segunda-feira, 24 de outubro de 2016

PASSO A PAÇO


Em homenagem ao aniversário da cidade de Manaus, a Prefeitura Municipal elaborou uma vasta programação, misturando teatro, gastronomia, apresentação musical e museu, tudo junto no centro histórico, no entorno do Paço da Liberdade.

A cidade de Manaus está com completando 347 anos de fundação e, nada mais justo para homenageá-la, fazer uma variadíssima programação no local onde iniciou o seu povoamento.

Os nossos colonizadores resolveram construir um fortim para proteger esse torrão da iminente invasão por parte dos franceses e ingleses – o local escolhido foi na margem esquerda do Rio Negro, ficou conhecido como Forte de São José do Rio Negro (destruído), nascendo ao seu redor a cidade de Manaus.

O Paço da Liberdade foi construído no século dezenove, para abrigar a sede do governo provincial, depois, passou para o município e, atualmente, virou o Museu da Cidade de Manaus.

Esse museu fica na Praça D. Pedro II, conhecida antigamente, como Praça do Pelourinho, onde escravos e malfeitores pegavam chicotadas em público - na “belle époque” tornou-se uma das belas da cidade – passou décadas esquecida, maltratada e abandonada, sendo frequentada por viciados em drogas e prostitutas.

Com a revitalização de parte do centro histórico, a praça, o museu e seu entorno estão voltando ao seu esplendor, onde acontecem eventos culturais e as famílias e os turistas voltaram a frequentar o local.

Estive, ontem, ao evento para participar da festa de aniversário da minha cidade –onde permaneci das três horas da tarde até a virada do dia seguinte.

Inicialmente, fiz um passeio por todas as ruas do entorno, passando pelas primeiras casas construídas em Manaus, na Rua Bernardo Ramos – lamentavelmente, os dois últimos prefeitos não tiveram a coragem de terminar a obra de recuperação.

Outro ponto que me deixou triste, foi ver o Museu do Porto fechado – o governo federal e o estadual entregaram o Porto de Manaus (Roadway) a família Di Carli (estão promovendo a destruição gradual daquele patrimônio histórico), para ter uma ideia, eles destruíram um quarteirão inteiro de casas antigas (local da construção do Forte), as autoridades (in) competentes nada fizeram para impedir esse crime – o museu está fechada faz anos, sendo aniquilado lentamente (pela ação da intempérie e falta de manutenção).

O Cabaré Chinelo fica no entorno da praça onde acontece o evento – foi um hotel de luxo na época do boom da borracha, chamava-se Hotel Cassina (sobrenome do dono) – com a falência, passou a qualidade de cabaré de quinta categoria, sendo destruído aos poucos, restando apenas a fachada – pode voltar a brilhar, tudo depende da decisão firme de um prefeito que ame de verdade essa cidade.

Voltando ao Passo a Paço:

O Paço da Liberdade é a estrela principal, com iluminação cênica atraindo todos os olhares para ele – passei a maior parte do tempo sentado em sua frente (escadaria de pedras de Lioz), olhando para tudo e todos.

Encontrei dezenas de amigos manauaras, aliás, o local estava uma maravilha, com a participação maciça das famílias, jovens, idosos e turistas – tive a alegria em rever a moradora mais antiga da Rua Frei José dos Inocentes, a Dona Nazinha, com os seus bem vividos noventa e sete anos de idade – ela foi a primeira baiana da Escola de Samba Aparecida.

Tudo limpo, organizado, bonito, com as pessoas sorrindo e sentindo-se felizes – alguns amigos lamentavam não ter no local uma programação cultural todos os domingos.

Tinha uma fila enorme para pegar uma senha para assistir a talentosa atriz Fernando Montenegro, no Les Artistes Café Teatro – ela fez uma leitura dramática do texto “Nelson Rodrigues por ele mesmo”.

Encontrei dezenas de barracas dos chefs de Manaus (o chef Olivier Anquier foi o convidado nacional) e de estudantes de gastronomia de faculdades particulares, além de muitos FoodsTrucks e FoodBikes – com preços na média de quinze reis o “sandubão”.


São três palcos: Coreto (Praça D. Pedro II), Palco da Música (Rua Vivaldo Lima) e Sete de Setembro (esquina com a Avenida Eduardo Ribeiro) – fiquei no primeiro, assisti a apresentação do Nunes (chorinho), cantor e compositor Pereira, banda Casa de Caba e a estrelíssima Kátia Maria.

Fui a assistir o show do “Seu Jorge”, no Palco Sete de Setembro – o som estava péssimo e fiquei muito longe do palco – achei insossa a sua apresentação – nem Carolina, Burquesinha e Mina do Apartamento empolgou a galera – os jovens estavam mesmo era na paquera geral.

Para finalizar, houve um show pirotécnico a meia-noite – maravilha – hora de voltar, pois hoje tem mais Passo a Paço.


Parabéns Manaus! É isso ai.



Fotos:
Portadozacarias (Paço da Liberdade)
José Rocha

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

AEROPORTO DE PONTA PELADA DE MANAUS


Primeiro aeródromo de Manaus, construído e inaugurado em plena Segunda Guerra Mundial, em 1944, com apoio logístico e financeiro do governo dos Estados Unidos da América, com o objetivo de facilitar o pouso de aeronaves possantes, de passageiros e militares – com o fim da guerra, passou a operar voos civis e militares e, na década de setenta, tornando-se um aeroporto militar brasileiro.

Em 1941, o governo Vargas conseguiu dos USA (Acordos de Washington)um grande aporte financeiro para a construção da Usina de Volta Redonda (RJ), uma obra importantíssima para a industrialização do nosso país, em contrapartida, comprometeu-se em fornecer minério de ferro e borracha para os países Aliados.

Nesses acordos, o governo brasileiro autorizou a livre entrada de militares americanos, em Manaus, para implementarem a “Batalha da Borracha”, com a produção do látex para ajudar nos esforços de guerra – para a fabricação, no exterior, de pneus dos aviões e automóveis dos USA, França e Inglaterra, pois os países produtores asiáticos estavam bloqueados pelos inimigos japoneses.

O transporte aéreo de borracha (Manaus-Miami) era realizado por hidroaviões Catalinas, na Ilha de Monte Cristo (atual Avenida Lourenço Braga, conhecida como “Manaus Moderna”) pela empresa norte-americana RDC.

Nos porões dos navios ianques, vieram máquinas pesadas (tratores, retroescavadeiras, etc.) para serviços rodoviários, sendo utilizados, inicialmente, na construção de uma pista de pouso, para a aterrissagem e decolagem de aviões de porte dos norte-americanos, trazendo passageiros e militares.


O local escolhido foi uma imensa área descampada, que ficava num elevado, no bairro do Crespo, atual Avenida General Rodrigo Otávio, 35,  conhecida como “Ponta Pelada” (PLL), propício para a construção da pista de pouso – a área foi doada pelo poder executivo estadual ao Ministério da Aeronáutica – o local já era considerado de utilidade pública pela Lei Estadual no. 1.020, de 7 de maio de 1943.


Foi construído em tempo recorde, evidenciando a eficiência americana - contando com uma pista de pouso e uma casa de madeira com telhado de argila (era modesta, porém, confortável) para apoio operacional e abrigar os passageiros, conforme fotografia antiga – entrou em operação em 1944.

Com o término da Segunda Guerra, ocorrido em 1945, o Aeroporto de Ponta Pelada passou a ser operado pelo governo brasileiro, depois, pela empresa pública INFRAERO (em 1973) e, pelos militares,a partir de 1976, em decorrência da inauguração do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes.


Em 20 de janeiro de 1954, com a presença do Presidente da Republica Getúlio Vargas, ocorreu a inauguração do novo terminal de passageiros e da revitalização da pista de pouso (2.318 metros de comprimento e de 45 m de largura), fruto da participação da iniciativa privada (em particular, dos industriais Dr. Alberto Ferreira do Vale e Isaac B. Sabbá) – segundo os historiadores, a obra ficou a cargo do engenheiro Trajano Mendes, custando a soma de trinta milhões de cruzeiros.


Acidentes ocorridos no aeroporto:

24 de Maio de 1952: acidente com o Loide Aéreo Nacional “Curtiss C-46D-15-CU” registrado PP-LDE, houve um problema no motor, ao retornar para o aeroporto,caiu no Rio Negro, morrendo seis ocupantes;
7 de Dezembro de 1960:  avião da Real Curtiss C-46A-60-CK, registrado PP-AKF, servia como Transporte Aéreo Nacional, voo 570 de Cuiabá para Aeroporto Ponta Pelada, bateu no Montanha Cachimbo, morrendo 15 passageiros;
14 de Dezembro de 1962: avião da Panair do Brasil “Lockheed L-049 Constellation”, registrado PP-PDE, vinha do Aeroporto Val de Cans (Belém, Pará), caiu na selva quando faltavam 45 km para chegar a Manaus (Paraná da Eva), todos os 50 passageiros morreram;
12 de Novembro de 1969: avião da Cruzeiro do Sul “NAMC YS-11/11A”, saiu do Aeroporto Ponta Pelada com destino a Belém (Val de Cans), foi sequestrado por um terrorista e levado à Cuba, não houve vitimas;
25 de Abril de 1970: avião da VASP “Boeing 737-2A1, em rota de Brasília para Manaus, foi sequestrado por um terrorista e levado à Cuba, o sequestrador morreu;
14 de Maio de 1970: o mesmo avião e a mesma ocorrência acima.


Tipos de aviões e empresas que operaram no aeroporto:

Cruzeiro do Sul, Lóide Aéreo Nacional, Panair do Brasil, Real Transportes Aéreos, Transbrasil, Varig e VASP.

O Aeroporto de Ponta Pelada possuía um fascínio todo especial por parte dos manauaras, aonde famílias inteiras iam se despedir de algum parente que partia ou esperar, ansiosamente, pela chegada de alguém – era também um local obrigatório de passeios nos finais de semana.

Existia um pátio com parapeito no mezanino, onde as pessoas gostavam de ver aquele espetáculo indescritível, principalmente para as crianças - com aviões de todos os tamanhos decolando e aterrissando; movimento de carrinhos levando bagagens; funcionários orientando pilotos no estacionamento; carros tanques abastecendo os aviões e a movimentação das escadas móveis para acoplamento nas portas das aeronaves, além do adeus por parte daqueles que partiam.

Fazia muito sucesso o Restaurante Palheta, ficava na parte superior, onde as pessoas faziam lanches e almoçavam – no saguão do Aeroporto existiam cafés, loja de artesanatos regional e uma banca de revista, onde eram disputados os postais de Manaus.

As passagens aéreas eram caríssimas, fora da realidade, não permitindo a maioria dos manauaras viajarem, principalmente, para a cidade mais desejada, o Rio de Janeiro – a Aeronáutica, através dos aviões Búfalos, levava militares e familiares em trânsito e, liberava a viagem para civis que precisavam de tratamento de saúde em outras cidades do Sul e do Sudeste do país. 

Com a implantação da Zona Franca de Manaus, ocorrida em 1967 (em pleno regime militar), o Aeroporto de Ponta Pelada foi ficando saturado, não suportando o fluxo cada maior de cargas e passageiros – obrigando o governo federal a construir um novo aeroporto, o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, transferindo para lá toda a operação em 1976.


Atualmente, o Aeroporto de Ponta Pelada é administrado pela Força Aérea Brasileira (Base Aérea de Manaus BAMN), servindo, exclusivamente, para pousos e decolagens de aviões militares e da Polícia Federal, além de apoio estratégico, caso ocorra um mau tempo (nevoeiros) ou problemas estruturais que impeçam a aterrissagem de aviões no atual aeroporto internacional.

É isso ai.

Fotos: 


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

SOU DA URBE



Nasci, cresci, plantei sementinhas (filhos), estou envelhecendo e, quando o nosso Criador do Universo determinar, morrerei e serei cremado na minha cidade Manaus, pois fui, sou e sempre serei da urbe.

Sou um sexagenário, porém, ainda lembro com detalhes desde quando tinha os meus cinco ou sete anos de idade (tipo memória fotográfica) – tudo ficou gravado no disco rígido da minha mente: a moradia e todo o seu entorno, a minha família, os colegas e amigos, a topografia e tudo o que aconteceu em minha cidade nesse tempo todo.

Apesar de ser urbano, tenho o maior respeito e consideração pelas pessoas que vivem no meio rural (campo) e daqueles que praticam o ruralismo (atividades rurais em relação às urbanas), porém, tenho ojeriza aos grandes ruralistas “do mau” (aqueles grandes proprietários rurais que praticam atividades econômicas e políticas visando benefícios próprios, nocivas ao meio ambiente e ao povo que ali habita).

Vivo na cidade, respeito e luto pela sua urbanização, com trabalhos públicos sérios e responsáveis, na área de infraestrutura, com água de qualidade para todos os moradores (o majestoso Rio Negro passa no nosso quintal); a correta drenagem de águas pluviais e servidas, evitando doenças para as nossas criancinhas (esgotos a céu aberto) e eletricidade para todos, com uma tarifa justa e social para aqueles que merecem.

Por ser da urbe, luto e clamo por serviços urbanos de qualidade, não mais valorizando o transporte particular (carro próprio), mas, o transporte público dos bons (ônibus confortáveis e pontuais) com tarifa justa, além do respeito e consideração pelo uso das “magrelas” (corredores exclusivos para os usuários das “bikes”).

Sou da urbe, usei e uso os serviços públicos (na maioria das vezes precários) - não penso mais em beneficio próprio, mas, nas das crianças e dos jovens, para terem uma educação pública de qualidade (com tempo integral), além de usufruírem de uma cidade calma, tranquila, arborizada e gostosa de viver.

Por ser da cidade de Manaus, tornei-me um blogueiro regional (editor do BLOGDOROCHA), tentando escrever certo por linhas tortas, utilizando como pano de fundo a minha querida e amada cidade natal – na realidade, o blog (site em forma de diário online) não é meu, pertence, estruturalmente, a uma empresa dos USA e, afetivamente, aos meus conterrâneos manauaras – posto fotos antigas (cidade sorriso) e atuais (cidade séria, porém, gostosa), além de saudosismos e vivências contemporâneas.

Tive o privilégio de viver numa urbe pequena, onde quase todo o mundo se conhecia – curti os banhos nas águas límpidas e cristalinas dos nossos igarapés, os cinemas, as festas dançantes (com muito Leite de Tigre e acocho nas caboquinhas), o mingau e as compras domingueiras no “Mercadão” (Mercado Adolpho Lisboa), as missas e procissões da Igreja Matriz (Nossa Senhora da Conceição) e de São Sebastião; os jogos de futebol no Parque Amazonense e Vivaldo Lima; os carnavais de rua e os desfiles militares na Avenida Eduardo Ribeiro; o partir e o chegar do Rodo (Roadway) e do Aeroporto de Ponta Pelada e, muito mais!

Nem tudo foram flores - vivenciei a destruição de grande parte do nosso patrimônio histórico; do crescimento desordenado da urbe, das invasões de terras, do desmatamento brutal e impiedoso das nossas florestas e da poluição sonora, visual e dos igarapés -, além do crescimento econômico, em decorrência da implantação da Zona Franca de Manaus, trazendo a reboque todas as mazelas sociais, inchando e desordenando a cidade, com a vinda dos caboclos do interior do estado do Amazonas e brasileiros de outras plagas, alterando o nosso modo de ser e de pensar.

Felizmente, muitos anos depois - tive a alegria de presenciar a revitalização de parte do nosso centro histórico e da valorização da nossa cultura, com os jovens sentindo orgulho de serem chamados de caboclos, valorizando a nossa culinária, a música regional e, acima de tudo, de falar o “amazonês” para inglês ver – como escreveu o poeta Aldizio “Porto de Lenha tu nunca serás Liverpool, com a cara pintada e os olhos azuis”.      
Mudando de pau para cavaco: acho o máximo ser vereador - um cidadão escolhido pelo pessoal da urbe, para representá-lo no parlamento, elaborar as leis beneficiárias a população e fiscalizar os atos do prefeito (administrador da urbe) – muitos utilizam esse cargo para amealhar e galgar outros cargos públicos (infelizmente) – quem sabe um dia, possa ter esse gostinho em ajudar (dever de todo cidadão responsável) aos meus conterrâneos da minha cidade.  
Quando eu for “para o andar de cima” e partir dessa vida para melhor (?), espero que os meus familiares cremem meu corpo e jogue de avião “teco-teco” parte das minhas cinzas pela minha amada cidade Manaus (da praia da Ponta Negra, passando pela margem esquerda do Rio Negro, Centro Histórico até o Encontro das Águas), pois fui, sou e sempre serei da urbe, sim, senhor!

E isso ai.

Esta postagem foi feita em homenagem aos moradores da nossa urbe:
Alexandre Soares, Adriana Soares, Amanda Soares, Eduarda Costa, Alexandre Victor, José Rocha Filho, Henrique Martins, Graciete Martins, Kelva Fernandes, Marco Gomes, Jersey Nazareno, José Sarto, Rogério Dias, Marcelo Dantas, Faby, Natinho Point do Tacacá, Carbajal Gomes, Socorro Papoula, Graça Silva, Celestina Maria, Katia Maria, Jumara Paulista, Heloisa Mineira, Manoel Cruz, Ana Claudia Soeiro, Rui Machado, Carla Canori, Papaco, Afonso Toscano, Ulisses Marques, Denis, Simão Pessoa, Jomar Fernandes, Rogelio Casado (in memoria), Chicão Cruz, Assante, Norte, Ademir Ramos, Eduardo Braga Reis, Gisele Amora, Celestino Lê, Keyce Jhones, Caril, Bringel, Buriti, Alberto Silva, Arlete Meirelles, Lucio Bezerra, Davi Almeida, Ribamar Mitoso, José Pinheiro, Julinho Mendonça, Marco Aurélio, Marjorie, Mauro Magalhaes, Orlando Magalhaes, Roberto Pacheco, Zé Luiz, Tiko Ramos, Edvaldo Pagodinho, Nubia Maria e, amigos do Igarapé de Manaus, Vila Paraíso, Rua Tapajós, Cidade Nova, Conjunto dos Jornalistas e Tocantins, do Facebook e dos leitores e seguidores do Blogdorocha e G+, além de famílias de judeus, portugueses, japoneses, italianos, alemães, árabes, caboclos, cariocas, paraenses, cearenses, paulistas, gaúchos e mineiros (que fazem parte da nossa Manaus); frequentadores do Bar do Armando, da BICA, do Bar Caldeira, Bar Cipriano, Bar Jangadeiro e ET-Bar, além dos inimigos e adversários (imaginários!) -, ou seja, de toda urbe (moradores da cidade de Manaus).

domingo, 2 de outubro de 2016

DESPACHANTES ADUANEIROS DE MANAUS


Foi uma das mais importantes profissões na cidade de Manaus, um intermediário entre o importador e o exportador, liberando mercadorias nacionais e estrangeiras que chegavam e partiam do Porto de Manaus e do Aeroporto – era exercido por uma classe muito seleta, conhecida e respeitada em nossa cidade.

Tudo começou com a vinda da família real portuguesa para o Brasil, fugindo da perseguição militar do francês Napoleão Bonaparte – vieram escoltados pela esquadra militar inglesa – em contrapartida, a coroa foi forçada a abrir o mercado brasileiro a nações amigas, inundando o mercado nacional de produtos “made in England” – surgindo a profissão do despachante aduaneiro.

Esse ofício consta na Classificação Brasileira de Ocupações, sendo oficialmente prevista no Decreto no. 2.647, de 18 de setembro de 1850, sendo auxiliado pelo Ajudante de Despachante Aduaneiro – em 2009, a Receita Federal do Brasil alterou a regulamentação desses profissionais, através da edição do Decreto no. 6.759, passando a exigir exame de qualificação técnica.

O despachante é um agente comercial que desembaraça (libera) mercadorias e bagagens, pagando fretes e recolhendo direitos (impostos) junto à aduana (repartição pública responsável pela vistoria de mercadorias e cobrança de direitos de entrada e saída), Secretaria de Fazenda e outros órgãos públicos, atuando mediante procuração outorgada pelos interessados e credenciamento junto ao Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX).

Com o boom da exportação da borracha in natura (1º. Ciclo, ocorrido entre 1879 e 1912), a cidade de Manaus tornou-se uma das ricas do Brasil, ficando conhecida como a “Paris dos Trópicos”, sendo inundado por produtos europeus, tornado primordial a atuação dos despachantes para desintrincar todos os trâmites burocráticos e permitir a colocação dessas mercadorias nas prateleiras das lojas chiques da nossa cidade.

Com a queda da exportação da borracha e das duas guerras mundiais, a cidade de Manaus ficou abandonada, escura e maltratada – mesmo assim, conseguiu sobreviver com a exportação de castanha do Brasil, juta, piaçava, sorva, óleos de andiroba e copaíba e outros produtos coletados da nossa floresta e, importando alguns produtos essenciais – dando um pouco de fôlego para o profissional aduaneiro.

Por volta da década de cinquenta, o nosso deputado federal Francisco Pereira (conhecido como Pereirinha), conseguiu aprovar uma tornando a cidade de Manaus um porto livre de importação (Zona Franca), com a suspensão dos tributos federais (Imposto de Importação e Exportação), sendo reformulada e ampliada pelo Decreto-Lei no. 288/1967 – voltando a brilhar a profissão do despachante.

Quase todas as atividades desses profissionais se concentravam dentro do Prédio da Alfândega (um dos primeiros pré-fabricados do mundo, construído pelos ingleses e inaugurado pelo Presidente Afonso Pena, em 1906) e nos armazéns do Porto de Manaus (Roadway) – atualmente, tudo está online com liberações nos terminais alfandegados de cargas.

Os despachantes tornaram-se fortes, ricos e poderosos, inclusive fundaram o Sindicado dos Despachantes do Amazonas para representar a classe, além da Caixa de Pensões e Aposentadorias dos Despachantes – tinham tanto recursos financeiros que construíram um pequeno conjunto de casas (tipo bangalô) na Avenida Constantino Neri na entrada do bairro de São Jorge, somente para abrigar os despachantes aduaneiros – ler postagem: http://jmartinsrocha.blogspot.com.br/2013/09/os-bangalos-dos-despachantes-aduaneiros.html

Tive contato direto com eles, pois eu também militava na área, fazendo serviços aduaneiros para as empresas comerciais em que trabalhava – lembro-me dos despachantes Empédocles Antony e  Guerra, eles andavam de paletó e gravata, pareciam advogados no fórum, conheciam profundamente a legislação aduaneira, davam banho de conhecimento em cima dos próprios fiscais da Receita Federal – outro famoso, foi o despachante José Ayrton Pinheiro, fundador de uma emissora local de televisão.

Com o tempo, essa profissão quase desapareceu, pois a legislação permitiu as empresas fazerem o seu próprio despacho aduaneiro – muitos deles se juntaram e formaram as comissárias de despachos, que ganham muito dinheiro até hoje – as mais fortes são a Codama Comissária de Despachos e a DMarcos – faturam alto com a liberação de mercadorias para o Polo Industrial de Manaus.


É isso ai

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

CONJUNTO DE ESTUFADOS COLONIAL


Em 1980, ainda muito jovem, fui obrigado a casar, pois tinha avançado o sinal – na época, trabalhava numa empresa de revenda de móveis e linha branca (fogão, geladeira, etc.) – comprei o básico “no estado” (com pequenos defeitos) para a formação do novo lar e a espera do bebê – estava na moda o estilo colonial (era caríssimo) – metido a besta, comprei um conjunto de estofados (com três peças) “top” todo em madeira de primeira, acredito que era de mogno, feito para durar “a vida inteira”, sendo necessário, vez e outra, somente mudar apenas o tecido do assento – esse móvel fez história.

Fui morar com a mulher em uma das casas do meu sogro, no bairro da Glória, onde o estufado reinava numa imensa sala de estar – todos admiram aquelas belas peças, pois era grande, ergométrico, proporcionado um total conforto para as visitas e, para o pobre mortal aqui assistir aos meus programas favoritos de televisão.

Em 1982, foi morar no Conjunto dos Jornalistas, na Avenida Constantino Nery – as peças de estofados tomavam quase toda a sala de estar do apartamento, tornando-se incompatível com aquele minúsculo lugar, mesmo assim, ficamos com ele por uns quatro anos.

Nessa altura do campeonato, já tínhamos um casal de filhos sapecas – os curumins riscavam as paredes, quebrando tudo o que encontravam pela frente e, adoravam fazer xixi, riscar de canetas e de lápis coloridos o ex-bonitão conjunto de estufados colonial! Sem chance de ser feliz.

Muito a contragosto, o estufado colonial foi vendido a “preço de banana” para um casal de amigos moradores da Glória, a Ninita (hoje, uma policial civil aposentada) e o Bento (aposentado e dono de uma bar/peixaria, antigo Bar do Quixito, no Conjunto Tocantins).

O casal ficou por mais de vinte anos com o estufado, mesmo morando em apartamento - segundo o meu compadre Bento, o móvel foi cedido a uma prima, pois foi obrigado a comprar um estufado tipo cama, para evitar de uma vez por todas dar o famoso “bafo de Onça” e ouvir os ralhos da Dona Encrenca (quando chegava em casa cheio da birita), resolvendo o problema dormindo na sala de estar.

Passados trinta e seis anos da compra do móvel, o conjunto de estufados colonial voltou a brilhar – uma vizinha da prima do Bento, falou para um amigo arquiteto e, este, muito esperto, ofereceu o móvel para um velho empresário que estava ávido em compor em sua casa de campo com móveis da década de oitenta (somente do estilo colonial).

O Bento foi consultado pela prima sobre o interesse do profissional na aquisição do estufado – na brincadeira, o compadre falou para vender por dois mil reais, que seria dividido meio a meio.

A prima do Bento falou para o cidadão sobre o valor, o marmanjo não falou que sim, nem que não, foi logo tirando a “pacoteira” do bolso da calça e pagou com vinte notas de cem reais.

Na semana passada, encontrei com o Bento lá no Conjunto Tocantins II, na Praça de Alimentação, no Box da Dona Terezinha (ela é minha cliente) – falou-me, todo sorridente, sobre a venda do móvel – disse que iria “torar” os mil reais nas praias do Rio de Janeiro (vai viajar em férias em outubro).

Pelo lucro da venda, o Bento falou-me que eu teria direito a comer diversos peixes fritos regados a ampolas de “bramitas véu de noiva”, tudo 0800.

Ontem, falei com um amigo sobre essa história do conjunto de estofados colonial – o cara é do ramo – falou e disse que o móvel vale a bagatela de seis a dez mil reais.


E agora, José? Como irei falar para o Bento sobre o real valor do móvel? Acho melhor ficar calado, pois ele pode ficar injuriado, atrapalhar as suas férias e, posso até perder o peixe frito e as cervejotas! Eu, hein!  

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

SOU PATRIOTA


Certa vez, postei em minha página do Facebook, uma foto em que apareço com uma camiseta estilizada da nossa bandeira brasileira – vários amigos virtuais gostaram e, um deles chamou-se de patriota, o que me deixou muito feliz, pois amo a minha pátria e procuro servi-la da melhor forma possível.

O patriotismo é o amor a nossa pátria, a consciência dos deveres cívicos e admiração pelas coisas do nosso país – os símbolos patrióticos como a bandeira e o hino nacional expressam essa devoção à pátria.

Acredito que houve um aumento do patriotismo por parte dos brasileiros, com o advento das Olimpíadas em nosso país, onde a grande maioria vestiu-se de amarelo, verde, azul e branco, além de cantarem alegres e satisfeitos o nosso hino nacional.

Tenho um amigo que sabe de cor e salteado o hino francês, porém, não sabe o nosso - vejo muitos jovens com camisas da seleção alemã e até da Argentina – esses caras geralmente falam mal do nosso país e lamentam ter nascido nesse torrão – uma pena, pois o Brasil é o melhor país do mundo e Deus é brasileiro!

Considero-me um patriota e, apesar de ter acabado de entrar na idade feliz, estarei disposto até ir à guerra para defender o nosso país de uma invasão da Amazônia brasileira.

Tenho uma vontade enorme de viajar pelo nosso imenso país, conhecer ainda um pouco mais o interior do meu Estado do Amazonas, depois, as principais cidades das regiões norte e nordeste e, para finalizar, o sul do país.

Adoro o meu país – as nossas tradições; a música popular brasileira; as danças característica de cada região (carimbó, boi bumbá, roda de samba, etc.); as paisagens paradisíacas e, principalmente, a alegria e o bom humor do   povo brasileiro.

Acho o máximo quando a torcida canta nos estádios o grito de guerra: “Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amooorrr” – emocionando a todos, mostrando o quanto o brasileiro ama o seu país, apesar dos pesares em que passa, em decorrência da má atuação da maioria dos políticos e dos atuais gestores públicos.

Respeito e boto fé nos jovens brasileiros – espero que eles possam nos orgulhar no futuro, ao colocar nos eixos a coisa pública, o desenvolvimento sustentável,  formando uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos e com harmonia social.



É por essa e por outras mais que, bato no peito e digo a todos: Sou Patriota! É isso ai. 

Foto: Maria Eduarda (Duda)

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

12 DE SETEMBRO



Era 12 de setembro de 1956, vim ao mundo às 12h45min da madrugada, no Hospital da Santa Casa de Misericórdia, centro antigo de Manaus – a minha saudosa mãezinha, a Dona Nely Soares Fernandes, contou-me certa vez que, ouviu o meu primeiro choro e os badalar dos sinos da Igreja de São Sebastião, onde irei daqui a pouco rezar e agradecer a Deus pela sexagésima passagem natalícia.

Logo ao acordar, olhei para um imenso crucifixo que está na parede do meu quarto de dormir, fiz o sinal da cruz e, por ser católico, rezei o Pai Nosso – ao pisar no chão, agradeci a Deus por estar vivo.

Ao abrir a porta que dá acesso a um pequeno jardim, recebi de presente de aniversário uma dúzia de flores, dado pela mãe natureza (foto). Que bom!

Lembre-me daquela musica “Eu Nasci Há Dez Mil anos Atrás”, do maluco beleza Raul Seixas, pois sou da época em que Manaus terminava no bairro da Chapada.

Tomei banhos no Igarapé de Manaus, Ponte da Bolívia, Cachoeira do Tarumã, Tarumazinho, Ponta Negra e Parque Dez; pulava da Primeira e Segunda Ponte; assistia a filmes nos cines Guarany, Politheama, Avenida e Odeon.

Assiti aos desfiles de carnaval, militar e da abertura do Peladão, na Avenida Eduardo Ribeiro, onde tudo acontecia, pois era a mais charmosa rua de Manaus – onde também admirava os prédios e lugares antigos, como o Ideal Clube, Palacete Miranda Corrêa, Prédio da Saúde, Praça do Congresso, Instituto de Educação, Tribunal de Justiça, Teatro Amazonas, Cine Odeon, Lanchonete A Gogo, Cine Avenida, Loja Credilar Teatro, Jornal dos Acher Pinto, Relógio Municipal, Largo da Matriz, Alfândega, Roadway, Lobrás, Canto do Fuxico, J.G. Araújo, dentre outros.

Na minha infância, não sabia o que era Revolução ou Intervenção Militar, mas, presenciei assustado, a invasão dos militares na residência do governador Plinio Coelho, na Rua Huascar de Figueiredo – tempos depois, na faculdade, foi obrigado a estudar Organização Social Brasileira, ministrada pelos militares – vivi a época da Ditadura Militar.

A minha família era católica, sou filho da Dona Nely e Senhor Rocha (luthier), tenho quatro irmãos, Graciete, Henrique, Rocha Filho e a Kelva - fui batizado na Igreja dos Remédios – fiz a Primeira Comunhão e casei na Igreja de São Sebastião, onde participei de um clube de jovens, a Juventude Franciscana do Amazonas.

Casei e descasei, tendo como fruto desse casamento três filhos, Amanda, Adriana e o Alexandre, que já me deram dois netos, a Maria Eduardo e o Victor Alexandre.

Morei no Igarapé de Manaus, dentro de um flutuante, depois em terra – mudei com a minha família para a Vila Paraíso, entre a Rua Tapajós e a Avenida Getúlio Vargas – ao casar, morei no bairro da Glória e no Conjunto dos Jornalistas, onde ainda mora a minha ex-mulher, uma filha e uma neta – por todos esses lugares conquistei a simpatia e a amizade de centenas de vizinhos, onde tenho um bom relacionamento até hoje.

Trabalhei em várias empresas: Central de Ferragens, Braga & Cia, Importadora Souza Arnaud, Orient Relógios, Casas dos óleos e Mirai Panasonic – todos os meus colegas de trabalho são meus amigos e tenho me relacionado muito bem com muitos deles até hoje.

Estudei nos Colégios Barão do Rio Branco, Divina Providência, Benjamin Constant, IEA e Solón de Lucena, depois, fiz Administração na Universidade Federal do Amazonas – pretendo, ainda, voltar a estudar e concluir o meu Curso de Direito - todos os meus colegas, também, tornaram-se meus amigos e festejamos muito quando nos encontramos.

Vivi e vivo intensamente a minha cidade, tornei-me um boêmio, frequentando os bares e botecos do centro antigo, o Bar do Armando, Bar Caldeira, Jangadeiro, Bar dos Cornos (fechado), Cipriano, Chão de Estrelas, ET-Bar (Bar da Loura) - curto a Banda Independente da Confraria do Armando (BICA) e as escolas de samba de Manaus, principalmente a Aparecida e o Reino Unido.

Adoro as musicas antigas da MPB e dos artistas locais; curto o teatro e as obras de arte dos nossos artistas plásticos; participo dos movimentos sociais (Projeto Jaraqui, SOS Encontro das Águas, dentre outros), além de tirar fotografias, ler jornais antigos e escrever no BLOGDOROCHA.

Tomei todas e ainda tomo algumas cervejas pelos botecos de Manaus - parei de fumar faz anos e, fico feliz por nunca ter provado nenhuma outra droga ilícita, apesar dos meus olhos estarem sempre avermelhados.

Moro, atualmente, na Cidade Nova, próximo a residência do meu filho mais velho, o Alexandre – gosto do bairro, sinto-me como estivesse no interior, onde todos ainda se conhecem pelo nome e se chamam de vizinho (coisa antiga) – faço caminhadas no Centro de Convivência da Família e tenho uma qualidade de vida melhor – pretendo morar em Iranduba, bem próximo a mata amazônica e ao Rio Negro, voltar para as condições bem agradáveis da natureza, parecidas com as da minha infância no Igarapé de Manaus.

Aproveito o momento para fazer um desabafo:

Trabalhei durante vinte anos na empresa Mirai Panasonic, sendo apenas dois com carteira assinada – eles usaram um subterfúgio para driblar a legislação trabalhista e, depois de muitos anos, fui despedido sem direito a nada, sendo forçado a buscar reparação na justiça trabalhista.

Fiz um acordo, porém, o INSS não o reconheceu, negando o meu direito de aposentadoria – recorri à justiça federal, onde perdi por duas vezes, pois o pacto trabalhista foi prejudicial a mim, segundo o meu atual advogado – o jeito foi começar a recolher as contribuições, voltar a trabalhar por conta própria e adiar a merecida aposentadoria para daqui a cinco anos, caso não for mudada a legislação (o governo quebrou a Previdência Social e os trabalhadores é que irão pagar o pato!).

No sábado passado, comemorei antecipadamente o meu aniversário sem falar nada para ninguém (hoje, segunda-feira, é o Dias das Almas, não gosto de “bebemorações”) – encontrei com os velhos amigos no Bar Aroeira, na entrada da Vila Paraíso, depois, fui ao Bar Caldeira, onde ouvi muito chorinho e samba de qualidade, para finalizar, passei no Bar do Armando – no domingo, comemorei em família, onde fiz uma Caldeirada de Tucunaré para os minhas filhas Amanda e Adriana e a neta Duda.

Já plantei várias árvores, contribui para colocar três filhos no mundo e, no futuro próximo, irei publicar dois livros.

Enquanto isso “Deixa a Vida me Levar (vida leva eu!)” – vou me aquietando, deixando um pouco de lado a boemia, a vida agitada da cidade e me preparando para curtir a terceira e última fase: a idade feliz!



É isso ai.


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

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