quarta-feira, 30 de maio de 2012

TRANSPORTE FLUVIAL DE ENCOMENDAS DO INTERIOR


Os moradores da Amazônia utilizam os rios em substituição às estradas, com os barcos regionais fazendo o papel dos automóveis - conta com um péssimo serviço de encomendas, um sufoco total para enviar e receber, em decorrência da precariedade dos portos, descontrole total dos donos das embarcações, com as mercadorias misturadas com os passageiros, provocando todo tipo de avarias e percas durante o trajeto – não utilizo muito este serviço, mas, as duas últimas vezes em que enviei e recebi encomendas passei por um sufoco daqueles.

A cidade de Manaus é uma metrópole, beirando aos dois milhões de habitantes, cresceu tanto que, foi criada a Região Metropolitana de Manaus, formado por oito municípios, no entanto, cresceu de forma desordenada, com todas as mazelas em que se possa imaginar existir nas grandes cidades – a reboque dessa desorganização, possui um porto improvisado denominado de “Porto da Manaus Moderna” para atender a grande maioria dos barcos que chegam e partem para essa imensidão da nossa Amazônia.

A porta de entrada da Manaus antiga é o Porto de Manaus, conhecido como “Rodoway”, um complexo construído pelos ingleses no inicio do século passado – foi repassado para a iniciativa privada, através de um acordo “por debaixo dos panos” entre a família Di Carli e o então governador da época, o negão Amazonino Mendes – restrito somente aos grandes barcos e transatlânticos – ficando a grande maioria dos barcos regionais proibidos de utiliza-lo (por não darem lucros para os intitulados “donos do porto”), forçando os pequenos armadores a improvisarem a suas operações no tal Porto da Manaus Moderna.

Voltando às encomendas do interior – gosto muito de viajar pelo meu Estado, faço muitas amizades por onde passo, fico muito feliz e honrado - sou muito bem recebido por todos; os nossos caboclos sempre foram muito hospitaleiros - certa vez, resolvi mandar um presente para um amigo interiorano, utilizei os serviços de um barco regional, penei para efetuar a remessa e, não foi entregue ao destinatário, houve o extravio e não fui ressarcido do valor, além do mais, tive que mandar novamente outro objeto para substituir ao que não fora entregue.

Outro amigo interiorano mandou uma mensagem, via celular, avisando que havia mandado uma encomenda para mim, informou o nome do barco e a data em que chegaria a Manaus – no dia marcado, pegue um carro (passei no posto de gasolina e gastei quinze reais) para receber a tal encomenda, entrei num engarrafamento total naquela área; um “flanelinha” conseguiu uma vaga para estacionar o carro (paguei dois reais para ele “reparar”) e, danei-me a procurei o tal barco.

Depois de muita procura, fui informado que o barco estava recebendo mercadorias num porto próximo a Feira da Panair, chegando lá, tive que pagar mais dois reais para outro “flanelinha” ficar olhando o carro, quando recebi a péssima noticia que o barco já estava se dirigindo de volta ao Porto da Manaus Moderna. Ufa! Cansei!

Voltei no dia seguinte, passei pelo mesmo sufoco no trânsito, tinha uma multidão de pessoas naquele lugar, carga, descarga, carregadores, ambulantes, uma loucura! Paguei mais dois reis para o “flanelinha” dar uma olhadela no carro, encontrei, enfim, o dito barco, paguei mais quinze reais de frete, além de dez reais para o carregador.

Era uma sexta-feira, peguei um monstruoso engarrafamento na cidade, penei muito até chegar ao meu destino – ao abrir a minha encomenda, encontrei um cacho de banana-nanica + vários quilos de farinha d´água número cinco – fiquei satisfeito, pois é gostoso receber um presente de um amigo, mesmo tendo que despender quarenta e seis reais e ter passado o maior sufoco do mundo para receber uma encomenda que vale materialmente menos de vinte reais nas feiras de Manaus.

Caso outros amigos resolvam mandar outros presentes, pedirei para eles enviarem pelos Correios, via Sedex, com porte a pagar, pode ser também pela “asa dura” (avião), mesmo que o valor do frete seja três vezes maior do que o da encomenda, não importa - irei fazer também a mesma coisa para enviar, mas, uma coisa é certa, enquanto não for tomado de fato um “choque de ordem” e a reciclagem dos armadores, não me atreverei mais a ir ao dito Porto da Manaus Moderna, para enviar ou receber encomendas do interior. Eu, hein!

Fotomontagem: Jorge Laborda - www.cronicabipolar.blogspot.com 
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