quinta-feira, 24 de março de 2011

JÁ DEU E PODERÁ DÁ NOVAMENTE PRO NOSSO!

Com a recente visita ao Brasil, do Presidente norte-americano Barack Obama, juro que fiquei com um pé atrás, não engoli bem as “maravilhosas” declarações de amor que ele fez ao nosso país - o meu saudoso pai assim falava: - Quando você quer comer uma galinha do terreiro, estale os dedos e faça com a boca “tu, tu, tu, tu, tu”, jamais faça “xô, xô, xô, xô”. Sábio conselho.

Querem novamente se aproximar dos brasileiros e comer alguma coisa, pode ser o petróleo do pré-sal ou a Amazônia, com certeza, alguma coisa eles estão querendo tirar de nós, para tanto, estão adoçando a nossa boca, prometendo mundos e fundos.

Eu já conheço esta História! Senão, vejamos: o Presidente Roosevelt, veio ao Brasil, em 1942, para celebrar o “Acordo de Washington”; entramos direitinho, os brasileiros nordestinos, conhecidos como ”Soldados da Borracha” foram enganados pelos norte-americanos, na segunda grande guerra mundial, além de serem dizimados pela Malária, deram as suas vidas para produzir borracha para os norte-americanos, em troco de nada.

Segundo os historiadores, tudo começou quando os japoneses fecharam o acesso aos países produtores de borracha, situados no Sudeste Asiático, provocando a falta dessa matéria-prima. Transcrevo parte de um relatório deles: "De todos os materiais críticos e estratégicos, a borracha é aquele cuja falta representa a maior ameaça à segurança de nossa nação e ao êxito da causa aliada”.

O Presidente Getúlio Vargas, queria deixar o Brasil neutro nessa parada, além dos mais, ele governava o nosso país nos moldes do fascismo italiano, ele tendia mais para o “Eixo” do que para os “Aliados”. Na maior, entram em cena os norte-americanos, ameaçando tomar o arquipélago de Fernando de Noronha e invadir o nordeste brasileiro, não tivemos outra opção, o jeito foi o nosso Presidente aderir “sob livre e espontânea pressão” a vontade dos ianques.

Para adoçar a nossa boca, foram emprestados 100 milhões de dólares, para a modernização do nosso parque siderúrgico, porém, deveríamos fornecer todos os minérios estratégicos que os gringos necessitavam para a guerra; foram também emprestados 200 milhões de dólares para o Brasil comprar armamento bélico (deles - é claro!).

Para produzir as 400 mil toneladas anuais de borracha, destinadas aos Estados Unidos, os gringos criaram um fundo chamado “Rubber Development Corporation”, mantenedor do “Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia – SEMTA” - foram mandados para a Amazônia, em torno de sessenta mil nordestinos, principalmente do Ceará, os pobres coitados estavam passando por uma longa estiagem, com a seca provocando uma miséria generalizada, não tiveram outra opção, além do mais, cairam no papo furado dos recrutadores, eles prometiam tudo do bom e do melhor, assim como os gringos estão prometendo hoje.

Para ser ter uma ideia, os soldados brasileiros que foram para a guerra, em torno de vinte cinco mil homens, sofreram apenas quinhentas baixas, no entanto, os soldados da borracha da Amazônia, sofreram uma baixa de trinta mil brasileiros! Foram enganados, não tinham uma alimentação adequada, transporte precário, faltavam médicos e medicamentos, o mosquito da Malária não deu trégua, deixando milhares e milhares de baixas.

Com o término da guerra, os americanos cancelaram todos os acordos referente à produção de borracha na Amazônia, acabou a grana, não mandavam mais nada para cá, não interessava mais para eles a borracha e, muito menos o Brasil. Os coitados dos soldados da borracha ficaram esquecidos, embrenhados nas matas; aqueles que conseguiram sobreviver não tiveram a devida assistência do governo brasileiro, nem mesmo a passagem de volta para o Ceará foi concedida. Foram obrigados a ficar para sempre, na Amazônia!

Passados quarentas anos, com a Constituição de 1988, esses soldados foram reconhecidos e tiveram direito a uma pequena “pensão vitalícia’”, nesta altura do campeonato, os sobreviventes já estavam na casa dos setenta anos, com o pé próximo à cova. Que maldade!

E esses acordos assinados, na atualidade, com os norte-americanos? O que estão preparando, novamente? Nós, os pobres mortais, estamos mais por fora do bunda de indio! Quem sabe o maluco do Assange, do WikiLeaks tenha alguma coisa para mostrar na Internet!

Brincadeiras a parte, somente o futuro é quem dirá se fomos novamente enganados ou não! Torço para que a história não volte a se repetir! Pois, como o caboclo simples, no seu puro Amazonês, gosta de falar: - Já deu e poderá dá novamente pro nosso! É isso.

CAFÉ INTERNACIONAL - ITACOATIARA

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A Foto Colagem acima, foi feita a partir de uma fotografia antiga, acredito que é do final do século dezenove, quando estava em plena efervescência a "Belle Époque" (bela época, em francês, período de ouro da beleza, inovação e paz entre os paises europeus e, copiado pelos ricaços brasileiros, durou de 1871 a 1914, este período acabou com início da I Guerra Mundial); os barões da borracha ganhavam montanhas de dinheiros com o "ouro branco", o látex das seringueiras da Amazônia, muitas cidades da região norte respiravam ares europeus; assim como Manaus e Belém, a cidade de Itacoatiara, no Amazonas, teve um crescimento vertiginoso naqueles bons tempos de fartura, tudo era do bom e do melhor, veja na fotografia, onde aparecem uns senhores vestidos à caráter, tomando bebidas, alguns fumando charutos da melhor qualidade, reunidos e posando para a foto,  no "Café Internacional", de propriedade dos sócios "Ferreira & Martins" (pode ser um dos meus antepassados), o estabelecimento ficava  em frente à Praça Treze de Maio (Matriz). Bons tempos aqueles, mas, esta cidade ainda guarda parte do seu centro histórico, por sinal, muito bonito, vale a pena um dia ser revitalizado totalmente. É isso.   

quarta-feira, 23 de março de 2011

LAURO GOIABA

Antes da explosão demográfica da cidade de Manaus, a grande maioria dos habitantes se conheciam (saudades da nossa Manaus antiga!). Os considerados mais folclóricos ou “figuras” eram bastantes populares por todos os moradores, existiam muitos, os mais notórios da minha época eram: Lauro Goiaba, José Aquino Carapeta, Boca de Bilha, Eurico do Galo Gay, Peixeiro do Guarany, Jaú Mão Boba e a Carmem Doida.

Dos citados, o que eu conheci e convivi, foi o senhor Lauro, conhecido por todos como “Goiaba”, não sei informar o porquê do apelido – foi meu vizinho, na Rua Igarapé de Manaus, era também um grande amigo do meu saudoso pai. Trabalhou na Companhia de Saneamento do Amazonas - COSAMA, conhecida também por “COLAMA”, empresa que cuidava do sistema de águas e esgotos do Amazonas, distribuía mais lama do que água. A sua função era de encanador (consertava os canos danificados da cidade), mesma após a merecida aposentadoria, continuou exercendo o seu ofício para os seus inúmeros clientes em Manaus.

Apesar de ser um excelente profissional, não era famoso somente pela sua bela profissão, mas, sobretudo por ser um torcedor "roxo", ou melhor, "azul até a alma" pela equipe futebolística Nacional Futebol Clube e, pela paixão pelos carnavais de Rua de Manaus.

A sua residência sempre foi pintada nas cores azuis e brancas; a bandeira do “Naça” ficava no alto de um grande mastro; as suas filhas, conhecidas como “As Goiabetes”, eram as torcedoras mais calorosas e animadas, nos dias em que o time jogava; os seus filhos foram grandes jogadores, do Nacional, é claro! Nunca vi um torcedor tão fiel ao seu time, nunca perdeu um jogo sequer, quando a peleja era na capital do Amazonas; nos dias de clássico Nacional (Leão da Vila) X Rio Negro (Galo Carijó), a festa começava bem cedo: reunia todos os vizinhos para um “birinaite”; utilizava uma parafernália eletrônica chamada de "A Voz do “Goiaba", colocava no volume máximo o hino do Nacional, para incentivar todos a irem ao estádio; bancava o transporte, os ingressos, a pinga e a charanga para animar a festa – com todos esses incentivos, não dava para recusar a assistir ao jogo de futebol.

Além do Nacional, outra grande paixão do “Goiaba” era o carnaval de rua, ninguém conseguia suplantá-lo em alegria e descontração; curtiu muito os “Blocos de Sujo”, da Avenida Eduardo Ribeiro, além da “Banda do Neca”, na Rua Ipixuna, da “BICA”, no Largo de São Sebastião e do “5 Estrelas”, na Avenida Getúlio Vargas – as suas fantasias preferidas eram a de “Pierrô” e da “Colombina”. Durante a semana Momesca, gostava de andar de bicicleta, vestido de palhaço, ficava buzinado o dia todo, tudo era festa, tudo era carnaval! Incentivava os meninos, as meninas, os rapazes e as moças, também os velhos e as velhas a brincarem a folia de carnaval! Que figura, mano!

Hoje, 03 de março de 2011, os moradores do Igarapé de Manaus e redondezas, a nação azul e branca e os seus familiares, todos estão de luto, faleceu o nosso querido e amado “Lauro Goiaba”, cumpriu a sua missão aqui na Terra, o seu lugar está reservado lá no Céu, ao lado do nosso bom Deus. Valeu, Goiaba!



terça-feira, 22 de março de 2011

HOJE É COMEMORADO O DIA MUNDIAL DA ÁGUAS

No dia 22 de fevereiro de 1993, a Organização das Nações Unidas declarou que todo dia 22 de Março de cada ano será comemorado o “Dia Mundial das Águas”, tendo como objetivo chamar a atenção do mundo sobre a importância da água doce e defender seu manejo sustentável; para este ano o tema é “Águas para as cidades: respondendo ao desafio humano”.

Apesar de dois terços do nosso planeta ser formado de água, apenas menos de um por cento é potável, própria para o consumo humano, mesmo assim, estão sendo contaminadas, poluidas e degradadas as fontes que estão nos rios, lagos, represas e nos aquiferos. O dia de hoje é dedicado não para comemorar, mas, para conscientizar o ser humano sobre o seu uso racional, pois, num futuro próximo haverá falta em grande parte da Terra.

A Declaração Universal dos Direitos da Água é a seguinte:

Art. 1º - A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.

Art. 2º - A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado do Art. 3 º da Declaração dos Direitos do Homem.

Art. 3º - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

Art. 4º - O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

Art. 5º - A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

Art. 6º - A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

Art. 7º - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

Art. 8º - A utilização da água implica no respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.

Art. 9º - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

Art. 10º - O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

O nosso país é privilegiado, pois possui em torno de doze por cento de água potável do mundo, sendo que setenta por cento das reservas estão na Amazônia e no Sistema Aquifero Guarani, este último é a maior reserva de água doce e potável do mundo, com uma extensão de um milhão e oitocentos mil quilômetros quadrados, abastecendo muitas cidades do Sul-Sudeste do país, porém, está ameaçado com as práticas poluentes da pecuária e da agricultura.

Na cidade de Manaus, o maior problema é o sistema de distribuição, com dezenas de bairros sofrendo, diariamente, com a falta de água, apesar de o majestoso Rio Negro passar no quintal das nossas casas. A concessão foi entregue para uma empresa francesa chamada “Águas do Amazonas” - não fez grandes investimentos, não colocou nenhum tubo de esgoto na cidade, a água de péssima qualidade, mesmo assim, cobra uma tarifa alta pela água e pelo esgoto, deixando milhares e milhares de famílias sem o precioso líquido.

O Estado do Amazonas está tentando resolver o problema da zona leste da cidade, com a implantação do “Programa Águas para Manaus – PROAMA”, com investimentos de 333 milhões de reais, serão beneficiados dezoito bairros, faltando apenas fazer a licitação para a empresa que vai administrar a nova estação, vamos torcer para não ganhar a francesa “Águas do Amazonas”.

A água é um bem que poderá faltar no futuro, tudo depende de nós, no presente, portanto, vamos usá-la com parcimônia, sem desperdício, tendo todo o cuidado para não contaminá-la, usando racionalmente os nossos aquíferos, lagos e represas, cuidando também com muito amor e carinho do nosso Rio Amazonas e seus afluentes. Sabendo usar, não irá faltar! É isso.










































segunda-feira, 21 de março de 2011

AVENIDA BRASIL DE MANAUS

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Com certeza, devem existir em todo o Brasil inúmeras Avenidas homenageando o nosso país. No Amazonas, especificamente, em Manaus, a Avenida Brasil liga a Estrada da Ponta Negra, no bairro do Lírio do Vale, na Zona Oeste, passando por todo o bairro da Compensa, parte dos bairros da Vila da Prata e Santo Antônio, até o centro, através dos bairros de São Raimundo, Presidente Vargas e São Geraldo.


Ela teve um crescimento desordenado, com construções de milhares de residências em suas margens, além de um movimentado e diversificado comércio varejista. Com a expansão da população dos bairros por onde passa a avenida, houve a instalação de bancos, feiras, bares, motéis, lojas de móveis e de construção, hospitais, clínicas, conjuntos habitacionais, etc.


Com o passar do tempo, foi havendo diversas intervenções para melhorar o acesso e a reorganização do comércio local, tornando uma avenida respeitada, tanto que o governo estadual e municipal resolveu deixar o Palácio Rio Negro (Estado) e Paço da Liberdade (Município), no centro histórico de Manaus, para fixar as suas sedes administrativas na própria Avenida Brasil.


Ficou famosa por ser uma das maiores e mais movimentada vias da cidade, foi feita a sua duplicação, com uma nova sinalização, construíram uma nova ponte, o governo do Estado está investido pesado em toda a sua extensão, com a implantação do PROSAMIM – Programa Sócio Ambiental dos Igarapés de Manaus.


Foram retiradas milhares de casas que ficavam nas margens dos igarapés, com a construção no local de quadras de esportes, escolas, praças e playground para as crianças, além da recuperação de várias vias de acesso a avenida. Ainda estão no local muitas máquinas pesadas, fazendo serviços de urbanização na margem do igarapé que passa bem no meio da avenida.


Faz gosto passar por lá num final de semana, andei em toda a sua extensão, está bastante arborizada no canteiro central (onde passa o igarapé), presenciei muitas famílias passeando pelas praças, muitos jovens brincando de “Papagaio de Papel”, com um tráfego fluindo perfeitamente, tirei várias fotografias e fiz a postagem acima.


Dei um pulo até a Ponte Manaus/Iranduba, o acesso é por uma avenida que inicia pela lateral da sede do governo do Estado, o local já está todo pronto, com largas vias, todas urbanizadas. Quando a ponte for liberada para uso da população, milhares de automóveis irão circular pela Avenida Brasil, por isso é que ela está sendo preparada para receber este pesado fluxo de pessoas e carros.


E o progresso chegando a vários cantos de Manaus, apesar do crescimento desordenado em alguns locais, pois temos um imenso parque industrial e um forte comércio de importados, gerando riquezas, emprego e renda para parte da população, por outro lado, provoca um fluxo migratório muito grande do interior do Estado e de cidades de outros Estados vizinhos, o que requer um investimento pesado em infraestrutra da cidade.


Com a criação da Região Metropolitana de Manaus, os municípios de Manacapuru, Iranduba e Novo Airão serão integrados a cidade de Manaus, muita gente de Manaus vai morar no interior e  muitas pessoas do interior dessas cidades virão para Manaus, o comércio imobiliário irá crescer enormemente do outro lado do Rio - toda essa movimentação terrestre de pessoas irá passar pela Avenida Brasil de Manaus, agora dá para verificar o quanto essa  via será importante para a nossa cidade. É isso.

sexta-feira, 18 de março de 2011

BLOGDOROCHA: MEMORIAL ENCONTRO DAS ÁGUAS

BLOGDOROCHA: MEMORIAL ENCONTRO DAS ÁGUAS: "O famosíssimo arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, elaborou o seu primeiro projeto para a região norte, chamado Memorial Encontro das Águas..."

quinta-feira, 17 de março de 2011

OS NOTÍVAGOS DE MANAUS

Aquelas pessoas que gostam de andar e vagar pela noite, são chamadas de notívagas, confesso que faço parte desse grupo de pessoas, sempre gostei de caminhar e vagar pela minha cidade madrugada à dentro - existia uma confraria madrugadora, em especial, que se encontrava embaixo de uma árvore na antiga Praça da Polícia, centro antigo de Manaus.

As cabeças pensantes de Manaus, da década de cincoenta, fundaram uma agremiação notívaga, chamada de “Clube da Madrugada”, os intelectuais gostavam imensamente da noite, tanto que no início do movimento, os iniciados eram batizados depois da meia-noite, no Cemitério São João Batista. Cruz-Credo!

Um dos fundadores desse movimento chama-se Luiz Bacelar, um notívago inveterado, já chegou aos 83 anos, recentemente, presenciei-o passeando à noite, passavam das dez horas, estava vindo da Praça da Polícia e caminhando tranquilamente pelo calçadão da Avenida Getúlio Vargas, não sei onde ele mora, nem para aonde ia, deu vontade de conversar com ele, mas, o deixei em paz na sua caminhada noturna.

Vale ressaltar, também, que outro fundador, chamado Jorge Tufic, está atualmente radicado no Ceará, mas, quando vem a Manaus, faz questão de andar pelas noites quentes de Manaus, apesar da violência urbana; ele gosta muito de caminhar pelo Largo de São Sebastião, Rua José Clemente, Rua Epaminondas e pela Praça da Saudade, também é considerado um notívago inveterado.

Fico encantado com a disposição, saúde e vitalidade dos nossos poetinhas acima, principalmente, pelo amor demonstrado por Manaus, pois, quem caminha pelas ruas da sua cidade, nutre um grande amor por ela; não chora, ama; não lamenta, vaga e anda, com amor.

Existem pesquisas para tudo o que se pode imaginar, para ser ter um ideia, uns malucos da Faculdade de Economia e Estudos Sociais de Londres, chegaram a conclusão que, as pessoas com maior coeficiente intelectual são mais propensas a ser notívagos, refletindo em um maior nível de complexidade cognitiva entre as pessoas que exercem uma ocupação, profissão ou maneira de viver, não sei se tem fundamento cientifico, mas, será este o motivo que levavam os integrantes do “Clube da Madrugada” a gostarem tanto da noite?

Na minha juventude e, em grande parte da minha vida adulta, caminhei, vaguei e, amanheci milhares de vezes pelas ruas da minha Manaus. Não sei explicar esse gosto, mas, a impressão é muito boa, dar uma sensação de liberdade, com poucas pessoas pelas ruas, fica tudo calmo, tranquilo; todos os gatos são pardos à noite, por isso, tudo é bonito e belo.

Quando a nossa cidade era pacata, dava para ouvir muitas coisas na madrugada: o som do apito de um guarda noturno, o badalar dos sinos da Igreja de São Sebastião, o cocoricar distante de um Galo, o piar de uma Coruja, o apito das usinas de beneficiamento, o uivado de um cão vira-lata, a voz calma e mansa de um vendedor de Mingau e um grito perdido na noite!

Atualmente, o que dá para ouvir na madrugada: a sirene da polícia, o estrondo de fogos de artifícios, a barulheira dos automóveis, o som estridente das baladas, o grito de policiais na captura de bandidos, o estampido de uma bala e muitos gritos perdidos na noite!

Conforme uma cidade vai crescendo, a violência urbana tende a crescer numa progressão geométrica, infelizmente, torna-se um fator crucial que impede aos notívagos de vagarem e caminharem sossegados e contemplativos pelas ruas da sua cidade.

Certa noite “caliente” da minha cidade fiz uma caminhada pelo centro histórico de Manaus (mesmo com certo receio), caminhei, caminhei e, parei defronte ao “mulateiro” da Praça da Polícia, fiquei a admirar aquela árvore secular e também a um banco, não sei se é aquele em que os madrugadores chamavam de “banco dos patos”, sentei e fiquei a admirar o local e a noite, é claro!

Olhei ao redor, fiquei a pensar no tempo passado, quantas pessoas notívagas ficavam ali até altas horas, mas o tempo é cruel, tudo passa e tudo passará - não tinha uma viva alma naquele momento, quem sabe, tinha sim, muitas e muitas almas rondando aquele lugar, pois ali é o lugar de encontro deles, dos notívagos de Manaus! Eu, hein!

Imagem retirada do blog: http://atticos.blogspot.com/2010/08/notivago.html

terça-feira, 15 de março de 2011

BLOGDOROCHA: OS PASSARINHOS URBANOS

BLOGDOROCHA: OS PASSARINHOS URBANOS: "Manaus possui apenas 12 mil quilômetros quadrados, enquanto o Estado do Amazonas chega a mais de 4 de milhões, no entanto, a concentração po..."

domingo, 13 de março de 2011

ÁLVARO REIS PÁSCOA

* Luciane Barros Viana Páscoa

A obra - Dentre as suas obras pictóricas, destaca-se o painel “As Forças Armadas e a Integração da Amazônia”(1972), que é uma pintura mural em azulejos coloridos com grandes dimensões (8,19m X 7,28m) instalada em logradouro público, junto ao Colégio Militar de Manaus. A obra possui uma sequência narrativa, que mostra vários aspectos do trabalho humano. A atividade no seringal, o trabalho feminino (índias com o pilão), o aprendizado da leitura, e o esforço físico do militares aparentam uma harmonia pacifica. Porém algumas figuras humanas estão com os rostos propositalmente escondidos, talvez como uma referência ao sentido da coletividade e do anonimato, mas certamente como uma indicação dos trabalhadores silenciados pela força das armas. Os corpos possuem um contorno formal bem definido, e o gestual a postura do caboclo é acentuada. Embora seja uma das suas menções menos contundentes do ponto de vista da crítica social, teve um impacto forte sobre as pessoas que acompanhavam a sua obra, justamente por estar instalada num bastião militar. Ali está o retrato fiel do que é a exploração e a degradação das criaturas humanas aqui na Amazônia. Ninguém melhor do que o professor Álvaro Páscoa, conseguiu retratar num painel essa situação toda de Amazônia, mostrando um aspecto que a gente nunca conseguiu ver, por que aqui sempre foi o reino encantado, o reino das mil maravilhas, o reino das grandes ilusões. Então as coisas sempre pintadas da forma como o colonizador sempre gostou e apesar de ser português e morar aqui na Amazônia, o professor Álvaro Páscoa teve a sensibilidade de captar exatamente o drama da sociedade amazonense.

O autor - Nascido em Oliveira do Bairro, Portugal, em 1920 e falecido em Manaus, Brasil, em 1997, Álvaro Reis Páscoa, foi escultor, entalhador, gravurista, professor, e atuou na administração cultural do Estado do Amazonas. Mas a relação de sua família com Manaus começou no início do século XX quando seu pai, José Reis Páscoa, imigrou para o Amazonas. Vindo durante os anos áureos do Ciclo da Borracha, ele estabeleceu negócios nesta cidade, dentre os quais a firma de importação e exportação com um sócio, chamada Páscoa & Monteiro.

Por volta de 1909, indo residir numa vila de casas habitadas, mormente por imigrantes portugueses, na Rua Rocha dos Santos, José Reis Páscoa conheceu Maria dos Anjos Pereira com quem se casaria em 1911. Em 1913 na capital do Amazonas, nasceu a primeira filha do casal, Celeste dos Anjos Páscoa. A família precisou se separar temporariamente, pois nos anos seguintes a mãe precisou ir para a Europa com certa urgência, vitimada que estava por uma paralisia decorrente de trauma psicológico vivido em um incêndio, à época em que residia ao lado da Igreja de São Sebastião.

A partir deste momento, José Reis Páscoa dividiu-se entre os negócios que manteve até a década de 30, simultaneamente na cidade do Porto e em Manaus. Em 1917, na Rua das Pedras Negras, em Lisboa, nasceu o segundo filho do casal, Jaime dos Anjos Páscoa, mas a família não se fixou na capital lusa.

Em 1919, a crise que abalava as grandes cidades em consequência da Primeira Guerra Mundial, levou os Páscoa a residir durante um tempo em Oliveira do Bairro, distrito de Aveiro. Lá, Maria dos Anjos juntava-se aos familiares de seu esposo e em 1920, em meios às baixas da gripe espanhola, nasceu o filho mais novo do casal, Álvaro Reis Páscoa.

Vivendo então sua primeira infância em Oliveira do Bairro, Álvaro Páscoa realizou o curso primário na Escola Secundária de Espinho, local onde a família possuía uma casa de veraneio, no número 1042 da Rua 14. Já no Porto, onde os Páscoa estabeleceram-se na Rua da Constituição, foi fazer o curso liceu na Escola Acadêmica e posteriormente o curso comercial da Escola Raul Dória na mesma cidade. Esta última não aconteceu apenas pelo desejo paterno em preparar o filho para os negócios, de vez que o mais velho formava-se em Economia na Universidade de Coimbra. Já dependente das muletas, situação ocasionada por um tumor na medula, a Escola Raul Dória tinha proximidade conveniente ao novo endereço da família, na Travessa da Fontínha, mandado construir por José Reis Páscoa. Frequentou os círculos intelectuais portuenses que se formavam justamente no perímetro de suas andanças. Desse modo, toda a sua formação acadêmica e artística foi realizada em Portugal.

Aos vinte anos afastou-se de suas atividades escolares pelos motivos de saúde já mencionados. A doença desencadeou uma série de tratamentos e após a realização de uma cirurgia para a remoção do tumor (a primeira a ser realizada em Portugal), ficou internado em recuperação durante dois anos, tendo como sequela a paralisia da perna direita. Mas o isolamento fez com que aprimorasse seu desenho, experimentando também a escultura e o entalhe, técnica tradicional do norte de Portugal.

Álvaro Páscoa chegou a Manaus em setembro de 1958 e logo em seguida integrou-se à movimentação cultural existente, especificamente o Clube da Madrugada. Como já conhecia as tendências da vanguarda européia, influenciado, sobretudo pelo Neo-Realismo e pelo Expressionismo, o caráter social de sua produção artística tornou-se ainda mais acentuado no Amazonas, a partir da observação dos costumes da população, do trabalho dos caboclos e de suas feições características. Foi Diretor da Pinacoteca Pública e Presidente da Fundação Cultural do Amazonas.

A articulação histórica e cultural que Álvaro Páscoa fez de maneira consciente com o seu ambiente social, expondo aí os suas preocupações sociais mostram que sua concepção estética não se baseava em preceitos estreitos ou em rótulos fechados que poderiam se confundir com uma ânsia de afirmação de identidade e consequentes tentativas de engajamento ou absorção a «grandes centros». Sua atuação foi ampla e feita de modo discreto: como membro do Clube Madrugada, como professor, como gestor cultural e como artista, deixou uma contribuição muito importante, que foi a intervenção social e intelectual na cidade.

* Doutora em História Cultural, pela Universidade do Porto/Faculdade de Letras, Portugal.

sábado, 12 de março de 2011

OS DESCLASSIFICADOS

ARTISTAS AMAZONENSES CONTRA A OMB/AM – O Sr. Sérgio Salazar, presidente da Ordem dos Músicos do Brasil, seção Amazonas, volta e meia anda se indispondo contra os músicos amazonenses. Recentemente, impediu um show da cantora Márcia Siqueira (sem uma justificativa plausível), depois, foi acusado pela cantora Lucilene Castro por fraude e de impedi-la de trabalhar, por último, o técnico de som Reldson de Paulo, acusou os dirigentes de ter mantido o artista em cárcere privado, na própria sede da instituição -,os dois últimos prestaram queixa contra os representantes da entidade na Polícia Federal. Os músicos amazonenses irão fazer uma manifestação contra a gestão local, será no dia 14 de Março em frente à sede da Ordem, localizada na Rua Maceió, bairro Adrianópolis. Pesam contra a Ordem dos Músicos do Brasil/AM as seguintes denúncias (estão postadas no Facebook, não sei e não posso afirmar, apenas listo o que está escrito na mídia): Ausência de prestação de contas/desconhecimento da categoria dos critérios para contratação dos fiscais/inexistência de eleição anual de 1/3 do Conselho/contas pendentes na antiga sede/aplicação indevida de multas/possível extorsão/abuso de autoridade/perseguição e represália a músicos e empresários do ramo do entretenimento/possível expedição irregular de carteiras profissionais e assédio moral. Ufa! É muita coisa! A Ordem dos Músicos é uma autarquia pública federal, criada através da Lei 3.857, de 22/12/1960, tendo como objetivo a preservação, fiscalização e regulamentação da profissão dos músicos do Brasil – pelos escândalos e polêmicas envolvendo a instituição do Estado do Amazonas, não estão nem chegando perto desses objetivos, sou totalmente solidário aos músicos da minha terra. Intervenção Já!

A BANDA “RESTART” (RESTO DE ARTE) É PRECONCEITUOSA – Esta Banda pobre de espírito, irá se apresentar em Manaus no dia da mentira (1º de Abril), no Studio 5 – É mole ou quer mais? Vocês sabem o que o baterista falou com relação ao Amazonas e ao seu povo? Não? Então, Thomas ai: - numa entrevista, o músico é perguntado sobre quais lugares ele ainda gostaria de tocar. Thomas responde: “Queria tocar no Amazonas. Imagina, tocar no meio do mato, não sei nem como é o público de lá. Não sei nem se tem gente civilizada, civilização!. Dê uma olhada nessa Banda escrota no YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=P6nPwb_L33c.  Para ele, Manaus é somente mato e que o povo é da época das cavernas. Puro preconceito. Se é assim do fresca, então, toma essa fuleiro: - Vá “Thomás” no teu Cupuaçu, filho de baranga! Ainda vai ter muito babaca que irá pagar ingressos de R$ 40,00 e R$ 90,00 para assistir esses caras preconceituosos! No compasso da música deles de maior sucesso: "Levo Comigo" o agravo (ofensa) pela declaração infeliz desse baterista viadinho!

O GOVERNO DO AMAZONAS LEVA A FRENTE O MONOTRILHO – Apesar das recomendações do Ministério Público Federal e do Ministério Público Estadual, o governo passou por cima e manteve a licitação para este tipo de transporte. Não estão nem ai se existem diversas irregularidades no projeto básico; de ser economicamente inviável e de correr o risco de não ficar pronto até a Copa de 2014. O povo não quer este tipo de transporte; ainda irá estragar mais o já estragado centro histórico de Manaus; não deu certo em lugar nenhum do mundo; será caríssimo, muitas escolas deixarão de ser construídas por conta da conta do monotrilho; mesmo a par de tudo isso, o governo do Amazonas está apostando todas as suas fichas nesse negócio da China (para eles, é claro!). Veja mais: http://www.pram.mpf.gov.br/institucional/acoes-do-mpf/recomendacao/Recomendacao_MPF_MP_AM_MONOTRILHO-MANAUS.pdf.  

A FESTA VAI COMEÇAR E OS BOIS AINDA NÃO TÊM O REGULAMENTO – Todo ano é a mesma coisa, os dirigentes dos Bois Garantido e Caprichoso são intransigentes, brigam feio na elaboração do Regulamento do certame. As principais polêmicas são as seguintes: 1. Mudança de jurados - passariam de nove para vinte e sete; 2. Os escolhidos seriam da Região Norte, exceto do Amazonas; 3. O Secretario Estadual de Cultural, Doutor Robério Braga, saiu de campo, não quer participar dos debates – as agremiações querem a sua volta; 4. O Prefeito de Parintins, Bi Garcia, tem como Secretário de Finanças, o senhor Telo Pinto, presidente do Garantido – o Caprichoso teme que ele vá ajudar o contrário (o contrário à organização da festa é ele!). Enquanto não resolvem este “quiprocó”, os ensaios do Bar do Boi ficarão suspensos, bem como, a SEC não repassará os recursos para o festival. Esses caras não são profissionais, fazem beicinhos por “merda”, prejudicam esta grandiosa festa, prejudicam o povo parintinense e aos turistas que ficam na dúvida se vai ter ou não festival. Pode escrever ai: eles vão resolver tudo na última hora, o dinheiro sairá tarde demais, o Bumbódromo será recuperado às pressas, a cidade não vai ter tempo suficiente para se preparar para receber os milhares de turistas que irão para a festa – tudo por culpa da Dona Márcia Baranda e do Senhor Telo Pinto, presidentes incompetentes dos bois! Tem que mandar esses dois pastar bem longe! Chegou a hora de profissionalizar a direção das agremiações bovinas, não tem mais sentido essa bagunça toda!

Vaias, muitas vaias para os desclassificados acima! É isso.

sexta-feira, 11 de março de 2011

O REMO NO AMAZONAS

O esporte náutico “Remo” tem história no Amazonas, sob a influência dos ingleses, esta prática esportiva foi muito disseminada em Manaus, no século passado. Ainda sobrevive, na atualidade, apesar de todas as dificuldades financeiras, em decorrência da falta de apoio governamental e patrocínio dos empresários locais.

Segundo o site da Confederação Brasileira de Remo http://www.cbr-remo.com.br/  “Ensina-nos a história que o remo desde os seus primórdios está repleto de episódios importantes em suas derivações, principalmente no comércio e na guerra foi de indiscutível relevância no tocante a sua utilidade. Um faraó egípcio conseguiu organizar uma frota de 400 navios movidos a remo, que era a sua esquadra daquela época. Isso mais ou menos nos anos 2000 a.C. Esporte náutico popularizado com denominação de remo para mais facilmente diferenciá-lo do iatismo. Há notícias de competições que se realizaram em Veneza -Itália, no distante ano de 1315 e na Inglaterra em 1715. Foi neste último país que o remo se organizou pela primeira vez, inclusive através de clubes, de que é um exemplo o Leander Club (1817), o mais antigo de todo o mundo. Mas o esporte ganhou rumo definitivamente no ambiente universitário. As universidades de Cambrigde e Oxford adotaram-no e, em 1829, iniciaram a realização da tradicional regata que anualmente revive, no Rio Tâmisa, os primórdios do remo”.

Segundo o saudoso senador Jefferson Peres, no seu livro "Evocação de Manaus" – as competições oficiais eram realizadas no Rodoway, sempre na Semana da Pátria, existiam três clubes – O Clube do Remo (antigo Manaus Ruder Klub): fundado por alemães, tinha a sua garagem de zinco (hoje está atracado embaixo da ponte de Educandos), no Igarapé de Manaus, com acesso pela Ponte Cabral (I Ponte da 7 de Setembro) – O Clube Amazonense de Regatas: ficava as margens do Rio Negro, na Escadaria dos Remédios – O Grêmio Náutico Portugal: com sede na orla do Rio Negro, no início da Avenida 7 de Setembro.Praticavam várias modalidades: Skiff, Canoa e Out-Rigger. As competições eram realizadas na baia do Rio Negro, com partida em frente aos coqueiros do bairro de São Raimundo, com a linha de chegada em flutuantes colocados em frente ao Rodoway. Os atletas de destaque eram: Walmir Robert, Simão Abnader e Francisco Reis Filho. Havia também o “Water-Polo”, praticados pelos atletas do Remo – as raias eram armadas ao lado das garagens dos remos; disputavam em pé de igualdade com os times do Navio-escola Almirante Saldanha (brasileiro) e Apollo (esquadra inglesa).

Segundo a Federação Amazonense de Remo http://www.far-remo.com.br/ “Dos anos de 1970 até meados dos anos 1990, o remo no Amazonas ficou no ostracismo, devido ao fato de encontrar-se em situação irregular perante a Confederação Brasileira de Remo, sendo proibido de participar de competições oficiais. Em 1997, com o Desafio Internacional entre as Universidades de Cambridge e Oxford, mais a participação da Seleção Brasileira de Remo, realizado nas águas do Rio Negro, no percurso entre o Rodoway e a praia da Ponta Negra, a Federação Amazonense ressurge com uma nova proposta: revitalizar o esporte, proporcionando infra-estrutura aos clubes e, principalmente, aos atletas. Foi através do trabalho desenvolvido pelo presidente, à época, o senhor José Augusto de Almeida, que a Federação Amazonense de Remo foi regulamentada e reorganizada administrativamente. Os primeiros anos foram de reestruturação e de embate pelo resgate da credibilidade do remo amazonense”.

Conheco de vista o Manassés Barbosa, ele foi um dos que mais incentivaram esta modalidade de esporte no Amazonas, bato palmas para ele e para outros jovens e senhores abnegados que, tanto lutaram e ainda lutam para manter o Remo, afinal, este esporte tem história entre os amazonenses.

O Remo é praticado na Praia da Ponta Negra, onde fica a sede da FAR, a Diretoria é formada pelas seguintes pessoas:
José Augusto de Almeida - PRESIDENTE DE HONRA
Aristóteles G. de Almeida Neto -PRESIDENTE
Daniel Herzon - VICE PRESIDENTE
Evandro Botelho – SECRETÁRIO
José Olmiro Borges – TÉCNICO
Agenor Braga – FINANCEIRO
Clóvis Aguiar – RELAÇÕES PÚBLICAS.

Noticias do Remo do Amazonas:

Os atletas amazonenses foram campeões do Torneio Norte-Nordeste, nos anos de 2002, 2004 e 2005. Campeonato Brasileiro Aberto de Remo 2010 - O Amazonas foi bem representado pelos clubes Manauara e Amazônia, no campeonato brasileiro aberto de remo, realizado na Lagoa Rodrigo de Freitas, na cidade do Rio de Janeiro. Tivemos cinco atletas medalhistas competindo com toda a força do sudeste e sul. Fomos os melhores colocados da Região Norte e Nordeste novamente, ratificando nossa posição no ranking nacional.

4 comentários:

Escola de Remo de Manaus disse: Desculpe mas o senhor Manasses, não e o técnico da equipe amazonense a mais de 10 anos, o mesmo trabalha com a liga náutica contribuindo ao time paraense. E como você deve ter observado nesses 10 anos tivemos uma grande melhora na classificação amazonense. Ranqueando os clubes entre os 5 melhores do Brasil, classificando os atletas entre os 3 medalhista nas provas e colocando atletas dentro da seleção brasileira 10 temos o gaúcho José Olmiro, trabalhando com a equipe principal e a 3 anos Edvando Alves, amazonense trabalhando com a pre-equipe e com a escola de remo amazonense.

Anônimo disse: O Sr. Manassés sempre foi incentivador do nosso remo, e se ele está trabalhando com o remo do Pará qual é o problema? Temos gente de outros lugares no nosso remo também. Você está magoado?

Anônimo disse: Só tenho a dizer ao remo amazonense que o Manasseh foi um das maiores forcas do remo e ate hoje esta lutando tentando vencer os obstáculos com o seu projeto remo sociais, localizado na quarta dl no santo Antônio tirando crianças das ruas das drogas e transformando em remadores e tai uma prova disso e o remado Ailson Heráclito da Silva vice campeão do mundo hoje no bota fogo mais quem fez esse remado foi ele chamado Manasseh Barbosa o nosso Rei do remo amazonense, se ele não esta na escola de remo de Manaus, vocês devem saber porque!

Anônimo disse: Acredito que esse embate todo deveria ser decidido de forma esportiva, cada um defendendo dentro d’água nos campeonatos estaduais, e ele não participa porque não quer, e o Ailson foi fruto del sim parabéns, mais porque será que eles não se dão bem hoje ?(o rapaz esteve em Manaus e não compareceu ao seu antigo lugar de treinamento, ele deve estar chateado com alguma coisa, isso não convém discutirmos né! Mas que a resposta deve ser feia. Mas acredito que poderia ser feita “aprova do rei”: onde colocaria uma modalidade e cada um dos clubes se armava com seus melhores atletas e barcos para decidir!

Esta postagem foi feita no ano passado, resolvi publicar novamente, em decorrência dos comentários polêmicos acima. E viva o Remo do Amazonas! Viva os seus atletlas! Viva! É isso. 

quinta-feira, 10 de março de 2011

CAVAQUINHO, O CAVACO BRASILEIRO

Este instrumento musical teve a sua origem em Portugal, precisamente na cidade de Braga, sendo conhecido naquelas bandas como “Braquinha”, enquanto, no Brasil, é apelidado carinhosamente por “Cavaco”.

A sua escala é dividida em dezessete trastos, aqueles filetes de metal característicos dos instrumentos de cordas dedilháveis e, servem para dividir o ponto numa série de semitons e indicam o lugar dos dedos.

Ele é bem pequeno, menor que um violão, agora, possui uma enorme popularidade, imaginem, sem ele numa “Escola de Samba”, nem pensar! Chora Cavaco! Imaginem sem ele numa roda de “Choro”, nem pensar, também! E o choro continua! Pense sem ele num grupo de “Pagode”. Eta cavaquinho preguiçoso!

Para os iniciantes de instrumentos de cordas (cordofone), deve ser muito difícil tocar um violão, apesar da sua escala grande e de seis enormes cordas, agora, imaginem tocar um Cavaco, deve ser um martírio, o tocador deve ter o famoso “dedo de anjo”, pois a escala é diminuta, além de treinar muito para manipular apenas quatro pequenas cordas.

Até hoje não teve uma pessoa que superasse o Waldir Azevedo (Rio de Janeiro, 1923-1980), ele é considerado o pioneiro, tirou o cavaquinho como mero acompanhante no choro e o colocou em destaque como instrumento de solo. Compôs o famoso “Brasileirinho” (apenas poucos iluminados conseguem tocar direitinho), “Pedacinhos do Céu”, “Chiquitas” e “Vê Se Gostas”, na realidade, ele fez centenas de composições, todas famosas no Brasil e no exterior. Tenho um disco de vinil da dupla imbatível “Waldir Azevedo & Jacob do Bandolim”, deixado de lembrança do meu pai.

Aqui, em Manaus, encontramos muitas feras no Cavaco, existe um cara que foi muito amigo do meu saudoso pai, chama-se “Zé da Manola”, ele é um exímio tocador de cavaquinho, além do “Júnior do Cavaco”, o "Major da Rua Izabel", o “Junior Curubão”, dentro outros, todos eles podem ser encontrados dando o maior show no “Bar Caldeira”, “Bar Chão de Estrelas”, “Bar da Loura (ET Bar)”, no conjunto musical “Os Amigos do Som” e no “Bar da Gestina”.

O meu saudoso pai foi uma famoso “Luthier”, fez milhares de cavaquinhos, a grande maioria era de primeira qualidade, com o tampo em Marupá, lateral e fundo em Macacaúba” e o braço de Cedro, ele fazia um desenho em marchanteria na boca do cavaco, além da largura do cabo de acordo com o gosto do freguês, o som e a escala agradava aos “gregos e troianos”, fez também outros tantos, destinados aos nossos irmãos caboclos do interior.

Esse instrumento musical, muito popular, pode ser encontrado nas lojas do ramo, porém, quem desejar adquirir um de qualidade superior, deve procurar o mestre Rubens, da Escola de Lutheria da Amazônia, onde todos os instrumentos são confeccionados com madeiras certificadas e com o devido "selo verde".

E viva o Cavaco! E isso.

segunda-feira, 7 de março de 2011

A VITROLA NIVICO HI-FI DA DONA DIVA

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Nos anos sessenta, na Rua Igarapé de Manaus, sem numero, existia uma moradora, a Dona Diva - ela tinha um equipamento moderno e caro para a época, um privilégio para poucos, era uma “Vitrola”, um termo que está em desuso (vem de Victrola, uma marca registrada), somente é conhecida por alguns colecionadores.

Era um móvel de madeira, bastante grande, bem trabalhado, com caixas de som embutidos, servia para reproduzir sons gravados em disco de vinil (Long Play e Compact Disc), tinha um regulador de discos, dava para colocar em torno de seis LP´s, iam caindo automaticamente no prato e, um braço com uma agulha de diamante, deslizava suavemente e começava a tocar a primeira faixa musical do disco.

Era também conhecido, antigamente, como “Eletrola”, “Fonógrafo” ou “Gramafone”. Modernamente, chama-se “Toca-Discos”, muito utilizados pelos profissionais “DJ”, pois segundo eles, os sons dos graves e agudos são bem melhores, mais nítidos do que as mídias atuais.

A “Vitrola da Dona Diva” tinha um extraordinário recurso chamado de “alta fidelidade”, conhecido também como “HI-FI” do inglês, tinha uma maior fidelidade possível ao som real.

A Dona Diva e o seu marido, eram donos de algumas casas, fomos uns dos seus inquilinos, morávamos na parte detrás da casa deles; aos sábados, ela gostava de tomar umas cervejas e ouvir uma boa música, era muito festeira, botava no volume máximo, dava para ouvir em todo o quarteirão.

No quesito lazer, a geração dos anos sessenta de Manaus, não tinham televisão em suas casas, pois somente chegaram à década seguinte – o aparelho de rádio imperava, porém, somente em alguns lares eram encontrados – quanto ao dispor de uma vitrola Nivico HI-FI, somente os mais abastados tinham este privilégio.

A nossa família era humilde, somente possuímos um rádio a válvulas e, por ser grande demais e muito pesado, ficava a maior parte do tempo na oficina do meu pai - moral da história: não tínhamos nada para passar o tempo em casa, sendo a única solução para entretenimento, ouvir aos sábados as músicas tocadas na vitrola da Dona Diva.

Os grandes sucessos daquele tempo bom, foram: Palhaçada (Doris Monteiro)/Blue Moon (The Marcels)/Faz Me Rir (Edith Veiga)/Biquini De Bolinha Amarelinha (Ronnie Cord)/It’s Now Or Never/Surrender (Elvis Presley)/Negue (Nelson Gonçalves)/Maringá (Carlos Galhardo)/Ninguém É De Ninguém (Cauby Peixoto)/Boato (Elza Soares)/Solidão (Núbia Lafayette)/Ansiedad (Nat King Cole)/Mulata Assanhada (Miltinho), dentre outros.

Passados todos esses anos, com o mercado de entretenimento fazendo lançamentos a todo o momento, com possibilidades de ouvir uma boa música em qualquer lugar, a qualquer momento, com equipamentos portáteis, com sons de alta qualidade, ligados online com o mundo inteiro, ainda encontro um tempo para lembrar os velhos vinis e da “Vitrola Nivico Hi-Fi da Dona Diva”. Eu, hein!

sexta-feira, 4 de março de 2011

AMAZÔNIA - OS FILHOS DO AMANHÃ - A SABEDORIA NÃO ENVELHECE.wmv



Olá amigos,

Este video está no YouTube  canal BLOGDOROCHA - com a poderosa voz do David Assayag, mostro algumas fotografias da nossa querida Amazônia, todas feitas por mim, por ser amador não sairam muito boas, mas o importante é a mensgem de preservação da nossa morada. Nas primeiras fotografias, aparecem este humilde servo do Senhor, meus filhos  e o meu saudoso pai, mostra também Manaus, Iranduba, as Comunidades Nossa Senhora de Fátima e Livramento e, a cidade de Parintins. É isso. 

ITACOATIARA, A CIDADE DA PEDRA PINTADA


Recentemente, fui convidado pelo Marcelo de Lemos Saraiva, para colaborar com o seu site http://www.canalitacoatiara.com.br/ , para mim foi uma honra, apesar de não ser historiador ou pesquisador, apenas escrevo algumas coisas certas por linhas tortas, versando sobre a nossa região amazônica, em particular, sobre Manaus e as cidades do nosso querido Amazonas.

A cidade de Itacoatiara é a terceira mais populosa do Amazonas, beirando aos cem mil habitantes, possui um nome indígena, pois nos seus primórdios fora encontrado uma pedra pintada com inscritos em tupi, por isso é que conhecida como a Cidade da Pedra Pintada (ita = pedra / coatiara = pintado, gravado, escrito), chegou a ser chamada de Serpa, em homenagem a Nossa Senhora do Rosário de Serpa, pois os portugueses rebatizaram a maioria das cidades da Amazônia com nomes católicos de além-mar, depois, voltou ao seu nome original. Fica distante de Manaus, em torno de 267 quilômetros por rodovia (AM-10), fazendo parte da Região Metropolitana de Manaus.

Possuo um carinho todo especial pela cidade de Itacoatiara, inclusive, já postei muitas fotos antigas e atuais no nosso BLOGDOROCHA, no endereço http://www.jmartinsrocha.blogspot.com/ .

Lembro da primeira vez em fui àquela bonita cidade, devia ter uns dezenove anos de idade, na época, trabalhava numa empresa de importação, em Manaus, fiz amizade com o pessoal do setor de câmbio do London Bank, ficava localizado na Rua Guilherme Moreira, atual Top Internacional. Eles estavam organizando uma caravana para passar um final de semana na nossa querida Velha Serpa, topei na hora.

Viajei em companhia do meu compadre Klinger, conhecido popularmente como “Peninha”, um excelente intérprete da nossa música popular brasileira, principalmente, do samba canção, bem como, do meu brother Kleber, o cara era um excelente músico, tocava um violão maravilhosamente bem. Formamos um grupo muito coeso, passamos o sábado, domingo e a segunda-feira, era um feriadão prolongado, foi um agito total, foram três dias de lazer, afinal, eu estava com todo o gás da minha juventude, ainda guardo boas recordações da primeira vez naquela cidade, inclusive, tenho algumas fotografias tiradas da urbe e da passagem pelo Rio Urubu.

Lembro também da primeira vez em que fui ao Festival da Canção de Itacoatiara (FECANI), um evento que acontece em Setembro de cada ano, onde são descobertos novos valores musicais da Região Norte. Fiquei hospedado na casa de um casal amigo, conhecidos por Isaac (o “Louro” para os íntimos) e Nety, hoje, eles moram em Boa Vista (RR). Tive a oportunidade de conhecer melhor a cidade, visitei alguns bairros, fui apresentado a várias pessoas (nunca fui candidato a nada), frequentei alguns bares e clubes noturnos, fiquei fascinado com os prédios antigos, pois sou um cara vidrado em coisas antigas, todos foram construídos na época da borracha, assim como Manaus e Belém, a cidade de Itacoatiara teve também o seu apogeu com o ouro branco (látex).

Espero que os administradores municipais, juntamente com os técnicos do IPHAN, coloquem em prática a recuperação do centro do histórico – imaginem aquela cidade toda recuperada, revitalizada, aliada a beleza inconfundível do nosso Rio Amazonas, bem como, ao seu povo ordeiro e hospitaleiro, seria uma cidade muito visitada o ano inteiro pelo turistas nacionais e estrangeiros.

A foto colagem acima, mostra a "Praça do Relógio" e uma famosa casa aviadora do início do século passado, não sei se a praça ainda existe, pois faz muitos anos que não vou a Itacoatiara -  quanto ao casarão antigo, ele ainda resiste ao tempo, consigo vê-lo quando em viagem de barco para Parintins. Estou motivado a voltar novamente a Itacoatiara, a cidade da pedra pintada, quem sabe no próximo Fecani. É isso.

quinta-feira, 3 de março de 2011

GRES BALAKU BLAKU

História


A Balaku Blaku foi fundada em 22 de outubro de 1977 na Rua Isabel, no Centro de Manaus.

Em 1978, ainda como um Bloco Carnavalesco, consagrava-se campeã frente à Batucada Baré e a Batucada Acadêmicos do Rio Negro. Alguns dos Seus fundadores – Churchill, Fernando Teixeira, Rivaldo, a família Teixeira - deram de tudo para que a batucada crescesse e alcançasse um patamar de boa qualidade, anos depois a batucada entrava na qualidade de Bloco de Enredo.

Em 1989, foi transformada em escola de samba. Em 1992 a Balaku Blaku desfilava no então recém inaugurado Sambódromo de Manaus e, em 1995 com o vice-campeonato com o Enredo sobre as três raças, a escola finalmente se posicionava como uma das maiores do Carnaval amazonense.

Enredos

1987 Acesso Do Sonho à Realidade, 10 Anos de Glórias
1988 Acesso Em Cima da Hora - Circo de Pobre
1989 Acesso No Esplendor do Carnaval
1990 Acesso O Mundo Encantado de Charles Chaplin
1991 Não houve " Balaku Blaku na Disneylandia"
1992
1993 Especial Inca: Império do Sol
1994 5º lugar Especial No Mundo das Nuvens: Venha Voar Comigo
1995 2º lugar Especial O Canto das Três Raças
1996 4º lugar Especial Os Sete Pecados Capitais do Brasileiro
1997 5º lugar Especial Hoje Quem Paga Sou Eu
1998 3º lugar Especial Império do Sol Nascente no Esplendor do Carnaval
1999 Desclassificada Especial Das Barrancas do Juruá ao Palácio Rio Negro: "Quem Sabe Faz"
2000 5º lugar Especial Olímpico, O Jardim da Kamélia
2001 Campeã Especial Nilton Lins, Educação - Ontem, Hoje e Amanhã
2002 6º lugar Especial Itacoatiara: Mito, Força e Beleza
2003 6º lugar Especial Ativa, Mulher Guerreira de Ontem, de Hoje e de Amanhã
2004 6º lugar Especial Mitos, Luxos e Folia no Carnaval de Todos os Tempos
2005 6º lugar Especial Aquarela da Amazônia Para o Mundo Ver
2006 4º lugar Especial Dos Rios e das Matas
2007 7º lugar Especial Um Fenômeno Chamado Calypso
2008 7º lugar Especial Balaku Blaku Apresenta Marcelo Mourão: Filho da Mata, Filho do Mundo
2009 7º lugar Especial Akator - Nem Ouro, Nem Prata, o Eldorado Existe e é Verde - Amazônia
2010 7º lugar Especial Da Escrita à Internet: Não se Comunicou, Dançou
2011 Especial “Do divino ao profano. Na vida e na morte. Do natural ao artificial. A força mais poderosa do universo: Luz”


Foto: J Martins Rocha

terça-feira, 1 de março de 2011

VELHOS CARNAVAIS NO SAMBÓDROMO DE MANAUS

O ponto máximo do carnaval amazonense é o desfile das Escolas de Samba no Sambódromo (Centro de Convenções de Manaus), adoro toda aquela movimentação, apesar de nunca ter desfilado oficialmente em nenhuma agremiação, mesmo assim, tenho boas recordações dos nossos velhos carnavais. Faz algum tempo, bote tempo nisso, sai de gaiato na última Escola a desfilar, fiz uma fantasia “arrumadinha” com os restos que ficavam ao longo da Avenida, foi o máximo ter ficado por muito tempo na concentração, desfilar e chegar à dispersão, com o Sol batendo na cara, foi um misto de alegria, cansaço e orgulho de ter desfilado pela primeira vez (ainda não teve a segunda) numa Escola de Samba. O que mais me chama a atenção nos desfiles carnavalescos é o carro “Abre-alas” e a “Bateria", além das mulatas, sambando, é claro! Certa vez, fui assistir aos desfiles com o meu irmão Rocha Filho, ele estava “Prá lá de Bagdá”, ficamos estacionados no esquenta da Bateria da Escola de Samba do Rio Unido da Liberdade, acredito que foi em 1999, ela estava fazendo uma justa homenagem ao Armando Brasileiro, proprietário do Bar Armando, reduto de intelectuais, jornalistas, universitários, juízes e artistas diversos -, pois bem, o meu querido irmão resolveu dormir em pé, segurando num pau de uma barraca de venda de bebidas, de repente, uns trezentos ritmistas começaram a tocar os seus instrumentos, pensei que ele iria acordar daquele sono profundo, mas, nada aconteceu, ele simplesmente, começou a roncar bem alto, os caras da bateria ficaram espantados, um deles bateu várias vezes o “Surdo de Primeira” bem próximo ao ouvido do meu brother e, nada! Ele somente acordou quando a Escola já estava no final da avenida. Credo em cruz! Tenho um amigo chamado Delfim, pense numa figura, o cara desfilava sempre na Escola de Samba Vitória Régia, da Praça 14 de Janeiro, a verde rosa que tem como madrinha a Mangueira, do Rio de Janeiro; um certo ano, não sei precisar, resolveram fazer um carro Abre-alas homenageando uma Balsa de travessia de Iranduba-Manaus, era chamada de “Boto Navegador”, uma homenagem ao governador Gilberto Mestrinho – o Delfim estava tomando um Johnnie Walker, um puro “dezoito anos” (assim ele se gabava) com gelo de água de côco, além de uns petiscos de primeira qualidade – é mole ou quer mais? Eu quero é mais, papai! Foi convidado pelo amigo para tomar umas pequenas doses, pois ele iria desfrutar de tal regalia no carro principal, ele estava fantasiado de Almirante, tudo nos trinques – quando a empilhadeira chegou, ele ficou cheio de pose, subiu uns cinco metros, acenava para todo mundo, era o próprio "bicho da Goiaba branca", - ficou acomodado lá dentro da cabine do Comandante, no entanto, ele cometeu um erro fatal: esqueceu do whisky 18 aninhos em minhas mãos, com o gelo e aqueles petiscos maravilhosos! Ai foi graça, quando ele deu falta, gritava que nem um maluco, eu não dava a mínima, ainda coloquei uma dose tamanho marítima com bastante gelo, levantava para ele ver e tomava numa boa, suavemente, ele babava de raiva e chamava palavrões “prá caralho”! Não dava pra fazer mais nada, ainda tentei convencer o empilhador para levar o “Reino da Escócia” até o Delfim, mas, o cara não dava à mínima e, ainda teve a cara-de-pau de pedir uma dose para ele e outra para o seu amigo. Onde nos encontramos, ele gosta de contar deste ocorrido, fala que desceu na maior secura, pior de tudo, de tão puto que estava, leu errado a “Carta Náutica”, ao invés de ir para Iranduba, foi parar no Careiro de Várzea!  Ainda tive que pagar diversos engradados de cervejas para ele, por conta do “dezoitão” que eu detonei. Essa é prá acabar! O Bar Caldeira, centro antigo de Manaus, foi homenageado em 2003, pela “GRES Mocidade Independente do Coroado, com o tema “Caldeira é Tradição, História e Carnaval”, geralmente uma Escola quando faz o seu enredo, procura um patrão forte para ser o “cara” que vai bancar parte das despesas para colocar o samba na Avenida. O Bar Caldeira entrou com a "cara e a coragem", mesmo assim, ainda fez uma quota com os frequentadores mais assíduos, dando uma modesta contribuição para a Escola. Tanto que o carro Abre-alas foi feito quase todo de papelão, jornais e isopor – lembro muito bem, fui com o meu amigo Amazonas, o famoso historiador do bairro de Educandos, o cara estava cheio da “manguaça”, ele iria ficar no carro principal, juntamente com o Adriano, Dona Maria, Roberto, Dra. Graça Silva, Miudinho e outros convidados especiais – ele foi avisado para não arredar o pé onde fora colocado, pois existiam somente algumas tábuas, o resto era imitação, pois bem, depois de entornar mais umas e diversas que estavam dentro de uma caixa de isopor, em plena Avenida, resolveu “verter água”, saiu da sua posição e caiu entre as ferragens, depois de algum tempo, deram pela falta do Amazonas, foram encontrar o bebum preso no chassi do carro alegórico, puxaram o pobre coitado pelos cabelos, ainda deu para voltar na maior, brincou o carnaval até o final. Como estava sem condições de dirigir o seu carro e também não lembrava onde o tinha deixado estacionado, deixou amanhecer o dia, tomou muita água, sucos e uma suculenta Sopa de Mocotó, deu uma melhorada geral, foi quando encontrou o seu veiculo e pode voltar numa boa para a sua casa. Ô louco, meu! Antes do horário do desfile oficial, marca a presença o “Bloco de Samba da Terceira Idade”, mudaram o nome para “A Melhor Idade” -, tenho um amigo aposentado, chamado de Dr. Fernando Português, ele sempre foi contra esta mudança. Ele fala o seguinte: - O cara que não pode mais trabalhar, vive tomando remédios, utiliza o Viagra para dar uma lenhada e que já está com o pé na cova, não pode dizer que está na “melhor idade”, um caralho, a melhor idade é quando somos jovens! Acho que ele deve começar a frequentar os “Clubes de Convivência dos Idosos”, com certeza, ele mudará de opinião, pois, fico feliz em ver aqueles senhores e senhoras todas fantasiadas, alegres, com muito samba no pé, eles voltam a ser crianças novamente, pode chover canivetes, mas, eles não arredam o pé da avenida do samba. Que bom, quem sabe daqui uns anos, poderei fazer parte dessa turma. Os profissionais da área de saúde gostam de sair com o “Bloco da Camisinha”, certa vez, saíram na avenida com uma “Mirantinga” de três metros de comprimento, parecia um antigo “Canhão de Guerra”, para divulgar o uso de preservativos nas relações sexuais, evitando, principalmente, pegar a AIDS, eles ficavam ensinando a galera como usar a camisinha, utilizando uma “piroca” tamanho “GG”, ainda fizeram a distribuição de milhares e milhares de peças, engraçado, o povo pegava as camisinhas, assopravam e faziam balões, não estavam nem aí para o objetivo maior da campanha do Bloco da Camisinha. Agora, mais engraçado, foi quando eles terminaram o desfile e voltaram correndo para a concentração, ficaram bem no meu meio dos velhinhos que iriam desfilar em seguida, o carro Abre-alas era aquele “Pirocão”, os idosos não estavam nem ai para aquele órgão copulador dos homens -, ficavam assoprando as camisinhas durante todo o desfile. É mole, mas sobe! É isso ai foliões! Se Deus permitir, irei mais um ano marcar presença do Sambódromo de Manaus, irei ficar de olho no lance, qualquer coisa engraçada que acontecer, contarei para vocês. Bom carnaval a todos os brasileiros! É isso.

PRAÇA ANTIGA DE MANAUS