segunda-feira, 13 de junho de 2016

AS VOZES DA ESCADARIA DOS REMÉDIOS


As vozes eram um serviço de comunicação, entre os que ficavam em terra e, os tripulantes e passageiros dos barcos regionais ancorados na orla do Rio Negro, em Manaus, conhecida antigamente por “Escadaria dos Remédios” (extinta com uma barragem e construção da Feira da Manaus Moderna), em frente à Praça e Igreja dos Remédios, sendo a mais famosa, a “Voz Praiana”, do Kimura.

As vozes constituem-se de pequenos alto-falantes - instalados em postes, sendo muito utilizadas nas beiras de rios e na periferia de Manaus e no interior da Amazônia, prestando um grande serviço de utilidade pública, suprindo as deficiências na área de comunicação.

Com o advento da comunicação em massa, com a internet e a popularização dos celulares Smartfones e das redes sociais, esse serviço ficou relegado a segundo plano nos dias atuais.

As vozes faziam avisos sobre embarcações – chegadas, saídas, destinos – e as mais diversas informações: os anúncios de festas, aniversários, casamentos, em Manaus e no interior, bem como, de publicidade e serviços: ervas miraculosas, garrafadas, remédios, mandingas, barracas de comidas, vendas de passagens, etc.

Passavam mensagens de amor, parabéns, boas-vindas aos que chegavam e boa-viagem para os que partiam, além de muitas músicas de compositores locais (principalmente o gênero brega), nacionais e internacionais e outras informações.

A mais famosa da “Escadeira dos Remédios” Manaus era “A Voz Praiana”, do Raimundo Maia Ismael, o “Dom Kimura”, conhecido, também, como “Boca de Ferro”.

Ele nasceu na cidade de Eurinepé, interior do Amazonas, veio ainda criança para Manaus, em companhia de seu pai, sempre andando pelos arredores do Mercadão, onde trabalhou como estivador.

Na década de setenta, participou de “tele-rings” (TV Ajuricaba, apresentado pelo Arnaldo Santos), onde se revelou um grande lutador, com o nome de Dom Kimura, tendo lutado com o argentino Ted Boy Marino (astro do tele-cath da Rede Record).

O Kimura largou as lutas e, aos 34 anos de idade, dedicou-se exclusivamente a radio, montando a sua Voz Praiana, com os estúdios no Mercado Adolpho Lisboa - onde ficou até a sua morte, em 2013, aos oitenta anos – deixando a continuidade do negócio para a sua filha, a Maria Souza Ismael, de 40 anos.

Atualmente, apesar de toda a tecnologia de informação existente, ainda existem “As Vozes” da antiga “Escadarias dos Remédios”. É isso ai.



Fontes:
Livro Manaus 1965 – Da Floresta e das Águas./Roberta Camila Salgado. – Manaus: Governo do Estado do Amazonas – Secretaria de Estado da Cultura, 2009.

Jornal A Critica/UOL
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