Em plena semana de aniversário de
nossa cidade de Manaus, venho a público fazer um desabafo. Quero também que
vocês, que me seguem nas redes sociais, possam entender um pouco do que
aconteceu entre mim e a Concultura com relação ao ‘Prêmio Literário Cidade de
Manaus 2025’, na Categoria ‘Prêmio Álvaro Maia, destinado ao melhor Romance’,
com a minha obra ‘Ária Ramos Subindo Ao Céu – Amor E Tragédia em 1915’.
Após a obra ser avaliada pela
comissão, aprovada, publicada no Diário Oficial e homologada por Portaria, o
empenho foi emitido e não houve impugnação dentro do prazo legal. No entanto,
oito pessoas (Sandra Maria Godinho Gonçalves, Victor Leandro da Silva, Marcos
Almir Almeida de Souza, Raissa Floriano Batista, Rita de Cassia Dutra de
Alencar Clark, Nelson Castro, Lucila Bonina Teixeira e Rafael dos Santos
Queiroz) entraram com uma denúncia extemporânea junto à Concultura (alegando
que a obra não era inédita), que suspendeu o pagamento do prêmio.
Não tenho nenhuma mágoa contra
essas pessoas, pois elas fizeram o que achavam correto e eu respeito isso,
claro! Contudo, passados dez meses da apresentação da minha Defesa
Administrativa, a direção deste órgão ainda me mantém em sua página oficial como
o ‘Premiado’, sem deferir ou indeferir a minha defesa.
Dessa forma, irei solicitar a
devolução da carta em que cedi os direitos sobre a obra por dois anos para a
Prefeitura de Manaus. Pretendo publicar este livro e colocá-lo à venda no
início de janeiro de 2027, se Deus assim permitir!
Abaixo, transcrevo um trecho do
livro no qual a própria Ária Ramos narra o seu passamento. Detalhe: o livro é
um romance histórico, o que me permitiu escrever sob a perspectiva da própria
Ária Ramos. Para a confecção deste livro, tive acesso a vários depoimentos,
jornais antigos e até ao Processo Judicial de 1915. Vale ressaltar que contei
com o auxílio de inteligência artificial para a revisão textual — fato que
declarei abertamente na obra —, mas a IA não escreveu o livro; apenas realizou
as correções ortográficas e gramaticais.
“...E por último, a enternecedora, que toca, enternece e
sensibiliza, a ‘Valsa’ ‘Subindo ao Céu’, do brasileiro Aristides Manuel Borges,
uma música instrumental, sendo uma partitura focada nos arranjos e melodia
executada pelos instrumentos musicais - essa me marcou profundamente e foi
aquela pela qual serei lembrada por várias gerações de amazonenses. Eu vestia
uma túnica de Musa da mitologia grega, longa e volumosa, branca, confeccionada
com tecido fino de seda e linho, rendas, ajustada à minha cintura com um fio, criando
uma silhueta charmosa, mangas justas até o cotovelo. Não usava chapéu, um acessório
que era essencial para as mulheres da alta sociedade, e com os meus cabelos
castanhos soltos, usando uma sapatilha branca amarrada sob uma meia longa,
feita sob medida, combinando com o meu traje elegante e sofisticado, um vestuário
que era influenciado pelas tendências europeias da época. Como eu era uma
pessoa que havia caído no gosto dos Paladinos, sendo a sua estrela maior
naquele baile. Por ser considerada de uma beleza estonteante e sendo
muito gentil com todos, despertei uma ciumeira entre os fãs apaixonados. Todos olhavam
para mim, desejando dançar uma parte e a todos gentilmente atendia, com gestos brandos,
maneiras polidas, espírito fino e um sorriso meigo, eu era considerada a
estrela maior da festa. Dancei primeiro com o Antônio Craveiro, um amazonense
de vinte dois anos, o qual tínhamos pretensões de casamento, após dançarmos
sentei à mesa onde estava Mário Travassos, um paraense de dezesseis anos, o que
provocou um pouco de ira nele, pois havia entre os dois uma condição de inimizade
por desavenças em partidas de jogos de futebol. Neste interim, apareceu na
festa um inglês chamado George Fenthon, um gringo dos olhos azuis e cabelos
loiros, um pouco mais velho do que eu; ele trabalhava numa empresa inglesa
chamada de Manáos Harbour, que administrava o Roadway - ele era muito conhecido
e querido pela nata da sociedade manauara. Ficou encantado com a minha beleza,
trazendo um copo de água e pediu gentilmente para dançamos, ao qual aceitei de pronto
o convite, de repente, parou de dançar e, como eu era de todos conhecido pelos
meus dons musicais, fui convidada pelo grupo de amigos que compunha a orquestra
para me apresentar junto com eles, tocando em meu violino a valsa ‘Subindo ao Céu’,
talvez um prenúncio de que algo tão terrível iria acontecer comigo em seguida. Após
a minha apresentação, voltei à mesa, onde ri e me diverti com outro fã, o
Ilydio Barroco, um português da firma Barroco & Cia., quando se aproximou o
jovem Mário Travassos, filho do Coronel Antônio R. de Souza, pedindo uma luva
que havia esquecido em cima da mesa. Era o final da festa, aproximadamente umas
duas horas da manhã de quarta-feira de cinzas, trazendo consigo um momento
sinistro, selando o destino cruel da minha vida naquela noite encantadora. Fui
atingida pelo disparo de um revólver, vindo do jovem Mário Travassos, que o
empunhara de forma estúpida e desequilibrada. Nem todos ouviram aquela detonação,
pois achavam que era o estourar de mais um champanhe ou o estampido de lança-perfume
quebrado. No entanto, todos se calaram quando ouviram o meu ‘aí’ bem alto.
Todos correram e me encontraram curvada sobre a cadeira, com a cabeça apoiada
sobre a mesa, além de bastante sangue em meu vestido próximo à minha região pélvica.
Houve
um pânico,
medo e uma correria geral. Meu pai, em choque, correu até a mesa onde eu estava.
Colocou as mãos na cabeça, balançando de um lado para o outro, ajoelhou-se e
chorou desesperadamente, exclamando: “Meu Deus, o que fizeram com a minha amada
filha!” Minhas duas irmãs, em um estado de pânico absoluto, gritavam pelo salão
do baile, incapazes de acreditar no horror que estavam presenciando. A cena de
desespero da nossa família foi tão intensa que muitas pessoas ao redor começaram
a chorar, comovidas pela tragédia que havia se abatido sobre uma pessoa tão
querida e amada por todos os presentes na festa. Recebi os
primeiros socorros dos médicos, primeiro do Dr. Turiano Meira e, depois, do Dr.
Xavier de Albuquerque, que se encontravam à festa, praticava a compressão com um
torniquete na minha artéria femoral atingida com o projétil, provocando uma
abundante hemorragia, pois canaliza bastante sangue rico em oxigênio vindo do coração
para a região da coxa e perna. Por uma ligação telefônica,
o Dr. Jorge de Moraes aconselhou a minha remoção para o hospital. Os meus
amigos e familiares me carregaram nos ombros, desceram as escadas e correram em
direção ao Hospital da Santa Casa de Misericórdia, que ficava a quatro quadras
do local do acidente; o carro da polícia ainda ajudou no transporte. O clube
foi fechado e os suspeitos foram presos e soltos em seguida. Cheguei meio desfalecida
no hospital, sendo imediatamente operada pelos Doutores Jorge de Moraes e Theógenes
Beltrão, auxiliados pelos Doutores Xavier de Albuquerque e Turiano Meira,
aplicando uma anestesia local, pois em decorrência do meu estado de saúde ser
muito delicado, não permitia aplicar clorofórmio ou outra anestesia geral.Fizeram
a ligadura da artéria femoral a cerca de dois centímetros
da sua origem e de seis centímetros da entrada do projétil, envidando todos os
esforços para salvar a minha vida, mas a hemorragia havia sido violenta, e
faleci próximo das cinco horas da madrugada da Quarta-Feira de Cinzas. Às cinco
da manhã, veio um automóvel que levou o meu corpo para a minha residência na
Rua Joaquim Nabuco, local onde se deu o meu velório. Uma romaria infindável de amigos
e curiosos...”