terça-feira, 8 de junho de 2021
A ROTUNDA DA PRAÇA DA POLÍCIA
PREFEITO DAVID FOI RÁPIDO E EFICIENTE NO CAOS
NÃO TEMOS WC PÚBLICO EM MANAUS
domingo, 16 de maio de 2021
MANAUS ATERRADA E ALAGADA
MANAUS ATERRADA E ALAGADA
José Rocha
A ciddde de Manaus possui cinco bacias hidrográficas:
Puraquequara, Lago do Aleixo, Taruma, Educandos e São Raimundo, com aproximadamente 150 igarapes.
Com o passar dos anos alguns deles foram sendo aterrados.
Por exemplo, Espírito Santo, Remédios, Aterro, Manaus, Bittencourt, Quarenta, Mestre Chico e outros menores que foram direcionados para dentro das tubulações de águas pluviais.
Na parte central, com a construção da Avenida Lourenço Braga ligando o Porto de Manaus ao Distrito Industrial, foi feito um imenso paredão para conter às águas do Rio Negro.
Vocês sabem o porquê do governo ter construído os Parques Jefferson Peres, Paulo Jacob e Mestre Chico?
Simplesmente com medo de um dia a mãe natureza aumentar o nível das águas, como está ocorrendo agora, e derrubar àquela estrutura da Lourenço Braga e "invadir" o seu curso normal de antigamente antes dos aterros.
Vocês podem observar que o PROSAMIM, por questão de segurança, construiu vários conjuntos de apartamentos somente depois dos referidos parques, para evitar uma possível catástrofe.
Caso houver uma enorme cheia, o grande volume de águas irão encher os parques como era antigamente.
Antes dos aterros de alguns igarapes, vivia-se em casas flutuantes, onde era possível conviver harmonicamente com as cheias e vazantes do Rio Negro.
O Igarape do Espírito Santo entrava pela atual Alfândega e ia até próximo a Rua 24 de Maio. Foi aterrado pelo Governador Eduardo Ribeiro.
Vocês podem observar que ao lado deste prédio secular existe um paredão que barra a entrada do rio.
Rezemos para um dia a força do rio não o derrube, pois caso isto aconteça milhares de pessoas morrerão.
Hoje, andei pelo centro antigo e vi as águas buscando o seu lugar de outrora.
Devemos saber conviver com isto, pois tudo é em decorrência do progresso e da briga do homem contra a natureza.
Um dia ela dará o troco!
sábado, 15 de maio de 2021
Em 2021, Flávio de Souza retorna ao Parque Amazonense, uma praça de futebol onde guarda grandes e memoráveis lembranças e um dia muito triste de sua vida.
Comentei no início deste livro (FLÁVIO DE SOUZA - UM GRANDE MÚSICO E DESPORTISTA DO AMAZONAS) sobre um dia trágico que aconteceu na vida do Flávio de Souza, quando ele tinha apenas dezesseis anos de idade. Era o ano de 1946, ele estava na arquibancada do Parque Amazonense assistindo ao jogo de futebol entre a Seleção do Amazonas versus Seleção do Pará, quando o seu genitor passou mal e voltou para casa, deixando o jovem Flávio assistindo ao clássico, quando retornou a sua residência encontrou o seu pai morto. Foi um dia fatídico que o marcou para o resto da vida. No entanto, no decorrer dos anos voltou a frequentar centenas de vezes o velho Parque Amazonense, não somente na qualidade de torcedor e expectador, mas de treinador de futebol até o fechamento definitivo daquela praça de esportes, ocorrido no dia 8 de julho de 1973.
Passados
quarenta e oito anos depois do fechamento definitivo dos portões do Parque Amazonense, exatamente no dia 15
de maio de 2021, o
Flávio de Souza voltou àquele lugar, para posar para fotografias e
verificar in loco o que restou daquele estádio outrora tão imponente e
bonito. Foi um misto de
alegria, tristeza e saudade. Poucas coisas restaram: A Fachada do Parque,
com o muro, um imenso portão de ferro fabricado em Glasgow (Escócia) e um busto de um
cavalo (mostrando para a posteridade que naquele local já fora um Prado, onde
havia corridas de cavalos na belle
époque manauara). Os antigos moradores conservam uma Viga de Sustentação das
arquibancadas, toda em ferro, fabricada por W. Macfarlane & Co./Glasgow, a
única que restou entre dentre dezenas delas que foram destruídas e/ou guardadas por
colecionadores. A
área é imensa, apesar de alguns moradores terem feito loteamentos e construído suas casas. Existem dois campos
de futebol, com gramas e parte de chão batido
e outro para a prática de voleibol. No local foi construído também o 22º. DIP - Distrito Integrado de Polícia.
O Flávio de Souza teve a grata surpresa em encontrar a Elcimar Costa, mais conhecida por Dona Mikita. Ele é filha do Dr. Elcio Farias (Odontologo formado na antiga Universidade do Amazonas), que foi goleiro reserva do Clóvis Aranha Negra, do Rio Negro, quando foi treinador deste time. Em 2016, ela foi treinadora de futebol do infantil, juvenil e juniores do São Raimundo Esporte Clube. Atualmente, possui uma escolinha de futebol, ensinando o esporte às crianças do entorno do Parque Amazonense, sem nada cobrar, uma forma de amor ao próximo e dando seguimento ao que o seu saudoso pai fazia até antes de falecer. Ela Ministra aulas todas as terças e quintas a partir das quatro da tarde e nos finais de semana ela joga futebol feminino. O Flávio por morar próximo ao Parque prometeu retornar ao local para colaborar e dar orientações aos jovens sobre a sua larga experiência de treinador de futebol. Segundo a Dona Mikita, existem rumores que, o suposto dono do Parque Amazonense ganhou na justiça o direito de vendê-lo a uma construtora que pretende fazer os seus espigões e acabar de uma vez por todas com o Prado e a nossa memória.
Caso
isto aconteça, o Flávio de Souza, Dona Mikita e toda a comunidade estão
dispostas a fazerem de tudo para alertarem as autoridades públicas e aos políticos (os oportunistas, em sua
grande maioria, a comunidade não conta muito) para reverter esta situação. Ao sair do Parque, encontrou o jogador Val, um
atleta do Rio Negro que fez questão de abraçá-lo e declarar que se tornou um bom
profissional graças aos ensinamentos
do professor, treinador e amigo Flávio de Souza. Foi um momento
emocionante. Propôs ao Flávio de Souza fazermos um pedido ao atual Prefeito de Manaus,
para que olhe com muito carinho para o Parque Amazonense, tornando-o um Centro Social
Prado Parque Amazonense.
Um pouco de história - O Estádio Parque Amazonense (Prado) fica na Rua Belém, zona Centro-Sul da capital, antigo Beco do Macedo (atual bairro Nossa Senhora das Graças) numa área por detrás do Reservatório do Mocó. Segundo os historiadores, a área pertencia a um rico comerciante português, que mais tarde fez uma concessão ao Dispensário Maçônico (uma entidade da maçonaria que cuidava da saúde e distribuía medicamentos gratuitamente a população carente de Manaus). Em 1906, no governo estadual do Constantino Nery, em parceria com o prefeito Adolpho Lisboa, abriu as portas do Parque à população manauara. No início, o espaço fora destinado à corrida de cavalos, com a construção de um Hipódromo, tornando-se o point das famílias abastadas amazonense. Com o declínio da borracha, ocorrido em 1912 e, consequentemente, com a quebradeira geral dos barões dos seringais, esta prática de esportes conhecida como “Esporte Rei” foi abandonado, pois ninguém tinha mais condições de manter os cavalos “puro sangue”. Em 1918, os maçons tentaram a volta da prática de corrida de cavalos combinado com partidas de futebol, vingando apenas o segundo. A sua época de anos dourados foi somente com o futebol de campo, com as disputas dos campeonatos de futebol amazonense. A primeira partida foi protagonizada pelo Rio Negro e Nacional, ocorrida em 13 de junho daquele ano, com empate de 1 a 1.
Segundo os
acervos do saudoso historiador Carlos Zamith, publicado no site da Globo
Esporte: “Em 1946 o local foi vendido à Federação
Amazonense de Desportos Atléticos (FADA). Em 1960, o prado maçônico passou a
ser administrado pelos irmãos Artur e Amadeu Teixeira (América futebol Clube),
no entanto, em 21 de maio de 1967 houve um grande acidente, com várias pessoas
feridas e uma morte, o espaço foi
devolvido pelos irmãos a maçonaria, que repassou para uma empresa que queria
construir no local um conjunto habitacional. Este empresário sem nenhuma
sensibilidade com a nossa história e desrespeito ao patrimônio público mandou
demolir toda a estrutura da arquibancada, com ferros vindos de Glasgow e coberto com
telhas de barro de fabricação portuguesa. O último jogo disputado oficialmente
foi no dia 8 de julho de 1973, entre Rio Negro e Rodoviária. Já com parte da
estrutura e da história destruídas, a prefeitura sob o comando de Jorge
Teixeira tentou reverter a
situação passando a praça de esportes para
a esfera municipal, sem sucesso, com parte da área sendo loteada pelos moradores do entorno”.
Aquela área nobre da cidade é muito disputada para especulação imobiliária, porém, não sabemos que são os seus verdadeiros donos, pois até os dias atuais muitos declaram que são os seus legítimos proprietários e herdeiros, demandando uma briga de foice na justiça. O Poder Público Municipal deveria intervir e tornar aquela área de interesse público e fazer as devidas desapropriações e, no local, construir Quadras Poliesportivas, Campo de futebol, Unidade Básica de Saúde, Museu do Futebol, Creche, Praça Temática e outras obras de infraestruturas, para barrar a especulação imobiliária e tornar o local de lazer e bem estar para os moradores do entorno e do povo manauara em geral.
sexta-feira, 14 de maio de 2021
SEXTOU EM MANÔ - 1979
Era uma sexta-feira, 11 de maio de 1979, na coluna social Art & Som, editado pelo Carlos Garcia, do Jornal do Comércio, em página inteira mostra as opções para os manauaras se divertirem na noite caliente de Manaus (Manô para os colunistas):
1. Casas Noturnas com muita movimentação - Hoje, sexta-feira é dia de som maior nas boites e discothéques locais, a partir de agora começa a grande concentração da massa jovem e adulta nas nossas casas noturnas. Não só hoje, como também amanhã sábado a coisa vai esquentar e domingo também no som alucinante do momento. Há várias opções para divertimento nesta sexta-feira a noite, pois a partir das 21 horas começam a funcionar as discotecas e boites Shock, Starship, Crocodilo-s e Studio Cento e Um.
2. Cinemas: Studio Center (Dois Vigaristas em Nova York) - Veneza (A Mulher e o Divórcio) - Ypiranga (A Ilha do Dr. Moreau) - Guarany (As Taradas Atacam) - Cine Pop (Eu Faço Elas Sentem) - Cine 2 (Mazzaropi).
3. Televisão: Programação a partir das oito horas: Canal 2 (Cinema de todos os tempos: O Guarany) - Canal 4 (O Direito de Nascer - Cinema Proibido) - Canal 5 (Novela Cara a Cara - TV Bolinha).
Vocês ai, que já são sessentões e setentões, qual foi a pedida neste dia?
E não lembro nem o que comi ontem, vou lembrar onde eu estava 42 anos atrás! Deveria estar lá no lupanares "Lá Hoje" ou na "Saramandaia", pois em plena sexta-feira não colava cinema. A boite que eu frequentava era dos pobres, a Danilo´s da Silva Ramos.
É isso ai.
quinta-feira, 13 de maio de 2021
DR. JOSIAS, O CAPA ONÇA
Ele morava na Rua José Clemente, próximo ao Salão Grajaú.
Foi Diretor do Colégio Estadual (Praça da Polícia) e funcionário da Petrobrás onde se aposentou.
Foi também advogado, formado pela antiga UA (atual UFAM), militando anos na profissão.
Gostava de tomar cerveja e tirar gosto com conhaque (para abrir o apetite).
Era fumante inveterado, tanto que tinha aquele pigarro característico. Vez e outra dava umas tossidas alta e uma cusparada no meio da rua.
Até ai tudo bem para um boêmio que gosta de fumar o seu cigarrinho.
No entanto, o que mais chamava atenção era aquele apelido estranho de “Capa Onça”. Todo mundo tinha medo de chamá-lo pela alcunha, pois o sujeito que teve a coragem de pegar uma onça pelo braço, imobilizá-la e arranca-lhe os seus culhões (testículos) com uma faca peixeira, deveria ser realmente, uma pessoa muito valente e brava. Quem iria se atrever a capar uma Onça? Ninguém. Com exceção do Dr. Josias Fiqueiredo! Se ele fez isso não sabemos, mas o apelido vingou.
Eu somente ouvia a Dona Maria chamá-lo pelo apelido. Meu Deus!
Ele gostava de conversar comigo e com o meu irmão Rochinha, pois fomos contemporâneos dos seus sobrinhos Adelson e o Aldenor Fiqueiredo, no Igarapé de Manaus.
Sempre tinha razão, não adiantava argumentação, sem chance para o contraditório na mesa de bar.
Tinha um vozeirão que metia medo. Sempre bebia sozinho no balcão e não era de papear muito com os outros frequentadores.
Certa vez, passou por lá um vendedor com um
carrinho de mão cheio de melancias. O Dr. Josias pegava uma por uma
e batia com os dedos fechados e ficava ouvindo o som, escolheu uma bem grande e
a mais cara. Falou bem alto para
todo mundo ouvir:
- Sou nascido e criado no
interior, no meio das plantações de melancias, conheço como a palma da minha
mão, só na batida sei se está boa ou não, malandragem da capital não me ganha, não!
Pagou e foi deixar a bendita melancia em sua residência (ficava quase em frente ao bar) e voltou para reiniciar os trabalhos.
O vendedor “pegou o beco” depois da venda. Minutos depois, veio a empregada e jogou a melancia na calçada, foram pedaços para todos os lados, ficou assustado com aquilo e ela falou bem alto para todo o quarteirão ouvir:
- Doutor Josias, a patroa
mandou jogar
aqui, pois está melancia
está podre!
- Puta que o pariu! Foi a primeira vez na vida em que errei! A galera neste dia não liberou, começou a rir da presepada do Dr. Capa Onça.
Segundo o Adriano Cruz, ele
tinha a cara de mau, valentão e que gostava de discutir de tudo e com
todos, mas no
fundo era uma
pessoa de bom coração.
sábado, 24 de abril de 2021
ZÉ MUNDÃO TIRANDO ONDA COM UM PUMA
Apaixonadíssimo por
carros, Zé perseguia
seu desejo de
consumo – dirigir
o conversível pertencente
a um amigo filhinho de
papai (pai rico). Era
um puro sangue
Puma GTS, na
cor vermelho Ferrari.
O coitado babava
quando via o bacana desfilando
naquela máquina, ele se imaginava
sentado naquele banco de couro,
dirigindo em companhia de duas gatinhas, passeando pela praia da Ponta Negra. Tudo
era apenas sonho, pois
o Zé não
tinha dinheiro
nem para
colocar gasosa suficiente
no seu fusquinha,
quanto mais comprar o carro do
amigo que, diga-se de passagem, não estava à venda, visto que o caboclo estava
sentado em cima da carne seca. Grana
não era problema
para ele, além
do mais, mantinha mais
ciúmes do carro
que de sua
namorada, uma loira gostosa e cheia de dengo. Zé nem
olhava para a
boazuda, o negócio
dele era o
Puma. Era
um martírio, pois,
nem sequer era
convidado para dar uma
volta pela cidade,
emprestar, nem pensar,
ele não emprestava nem
para o pai
dele, imagine para
o coitado do Zé. Num belo dia, a louraça botou um par
de chifres no amigo, depois que ela
conheceu um marmanjo,
dono de um
Opala Comorodo completo, com
ar, direção, vidros
verdes e capota
de vinil. Enfim,
tinha enjoado de
andar de Puma,
pode-se dizer que ela era
tremenda Maria gasolina.
O corneado
chorava mais que bezerro desmamado, razão pela qual Zé passou uns tempos consolando
o amigo, com terceira intenção, claro.
Pois não estava
nem aí para
a desilusão amorosa, o negócio
dele era um dia ainda dirigir o Puma.
Depois de
uns tempos, seu amigo esqueceu a loira, mandou
serrar os galhos
e começou dar em cima
da Rosinha, prima
do Zé Mundão.
Uma morena cor
de jambo, peituda,
com pernão e
bundão arrebitado, uma
gata e tanto,
dizia-se, tipo violão. O primo já
tinha dado uns amasso nela, pois para ele, prima não é parente nem aderente.
Zé passou
a intermediar o
namoro, antes, foi
logo detonando: –
Olha aqui, gente
boa, o negócio
é o seguinte:
passo a conversa na
minha prima, entrego-a
de bandeja para
você, mas, em
contrapartida, você vai ter que
me emprestar uma vez e outra o Puma!
O amigo deu
um pulo e retrucou: – Nem pensar, não empresto meu Puma prá ninguém, tô fora,
papai!
Mas o Zé era
um cara paciente, tanto que esperou a volta do
anzol. Seu amigo
fez várias investidas
pra cima da
prima, jogou todo seu charme,
convido-a para umas voltas no Puma, tomar
sorvetes no Pinguim,
assistir a um
filme no Studio Center, almoçar
no restaurante Chapéu
de Palha, jantar
no Canto da
Peixada e, nada! Mal ele sabia
que o Zé
já tinha armado
todo o circo
com a parenta,
pedindo na maior
para ela ignorar o
cara, ser durona,
não dar moleza.
A estratégia era deixar o marmanjo secar todos os
argumentos possíveis e cair novamente nas mãos do primo Zé.
Ele não era
chegado a fazer ameaças, mas, por via das dúvidas, foi
logo dando o
recado: – Priminha
do coração, segue direitinho como
eu mandei, sabe
como é... Se você
mijar prá trás, eu conto pra
titia todas as ondas que você anda aprontando!
Funcionou, o
bacana veio todo
de mansinho falar
com o Zé Mundão: – Meu amigo, a tua prima é dura na queda, vou precisar
da tua mãozinha, concordo em te emprestar uma vez por ano meu Puma!
Mas o
Zé ficou fulo
da vida, e
logo vomitou: – Uma vez por ano, tá ficando doido, quero
emprestado todo final de semana! O bacana foi à loucura: – Pirou de vez, ficou
pinel?
Aí o Zé
mandou a bala fatal: – É pegar ou largar, o Puma emprestado toda semana, com o
tanque até o toco de gasosa, de
minha parte, a
prima no seu
colo, pra você
deitar e rolar.
Vai?
Sem chance
para o filhinho de papai.
Aí foi graça
para o Zé Mundão! O carro, emprestado num sábado à noite, deveria ser devolvido
no domingo de manhã, limpo, lavado e
sem nenhum arranhão.
Promessa feita, não cumprida! Tão
logo pegou na
máquina, Zé ligou
o toca-fitas Roadstar cabeça branca, colocou no volume
máximo uma música dos Beatles e
saiu todo boçal
pelas ruas de
Manaus. Deu um
pulo no bar
do Gordo, onde
olhavam para o
Zé e para o
Puma, ele na
maior cara de
pau. Então, falou
alto e em
bom tom: – Esse é meu e está
pago, somente saio nos finais de semana, macho carona não entra nele, nem
pagando!
Tomou duas
doses de Montilla
com gelo, limão
e koka, sua bebida
preferida. Deu um
rolê pela avenida
Getúlio Vargas, estacionou
o carro em
frente ao Cheik
Club, sentou no capô, estava
mais alegre do que pinto
na beira da
cerca, não precisava
paquerar, as gatas
se ofereciam para
passear com o Zé, ele escolheu duas a dedo, rodou por
todos os points de Manaus, ele queria mesmo era aparecer.
Escolhidas as
minas, saiu para
pegar um vento
na testa, pegou a estrada do Tarumã e parou num
balneário, conhecido por Cachoeira
das almas. O
local, de difícil
acesso, tinha lama até
o talo, por isso, o Puma começou a ficar sujo, mas o motorista não
estava nem aí,
queria mesmo era
levar as gatinhas para
tomar banho num
igarapé de águas
cristalinas. Lá, as beldades
ficaram somente de calcinha e sutiã, e o Zé, na maior onda com elas.
Nova etapa
da esbórnia, uma volta pela
praia da Ponta Negra;
nessa altura do campeonato, o carro já estava todo enlameado, molhado
e repleto de
areia e barro.
Numa encruzilhada próxima, havia
um pessoal fazendo um despacho de macumba, uma das beldades pediu uma parada do
carro. Então, ela foi até onde acontecia o ritual, e aí o bicho pegou para o Zé
Mundão, pois
a garota começou a pegar santo, tendo se enrolado pelo chão, mudado a voz,
enfim, ficado toda ralada.
Um adepto
veio até o
Zé para reclamar
da intrusa: – Boa noite, o
senhor, por favor,
leve sua amiga
de volta, ela
está atrapalhando nosso
serviço, pois a
linha dela não
é igual a nossa.
O Zé, sempre
gaiato, retrucou: –
Deixa comigo, fui!
Ao entrar, a gata sujou de sangue
o banco do carro.
Rumou, então,
para a prainha
da Ponta Negra,
um dos points dos jovens. Após um
banho na beldade que estava suja e
ralada, deixou-a em
standbay, enquanto a
outra foi para
o abate.
O dia já
estava amanhecendo, quando Zé resolveu ainda dar um
pulo na cachoeira
do Tarumã. Ainda
madrugada, tomaram banho
pelados até o sol raiar.
Ao sair, contudo,
o Zé engatou a ré no carro e bateu levemente num
tronco de madeira. Retornando, tomaram
café regional no
Café da Loura,
em seguida, Zé deixou as gatas em
casa delas e foi dormir, afinal, ninguém é de ferro Meio dia de domingo, e o
herói foi acordado à força. Era seu
amigo: – Zé,
filho da baraga,
tu nunca mais
vai pegar no meu carro, ele tá todo sujo de lama, barro
e sangue e tá amassado na traseira!
O cara
ainda dormindo, falou:
– Mil desculpas,
parceiro, deixa que eu vou dar um banho nele, passo até esmeril e cera no bicho,
vai ficar novinho
em folha, na
segunda, mando desamassar a belezura! Tudo bem?
O amigo,
todavia, estava possesso:
– Negativo, vou levar agorinha
o meu Puma.
Outra coisa, aquela
tua prima é a maior
fuleiragem, tô fora!
Dessa forma,
acabou o sonho de consumo do Zé Mundão, nunca
mais teve a
oportunidade de dirigir
aquele carro, carro
que fez história
no Brasil, criado
no início da
década de 60 por
um grupo de
aficionados pelo automobilismo, liderado pelo
Rino Malzoni. Tratava-se de
um cupê esportivo
de vidro, lembrando
muito a Ferrari
250 GTO da
época, daí o
Puminha ser desejado, pois tinha um desenho espetacular, com beleza, agressividade
e aerodinâmica, além de ótima dirigibilidade.
segunda-feira, 19 de abril de 2021
SOU MANAUARA
Os meus antepassados
maternos nasceram dentro da mata, no interior do Amazonas, corre nas minhas veias
sangue indígena sim senhor.
Os meus antepassados
paternos eram nordestinos que vieram para a Amazônia, no Alto Juruá em busca do
látex, sou também um cabra da peste.
A minha mãe era cabocla
vinda de Terra Nova e o meu pai um arigó de Uruburetama, por aqui os dois viveram,
trabalharam, casaram, tiveram filhos e foram enterrados.
Nasci em Manaus, no Hospital
de Santa Casa de Misericórdia. Todos os meus irmãos são
manauaras e nasceram lá também.
Fui batizado, comungado,
crismado e casado na Igreja de São Sebastião, e quando morrer, nela talvez no
sétimo dia seja lembrado.
Sou católico e vou à missa,
mas não sei rezar, somente o Pai Nosso e olhe lá.
Morei com a minha família
dentro do Igarapé de Manaus, fomos ribeirinhos e acompanhávamos a seca e a
enchente do Rio Negro.
Ainda consegui alcançar uma
Manaus linda e pacata, quando começava no Porto e no Boulevard Amazonas
terminava.
Tomava banho de rio. andava
de canoa, pulava dentro do igarapé na Primeira Ponte.
Frequentava os cines
Guarany, Politheama, Avenida e o Odeon. Adorava o Carnaval da Eduardo Ribeiro.
Passeava no Ródo (Roadway),
Mercadão Adolpho Lisboa e no Aviaquário
e assistia ao Festival Folclórico do
General Osório.
Alcancei os banhos no V8,
Parque Dez, Tarumã, Tarumanzinho, Ponte da Bolívia e Ponta Negra.
Curti o arrocho na Festa do
Acocho. Frequentava os bailes do Luso Clube, Sheik Clube, Bancrévea Clube e da
União Esportiva Portuguesa.
Passava a régua nas primas
nos lupanares Maria das Patas/Saramandaia e lá pelas bandas da Prainha somente
detonava as gatinhas.
Assistia com muito
entusiasmo e vibração, o meu Fast Clube jogar contra o Rio Negro ou Nacional no
Parque Amazonense, Colina e no Vivaldão.
Gostava também de assistir o
ano inteiro, grandes partidas de Voleibol no Ginásio Renné Monteiro.
Estudei, inicialmente, no
Barão, depois, o fundamental no Benjamin e no Sólon de Lucena a conclusão.
Casei com uma cabocla na
Igreja de São Sebastião, depois de muita bronca acabou a união.
Os meus irmãos casaram,
tiveram filhos manauaras e tempo depois também descasaram.
Tenho três filhos manauaras
que me deram três netos manauaras também. Sou da Universidade do Amazonas com
muita satisfação, formado em ciência da Administração.
Estudei também alguns
períodos de Direito, não concluir o curso foi o meu grande erro e defeito.
Sempre gostei de suco de
Taperebá e Açaí com tapioca, melhor não há.
Nunca dispensei um Jaraqui,
muito menos uma Caldeirada de Tambaqui.
Gosto de degustar um Tacacá
e detonar uma Tapioca com Banana Frita e Castanha do Pará.
Para completar, gosto de roer
um Tucumã com farinha e tomar um suco de Cupuaçu para não entalar.
Não dou bobeira para um Pé
de Moleque e de um Bolo de Macaxeira.
Sou boêmio, sou da tradição,
gosto do Morro, mas sou de São Sebastião.
Curto o nosso ritmo
amazonense, a toada e o ritmo quente parintinense.
Frequento regularmente, o
Armando, Caldeira e o ETbar, os botecos tradicionais da nossa Manaus de
antigamente.
Passeio pelo Largo de São
Sebastião, Praça da Polícia, Praça da Saudade, Praça do Congresso, Mercado
Municipal e o Porto de Manaus.
Faço caminhadas pela minha
cidade toda semana.
Gosto ainda da Praia da
Ponta Negro, Praia da Lua e Tupé.
Vou aos grandes Shoppings e
ao Bate Palma também.
Gosto das Feiras e Mercados,
onde compro peixes e como Pastel com Caldo de Cana.
Sou blogueiro que escreve sobre
a cidade de Manaus o ano inteiro.
Escrevo livros sobre a sua
gente e sua história e a minha também.
Pretendo ainda conhecer toda
a extensão do Rio Negro, deste São Gabriel da Cachoeira, passar pelo Encontro
das Águas e entrar no Rio
Amazonas até a sua foz no Oceano
Atlântico.
Apesar de ter nascido na
Manaus de Antigamente, ainda tenho muito gás para casar com uma Cabocla
novamente.
Não sou mais reprodutor, pois
sendo vasectomizado, a fonte secou.
Falo o Amazonês e também gírias
do Carioquês.
Sou Manauara da Taba e o meu
herói é o índio Ajuricaba.
Não sou Manauense, mas, sim,
um Manauara Amazonense.
Sou Manauara, com muito
orgulho, com muito amor.
Se for a vontade de Deus,
hei de morrer aqui em Manaus e ser enterrado ou cremado tanto faz como tanto fez.
É isso ai.




