sexta-feira, 29 de julho de 2022

BLOGDOROCHA: FAMÍLIA COUTINHO

BLOGDOROCHA: FAMÍLIA COUTINHO: P rezado Sr. Rocha, Visito frequentemente o seu blog, mais exatamente desde que lhe pedi adição ao Facebook, pois, notícias de Manaus semp...

domingo, 24 de julho de 2022

A MINHA CASA REDONDA

Foto: Internet


 Nascemos e moramos na casa dos nossos pais, quanto temos esta felicidade, crescemos e sonhamos com a casa que um dia poderemos chamar de minha – casamos e quem casa quer casa, depois, separamos de nossas mulheres e voltamos para a velha casa de nossos pais - passei por tudo isto, no entanto, sempre sonhei em morar em minha casa ideal, ela veio em meu pensamento, mas até o momento atual não pude construir a minha casa redonda.

A casa dos meus pais fica na Vila Paraíso, uma construção mista de madeira e alvenaria, construída no final de década de sessenta – eu e os meus irmãos casamos e fomos morar cada um no seu quadrado.

Com o passar do tempo, nossos pais faleceram, nossa casinha ficou triste e abandonada – muitos anos depois, separei e o meu irmão, também – e voltamos para o nosso ninho.

Tive uma ideia de ressuscitar a beleza de nossa casa – eu e meu irmão Henrique estamos pintando, reformando aos poucos – as pessoas passam pelo nosso barraco e ficam admirando uma beleza que ficou anos esquecida.

Por incrível que pareça, ela ainda guarda madeiras do nosso velho flutuando do Igarapé de Manaus, onde nascemos, além de conter muitos objetos e violões da oficina de luteria de nosso velho pai Rochinha.

Apesar de tudo isto, ainda guardo o sonho de um dia construir a minha casa redonda.

Alguns falam por ai que, a grande sacada da casa redonda é que a sogra não terá o seu canto nela. Tá rindo, né?

A sua construção seria em Iranduba, se possível próximo ao Rio Negro e seria mais ou menos assim:

Especificação da “Casa Redonda”:

Porão, com Oficina e Sistema de Tratamento de Água;

Térreo, com Cozinha e Sala de Jantar;

Primeiro andar, onde ficam os Quartos, Suítes e o Redódromo (para os visitantes armarem as suas redes) - todos com os nomes dos rios da nossa Amazônia – o meu será Rio Negro, com uma fatia maior, é claro!

Segundo andar, com o Auditório, Cine Guarany e um Museu (com peças da nossa Manaus Antiga).

Terceiro andar, com Piscina, Jardim Suspenso, Solário e um Observatório do Espaço Sideral.

Além disto, terá o seguinte: Energia Solar (Placas) e Gerador, Água de Poço, Cisterna, Quadras de Esporte, Estacionamento, Jardins, Pomar, Criatório de Peixes  (Psicultura), Criação de Abelhas (Psicultura), Cultivo de Tomates e Pimentões em Estufas e Muito Mais.

É um sonho? É, sim, senhor! Mas, as coisas somente acontecem a partir de um sonho, de uma vontade, de um pensamento e de MUITA  AÇÃO!

Caso não for possível construir a minha casa redonda, acredito que os meus dois netinhos (a Duda e Mateus) já gostaram da minha ideia e uma dia, talvez, construam e realizem o meu sonho.

Enquanto isto não acontece, estamos revitalizando a nossa casa tradicional e com o tempo ela irá ficar linda e bela para o mundo ver, pois no momento é apenas um sonho a minha casa redonda.

É isso aí.

BLOGDOROCHA: FERNANDO DEMASI, O NOSSO “PIMENTA”

BLOGDOROCHA: FERNANDO DEMASI, O NOSSO “PIMENTA”: O “Pimenta” nasceu em Manaus, em 1956, na Santa Casa de Misericórdia, morou durante muito anos na Rua José Clemente, 216, na residênci...

sexta-feira, 22 de julho de 2022

TRANSPORTE COLETIVO AQUAVIÁRIO

 


                                                 Foto: José Rocha

Este projeto foi pensando por Joaquim Alencar na década de oitenta, inclusive foi publicado em jornais da época. Dei uma melhorada na ideia, conforme a seguir:


No decorrer dos anos muitos prefeitos e políticos trataram do assunto de forma superficial, porém nunca implantaram de fato este sistema de transporte alternativo fluvial.


O novo prefeito David Almeida poderá determinar a sua equipe de engenharia que faça estudos mais aprofundados e verificará que ele será viável, pois encurtará distâncias, aproveitando a imensidão do nosso majestoso Rio Negro que banha toda a nossa cidade.


O projeto consiste em utilizar “Barcos A Jato” conhecidos como “Expresso”, fabricados no Pólo Naval da nossa cidade, construídos em aço, alumínio e fibra, com motores de popa velozes e potentes, dotados de conforto e segurança.

Eles são os mais indicados, pois oferece aceleração e velocidade, promovendo a diminuição da duração das viagens “anulação do espaço pelo tempo”, um produto da modernização aquaviária e já faz parte da paisagem do transporte fluvial da nossa região.


Rotas saindo do bairro Puraquequara, na Zona Leste, com várias paradas intermediárias (em pequenas balsas flutuantes), permitindo a população de alguns bairros e comunidades ribeirinhas, chegar de forma rápida e saudável ao Centro da cidade e desta para os bairros de São Raimundo, Compensa (Ponte Rio Negro), Praia da Ponta Negra até a Marina do Davi, na Zona Oeste, onde os passageiros poderão se deslocar para a Zona Rural da Bacia do Tarumã e vice-versa.


Servirá, também, para incrementar o turismo, pois todos aqueles que chegam a nossa cidade via aérea desejam conhecer e passear de forma rápida pelo Rio Negro, que possui uma beleza singular. 

Irá contribuir para elevar a autoestima dos manauaras que terão oportunidade de passearem aos finais de semana ao redor da cidade de uma forma saudável e segura.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

AQUI E AGORA

 

Esta canção do compositor e cantor Gilberto Gil, constitui-se numa obra que “dar muito o que falar”, com tema para psicólogos divagarem e fonte para dissertações acadêmicas, além deste pobre mortal que buscar entender a inspiração deste cancioneiro popular ao escrever seus poemas musicais.

Para a maioria dos psicólogos (um profissional que analisa e estuda os fenômenos de comportamento e psíquicos do ser humano), a letra do Gilberto Gil, tem a ver com o momento presente, a tal Gestalt-terapia, onde o passado não existe e o futuro ainda não é.

Na realidade, os psicólogos tentam melhorar a vida de seus pacientes, para que esqueçam as situações passadas que tanto os machucam, pois o que passou, passou, não tem como modifica-las (a não ser que viagem no tempo e no espaço para consertar erros passados) e que o futuro ainda não aconteceu, portanto, não podem sofrer antecipadamente, e que para terem uma felicidade plena os pacientes devem viver o que acontece aqui e agora.

Por outro lado, existe um grande número de estudantes, professores e doutores que fizeram e fazem trabalhos acadêmicos de difícil compreensão sobre a letra da música do Gilberto Gil “Aqui e Agora”.

São trabalhos sérios, de intensas pesquisas e estão disponíveis nos sites de busca, no entanto, as pessoas comuns nada entendem, pois utilizam uma linguagem técnica, ficando restritas a discussões no meio acadêmico.

Como sou um cara um pouco travado mentalmente, juro que não consigo entender o que os psicólogos rezam em suas cartilhas, muito menos o que escrevem os doutores da academia.

Certa vez, o próprio Gilberto Gil deu uma dica para o periódico Música Popular em Revista, Campinas, SP, 2021: “Esse lugar ao qual me refiro não é necessariamente geográfico ou topográfico. É um lugar especial, um lugar interior. Onde quer que a gente esteja, o melhor lugar do mundo é onde você está. E é agora, o tempo de hoje. Na verdade, isso é sobre a meditação”

Ao ouvir esta bela canção, fiquei a imaginar que o narrador é um bebe na barriga de sua mãe, num mundo interior, onde o seu mundo é ali dentro, sem ter vivenciado nada do passado, sem futuro, pois a sua vida é aqui e agora.

Vamos lá Rocha:

Aqui e Agora

- O “aqui” é o espaço (onde estou, dentro da barriga de minha mãe) e “agora” é o tempo (o mês em que estou dentro, três, quatro, cinco ou mais);

O melhor lugar do mundo

É aqui e agora

- Não conheço o passado, nem sofro pelo o futuro, dessa forma, o melhor lugar do mundo é estar, neste momento, dentro da barriga de minha mãe;

Quando ser leve ou pesado

Deixa de fazer sentido

- Por eu estar dentro do líquido amniótico (minha urina!), flutuo na bolsa, independentemente de ser pequeno ou grandão, isto tanto faz como tanto fez;

Aqui onde indefinido

Agora que é quase quando

- Neste local aqui nada é definido e tudo pode acontecer, não depende de mim e não irei sofrer por isto;

Aqui de onde o olho mira

Agora que ouvido escuta

O tempo que a voz não fala

Mas que o coração tributa

- Em dias claros miro a luz; escuto os batimentos cardíacos de minha mãe; não falo, mas o meu coração é dela;

Aqui onde a cor é clara

Agora que é tudo escuro

Viver em Guadalajara

Dentro de um figo maduro

- Vejo a cor alaranjada durante o dia e escuro na noite de sono. Tanto faz a cidade onde estou, pois vivo dentro de um figo maduro (que possui o formato da barriga de minha mãe);

Agora sete, oito ou nove

- Posso nascer prematuro (sete meses ou oito) ou normal aos nove meses de gestação;

Sentir é questão de pele

Amor é tudo que move

- Sinto o toque e o carinho de minha mãe, sua voz, sons, timbres e músicas que ela canta quando está feliz, tudo é pelo seu amor por mim;

Aqui perto passa um rio

- Tudo envolta é água, um rio;

Agora eu vi um lagarto

- Acho que a minha mãe está fazendo amor com o seu parceiro;

Morrer deve ser tão frio

Quanto na hora do parto

- Sou quente, mas estou para nascer, caso morra ficarei frio na hora do parto;

Aqui fora de perigo

Agora dentro de instantes

Depois de tudo que eu digo

Muito embora muito antes

- Nasci vivo, estou fora de perigo, o que falei e senti antes não importa mais, agora em diante o meu mundo é aqui e agora;

O melhor lugar do mundo

É aqui e agora

O melhor lugar do mundo

É aqui e agora

- Sem palavras.

Brincadeiras à parte, esta música vale a pena ser escutada e apreciada a sua letra, apesar das milhares tentativas de decifrar a ideia do autor.

É isso ai.

Clique no linque abaixo e ouça:

https://music.youtube.com/watch?v=_op2-ySOWQs&feature=share

Fontes:

https://gravidez.online/vida-bebe-barriga-mae/

http://www.manuellabahls.com/.../voce-sabe-o-que-e-o-aqui...

https://www.daitebi.com.br/.../a-vida-do-bebe-na-barriga...


domingo, 17 de julho de 2022

RADIODIFUSÃO DO AMAZONAS


Os manauaras mais antigos eram vidrados em ouvir em seu aparelho (o receptor, conhecido como rádio) as emissoras de rádio (as rádios, emissoras de radiofrequências), tínhamos somente três em Manaus, a extinta Baré (também conhecida como PRF6, hoje, na frequência ficou a CBN), a Difusora e a Rio Mar; com o passar do tempo, foram aparecendo uma infinidade delas, incluindo as da Web com alcance mundial.

Rádio Baré – Foi fundada em Sete de setembro de 1938, pelo radioamador paulista Lizardo Rodrigues, técnico em eletrônica e ex-funcionários dos Correios e Telégrafos, na Avenida Sete de Setembro, 1801, em frente ao Palácio Rio Negro, com o nome de “Voz da Bariceia (1938-1945)”, contando com o apoio do carioca Wuppschlander Lima, um bacharel em direito e funcionário da Fazenda Pública, considerado o primeiro locutor esportivo do Amazonas. Tempos depois, passou para os Diários Associados, de Assis Chateaubriand, como Rádio Baré (1945-2007), Rádio Globo (2007-2009), depois passou para o Commercio (2009-2015), quando foi extinta. Teve a sua frequência arrendada para a Rede Amazônica, dando lugar para a CBN Amazônia. Na época do Flávio de   Souza era conhecida como PRF-6.  Um dos primeiros diretores foi o Josué Cláudio de Souza (pai) que saiu depois para fundar a Rádio Difusora do Amazonas. Na época de ouro da rádio, a emissora possuía um palco externo com shows musicais na Maloca dos Barés, onde é hoje a Capitania dos Portos (Marinha) e utilizava também o Cine Guarany para shows musicais.

 

Rádio Difusora – Foi criada no dia 24 de novembro de 1948 pelo Josué Cláudio de Souza (foi Deputado Federal e Prefeito de Manaus), na Rua Joaquim Sarmento, conhecida como ZYS-8. Em 1968, passou para a frequência 96.9 FM, passando para Rádio Difusora do Amazonas. Em 2016, a Assembleia Legislativa do Amazonas declarou como Patrimônio Cultural Imaterial. Em 2017 foi extinta a sua frequência de AM e inaugurou a FM 93.7. Na época de ouro da rádio, a emissora possuía um palco externo com shows musicais na Avenida Getúlio Vagas, onde é hoje o edifício Palácio do Rádio e utilizava também o Cine Polytheama para shows musicais. Atualmente, fica no Edifício Palácio do Comércio, na Avenida Eduardo Ribeiro.

 

Rádio Rio Mar – Inaugurada em 1954, tendo como sócios o comerciante Charles Hamú e os irmãos Aguinaldo e Aluysio Archer Pinto. No início, a emissora ficava no 8º. Andar do edifício IAPTEC (hoje INSS), depois, passou para a Avenida Epaminondas (ZYB-22). Em 1960, os estúdios foram para o bairro de São Raimundo, atrás do Estádio da Colina. A partir de então, foi adquirida pelo Arcebispo de Manaus, Dom João de Souza Lima, para utilização de apoio às ações pastorais. Assumiram os padres Tiago de Souza Braz e Onias Bento da Silva. Atualmente, fica no prédio da Rádio Mar, no Largo de São Sebastião, sob a administração da Arquidiocese de Manaus.

 

Nos tempos atuais, existem 55 emissoras concessionadas pela ANATEL (uma das primeiras agências reguladoras do Brasil) no Amazonas.

Em Manaus, temos umas 20 emissoras de radiofrequência e inúmeras outras de Rádio Web.

Ano passado, tentei implantar uma Rádio Web através do Edital Encontro das Artes, da SEC/AM, com um orçamento em torno de trinta mil reais, mas fui desclassificado.

A ideia era a seguinte:

“uma rádio web (via internet), com site e domínio próprio e divulgação nas redes sociais (cultura digital em mídias interativas), visando divulgar para todo o mundo da produção de conteúdo culturais e a artísticos oriundos do município de Iranduba, interior do Estado do Amazonas. Programas voltados para a música, preservação arqueológica dos nossos ancestrais indígenas, história do patrimônio histórico (por exemplo, As Ruínas da Vila de Paricatuba), culinária, novelas radiofônicas, saúde e prevenção, esporte e lazer, divulgação de eventos esportivos e culturais que acontecerão na cidade etc. A "Radio Web - Arte e Cultura de Iranduba", onde seriam contratados profissionais para fazerem a criação do site e domínio próprio, implantação de softwares (streaming) e aplicativos. Compra de Equipamentos e Aluguel de um espaço apropriado. Por se tratar de uma rádio transmitida via internet, haveria num primeiro momento (a fase de testes) uma vasta programação musical, com exclusividade para a produção musical de amazonenses e da região norte do país. Seria implantada na própria cidade de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, distante 19,89 quilômetros de Manaus, ligada à capital do Amazonas através da Ponte Jornalista Phelippe Daou, conhecida como Ponte Rio Negro (o que permitiria um intercâmbio cultural e artístico mais rápido)”.

A ideia ainda não morreu, pretendo, sim, um dia implantar uma Rádio Web em Manaus, continuando o trabalho dos nossos pioneiros, difundindo para o mundo, via internet, a nossa história, os nossos costumes, a nossa música popular amazonense, a nossa culinária, enfim, a nossa cultura e o nosso povo manauara e amazonense.

 

É isso ai.

sábado, 16 de julho de 2022

BORBULHA DE AMOR - BAR MARREIROS

 


Basta ouvir uma música das antigas que marcaram a minha juventude, para viajar no passado e lembrar-me de passagens poucas e boas dos tempos juvenis de minha vida e dos meus amigos de outrora.

Pois bem, hoje, resolvi ficar quieto em meu barraco, tomando uma “água que passarinho não bebe” e ouvindo uma seleção das boas no Youtube Music, quando de repetente toca uma que marcou toda uma geração.

Era a música “Jaraqui Tarado”, aliás, “Borbulhas de Amor”, do conterrâneo de meu pai, o cearense Fagner.

É mais ou menos assim:

“...Quem dera ser um peixe
Para em teu límpido aquário mergulhar
Fazer borbulhas de amor p'ra te encantar
Passar a noite em claro

Dentro de ti um peixe
Para enfeitar de corais tua cintura
Fazer silhuetas de amor à luz da lua
Saciar esta loucura
Dentro de ti...”

Viajei no tempo e no espaço, estava no “Bar Marreiros”, na entrada do Bairro do Parque Dez, onde é hoje um Posto de Gasolina, curtindo e dançando um samba da melhor qualidade com uma “cabrocha” e em companhia da minha “turma (grupo de amigos)” do Conjunto dos Jornalistas.

Somente a fuleiragem: Iracildo Campelo, Jorge Parente, Tony Biondo, For Make Love, Junior Calcinha,  Zé Galinha, Marcelo Lambaceiro, Klinger Peninha, Léo da Sefaz, Marcus Klain, Flávio Lauria, Zezinho e Martha, Pelé Eu Hein (motora do Gilberto), Selma Goiana, Mauro e outras sumidades.

Ali era uns dos nossos “points” para os encontros etílicos-dançantes das sextas calientes da nossa “Manô de Mil Contrastes”.

Certa vez, dentre várias delas, estava calibrado, quando olhei para uma mulher bela e magrinha, fui me aproximando todo faceiro para dançar com aquela beldade, pois naquela época eu era um “pé de valsa” e um “cansa puta”. Pense. Pois bem, quando cheguei próximo me deparei com “um armário de quatro maleiros”, não sei o porquê desta chama que tenho por mulheres belas e gordinhas. Sei, não!

Eu comecei a frequentar o Bar Marreiros quando ainda era jovem, passava por lá em companhia do Klinger Peninha (meu colega do Colégio Solon de Lucena, depois, vizinho do Conjunto dos Jornalistas).

Tempos depois casei, vieram os filhos e as broncas do dia-a-dia. O meu casamento estava quem nem “rede velha” quebrando os punhos a cada dormida.

Quando o bicho pegou geral, separei e voltei a dançar e a paquerar as “minas” do Bar Marreiros e adjacências, parecia que estava preso fazia um tempão. O leão estava solto na cidade  a procura de carne nova.

Depois longo tempo ficou apenas a saudade do Bar Marreiro ao ouvir a música do Jaraqui Tarado, com a  Borbulha de Amor.

É isso ai.

sábado, 9 de julho de 2022

O PRIMEIRO BOI VOADOR DE MANAUS José Rocha Após um exercício mental, voltei ao fundo de minha memória, revivendo um causo, narrado pelo meu saudoso amigo, o compositor e cantor Afonso Toscano. Guardadas todas as proporções do evento e "O Enfeite do Maracá" do escritor, foi mais ou menos assim que aconteceu. Era uma bela noite manauara de um sábado junino caliente: O miolo do boi do Garrote Luz de Guerra, do saudoso Maranhão, era um negão que trabalhava nos Correios, considerado o melhor do pedaço lá das bandas do "Mato Tinha". Num belo sábado em que "o urubu voava com uma assa e se abanava com a outra", o tripa “secou” todas os botecos do bairro, não se aguentava em pé, imaginem dançar embaixo do boi! Naquele dia, o boi se apresentaria na Bola da Suframa. O miolo ( ou tripa, tanto faz como tanto fez em Manaus ou Parintins) foi tratado com bastante água de coco, sucos, banhos de cacimba, sono reparador e Sal de Fruta Eno. Melhorou bastante, dava para o gasto e o gosto. Toda a turma foi à pé para o festival. No caminho, o negão começou a tomar umas batidas de maracujá, não deu outra: voltou o porre. Quando chegaram ao local da apresentação, estava no palco o grupo folclórico "A Tribo dos Andirás". O miolo aproveitou o tempo de espera para tomar mais uns goles. O Paulo Gilberto, eterno apresentador do festival, fez a chamada: - Eee aaagoora com vooocês, é ele, é ele, é ele, ooo Gaarrrrooote Luuuuzzz de Gueeeerrrra! Fogos estourando, a noite virando dia, tambores rufando e a galera delirando! Todos os componentes subiram a rampa do Tablado, que era feito de madeira, na forma cilíndrica e com três metros de altura. O miolo foi ajudado pelos colegas, ficou bem no meio da arena, não conseguiu manter o boi em pé e resolveu dormir embaixo do Luz de Guerra, em plena apresentação. O Amo do Boi foi acordá-lo. Deu umas bicudas no boi e gritou: - Acorda negão, acorda negão! Movimenta! Gira! Dança! Porra! Faz alguma coisa caralho! O negão se levantou, girou com o boi e correu direto, passou do Tablado, voou uns três metros e meio, foi direto para o chão! Foram "cacos" para todos os lados do boi e do negão. Desde então, o "Boi Luz de Guerra" passou a ser chamado, pela galera como “O Primeiro Boi Voador de Manaus!” Pense numa fuleiragem! É isso ai.

 O PRIMEIRO BOI VOADOR DE MANAUS

José Rocha

Após um exercício mental, voltei ao fundo de minha memória, revivendo um causo, narrado pelo meu saudoso amigo, o compositor e cantor Afonso Toscano.

Guardadas todas as proporções do evento e "O Enfeite do Maracá" do escritor, foi mais ou menos assim que aconteceu.

Era uma bela noite manauara de um sábado junino caliente:

O miolo do boi do Garrote Luz de Guerra, do saudoso Maranhão, era um negão que trabalhava nos Correios, considerado o melhor do pedaço lá das bandas do "Mato Tinha".

Num belo sábado em que "o urubu voava com uma assa e se abanava com a outra", o tripa “secou” todas os botecos do bairro, não se aguentava em pé, imaginem dançar embaixo do boi!

Naquele dia, o boi se apresentaria na Bola da Suframa.
O miolo ( ou tripa, tanto faz como tanto fez em Manaus ou Parintins) foi tratado com bastante água de coco, sucos, banhos de cacimba, sono reparador e Sal de Fruta Eno.
Melhorou bastante, dava para o gasto e o gosto.

Toda a turma foi à pé para o festival. No caminho, o negão começou a tomar umas batidas de maracujá, não deu outra: voltou o porre.

Quando chegaram ao local da apresentação, estava no palco o grupo folclórico "A Tribo dos Andirás".

O miolo aproveitou o tempo de espera para tomar mais uns goles.

O Paulo Gilberto, eterno apresentador do festival, fez a chamada:

- Eee aaagoora com vooocês, é ele, é ele, é ele, ooo Gaarrrrooote Luuuuzzz de Gueeeerrrra!

Fogos estourando, a noite virando dia, tambores rufando e a galera delirando!

Todos os componentes subiram a rampa do Tablado, que era feito de madeira, na forma cilíndrica e com três metros de altura.

O miolo foi ajudado pelos colegas, ficou bem no meio da arena, não conseguiu manter o boi em pé e resolveu dormir embaixo do Luz de Guerra, em plena apresentação.

O Amo do Boi foi acordá-lo. Deu umas bicudas no boi e gritou:

- Acorda negão, acorda negão! Movimenta! Gira! Dança! Porra! Faz alguma coisa caralho!

O negão se levantou, girou com o boi e correu direto, passou do Tablado, voou uns três metros e meio, foi direto para o chão!

Foram "cacos" para todos os lados do boi e do negão.
Desde então, o "Boi Luz de Guerra" passou a ser chamado, pela galera como “O Primeiro Boi Voador de Manaus!”

Pense numa fuleiragem!

É isso ai.

segunda-feira, 4 de julho de 2022

SCHOLZ

 

Foto-Reprodução, Manaus de Antigamente. José Rocha


Em 08 de dezembro de 2021, o Olaf Scholz, assumiu, na Alemanha, o cargo de Primeiro-Ministro (chefe de governo de um país parlamentarista), um sobrenome de família alemã que fez história na cidade de Manaus, na pessoa de um senhor chamado Waldemar Scholz.

O alemão karl Waldemar Scholz, nasceu em 1871, na cidade de Hamburgo, na Alemanha, veio ainda jovem para a Amazônia, especificamente para a cidade Manaus, atraído pelo “ouro branco”, o látex fruto das seringueiras nativas da nossa região.

Fundou a empresa Scholz & Cia (sucessores da Witt & Cia., com filial em Belém, Pará), com negócios focados na compra e exportação de produtos regionais, com maior ênfase na borracha, destinando para Europa e Estados Unidos.

A sua loja ficava no local conhecido como Booth Lines (um complexo de casas que foram destruídas criminosamente pela família Di Carli, administradores do Porto de Manaus, doado de “mão beijada” pelo então governador Amazonino Mendes).

De sua antiga loja restou somente a fachada que está preste a cair. Quem passar por lá ainda poderá observar uma casa parecendo um castelo medieval (ao lado da antiga sede da CEM – Companhia Energética de Manaus).

O Scholz foi também Diretor e Presidente da Associação Comercial do Amazonas (1911), além de Vice- Consul da Áustria-Hungria (1913).

Ganhou fortunas, assim como muitos ganharam na fase do “boom” da exportação da borracha in natura, pois a Seringueira era nativa da Amazônia e uma enorme leva de estrangeiros por aqui aportaram tornando-se seringalistas, banqueiros, aviadores, comerciantes, transportadores etc.

O Scholz tornou-se um Barão, um homem rico e próspero, tanto que, em 1903, iniciou um mega projeto de construção de um palacete para fixar a sua moradia, executado por um arquiteto italiano.

Foram oito anos de muito trabalho e gastos enormes, finalmente terminado em 1910 e inaugurado em 1911.

Ficou conhecido como Palacete Scholz, na Avenida Sete de Setembro, entre as duas Pontes Romanas (I e II). A sua residência era uma obra prima, milionária, eclética, imponente, perdendo somente em magnitude para o Teatro Amazonas.

Não esperava, nem sequer sonhava, que tudo isto iria por água abaixo em um breve espaço de tempo, secando a sua fonte de renda e de outros ricaços, indo todos à falência, deixando um rastro de miséria e de abandono das cidades de Manaus e Belém (outrora lindas e maravilhosas).

Tudo remou contra. Entrou em produção a borracha asiática (roubada as mudas pelos ingleses e plantadas em países com o clima parecido com o nosso).

As nossas seringueiras eram nativas (os seringueiros tinham de entrar na mata fechada e abrir caminhos para encontra-las e colher o seu precioso látex), um trabalho dispendioso, caro, desumano, de semiescravidão).

Por outro lado, as asiáticas foram plantadas de forma racional, com milhares delas próximas umas das outras, de fácil manejo, com custos reduzidos e uma produção cada vez maior, baixando drasticamente o seu preço no mercado internacional, tornando a produção amazônica praticamente inviável.

O Scholz ficou “a ver navios”, travado e imerso em dívidas cada vez maiores, sem poder manter a sua suntuosa residência. Para salvar a sua empresa recorreu a um empréstimo (1911) de 400 Contos de Réis (prazo de um ano e juros de 9% a/a), acertado com um rico comerciante do Purus, o seringalista e Coronel Luiz da Silva Gomes (este ainda estava “em cima da carne seca”), dando como garantia o Palacete Scholz.

Para completar o cenário de caos, veio a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), com a suspensão da rota marítima de Hamburgo (Alemanha) até Manaus, impedindo o Waldemar Scholz de exportar os produtos regionais para os seus principais compradores.   

O alemão não conseguiu honrar a sua dívida para com o brasileiro seringalista, sendo executado em 1914, obrigar a vender por 121 Contos de Réis (1916) o seu belíssimo imóvel para o exequente (ainda ficou devendo 618 (400 de empréstimo + juros + honorários + custas).

Em 1918, o Scholz resolveu voltar para a Alemanha. Em 1928, ano de seu falecimento, a Assembleia legislativa do Estado do Amazonas, fez um Necrológio (elogio fúnebre).

Os Scholz ainda permanecem no Brasil, principalmente em Curitiba, no Paraná. Na Alemanha um deles é o “manda chuva” daquele país.

O Palacete Scholz foi alugado, em 1914, e depois vendido ao Estado do Amazonas, em 1918, por 200 contos de Réis, o equivalente hoje em 24 milhões de reais. Na realidade, ele valia naquela época 600, equivalente hoje a 74 milhões de reais.

Virou Palácio Rio Negro, depois, Centro Cultural Palácio Rio Negro, um prédio belo e bem conservado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa – SEC, que juntamente com o maior parque urbano de Manaus, o Parque Jefferson Peres, viraram um dos melhores lugares para visitar, caminhar e conhecer um pouco da história de Manaus.

  

Scholz, um sobrenome de família alemã que fez história na cidade de Manaus, na pessoa de um senhor chamado Waldemar Scholz.

É isso aí.

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pal%C3%A1cio_Rio_Negro_(Manaus)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Olaf_Scholz

https://web.facebook.com/Manausdeantigamente/posts/2102721413124639/

https://pt.slideshare.net/Matthausouza/apresentao1-2141125

http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=872784&pesq=Waldemar%20Scholz&hf=memoria.bn.br&pagfis=5032

quarta-feira, 15 de junho de 2022

RIO JAVARI

 José Rocha

Com o desaparecimento do jornalista inglês Dominique e do indigenista brasileiro Bruno, o Brasil ficou, novamente, em voga internacionalmente e, em particular, o Rio Javari.

O nosso Amazonas é tão grande que não cabe dentro da cabeça de muitas pessoas a concepção de sua dimensão.

Somente para termos uma ideia, a Reserva do Javari, onde o Rio Javari está inserido, possui o tamanho equivalente ao nosso país-irmão Portugal.

Eu sou amazonense de Manaus, no entanto, somente fui ater a minha atenção àquele lugar quando o Boi Caprichoso, em 2019, lançou a seguinte toada:

Vale Do Javari

Javari Ituí
Javari Curuçá
Javari Itaquaí
Bacia dos belos Matsuí
Berço bravo dos Mayoruna-Curuçá
Sina feliz dos Kulina Itaquaí
Braço forte dos Marubo Javari
Cacete de morte dos Kixitos Kaniuá á á...

Vale do Javari
Vale das madeiras
Perola á á...
Palmeiras do Javari
Dos índios arredios
Perola á á...

Nada vale como um Vale de lágrimas
Vale pela vida, pelo sangue dos Mayorunas

Pelo riso dos Matis
Pelo viço dos Kulinas
Pela arte dos Marubos
Pelo cacete dos Korubos
Pelo grito de guerra á á...
Dos Kanamarís...

Ê ê ê iê iê ê...

Remate dos males
Atalaia do Norte
Estirão do equador

 

Quem conhece um pouco de história da nossa cidade Manaus e do Amazonas, sabe muito bem que, bem aqui no centro antigo de Manaus moravam várias tribos indígenas e com o passar dos anos foram sendo exterminadas.

 

Para sobreviverem, os seus descendentes foram sendo empurrados para lugares cada vez mais distantes. Para termos uma ideia, os índios do Javari estão em uma área de mata densa na fronteira com o Peru e a Colômbia.

 

Na bela toada do Boi Caprichoso, viajamos nos rios que fazem parte do Vale      do Javari, nas tribos que ali habitam e dos índios arredios, passamos                     por Atalaia do Norte, além de mostrar a todos que Javari é uma palmeira amazônica, e que “Nada vale como um Vale de lágrimas.                                                            Vale pela vida, pelo sangue dos Mayorunas”.

 

O Rio Javari nasce no Peru, percorrendo mais de mil quilômetros até desaguar no Rio Solimões, no Palmeiras do Javari, Estirão do Equador e nas cidades         de Atalaia do Norte e Benjamin Constant.

 

No passado, havia um ufanismo dos brasileiros ao levantarem a bandeira com “O Petróleo É Nosso”, com o passar do tempo, os donos são os gringos investidores, assim mesmo está sendo quando muitos brandam “A Amazônia É Nossa”.

 

Será, parente? Sei, não! Pelo visto, a Amazônia pertence em sua grande parte aos madeireiros ilegais, pescadores predadores, garimpeiros, traficantes de drogas e a todos aqueles que praticam todos os tipos de ilícitos.

 

O Rio Javari continuará com a sua trajetória, passando pelo Rio Amazonas até desaguar no mar, mesmo sofrendo e sendo impactado pelas forças do mal, no entanto, o mundo voltou os seus olhos a ele, bastou dois seres humanos serem mortos por o defenderem os índios e ribeirinhos do bem que habitam àquele rio.

 

Dois mártires, o Dominique e o Brunho, irão salvar o Vale e o Rio Javari.

 

É isso ai.

sábado, 28 de maio de 2022

VIAGEM À VELHA CERPA COM VELHOS AMIGOS

 Hoje, uma bela última sexta-feira de maio de 2022, reencontrei velhos amigos na nossa amada Rua Tapajós, centro de Manaus, onde tive a oportunidade ímpar de voltar ao passado, pois foram personagens, em tempos idos, de uma viagem à Pedra Pintada (Itacoatiara, em tupi guarani), a nossa amada e querida “Velha Cerpa”.

Era o ano de 2000 e não seu quanto, estava descasado e motorizado, com uma máquina conhecida como “Santanão” que dominava o quarteirão, no entanto, era uma refinaria que torrava a gasosa de montão.

Na minha rua, o mecânico mais famoso era o “Louro Isaac”, um cara que ficava somente na espreita dos automóveis que desciam de ré a ladeira, para chegar perto do motora e falar:

- O teu carro não sobe a ladeira em decorrência da sujeira do carburador!

Aí era graça. Tantos fez e aconteceu que os amigos falavam:

- Se o pneu do teu carro furou, chama o Isaac que é carburador!

Mudando de pneu para carburador, vamos voltar ao Santana cheio de força e de dor e amor:

Pois bem, o Isaac deu um grau no carburador, no chão e encheu o tanque de montão, para uma viajem longa até a famosa e querida cidade de “Pedra Pintada”, distante de Manaus 270 quilômetros, com viagem de carro em torno de quatro horas durante o dia e seis pela noite.

Resolvemos sair à meia-noite de uma sexta-feira. O motora era eu, pois tinha passado a noite tomando uma cerveja sem álcool (uma tal de Kronenbier), o Luís Carlos (Carlão), Isaac Louro, sua esposa Nete e seus filhos capetas menores, o Mizaque e o Adriano.

Ao sair, senti que estava um pouco tonto, meio bêbado, talvez. Como é que pode? Somente tomei cerveja sem álcool. Será que era psicológico ou tinha um pouco de álcool naquela Kronenbier? Propaganda enganosa, sei, não, parente! Só sei que estava de boa!

Peguei o “Santanão” no timão, somente não entrei na contramão. Passamos de boa na “Barreira da BR-174”, pois o motora estava sóbrio até chegarmos a um Posto de Gasolina, onde fui tomar cerveja “de verdade” e passei o comando para o Isaac, que conhecia a estada como “a palma da mão”.

Os filhos do Louro Isaac, o Mizaque e o Adriano, passaram a noite na algazarra geral, sem chance de dormir, aliado aos solavancos da buraqueira general.

Chegamos ao alvorecer da madrugada. Coisa linda e bonita a cidade de Itacoatiara!

Meus pensamentos voltaram ao passado, dos tempos bons de minha juventude recatada, onde passei momentos bons e belos naquela cidade tão bela e encantada.

Foram dois dias de encantos, cheia de pessoas boas e remansos.

Sou manauara, sinto orgulho de minha cidade histórica, assim como sinto o mesmo prazer e felicidade das cidades históricas de Parintins, Manacapuru e Itacoatiara.

Nunca mais voltei à Itacoatiara e das minhas estórias.

Passados muitos anos, agora, voltei ao passado, ao reencontrar velhos amigos que viajaram comigo para Itacoatiara!

É isso aí.

sábado, 7 de maio de 2022

DIA DAS MÃES



Cadeira de Palinha da minha mãe Nely Fernandes.


Muitos anos escondida e abandonada.


Ressurgiu novinha em folha.


Um trabalho do meu amigo Edsonleal Leal , o Rei da Palinha.




Um presente à memória de minha mãezinha.

Feliz Dia das Mães!

— em Rua Tapajos


terça-feira, 3 de maio de 2022

EM ALGUM LUGAR DO PASSADO

 



   Dias desses, resolvi voltar ao passado, revirando e tirando o pó dos meus discos de vinis, um deles me chamou atenção, era da Trilha Sonora do Filme “Em Algum Lugar do Passado”, uma composição do John Barry, de 1985, fiquei louco para ouvi-lo novamente, mas faltava um Toca Discos.

Deixei o disco separado em uma estante, para um dia voltar a viajar no tempo ao ouvir a bela composição da trilha sonora do filme, na esperança de comprar um legítimo “Prato” SL-MK1200 Silver marca Technics, que por sinal vale uma fortuna, peça que no passado já tive um e o vendi por “preço de banana”.

Hoje, coloquei o referido disco em frente ao meu computador e abri o aplicativo YouTube Music (sou assinante) e digitei o nome do filme, para minha surpresa apareceu igualzinho ao meu velho vinil.

      Passei a ouvir e a escrever este texto, pois sou saudosista e sempre gosto de voltar ao passado, para lembrar da minha infância, adolescência e o início de minha vida adulta.

Segundo o site https://www.adorocinema.com/filmes/filme-42156/       a Sinopse é a seguinte:

“Universidade de Millfield, maio de 1972. Richard Collier (Christopher Reeve) é um jovem teatrólogo que conhece na noite de estreia da sua primeira peça uma senhora idosa, que lhe dá um antigo relógio de bolso e diz: "volte para mim". Ela se retira sem mais dizer, deixando-o intrigado. Chicago, 1980. Richard não consegue terminar sua nova peça, decide viajar sem destino certo e se hospeda no Grand Hotel. Lá visita o Salão Histórico, repleto de antiguidades, e fica encantado com a fotografia de uma bela mulher, Elise McKenna (Jane Seymour), que descobre ser a mesma que lhe deu o relógio.”


   Muitas coisas passaram pela minha cabeça, lembrando como era a minha cidade quando eu era criança, quando andava sozinho pela Avenida Eduardo Ribeiro, onde ficava admirando as lojas, os prédios antigos, o Cine Avenida e o Odeon, além do Largo da Matriz e do Aviaquario, do Relógio Municipal, os ônibus antigos, o Tabuleiro da Baiana, a Praça do Congresso, Ideal Clube, Palacete Miranda Corrêa, além de ficar admirando as pessoas bem vestidas e educadas e muito mais.

   Continuei ouvindo a música, voltando a lembrar do meu amor juvenil, uma mulher que foi para o Rio de Janeiro, voltando quando eu já estava preste a casar, partiu novamente e nunca mais voltou – se estiver viva deve ser uma sessentona com os cabelos brancos. Não sei.

   De algum lugar do passado viajei, mas não nada encontrei, apenas as lembranças da minha Manaus antiga e do meu primeiro amor.

   É isso ai.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

DE BAR EM BAR

 

DE BAR EM BAR

José Rocha

Parte I

Sou da Mana Manaus, manauara da gema, escritor e boêmio igual ao meu saudoso pai Rochinha; conhecedor e frequentador assíduo desde tempos idos de todos os botecos tradicionais da nossa cidade, onde presenciei in loco muitos causos e causas perdidas em noites quentes cheias de gentes sedentas de cervejas, músicas e corações para se apaixonar e desapaixonar no dia seguinte.

O meu amigo de longas datas, o Jack Cartoon, editor do O Ralho (a visão contestadora, humorística e diária da realidade), pediu-me para fazermos uma parceria, para eu escrever as minhas crônicas e ele fazer as caricaturas, topei na hora. Será uma honra.

A Mesa da Diretoria do Bar Caldeira                                        

        Até hoje é a preferida pelos mais antigos por dar uma visão privilegiada de todo o interior do bar e ficar bem em frente ao aparelho de televisão. Um lugar ótimo para assistir a um jogo de futebol ou a apresentação de shows musicais interno. Por ser grande é a preferida para fazer comemorações. Tradicionalmente, quem senta na cabeceira de qualquer mesa grande é uma pessoa importante, o chefe superior ou o pai de família. Traz destaque e status para a pessoa.  No Bar Caldeira é a mesma coisa. No entanto, ficou famosa até os dias de hoje por outro motivo. Segundo contam os mais antigos quem        sentar-se, costumeiramente, na cabeceira e de costa para a parede está chamando a morte, pois traz agouro, antecipando a lista da fila dos que irão para o andar de cima. Se for lenda ou não, eu não sento lá de jeito nenhum. Na realidade, aquele lugar é o preferido pela pessoa que bebe todo dia, pois dificulta a sua visualização por quem passa  à    ou  de carro.

        Pavão – É representante de laboratórios farmacêuticos. Grande músico e irmão do Mark Clark e do Flávio de Souza. Nunca o vi bebendo no bar, no entanto passava todos os finais de semana por lá, parava e olhava para dentro do bar e caso conhece o sujeito que estava sentado na cabeceira da mesa, falava, na brincadeira:

- Tu   vais     ser   o   primeiro   da    fila!

De tanto tirar saro da cara dos outros foi apelidado de “Rasga Mortalha”.  

       Tapinha – O seu prenome era Atalpha, mas por ser baixinho ficou conhecido no bar como Tapinha. Certa vez ele foi à missa de sétimo dia de um boêmio do Bar Caldeira, na Igreja de São Sebastião, ele chegou atrasado e bêbado, ao entrar falou bem alto:                 

- Falavam que eu era o primeiro da fila, né? Tô nem ai. Ainda irei enterrar muita gente, incluindo até o padre que está ai no altar!                    

A galera do Bar Caldeira estava em peso, todo mundo começou a rir, incluindo a viúva, os parentes e até o padre e os coroinhas.  O Tapinha continuou sentando na cabeceira da Mesa da Diretoria e

tempos depois atravessou o espelho. O seu filho, o Athalpa Filho, sucedeu ao pai na boêmia. Frequentava o Bar Caldeira aos domingos.  Ele tinha um mote:

- Prefiro  ser  corno  a  ser  diabético!

Certa vez, o Athalpa estava em companhia do advogado Dr. Marco Aurélio, conhecido por “Barrão”, os dois estavam bebendo no Caldeira, quando passou por lá a namorada do Sacy da Pareca, a “Sincera”, ela estava com um shortinho e sapatos altos, desfilando pela José Clemente, quando ia descer o ladeirão da Lobo D´Álmada caiu no chão, essa Athalpa deu uma risada bem alta e ficava apontando para ela. Depois dessa, a Sincera nunca mais apareceu por lá.   Quando ele ia ao bar ficava admirando a foto de seu pai ao lado do Vinicius de Moraes. Infelizmente, não resistiu a Covid-19 vindo   a   falecer   em   dezembro  de  2020.

          Doutor Lió – Era um dentista da melhor qualidade. Querido por todos. Foi um bom amigo. Era espiritualista. Gozador nato e tirava saro de tudo e de todos. Fumava que nem uma caipora. Era inveterado por cigarros. Em 2011 foi aprovada a Lei 12.546 chamada Lei Antifumo que proibia fumar em todo país em ambientes fechados públicos e privados. Apesar de ainda não ser regulamentada, o que somente aconteceu em 2014, o Adriano Cruz, colocou um aviso proibindo expressamente os clientes fumarem dentro do bar. A lei estabelecia multas e até a perda da licença de funcionamento em caso de desrespeito a norma. A segunda providência foi jogar no lixo todos os cinzeiros.  Falava em voz alta:                                      

- Quem quiser fumar, que fume, porém, lá fora, aqui dentro, não! Agora é lei. Leia o aviso na parede.                                                     

Foi complicado. Muitos não aceitavam e teimavam em fumar no interior do estabelecimento, o que eram na hora repreendidos. O Doutor Lió   era   a   única exceção.                                                         

Sempre após o expediente batia o ponto no bar e o seu lugar preferido era exatamente àquele em que   a      maioria       fugia     por ser agourento: a cabeceira da Mesa da Diretoria, de costas para a parede. Meu Deus.  O seu filho mais velho sempre ia ao bar pegar uma grana com o pai, depois que o primogênito saía, ele falava:                                         

- O filho passa nove meses na barriga da mãe e o resto da vida colocando no do pai! – ficava batendo a mão direita aberta na mão esquerda fechada.                     

Era tudo brincadeira, pois amava e admirava muito os seus filhos. Quando levantava para “tirar água do joelho” falava:

- Agora vou pegar no pesado! – referindo ao   seu bilau.

Segundo a atriz Socorro Papoula, ele tinha várias namoradas, mas possuía uma preferida, era uma enfermeira baixinha e bonitinha. Após tomar todas, pagava a conta e dizia:                                               - Agora vou prá casa fazer sexo, a minha namorada Juceta já me ligou várias vezes! – era   a   sua preferida.

Passou uma temporada sem fumar. Ficou abstêmio da nicotina. Quando alguém perguntava o que ele fez para parar de fumar,

respondia:

- Prometi a mim mesmo se voltasse a fumar daria o traseiro duas vezes por semana! 

Não cumpriu a promessa e voltou a fumar novamente. Com o tempo apareceu o nódulo no pescoço, foi crescendo lentamente. Um dia reuniu alguns amigos do bar, entre eles o Adriano, Miudinho e o Jorginho, foram para Maués, no navio Dona Carlota. Ninguém sabia, mas estava se despedindo dos amigos e da vida. Morreu de câncer pouco tempo depois. Será sempre lembrado por  todos  os velhos   boêmios.

       O Lanterninha Farias – Trabalhou por longos anos no Cine Guarany ajudando assentar as pessoas que chegavam atrasadas, pois com a sua lanterninha sabia perfeitamente onde existiam cadeiras vazias.               Ele era um cara que tinha uma grande cabeleira, tirando a todo instante do bolso um pente da marca “Flamengo” para penteá-la. Usava sempre um enorme óculo de sol, acho que se inspirava em algum ator de cinema das antigas, além de ter um vozeirão daqueles e falava pelos cotovelos, parecia com aquele comediante famoso, o “Zé Bonitinho”. O cinema era frequentado por um grupo especial formado pelo Jeremias, Mococa e outros rapazes alegres, que davam em cima da molecada.  O Farias sempre ficava de olho nessa turma que aproveitava a escuridão para alisar os marmanjos. Muitos anos depois, reencontrei o Lanterninha Farias, no Bar Caldeira, pois ele morava por aquelas imediações. Conversamos muito sobre o nosso saudoso Cine Guarany, lembrando e sorrindo dos velhos e bons tempos que não voltarão jamais.  Aparecia somente aos domingos quando a Velha Guarda se apresentava. Bebia somente no lado de fora do bar. Era invocado com a Mesa da Diretoria, falava que ela trazia agouro e quem ali se abancasse por um bom tempo, faleceria precocemente. Coisas de louco. Passou uma temporada enchendo “a cara” debaixo de uma árvore frondosa, no Bar Mangueira, vindo a falecer tempos depois. De nada adiantou fugir tanto da Mesa da Diretoria.

        Artista Plástico Palheta – Era frequentador assíduo do Bar Caldeira. Tive o privilegio de conhecer dezenas de trabalhos realizados pelo grande artista plástico, bem como, de usufruir da sua amizade e de ter tido a oportunidade de conhecer alguns causos muitos hilários, tendo como personagem principal o nobre amigo. Trabalhou no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, no período de 1975 a 1980, na respeitada função de ilustrador botânico. Tinha uma capacidade incrível para retratar o rosto humano, chegando até ser colaborador da Polícia Civil,  fazendo o famoso “retrato                           Durante todos esses anos de amizade, sempre o apoiei, valorizando os seus trabalhos artísticos, com publicações no BLOGDOROCHA, além de passarmos horas conversando, rindo das piadas e causos que somente ele sabia contar. Gostava de sentar-se somente na Mesa da Diretoria, pois era um artista considerado por todos. Viva somente de seu trabalho, no entanto, passava meses sem vender nenhuma obra, o que o deixava cabisbaixo, mesmo assim não deixava de frequentar o bar e os amigos do peito sempre pagavam umas ampolas para ele. Quando estava “Barão”, andava bem vestido “no linho”, levantava os ombros e a cabeça e pedia somente doses de Uísque. Falavam que ele ficava esnobe e chato (boçal), mas era “mão aberta” e fazia questão de retribuir pagando cervejas para aqueles que ele “serrava”, brindando até com tira-gosto de Queijo Bola.  Quando a fonte secava, voltava novamente a “estaca zero”.  Era o momento para armar-se de sua prancheta, papel A4, lápis e borracha para fazer caricaturas no Bar Caldeira, principalmente aos domingos à tarde quando se reunia a velha guarda mais abastada financeiramente. Certa vez, ele contou-me um acontecido no bar: chegou por lá um sujeito que ninguém conhecia, ele ficou a observar o Palheta fazendo o seu digno     trabalho, chegou perto e falou-lhe:                                          

- O amigo pode fazer a minha abreugrafia?                                    

O Palheta arregalou os olhos e disparou:                                           

- Olha aqui meu amigo, sou o artista plástico Palheta e faço caricaturas, quem faz      abreugrafias     é     ali          embaixo       na   Rua  Lobo  D´Álmada, vai lá e      procura       o      Ambulatório           Cardoso      Fontes!

O cara insistiu:

- Faz essa porra ai mermo!                                    

O Palheta levantou-se, tufou o peito e pensou “Puta que o pariu, seu eu não estivesse liso e com duas contas de luz atrasadas eu daria umas porradas neste tuberculoso, somente para respeitar o trabalho do artista plástico”.  Mesmo assim fez um trabalho caprichado e pelo abuso do camarada cobrou   dobrado pela abreugrafia.

Outra vez, a jornalista Hermengarda Junqueira, do Jornal Amazonas Em Tempo, encomendou uma obra do Palheta. Trancou-se em seu ateliê na Rua Maués, no bairro da Cachoeirinha e fez um belo trabalho. Ele estava “mais liso do que sabão na tábua”. O jeito foi ir de ônibus até o bairro do Aleixo onde ficava a sede o jornal. O busão estava lotado, colocou o quadro na cabeça e foi em pé. Ficava esbarrando em todo mundo. Um cidadão falou:

- Não dá para o senhor abaixar essa Tábua de Pirulito!   

Pense num cara puto de raiva:                                          

- Isto     aqui      é uma obra de arte.  Tábua        de      Purulito  é  o  caralho!                     

Quando chegar lá depois de muito sacrifício, a jornalista falou:                 

- Passe daqui uma semana para receber o seu dinheiro!                    

Ai foi para acabar de vez com o artista:                                            

- Pelo o amor de Deus! Tô na lisura. Vim de ônibus e fui xingado por todos.   Sem    chance.                     Pague        pelo        menos    a      metade          agora!

Ela ficou sensibilizada e pagou tudo no monte. Ai foi graça. Pagou as contas atrasadas e foi direto para o Bar Caldeira, sentou-se na  Mesa da Diretoria e começou a tomar Uísque com queijo bola, é claro!                      

Outra vez, ele e o artista plástico Inácio Evangelista foram contratados para fazerem a ornamentação de carnaval do Clube Sírio Libanês, na Avenida Constantino Nery. Quando estava tudo pronto, chegou o promoter da festa para fazer a verificação dos trabalhos. Falou:        

- Quem fez esta decoração?

O Palheta “subiu nas tamancas”:

- Olha aqui, meu amigo, decoração é coisa de viado. Eu e o Inácio somos artistas plásticos e fazemos uma obra de arte e não decoração!                                      

O Evangelista só achava graça  da   onda   do     Palheta.

        Teve problemas sérios de saúde e veio a falecer em agosto de 2015. Hoje, as suas obras impressionistas       e   abstracionistas  estão  muito  valorizadas em Manaus.

        A Turma do Meio-Dia – Existe uma turma que desde tempos idos gosta de beber quando relógio bate meio-dia, na hora do almoço. Falam que é para abrir o apetite. Geralmente a pedida é cerveja, cachacinha, limão e sal. Isto é tradição.  Passa o tempo, alguns deles partem para o andar de cima, chegam     outros,       sempre             renovando.

Detalhe: eles somente gostam de sentar exatamente na Mesa da Diretoria, sempre existindo um deles na cabeceira   de  costas  para   a   parede.  

Cruz, credo!