quarta-feira, 16 de novembro de 2022

JOSÉ ROCHA: PROJETO “ESCADARIA DOS POVOS INDÍGENAS DA AMAZÔNIA”

Aproveito este espaço para agradecer ao meu amigo Carbajal Gomes, por ter cedido, ontem, o espaço da parte superior ao anexo do Bar Caldeira, onde houve uma reunião de amigos que amam a cidade de Manaus. 

Levei um ideia de reunir um grupo de pessoas para trocarmos ideias para fazermos algumas coisas boas em prol da cidade de Manaus. 

A principio, fiz um pequeno projeto para recuperação das Escadarias da Rua Tapajós, ao lado do Instituto Benjamin Constant. Tivemos a presença de vários amigos que abraçaram a ideia, no entanto, fomos mais além, pois estamos dispostos a legalizar a AMA - Associação dos Amigos de Manaus. Uma associação que irá contribuir com pequenas ações e lançar ideias para o Prefeito e o Governador, com relação a preservação do nosso Centro Histórico. 


HISTÓRICO

Quando os portugueses chegaram onde é hoje o centro antigo da cidade de Manaus, para fundar o Forte de São José da Barra do Rio Negro, em 1669, ano considerado pelos historiadores,  como da fundação da cidade, já existiam por estas plagas as seguintes etnias indígenas: Passés, Barés, Tarumãs, Mundurucus, Manaós e outras, tanto que, quando nos referimos a cidade de Manaus e aos nativos, são chamados de “Baré”, pois  os caboclos manauaras da gema, possuem a pele morena, cabelos pretos, olhos amendoados e estatura mediana. Em Manaus, existe o Museu do Índio, uma Praça onde encontra-se um Cemitério Indígena (Dom Pedro II) e poucas ruas e avenidas que homenageie os nossos ancestrais indígenas.                     

O Barão de Leonardo (1817-1894), um homem riquíssimo que foi o 1º. Vice-presidente da Província do Amazonas (1868), era o dono de toda aquela área onde fica a Escadaria. Construiu o Palacete de São Leonardo (atual Instituto Benjamin Constant), com muros altos e uma escadaria para dar acesso a uma Represa que ficava no atual cruzamento da Rua Tapajós com a Avenida Leonardo Malcher, para os moradores retirarem água límpida para saciar a sede (naquele local passa, atualmente, por dentro das tubulações um igarapé que vem lá do Boulevard Amazonas, passando por dentro da Vila Paraíso, onde os moradores chamam de “Vala”). Esta Escadaria presume-se que fora construída em 1868, sendo mais velha do que o Teatro Amazonas (1896) e a da Igreja de São Sebastião (1888). Os atuais primeiro e o segundo patamares (onde se pode descansar na subida ou descida) que ficam em frente da Casa dos Madeira,  foram destruídos com o passar do tempo, sendo construídos de madeiras e, em 1968, em cimento armado pelo Prefeito Paulo Pinto Nery.                                                      

Preocupado com o estado de abandono da atual escadaria, o blogueiro José Rocha (Rochinha), morador antigo da ladeira da Rua Tapajós, teve a ideia de revitalizar a “Escadaria da Rua Tapajós”, evidentemente, contando com o apoio dos comunitários e de amigos que amam de verdade esta cidade, elaboraram um projeto para tornar esta ideia em realidade. Fez um vídeo que está postado no Youtube. Incialmente, abraçaram o projeto: Socorro Papoula (atriz), Maíra Dessana (professora e musicista), Bruno (arquiteto), Júlio (músico dos “Raízes Caboclas”), Bepi Sarto (ex-Presidente do IPHAN), as famílias Madeira Dutra e Garantizado.

A sugestão para homenagear os povos indígenas da Amazônia partiu da atriz Socorro Papoula, onde seriam colocados azulejos em cada lance de escada contendo grafismos indígenas. A inspiração para colocar azulejos em seus degraus, veio da “Escadaria Selerón”, nos bairros de Santa Tereza e Lapa, no Rio de Janeiro, que ficou famoso e virou ponto turístico. A nossa versão Baré quando concluída, também, ficará famosa                e será, com certeza, um ponto turístico, onde os transeuntes, motoristas de automóveis e turistas passarão para tirar fotografias e mandar para o mundo inteiro nas redes sociais, além  da comunidade em geral, que sentirão orgulho daquele lugar, pois ficará muito bonita, pois contará, também, com pinturas indígenas nos paredões, feitos por artistas locais, além de canteiros com plantas com flores resistentes ao calor, sol e umidade.                                                                                                   

Será, sem dúvida, um belo presente à cidade Manaus e ao seu povo manauara e aos turistas que visitarem a nossa cidade. Uma homenagem justa aos nossos ancestrais indígenas, que milhares de anos antes da fundação da cidade já habitavam todo o entorno onde será, brevemente, “Escadaria     dos       Povos      Indígenas      da  Amazônia”. 


LOCALIZAÇÃO

Quem desce a pé ou vem de carro e entra numa depressão após a Avenida Leonardo Malcher, avista, em seguida, a famosa Ladeira  da Rua Tapajós (temida por muitos até hoje pela sua acentuada inclinação, no passado, servia de testes de direção para candidatos do antigo Detran e foi palco de muitos acidentes, pois tinha mão e contramão). Avista, também, ao lado direito, uma escadaria que começa bem em frente à residência da família Madeira (número 345) e vai até o topo (portão de entrada dos alunos  e professores do Colégio Frei Sílvio Vagheggi/Benjamin Constant).


A ESCADARIA

        Possui duas partes distintas, sendo a primeira feita de cimento armado, de forma um pouco irregular em seus 17 degraus, com dois patamares, feitos “na marra”, sem um projeto e a devida preocupação com a metragem de cada degrau, contrastando com a parte superior. São quatros degraus iniciais, um patamar em frente ao portão principal da casa dos Madeira, depois, mais 13 degraus e um patamar em forma de L, na entrada lateral da citada residência. A segunda parte, possui mais 23 degraus, todos largos, bem elaborados e nivelados, com pedras em sua base, uma obra prima feita pelos nossos antepassados, pois naquela época toda construção era feita com esmero e dedicação.                     

Atualmente, encontra-se em péssimo estado de conservação, cheia de matos e lixos em toda a sua extensão, além de buracos e deslocamentos de algumas pedras da parte superior e com o muro de pedras (sujo e abandonado, dando um visual feio e deprimente    ao local, forçando os alunos, idosos e transeuntes a andarem pela rua, que por sinal é bastante movimentada por carros de médio porte e até caminhões, colocando em risco a vida de muitas pessoas que não desejam encarar o lixo que se encontra na Escadaria.


O QUE SE PRETENDE FAZER

A ideia inicial será começar pela frente da residência do Zigomar Madeira/Salete Sarapeão (número 365, antiga casa onde morou a família do escritor Márcio Souza e que foi também o local de ensaios da banda musical Raízes Caboclas), indo até o início da Escadaria (em frente à casa onde mora, atualmente, o Chiquito Madeira) com o calçamento de pisos hidráulicos (são bem resistentes) que poderão ser confeccionados em uma fábrica que fica localizada na Avenida Nilton Lins (em direção à Avenida das Torres) ou outro fornecedor que possua um trabalho de qualidade e preço bom.              Os desenhos serão de grafismos indígenas. Após a casa do Zigomar Madeira (existe uma entrada para um estacionamento rotativo de carros dos moradores e trabalhadores da redondeza), a partir daí até o início da Escadaria, continuar com os pisos hidráulicos e fazer um Canteiro (ao lado do muro) para abrigar algumas plantas que lá estão, como a Crista de Galo e outras, além de plantar novas espécies, por um profissional da área.  

A Casa dos Madeira é datada de 1906, construída por uma tradicional família portuguesa. Possui em seu interior uma frondosa Mangueira, com frutos saborosos, recanto dos Periquitos na época da safra, além de criação de galos e galinhas de raças, o que dá um charme todo especial a Rua Tapajós. No muro da frente (todo em pedras) será contratado um profissional do grafite para fazer um mural com temas indígenas (existe um que fez um belo trabalho num muro da esquina da Rua 10 de Julho com a Rua Dona Libânia.                    

Nos 13 primeiros degraus o trabalho deve, também, ser entregue a um profissional que saiba trabalhar com azulejos, fazendo grafismos indígenas. Na parte superior, existe um grande muro de pedras (zero no primeiro degrau e vai até chegar aos seis metros de altura na segunda patamar, nele cresceram quatro pés de plantas que durante anos são cortados os seus galhos pela garis da prefeitura, mas sempre volta a crescer), onde, novamente, haverá um grande painel, também, com tema indígena.  Nesta parte superior, onde está a Escadaria histórica, somente será feito o trabalho de colocação de azulejos caso não houver impedimentos por parte do IPHAN, evidentemente, que será feita uma consulta prévia, pois o IBC é tombado como patrimônio histórico. Caso não for autorizado, será feita a restauração de acordo o que determinar o IPHAN, bem como, a Prefeitura de Manaus. Entre a sarjeta e a Escadaria da parte superior existe uma parte de terra que será transformada em um Canteiro de Plantas. A última fase da execução do Projeto será a confecção de grades em ferro fundido para serem chumbados na lateral para servir de apoio e proteção para a pessoas que subirem ou descerem a Escadaria. 

A ideia inicial será fazer esta revitalização por um grupo de moradores e de pessoas que amam a cidade de Manaus, no entanto, iremos levar o Projeto até os vereadores       de Manaus, para tentarem a execução por parte da Prefeitura de Manaus. Caso não obtivermos este apoio ou for postergado por muito tempo, iremos entrar em ação, fazendo sorteios de bingos, Livro de Ouro (para quem quiser doar dinheiro e/ou material de construção), além de pedirmos apoio dos colégios e entidades que estão localizados próximo a área. Será formado um Grupo de Trabalho, para elaborar o Projeto, com todos os custos e despesas, autorizações etc.


FORMAÇÃO DO GRUPO DE TRABALHO

Inicialmente, o Grupo de Trabalho será formado pelas seguintes pessoas: José Rocha, Socorro Papoula, Maíra Dessana, Bruno, Bepi Sarto e Júlio Raízes. As senhoras Conceição e Suely Garantizado e o arquiteto Tony Garantizado, estão dispostos a colaborar – eles possuem um local ideal para reuniões e eventos sociais (bingos e festas de confraternizações). O autor da ideia, o José Rocha, possui uma sala em sua residência dotada de computador e impressora multifuncional, novos, além de uma internet de fibra ótica de alta qualidade, que poderá ser utilizado pelo Grupo de Trabalho para fazer toda a parte burocrática. A primeira reunião está marcada para o dia 16 de novembro, às 20 horas, no Largo de São Sebastião. Levarei esta parte impressa, contendo diversas fotografias da atual Escadaria. A pedido da Socorro Papoula, o Carbajal Gomes, cedeu o espaço superior ao anexo do Bar Caldeira, para a nossa Primeira Reunião. Foi muito promissora, com muitas ideias, união, amor à Manaus e ao nosso Centro Histórico. No próximo sábado, iremos visitar a Escadaria da Rua Tapajós e tomar umas cervejas na humilde casa de madeira (do saudoso luthier Rochinha) para lembrar dos velhos tempos e partir para ação. 

Gratos aos homens e mulheres de boa vontade!

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

OS TURISTAS ESTÃO CHEGANDO E PRECISAMOS ARRUMAR A SALA DE ESTAR DA NOSSA CIDADE


Estão previstos chegarem a Manaus em torno de 25 mil turistas 

É a Temporada de Cruzeiros.

Isto será muito bom para cidade, pois haverá um movimento muito grande na economia local

Sabemos que a primeira imagem é a que fica.

Imaginem essa turma de turistas de alto poder econômico sair do porto e dá de cara com a Praça da Matriz toda quebrada, suja , cheia de moradores de rua dormindo nos bancos, depredando tudo o que foi deixado pelos nossos antepassados.

Essa imagem vai ficar.

É uma pena.

Quando você vai receber uma visita em sua casa, pelo menos uma vassourada é dado e uma arrumação na sala de visita é feita, é o mínimo que se faz para causar uma boa impressão. 

Não é isso?

O Prefeito Davi promete tantas coisas para o centro e nada faz!

Só papo furado.

Ele bem que poderia amenizar esse vexame, mandando asfaltar todo o centro, dar uma geral na praça da matriz, colocar os guardas municipais para controlar o centro, dentre outras pequenas ações que podem amenizar este impacto negativo da nossa porta de entrada de Manaus.

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

AVENDA GETÚLIO VARGAS

 




É uma das principais vias do centro de Manaus, começando na Avenida Tarumã terminado na Avenida Sete de Setembro, possui um intenso movimento de trânsito, onde praticamente todos os ônibus das linhas do centro retornam no sentido bairros – é a mais arborizada avenida da nossa cidade, refletindo no microclima daquela área – ela é recheada de histórias, possuindo um valor sentimental muito grande para os manauaras sessentões e setentões. No final do século dezenove aquela artéria era conhecida como Rua 13 de Maio, uma homenagem a Lei Áurea, de 13 de maio de 1888, que aboliu a escravidão no Brasil. Em seu seio corria o Igarapé dos Remédios (passava por dentro da Vila Paraíso), possui este nome em decorrência de se estender até os arredores da Igreja dos Remédios (via Rua Floriano Peixoto). Era praticamente um pântano, com muitos mosquitos, ocasionando muitas doenças aos moradores das imediações, o que motivou aterra-lo a partir de 1900, em plena belle époque manauara. No início, os trabalhos eram feitos em pequenas carroças, depois, foram utilizados os sistemas de trilhos, com vagões da Manaus Harbour Company, empresa inglesa que administrava o Porto de Manaus (Roadway). Os trabalhos de aterramento foram interrompidos em 1912, no governo do Agnello Bittencourt, no final da época de ouro da comercialização da borracha – foram várias interrupções nos trabalhos decorrentes dos altos custos, tanto que o povo não mais chamava de Igarapé dos Remédios, mas de Igarapé do Aterro, sendo concluído uma parte somente em 1930. Na década de quarenta, o interventor federal no Amazonas era o Álvaro Botelho Maia, o Prefeito era o seu irmão, o Antônio Botelho Maia – para homenagear o Getúlio Vargas, Presidente da República, mudou nome de Avenida Treze de Maio, para Avenida Getúlio Vargas. Em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, os norte-americanos vieram para Manaus, onde fundaram a empresa RDC (na Ilha de Monte Cristo) para comprar toda a produção de borracha que eram levadas por navios e aviões anfíbios. Para pousar os grandes aviões da Panam, vieram de navios muitas máquinas pesadas para construção do Aeroporto de Ponta Pela, depois de inaugurado, esses maquinários foram doados para a Prefeitura, que o utilizou na finalização da Avenida Getúlio Vagas. Aos doze anos de idade foi morar na Vila Paraíso, com entrada pela Rua Tapajós e Avenida Getúlio Vargas – em decorrência disto, possuo todo um carinho especial pela nossa “Getúlio”, pois por lá permaneci até a vida adulta, saindo apenas quando casei e fui morar no Conjunto dos Jornalistas, duas décadas depois, separado, voltei para a casa de meus pais. Por lá marcaram tempo o prédio da Camtel, depois Telamazon e atual Samel. A Casa Aroeira até hoje está aberta ao público. O Bar do Gordo ficava bem na esquina da Ramos Ferreira, ponto de encontro dos jovens antes de adentrarem ao Cheik e Bancrevea. As residências dos polícias Dr. Klinger Costa e do Delegado do Diabo, personagens folclóricas que metiam medo em todo mundo, até nos jovens inocentes daquele tempo. Tinha Também: Galera Selvagem, Bateria Unidos da Getúlio, Boate Porão, Curso Dinâmico do Mestre Nestor Nascimento, Esquina do Chope, Hospital das Crianças, Casa A Ferreira Pedras, Hospital da Cruz Vermelha, Posto do Inamps, Café do Pina, Bar Garfo de Ouro, Muro da Bené, Bar do Alex, as Quadras de futebol dos colégios Doroteia e Estadual, os cinemas Polyheama e Guarany e outros. Sem dúvida o que mais marcou a minha juventude e dos meus irmãos e vizinhos foi sem dúvida o Cheik e o Bancrévea Clube, pois estávamos com os hormônios a mil por hora, doidos para dançar, beber, extravasar e pegar com todo gás as minas do pedaço. O lugar era ali mesmo próximo as nossas casas, com bailes todos os finais de semana, onde podíamos tomar uns drinques, paquerar, dançar solto (rock nacional e Internacional) ou agarradinho (músicas românticas, deixando o cidadão naquela situação vexatória), enfim, fazer o que todos os jovens gostavam na minha época.
Tinha alguns jovens que faziam “pegas” (corrida de velocidade), participavam de galera do mal e gostavam de brigas e confusões, fumavam dirijo (maconha), pegavam até os caras alegres para conseguir uma grana extra para gastar com seus vícios. Não foi o meu caso, pois sempre fui um cara maneiro, contido e nunca fui chegado a esses extremos, sempre trabalhei, tinha o meu fusquinha setentinha, gostava mesmo era de beber Montilha com Coca-Cola na Rolha e correr a mil por horas atrás de uma mulher. Apesar da cidade de Manaus ser um pingo no “oceano” de mata da Amazônia, não é uma cidade muita arborizada, o que é muito lamentável, refletindo a falta de sensibilidade dos administradores públicos para com o meio ambiente. Esta avenida, contrastando com as demais, possui o privilégio de esbanjar verde em toda a sua extensão. Faz alguns anos, foi feito um estudo pelos técnicos da Prefeitura de Manaus, sobre o efeito da arborização no clima da cidade, foi constatado que há uma diminuição em torno de dois graus centígrados, inclusive beneficiando a Avenida Joaquim Nabuco. Esta Avenida é a principal via de passagem dos milhares de ônibus, no sentido centro/bairros e apesar das toneladas de gás carbônico jogados pelas descargas dos veículos, o impacto é minimizado pelas dezenas de árvores do local. Atualmente, a Avenida Getúlio Vargas continua bonita e arborizada, no entanto, precisa de uma atenção maior por parte da Prefeitura de Manaus, para manutenção do Canteiro Central, recuperação das calçadas laterais e incentivar os moradores a recuperarem as fachadas das residências mais antigas, além de maior segurança pública por parte da Polícia Militar.

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

FORTE DE SÃO JOSÉ DA BARRA DO RIO NEGRO

 

Foto: Prospecto modificado. José Rocha


O Sargento-Mor Pedro da Costa Favela, um temido matador de índios, fez várias viagens pelo Rio Negro, chegando até a aldeia dos Tarumãs, relatando a suas viagens ao governador do Maranhão e Grão-Pará, o Albuquerque Coelho de Carvalho. Este ficou sensibilizado com os seus argumentos: era preciso controlar o movimento da mão-de-obra escrava (índios) e das drogas do sertão, atentar para os holandeses que estavam confinados em Suriname (ex Guiana Holandesa), com os quais os índios do Rio Negro mantinham um relacionamento amistoso.

Os estudiosos afirmam que a data do início de sua construção foi em 1669, ano considerada como o da fundação de Manaus. A obra foi erguida pelo capitão maranhense Francisco da Mota Falcão. Com a sua morte a empreitada foi concluída pelo seu filho Manuel da Mota Siqueira, em 1697. O local escolhido foi na margem esquerda do Rio Negro e a sete milhas da sua foz, num local aprazível, numa elevação a 44,9 metros do nível do mar.

A planta do forte era no formato de um polígono quadrangular (figura que determina a forma geral de uma praça de guerra), sem fosso. Estava artilhado com quatro peças de calibres três e um, contando com uma guarnição de 270 homens, tendo como primeiro comandante o Capitão Ângelo de Barros. Era muito pequeno recebendo o nome, inicialmente de Forte, depois de Fortim e por último, de Fortaleza. Segundo alguns estudiosos a edificação não merecia o nome pomposo de Fortaleza, pois esta pressupõe uma fortificação enorme, de grandes dimensões, o que não era o seu caso.

A fotografia acima é de um prospecto (vista de frente) da Fortaleza do Rio Negro, constituindo-se no único registro visual conhecido, datado de 7 de Dezembro de 1754, feito pelo engenheiro alemão Schwebel, quando por aqui passou fazendo parte da comitiva do governador e capitão-general Francisco Xavier de Mendonça Furtado, vindos de Belém em direção a Mariuá (Barcelos).

É o local onde teve inicio a cidade Manaus, mostrando o forte e algumas casas de palha ao seu redor, além de uma pequena igreja, com a seta da flecha para a direita (descida das águas) indicando que a cidade fica na margem esquerda do Rio Negro.

Segundo os historiadores, ele recebeu várias denominações, foi chamado de Forte de São José da Barra do Rio Negro, Fortim de São José, Forte do Rio Negro, Fortaleza de São José do Rio Negro e Fortaleza do Rio Negro. Foi desarmado em 1783, perdendo importância tática e em 1823 (154 anos depois) o vigário-geral José Maria Coelho descreveu a fortaleza como um quadrado quase perfeito, com paredes bastante grossas e de altura equivalente a dois homens, estava destituída de artilharia e tinha apenas duas peças de bronze e ferro.

No ano de 1875 foi abandonado e virando ruínas. Existem alguns relatos que parte do material foi destinada para a construção do Palácio do Governo (atual Paço da Liberdade e Museu da Cidade, na Praça D. Pedro II). Existe uma sala no museu com o piso em vidro onde aparecem ao fundo umas urnas indígenas e alguns pilares de pedra, caso estiverem corretos os relatos acima, aquilo ali é a parte do Forte. No seu lugar foi construído o edifício da Tesouraria da Fazenda, um prédio que foi totalmente reformado para abrigar a "Casa de Leitura Thiago de Melo".

Os administradores do Porto de Manaus cometeram um crime contra o patrimônio público ao destruírem todo um quarteirão conhecido como “Casas da Boothline”. Comenta-se que apareceram vestígios do forte e que o IPHAN junto com outros órgãos federais conseguiu embargar a obra. Mandaram aterrar para evitar a presença de curiosos e depredações do que restou da nossa memória. Esperamos que um dia seja revitalizado e que parte do Forte seja mostrada ao público, caso exista, realmente.

Afinal, naquela área é o berço da cidade de Manaus.

Fonte: Livro E-book "Mana Manaus, José Rocha".


Fotos do Aniversário de 353 Anos de Manaus.
José Rocha




domingo, 16 de outubro de 2022

RESTAURAÇÃO DA IGREJA DE SÃO SEBASTIÃO – PRÊMIO: FUSCA AZUL CELESTIAL DO SAUDOSO ARMANDO

 


No dia 26 outubro de 2022, às 20h, no Tacacá na Bossa, localizado no Largo São Sebastião, no Centro de Manaus, acontecerá o sorteio da rifa, tendo como prêmio o Fusca Azul Celestial, safra 1973, que pertenceu ao saudoso Armando Dias Soares, do Bar do Armando.
A família do Armando, sensibilizada com os apelos da Paróquia de São Sebastião, no sentido de arrecadar fundos para a restauração da igreja e dar continuidade às obras sociais, doou este precioso e histórico automóvel.
Na minha juventude, participei de muitas atividades da Igreja de São Sebastião, inclusive fui membro da Juventude Franciscana. Foi onde eu fiz a primeira comunhão, casei e batizei a minha neta.
Passados alguns anos, afastei-me da igreja, pois não gostei do fechamento do Centro Social (situado na Rua Tapajós, ao lado do Colégio Adalberto Valle), onde existia o Clube de Mães, Narcóticos Anônimos, Estacionamento para os comunitários, Quadra de Esportes para os jovens comunitários, além de servir para a Equipe de Voleibol de São Sebastião, simplesmente, para ser alugado para uma faculdade (atualmente é alugado para o Coren).
Na realidade, a igreja possui muitos imóveis, todos alugados, o que gera muitos recursos para a paróquia. Antigamente, os fieis mais abastados quando chegavam próximo à sua morte doavam os seus imóveis para a igreja, como forma de zerar os seus pecados aqui na terra e irem direto para o céu. Hoje em dia, os fiéis são mais espertos e caem nessa artimanha.
Não sei, de fato, a real situação financeira da igreja, muito menos o valor total necessário para a sua restauração, além de não saber quais são as obras sociais desenvolvidas, no entanto, afirmo que, somente irei adquirir a rifa para quem sabe, ser o sorteado com o Fusca do Armando.
É isso aí.

sábado, 15 de outubro de 2022

BLOGDOROCHA: 15 DE OUTUBRO, O DIA DO PROFESSOR.

BLOGDOROCHA: 15 DE OUTUBRO, O DIA DO PROFESSOR.: Hoje, 15 de Outubro, dia comemorativo do “lente”, professor e mestre, aquele que no mesmo dia e mês do ano de 1827, o D. Pedro I, editou ...

O SÁBIO BERNARDO RAMOS

 Por José Rocha

Foto-Reprodução. Foto incluída em seu Livro. José Rocha

Bernardo de Azevedo da Silva Ramos, nasceu em Manaus, no dia 13 de novembro de 1858, falecendo no Rio de Janeiro, em 5 de fevereiro de 1931, foi um destacado arqueólogo, linguista e numismata, além de ter exercido vários cargos públicos de relevância, sendo considerado pela imprensa nacional como um grande sábio.

Era filho de Manoel da Silva Ramos (considerado o fundador da imprensa em Manaus) e Jesuína Maria de Azevedo da Silva Ramos – perdeu o seu pai quando ainda era criança, forçando-o a trabalhar muito jovem, tendo como primeiro emprego na agência dos Correios e Telégrafos (Rua Marechal Deodoro esquina com a Rua Teodoreto Souto e Avenida Eduardo Ribeiro).

Por ter uma mente privilegiada, conseguiu, aos 21 anos de idade (1879), exercer o cargo de Vereador de Manaus. Fundou o Clube Republicano do Amazonas.

Teve uma carreira de sucesso, exercendo vários cargos públicos, conseguindo, também, a patente de Coronel.

Foi comerciante em Manaus, onde fundou a Associação dos Proprietários de Manaus.

Possuía muitos recursos financeiros, o que o permitiu viajar pela Europa e Oriente Médio, percorrendo a Palestina e Egito, onde aprendeu as línguas hebraicas, fenícia e o sânscrito – o domínio desses idiomas o permitiu a leitura de diversas moedas.

Foi um colecionador voraz de moedas, cédulas, medalhas e documentos históricos – todo este acervo foi vendido para o governo do Estado (4 de setembro de 1899), sendo a base do Museu de Numismática do Amazonas (atualmente, está no Centro Cultural Palacete Provincial, na Praça da Polícia), com mais de dezessete mil peças, incluindo raridades como moedas gregas, etruscas e bizantinas (700 a.C.), feitas de ouro, vidro, conchas e porcelanas (antigo Sião), além de coleções moedas brasileiras espanholas do século XIX, entre de medalhas da França, Vaticano e Japão.

Em 25 de março de 1917, fundou o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, situado na Rua Bernardo Ramos/Rua Frei José dos Inocentes) – uma instituição tutelada pelo Estado do Amazonas – contém um Museu, Biblioteca com uma Hemeroteca (coleções de jornais, revistas e outras obras em série), muito importante para quem se dedica a pesquisa da Amazônia.

 Foto-Reprodução. Capa do livro. José Rocha

O seu livro mais importante foi publicado post mortem “Incripções E Tradições da America PreHistorica – Especialmente do Brasil”, em dois volumes, Rio de Janeiro, 1939 – disponibilizo um linque abaixo para os interessados baixarem os Volumes I e II.

Para os senhores terem uma ideia do magnifico pesquisador, no livro existe uma transcrição do Jornal Imparcial, de 5 de Maio de 1919, sobre uma conferência que ele fez no IGHA “Adduzlndo ainda argumentos comprobativos do estabelecimento de gregos, phenicios, arabes e chaldeus no Brasil, o illustre conferencista decifrou o modo pratico, ao alcance de todos, as inscripções até hoje encontradas em pedras, no paiz, o que prova que taes gravuras não são obra do acaso, como ainda alguns archeologos têm afirmado”.

É isso mesmo que os senhores leram: O Coronel Bernardo Ramos afirma em seu livro, após muitos estudos que, no Brasil Pré-histórico, os gregos, fenícios, árabes e os caldeus, passaram pelo nosso país, deixando suas impressões em pedras, todas decifradas por ele!  

Prosseguindo a matéria do citado jornal “Com relação ás das Lages e á de Itacoatiara, no nosso Estado, disse que, nas primeiras encontrou os nomes históricos Nebe, Galaad, Belial, Neze, Gaal e Belus escriptos em caracteres phenicios e, em caracteres arabicos, a seguinte maxima: Fortuna rapida dá ruína; na segunda alcançou também a significação das gravuras nellas inscriptas, a qual com a seguinte: Juramos aqui reunidos em grande numero aqui tomamos posse expulsos das delicias â Tingis, salvos dos filhos de Heber. Delicias encontramos nós filhos do vento e do mar.”

O Bernardo Ramos decifrou o que foi encontrado inscrito nas Pedras das Lages (Manaus) e em Pedra Pintada (Itacoatiara), além do alto Rio Negro, basta ler o primeiro livro.

Em 10 de agosto de 2022, o colunista Hiran Reis e Silva, do site “Gente de Opinião”, republicou uma matéria do jornal “O Acadêmico” - Manaos, Segunda-feira, 31 de Dezembro de 1927, chamando o Bernardo Ramos, de “O Champollion Amazonense”:

“O Amazonas, grande em tudo, possui em seu seio uma alta individualidade que uma vez conhecida nos grandes centros científicos, tornar-se-á uma celebridade mundial. Queremos nos referir ao sábio amazonense Coronel Bernardo Ramos, tradutor das inscrições lapidares, não só do Brasil, como de diversas partes do mundo. Pelos estudos do paleógrafo amazonense, ficamos sabendo que muito anterior à Cristo passou pelo nosso Continente uma grande civilização. Entre as decifrações do Brasil, figuram como muito importantes as da Gávea, no Rio de Janeiro, dando notícia da passagem por ali de navegantes fenícios, [887-856 antes da nossa era] e da Pedra Lavrada, na Paraíba do Norte, cuja inscrição em grego antigo datando cerca de mil anos a.C., representa 708 signos, emblemas, astros, constelações, etc. Além disso, o reputado sábio amazonense tem traduzido outras inscrições que se encontram em pedras do Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.”

Em sua homenagem, a antiga Rua São Vicente passou a chamar-se Rua Bernardo Ramos, além do Museu de Numismática levar o seu nome.

Foto Casa do Bernardo Ramos. 2022. José Rocha

Em outubro de 2022, o CETAM e AADC (órgãos do governo do Estado) iniciaram a Revitalização da Casa Bernardo Ramos, situada na Avenida Tarumã. No. 379, centro, para abrigar o Centro Cultural de Gastronomia.

Depois de quase cem anos de sua morte, o Bernardo Ramos ainda é muito lembrado. Um sábio amazonense.

É isso ai.  

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bernardo_de_Azevedo_da_Silva_Ramos

http://museubrasil.org/pt/museu/museu-de-numismatica-bernardo-ramos

https://idd.org.br/iconografia/museu-de-numismatica-bernardo-ramos/

http://www.ipatrimonio.org/manaus-instituto-geografico-e-historico-do-amazonas/#!/map=38329&loc=-3.1338259999999973,-60.029171,17

https://www.gentedeopiniao.com.br/colunista/hiram-reis-e-silva/a-terceira-margem-parte-cdlxviii-bernardo-de-azevedo-da-silva-ramos-1930-o-champollion-amazonense

https://archive.org/details/inscripcoes-e-tradicoes-da-america-prehistorica-especialmente-do-brasil-vol-1/page/98/mode/2up?view=theater

file:///C:/Users/Usuario/Downloads/45000010119_Output.o.pdf




quarta-feira, 5 de outubro de 2022

A ESCADARIA DA RUA TAPAJÓS

 


Quem vem a pé ou de carro e entra numa depressão logo após a Avenida Leonardo Malcher, avista em seguida uma ladeira e ao lado direito uma escadaria que vai até o topo. No dicionário informal “escadaria” significa série de lances de escada separada por patamares onde se pode descansar durante a subida ou a descida. Ela inicia-se em frente a Casa dos Madeira, com um patamar bem em frente ao portão principal da residência. São 13 (treze) lances de escadas, com um total de 10 (dez) metros de comprimento. Acima existe mais um patamar com outro acesso (com um portão pequeno para mais um acesso a moradia dos Madeira). Na década de sessenta esta escada era de madeira, exigindo reparação constantes, pois se deterioravam rapidamente. Na década de setenta, com a ligação viária com a Avenida Leonardo Malcher foi construída uma de cimento armado (que dura até os dias atuais). A partir do terceiro lance de escada encontramos mais 23 (vinte e três) lances de escadas, estas foram bem elaboradas e largas, com 30 (trinta) metros de comprimento. Não sabemos quando foram construídas, presume-se que seja da época do Barão de São Leonardo (1817-1894), um homem riquíssimo que foi 1º. Vice-presidente da Província do Amazonas (1868) e construiu o Palacete de São Leonardo (atual Instituto Benjamin Constant) – ele era dono de todas àquelas áreas, incluindo onde é hoje a Rua Tapajós. Não sabemos ao certo quem o mandou construir, caso tenha sido feita pelo Barão, ela tem mais de 150 anos, mais velha que o Teatro Amazonas (1896, 126 anos em 2022) e a Igreja de São Sebastião (1888, 134 anos em 2022). O total da escadaria é de 36 (trinta e seis) lances de escadas e 3 (três) patamares, num total de 40 (quarenta) metros de comprimento. O estado atual é de total abandono, com muito mato e lixo em toda a sua extensão, além de buracos e pedras soltas, sem contar o muro de pedras que está sujo e pintado (pedra não se pinta!). Preocupado com esta situação de abandono, pensei em revitaliza-la, colocando azulejos em seus degraus, alusão da “Escadaria Selarón”, nos bairros Santa Tereza e Lapa, no Rio de Janeiro. A atriz Socorro Papoula, a sua filha Maíra Dessana e o seu namorado, o arquiteto Bruno, estão abraçando a ideia. O Bruno vai fazer um projeto e entraremos em campo. Caso não recebermos o apoio da Prefeitura de Manaus, o jeito será fazermos feijoadas, bingos e pedir ajuda dos amigos e comunitários para fazermos este trabalho. Primeiro, irei consultar o IPHAN para sabermos se poderemos fazer este trabalho, pois o IBC está tombado pelo Patrimônio Histórico. Fiz um vídeo e já está no Youtube endereço   https://www.youtube.com/watch?v=rkV3TGGlixk

DESTRUIÇÃO DO PLANETA TERRA

 Por José Rocha

 Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1940) surgiu a Guerra Fria (1947-1991), uma disputa entre os Estados Unidos e a União Soviética, chamava-se assim por não ter tido um confronto armado direto, no entanto, essas duas potências começaram a ser armar “até os dentes” com armas nucleares, uma apontada para a outra – passados trinta e três anos, com a Guerra Ucrânia X Rússia (ex-líder da URSS), a Terceira Guerra Mundial pode estar começando, com ameaças de utilização de arsenais nucleares por parte da Rússia, pois novamente os USA estão apoiando a Ucrânia e, ameaçando, também, utiliza-las caso aquele país inicie a sua utilização.

 

Sabemos que, além desses dois países, existem muitos outros com armas nucleares prontas para serem utilizadas em caso de um primeiro país disparar contra outro.

 

Isto é uma realidade e poderá acontecer, talvez não agora, assim espero, mas basta um louco apertar um botão vermelho e colocar em xeque (em risco) a humanidade do planeta Terra.

 

Como existe esta probabilidade de acontecer, alguns países e suas agências espaciais, além de gênios multimilionários e suas empresas voltadas para este setor, já estão em pleno desenvolvimento de foguetes e planos para, num futuro próximo, colonizar o Planeta Marte.

 

Faz alguns anos eu já postava no BLOGDOROCHA essa possibilidade, e, muitos achavam que eu “viajava na maionese” (sem lógica, sem sentido, um absurdo).

 

O que eu pensava antes, continuo com o mesmo pensamento, pois tudo caminha para este fim, senão vejamos:

 

1.   Alguém já falou que dois corpos não podem ficar no mesmo lugar, sendo umas das leis da física. Haverá, num futuro próximo uma superpopulação, ocupando cada metro quadrado da Terra;

2.   Por outro lado, o crescimento populacional se dá numa razão geométrica, demandando mais casas, ruas, urbanização, luz, água, comida, plantações, gados, peixes, frangos etc. Para ocupar esses espaços, quem é o mais fraco que irá ceder? As árvores, as florestas, os recursos naturais;

3.   O planeta terra não cresce e se expande que nem um bolo, o espaço, sim. Não teremos mais espaço e o jeito será ocupar o espaço e outros planetas;

4.   O problema é a mentalidade de poucos, que destroem muito em nome da ganância em obter montanhas de bens materiais, sem ter um mínimo de sentimento com o próximo.

5.   Em nome da ganância e da perpetuação da espécie humana, somos destruidores, por natureza.

6.   As guerras são ocasionadas por vários interesses, mas, na atualidade, são por razões ideológicas, econômicas, espaços cada vez maiores (terra, mar e espaço aéreo);

7.   Esses interesses poderão antecipar a destruição do planeta Terra, mesmo antes de superpopulação.

8.   Creio que viemos de um lugar longínquo do espaço sideral, que foi devastado bilhões de anos atrás (pela ganância e superpovoação) e chegamos a Terra para povoa-la e ficaremos aqui até a sua destruição.

9.   Construímos uma Estação Espacial Internacional, Foguetes cada vez mais potentes e Planos para, no futuro próximo, os poucos sobreviventes do Apocalipse, procurarem viver em Marte ou outro planeta para continuarmos tudo, novamente!

10.              Caso o Planeta Terra não for destruído totalmente, surgirá, novamente, o Homem da Caverna, sem nenhum conhecimento (fogo, roda, plantação etc.), com algumas edificações que acharão que foram feitas por alienígenas (outros humanos que foram morar no espaço sideral, que vez e outra fazem as aparições em momentos e lugares especiais).

11.              E tudo começa, desenvolve, destrói, vai para o espaço, volta e começa um novo ciclo.

 

Alguns poderem estar rindo ou achando que sou louco e/ou tomei vários litrões de cervejas. Nada não, é apenas um momento de reflexão sobre a Destruição do Planeta Terra.

 

É isso ai.

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

VOLTA ROBÉRIO BRAGA!

José Rocha

Blogueiro e Escritor

O Robério pode ter todos os defeitos do mundo, mas é considerado um dos manauaras que mais ama a sua cidade.

Quando está no poder, faz e acontece no centro histórico.

O Largo de São Sebastião é o queridinho dos manauaras, graças ao trabalho incansável do Robério.

A turma da Bica chamava de Roberlândia, com todo respeito, é claro!

Todos esses festivais que acontecem na cidade e no interior, a grande maioria engrandeceu graças ao Robério.

Posso passar a noite e o dia escrevendo sobre as coisas boas do camarada, mesmo descontando os seus defeitos, mesmo assim, o seu saldo positivo será muito grande.

O Wilson Lima irá faturar a reeleição e vai chegar a hora do Robério Braga voltar.

Volta Robério!

 

Roberto Pacheco

Advogado e Assessor Parlamentar

Robério dos Santos Pereira Braga, antes de ser Secretário de Cultura, foi Presidente da antiga Emamtur (Empresa Amazonense de Turismo), no início dos anos 80, na gestão "tampão" do governo Paulo Nery, quando fez uma verdadeira revolução no Carnaval de Manaus, se destacando em todo o país ao divulgar a festa na grande mídia nacional com a finalidade de atrair turistas para a nossa cidade, com destaques nas revistas Isto É - representada pelo saudoso Joaquim Marinho - e pela Veja, então a terceira maior revista do mundo, com 1,350 milhões de assinantes. Lembro que, depois do grande trabalho que fez para alavancar o nosso Carnaval para todo o Brasil, Robério, a convite de alguma autoridade de Recife (não sei ao certo), foi dar uma palestra na Universidade Federal de Pernambuco e, ao chegar no auditório, foi ovacionado pelos universitários - de lá - que já conheciam o seu trabalho. Por cá, nem tanto. Portanto, depois de revolucionar o nosso Carnaval, o Festival de Ópera foi uma consequência do seu talento para criar, inovar e produzir cultura. É bom frisar que Robério só ficou por seis meses à frente da Emamtur e se destacou em nível nacional. Por outro lado, é sempre bom lembrar que, ao assumir a Secretaria de Cultura, quando se destacou internacionalmente, Robério adotou nossos escritores, compositores e cantores ao financiar edições de livros e gravações de CDs para os novos talentos. Assim, podemos afirmar que a cultura amazonense (incluindo aí o Carnaval, evidentemente) tem duas fases: antes e depois de Robério. Para finalizar, lembro ainda que Robério, além de advogado, é historiador, escritor, foi vereador de Manaus e é considerado, por grande parte dos nossos intelectuais, um dos maiores oradores que já passaram pela plateia do Amazonas. 

Parabéns pela lembrança meu amigo Jose Rocha. Agora, resta à história cumprir a sua parte.


sábado, 10 de setembro de 2022

MANA MANAUS


Meu nome de batismo é José Martins Soares, conhecido por muitos por José Rocha, apelido herdado de meu pai, o saudoso luthier José Rocha (Rochinha), um   cearense que veio para Manaus ainda muito jovem, famoso por construir e consertar instrumentos de corda, entre os quais o violão, conquistando fama além-fronteiras.
        Nasci no Hospital da Santa Casa de Misericórdia, vivendo os primeiros dias com meus pais e meus irmãos mais velhos num “flutuante” no Igarapé de Manaus. Aos doze anos de idade fui morar com a minha família na Vila Paraíso, na Avenida Getúlio Vargas.   Casei em 1980 fixando residência no Conjunto dos Jornalistas, depois de separado voltei ao centro da cidade.
        Dentre algumas conquistas, a colocação de grau no curso de Administração de Empresas pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e apesar das vicissitudes, a alegria de manter em todos esses longos tempos, um grande número de amigos fraternos e também de desfrutar da companhia e do carinho dos três filhos e dos três netos que Deus me presenteou.
        Sou um sessentão, gosto de caminhar pela minha cidade Manaus, senti-la, fotografá-la e acompanhar a sua evolução, fazendo postagens nas mídias sociais, principalmente sobre a sua história,     o seu povo e a cultura.  Este livro foi fruto de publicações no BLOGDOROCHA    do qual sou editor desde 2006, no sitio 
www.jmartinsrocha.blogspot.com.     Conto com um farto material recolhido de livros de autores amazonenses, pesquisas em jornais antigos e de mídias sociais.    Não sou historiador, apenas um memorialista, procurando sempre colocar nos textos meus sentimentos e  minha saudade da antiga Manaus.     Mana é como os manauaras se tratam uns com os outros, constituindo-se na maior família do planeta. Isto é cultural.      Manaus a nossa cidade, significando em tupi “A Mãe dos Deuses”. Somos seus filhos, por isso todos os manauaras são irmãos. O saudoso jornalista manauara Inácio Oliveira escreveu artigos e poemas com o título Mana Manaus.  O poeta amazonense Chico da Silva compôs e gravou a toada Mana mana Manaus, para demonstrar o seu amor a cidade que o acolheu como seu legítimo filho.   O livro é dedicado a ela,  a nossa Mana Manaus.

Mana mana Manaus
No coração da hiléia
Tu és soberana cidade matriz
O rio Negro teu ciúme, teu costume
Abraça forte teu terraço fluvial
O rio Amazonas viageiro te paquera
Nesse manto florestal
Vila da Barra, tu és monumental
Entalhada pelos teus igarapés
Mana Manaus
Bela arte manauara
Os teus palácios, o teatro, a catedral
A relumear, sob o céu da Amazônia
Os teus poetas, tuas danças e bumbás
Mana manô
Minha fada, meu conto de amor
O orgulho e encanto do amazonense
Chico da Silva


 

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

FORRÓ DA MARIA BELÉM


Dona Maria Belém era uma senhora que veio com a família do interior do Pará. Tornou-se uma mulher festeira e, por isso, foi considerada uma referência no quesito diversão, com muito forró em sua residência, situada no igarapé de Manaus. Apesar de os paraenses gostarem muito do Carimbó, tipo de dança de roda, originário da cidade de Marapanim (PA), a Maria Belém adotou o forró, o famoso arrasta-pé, música originalmente instrumental, parente do baião, porém com andamento mais acelerado, muito apreciada no nordeste, principalmente no Ceará. Ela foi influenciada por famílias de nordestinos que migraram para a Amazônia, na época “dos soldados da borracha”, na coleta do látex para os esforços de guerra (Segunda Grande Guerra Mundial).
Morava numa grande casa-flutuante ancorada na Rua Ipixuna, no igarapé de Manaus, ao lado do “Edifício do Homem de Brasília”. Sua casa tinha uma distribuição interior igual as dos caboclos ribeirinhos da Amazônia, feita de madeira, com um grande salão, pequeno quarto, cozinha com jirau (espécie de pia), banheiro e privada juntos, casa com duas portas, uma na frente e outra nos fundos, além de várias janelas laterais. Enfim, coberta de palha, sem água encanada, nem luz elétrica.
Nas sextas-feiras e sábados, sua residência era transformada num grande salão de danças. Os músicos que se apresentavam eram originários da Banda da Polícia Militar, das Pastorinhas da Rua Major Gabriel e de alguns moradores que tocavam instrumentos de sopro, advindo das ruas do entorno do Igarapé de Manaus. A entrada era gratuita: bastava apenas ter fôlego para dançar até o sol raiar e gogó de aço para entornar bastante batida de Cocal.
Eu e meus irmãos e outros moleques, que moravam no entorno da casa, podiam entrar para apreciar a festa desde que ficassem comportados. Mas eram logo expulsos, pois aprontavam muito, como ficar o tempo todo chupando limão bem na frente dos músicos de metais, que os deixavam com a boca cheia d água, impedindo-os de soprarem o saxofone e o clarinete. Eu sempre dava um jeito de retornar a casa, pois gostava de ver os mais velhos dançando e bebendo uma batida de limão, um tipo de ponche feito numa grande panela de alumínio, com muitas garrafas de Cocal (cachaça originária do Pará). O pessoal tomava a batida num caneco de alumínio, soldado em uma haste, o mesmo que era utilizado para tomar água de pote de barro. Eu saía da festa somente quando sentia que o clima estava ficando tenso. Quando os frequentadores começavam a ficar bêbados e a soltar impropérios uns contra os outros, as brigas eram inevitáveis. A iluminação era realizada à base de lamparinas (feitas de metal, com um pavio e querosene) e algumas vezes os mais afoitos apagavam a chama, aproveitando a escuridão para pegar nos seios de alguma cabocla ou dar um acocho numa vizinha.
Todo final de semana era assim: na hora da briga, muitos pulavam pelas janelas dentro do rio (quando o rio estava cheio) e os músicos corriam em debandada juntamente com a mulherada. Numa dessas brigas, o flutuante começou a tremer, uma lamparina caiu dentro da panela de batida, quando entrou em ação a turma do “deixa disso”. Ânimos acalmados, todos voltaram ao forró da Maria Belém. Quando foram reiniciar os trabalhos, a cachaça estava com gosto esquisita. Dona Maria Belém meteu a mão dentro da panela, de lá tirou a lamparina e a jogou pela janela, mostrando aos gritos um terçado tipo facão:
– E aí cambada de valentões, ordinários, não vão mais encarar a minha batida de limão?
– Até que dá para tomar, mesmo com este gosto escroto de querosene! - argumentou um deles.
Dona Maria procurou amenizar a situação:
– Tá bom! Podem beber e dançar novamente, mas se começarem a brigar de novo vou acabar na hora com a porra desta festa e botar todo mundo prá correr!
Durante anos foi sempre assim: muita dança, batida de limão e brigas no Forró da Maria Belém.
Fonte: Livro E-book "O Igarapé de Manaus, Jose Rocha"

VIAJAR NO TEMPO E NO ESPAÇO

 Meus amigos, confesso a vocês que, em tempos idos eu era um “rato de biblioteca”, lendo livros de autores amazonenses, dissertações de alunos das nossas universidades, leitor voraz de revistas antigas e  um apaixonado por “papeis amarelados”, no entanto, passados alguns tempos depois fiquei decepcionado, não pela tara por livros e jornais antigos, mas, por sentir que um grande público não está nem ai por o que escrevi e/ou escrevo no meu diário eletrônica (blog), muito menos pelos meus livros no formato e-book e pelo meu primeiro na forma impressa. Certa vez, o livreiro Celestino falou: - Amigo Rocha, você acabou de publicar um livro, isto é para poucos, mas, com todo respeito tens uma guarda-roupa de quatro maleiros? Respondi-lhe com toda inocência: - Não entendi! Respondeu: - Rocha, o escritor somente vende o seu livro no lançamento, o que sobrou fica guardado no armário, pois ninguém irá compra-lo, salvo raras exceções! Passado uns meses depois, consegui através de amizade colocar trinta livros nas bibliotecas do Estado do Amazonas e algumas venda esparsas. O meu armário de quatro maleiros estava lotava de livros quando resolvi descarta-los, fazendo doações para quem eu achava que um dia iria lê-lo. Sei, não. Quando sobraram vinte exemplares, resolvi fazer uma campanha nas mídias sociais para venda dos vinte últimos. Vendi somente um para o meu amigo Eduardo Braga. Tomei uma decisão: continuarei escrevendo “certo por linhas tortas” e lançando mais livros no futuro, mesmo sabendo que somente poucos irão compra-los e lê-los. Graças ao meu bom Deus não dependo da venda de livros para sobreviver. No entanto, irei continuar escrevendo, pois é o meu destino ser escritor, mesmo não sendo lido. Para vocês terem uma ideia já escrevi uns cinco ou mais e-book na famosa Amazon.com, mas até agora nada na conta do amazonense. Brincadeiras a parte, quero falar a vocês que não sei tocar, cantar, vender, declamar poesias, pintar um quadro, ser um político influente, fazer fortunas, roubar, ludibriar, mas, somente escrever e, quem sabe um dia ser um escritor famoso em Manaus, disponibilizando livros para vocês viajarem no tempo e no espaço. É isso ai.   

terça-feira, 6 de setembro de 2022

PASSO A PAÇO

 PASSO A PAÇO

Este projeto da Prefeitura de Manaus está na sua sétima edição, como uma forma de resgate, do centro histórico de Manaus, buscando através de atrações musicais locais e nacionais, gastronomia e culturais, incutir no povo manauara a autoestima e valorização de sua cidade, exatamente no local onde ela nasceu e se desenvolveu – é um projeto caríssimo para o cofre público municipal, no entanto, acho muito importante para a valorização e amor à nossa cidade, apesar dos pesares.

O projeto é assim chamado (assim acho) por concentrar todas as atividades num local onde o povo poderá curtir vários ambientes andando (passo) partindo do Paço (antigo Palácio do Governo).

A cidade de Manaus é tão pequena em relação ao Estado do Amazonas, no entanto, ela é tão populosa que se tornou uma Cidade-Estado, englobando a Região Metropolitana de Manaus, onde os nossos munícipios vizinhos serão todos no futuro abarcados por Manaus.

Por ser morador antigo do centro da cidade Manaus, resolvi, hoje, caminhar até o Paço no início da tarde, muito antes dos shows e eventos do último dia.

Ontem, fui barrado no baile, pois gosto de samba, suor e cerveja, mas não deu para quem quis: cerca de dez mil pessoas ficaram de fora!

Hoje, a programação será para “os santos”  - àqueles que irão direto para o céu, no caso os evangélicos e os católicos apostólicos e romanos – será o show “gospel” bem ao gosto do Prefeito evangélico, pois os dois dias anteriores foram para “os pecadores” e “não cristãos” que irão direto para o inferno. Cruz, credo!

Partindo da Rua Tapajós, toda asfaltada – está uma belezura – passei pelo Largo de São Sebastião – uma beleza pura – ao adentrar a Rua Barroso, a coisa toda mudou de feição.

Apressei os meu “Passo” para chegar no “Paço”: a rua está toda esburacada, sujeira total, fedentina de esgotos sanitários jorrando pelas sarjetas, o Castelinho fechado, a Casa Dos Estudantes da UFAM fechado e abandonado, bueiros sem tampa, a Caixa Econômica Federal com tapumes e nunca termina a reforma do prédio, até a Bemol pegou o beco – apesar dos pesares ainda existem alguns prédios bem conservados pelos seus donos – por sinal, a Biblioteca Pública salva tudo!

Pois bem, continuei com o “Passo” até o “Paço”, discai até a Praça da Polícia, uma vergonha! Abandonada, depredada e sem manutenção. Alguns locais fedem a urina, pois não possui nenhum mictório público naquele local e em todo o centro da cidade. Isto é um absurdo!

Apressei o meu “Passo” para chegar logo ao “Paço”, mas tive de parar na Avenida Sete de Setembro com a Eduardo Ribeiro, um buraco enorme está lá, herança do ex-prefeito Artur Neto. Como é que pode! O prefeito atual já está dois anos no poder e nada fez para tampar aquele buraco do Arthur! 

No “Passo” até o “Paço” a coitada da Avenida Sete de Setembro está abandonada! As fotografias valem por mil palavras! Deu pena em ver uma belíssima obra do ARQUITETO (em letras maiúsculas) Severiano Mário Porto (antigo BASA) totalmente abandonado!

Tudo mudou quando cheguei no “Paço”! Graças A Deus! O meu “Passo” já estava cansado e decepcionado. Pois bem, tudo limpinho, organizado, segurança “saindo pelo ladrão” – passei por vários palcos, onde estavam “passando o som”, coisa de primeiro mundo!

Segundo o atual prefeito, os empreendedores faturaram alto (de três a trinta mil por noite!) – passei pela Rua Mauá, reduto dos boêmios e mulheres de programa – vi dezenas delas todas sorrindo com a vida, acho que o faturamento, ontem, foi alto, hoje, será zero, pois o pessoal gospel “não pula muro” ou pula? Sei, lá! 

O pessoal das barracas de cervejas e cachaças mudaram o estoque para “água mineral”, pois o “capeta” não vai ter saída – ou vai? Sei, lá!

Não sou contra o evento, muito pelo contrário, sou totalmente a favor, no entanto, no próximo ano, o prefeito têm o dever de consertar o “Passo”, pois para termos uma ideia dos milhões gastos em 2022, somente com os cachês dos artistas de renome nacional dava e sobrava para “tampar o buraco do Arthur” e muito mais!

É isso aí.