quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

14 DE JANEIRO – Uma data que ficou para a história


Em 1892, houve uma revolta popular que culminou com a derrubada do governador Gregório Thaumaturgo de Azevedo – muitos anos depois, em 1970, aconteceu uma explosão de uma caldeira da Santa Casa de Misericórdia – são dois acontecimentos que ficaram para a história da nossa cidade.

No primeiro acontecimento, a data marcou o nascimento do bairro Praça 14 de Janeiro e, no segundo, a mudança do Bar Nossa Senhora dos Milagres, para Bar Caldeira. 

“Bate, bate forte batuqueiro/o samba na 14 é de janeiro a janeiro” esse é o samba de concentração do GRES Vitória Régia, uma escola do bairro considerado “o berço do samba de Manaus”.

Na época da revolta popular, o governador foi derrubado e, em seu lugar, veio o negro maranhense, o Eduardo Ribeiro, um incentivador da vinda das famílias negras maranhenses para povoar aquele bairro – tornando, atualmente, o segundo Quilombo Urbano do Brasil.

Tive o privilegio de conhecer o Nestor Nascimento, meu amigo de longas datas, fundador do Movimento Alma Negra – por eu ser filho de um afro-descendente, sinto-me muito bem identificado com o bairro, sua história e sua gente.

No segundo acontecimento, o estabelecimento foi fundado em 1963, por um casal de origem lusitana, com o nome de “Bar Nossa Senhora dos Milagres”, em homenagem a uma santa de madeira que foi encontrada boiando no mar, no século XVI, na Ilha do Corvo, em Açores (Portugal). 

O boteco ficou famoso, tornando-se um reduto de políticos, empresários, funcionários públicos, poetas, músicos, escritores e trabalhadores do centro de Manaus. 

Em 14 de Janeiro de 1970 houve uma explosão da caldeira do Hospital da Santa Casa de Misericórdia e, por um milagre, nenhum frequentador foi atingindo pelos destroços - a partir dessa data, o bar passou a ser conhecido em toda Manaus, como Bar Caldeira. 

Com a aposentadoria dos antigos administradores, a nova administração (Carbajal Gomes) institui o aniversário do Bar Caldeira, em 14 de Janeiro; contratou músicos e cantores amazonenses para se apresentarem de terça a sábado, ficando o domingo com “a prata da casa”.

Elaborou também uma vasta programação de eventos durante todo o ano; buscou preservar a “alma” do bar, tornando-o mais atraente e humano; fez a “Calçada da Fama”, com placas homenageando os ilustres cantores que ali passaram: Silvio Caldas, Jairzinho, Vinicius de Moraes, Jamelão e Kátia Maria (a primeira mulher a frequentar o Bar) - alugou também um casarão antigo que fica ao lado Bar Caldeira, dotado de banheiros masculinos e femininos, cozinha certificada onde são preparados tira-gostos e comidas “self service” e espaço climatizado para eventos musicais, culturais e encontros da “velha guarda”. 

O Bar Caldeira por ter recebido a ilustre visita do cantor, compositor e poeta Vinicius de Moraes, onde deixou um bilhete e várias fotografias para a posterioridade, passou a ser conhecido pelos mais jovens e pelos cariocas que visitam ou moram na cidade de Manaus, como “O Bar do Vinicius de Moraes em Manaus”.

O Bar Caldeira, juntamente com outros dois bares tradicionais de Manaus, por iniciativa do Deputado Estadual Bosco Saraiva, tornou-se Patrimônio Cultural e Imaterial de Manaus. 

Sou frequentador assíduo desse bar, além de pesquisar e escrever sobre a sua memória, em decorrência disso, faço parte da sua história.

Uma mesma data em anos muitos diferentes, porém, será festejada por toda eternidade, pois fazem parte da história da nossa cidade Manaus. Parabéns!
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