quarta-feira, 19 de outubro de 2016

AEROPORTO DE PONTA PELADA DE MANAUS


Primeiro aeródromo de Manaus, construído e inaugurado em plena Segunda Guerra Mundial, em 1944, com apoio logístico e financeiro do governo dos Estados Unidos da América, com o objetivo de facilitar o pouso de aeronaves possantes, de passageiros e militares – com o fim da guerra, passou a operar voos civis e militares e, na década de setenta, tornando-se um aeroporto militar brasileiro.

Em 1941, o governo Vargas conseguiu dos USA (Acordos de Washington)um grande aporte financeiro para a construção da Usina de Volta Redonda (RJ), uma obra importantíssima para a industrialização do nosso país, em contrapartida, comprometeu-se em fornecer minério de ferro e borracha para os países Aliados.

Nesses acordos, o governo brasileiro autorizou a livre entrada de militares americanos, em Manaus, para implementarem a “Batalha da Borracha”, com a produção do látex para ajudar nos esforços de guerra – para a fabricação, no exterior, de pneus dos aviões e automóveis dos USA, França e Inglaterra, pois os países produtores asiáticos estavam bloqueados pelos inimigos japoneses.

O transporte aéreo de borracha (Manaus-Miami) era realizado por hidroaviões Catalinas, na Ilha de Monte Cristo (atual Avenida Lourenço Braga, conhecida como “Manaus Moderna”) pela empresa norte-americana RDC.

Nos porões dos navios ianques, vieram máquinas pesadas (tratores, retroescavadeiras, etc.) para serviços rodoviários, sendo utilizados, inicialmente, na construção de uma pista de pouso, para a aterrissagem e decolagem de aviões de porte dos norte-americanos, trazendo passageiros e militares.


O local escolhido foi uma imensa área descampada, que ficava num elevado, no bairro do Crespo, atual Avenida General Rodrigo Otávio, 35,  conhecida como “Ponta Pelada” (PLL), propício para a construção da pista de pouso – a área foi doada pelo poder executivo estadual ao Ministério da Aeronáutica – o local já era considerado de utilidade pública pela Lei Estadual no. 1.020, de 7 de maio de 1943.


Foi construído em tempo recorde, evidenciando a eficiência americana - contando com uma pista de pouso e uma casa de madeira com telhado de argila (era modesta, porém, confortável) para apoio operacional e abrigar os passageiros, conforme fotografia antiga – entrou em operação em 1944.

Com o término da Segunda Guerra, ocorrido em 1945, o Aeroporto de Ponta Pelada passou a ser operado pelo governo brasileiro, depois, pela empresa pública INFRAERO (em 1973) e, pelos militares,a partir de 1976, em decorrência da inauguração do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes.


Em 20 de janeiro de 1954, com a presença do Presidente da Republica Getúlio Vargas, ocorreu a inauguração do novo terminal de passageiros e da revitalização da pista de pouso (2.318 metros de comprimento e de 45 m de largura), fruto da participação da iniciativa privada (em particular, dos industriais Dr. Alberto Ferreira do Vale e Isaac B. Sabbá) – segundo os historiadores, a obra ficou a cargo do engenheiro Trajano Mendes, custando a soma de trinta milhões de cruzeiros.


Acidentes ocorridos no aeroporto:

24 de Maio de 1952: acidente com o Loide Aéreo Nacional “Curtiss C-46D-15-CU” registrado PP-LDE, houve um problema no motor, ao retornar para o aeroporto,caiu no Rio Negro, morrendo seis ocupantes;
7 de Dezembro de 1960:  avião da Real Curtiss C-46A-60-CK, registrado PP-AKF, servia como Transporte Aéreo Nacional, voo 570 de Cuiabá para Aeroporto Ponta Pelada, bateu no Montanha Cachimbo, morrendo 15 passageiros;
14 de Dezembro de 1962: avião da Panair do Brasil “Lockheed L-049 Constellation”, registrado PP-PDE, vinha do Aeroporto Val de Cans (Belém, Pará), caiu na selva quando faltavam 45 km para chegar a Manaus (Paraná da Eva), todos os 50 passageiros morreram;
12 de Novembro de 1969: avião da Cruzeiro do Sul “NAMC YS-11/11A”, saiu do Aeroporto Ponta Pelada com destino a Belém (Val de Cans), foi sequestrado por um terrorista e levado à Cuba, não houve vitimas;
25 de Abril de 1970: avião da VASP “Boeing 737-2A1, em rota de Brasília para Manaus, foi sequestrado por um terrorista e levado à Cuba, o sequestrador morreu;
14 de Maio de 1970: o mesmo avião e a mesma ocorrência acima.


Tipos de aviões e empresas que operaram no aeroporto:

Cruzeiro do Sul, Lóide Aéreo Nacional, Panair do Brasil, Real Transportes Aéreos, Transbrasil, Varig e VASP.

O Aeroporto de Ponta Pelada possuía um fascínio todo especial por parte dos manauaras, aonde famílias inteiras iam se despedir de algum parente que partia ou esperar, ansiosamente, pela chegada de alguém – era também um local obrigatório de passeios nos finais de semana.

Existia um pátio com parapeito no mezanino, onde as pessoas gostavam de ver aquele espetáculo indescritível, principalmente para as crianças - com aviões de todos os tamanhos decolando e aterrissando; movimento de carrinhos levando bagagens; funcionários orientando pilotos no estacionamento; carros tanques abastecendo os aviões e a movimentação das escadas móveis para acoplamento nas portas das aeronaves, além do adeus por parte daqueles que partiam.

Fazia muito sucesso o Restaurante Palheta, ficava na parte superior, onde as pessoas faziam lanches e almoçavam – no saguão do Aeroporto existiam cafés, loja de artesanatos regional e uma banca de revista, onde eram disputados os postais de Manaus.

As passagens aéreas eram caríssimas, fora da realidade, não permitindo a maioria dos manauaras viajarem, principalmente, para a cidade mais desejada, o Rio de Janeiro – a Aeronáutica, através dos aviões Búfalos, levava militares e familiares em trânsito e, liberava a viagem para civis que precisavam de tratamento de saúde em outras cidades do Sul e do Sudeste do país. 

Com a implantação da Zona Franca de Manaus, ocorrida em 1967 (em pleno regime militar), o Aeroporto de Ponta Pelada foi ficando saturado, não suportando o fluxo cada maior de cargas e passageiros – obrigando o governo federal a construir um novo aeroporto, o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, transferindo para lá toda a operação em 1976.


Atualmente, o Aeroporto de Ponta Pelada é administrado pela Força Aérea Brasileira (Base Aérea de Manaus BAMN), servindo, exclusivamente, para pousos e decolagens de aviões militares e da Polícia Federal, além de apoio estratégico, caso ocorra um mau tempo (nevoeiros) ou problemas estruturais que impeçam a aterrissagem de aviões no atual aeroporto internacional.

É isso ai.

Fotos: 


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