quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

OS HOMENS DA LEI


Antigamente era difícil ter amizades com Advogados, Delegados de Polícia ou Defensores Públicos, muito menos com um Juiz de Direito e, nem pensar com um Desembargador, pois eram raros e ficavam num pedestal, bem longe dos pobres mortais – com o tempo, as faculdades de Direito abriram em cada esquina, formando pencas de advogados e, com os concursos públicos, possibilitando muitos deles, ainda muito jovens, começarem a galgar uma carreira jurídica, colocando bons e também péssimos profissionais no mercado.

Para exemplificar, cito três casos em que tive a oportunidade de conviver com eles:

1. Estudante de Direito - iniciei os meus estudos de Direito na Faculdade UNIP, por lá fiquei dois anos, onde fiz muitas amizades. Numa bela sexta-feira, a minha turma resolver tomar umas e diversas na Praça do Caranguejo, no Conjunto Eldorado – na hora de pagar a conta, um colega “filhinho de papai” criou a maior bronca, discordando do valor cobrado pelo garçom – os ânimos ficaram exaltados e, num acesso de fúria, ela derrubou tudo o que estava em cima da mesa, batendo com força com a mão e direita e, largou o verbo:

- Eu sou um estudante de Direito e exijo respeito! – gritando para todo mundo ouvir.

- Grande merda! – falou o garçom bem alto, provocando risos dos frequentadores.

No ano seguinte, pedi a minha transferência para a UNINORTE, começando do zero os meus estudos, porém, pedi o trancamento da minha matricula no período seguinte.

Não sei se aquele estudante chegou a concluir os seus estudos, também não sei se advoga ou passou em algum concurso, talvez seja um homem da lei – uma coisa é certa: por o cara ser abusado desde novinho, deve estar aprontando todas.

2. Delegado de Polícia – ainda muito jovem fiz um curso preparatório para o vestibular no antigo Colégio Einstein – eu era da ala da bagunça, mas gozava da amizade de alguns professores. Um dos meus colegas tinha “bala na agulha”, morava numa bela casa e o seu pai era dono de embarcações e postos de gasolina – o cara era mimado, tinha tudo do bom e do melhor. Passamos no vestibular, ele foi para a “Jaqueirona”, fazer Direito, enquanto eu fui para a Faculdade de Estudos Sociais.

Se formou e passou no concurso para Delegado de Polícia. Num belo dia, ele estacionou bem perto de mim, estava a bordo de uma moto de mil cilindradas, no Amazonas Shopping, quando o reconheci fui falar com ele:

- E ai cara, como está a vida! - perguntei numa boa.

- Cara, não te conheço, não! – respondeu com ar de desprezo.

O homem da lei usou e abusou das suas prerrogativas, aprontou todas, fez tanta besteira que foi até afastado de suas funções, respondendo processos e mais processos na Corregedoria.

Certo dia, ele me procurou para comprar um televisor de plasma, pois trabalhava numa empresa do ramo de eletroeletrônico – o cara me reconheceu, mas como já estava queimado na polícia, ficou todo pianinho comigo. O atendi muito bem, porém, com um jeito de quem nunca tinha visto na minha vida. Pois é, ele se achava o He-Man!

3. Juiz Federal – frequento faz muito tempo o Bar do Armando, no Largo de São Sebastião, onde fiz parte da diretoria da Banda da BICA - tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas, incluindo jornalistas, poetas, escritores, advogados, defensores e juízes. Alguns deles gostavam de ostentar o cargo que ocupavam, andavam até com seguranças – tinha um deles que eu sabia que era funcionário da Justiça da Federal, não quis saber qual o seu cargo e, ele não gostava de falar sobre isso.

Com a morte do Armando, a grande maioria dos antigos “biqueiros” deixaram de frequentar aquele estabelecimento etílico. Vez e outra me encontro com aquele servidor federal no Bar Caldeira – ele sempre me cumprimenta, sorri e gosta de me abraçar, isso é um belo gesto da nossa antiga amizade de mesa de bar.

Recentemente, precisei entrar com um processo na Justiça Federal e, lembrei do amigo para uma orientação – para minha surpresa, fui descobrir depois de logo tempo que ele era Juiz Federal – um homem da lei federal! Pense num cara humilde, de fala mansa e amigo de todos, muito diferente de alguns de seus pares que acham "Deus".

Pois é, mano velho, o nosso Klain é o máximo!


É isso ai.

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