quinta-feira, 22 de outubro de 2026

O Silêncio da Concultura e o Destino de Ária Ramos: Um Desabafo e um Esclarecimento

Em plena semana de aniversário de nossa cidade de Manaus, venho a público fazer um desabafo. Quero também que vocês, que me seguem nas redes sociais, possam entender um pouco do que aconteceu entre mim e a Concultura com relação ao ‘Prêmio Literário Cidade de Manaus 2025’, na Categoria ‘Prêmio Álvaro Maia, destinado ao melhor Romance’, com a minha obra ‘Ária Ramos Subindo Ao Céu – Amor E Tragédia em 1915’.

Após a obra ser avaliada pela comissão, aprovada, publicada no Diário Oficial e homologada por Portaria, o empenho foi emitido e não houve impugnação dentro do prazo legal. No entanto, oito pessoas (Sandra Maria Godinho Gonçalves, Victor Leandro da Silva, Marcos Almir Almeida de Souza, Raissa Floriano Batista, Rita de Cassia Dutra de Alencar Clark, Nelson Castro, Lucila Bonina Teixeira e Rafael dos Santos Queiroz) entraram com uma denúncia extemporânea junto à Concultura (alegando que a obra não era inédita), que suspendeu o pagamento do prêmio.

Não tenho nenhuma mágoa contra essas pessoas, pois elas fizeram o que achavam correto e eu respeito isso, claro! Contudo, passados dez meses da apresentação da minha Defesa Administrativa, a direção deste órgão ainda me mantém em sua página oficial como o ‘Premiado’, sem deferir ou indeferir a minha defesa.

Dessa forma, irei solicitar a devolução da carta em que cedi os direitos sobre a obra por dois anos para a Prefeitura de Manaus. Pretendo publicar este livro e colocá-lo à venda no início de janeiro de 2027, se Deus assim permitir!

Abaixo, transcrevo um trecho do livro no qual a própria Ária Ramos narra o seu passamento. Detalhe: o livro é um romance histórico, o que me permitiu escrever sob a perspectiva da própria Ária Ramos. Para a confecção deste livro, tive acesso a vários depoimentos, jornais antigos e até ao Processo Judicial de 1915. Vale ressaltar que contei com o auxílio de inteligência artificial para a revisão textual — fato que declarei abertamente na obra —, mas a IA não escreveu o livro; apenas realizou as correções ortográficas e gramaticais.

 “...E por último, a enternecedora, que toca, enternece e sensibiliza, a ‘Valsa’ ‘Subindo ao Céu’, do brasileiro Aristides Manuel Borges, uma música instrumental, sendo uma partitura focada nos arranjos e melodia executada pelos instrumentos musicais - essa me marcou profundamente e foi aquela pela qual serei lembrada por várias gerações de amazonenses. Eu vestia uma túnica de Musa da mitologia grega, longa e volumosa, branca, confeccionada com tecido fino de seda e linho, rendas, ajustada à minha cintura com um fio, criando uma silhueta charmosa, mangas justas até o cotovelo. Não usava chapéu, um acessório que era essencial para as mulheres da alta sociedade, e com os meus cabelos castanhos soltos, usando uma sapatilha branca amarrada sob uma meia longa, feita sob medida, combinando com o meu traje elegante e sofisticado, um vestuário que era influenciado pelas tendências europeias da época. Como eu era uma pessoa que havia caído no gosto dos Paladinos, sendo a sua estrela maior naquele baile. Por ser considerada de uma beleza estonteante e sendo muito gentil com todos, despertei uma ciumeira entre os fãs apaixonados. Todos olhavam para mim, desejando dançar uma parte e a todos gentilmente atendia, com gestos brandos, maneiras polidas, espírito fino e um sorriso meigo, eu era considerada a estrela maior da festa. Dancei primeiro com o Antônio Craveiro, um amazonense de vinte dois anos, o qual tínhamos pretensões de casamento, após dançarmos sentei à mesa onde estava Mário Travassos, um paraense de dezesseis anos, o que provocou um pouco de ira nele, pois havia entre os dois uma condição de inimizade por desavenças em partidas de jogos de futebol. Neste interim, apareceu na festa um inglês chamado George Fenthon, um gringo dos olhos azuis e cabelos loiros, um pouco mais velho do que eu; ele trabalhava numa empresa inglesa chamada de Manáos Harbour, que administrava o Roadway - ele era muito conhecido e querido pela nata da sociedade manauara. Ficou encantado com a minha beleza, trazendo um copo de água e pediu gentilmente para dançamos, ao qual aceitei de pronto o convite, de repente, parou de dançar e, como eu era de todos conhecido pelos meus dons musicais, fui convidada pelo grupo de amigos que compunha a orquestra para me apresentar junto com eles, tocando em meu violino a valsa ‘Subindo ao Céu’, talvez um prenúncio de que algo tão terrível iria acontecer comigo em seguida. Após a minha apresentação, voltei à mesa, onde ri e me diverti com outro fã, o Ilydio Barroco, um português da firma Barroco & Cia., quando se aproximou o jovem Mário Travassos, filho do Coronel Antônio R. de Souza, pedindo uma luva que havia esquecido em cima da mesa. Era o final da festa, aproximadamente umas duas horas da manhã de quarta-feira de cinzas, trazendo consigo um momento sinistro, selando o destino cruel da minha vida naquela noite encantadora. Fui atingida pelo disparo de um revólver, vindo do jovem Mário Travassos, que o empunhara de forma estúpida e desequilibrada. Nem todos ouviram aquela detonação, pois achavam que era o estourar de mais um champanhe ou o estampido de lança-perfume quebrado. No entanto, todos se calaram quando ouviram o meu ‘aí’ bem alto. Todos correram e me encontraram curvada sobre a cadeira, com a cabeça apoiada sobre a mesa, além de bastante sangue em meu vestido próximo à minha região pélvica. Houve um pânico, medo e uma correria geral. Meu pai, em choque, correu até a mesa onde eu estava. Colocou as mãos na cabeça, balançando de um lado para o outro, ajoelhou-se e chorou desesperadamente, exclamando: “Meu Deus, o que fizeram com a minha amada filha!” Minhas duas irmãs, em um estado de pânico absoluto, gritavam pelo salão do baile, incapazes de acreditar no horror que estavam presenciando. A cena de desespero da nossa família foi tão intensa que muitas pessoas ao redor começaram a chorar, comovidas pela tragédia que havia se abatido sobre uma pessoa tão querida e amada por todos os presentes na festa. Recebi os primeiros socorros dos médicos, primeiro do Dr. Turiano Meira e, depois, do Dr. Xavier de Albuquerque, que se encontravam à festa, praticava a compressão com um torniquete na minha artéria femoral atingida com o projétil, provocando uma abundante hemorragia, pois canaliza bastante sangue rico em oxigênio vindo do coração para a região da coxa e perna. Por uma ligação telefônica, o Dr. Jorge de Moraes aconselhou a minha remoção para o hospital. Os meus amigos e familiares me carregaram nos ombros, desceram as escadas e correram em direção ao Hospital da Santa Casa de Misericórdia, que ficava a quatro quadras do local do acidente; o carro da polícia ainda ajudou no transporte. O clube foi fechado e os suspeitos foram presos e soltos em seguida. Cheguei meio desfalecida no hospital, sendo imediatamente operada pelos Doutores Jorge de Moraes e Theógenes Beltrão, auxiliados pelos Doutores Xavier de Albuquerque e Turiano Meira, aplicando uma anestesia local, pois em decorrência do meu estado de saúde ser muito delicado, não permitia aplicar clorofórmio ou outra anestesia geral.Fizeram a ligadura da artéria femoral a cerca de dois centímetros da sua origem e de seis centímetros da entrada do projétil, envidando todos os esforços para salvar a minha vida, mas a hemorragia havia sido violenta, e faleci próximo das cinco horas da madrugada da Quarta-Feira de Cinzas. Às cinco da manhã, veio um automóvel que levou o meu corpo para a minha residência na Rua Joaquim Nabuco, local onde se deu o meu velório. Uma romaria infindável de amigos e curiosos...”