sábado, 26 de novembro de 2016
BLOGDOROCHA: O ERRO DE CÁLCULO DE UM PILOTO DA FAB
BLOGDOROCHA: O ERRO DE CÁLCULO DE UM PILOTO DA FAB: Quem passa pelo largo da Igreja dos Remédios, nem de longe pode imaginar que, exatamente quarenta e quatro anos atrás, um piloto da F...
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
OS AMERICANOS, EM MANAUS, NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
Ao ler o livro de crônica "Evocação de Manaus: como eu a vi ou sonhei", do saudoso manauara Jefferson Carpinteiro Peres, é possível ter uma ideia como era a nossa cidade durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), particularmente, sobre a permanência dos norte-americanos em Manaus, para colaborarem na "Baralha da Borracha".
Com o ataque da base militar norte-americana de Peal Harbor (na Ilha de Oaho, Havaí) por parte dos japoneses e, pelo afundamento dos navios brasileiros, fruto do ataque dos alemães, levaram os dois países a declararem guerra aos parceiros do Eixo (Japão, Itália e Alemanha).
Os nipônicos conseguiram fazer um cerco em todos os países produtos de borracha da Ásia (principalmente, da Malásia e Indonésia), impedindo a saída da importantíssima matéria prima (para fabricação de pneus de aviões) para abastecer os países Aliados, forçando os americanos a buscarem a extração do látex na Amazônia.
Para tal empreitada, o Presidente Getúlio Vargas, firmou os "Acordos de Washington", permitindo a entrada militares e instalação de empresas americanas em solo brasileiro, tendo como garantia a compra de toda a produção de borracha e minérios, apoio técnico e financeiro, além da construção da Usina de Volta Redonda (RJ).
Em Manaus, foi criada a RDC - Rubber Development Corporation (empresa de desenvolvimento da borracha), com depósito de cargas na Ilha de Monte Cristo, atual Estacionamento Público da Feira da Banana (Manaus Moderna, Avenida Lourenço Braga), para dar apoio logístico aos seringueiros e administrar as remessas de borracha nos aviões anfíbios (catalinas), com destino a Miami (USA).
Para o transporte aéreo de passageiros e militares, construíram em semanas (evidenciando a eficiência americana) a pista de pouso do Aeroporto de Ponta Pelada.
Vieram muitos americanos e suas famílias para a nossa pacata cidade, provocando um grande choque cultural, com pessoas loiras de olhos azuis, falando uma língua estranha para a grande maioria (o inglês), fumando cigarros de marcas nunca vista antes, pagando alta gorjetas em dólar, inflacionando o mercado local e expondo comportamentos muito liberais - contrastando com uma sociedade local fechada, tradicional e conservadora.
O então jovem Jefferson Peres vivenciou tudo isso, pois pertencia a uma família de classe média alta, tendo acesso ao que acontecia na sociedade manauara, permitindo escrever com detalhes, anos depois, esses acontecimentos em seu livro de memórias acima citado.
Segundo o autor, os gringos eram altos, brancos, corados e de olhos azuis, surgindo a mania de falar inglês por parte dos manauaras, tipo "Give a cigarette please" - eles utilizavam as marcas americanas Lucky Strike, Camel, Chesterfield e Phillip Morris (disputadíssimo pelo seu gosto suave e cheiro agradável, preciosos nos períodos de falta de produto nacional).
Escreveu o Jefferson Peres "Os amazonenses que trabalhavam na RDC chegavam a dominar tão bem o inglês que a alguns, por esnobação, passavam a falar o português com sotaque - dizem que um cidadão bastante conhecido na cidade, vestindo roupa cáqui, capacete de explorador na cabeça, à semelhança de muitos americanos, pegou um bonde e dirigiu-se ao motorista, perguntando: - Ó sêo condutorr, o senhorr sabe me dizerr onde ficarr avenida Joaquim Naboco? O motorneiro medindo a figura de alto a baixo, fuzilou: - Ora, Fulano, vai à merda!"
Os americanos foram acolhidos com simpatia pela população - eram geralmente bem-humorados e extrovertidos, chocando aos mais velhos pela sua irreverência.
Gostavam de recostar comodamente nas cadeiras dos bares com os pés apoiados sobre as meses (igual aos filmes de faroeste), em compensação, graças ao seu alto nível de renda, eram muitos generosos - davam cigarros e barras de chocolate aos garotos que os cercavam, além de elevadas gorjetas aos garçons.
AS empregadas domésticas eram atraídas por seus serviços, com ofertas de salários irresistíveis, pois a maioria não recebiam nada nas casas de famílias onde trabalhavam e moravam - as lavadeiras de roupas tiveram, também, os seus trabalhos valorizados.
Os proprietários de imóveis alugavam por preço até três vezes superiores aos praticados no mercado local.
Os ianques não eram numerosos e sua permanência não passou de três anos, porém, provocaram uma mini inflação em nossa cidade.
As suas mulheres eram coroas vermelhonas e sardentas, campeãs de deselegâncias com seus vestidos, de cores berrantes e seus sapatos de solas de borracha.
Escreveu o autor "Havia umas poucas que entusiasmavam não apenas pela beleza, mas também pela indiferença com que exibiam seus encantos - nas ruas andavam apenas com o vestido sobre o corpo nu, em casa ficavam inteiramente peladas, sem ter sequer a preocupação de fechar as janelas".
Prossegue "Lembro que um grupo delas, residente numa casa de sótão, ainda hoje existente, na Rua 10 de Julho, entre a Epaminondas e a Ferreira Penas, desfilava tranquilamente a sua nudez, no alto do mirante, e quando a rapaziada ansiosa, se atropelava nos telhados vizinhos, para observá-las, ainda ganhavam das ladies godivas (aristocrata inglesa que gostava de cavalgar nua pelas ruas) adeusinhos de gozação - dizem que elas figuravam na folha de pagamentos da RDC como secretárias, mas, seriam na verdade profissionais do sexo, contratadas para amenizar a vida dos executivos e técnicos, em seu exílio numa distante região tropical, para reduzir o quanto possível o envolvimento com as nativas, evitando problemas com a comunidade".
Com o término da guerra, em 1945, a RDC foi desativando aos poucos seus serviços, com a presença dos americanos cada vez menos até cessar completamente.
Deixaram para a Prefeitura de Manaus as máquinas pesadas da construção da pista do aeroporto (os tratores foram utilizados no aterramento da Avenida Getúlio Vargas).
Os aviões anfíbios Catalinas foram incorporados a empresa americana Panair do Brasil, com filial em Manaus, para voos comerciais.
Os navios americanos que faziam linha dos Estados Unidos para Belém e Manaus "Cambridge, Virginia Lee, State of Delawire e Cel. James Moss", foram incorporados, com outros nomes, a SNAPP (Serviço de Navegação da Amazônia e de Administração do Porto do Pará), para serviços de cabotagem e transporte de passageiros.
A presença dos americanos na cidade foi tranquila, apenas chocaram os mais velhos com sua irreverência, deixando alguns legados pós-guerra - o mesmo não se pode dizer da sina dos irmãos nordestinos, que em nome dos esforços de guerra, na "Batalha da Borracha" morreram milhares, esquecidos e abandonados nos seringais da Amazônia. É isso ai.
Fonte:
Livro "Evocação de Manaus: como eu a vi ou sonhei. 2a. edição revista e ampliada/Jefferson Peres - editora Valer. 2002"
Observação: Essa passagem dos americanos em Manaus, a Segunda Guerra Mundial e a sina dos nordestinos na Batalha da Borracha, pode servir para um filme. Fia a dica para os cineastras.
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
BLOGDOROCHA: RELÓGIO MUNICIPAL DE MANAUS
BLOGDOROCHA: RELÓGIO MUNICIPAL DE MANAUS: Foi inaugurado em 1927, na administração do prefeito nomeado José Francisco de Araújo Lima (autor de Amazônia – A Terra e o Hom...
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
PEQUENAS COISAS DA POLÍTICA BARÉ (MANAUS)
1 - Alguém pode me informar onde
estão as máquinas, tratores, caçambas, pessoal e as toneladas de asfalto que
estavam aqui na Zona Norte?
2 - Como diziam os antigos: “babau", quem comeu, comeu, que não comeu, sefu...! Asfalto somente em 2018, próximo as eleições!
3 - Passou no Programa Fantástico (Rede Globo) a
dificuldade do povo brasileiro na busca de atendimento médico no SUS, em
particular, aos que perderam um Plano de Saúde. Mostrou um caso de uma criança
aqui de Manaus. Passei por isso também, fiz todos os exames no Novembro Azul e,
ate hoje o SISREG não me chamou. Já joguei todos os exames no lixo! E ainda vem
o Artuzão com esse papo furado de Cidade Inteligente!
4 - Tem neguinho por ai que se
acha velho aos sessenta, querendo se aposentar e se preparar para a morte ( o
escriba aqui). Diferentemente de muitos, o político Iris Rezende, do PMDB, aos
82 anos de idade, foi eleito prefeito de Goiânia, vai governar por quatros anos
com olho na reeleição! E mole?
5 - Mais dois anos para o Rei do
Migué, pois vai deixar a Prefeitura para o Rotta Pizza do BNDES. O pastor Sabino
Castelo Branco assume o cargo do Rotta em Brasília. E em 2018? Cadeirudo ou
Artuzão!
6 - A população quer mesmo é a eficiência
no setor publico, no entanto, os cariocas vão na contra mão, elegendo prefeitos
que faliram o município do Rio, para completar, colocaram o Crivella no
comando, um bispo da Universal. Vem mais peia pela frente! Em Manaus, o vereador mais votado foi o carioca e pastor, também, da Universal, o Zé Luiz!
7 - A tribuna da CMM vai virar púlpito
para os vereadores evangélicos, que aumenta a cada eleição, a grande maioria são
pastores e missionários. Vai faltar pastor nas igrejas e sobrar na Câmara! Não
sei se isso é bom ou ruim para a cidade.
8 - Em política quem sai
perdendo é o boi! Os políticos brigam, depois, fazem a paz, fazendo um grande
churrasco de carne! O Artur Neto e o Senador Braga brigaram durante anos e, hoje, estão se
beijando e comendo junto o coitado do boi!
9 - Um dia antes das eleições, comentei com um
cliente:
- Amanha será Lei Seca, nada
de birita, né?
- Cara, bebo até na semana santa, não irei deixar de tomar umas cevadas no dia dos ladrões! - respondeu.
- Cara, bebo até na semana santa, não irei deixar de tomar umas cevadas no dia dos ladrões! - respondeu.
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
PASSO A PAÇO
Em homenagem ao
aniversário da cidade de Manaus, a Prefeitura Municipal elaborou uma vasta
programação, misturando teatro, gastronomia, apresentação musical e museu, tudo
junto no centro histórico, no entorno do Paço da Liberdade.
A cidade de Manaus está
com completando 347 anos de fundação e, nada mais justo para homenageá-la, fazer
uma variadíssima programação no local onde iniciou o seu povoamento.
Os nossos colonizadores
resolveram construir um fortim para proteger esse torrão da iminente invasão
por parte dos franceses e ingleses – o local escolhido foi na margem esquerda
do Rio Negro, ficou conhecido como Forte de São José do Rio Negro (destruído),
nascendo ao seu redor a cidade de Manaus.
O Paço da Liberdade foi
construído no século dezenove, para abrigar a sede do governo provincial,
depois, passou para o município e, atualmente, virou o Museu da Cidade de
Manaus.
Esse museu fica na Praça
D. Pedro II, conhecida antigamente, como Praça do Pelourinho, onde escravos e
malfeitores pegavam chicotadas em público - na “belle époque” tornou-se uma das
belas da cidade – passou décadas esquecida, maltratada e abandonada, sendo
frequentada por viciados em drogas e prostitutas.
Com a revitalização de
parte do centro histórico, a praça, o museu e seu entorno estão voltando ao seu
esplendor, onde acontecem eventos culturais e as famílias e os turistas
voltaram a frequentar o local.
Estive, ontem, ao evento
para participar da festa de aniversário da minha cidade –onde permaneci das
três horas da tarde até a virada do dia seguinte.
Inicialmente, fiz um
passeio por todas as ruas do entorno, passando pelas primeiras casas
construídas em Manaus, na Rua Bernardo Ramos – lamentavelmente, os dois últimos
prefeitos não tiveram a coragem de terminar a obra de recuperação.
Outro ponto que me deixou
triste, foi ver o Museu do Porto
fechado – o governo federal e o estadual entregaram o Porto de Manaus (Roadway) a família Di Carli (estão promovendo a destruição gradual daquele patrimônio
histórico), para ter uma ideia, eles destruíram um quarteirão inteiro de casas
antigas (local da construção do Forte), as autoridades (in) competentes nada
fizeram para impedir esse crime – o museu está fechada faz anos, sendo aniquilado
lentamente (pela ação da intempérie e falta de manutenção).
O Cabaré Chinelo fica no entorno da praça onde acontece o evento –
foi um hotel de luxo na época do boom da borracha, chamava-se Hotel Cassina (sobrenome do dono) – com
a falência, passou a qualidade de cabaré de quinta categoria, sendo destruído
aos poucos, restando apenas a fachada – pode voltar a brilhar, tudo depende da
decisão firme de um prefeito que ame de verdade essa cidade.
Voltando ao Passo a Paço:
O Paço da Liberdade é a estrela principal, com iluminação cênica atraindo
todos os olhares para ele – passei a maior parte do tempo sentado em sua frente
(escadaria de pedras de Lioz), olhando para tudo e todos.
Encontrei dezenas de
amigos manauaras, aliás, o local estava uma maravilha, com a participação
maciça das famílias, jovens, idosos e turistas – tive a alegria em rever a
moradora mais antiga da Rua Frei José dos
Inocentes, a Dona Nazinha, com os
seus bem vividos noventa e sete anos de idade – ela foi a primeira baiana da Escola de Samba Aparecida.
Tudo limpo, organizado,
bonito, com as pessoas sorrindo e sentindo-se felizes – alguns amigos
lamentavam não ter no local uma programação cultural todos os domingos.
Tinha uma fila enorme para
pegar uma senha para assistir a talentosa atriz Fernando Montenegro, no Les Artistes
Café Teatro – ela fez uma leitura dramática do texto “Nelson Rodrigues por
ele mesmo”.
Encontrei dezenas de
barracas dos chefs de Manaus (o chef Olivier Anquier foi o convidado
nacional) e de estudantes de gastronomia de faculdades particulares, além de
muitos FoodsTrucks e FoodBikes – com preços na média de
quinze reis o “sandubão”.
São três palcos: Coreto (Praça D. Pedro II), Palco da Música
(Rua Vivaldo Lima) e Sete de Setembro (esquina com a Avenida Eduardo Ribeiro)
– fiquei no primeiro, assisti a apresentação do Nunes (chorinho), cantor e compositor Pereira, banda Casa de Caba
e a estrelíssima Kátia Maria.
Fui a assistir o show do “Seu Jorge”, no Palco Sete de Setembro – o som estava péssimo e fiquei muito longe
do palco – achei insossa a sua apresentação – nem Carolina, Burquesinha e Mina do Apartamento empolgou a galera – os
jovens estavam mesmo era na paquera geral.
Para finalizar, houve um
show pirotécnico a meia-noite – maravilha – hora de voltar, pois hoje tem mais Passo a Paço.
Fotos:
Portadozacarias (Paço da Liberdade)
José Rocha
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
AEROPORTO DE PONTA PELADA DE MANAUS
Primeiro aeródromo de
Manaus, construído e inaugurado em plena Segunda
Guerra Mundial, em 1944, com apoio logístico e financeiro do governo dos Estados Unidos da América, com o
objetivo de facilitar o pouso de aeronaves possantes, de passageiros e
militares – com o fim da guerra, passou a operar voos civis e militares e, na
década de setenta, tornando-se um aeroporto militar brasileiro.
Em 1941, o governo Vargas
conseguiu dos USA (Acordos de Washington)um
grande aporte financeiro para a construção da Usina de Volta Redonda (RJ), uma obra importantíssima para a
industrialização do nosso país, em contrapartida, comprometeu-se em fornecer
minério de ferro e borracha para os países Aliados.
Nesses acordos, o governo
brasileiro autorizou a livre entrada de militares americanos, em Manaus, para
implementarem a “Batalha da Borracha”,
com a produção do látex para ajudar nos esforços de guerra – para a fabricação,
no exterior, de pneus dos aviões e automóveis dos USA, França e Inglaterra, pois os países produtores
asiáticos estavam bloqueados pelos inimigos japoneses.
O transporte aéreo de
borracha (Manaus-Miami) era realizado por hidroaviões Catalinas, na Ilha de Monte
Cristo (atual Avenida Lourenço Braga, conhecida como “Manaus Moderna”) pela empresa norte-americana RDC.
Nos porões dos navios
ianques, vieram máquinas pesadas (tratores, retroescavadeiras, etc.) para
serviços rodoviários, sendo utilizados, inicialmente, na construção de uma
pista de pouso, para a aterrissagem e decolagem de aviões de porte dos
norte-americanos, trazendo passageiros e militares.
O local escolhido foi uma
imensa área descampada, que ficava num elevado, no bairro do Crespo, atual
Avenida General Rodrigo Otávio, 35, conhecida
como “Ponta Pelada” (PLL), propício
para a construção da pista de pouso – a área foi doada pelo poder executivo
estadual ao Ministério da Aeronáutica
– o local já era considerado de utilidade pública pela Lei Estadual no. 1.020,
de 7 de maio de 1943.
Foi construído em tempo
recorde, evidenciando a eficiência americana - contando com uma pista de pouso e
uma casa de madeira com telhado de argila (era modesta, porém, confortável) para
apoio operacional e abrigar os passageiros, conforme fotografia antiga – entrou
em operação em 1944.
Com o término da Segunda Guerra, ocorrido em 1945, o Aeroporto de Ponta Pelada passou a ser
operado pelo governo brasileiro, depois, pela empresa pública INFRAERO (em 1973) e, pelos militares,a
partir de 1976, em decorrência da inauguração do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes.
Em 20 de janeiro de 1954, com
a presença do Presidente da Republica
Getúlio Vargas, ocorreu a inauguração do novo terminal de passageiros e da
revitalização da pista de pouso (2.318 metros de comprimento e de 45 m de
largura), fruto da participação da iniciativa privada (em particular, dos
industriais Dr. Alberto Ferreira do Vale
e Isaac B. Sabbá) – segundo os
historiadores, a obra ficou a cargo do engenheiro Trajano Mendes, custando a soma de trinta milhões de cruzeiros.
Acidentes ocorridos no
aeroporto:
24 de Maio de 1952:
acidente com o Loide Aéreo Nacional “Curtiss C-46D-15-CU” registrado PP-LDE, houve
um problema no motor, ao retornar para o aeroporto,caiu no Rio Negro, morrendo seis
ocupantes;
7 de Dezembro de
1960: avião da Real Curtiss C-46A-60-CK,
registrado PP-AKF, servia como Transporte Aéreo Nacional, voo 570 de Cuiabá
para Aeroporto Ponta Pelada, bateu no Montanha Cachimbo, morrendo 15
passageiros;
14 de Dezembro de 1962:
avião da Panair do Brasil “Lockheed L-049 Constellation”, registrado PP-PDE,
vinha do Aeroporto Val de Cans (Belém, Pará), caiu na selva quando faltavam 45
km para chegar a Manaus (Paraná da Eva), todos os 50 passageiros morreram;
12 de Novembro de 1969:
avião da Cruzeiro do Sul “NAMC YS-11/11A”, saiu do Aeroporto Ponta Pelada com
destino a Belém (Val de Cans), foi sequestrado por um terrorista e levado à
Cuba, não houve vitimas;
25 de Abril de 1970: avião
da VASP “Boeing 737-2A1, em rota de Brasília para Manaus, foi sequestrado por
um terrorista e levado à Cuba, o sequestrador morreu;
14 de Maio de 1970: o
mesmo avião e a mesma ocorrência acima.
Tipos de aviões e empresas
que operaram no aeroporto:
Cruzeiro do Sul, Lóide Aéreo Nacional, Panair do
Brasil, Real Transportes Aéreos, Transbrasil, Varig e VASP.
O Aeroporto de Ponta
Pelada possuía um fascínio todo especial por parte dos manauaras, aonde famílias
inteiras iam se despedir de algum parente que partia ou esperar, ansiosamente,
pela chegada de alguém – era também um local obrigatório de passeios nos finais
de semana.
Existia um pátio com
parapeito no mezanino, onde as pessoas gostavam de ver aquele espetáculo
indescritível, principalmente para as crianças - com aviões de todos os tamanhos
decolando e aterrissando; movimento de carrinhos levando bagagens; funcionários
orientando pilotos no estacionamento; carros tanques abastecendo os aviões e a
movimentação das escadas móveis para acoplamento nas portas das aeronaves, além
do adeus por parte daqueles que partiam.
Fazia muito sucesso o Restaurante Palheta, ficava na parte
superior, onde as pessoas faziam lanches e almoçavam – no saguão do Aeroporto
existiam cafés, loja de artesanatos regional e uma banca de revista, onde eram
disputados os postais de Manaus.
As passagens aéreas eram
caríssimas, fora da realidade, não permitindo a maioria dos manauaras viajarem,
principalmente, para a cidade mais desejada, o Rio de Janeiro – a Aeronáutica,
através dos aviões Búfalos, levava
militares e familiares em trânsito e, liberava a viagem para civis que
precisavam de tratamento de saúde em outras cidades do Sul e do Sudeste do
país.
Com a implantação da Zona Franca de Manaus, ocorrida em 1967
(em pleno regime militar), o Aeroporto de
Ponta Pelada foi ficando saturado, não suportando o fluxo cada maior de
cargas e passageiros – obrigando o governo federal a construir um novo
aeroporto, o Aeroporto Internacional
Eduardo Gomes, transferindo para lá toda a operação em 1976.
Atualmente, o Aeroporto de Ponta Pelada é administrado
pela Força Aérea Brasileira (Base Aérea
de Manaus BAMN), servindo, exclusivamente, para pousos e decolagens de
aviões militares e da Polícia Federal,
além de apoio estratégico, caso ocorra um mau tempo (nevoeiros) ou problemas
estruturais que impeçam a aterrissagem de aviões no atual aeroporto
internacional.
Fotos:
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
BLOGDOROCHA: MANAUS MAGAZINE E DENISE CABRAL DOS ANJOS
BLOGDOROCHA: MANAUS MAGAZINE E DENISE CABRAL DOS ANJOS: Olhando algumas prateleiras da Biblioteca Pública do Amazonas, por um acaso, deparei-me com vários tomos, onde constavam centenas de ed...
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
SOU DA URBE
Nasci, cresci, plantei
sementinhas (filhos), estou envelhecendo e, quando o nosso Criador do Universo determinar, morrerei e serei cremado na minha
cidade Manaus, pois fui, sou e sempre serei da urbe.
Sou um sexagenário, porém,
ainda lembro com detalhes desde quando tinha os meus cinco ou sete anos de
idade (tipo memória fotográfica) – tudo ficou gravado no disco rígido da minha
mente: a moradia e todo o seu entorno, a minha família, os colegas e amigos, a
topografia e tudo o que aconteceu em minha cidade nesse tempo todo.
Apesar de ser urbano, tenho
o maior respeito e consideração pelas pessoas que vivem no meio rural (campo) e
daqueles que praticam o ruralismo (atividades rurais em relação às urbanas),
porém, tenho ojeriza aos grandes ruralistas “do
mau” (aqueles grandes proprietários rurais que praticam atividades
econômicas e políticas visando benefícios próprios, nocivas ao meio ambiente e
ao povo que ali habita).
Vivo na cidade, respeito e
luto pela sua urbanização, com trabalhos públicos sérios e responsáveis, na
área de infraestrutura, com água de qualidade para todos os moradores (o
majestoso Rio Negro passa no nosso quintal); a correta drenagem de águas
pluviais e servidas, evitando doenças para as nossas criancinhas (esgotos a céu
aberto) e eletricidade para todos, com uma tarifa justa e social para aqueles
que merecem.
Por ser da urbe, luto e
clamo por serviços urbanos de qualidade, não mais valorizando o transporte
particular (carro próprio), mas, o transporte público dos bons (ônibus
confortáveis e pontuais) com tarifa justa, além do respeito e consideração pelo
uso das “magrelas” (corredores
exclusivos para os usuários das “bikes”).
Sou da urbe, usei e uso os
serviços públicos (na maioria das vezes precários) - não penso mais em
beneficio próprio, mas, nas das crianças e dos jovens, para terem uma educação
pública de qualidade (com tempo integral), além de usufruírem de uma cidade
calma, tranquila, arborizada e gostosa de viver.
Por ser da cidade de
Manaus, tornei-me um blogueiro
regional (editor do BLOGDOROCHA), tentando
escrever certo por linhas tortas, utilizando como pano de fundo a minha querida
e amada cidade natal – na realidade, o blog
(site em forma de diário online) não é meu, pertence, estruturalmente, a uma
empresa dos USA e, afetivamente, aos
meus conterrâneos manauaras – posto fotos antigas (cidade sorriso) e atuais
(cidade séria, porém, gostosa), além de saudosismos e vivências contemporâneas.
Tive o privilégio de viver
numa urbe pequena, onde quase todo o mundo se conhecia – curti os banhos nas
águas límpidas e cristalinas dos nossos igarapés, os cinemas, as festas
dançantes (com muito Leite de Tigre e
acocho nas caboquinhas), o mingau e
as compras domingueiras no “Mercadão”
(Mercado Adolpho Lisboa), as missas e procissões da Igreja Matriz (Nossa Senhora
da Conceição) e de São Sebastião; os jogos de futebol no Parque
Amazonense e Vivaldo Lima; os
carnavais de rua e os desfiles militares na Avenida Eduardo Ribeiro; o partir e
o chegar do Rodo (Roadway) e do Aeroporto de Ponta Pelada e, muito mais!
Nem tudo foram flores -
vivenciei a destruição de grande parte do nosso patrimônio histórico; do
crescimento desordenado da urbe, das invasões de terras, do desmatamento brutal
e impiedoso das nossas florestas e da poluição sonora, visual e dos igarapés -,
além do crescimento econômico, em decorrência da implantação da Zona Franca de Manaus, trazendo a
reboque todas as mazelas sociais, inchando e desordenando a cidade, com a vinda
dos caboclos do interior do estado do Amazonas e brasileiros de outras plagas,
alterando o nosso modo de ser e de pensar.
Felizmente, muitos anos
depois - tive a alegria de presenciar a revitalização de parte do nosso centro
histórico e da valorização da nossa cultura, com os jovens sentindo orgulho de
serem chamados de caboclos, valorizando a nossa culinária, a música regional e,
acima de tudo, de falar o “amazonês”
para inglês ver – como escreveu o poeta Aldizio “Porto de Lenha tu nunca serás Liverpool, com a cara pintada e os olhos
azuis”.
Mudando
de pau para cavaco: acho o máximo ser vereador - um cidadão escolhido pelo
pessoal da urbe, para representá-lo no parlamento, elaborar as leis
beneficiárias a população e fiscalizar os atos do prefeito (administrador da
urbe) – muitos utilizam esse cargo para amealhar e galgar outros cargos
públicos (infelizmente) – quem sabe um dia, possa ter esse gostinho em ajudar
(dever de todo cidadão responsável) aos meus conterrâneos da minha cidade.
Quando eu for “para o andar de cima” e partir dessa
vida para melhor (?), espero que os meus familiares cremem meu corpo e jogue de
avião “teco-teco” parte das minhas
cinzas pela minha amada cidade Manaus (da praia da Ponta Negra, passando pela margem esquerda do Rio Negro, Centro Histórico
até o Encontro das Águas), pois fui,
sou e sempre serei da urbe, sim, senhor!
E isso ai.
Esta
postagem foi feita em homenagem aos moradores da nossa urbe:
Alexandre
Soares, Adriana Soares, Amanda Soares, Eduarda Costa, Alexandre Victor, José
Rocha Filho, Henrique Martins, Graciete Martins, Kelva Fernandes, Marco Gomes,
Jersey Nazareno, José Sarto, Rogério Dias, Marcelo Dantas, Faby, Natinho Point
do Tacacá, Carbajal Gomes, Socorro Papoula, Graça Silva, Celestina Maria, Katia
Maria, Jumara Paulista, Heloisa Mineira, Manoel Cruz, Ana Claudia Soeiro, Rui
Machado, Carla Canori, Papaco, Afonso Toscano, Ulisses Marques, Denis, Simão
Pessoa, Jomar Fernandes, Rogelio Casado (in memoria), Chicão Cruz, Assante, Norte,
Ademir Ramos, Eduardo Braga Reis, Gisele Amora, Celestino Lê, Keyce Jhones,
Caril, Bringel, Buriti, Alberto Silva, Arlete Meirelles, Lucio Bezerra, Davi
Almeida, Ribamar Mitoso, José Pinheiro, Julinho Mendonça, Marco Aurélio,
Marjorie, Mauro Magalhaes, Orlando Magalhaes, Roberto Pacheco, Zé Luiz, Tiko
Ramos, Edvaldo Pagodinho, Nubia Maria e, amigos do Igarapé de Manaus, Vila
Paraíso, Rua Tapajós, Cidade Nova, Conjunto dos Jornalistas e Tocantins, do
Facebook e dos leitores e seguidores do Blogdorocha e G+, além de famílias de
judeus, portugueses, japoneses, italianos, alemães, árabes, caboclos, cariocas,
paraenses, cearenses, paulistas, gaúchos e mineiros (que fazem parte da nossa
Manaus); frequentadores do Bar do Armando, da BICA, do Bar Caldeira, Bar
Cipriano, Bar Jangadeiro e ET-Bar, além dos inimigos e adversários
(imaginários!) -, ou seja, de toda urbe (moradores da cidade de Manaus).
domingo, 2 de outubro de 2016
DESPACHANTES ADUANEIROS DE MANAUS
Foi uma das mais
importantes profissões na cidade de Manaus, um intermediário entre o importador
e o exportador, liberando mercadorias nacionais e estrangeiras que chegavam e
partiam do Porto de Manaus e do Aeroporto – era exercido por uma classe muito
seleta, conhecida e respeitada em nossa cidade.
Tudo começou com a vinda
da família real portuguesa para o Brasil, fugindo da perseguição militar do
francês Napoleão Bonaparte – vieram escoltados pela esquadra militar inglesa –
em contrapartida, a coroa foi forçada a abrir o mercado brasileiro a nações
amigas, inundando o mercado nacional de produtos “made in England” – surgindo a profissão do despachante aduaneiro.
Esse ofício consta na
Classificação Brasileira de Ocupações, sendo oficialmente prevista no Decreto
no. 2.647, de 18 de setembro de 1850, sendo auxiliado pelo Ajudante de
Despachante Aduaneiro – em 2009, a Receita Federal do Brasil alterou a
regulamentação desses profissionais, através da edição do Decreto no. 6.759,
passando a exigir exame de qualificação técnica.
O despachante é um agente
comercial que desembaraça (libera) mercadorias e bagagens, pagando fretes e recolhendo
direitos (impostos) junto à aduana (repartição pública responsável pela
vistoria de mercadorias e cobrança de direitos de entrada e saída), Secretaria
de Fazenda e outros órgãos públicos, atuando mediante procuração outorgada
pelos interessados e credenciamento junto ao Sistema Integrado de Comércio
Exterior (SISCOMEX).
Com o boom da exportação
da borracha in natura (1º. Ciclo, ocorrido entre 1879 e 1912), a cidade de
Manaus tornou-se uma das ricas do Brasil, ficando conhecida como a “Paris dos Trópicos”, sendo inundado por
produtos europeus, tornado primordial a atuação dos despachantes para
desintrincar todos os trâmites burocráticos e permitir a colocação dessas
mercadorias nas prateleiras das lojas chiques da nossa cidade.
Com a queda da exportação
da borracha e das duas guerras mundiais, a cidade de Manaus ficou abandonada,
escura e maltratada – mesmo assim, conseguiu sobreviver com a exportação de
castanha do Brasil, juta, piaçava, sorva, óleos de andiroba e copaíba e outros
produtos coletados da nossa floresta e, importando alguns produtos essenciais –
dando um pouco de fôlego para o profissional aduaneiro.
Por volta da década de
cinquenta, o nosso deputado federal Francisco Pereira (conhecido como
Pereirinha), conseguiu aprovar uma tornando a cidade de Manaus um porto livre
de importação (Zona Franca), com a suspensão dos tributos federais (Imposto de
Importação e Exportação), sendo reformulada e ampliada pelo Decreto-Lei no.
288/1967 – voltando a brilhar a profissão do despachante.
Quase todas as atividades
desses profissionais se concentravam dentro do Prédio da Alfândega (um dos
primeiros pré-fabricados do mundo, construído pelos ingleses e inaugurado pelo
Presidente Afonso Pena, em 1906) e nos armazéns do Porto de Manaus (Roadway) –
atualmente, tudo está online com liberações nos terminais alfandegados de
cargas.
Os despachantes
tornaram-se fortes, ricos e poderosos, inclusive fundaram o Sindicado dos
Despachantes do Amazonas para representar a classe, além da Caixa de Pensões e
Aposentadorias dos Despachantes – tinham tanto recursos financeiros que
construíram um pequeno conjunto de casas (tipo bangalô) na Avenida Constantino
Neri na entrada do bairro de São Jorge, somente para abrigar os despachantes
aduaneiros – ler postagem: http://jmartinsrocha.blogspot.com.br/2013/09/os-bangalos-dos-despachantes-aduaneiros.html
Tive contato direto com
eles, pois eu também militava na área, fazendo serviços aduaneiros para as
empresas comerciais em que trabalhava – lembro-me dos despachantes Empédocles
Antony e Guerra, eles andavam de paletó
e gravata, pareciam advogados no fórum, conheciam profundamente a legislação
aduaneira, davam banho de conhecimento em cima dos próprios fiscais da Receita
Federal – outro famoso, foi o despachante José Ayrton Pinheiro, fundador de uma
emissora local de televisão.
Com o tempo, essa
profissão quase desapareceu, pois a legislação permitiu as empresas fazerem o
seu próprio despacho aduaneiro – muitos deles se juntaram e formaram as comissárias
de despachos, que ganham muito dinheiro até hoje – as mais fortes são a Codama
Comissária de Despachos e a DMarcos – faturam alto com a liberação de
mercadorias para o Polo Industrial de Manaus.
É isso ai
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
CONJUNTO DE ESTUFADOS COLONIAL
Em 1980, ainda muito jovem,
fui obrigado a casar, pois tinha avançado o sinal – na época, trabalhava numa
empresa de revenda de móveis e linha branca (fogão, geladeira, etc.) – comprei o
básico “no estado” (com pequenos defeitos) para a formação do novo lar e a
espera do bebê – estava na moda o estilo colonial (era caríssimo) – metido a besta,
comprei um conjunto de estofados (com três peças) “top” todo em madeira de
primeira, acredito que era de mogno, feito para durar “a vida inteira”, sendo necessário, vez e outra, somente mudar apenas o tecido do assento – esse móvel fez história.
Fui morar com a mulher em
uma das casas do meu sogro, no bairro da Glória, onde o estufado reinava numa
imensa sala de estar – todos admiram aquelas belas peças, pois era grande, ergométrico, proporcionado um total conforto para as visitas e,
para o pobre mortal aqui assistir aos meus programas favoritos de televisão.
Em 1982, foi morar no
Conjunto dos Jornalistas, na Avenida Constantino Nery – as peças de estofados
tomavam quase toda a sala de estar do apartamento, tornando-se incompatível com
aquele minúsculo lugar, mesmo assim, ficamos com ele por uns quatro anos.
Nessa altura do campeonato,
já tínhamos um casal de filhos sapecas – os curumins riscavam as paredes,
quebrando tudo o que encontravam pela frente e, adoravam fazer xixi, riscar de
canetas e de lápis coloridos o ex-bonitão conjunto de estufados colonial! Sem
chance de ser feliz.
Muito a contragosto, o
estufado colonial foi vendido a “preço de banana” para um casal de amigos
moradores da Glória, a Ninita (hoje, uma policial civil aposentada) e o Bento
(aposentado e dono de uma bar/peixaria, antigo Bar do Quixito, no Conjunto
Tocantins).
O casal ficou por mais de
vinte anos com o estufado, mesmo morando em apartamento - segundo o meu
compadre Bento, o móvel foi cedido a uma prima, pois foi obrigado a comprar um
estufado tipo cama, para evitar de uma vez por todas dar o famoso “bafo de
Onça” e ouvir os ralhos da Dona Encrenca (quando chegava em casa cheio da
birita), resolvendo o problema dormindo na sala de estar.
Passados trinta e seis anos
da compra do móvel, o conjunto de estufados colonial voltou a brilhar – uma
vizinha da prima do Bento, falou para um amigo arquiteto e, este, muito
esperto, ofereceu o móvel para um velho empresário que estava ávido em compor em sua casa de campo com móveis da década de oitenta (somente do estilo colonial).
O Bento foi consultado pela
prima sobre o interesse do profissional na aquisição do estufado – na
brincadeira, o compadre falou para vender por dois mil reais, que seria
dividido meio a meio.
A prima do Bento falou para
o cidadão sobre o valor, o marmanjo não falou que sim, nem que não, foi logo
tirando a “pacoteira” do bolso da calça e pagou com vinte notas de cem reais.
Na semana passada, encontrei
com o Bento lá no Conjunto Tocantins II, na Praça de Alimentação, no Box da
Dona Terezinha (ela é minha cliente) – falou-me, todo sorridente, sobre a venda
do móvel – disse que iria “torar” os mil reais nas praias do Rio de Janeiro
(vai viajar em férias em outubro).
Pelo lucro da venda, o Bento
falou-me que eu teria direito a comer diversos peixes fritos regados a ampolas
de “bramitas véu de noiva”, tudo 0800.
Ontem, falei com um amigo
sobre essa história do conjunto de estofados colonial – o cara é do ramo –
falou e disse que o móvel vale a bagatela de seis a dez mil reais.
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