo ao Dia Mundial da Água com Manifesto
assinado pelas entidades do movimento socioambiental exigindo a
proteção do Encontro das Águas e dos demais recursos hídricos em
risco no Amazonas.
Proposta preliminar para o Ato Público: 17 de março (sábado) no Mirante do
Encontro das Águas (antiga Embratel,com saída marcada às 8:00 h em
frente ao IFAM-Zona Leste).

  Divulgue e traga suas sugestões – não deixe a comunidade da Colônia Antônio
Aleixo lutar sozinhos pelo Encontro das Águas

   
Atenciosamente, 
 
 Movimento SOS Encontro das Águas
p/ Israel Dourado 
Biólogo, Ambientalista da Colônia Antônio Aleixo 
        (092) 9973-3878 / 9271-4676 / 8211-4579 
            twitter: @israel_dourado

quinta-feira, 8 de março de 2012

BLOGDOROCHA: A INFLUÊNCIA DA LUA CHEIA

BLOGDOROCHA: A INFLUÊNCIA DA LUA CHEIA: Uma das fases mais exuberantes do nosso satélite natural é a Lua Cheia, quando a sua face aparece totalmente visível – inspirando e influenc...

terça-feira, 6 de março de 2012

FLÁVIO DE SOUZA, UM GRANDE DESPORTISTA E MÚSICO DO AMAZONAS.



Nasceu em Cruzeiro do Sul, no Estado do Acre, veio com a família, ainda muito pequeno para Manaus, sendo o mais velho de nove irmãos, foi desportista por longos anos, técnico da Rodoviária, São Raimundo, Nacional e Olímpico Clube - foi também comentarista esportivo na Rádio Baré, membro da Associação de Cronistas Esportivos (ACLEA), compositor e exímio violonista.

Quando tinha apenas dezesseis anos de idade, foi com o seu pai assistir a uma partida de futebol no Parque Amazonense (antigo estádio de Manaus), durante o jogo, o seu genitor sentiu uma forte dor no peito, deixou o filho assistindo ao término da peleja e, voltou para a sua casa – quando o Flávio retornou para a sua residência na Rua Luiz Antony, encontrou o seu pai morto.

Por ser o mais velho da família, ficou com a responsabilidade de trabalhar e sustentar a casa – passou por um sufoco muito grande, afinal, eram dez bocas para alimentar (ele, oito irmãos e sua mãe) – ralou muito, foi ajudante de caminhão, trabalhou também para o Senhor Euclides de Souza Lima, na Loja Souza Arnaud, conseguindo, tempo depois, um emprego público, no Serviço de Obras do Estado, oferecendo uma vida melhor para a sua família.

Foi treinador de várias equipes, mas, foi no Nacional e no Olímpico onde fez história – por ser compositor, escreveu o hino para os dois times, sendo o do Nacional uns dos mais bonitos do Brasil – foi escrito em 1965 - iniciava assim:

Nacional, Nacional, Nacional/Teu glorioso pavilhão nos encoraja para a luta e união/Mais querido e sempre amado, pela tua tradição de campeão/Sempre consagrado no gramado, oh clube amado, Nacional do meu coração/Vamos à luta, lutar para vencer/Se for preciso, lutar até morrer...”.

A fotografia ao lado é do dia da posse da diretoria da ACLEA, aparecendo da esquerda para a direita:Leonardo Parente (A Gazeta),Petrarca Vieira (Jornal do Commercio),Guataçara Mitoso (A Tarde),Irisaldo Godot (O Jornal e Diário da Tarde),Gebes Medeiros (Rádio Difusora),Flávio de Souza (Rádio Baré),Edson Paiva (Rádio Rio Mar),Flaviano Limongi (A Crítica) e Wuppslander Lima (o primeiro locutor esportivo do Amazonas).

Por ser um grande violonista, fez amizade com o meu saudoso pai Rochinha (Luthier = fabricante de instrumentos de corda), o conheceu quando ele ainda era empregado no Bandolim Manauense (empresa do Senhor Nascimento), situado na Rua dos Barés, os dois foram grandes amigos por longas datas.

Foi o primeiro musico a acompanhar a cantora Kátia Maria, na Maloca dos Barés e na época de ouro do rádio amazonense (Baré, Difusora e Rio Mar), inclusive, foi um dos mais festejados no show de 50 anos de carreira da Kátia, realizado ano passado no Teatro Amazonas. Ele era muito requisitado pelos cantores que vinham de fora, principalmente de uma portuguesa que se apresentava na sede do Luso Club.

Três dos seus irmãos já faleceram – tive o privilegio de conhecer o Flávio faz alguns anos, além de dois irmãos, o Pavão, um representante de remédios e, o Mark Clarke, treinador de voleibol e musico.

O Flávio está aposentado e, apesar de já ter certa idade, encontra-se muito disposto e bem de saúde, inclusive, gosta de ir aos domingos ao Bar Caldeira, para bebericar uma cerveja, conversar com os amigos e, tocar o seu querido violão, acompanhando as cantoras Kátia Maria, Nazaré Lacute (esta gosta cantar algumas das composições do Flávio), Celestina e Graça Silva. É isso ai.

Fonte: www.bauvelho.com.br

Foto em preto e branco: o Flávio é o quarto da direita para a esquerda, aparece ao lado dos amigos da ACLEA (Baú Velho);
Foto colorida: No Bar Caldeira, conversando com o Dr. Paulo e o Gilson (J Martins Rocha)
   

segunda-feira, 5 de março de 2012

BILHETE DE PASSAGEM DOS BONDES DE MANAUS



A fotografia acima é de um bilhete de passagem de bonde de Manaus, no valor de 200 Réis, série 2B nº 3742, pertencente a empresa “The Manaos Tramways And Light Co. Ltd”, o documento foi emitido pela “Auto-Ticket Printing Co. Ltd., Liverpool”.
Segundo os historiadores, a cidade de Manaus foi a segunda do Brasil a ter luz elétrica, permitindo a instalação de bonde elétrico em 1895, na administração do governador Eduardo Ribeiro.
Os bondes deixaram de circular em 1957, portanto, faz 54 anos da sua paralisação. Eis que, em 2012 comenta-se sobre o retorno desse sistema de transporte, voltando somente para turismo, com um pequeno trajeto entre o Teatro Amazonas e o Rodoway (Porto de Manaus).
O bilhete acima é uma raridade, poucos colecionadores possuem um exemplar – vamos aguardar a volta dos bondes e, a emissão dos novos bilhetes para fazer uma comparação com o antigo. É isso ai.

sábado, 3 de março de 2012

DO OUTRO LADO DO RIO





Algumas fotografias tiradas por mim, no Rio Negro e Praia de Paricatuba, no  município de Iranduba.

quinta-feira, 1 de março de 2012

CÃES DE RUA


Ao ler uma postagem sobre cães de rua, no “Facebook”, na página do meu amigo Bob Medina, lembrei-me de alguns cães que foram adotados por mim e por alguns amigos.
O Bob Medina encontrou um cachorro próximo a sua residência, ele foi batizado pelos noiados (usuários de drogas) por “Noia”, quando o viu pela primeira vez, notou que ele era bastante agressivo, mesmo assim, o Bob ofereceu ração do seu gato que havia desaparecido. Continuou a alimentá-lo nos dias seguintes, tornaram-se bons amigos, o Bob perdeu um bichano, mas, ganhou um cachorro de rua.


O casal Jersey Nazareno (Naza) e Eridan (Baiana) adotou um cachorro que gostava de frequentar o Bar do Armando, ele era chegado a um queijo bola e sanduíche de leitão, foi batizado de “Fome Zero”, levaram para sua residência, mas, ele apenas se alimentava e fugia para a rua, depois de alguns anos de uma bela convivência, o “Fome” desapareceu para sempre – a Baiana passou meses e meses procurando o seu cachorro e, nada. Numa bela noite, no mesmo Bar do Armando, o casal encontrou uma cadela abandonada, foi amor à primeira vista, foi levada para casa e chama-se “Daha”, um nome sugerido por mim, pois era o mesmo da minha cadela.


O casal Américo e Kasmin Carnevali adotou um cão que costuma vagar pelo Largo de São Sebastião, foi batizado como "Alain Delon"; ele é bem alimentado pelo casal, a pelagem ficou bonita, mas, não gosta de ficar em casa, passa o dia todo na rua, retornando somente para dormir e se alimentar, sempre acompanha o casal quando vão até o Bar do Armando, ele também é chegado ao sanduíche de pernil. Faz cinco dias que ele sumiu, dizem que ele foi roubado por um cara loiro que parou a sua High Lux vermelha, levando o Alain para um lugar incerto e não sabido. Quem tiver notícias desse animal, favor entrar em contato com a Kasmin (tel 92 3622-6642).
O último animal que eu criei foi uma cadela, fora abandonada aos três meses de idade, foi encontrada num final de ano, andando pela Rua Tapajós, um amigo perguntou se eu queria ficar com ela, foi amor à primeira vista, leve-a para os meus filhos, eles adoraram, passou a chamar-se Daha, era de raça, parecia um cão D´Água Português – ficou dez anos com a gente, deu três barrigadas (foi mãe do Champanhe, doado ao casal Toscano e Conceição) e, resolvemos fazer uma cirurgia para não ter mais filhotes, morreu com a idade avançada, está enterrada ao lado do Conjunto dos Jornalistas.
O site do jornal A Critica/Uol/Manaus publicou uma matéria intitulada “Os Cachorros do Largo”, pois foram resgatados das ruas próximas ao Teatro Amazonas  - receberam tratamento vetenerário durante um mês e, foram expostos para adoção na primeira “Festa de Adoção” na Feira de Artesanato da Avenida Eduardo Ribeiro.
Segundo a Valéria Weigel,  presidente do Grupo de Proteção aos Animais (GPA) e professora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), existem mais de 40 mil cães e gatos abandonados apenas em Manaus.
Parabéns a Valéria e aos membros do GPA, Rocha, Américo, Kasmim, Naza, Baiana, Bob e a todos aqueles que adotaram um cão de rua. É isso ai.


Fotos: Noia na Casa do Bob, Fome Zero no Bar do Armando, Alain Delon contemplando o Largo ou esperando uma moto ou cheira cola para correr atrás,Daha com o meu filho Alexandre e Cachorros do Largo com os membros do GPA.