segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O TERÇO DO PORTO DAS PEDRAS


Na minha juventude, em 1977, passei uma temporada no Rio de Janeiro, morava na Rua Carlos de Carvalho, no centro, próximo ao Hospital do Câncer e do Hospital da Cruz Vermelha, morava com uma família de amazonenses, comandada pelo casal Senhor Carvalho e Dona Nazaré – estava em tratamento de saúde, tentando resolver um problema no meu ouvido esquerdo, uma otite média com o tímpano perfurado, que me acompanhou desde criança – foi ai que começou a história do terço da fotografia.

Venho de uma família que professa o catolicismo, com a minha avô paterna, a Dona Lídia, uma cearense católica, apostólica e romana – ela ficava o tempo todo com um terço nas mãos e, desde pequeno eu era levado por ela a frequentar as missas na Matriz Nossa Senhora da Conceição. A minha mãezinha, a Dona Neli, também era uma católica fervorosa e, sempre estava rezando o seu terço, aliás, possuía vários deles.

Não tive o tratamento adequado no Rio, mas, resolvi ficar por lá por um tempo, pois o meu irmão Henrique, veio de São Paulo e ficou morando comigo, foram tempos bons onde guardo boas lembranças.

A Dona Nazaré aconselhou-me visitar o bairro Porto das Pedras, na cidade de São Gonçalo, para receber uma graça, pois ali existia uma enorme romaria ao Santuário Jesus Crucificado, onde no dia 26 de Janeiro de 1968 aconteceu um milagre, saindo das chagas de Jesus um líquido vermelho, em plena missa, o que foi constatado por todos fieis ali presentes..

O acesso era muito difícil, mas, consegui chegar ao destino, onde visitei a igreja e, constatei inúmeros relatos de curas pela fé – não cheguei a alcançar a graça, pois a minha fé sempre foi um tanto precária, apesar da minha criação no catolicismo.

Entrei numa lojinha e, comprei três terço, para presentear a Dona Nazaré, a minha mãe Nely e uma namoradinha que tinha deixado em Manaus – ele era imenso, com bolinhas em madeira.

O terço da minha mãe permaneceu com ela até a sua morte, depois, ficou em minha companhia, apesar de ser um católico pouco praticamente e, também não sei rezar o terço, no entanto, guardo para rezar o Pai Nosso todo santo dia e, lembrar da minha mãe, do Porto das Pedras e do Rio.

Caso a minha netinha, a Maria Eduarda continue na religião católica quando crescer, farei questão de dar-lhe de presente quando eu começar a sentir o peso da idade. É isso ai.
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