segunda-feira, 7 de maio de 2012

A NOSSA MANÔ DOS MIL CONTRASTES


Numa das minhas caminhadas pela “Nossa Manô dos Mil Contrastes”, como era chamada a cidade de Manaus pelo Gilberto Barbosa (antigo colunista social do jornal A Crítica), deparei com um senhor de cabelos brancos, na varanda da sua residência, apreciando o Rio Negro e a movimentação ao redor – somente um detalhe: a sua casa foi edificada em cima de um enorme tanque de água – este fato, serviu para uma singela comparação entre os dois extremos em termos de moradia -, numa ponta está um surrupiador  dos recursos públicos e, na outra, um aposentado que ganha um salário minimo por mês, sendo obrigado a fazer um "bico" como vigia, para poder sobreviver dignamente.

Pois bem, um certo político que sai dando entrevistas quase todo os dias na televisão e, gosta de mostrar que é um bom moço e salvador da pátria, no entanto, amealhou uma montanha de tutu, que está saindo de montão pelo ladrão, construiu a sua mansão num condomínio fechado da bela Ponta Negra, dotada de piscina com cascata, área de lazer, várias suítes, inclusive para os serviçais, salas e mais salas, lavabo, garagem, cozinha, varandas, jardins de inverno, escritórios, bar, academia, aquecedor solar, sistema de alarme, com ar Split até na casa dos cachorros, armários embutidos, antenas sky, porteiro eletrônico, fossa/sumidouro, portões automáticos em alumínio bronze, cerca elétrica e outros mimos mais, avaliada em alguns milhões de reais.


Por outro lado, um senhor de idade foi obrigado a construir a sua morada em cima de um tanque de água abandonado, num terreno do município, conhecido outrora como “Ilha de Monte Cristo”, na maltratada “Manaus Moderna” – uma casa tamanho 5 x 5, ou seja, com 25 metros quadrados de área construída, tipo quitinete, com cobertura no modelo duas águas, dotada de um quarto onde cabem somente duas redes de dormir, um sanitário e banheiro conjugado, uma varandinha e, nada mais, avaliado em pouco mais de três mil reais.


Este é o quadro da nossa “Manô”, onde apenas 5% dos mortais detêm 90% da renda bruta da cidade, com o money suficiente para curtir do bom e do melhor, morar nos lugares considerados top e, desfrutar das benesses que o dinheiro farto pode proporcionar – contrastando com a grande maioria das pessoas das classes D e E, as quais possuem pouquíssimas opções para ter uma vida mais digna, sendo obrigadas a morarem debaixo das pontes, em cima dos tanques de água e, nos lugares de riscos e alagadiços (palafitas).


Haja contraste! É isso ai.
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