segunda-feira, 10 de outubro de 2016

SOU DA URBE



Nasci, cresci, plantei sementinhas (filhos), estou envelhecendo e, quando o nosso Criador do Universo determinar, morrerei e serei cremado na minha cidade Manaus, pois fui, sou e sempre serei da urbe.

Sou um sexagenário, porém, ainda lembro com detalhes desde quando tinha os meus cinco ou sete anos de idade (tipo memória fotográfica) – tudo ficou gravado no disco rígido da minha mente: a moradia e todo o seu entorno, a minha família, os colegas e amigos, a topografia e tudo o que aconteceu em minha cidade nesse tempo todo.

Apesar de ser urbano, tenho o maior respeito e consideração pelas pessoas que vivem no meio rural (campo) e daqueles que praticam o ruralismo (atividades rurais em relação às urbanas), porém, tenho ojeriza aos grandes ruralistas “do mau” (aqueles grandes proprietários rurais que praticam atividades econômicas e políticas visando benefícios próprios, nocivas ao meio ambiente e ao povo que ali habita).

Vivo na cidade, respeito e luto pela sua urbanização, com trabalhos públicos sérios e responsáveis, na área de infraestrutura, com água de qualidade para todos os moradores (o majestoso Rio Negro passa no nosso quintal); a correta drenagem de águas pluviais e servidas, evitando doenças para as nossas criancinhas (esgotos a céu aberto) e eletricidade para todos, com uma tarifa justa e social para aqueles que merecem.

Por ser da urbe, luto e clamo por serviços urbanos de qualidade, não mais valorizando o transporte particular (carro próprio), mas, o transporte público dos bons (ônibus confortáveis e pontuais) com tarifa justa, além do respeito e consideração pelo uso das “magrelas” (corredores exclusivos para os usuários das “bikes”).

Sou da urbe, usei e uso os serviços públicos (na maioria das vezes precários) - não penso mais em beneficio próprio, mas, nas das crianças e dos jovens, para terem uma educação pública de qualidade (com tempo integral), além de usufruírem de uma cidade calma, tranquila, arborizada e gostosa de viver.

Por ser da cidade de Manaus, tornei-me um blogueiro regional (editor do BLOGDOROCHA), tentando escrever certo por linhas tortas, utilizando como pano de fundo a minha querida e amada cidade natal – na realidade, o blog (site em forma de diário online) não é meu, pertence, estruturalmente, a uma empresa dos USA e, afetivamente, aos meus conterrâneos manauaras – posto fotos antigas (cidade sorriso) e atuais (cidade séria, porém, gostosa), além de saudosismos e vivências contemporâneas.

Tive o privilégio de viver numa urbe pequena, onde quase todo o mundo se conhecia – curti os banhos nas águas límpidas e cristalinas dos nossos igarapés, os cinemas, as festas dançantes (com muito Leite de Tigre e acocho nas caboquinhas), o mingau e as compras domingueiras no “Mercadão” (Mercado Adolpho Lisboa), as missas e procissões da Igreja Matriz (Nossa Senhora da Conceição) e de São Sebastião; os jogos de futebol no Parque Amazonense e Vivaldo Lima; os carnavais de rua e os desfiles militares na Avenida Eduardo Ribeiro; o partir e o chegar do Rodo (Roadway) e do Aeroporto de Ponta Pelada e, muito mais!

Nem tudo foram flores - vivenciei a destruição de grande parte do nosso patrimônio histórico; do crescimento desordenado da urbe, das invasões de terras, do desmatamento brutal e impiedoso das nossas florestas e da poluição sonora, visual e dos igarapés -, além do crescimento econômico, em decorrência da implantação da Zona Franca de Manaus, trazendo a reboque todas as mazelas sociais, inchando e desordenando a cidade, com a vinda dos caboclos do interior do estado do Amazonas e brasileiros de outras plagas, alterando o nosso modo de ser e de pensar.

Felizmente, muitos anos depois - tive a alegria de presenciar a revitalização de parte do nosso centro histórico e da valorização da nossa cultura, com os jovens sentindo orgulho de serem chamados de caboclos, valorizando a nossa culinária, a música regional e, acima de tudo, de falar o “amazonês” para inglês ver – como escreveu o poeta Aldizio “Porto de Lenha tu nunca serás Liverpool, com a cara pintada e os olhos azuis”.      
Mudando de pau para cavaco: acho o máximo ser vereador - um cidadão escolhido pelo pessoal da urbe, para representá-lo no parlamento, elaborar as leis beneficiárias a população e fiscalizar os atos do prefeito (administrador da urbe) – muitos utilizam esse cargo para amealhar e galgar outros cargos públicos (infelizmente) – quem sabe um dia, possa ter esse gostinho em ajudar (dever de todo cidadão responsável) aos meus conterrâneos da minha cidade.  
Quando eu for “para o andar de cima” e partir dessa vida para melhor (?), espero que os meus familiares cremem meu corpo e jogue de avião “teco-teco” parte das minhas cinzas pela minha amada cidade Manaus (da praia da Ponta Negra, passando pela margem esquerda do Rio Negro, Centro Histórico até o Encontro das Águas), pois fui, sou e sempre serei da urbe, sim, senhor!

E isso ai.

Esta postagem foi feita em homenagem aos moradores da nossa urbe:
Alexandre Soares, Adriana Soares, Amanda Soares, Eduarda Costa, Alexandre Victor, José Rocha Filho, Henrique Martins, Graciete Martins, Kelva Fernandes, Marco Gomes, Jersey Nazareno, José Sarto, Rogério Dias, Marcelo Dantas, Faby, Natinho Point do Tacacá, Carbajal Gomes, Socorro Papoula, Graça Silva, Celestina Maria, Katia Maria, Jumara Paulista, Heloisa Mineira, Manoel Cruz, Ana Claudia Soeiro, Rui Machado, Carla Canori, Papaco, Afonso Toscano, Ulisses Marques, Denis, Simão Pessoa, Jomar Fernandes, Rogelio Casado (in memoria), Chicão Cruz, Assante, Norte, Ademir Ramos, Eduardo Braga Reis, Gisele Amora, Celestino Lê, Keyce Jhones, Caril, Bringel, Buriti, Alberto Silva, Arlete Meirelles, Lucio Bezerra, Davi Almeida, Ribamar Mitoso, José Pinheiro, Julinho Mendonça, Marco Aurélio, Marjorie, Mauro Magalhaes, Orlando Magalhaes, Roberto Pacheco, Zé Luiz, Tiko Ramos, Edvaldo Pagodinho, Nubia Maria e, amigos do Igarapé de Manaus, Vila Paraíso, Rua Tapajós, Cidade Nova, Conjunto dos Jornalistas e Tocantins, do Facebook e dos leitores e seguidores do Blogdorocha e G+, além de famílias de judeus, portugueses, japoneses, italianos, alemães, árabes, caboclos, cariocas, paraenses, cearenses, paulistas, gaúchos e mineiros (que fazem parte da nossa Manaus); frequentadores do Bar do Armando, da BICA, do Bar Caldeira, Bar Cipriano, Bar Jangadeiro e ET-Bar, além dos inimigos e adversários (imaginários!) -, ou seja, de toda urbe (moradores da cidade de Manaus).

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