quarta-feira, 24 de outubro de 2012

SALVE MANAUS, SALVE ÁUREO NONATO!

Um leitor do blog mandou-me um e-mail interessado em saber o que eu estava preparando para homenagear a nossa mana, maninha, Manaus, com relação ao seu dia maior, o dia do seu aniversário; respondi que não tinha nada em especial, pois, vez e outra faço postagens de amor, carinho e devoção a minha mãe dos deuses, ou seja, todo dia é dia de reverenciar a minha cidade, onde nasci, cresci e, onde pretendo morrer e ser enterrado, ou, quem sabe, possam os meus filhos e netos cumprirem a minha vontade maior, em ser cremado e, com as minhas cinzas sendo jogadas de avião, com uma parte no Rio Negro, bem em frente ao Rodoway, com outra em terra firme, no Largo de São Sebastião e no Igarapé de Manaus, lugares onde todo esse amor começou.

Ao escrever o texto acima, tentando falar sobre a minha pessoa e o amor em que tenho por esta terra, parei e, resolvi fazer, sim, uma homenagem a Manaus, especificamente a uma pessoa que já nos deixou, mas, sinceramente, ela é a cara de Manaus, chama-se Áureo Nonato.

Nasceu em Manaus, no bairro de São Raimundo, em 1º de Abril de 1921 e, faleceu no dia 23 de Março de 2004, no Instituto do Coração de Manaus, vitima de complicações pulmonares - foram 83 anos de muita produção artística, dedicada ao Brasil e a sua querida cidade natal - militou no jornalismo, foi também um escritor consagrado, além de poeta e compositor.

Ainda muito jovem, com apenas dezessete anos de idade, embarcou no navio “Prudente de Moraes” com destino ao Rio de Janeiro, como voluntário do Exército Brasileiro, ficou no 14º Regimento de Infantaria do 1º Exército, sediado em São Gonçalo - passou cincoenta anos no eixo Rio-SP, chegando a receber, em 1987, o título de cidadão do Estado do Rio de Janeiro.

Ao se aposentar, resolver viver os últimos anos da sua vida na sua amada Manaus – tinha condições financeiras para viver muito bem obrigado, mas, contrariando a família, foi morar no “Asilo Doutor Thomas”.

No abrigo em que morava voluntariamente, tinha toda a liberdade para entrar e sair, no horário que bem entendesse – por ser um boêmio inveterado, gostava da noite, era um notívago como todo bom poeta, adorava festas, era um exímio “pé-de-valsa”, contar causos era com ele mesmo, era muito bom de papo, mas, não gostava de ser contrariado, esquentava a cabeça facilmente – curtiu muito bem os seus últimos anos da sua vida nos botecos tracionais de Manaus.

Escreveu “O Porto das Catraias”, “Os Bucheiros”, “Pitombas e Biribás”, “O Batelão da Saudade” e “A Solidão Não Me Dói” (os dois últimos são inéditos) e, muitos outros livros dedicados ao bairro de Aparecida e a sua cidade natal, mas, o que o marcou para o todo e sempre, foi um hino dedicado a sua amada Manaus.

Que viu você
Não pode mais esquecer
Quem vê você,
Logo começa a querer;
Manaus, Manaus, Manaus
Minha cidade querida.
Manaus, Manaus, Manaus,
És a cidade sorriso,
Esperança da nossa Amazônia.
Manaus, Manaus, Manaus,
Minha cidade querida.
Manaus, Manaus, Manaus.

Conversando com os amigos, falei que o dia que mais marcou a minha vida com relação à data festiva da cidade de Manaus, foi exatamente no Bar do Armando, quando o nosso querido e saudoso poeta e escritor Áureo Nonato, nos seus últimos anos de vida terrena, apareceu em companhia da cantora Celeste (deficiente visual), ambos moradores do “Asilo de Mendicidade” e, fez um show, muito emocionante, de amor a Manaus.

A última vez em que o vi, foi exatamente naquele dia de homenagem a Manaus, quando em prosas e versos eternizou a sua “Manaus, Manaus, minha cidade querida”, no final, chorou que nem um bezerro desmamado, emocionando a todos os presentes, depois, serviu um pouco de “Aluá”, uma bebida fermentada da casca do Abacaxi, muito apreciada pelos antigos moradores de Manaus – passado algum tempo, partiu no seu batelão, para o infinito, levando pitombas, biribas e aluás, deixando somente saudades – até hoje eu choro quando lembro! Salve Manaus, Salve Áureo Nonato!
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