O Zé estava revirando o seu velho baú, parou para dar uma olhada numa velha foto tirada com uma máquina descartável “Love”, era a festa dos seus dezoitos anos de idade, naquele tempo ainda vigorava o Código Civil de 1916, portanto, o Zé ainda era menor de idade, porém, já aprontava muito: bebia, fumava e gostava de visitar o lupanar “Maria das Patas”, lembrou daquele dia como se ainda fosse hoje – acordou numa manhã de setembro, o cara era Virgem no signo, levantou mais alegre do pinto na merda, porém, tava numa lisura que dava dó, resolveu pedir um vale na empresa em que trabalhava, levou o sonoro não, correu atrás dos amigos, todos estavam mais duro do que ele, finalmente, foi pedir ajuda do seu querido pai, sem sucesso, o velho estava na entressafra – é agora, Zé Mundão? Partiu para cima do seu cofrinho, jogou o dito cujo na parede, foi caco para todos os lados e uma pequena mereca em moedas, não dava nem para o começo, o dia prometia para o Zé – resolveu fazer o niver solamente, nada de festinha com rodadas de batidas de “Tigre de Onça” para o pessoal do Bodozal (era o local onde ele morava) – foi ao Supermercado Casas dos Óleos, no Boulevard Amazonas, comprou uma latinha de Castanha de Caju Torrada, um litro de Run Montilla Carta Branca e uma garrafa de Coca-Cola, naquela época as embalagens dos supermercados eram de papel, ao chegar próxima da sua casa, a sacola rasgou, a garrafa de Run caiu no chão e quebrou o gargalo na sarjeta, o Zé chamou tudo o que era de palavrão, ficou tão puto que jogou o resto das compras num matagal, foi para a sua casa triste que fazia pena – e agora, Zé Mundão! Mas o cara era insistente, pegou o resto das moedas e foi na Taberna do “Aroeira”, comprou um litro da Cachaça Cocal (era um veludo no gogó!), pegou alguns limões, gelo e açúcar e fez aquela Caipirinha, pegou um disco de vinil do Roberto Carlos e colocou o som “no toco” na sua vitrola Nivico Hi-Fi; depois de quatro doses na moleira, o Zé já estava aquela cara de leso, deu uma vontade de beliscar alguma coisa, lembrou das compras que ele havia jogado fora, pegou uma lanterna e se embrenhou no matagal procurando a latinha de Caju – o local era de difícil acesso, mas o cara era que nem o bicho da goiaba verde, passou uma hora dentro do mato, ficou todo cortado por um capim escroto que corta até a alma do caboclo, pegou algumas ferroadas de Formiga-de-fogo e de Giguitaia, rastejou pelo chão, procurou, procurou e não encontrou nada! – o Zé estava muito azarado no dia do seu aniversário! Voltou para a sua casa todo “ferrado” no sentido da palavra, tomou mais uns goles de batida de limão, ouviu mais algumas músicas, não deu para se conter, abriu um grande berreiro, foi o suficiente para acordar os pais do Zé; o velho quando viu aquela situação do pobre coitado, ficou sensibilizado, abriu mão daquela grana que estava guardada para as despesas do mês, deu tudo para o Zé fazer a festa, afinal, era uma data muito importante, a mulherada comemora aos quinze anos e a macharada aos dezoitos anos – pense num cara alegre, imaginem a situação do Zé: saiu de repente de uma lisura total para uma posição confortante, com muita bala na agulha. Tomou um banho rápido, trocou a beca e passou uma mensagem na “Rádio Cipó”: - Tá todo mundo convidado para a festa do Zé Mundão! O local de encontro será às dez horas no Bar do Gordo, tudo será de graça, não será necessário levar presentes! Basta ter bucho de Leão e Gogó de aço para entornar todas! Este tipo de convite se espalha numa progressão geométrica, antes do horário marcado o Bar já estava todo entupido de gente – e agora, Zé Mundão? Ao chegar ao local, sentiu que o bicho ia pegar, mas o cara era “safo” mesmo! Botou logo a boca no Trombone: - Escuta aqui macacada, dois pontos - vou pagar adiantado quatro caixas de cervejas, cinco garrafas de Run Montilla, três galinhas “Cláudia Barroso”, uma porrada de fichas para o Jukebox e Fliperama e bastante “Refi” para a mulherada! Quando terminar, vou passar o chapéu, vai todo mundo inteirar para comprar mais ampolas! Tá feito, rapaziada? Nessa altura do campeonato um dos convidados mandou ver: - Porra, aniversário de pobre é uma merda, sempre sobra para os convidados, toda vez é servido Vatapá com Arroz, Maionese e Frango Desfiado com Farofa, depois o cara ainda tem que pagar o goró e ainda sai com uma puta infecção intestinal! Apesar dos pesares, tudo correu na perfeita harmonia, a festa do aniversário do Zé Mundão foi um sucesso! De volta ao presente, o Zé guarda a fotografia no Baú, respira fundo e acha muita graça daqueles tempos bons, ele era feliz e não sabia! Por falar nisso, será que o Zé vai comemorar este ano o aniversário dele? Sei não, mas se o fizer, irei contar aos mínimos detalhes o auê da festa, pois ele ainda continua gaiato e cheio de onda - farei questão dar um abração no meu brother Zé Mundão, ele merece!
sexta-feira, 16 de julho de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
FESTA RETRÔ
O nosso blog é saudosista, focado no resgate da nossa memória, nada melhor para darmos um mergulho no passado do que participar das festas que entram no túnel do tempo, relembrando os sucessos das épocas de 70, 80 e 90.
Retrô é uma forma reduzida de retrocesso – a Festa Retrô é um evento em que as pessoas se vestem e se embalaram com as músicas do passado, num ambiente com estilo e decoração baseado em épocas passadas, invertendo a roda do tempo, os Disc Jockey (DJ) tocam os melhores hits daqueles anos, algumas dão um toque todo especial com fartas mesas de doces retrô e telões com projeções de imagens de bandas, personalidades, novelas, desenhos, etc. das três décadas.
Dizem que uma retrô é fazer um reverse na nossa memória, fazendo o tempo voltar ao passado. Vamos conhecer um pouco sobre estas três décadas através da Wikipédia:
Década de 70: Foi a época em que aconteceu a crise do petróleo, o que levou os Estados Unidos à recessão, ao mesmo tempo em que economias de países como o Japão começavam a crescer. Nesta época também surgia o movimento da defesa do meio ambiente, e houve também um crescimento das revoluções comportamentais da década anterior. Muitos a consideram a "era do individualismo". Eclodiam nesta época os movimentos musicais do Rock and Roll, das discotecas, e também do experimentalismo na música erudita. Foi a última década do período classic rock. É também conhecida como a "década da discoteca", devido ao surgimento da dance music. Surge também o movimento punk. Em 1973, o concerto de Elvis Presley, "ALOHA FROM HAWAII" tem uma audiência estimada em mais de 1 bilhão de espectadores. A No Brasil, destaque para os trabalhos de O Terço, O Som Nosso de Cada Dia, A Barca do Sol, Rita Lee & Tutti Frutti, Casa das Máquinas e Sagrado Coração da Terra. O disco que mais se destaca é The Dark Side of the Moon, de Pink Floyd. A banda baiana Doces bárbaros, idealizada por Maria Bethania, Gilberto Gil, Gal Costa e Caetano Veloso.
Década de 80: Foi um período bastante marcante para a história do século XX segundo o ponto de vista dos acontecimentos políticos e sociais: é eventualmente considerada como o fim da idade industrial e início da idade da informação, sendo chamada por muitos como a década perdida para a América Latina. No rock, o punk se renova, mais acelerado e intenso (como no hardcore). No Brasil foi lançado o primeiro Rock in Rio (1985). É inaugurado o Sambódromo na cidade do Rio de Janeiro em 1984. Consolidavam-se o estilo musical da MPB, ou música popular brasileira (surgido na segunda metade da década de 60), e as bandas de música pop e de rock and roll, como Legião Urbana, Ultraje a rigor, Engenheiros do Hawaii, Titãs, RPM, Claudio Zoli (com a banda Brylho e Solo). A MPB consagrou a posição de destaque das vozes femininas na música brasileira; entre os fenômenos individuais destacam-se Elba Ramalho, Simone, Marina Lima, Maria Bethânia, Zizi Possi, Fafá de Belém, Elis Regina Gal Costa, Rita Lee, Rosana e Joanna. Dentre as vozes masculinas, Caetano Veloso, Chico Buarque, Milton Nascimento, Tom Jobim Guilherme Arantes, Flávio Venturini, Ivan Lins e Gilberto Gil.
Década de 90: Começou com o colapso da União Soviética e o fim da Guerra Fria, sendo esses seguidos pela consolidação da democracia, globalização e capitalismo global. Fatos marcantes para a década foram a Guerra do Golfo e a popularização do computador pessoal e a Internet. A Banda Guns N' Roses se consolida como a maior banda de Rock do mundo no começo dos anos 90 e Axl Rose se torna um ícone e um simbolo sexual nessa época. Músicas eletrônicas, experimentais e com intuitos "underground" se fundem com o rock e se popularizam com bandas como Nine Inch Nails, Rammstein, KMFDM e Ministry entre outras. Mais tarde algumas dessas bandas gerariam controvérsia ao serem indiretamente relacionadas a fatos como o Massacre de Columbine, em 1999. O pop teen começado no fim dos anos 20 retorna com força com Spice Girls, que foi um dos maiores fenômenos da música da época, juntamente aos Backstreet Boys, Shakira, Thalía, Christina Aguilera,e Jessica Simpson,'N Sync e Britney Spears, que se tornou a maior cantora pop dos anos 2000. A década de noventa foi marcada também pelo estilo Dance, mais conhecido como Eurodance, gênero derivado do Italo Disco, e também denominado assim pelo fato de muitos artistas virem da Europa, de quase todos os pontos. O estilo misturava a batida da era Disco com o house, que estoura nos rádios do mundo (No Brasil a rádio Jovem Pan 2 era a estação da dancemusic). Nos anos 90 o estilo ganhou muita popularidade em todo mundo, atingiu sue apogeu no ano de 1995, pois anos mais tarde o estilo foi perdendo força gradativamente. No ano de 1996 o estilo já apresenta um certo desgaste, sendo mesclado por elementos de trance, folk e também o reggae.
O Sesc Manaus irá promover uma imperdível Festa Retrô, conforme o convite abaixo:
Caia na Gandaia com a Festa Retrô! Venha curtir o melhor da Música dos Anos 70,80 e 90!
Atrações: Banda Caia na Gandaia - com Lucilene Castro, Zezinho Corrêa e Juliana Lameira e o Melhor do Flash com o DJ Fernando Araújo.
Ingressos Antecipados nas centrais SESC de Atendimento: R$10,00 (valor único)
Data: 16/07 Hora: 22h00
Local: Balneário do SESC (Av. Constantinopla s/n - Em frente ao Conjunto Campos Elíseos)
Divulgação: Raquel Cardoso – raquelcardoso@vivax.com.br
É isso aí!
quarta-feira, 14 de julho de 2010
A GAVETA DO LUTHIER ROCHINHA
* Paulo Mamulengo
Há quantas coisas guardadas
Em tão pequeno recanto
Coisas que por seus porquanto
Foram ainda assim ficaram
São coisas que a pequenice
Da mente não as percebe
Dá-se inteiro a tais guardados
Meu Deus me diga meu Deus
Quem mais poderá saber
Que segredos não passados
Em tão singela gaveta
Da vida do Luthier
Aonde não cabem facas
Nem serras sem canivetes
Nem procura de confetes
Mas tão somente
Simplesmente a fina talha
Que dará o tom da vida
Bilhetes, quiçá pedidos
Encomendas de amigos
De estranhas desavisados, que nunca jamais sabidos
Que ao tempo do luthier
Na gaveta dos guardados
Há uma sonata leve
Breve e diminuta
Que só se fará real
Nos carinhos dessas mãos
Dessas mãos de luthier.
Paulo Mamulengo - Filósofo, repentista, bonequeiro e líder comunitário da Vila de Paricatuba.
Fotos: J Martins Rocha
Há quantas coisas guardadas
Em tão pequeno recanto
Coisas que por seus porquanto
Foram ainda assim ficaram
São coisas que a pequenice
Da mente não as percebe
Dá-se inteiro a tais guardados
Meu Deus me diga meu Deus
Quem mais poderá saber
Que segredos não passados
Em tão singela gaveta
Da vida do Luthier
Aonde não cabem facas
Nem serras sem canivetes
Nem procura de confetes
Mas tão somente
Simplesmente a fina talha
Que dará o tom da vida
Bilhetes, quiçá pedidos
Encomendas de amigos
De estranhas desavisados, que nunca jamais sabidos
Que ao tempo do luthier
Na gaveta dos guardados
Há uma sonata leve
Breve e diminuta
Que só se fará real
Nos carinhos dessas mãos
Dessas mãos de luthier.
Paulo Mamulengo - Filósofo, repentista, bonequeiro e líder comunitário da Vila de Paricatuba.
Fotos: J Martins Rocha
terça-feira, 13 de julho de 2010
BRASILEIROS - SOMOS TODOS POLIGLOTAS?
Confesso que estou em dúvidas sobre qual é o nosso idioma, todos nós sabemos que o oficial é a língua portuguesa, oficiosamente, falamos muita coisa em inglês (speak English), o primeiro foi colocado goela abaixo pelos nossos descobridores (ou invasores) lusitanos, o segundo, está sendo implantado na marra pelo imperialismo norte-americano (em nome da tal globalização), além disso, somos obrigados a conhecer um pouco de espanhol, em decorrência de quase todos os nossos “hermanos” da América do Sul falar esta língua (nas reuniões do MERCOSUL deve-se falar o espanhol), porém, poucos sabem que a nossa língua “mater” (Latim = mãe) é o Tupi-Guarani (Awañene: abanheém - língua de gente). E agora, José? Brasileiros, somos todos poliglotas?
A língua portuguesa é derivada do latim vulgar, foi espalhada pelo mundo quando Portugal estabeleceu um império colonial e comercial, atualmente, ela é falada por mais de 260 milhões de pessoas, sendo oficial no Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial.
Quando alguém não entende o que a outra pessoa está falando é comum dizer “Você está falando Russo!”. Na realidade, a língua portuguesa é muito difícil, pode ter certeza que teremos que estudar a nossa gramática até a morte! E a língua falada no Brasil é diferente da praticada em Portugal, tanto que todos os manuais de produtos importados distinguem a escrita dos dois países. Ainda tem um complicador: o nosso país é continental, dessa forma, falamos o português diferente em cada região: Amazonês, Carioquês, Paulistês, Mineirês, Gauchês, etc.
Quando ousei em montar o meu blog tive (e ainda tenho) uma dificuldade terrível em expor a minhas ideias – ainda bem que existe uma pequena ajuda do “corretor ortográfico” do “Microsoft Words”, do Dicionário eletrônico do Aurélio XXI e da Gramática do Prof. Bechara, além da ajuda dos amigos, assim mesmo é complicado a nossa língua portuguesa, tanto que certa vez escrevi um “post” sobre “Uma Noite de Insônia: O relógio digital da minha cabeceira marca 02 h 31 mim 10 seg., sexta-feira de uma madrugada sem sono! O que fazer com esta insônia? Ler, lembrar do passado, ridicularizar o presente ou viajar para futuro! Não sei o que fazer, estou entediado, talvez seja melhor esperar o sono chegar, mas ele não chega! Terei que fazer alguma coisa, mas o que? Acho melhor escrever, mas escrever o quê e sobre quem? Lá vêm as dúvidas! Acho melhor ligar esta poderosíssima ferramenta - o notebook! Por que não pegar o tradicional papel e a caneta? Não sei, mas quem tem cão, não caça com gato (ou não se paga pet shop), diz o ditado popular! Será? Não importa, terei que escrever independente dos meios! Fiquei a pensar: tenho muitos assuntos para escrever, porém, ainda não dominei a nossa língua culta, que vergonha para um caboclo cinquentão! Vem o consolo: estou no mesmo barco como a grande maioria dos brasileiros, não conhecemos profundamente o nosso idioma; falar é fácil, o coloquial é uma beleza, mas escrever o português de Camões, a coisa toda muda!"
O inglês (English) é uma língua que se desenvolveu na Inglaterra durante a era anglo-saxão, foi difundida, inicialmente, através da influencia militar, econômica, cientifica, política e cultural do Império Britânico, hodiernamente, foi espalhada pelo resto do planeta em decorrência do imperialismo dos norte americano. Cerca de 380 milhões de pessoas falam o inglês como sua primeira língua, perde somente para o chinês mandarim e do espanhol.
Para quem deseja seguir a carreira no setor público, deve conhecer além da nossa difícil gramática, a língua inglesa ou espanhola. Houve uma disseminação violenta das escolas de inglês no nosso país. Tem que falar inglês, senão os jovens não conseguem ter uma boa educação escolar no terceiro grau e pós- graduação: os livros dos “papas” estão escritos em inglês. Hoje, a grande maioria dos jovens domina a língua inglesa aos vinte e dois anos de idade – é a famosa geração “Coca-Cola”. Coitado de mim, sou da geração “Palmatória”, aprendi a falar e a escrever “mais ou menos” o português pegando bastante bolo; estou tendo uma dificuldade enorme para pronunciar algumas expressões em inglês. Será que papagaio velho aprende a falar? Sei, não!
Não tem jeito, o inglês está no nosso cotidiano – caminhem pelas ruas de Manaus, observe os nomes das lojas, entre nos Shopping Center, traduza o Cardápio dos restaurantes e das lanchonetes, entre nas Lan Houses e Cyber Café, entre nos Orkut, Twitter e Blogs da vida, a grande maioria está em inglês! Pode conferir: Amazon Resgate, Oftal Center, Clinfit, Mobile Moveis, Eye Center, Super Sport, All Tennis, Top Life, Relax Moveis, Fath Copy, Fast Foods, Delivery, Rent a Car, Hot Dog, X-burger, Fitness, Brother, Playboy Motel - entre outras milhares de palavras e frases em inglês. Lembro de uma velha piada: o cara estudou três anos numa escola de inglês em Manaus, foi para os USA fazer intercâmbio cultural, depois de alguns dias ligou para a sua casa e o seu pai atendeu:
- Alô father, cadê a mather, como está a Help, tá tudo very well por ai? O velho respondeu: - Não estou entendendo patavina o que você está falando, quem quer falar com você é a Quiti. O filho respondeu: - Pô father ainda não aprendi em inglês o que Quiti! Ai o velho detonou: - Quem quer falar é a Qui Ti Pariu, a tua mãe, sai prá lá com esse teu inglês de merda, sêo porra! O cara nunca mais ligou “falando” em inglês!
O espanhol ou castelhano teve a sua origem no norte da Espanha, foi levado para as Américas, África e Ásia com a expansão do Império Espanhol. São 329 milhões de pessoas falando o espanhol como idioma nativo, perdendo somente para o chinês mandarim (também pudera, lá a população é de 1 bilhâo e trezentos e vinte milhôes!).
Na America do sul e central é oficial o Espanhol, somos os únicos diferentes, aliás, no Tratado de Tordesilhas esta parte da Amazônia pertencia ao Reino da Espanha, caso não fosse a esperteza dos portugueses da época da União Ibérica, estaríamos falando o espanhol (ainda bem!).
Depois de anos olhando somente para o nosso umbigo, finalmente, voltamos a nossa atenção para a América do Sul e Central – o Brasil conseguiu se firmar na política e na economia, passando por todas as turbulências que assolaram o mundo capitalista, tornado-se o tutor de vários países vizinhos. Os nossos “hermanos” não conseguem assimilar a nossa língua, eles dizem que ela é parecida com o francês – moral da estória: tivemos que aprender a falar o famoso Portunhol.
O Caribe fica bem ali, o manauense pode ir de Fusca até a Venezuela, tomar aquele banho de mar em Margarita e ablar com uma gatinha venezuelana! Uma delas mandou ver: - Me gusta Brasil y quiero ir pero no se ablar portugues es muy parecido al espanhol pero no se todas las palabras? Cual lugar seria un lugar bonito para modarme. O cabocão, mais por fora do que bunda de índio, respondeu: - Caraca, o que usted hablou? Ela respondeu: - Caracas, no! E ele desiludido, disparou: - Tô frito, sem chances de ganhar a gata!
O Caribe fica bem ali, o manauense pode ir de Fusca até a Venezuela, tomar aquele banho de mar em Margarita e ablar com uma gatinha venezuelana! Uma delas mandou ver: - Me gusta Brasil y quiero ir pero no se ablar portugues es muy parecido al espanhol pero no se todas las palabras? Cual lugar seria un lugar bonito para modarme. O cabocão, mais por fora do que bunda de índio, respondeu: - Caraca, o que usted hablou? Ela respondeu: - Caracas, no! E ele desiludido, disparou: - Tô frito, sem chances de ganhar a gata!
O Tupi-guarani é a nossa língua mãe, quando os portugueses aqui chegaram em 1500, os nossos irmãos das tribos indígenas falavam línguas pertencentes à dita família tupi, existe algumas correntes de pensadores brasileiros que sonham em um dia voltar a falar este idioma no nosso país.
O jornalista Ozias Alves Jr – e-mail Ozias@matriz.com.br escreveu o seguinte: “No primeiro semestre de 1995, assisti na televisão uma reportagem interessante do programa Fantástico, da Rede Globo, sobre a implantação futura da língua Tupi-Guarani como matéria optativa nas escolas públicas do Rio de Janeiro. Hoje, passados cinco anos, o projeto não saiu do papel por falta de professores, mas achei a idéia instigante. Muitos acham a medida um absurdo, outros a consideram fabulosa tal como seria a reação do personagem Policarpo Quaresma, do romance de Lima Barreto intitulado "Triste Fim de Policarpo Quaresma", publicado na segunda metade do século passado. Para quem não conhece essa obra, Quaresma era um cidadão extremamente nacionalista que defendeu obcecadamente a idéia da adoção do Tupi-guarani como língua oficial do Brasil, salientando que o português deveria ser abolido por tratar-se do idioma dos colonizadores. Lembro-me do relato de um senador amazonense chamado Pedro Luís Simpson (1840-1892). Este foi oficial do exército brasileiro na guerra do Paraguai (1865-1870). Conhecedor de nheengatu (tupi-guarani), ele entendia perfeitamente o guarani falado pelos soldados paraguaios prisioneiros interrogados por ele no idioma indígena brasileiro. Simpson foi autor de "Gramática de Língua Brasílica". Aprendeu a língua indígena durante sua infância, em Manaus, Amazonas. Quando garoto, brincava com crianças índias. O nheengatu (tupi-padrão) era o idioma que os padres jesuítas influenciaram os índios a falarem nas missões organizadas por eles na Amazônia”.
O nosso país sediará a Copa de 2014, queira ou não, teremos que falar um segundo idioma, não tem jeito, E Agora, José? Não sei não, mas terei que aprender na marra, pois, daqui a alguns anos, terei que escrever nas duas línguas (inglês e português) ou quem sabe nas três (incluindo o espanhol), ou melhor, incluindo também o Tupi-Guarani!
Até logo! Hasta luego! So long! Anauê.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
BRICADEIRAS DE PAPAGAIOS DE PAPEL
O nosso saudoso poeta/compositor Aníbal Beça, assim cantava: “Hoje é domingo na Vila de São José da Barra...”. Hoje é dia de missa na Matriz, tomar banho no Igarapé de Manaus, assistir aos filmes no cinema Guarany e brincar de Papagaio de Papel. Acorda José! O tempo já passou!
Para matar a saudade, dei um pulo lá pelas bandas dos Educandos (1), encontrei uma simpática vendedora de papagaios de papel, tirei algumas fotos, comprei umas carapetas (2) e dei para a molecada brincarem, foi uma festa! Outro lugar visitado foi em frente aos barracões das escolas de samba de Manaus, entre o Sambodrómo e a Vila Olímpica, o local é amplo, a fiação elétrica é interna, o lugar é ideal para a prática da brincadeira de papagaios de papel.
Na década de 60, existia em Manaus um sujeito chamado pelo cognome de Russo, era exímio “fabricante” de Papagaio de Papel, além da melhor maçaroca (3) de cerol (4) do pedaço. O preço era bastante salgado, mas era o melhor da cidade, não era penso (5) e, dava para trançar (6) e cortar na mão (7). Quem não tinha a verba (8), era o meu caso, o jeito era se virar nos trinta, ou seja, conseguir uma vara bem grande e correr atrás dos papagaios que eram cortados.
O meus pais não permitiam eu participar dessa brincadeira, pois ela é muito perigosa, o risco de ser acidentado é muito grande, o cerol é um perigo, mas, sabe como é moleque, bastava eles virarem as costas para eu correr para a rua e começar a empinar o meu papagaio. Ficávamos de um olho nos papagaios e o outro nos fiscais da CEM (9); quem fosse pego na brincadeira, ficava sem os papagaios e as linhas, se o caboclo (10) partisse para a grosseria, era colocado na Manduquinha (11) e levado para a Delegacia de Polícia da Joaquim Nabuco.
É mano velho, o tempo passou, vou tirar da estante aquele CD comprado do Leandro Grande Circular (12), e ouvir o compositor parintinense Chico da Silva detonando “Tempo Bom”: Naquele tempo de menino, ainda tenho no meu peito muita saudade, roda pião, estilingue no pescoço e papagaio pra soltar...”.
Para entender o linguajar (dialeto) da molecada de Manaus:
(1) Educandos – bairro da zona sul de Manaus;
(2) Carapeta – papagaios de tamanho P;
(3) Maçaroca – linha no. 40, enrolada na tala da folha de buritizeiro;
(4) Cerol - mistura de cola de madeira e vidro moído que as crianças passam na linha dos papagaios para cortar as de outrem;
(5) Penso – ficava inclinado para esquerda ou direita – o famoso “cangula”;
(6) Trançar – entrelaçar dois papagaios, o melhor cortava a linha do outro;
(7) Cortar na mão – cortar o papagaio do outro com bastante linha;
(8) Verba - dinheiro, money, carvão, faz-me rir, gaita, grana, jabaculê, tostão, etc.
(9) CEM - Companhia de Eletricidade de Manaus - apelidada de “Sem Energia”, atual Manaus Energia;
(10) Caboco - caboclo, mestiço de branco e índio;
(11) Manduqinha (AM) – carro da polícia para o transporte de pessoas detidas. (MA) carinhosa, (MG) carrocinha, (RJ, desus.) tintureiro e (RJ SP.) viúva-alegre;
(12) Grade Circular - linha de ônibus para a Zona Leste (o lugar mais longínquo do centro de Manaus); o Leandro é um conhecido vendedor de discos em Manaus, anda a pé por toda a cidade, dizem que quando for inaugurada a ponte para Iranduba, mudará o nome para Leandro Região Metropolitana de Manaus.
PAPAGAIO DE PAPEL: A ORIGEM DO BRINQUEDO - www.uems.br/cellms/documentos
Brincadeira antiga e conhecida em todo o mundo, o papagaio de papel tem indícios do seu surgimento entre os séculos XIII ou XIV na China. Segundo Cascudo (1999, p. 477), a princípio, quando do seu surgimento, o papagaio de papel não possuía função lúdica. Foi utilizado pelo general chinês Han-Sin para enviar notícias a uma praça sitiada. Por intervenção portuguesa o papagaio de papel se estendeu por toda Europa, depois foi trazido para América. O brinquedo serviu até como fonte de experiência científica, já que, em 1752, Benjamim Franklin utilizou o brinquedo para uma experimentação meteorológica (ALENCAR, 1971).Esse brinquedo tem inspirado trabalhos em muitas áreas, pois pintores, azulejistas, músicos, escritores, poetas, caricaturistas, compositores encontram no brinquedo a inspiração para suas obras.O papagaio foi adquirindo novas formas com o passar do tempo – alguns ainda são feitos de papel, muitos de pano, plástico, nylon, conforme a criatividade permitir, já que o comércio possui uma variedade de material para a confecção desse tipo de brinquedo. Outra forma de divertimento com esse brinquedo é a de “passar telegrama” pelo fio do papagaio de papel, brincadeira em que rodelas de papel são postas no fio do papagaio e assim vão “andando” a centenas de metros de altura. Nos Estados Unidos existe, inclusive, uma Associação Internacional de Empinadores de Papagaios.No Brasil, o papagaio de papel chegou com dos portugueses, e até hoje fascina crianças e adultos. Embora muitas referências apontem os meninos como principais usuários desse brinquedo, muitas meninas também entram na maravilhosa diversão de empinar os papagaios de papel.A pipa é, enfim, um brinquedo conhecido entre em Portugal, como estrela, raia, arraia, papagaio, bacalhau, gaivota, e no Brasil como papagaio, curica, pipa, cafifa, pandorga, arraia, quadrado, raia, pepeta, rabiola, dentre outras. Isso demonstra a manutenção de formas lusas no português do Brasil, na nomeação do brinquedo em pauta: papagaio, arraia e raia.
sábado, 10 de julho de 2010
CABOCLO SURUBIM: LISO, MAS CHEIO DA PINTA!
Os divertimentos e lazer da minha infância eram basicamente os banhos de igarapés, brincadeiras de rua e assistir aos filmes nos cinemas Guarany e Polytheama.
Na adolescência, as coisas mudaram, surgiram os bailes nos clubes, as piscinas artificiais e os shows dos artistas locais e de outras plagas. Imaginem um caboclo “surubim”, liso, mas cheio de pinta! Trabalhei na oficina do meu pai até os dezessete anos; depois consegui o meu primeiro emprego na Central de Ferragens, localizada no centro da Manaus antiga, na função de mensageiro, ganhando aquela “mereca” e um monte de contas para pagar. Não deu outra, o negócio era furar(entrar sem pagar!) nos clubes para se divertir!
O clube do meu coração era o Fast Clube, conhecido como “rolo compressor”, tinha uma grande admiração pelos jogadores, principalmente dos irmãos Piola; para assistir aos jogos, dava uma “pernada” até o Parque Amazonense, na Vila Municipal; não tinha grana para comprar o ingresso, a solução era subir nas árvores que ficavam ao redor do estádio ou partir para furar – a estratégia era aguardar o início da execução do Hino Nacional, os guardas ficavam na posição de sentido, aproveitava a situação para pular o muro!. A Colina dançou diversas vezes; não consegui no Vivaldão, mas pular da geral para arquibancada era moleza!
Outro clube que eu adorava era o Rio Negro Clube; não frequentava os seus bailes, mas a piscina era uma tentação! Passava horas pedindo ao porteiro para deixar entrar, às vezes “colava”, outras, não! Qual a solução? Furar! Subia pelas árvores laterais; certa vez fui pular do lugar mais alto do trampolim, imaginei soltando da primeira ponte (Ponte Romana I) – caí de barriga na piscina, além da dor, passei pela gozação dos sócios! Não voltei mais! Comecei a frequentar o Parque Dez de Novembro, apesar de longe, na época ficava no fim do mundo! Não precisava furar, era aberto ao público.
O Luso Sporting Clube era o clube dos portugas! Tinha muitos bailes e o Auto do Natal; escalar as paredes não era difícil! Na maioria das vezes entrava pela porta principal, pois eu era o ajudante do “Cão do Luso”, conhecido por Lapinha, mora até hoje na Vila Paraíso.
Nos finais de semana, tinha várias opções: os bailes do Sheik Clube (pertencia a comunidade síria, hoje é uma academia de malhação), o Bancrevea Clube (era dos funcionários do Banco da Amazônia; atualmente é uma academia da Uninorte) ou no Sambão (clube particular; hoje Uninorte); neste último, gozava de algumas regalias, era conhecido do João Matos, diretor do clube.
A minha irmã Kelva trabalhou nos cinemas Polytheama e Odeon (frequentado pela elite), ela era “bombomniere”, não dava outra: cinema e bombons de hortelã de graça!
Na vida adulta, tudo mudou! Consegui trabalhar em algumas empresas comerciais de Manaus, a grana começou a aparecer, não foi mais necessário furar! Fazia questão de comprar o meu ingresso e dos meus amigos da lisura! Surubim, agora, somente no prato! É isso ai!
sexta-feira, 9 de julho de 2010
PEIXARIA DO JOKKA
O estabelecimento fica localizado na Rua São José, no. 9, bairro de São Raimundo, em Manaus; a rua é sem saída, o restauante é minúsculo, porém se destaca por três itens: a figura do proprietário, a delícia dos peixes servidos e a inigualável vista para o Rio Negro.
O proprietário chama-se Joaquim Loureiro Neto, 59 anos, natural de Cajatuba (Manacapurú, Amazonas), conhecido por Jokka (com dois KK mesmo!), figura conhecida na cidade de Manaus pela sua irreverência e mau humor - o estabelecimento é fechado, o portão é de ferro e só entra quem ele permitir.
Logo na entrada existe um letreiro que adverte: "Gabinete do Jokka Loureiro, só para amigos e convidados. Não entre sem permissão!", existem também outras pérolas espalhadas pelo restaurante, retratando muito bem a personalidade do dono:
"Não aceitamos cheques nem vendemos fiado, para evitar a frequência de liso."
"Atendo do estivador ao doutor.";
"Não toleramos exigências nem frescuras.";
"Se queres tratamento especial vá para uma casa de massagem ou Hotel Tropical.";
"Seja educado: coma, pague e pegue o beco"!
"Jokka Loureiro, formado na França". Para quem não sabe, a França era um prostíbulo, localizado na Rua Mauá, baixo meretrício do centro de Manaus;
O Jokka não tolera pergunta idiota, mais ou menos do tipo:
- O senhor tem peixe frito? Não, temos somente prego, ferrolho e serrote! Responde com irritação.
- O que é aquilo que estão construindo ali no meio do Rio Negro? (se ferindo a Ponte Manaus/Iranduba) - É o Condomínio Residencial Rio Negro! responde babando de raiva.
Segundo o Jokka, ele não é uma pessoa mal-educada, no fundo é tudo brincadeira. O Jokka é também um grande cantor e compositor, compôs muitas músicas para o Mega Star Brega Abílio Farias, gosta de soltar a voz aos domingos no Bar Caldera, centro antigo de Manaus.
O restaurante é tocado com a ajuda da mulher, filhos e até dos netos, oferece à clientela sete variedades de peixes, todos acompanhados de baião-de-dois, farofa, vinagrete e farinha de Uarini; de sobremesa, tem sorvete caseiro de sabores como cupuaçu e tapioca. O cardápio é oral: - Tem tambaqui, pirarucú, tucunaré, matrinxã... só frito! detona o Jokka. O imóvel é de madeira, com uma pequena laje, onde são acomodados os bancos também de madeira; existem dois compartimentos: a parte de cima, com um mezanino (área VIP) e a parte de baixo; atende de segunda a sábado, no horário de 11h/15h30; a clientela é formada na sua grande maioria por empresários, turistas e políticos.Outro diferencial é a vista para o Rio Negro, pois o estabelecimento fica num morro do bairro de São Raimundo, aliás, existe outro aviso: “Criança, Macaco e Balão, somente amarrado”, foi uma forma de alertar aos pais, com relação ao perigo de uma criança cair morro abaixo.
Vale a pena conferir! Vá lá! Você vai se divertir, detonar o melhor peixe de Manaus e curtir o nosso majestoso Rio Negro, porém, aconselho não fazer pergunta idiota para o Jokka, tipo - A cerveja está gelada? O peixe vai sair rapidinho? ou Este peixe tem espinhas?
quarta-feira, 7 de julho de 2010
PEIXE-BOI DA AMAZÔNIA
O nosso Peixe-Boi da Amazônia, conhecido cientificamente como Trichechus inunguis, difere do marinho e do africano, principalmente no tamanho, o originário das águas doces são os menores, alcançando até 3 metros de comprimento e com um peso de mais de 450 quilos, possuem uma mancha na região ventral e ausência de unhas nas nadadeiras peitorais. A sua dieta alimentar é basicamente de plantas aquáticas e semi-aquáticas, consome diariamente até 10% do seu peso; devido ao seu baixo metabolismo, consegue ficar até 20 minutos embaixo da água, sem respirar.
A cada três anos, uma fêmea produz somente um filhote na gestação (com duração de trezes meses), mama até os dois anos de idade, ficando adulto a partir de cinco a seis anos, vivem até os sessenta anos.
A caça desse animal é proibida por lei (Lei nº 5.197/67 – Código da Fauna), porém, os ribeirinhos da Amazônia, ainda fazem o seu abate, pois o consumo de sua carne é muita apreciada; no passado, houve uma matança muito grande, pois além da utilização da carne como alimento, o couro era utilizado como vestuário e a gordura usada na iluminação de ambientes. A destruição do seu habitat, a contaminação das águas com agrotóxicos e mercúrio, a pesca de arrastão, o abate exagerado no passado, etc., estão contribuindo para o desaparecimento da espécie, atualmente, está classificado pela União Internacional para a Conservação da Natureza - UICN (2.000) como “vulnerável”.
O Instituto de Pesquisas da Amazônia – INPA, possui um local chamado Bosque da Ciência, em Manaus, no bairro Aleixo, onde poderemos encontrar o Tanque do Peixe-Boi – esses animais são levados para o instituto ainda bem novinhos, geralmente são encontrados quase sem vida pelos ribeirinhos, pois a mãe foi abatida numa caçada; alguns já nasceram em cativeiro - o primeiro foi o “Erê”, hoje com nove anos de idade.
O INPA e outras instituições conservacionistas efetuaram, pouco tempo atrás, a reintrodução na natureza do “Puru” e “Anama”, esses animais estavam no tanque do INPA desde 1995 e 1999, respectivamente, foram soltos em um afluente do Rio Negro, estão sendo monitorados através de um radiotransmissor colocado neles, os dois passaram um tempo juntos, nadando num raio de de até dois quilómetros e depois se separaram, os pesquisadores do INPA querem saber como está a relação deles com os peixes-bois selvagens.
Uma das estratégias usadas pelos ambientalistas é conscientizar as populações ribeirinhas e, na cidade, trabalhar com o público infantil, eles partem da premissa de que é muito difícil influenciar um adulto quanto a importância de preservar o peixe-boi, daí que no Bosque da Ciência e nas seis comunidades do Mosaico de Unidades de Conservação do Rio Cueiras, onde foram reintroduzidos os dois peixes-bois, a criança recebe informações sobre a espécie e sobre os riscos que ela corre.
Uma das estratégias usadas pelos ambientalistas é conscientizar as populações ribeirinhas e, na cidade, trabalhar com o público infantil, eles partem da premissa de que é muito difícil influenciar um adulto quanto a importância de preservar o peixe-boi, daí que no Bosque da Ciência e nas seis comunidades do Mosaico de Unidades de Conservação do Rio Cueiras, onde foram reintroduzidos os dois peixes-bois, a criança recebe informações sobre a espécie e sobre os riscos que ela corre.
Segundo a pesquisadora do INPA Vera Ferreira “O peixe-boi da Amazônia exerce um papel fundamental na cadeia alimentar e no ecossistema aquático da região, ao se alimentar nas grandes ilhas de capim flutuantes existentes nos rios da Amazônia, o maior herbívoro aquático controla o crescimento dessas plantas e com suas fezes e urina fertiliza as águas contribuindo para a manutenção do ambiente, transforma essas macrofitas em partículas menores por meio de suas fezes que servem de alimento para outras espécies de animais também presentes nos rios da Amazônia”.
Agora que já sabemos um pouco mais sobre o nosso Peixe-Boi da Amazônia, poderemos fazer parte da Associação dos Amigos do Peixe Boi, do INPA, contribuir de fato para a sua preservação e, jamais e, em hipótese alguma, iremos aceitar a carne desse mamífero em nossas mesas, deveremos, sim, denunciar ao IBAMA quem faz tal comercialização.
Fontes:
http://bosque.inpa.gov.br/principal.htm
Revista “Amazônia acrítica”, edição de abril de 2008
segunda-feira, 5 de julho de 2010
CAMINHADA PELAS RUAS DE MANAUS

Existem diversos lugares para fazer caminhada em Manaus, os preferidos pelos manauaras são: Calçadão da Ponta Negra, Boulevard Amazonas, Parque dos Bilhares, Largo de São Sebastião, Parque Jefferson Péres, Parque dos Idosos, Parque do Mindu e Amazonas Shopping, - no entanto, resolvi fazer a minha caminhada pela Avenida Sete de Setembro até a orla do Rio Negro, terminando no Porto de Manaus; nunca ouvi falar que alguém gostasse de caminhar por aquela via pública, que pena, pois ela é pura história de Manaus, além de ser calma e tranquila (aos domingos, é claro!); iniciei o percurso pelo Paço da Liberdade, este imponente prédio público está abandonado pelas autoridades do município, o local seria transformado no Museu da Cidade de Manaus, fiz uma caminhada pela Praça D. Pedro II, está tomada por dezenas de famílias de índios desaldeiados, abandonaram as suas tribos para tentarem a vida na cidade de Manaus – esta Praça foi uma das mais belas da nossa cidade, está também abandonada, suja e depredada – segundo os indígenas, estão no local por dois motivos: primeiro, ali já foi um cemitério indígena (eles cultivam o amor aos seus antepassados) e segundo, foi uma forma de chamar a atenção das autoridades públicas sobre a sua situação na cidade, inclusive, o atual governador já prometeu doar casas para todos eles – prometeu e não cumpriu, como sempre! A caminhada estava somente no início, passei pelo Centro Cultural Palácio Rio Branco, está uma beleza, todo recuperado, dei uma olhada no Cabaré Chinelo; em seguida, passei em frente ao Edifício do IAPTEC (foi o primeiro espigão de Manaus), as meninas gostam de bater o ponto bem frente ao prédio, ao passar por lá uma delas detonou: - Vamos nessa, gato velho? Respondi: - Eu, hein, tô fora! O objetivo é caminhar, fui em frente, passei pela antiga sede do Poder Legislativo Municipal (está abandonado, poderia servir para alguma coisa, talvez seria uma boa ser um abrigo para os mendigos de Manaus), pela agência do Banco da Amazônia (a sua fachada é toda de madeira da região amazônica), pela Biblioteca Arthur Reis (não sei se está aberta ao público), Casa 22 Paulista, Igreja Matriz, Líder Hotel e a Loja Aur Bon Marché – caminhando um pouco mais encontrei as ruínas do antigo Grande Hotel, a Biblioteca Pública (fechada para reformas faz dois anos) e a Praça Heliodoro Balbi, antiga Praça da Polícia (está limpa, bonita e policiada), o Colégio D. Pedro II, conhecido como Colégio Estadual; na esquina com a Avenida Getúlio Vargas, tive uma dor no peito, não foi Angina ou Infarto (ainda bem!), foi apenas uma revolta por terem destruído os Cines Guarany e Polytheama, no primeiro, foi erguido uma agência do Banco Itaú, um prédio de gosto duvidoso, no segundo, deixaram apenas uma parede que lembra os velhos tempos da minha infância; no quarteirão até a Avenida Sete de Setembro, lembrei da professora Carmelita Esteves, ela escreveu várias crônicas sobre os moradores daquele lugar. Caminhando um pouco mais encontrei o Canto do Quintela, existe somente o canto, enquanto o Quintela, já era! Mais um pouco a frente está o Museu do Homem do Norte, antigo prédio do Corpo de Bombeiros, fechado pelos homens da Prefeitura de Manaus (qual será o motivo? Não sei, talvez não renda grana, eles preferem construir viadutos e passagens de nível). Um pouco mais adiante, parei aonde nasci – o meu Igarapé de Manaus – na Primeira Ponte, fiquei absorto em meus pensamentos – os meus vizinhos foram mandados embora, o pessoal do Prosamim passou por lá, destruíram todas as casas e mandaram todos para bem longe, no local construíram o Parque Igarapé de Manaus – o tempo estava fechando, dei uma parada no Centro Cultural Palácio Rio Negro, antiga sede do Poder Executivo do Amazonas; caiu uma forte chuva, resolvi me abrigar no Parque Jefferson Péres, fiquei bem embaixo da casa em que o governo mandou destruir, restou somente a fachada, no local construíram um Centro de Convenções - passou a chuva, continuei a caminhada, parei no Parque Bittencourt, o Prosamim passou também por lá, tive o prazer de ouvir os pássaros cantarem nas árvores frutíferas que estão nos quintais das casas do entorno do parque. Caminhando um pouco mais encontrei muitos prédios antigos, a grande maioria está bem conservada, passei pelo antigo prédio da Escola Técnica Federal do Amazonas, atual Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, pelo Colégio Santa Terezinha (está faltando uma pintura) – passei também pela Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, um prédio de 1904 e, finalmente a Terceira Ponte, a famosa Ponte Benjamin Constant, está toda recuperada, fiz questão de caminhar por ela, parei no Mercado Municipal Walter Rayol, construído em 1965 pelo então governador Plínio Coelho, visitei todos os boxes, foi uma volta ao passado. E agora José? A Caminhada continua, passei pelo antigo prédio da CEM, na minha infância era conhecida como “Sem Energia” - os carvoeiros foram expulsos para algum lugar incerto e não sabido - o tempo continuava fechado, o São Pedro estava chutando os camburões – quem está na chuva é para se molhar! Continuei a minha caminhada, passei pelo Parque do Mestre Chico, uma beleza, porém, as marcas do abandono começam a aparecer, não tem policiamento, os parquinhos estão todos quebrados, sem manutenção, as autoridades não imaginam o quanto um parquinho faz falta para uma criança pobre – pelas aquelas bandas existe o Makro, um grande centro de vendas no atacado de produtos alimentícios, além da Montana (do grupo Coca-Cola), revendedora da Ford, bem que os empresários poderiam fazer uma parceria com o governo do Estado, no sentido de adotarem o Parquinho, seria o mínimo que eles poderia fazer pelo “social”, mas, pelo visto, eles não estão nem aí! Caminhando um pouco mais encontrei o Estaleiro do Caxangá – lembrei da minha infância quando ia até lá remando o meu Bote (pequeno barco), agora está tudo aterrado, fizeram a tal “Manaus Moderna”. A caminhada continua, meu irmão! Passei pela orla do Rio Negro, o tempo estava bom, sem sol, uma maravilha! Parava uma vez e outra também, afinal, a idade pesa ,fiquei admirando o “Beiradão dos Educando”, está cheio de Estaleiros, muitas casas palafitas e muitos barcos, alguns fundeados e outros tantos afundados; na orla, existe um local somente para vendas de barcos, canoas, empurradores, balsas e o escambau, passei pelo Teatro Chaminé, está belo, merece uma visita; depois, dei um pulo no Feira da Manaus Moderna, tomei uma água de coco (possui um alto poder reidratante); aproveitei para ver "in loco" a tal propalada "Choque de Gestão do Amazonino" (o alcaide da Manô de mil contrastes), uma loucura o lugar, nota zero para o Negão! Parei para ver os barcos saírem para a Praia do Tupé, deu vontade de entrar num deles, um vendedor me falou que o preço é R$ 15,00, ainda existe praia (apesar de ainda estarmos na cheia do rio), segundo ele, no trajeto o barco vai na “manha” para os clientes encherem a cara de cervejas e curtirem muita música ao vivo de boi e forró-brega. Eu, hein, tô fora! O meu foco era caminhar, talvez no próximo domingo dê um pulo até lá. Passei pelo Mercado Municipal Adolpho Lisboa, tristeza pelo que vi, apesar de está em processo de recuperação e pelo andar da carruagem vai está pronto somente em 2014! Cheguei no Porto de Manaus, estão destruindo dois Armazéns do início do século passado para a construção do "Camelodrómo! Égua, sai prá lá Di Carlis e De Bronzes da vida! Ponto final da caminhada - fui até o Bar Jangadeiro (fica no Edifício Tartaruga), tinha que fazer uma completa reindratação, afinal, ninguém é de ferro! Caminhar faz bem para a saúde física e mental, melhor ainda, caminhar pelas ruas de Manaus é muito bom!. É isso aí.
sábado, 3 de julho de 2010
BALBINA, A HIDRELÉTRICA DO CAOS
Usina produz imagens de fim do mundo e é exemplo de ineficiência.
Dificilmente haverá no planeta um monumento à estupidez como a Usina Hidrelétrica de Balbina, localizada no município de Presidente Figueiredo. Idealizada na ditadura militar e terminada em 1989, ela custou, na época, US$ 1 BILHÃO. Inundou 2,6 mil quilômetros quadrados de riquíssimas florestas nativas, criando um dos maiores lagos artificiais do mundo. Os milhões de árvores que tiveram suas raízes submersas não foram retirados e transformados em madeira produtiva – estão lá apodrecendo. As águas do lago imenso produzem hoje apenas de 120 MW a 130 MW de energia; é a unidade de geração mais ineficiente entre as 113 hidrelétricas do País. E, para culminar a série de desastres, a vegetação inundada se tornou uma fonte gigantesca de emissão de gases de efeito estufa: emite 3,3 milhões de toneladas de carbono equivalente por ano, metade do que jogam na atmosfera os carros que circulam em São Paulo.
Os erros começam pela escolha do local – uma área extremamente plana, 180 quilômetros ao norte de Manaus. Na planície, as águas se espalham, rasas, por uma área imensa; há grandes trechos que podem ser percorridos com água na cintura, às vezes com a profundidade suficiente apenas para molhar os pés. A disparidade entre a área inundada e a capacidade de produção de energia é imensa. Para ficar na própria região amazônica, a usina de Tucuruí, no Pará, também alagou uma grande área; lá, o lago ocupa 2,4 mil km2, mas a água represada no Rio Tocantins tem força para tocar uma usina de 4.245 MW, 17 vezes superior a Balbina.
A comparação com Itaipu torna Balbina ainda mais absurda – Itaipu tem um lago de 1,3 mil km2, metade do da usina do Amazonas, e sua potência instalada é de 14 mil MW. A potência instalada de Balbina, já na época da sua inauguração, era de ridículos 250 MW. Mas a situação piora a cada ano: 18 anos depois, a capacidade instalada já não atinge nem esse limite baixo. Os equipamentos obsoletos, a baixa pressão da água e o acúmulo de sedimentos produzidos pelo apodrecimento das árvores largadas na área inundada continuam comprometendo o potencial de geração da hidrelétrica.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
FEIRA INTINERANTE DE LIVROS DA EDUA
Abertura: 3 de julho (sábado) – 10 horas
EDUA - Editora da Universidade Federal do Amazonas
Com o lançamento do livro “O boto cor-de-rosa e o jacaré do rabo cotó”, de Pedro Lucas Lindoso, ganhador do Prêmios Literários Cidade de Manaus, na categoria Conto Infantil.
São mais de dez mil livros, cerca de 400 títulos: Rosa Mendonça de Brito, padre Luis Laudato, Selma Suely Baçal, José Aldemir, Paulo Jacob, Arthur Engrácio, Ernesto Penafort, Mário Ypiranga Monteiro Neto, Sérgio Ivan Gil Braga, Arminda Mourão, Aldenice Bezerra, Zemaria Pinto, Manoel Dias Galvão, André Vidal de Araújo, David Pennington e muitos outros grandes autores
Preços: R$ 2,00 – R$ 5,00 – R$ 10,00 – R$ 20,00 – R$ 50,00
Local: IGHA - Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas
Rua Bernardo Ramos, ao lado da antiga Prefeitura de Manaus
Quando: durante o mês de julho
De: segunda a sexta-feira
Das: 9 às 17 horas
Organização:
Evaldo Ferreira: 8134-9960
Sobre a EDUA:
Criada em abril de 1991 a Editora da Universidade tem como objetivo: estimular a produção intelectual dos docentes, discentes e pesquisadores, com função acadêmica no qual diz respeito ao Ensino e Pesquisa, com método de aplicação interna e à extensão, quando direcionada ao público específico. Visando dessa forma colocar ao alcance de todos, edições que buscam difundir a Amazônia para o resto do país e para fora dele.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
O FORRÓ DA DONA MARIA BELÉM
A Dona Maria Belém, era uma senhora que veio com a família, do interior do Pará, para morar em Manaus, em torno da década de 20; tornou-se uma mulher festeira, foi considerada uma referencia no quesito diversão, com muito forró na sua residência, situada no Igarapé de Manaus.
Apesar dos paraenses gostarem muito do Carimbó, um tipo de dança de roda, originário da cidade de Marapanim/Pará, a Dona Maria Belém adotou o Forró, o famoso “arrasta-pé”, uma música originalmente instrumental, parente do baião, porém com andamento mais acelerado, muito apreciada no nordeste, principalmente no Ceará; acredito que ela foi influenciada pelas famílias de nordestinos que migraram para a Amazônia, na época do auge da coleta do látex das seringueiras.
Ela morava num grande flutuante (casa sob toras de madeira), ficava ancorado na Rua Ipixuna, no Igarapé de Manaus, morou por lá durantes décadas, até o desmonte da Cidade Flutuante, por parte do governo do Estado, na década de 60. A sua casa tinha uma distribuição interior igual aos dos caboclos ribeirinhos da Amazônia – feita toda de madeira, com um grande salão, um pequeno quarto, cozinha com um girau (espécie de pia), banheiro e privada juntos, com duas portas, uma na frente e a outra nos fundos, além de várias janelas nas laterais, com cobertura de palha (tira seca e flexível de juco, vime, taquara ou outra planta), não tinha água encanada e nem luz elétrica.
Nas sextas-feiras e sábados, a sua residência era transformada num grande salão de danças, os músicos que se apresentavam eram originários das Pastorinhas, da Rua Major Gabriel, tinha também alguns que tocavam instrumentos de sopro, advindo das ruas do entorno da sua casa. A entrada era gratuita, bastava apenas ter fôlego para dançar até o sol raiar e gogó de aço, para entornar bastante “goró”.
A molecada podia entrar, mas era logo expulsa, sabe como é curumim, pois segundo o meu amigo Jokka Loureiro: “Menino, Macaco e Cachorro, somente amarrado!”. Sempre aprontando, algumas vezes ficavam chupando limão bem na frente dos músicos de metais, “não tem fiofó de peruano que aguente”, a boca ficava logo cheia d´água - como é que se consegue assoprar um saxofone, mano!
A batida de limão, tipo ponche, era feita numa grande panela, com muitas e muitas garrafas de cachaça Cocal (vindo do Pará, é lógico!) - o pessoal tomava num caneco de alumínio, colado com uma haste, o mesmo que é utilizado para tomar água de Pote (grande vaso de barro). Lá pelas tantas horas, o “pote da rapaziada” já estava bastante cheio, começam a soltar impropérios uns contra os outros – e ai “comia o couro”!
A iluminação era a base de Lamparinas (feito de metal, com um pavio e querosene), algumas vezes os mais afoitos sopravam a chama para apagá-la, pois com a escuridão, dava para pegar nos seios de alguma cabocla ou dar um acocho na vizinha gostosona.
Numa bela noite de luar, a rapaziada começou uma desavença - “aí o bicho pegou” -, muitos pularam pelas janelas, dentro do rio, que estava cheio, os músicos correram, a mulherada debandou, o flutuante começou a tremer, uma lamparina caiu dentro da panela de batida de limão. Depois de algum tempo, entra em ação a turma do “deixa disso”; os ânimos foram acalmados, todos voltaram para o Forró da Maria Belém - quando foram reiniciar os trabalhos, a cachaça estava com o gosto esquisito, a Dona Maria Belém meteu a mão dentro da panela, tirou a lamparina, jogou pela janela e, gritou:
– E aí cambada de valentões, ordinários, não vão mais encarar a minha batida de limão? Perguntou na maior, mostrando um terçado Matão.
Um deles detonou – Até que dá para tomar, mesmo com este gosto escroto de querosene!
– Tá bom, podem beber e dançar novamente, mas se começarem a brigar de novo, irei acabar na hora com a porra desta festa e botar todo mundo prá correr! Dando um ralho nos cabras.
Era assim todo o final de final de semana, muito forró, cachaça e porrada para todo o lado, mas quem por lá frequentou, jamais esquecerá o Forró da Maria Belém! É isso.
terça-feira, 29 de junho de 2010
DIA DE SÃO PEDRO EM MANAUS
Hoje é dia 29 de junho, considerado pela igreja católica o “Dia de São Pedro” - o santo foi um humilde pescador, apóstolo, fundador da Igreja Católica, o primeiro Papa, protetor das viúvas e dos pescadores, além de ser considerado pelos católicos como o chaveiro do céu e de ter a responsabilidade de fazer chover.
Na tradição católica, hoje é dia dos pescadores fazerem a Procissão Fluvial e, em terra firme os fieis devem acender fogueiras na portas das suas casas, soltar fogos de artifícios e fazer o famoso pau-de-sebo.
Em Manaus, o evento terá como tema “São Pedro nos fortalece com economia e vida, queremos uma sociedade sem exclusão” - a tradicional procissão sairá da Igreja Matriz e fará o percurso fluvial acompanhado de centenas de embarcações enfeitadas.
Segundo o jornal Diário 24 Horas “O percurso fluvial começa na Ponta do Ismael, Compensa 3, zona oeste, até a Comunidade São Pedro, encerrando no Porto da Panair, no Educandos, zona sul.
A continuidade da procissão terrestre recomeça na Avenida Bento José de Lima. Em seguida, às 18h, será realizada uma missa campal no Centro Cultural Zulândio (curral do Boi Garanhão), em Educandos”.
Manaus é uma metrópole, apesar do crescimento ainda cultivamos esta procissão na orla do Rio Negro – ainda bem! Quanto aos festejos juninos, vamos perdendo um pouco esta tradição, infelizmente!
segunda-feira, 28 de junho de 2010
CENTRO CULTURAL PALÁCIO DE JUSTIÇA
Fica na Avenida Eduardo Ribeiro, 833, centro de Manaus, a sua construção foi iniciado em 1894, no governo de Eduardo Gonçalves Ribeiro e inaugurado no dia 21 de abril de 1900, na administração estadual do Coronel José Cardoso Ramalho Junior – serviu por 106 anos como sede do Poder Judiciário, principalmente como instância do segundo grau.
É um dos remanescentes do período áureo da borracha, exemplo da arquitetura clássica, com as suas linhas estruturais seguindo o estilo renascentista. Foi tombado como patrimônio histórico estadual em 1980.
Era conhecido como Palácio Clóvis Bevilácqua, uma homenagem ao jurista e autor do projeto do Código Civil de 1899 (promulgado em 1916) – sendo, posteriormente, transformado em Centro Cultural Palácio da Justiça.
Poucas pessoas conhecem o interior do prédio, a oportunidade é agora, para maiores informações basta mandar um e-mail para tur.ccpj@culturamazonas.am.gov.br ou ligar para 92 3248-1844. A programação é variada: música erudita, música popular acústica, teatro, cinema, exposição de arte, palestras e júri simulado. Os serviços são os seguintes: Café Leão do Ouro, Loja de Souvenir, Livrarias, Exposição Permanente, Exposições temporárias, Visitas guiadas (guias bilíngues), Visitas teatralizadas e Aluguel do espaço para programação variada. Visitação de terça a sábado, das 9h às 16h e domingo, de 16h às 21h.
Sempre morei no centro de Manaus, nunca tinha entrado naquele prédio, mas, sempre tem o primeiro dia, e, este foi no domingo passado. A Avenida Eduardo Ribeiro perdeu o seu “glamour”, os governantes não têm dado a devida atenção a esta importante via pública, o local é mal iluminado e pouco policiado – ao chegar ao prédio, notei um forte odor na calçada e uma iluminação deficitária, fica aberta apenas uma parte de um dos portões – ao entrar a coisa toda muda, existe segurança, guias, iluminação perfeita, tudo em perfeita ordem.
Tive a oportunidade de conhecer o Pleno e o Tribunal do Júri; visitei todas as salas, fiquei surpreso com o teto, um trabalho de arte; encontrei dezenas de móveis da época, relógios antigos e lustres de cristais; visitei duas exposições fotográficas; conheci o acervo com mais de mil livros jurídicos; tive uma grata surpresa ao olhar do hall principal os fundos do Teatro Amazonas.
O governo do Amazonas, através da Secretaria de Cultura, deve fazer algumas injunções junto a Prefeitura Municipal de Manaus, no sentido de substituir toda a iluminação da Avenida Eduardo Ribeiro, bem como, solicitar a Secretaria de Segurança Pública, um maior policiamento do local. Fazer também um trabalho junto à rede de ensino, tanto publica quanto privado, para atrair os estudantes do ensino fundamental e médio, para visitarem aquele prédio histórico – divulgar, também, na mídia local, os atrativos do Centro Cultural Palácio de Justiça e de outros espaços públicos, motivando as pessoas para conhecer estes locais.
Fonte: http://www.culturamazonas.am.gov.br/
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