sexta-feira, 8 de junho de 2018

TRIBUTO (HOMENAGEM) AO TENENTE RIBEIRO JUNIOR




Passados quase cem anos do movimento tenentista liderado pelo militar Ribeiro Junior, os amazonidas atuais, não esqueceram aquele momento histórico, tanto que criaram o “Movimento Ribeiro Junior”, um grupo de pessoas oriundas das bases sindicais, líderes comunitários, políticos e representantes da sociedade constituída, liderado pelo Paulo Onofre, para dar vida e voz às pessoas menos favorecidas para reivindicar os seus direitos juntos aos governos municipal, estadual e federal – reunindo-se toda sexta-feira, no “Café do Pina”, na Praça Heliodoro Balbi (Praça da Polícia).

Mas, afinal, quem foi Ribeiro Junior?

Segundo historiadores, na década de vinte, a cidade Manaus vivia o colapso da economia da borracha, com violentas lutas entre grupos oligárquicos para controle do governo estadual.

Em 1924, o governo foi passado para o desembargador Cesar do Resende do Rego Monteiro, sendo considerado o pior administrador de todos os tempos.

Tentou vender 25% das terras do Amazonas para um grupo norte-americano, em troca de um empréstimo de 3 milhões de dólares, sendo que, a transação só não se concretizou, por intervenção direta do governo federal.

Praticou o mais descarado nepotismo, colocando filhos e parentes para as posições chave, além de atrasar o pagamento dos salários dos funcionários públicos e reprimir violentamente os seus opositores, provocando uma insatisfação popular muito grande.

Motivado por esses desmandos e pela determinação do governador em fazer o seu sucessor, para continuar o descalabro politico-administrativo, bem como, com base na rebelião tenentista que havia eclodido em São Paulo, o tenente do 27º Batalhão de Caçadores, Ribeiro Junior, liderou um movimento militar e civil, para derrubar o governo estadual.


O movimento dominou o Quartel da Polícia, os Correios e Telégrafos, um navio do Lloyd Brasileiro e o Palácio Rio Negro, derrubando o governador interino Turiano Meira, pois o governador Rego Monteiro encontrava-se viajando para Europa.

O Estado do Amazonas foi governado pelo Tenente Ribeiro Junior, no período de 23 de julho a 28 de agosto de 1924, instituindo o “Tributo da Redenção”, confiscando e vendendo bens roubados do nosso Estado, revertendo para pagamento dos salários atrasados dos funcionários e fornecedores, ganhando a estima de toda a população.

O governo federal envia uma força militar, o Destacamento do Norte, sob o comando do General João de Deus Mena Barreto, para sufocar a rebelião – o Ribeiro Junior não ofereceu resistência, sendo preso e julgado pela Justiça Militar.

Foi condenado a três anos e nove meses de prisão, transferido em 1926 para a prisão militar da ilha Grande, no litoral do Rio de Janeiro, foi solto em fevereiro de 1927 e, em julho seguinte, foi reincorporado ao 27º Batalhão de Caçadores. Anistiado após a vitória da Revolução de 1930 obteve sua promoção a capitão com validade retroativa a janeiro de 1926.

Conseguiu eleger-se, em outubro de 1934, Deputado Federal pelo Amazonas, exerceu o mandato de maio de 1935 a novembro de 1937, quando, com a instauração do Estado Novo, os órgãos legislativos do país foram suprimidos.

Retornou então ao serviço ativo do Exército, vindo a falecer em 29 de junho de 1938.

A sua filha mais nova, Eneida Ramos Ribeiro, contando a produção da historiadora amazonense Etelvina Garcia, escreveu, em 2016, o livro “Ribeiro Junior – Redentor do Amazonas – Memórias”, pela editora Norma, onde é possível conhecer com mais profundida a vida e o trabalho desse importante homem, para a história do nosso Estado do Amazonas.


O Movimento Ribeiro Junior, faz um importante trabalho de reconhecimento dessa figura histórica e, luta pelo prosseguimento dos seus ideais, de uma sociedade mais justa e solidária.


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