sábado, 23 de julho de 2016

AS LUZES DA MINHA CIDADE

                         
Na minha infância, em Manaus, a cidade era muita escura, em decorrência da deficiência da iluminação pública - chegando a adolescência, comecei a admirar as luzes distantes da Cidade Alta (Bairro de Educandos) - na vida adulta, acompanhei o crescimento vertiginoso da cidade, com luminosidades diversas – atualmente, tenho a oportunidade de presenciar o nascer e o pôr do Sol, as fases da Lua e as luzinhas das residências distantes da zona leste da cidade.

No início da década de sessenta, a cidade de Manaus ainda se ressentia dos estragos causados pela Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e pelo marasmo econômico, vivendo numa imensa escuridão, compensada, em parte, com a oportunidade de apreciar um luar e o brilho incandescente dos astros luminosos.

Na minha tenra idade, tinha uma fascinação pelo fulgor das velas, lamparinas, lampião, aladim e das lâmpadas fosforescentes; do brilho das telas dos cinemas Guarany e Polytheama; das fogueiras juninas, além da Lua e das estrelas – como a minha cidade era escura, essas luzes compensavam.

Morávamos no Igarapé de Manaus e, nas sextas-feiras, o meus pais gostavam de visitar, pela parte da noite, um amigo da família, o Abdias (um amolador de facas que trabalhava no Mercado Adolpho Lisboa), ele morava com a sua família no bairro de Santa Luzia – íamos a pé pelas pontes romanas (Primeira, Segunda e Ponte de Ferro) da Avenida da Sete de Setembro.

No trajeto, eu ficava admirando os luzidios distantes, emitidos pelos flutuantes (casas sobre toras de madeiras) dos igarapés e do Rio Negro e pelas residências da conhecida Cidade Alta (o bairro de Educandos, por ter uma topografia elevada, era assim conhecido) – aproveitava para olhar o céu estrelado (coisas de poeta, apesar de não sê-lo).

Acompanhei o crescimento vertiginoso da cidade, em decorrência da implantação da Zona Franca de Manaus – atraindo os interioranos e gente de outras plagas – elevando o desenvolvimento econômico da cidade – voltando a brilhar a cidade, em decorrência da iluminação publica; das casas; do comércio; das indústrias e dos centros de compras.

Com o progresso vieram a tiracolo as mazelas sociais e, com tantas luzes em minha cidade, não foi mais possível apreciar uma noite enluarada, como antigamente.

Já fui um notívago inveterado (nos finais de semana), sempre a procura dos bares, das praças, das donzelas e, das luzes da minha cidade, não para aparecer, mas, para aprecia-las.

Depois de longos anos morando e, curtindo as luzes do centro da minha cidade, resolvi debandar para bem longe, onde pude ter o prazer e a felicidade de ver, novamente, o nascer e o pôr do Sol, o luar e as luzinhas distantes das casas da zona leste – uma curtição que me leva a minha distante juventude, lembrando os luzidios da antiga Cidade Alta.

Recentemente, tive a felicidade de ler uma matéria jornalística, na qual um empresário do ramo do turismo está proporcionando um maravilhoso passeio noturno, saindo da desembocadura do Tarumã até o Encontro das Águas, onde os turistas e os manauaras podem apreciar na cheia do Rio Negro, as cores brilhantes e belas das luzes da minha cidade.


Muito bom lembrar e escrever sobre Manaus - apesar de tudo de ruim que fizeram (e ainda fazem) com ela – mesmo assim, continuo amando e respeitando as luzes da minha cidade. É isso ai. 

domingo, 10 de julho de 2016

PROMESSAS DE POLÍTICOS EM CAMPANHA


O eleitor deve votar, conscientemente, no melhor candidato - naquele que possui, a priori, uma boa formação acadêmica e humana e, com propostas viáveis para o bem estar da sociedade - não deve utilizar o sagrado voto como moeda de trocas, baseando-se, simplesmente, nas promessas de ajuda pessoal do político - essa é a regra geral - no entanto, se houver compromissos firmados em campanha, o pretendente ficará marcado com o dever moral de cumprir com a sua palavra - essa é a exceção à regra.

Conheço inúmeros casos, na qual o eleitor iludido caiu na lábia do político que prometeu “mundos e fundos” e, depois de eleito, fugiu, pegou o beco e escafedeu-se - sendo blindado pelos “aspone” (assessores de porra nenhuma) dos eleitores “chatos” (para o político, todo eleitor é um chato depois da eleição), pois alguns cobram dentro dos gabinetes o que fora prometido a eles em campanha.

Sou totalmente contra votar com base em promessas de candidato, mas, caso o caboco prometa, deve cumprir a sua palavra, custe o que custar!

Outra coisa: está chegando as eleições para prefeito e vereadores -  a hora da “onça beber água” (onde o político se humilha e se ajoelha perante ao Rei, o eleitor), com o dever de cumprir com as promessas do passado (não compridas) e,  prometer (mentir, novamente) para o futuro.

Muitos candidatos eleitos, que passaram quatros anos fechados em seus ricos gabinetes, terão de suar a camisa, batalhar feito um doido para renovar o seu mandado, pois a grana está minguada (sem a doação de pessoas jurídicas) – no tempo da vaca gorda, muitos não cumpriam com as promessas, imaginem agora!

Tenho um amigo, o Danilo Gomes, morador e pequeno comerciante do bairro da Redenção, ele caiu no papo furado de um deputado estadual – logo após a eleição, esse político foi até a casa do Danilão, para agradecer aos votos obtidos na comunidade.

Pois bem, como estava próximo ao “Dia das Crianças”, ele prometeu doar “mil contos” (do vigário, é claro!) para bancar parte da festa que, tradicionalmente, é realizada naquele bairro – foi procurado no dia anterior para liberar a “babita”, mas, o “potoqueiro” simplesmente esqueceu o que tinha prometido, deixando o Danilão em “maus lençóis”, pois teve que tirar a grana do próprio bolso para pagar o aluguel dos “pula-pulas”.

O Danilão já foi umas duas dezenas de vezes ao gabinete desse político para tentar receber a sua grana, sendo ressarcido apenas de trezentos reais – para ter uma ideia, ele já gastou mais de quatrocentos reais de táxi nas idas e vindas da cobrança - pensem numa “fuleiragem” desse arremedo de parlamentar.

Mudando de “pau para cavaco”: em campanhas passadas, o então governador do Amazonas, o Amazonino Mendes (alguns pronunciam Amazonino Mente) estava na Zona Leste de Manaus, em plena campanha para a sua reeleição – o pessoal pedia de tudo: telhas de barro e de zinco, cimento, pererecas (dentaduras), tábuas de madeira, uniformes de futebol, cadeiras de roda, ranchos e “o escambau a quatro”.

Logo após um pedido do eleitor, o Amazonino gritava:

- Anota ai, secretário!

Depois de centenas de solicitações, o “secreta” falou:

- Governador, o caderno está até o toco, cheio de pedidos, o que devo fazer?

- Rasga essa porra, joga fora, pega outro caderno e começa anotar tudo novamente, caralho! – rindo da cara dos otários.

Em seguida, chegou um negão de quase dois metros de altura, fazendo um pedido inusitado:

- Governador, a minha nega velha está buchuda no balde, tenho que casar de qualquer forma, consegue um par de alianças de ouro pra gente!

- Deixa comigo, mermão, anota ai, secretário! – dando a resposta de sempre.

Na hora do discurso do governador, o negão era só cobrador:

- Amazonino! – gritava e fazia aquele sinal imoral, com os dois dedos em forma de “O” da mão direita, metendo dentro do dedo do “cotoco” da outra mão.

- Negão! – continuou gritando e, gesticulando.

- Mazoca – idem.

- Caboco! - idem.

O Amazonino ficou invocado, deu uma parada e chamou o aspone:

- Secretário, dá uma olhada ai no caderno de pedidos, verifica se eu prometi dar o toba pra aquele negão!

- Não é isso não, governador! Ele quer apenas um par de alianças! – respondeu quase rindo.

- Dá logo essa porra, caralho! – respondeu babando de raiva.


É isso mesmo, existe politico que promete dar tudo, inclusive, o próprio “fiofió” – prometeu, tem que cumprir a palavra! É isso ai

terça-feira, 5 de julho de 2016

CANTO DO FUXICO DO BAR CALDEIRA


No Bar Caldeira, boteco tradicional do centro antigo de Manaus, existe um poste bem na esquina das ruas José Clemente e Lobo D´Almada, onde os manauaras da gema gostam de se reunir, para beber e jogar conversa fora – o local está sendo chamada, na brincadeira, por “Canto do Fuxico”, uma alusão a um antigo ponto de encontro que ficava nas esquinas da Rua Henrique Martins e da Avenida Eduardo Ribeiro, onde povo se encontrava para falar sobre política, futebol e assuntos relevantes da cidade.

Pois bem, o nosso atual Canto do Fuxico, fica num local estratégico, onde é possível assistir ao mesmo tempo uma partida de futebol pela televisão, acessar a internet via WiFi grátis, assistir as apresentações das bandas e cantores, além de ter uma visão de todo o ambiente – sendo possível saber quem chegou e saiu, ou, desceu para o strip-tease ou foi direto para o Xavante Motel.


O local é muito frequentado por jovens manauaras e amazônidas (que vive na Amazônia), pela velha guarda caldeirense e por turistas nacionais e estrangeiros - por ter sido o bar preferido do cantor e compositor Vinicius de Moraes, em Manaus, os cariocas frequentam em peso o local.

O manauara não é bairrista (defensor ferrenho da sua terra) como é o belenense (natural de Belém, Pará), porém, não abrimos mão de uma boa rodada de conversa onde somente é bem vindo quem é da nossa terra, pois gostamos de lembrar a nossa infância, da nossa Manaus antiga e falar o nosso amazonês.

Pois bem, todas as vezes que vou ao Bar Caldeira, gosto de ficar exatamente no Canto do Fuxico, onde me sinto mais a vontade com os meus confrades – por sermos, na grande maioria, descendentes de nordestinos e caboclos, falamos muito alto e gostamos de contar piadas, beber, ouvir musica e, também, de futricar!

Domingo passado estive lá, onde encontrei os meus irmãos Henrique e Rocha Filho (os irmãos Rocha batem o ponto direto), colegas e amigos de infância, dentre eles, o Buriti do TRT, Julinho da Receita, Carlão da Infraero, Neto do Pandeiro (Boto Tucuxi), Prima Clara, Saci da Pareca, Advogado Barrão & Junior Tapinha, Delegada Graça, Roberto Paraense (esse já é amazonense), Beth Balanço (dublê de cantora), Cantora Celestina, Cantora Nazaré, Cantora Kátia Maria, Jumara Paulista (outra amazonense do coração), dentre outros.

Para não fugir a regra do Canto do Fuxico, quando o meu irmão Rocha Filho chegou, alguém gritou: - Olha o Cão ai, gente!  - ele é assim conhecido por gostar de chamar os colegas de Cão, uma alusão ao capeta das antigas pastorinhas do Luso Clube.

Nessa, o Julinho da Receita começou a falar sobre os tempos bons do Luso, comentou sobre uma passagem engraçada do José Azevedo (dono das lojas TV Lar), onde fazia uma encenação da Paixão Cristo, carregando uma cruz da porta até o palco de apresentação, o gajo tinha como algoz outro patrício, que representava um soldado romano, este aproveitou para dar umas chicotadas "dos vera" (de verdade) no Azevedo e, ainda, ensaiou dar-lhe uma cusparada na cara, o que levou os dois fazerem a maior confusão dentro do teatro, com direito a palavrões e empurra-empurra, acabando com a peça teatral logo no início.

O Julinho estava inspirado nesse dia – falou sobre as brincadeiras de boi de pano que aconteciam na Rua Tapajós, nas quadrilhas da Avenida Getúlio Vargas (em frente à Casa Aroeira), onde gostava de fazer versos provocantes para a Suely (irmã do Lapinha e do Lapão, capetas do Luso).

A nossa mesa estava a Clara, uma amiga de longos tempos, o Julinho pediu para ser apresentado, falei-lhe que era a minha Prima Clara – quando ela falou que “primo não pode pegar prima!”, o Julinho ficou todo assanhado e, se lembrou de uma prima do Boanerges (o Boa, um amigo nosso de infância), contando um causo:

- Certa vez, ela foi rainha da bateria do Morro da Liberdade – por ser uma negona com um corpo escultural, todo mundo estava dando em cima da Globeleza, porém, o Boa não deixava ninguém chegar perto: - Essa aqui é minha prima e ninguém vai levar a negona! – falando cheio de moral. Lá pelas tantas, chega uma mulher com cara de Sargentona, leva um papo maneiro e leva a prima do Boa, deixando todo mundo na mão e babando de raiva!

O Carlão da Infraero (um sexagenário), morador antigo da Rua Tapajós, por ser altão e bonitão, era o cara que namorava todas as mulheres bonitas da comunidade, não tinha pra ninguém! Nesse dia, falou que estava pegando um filézinho de quinze anos, todos o chamaram de pedófilo, mas, em seguida, emendou essa: - Ela tem quinze anos é de APOSENTADA! Todos riram e, passaram a chamá-lo de vovodófilo!

O Saci da Pareca estava forrado (cheio da grana), estava em plena bonança (semana do recebimento de sua aposentadoria) – almoçou do bom e do melhor, tomou umas cevadas e foi dar um rolé no Bar Jangadeiro (para saber notícias da saúde do Abelha), prometendo voltar depois para tocar o seu tamborim & cia – nesse intervalo chega a namorada dele, uma coroa que aparece somente quando ele está com a “baba” nos bolsos – um prato cheio para a negada do Canto do Fuxico começar a fofocar.

De minha parte, contei umas piadas imorais, dei muitas gargalhadas, contei alguns causos do Manoelzinho Batera e da sua amada Neide – estava alegre que nem “pinto na merda”, apesar de não ter ingerido nenhuma bebida alcoólica – “peguei o beco” antes das quatro da tarde – por ter estado no Canto do Fuxico, alguém deve ter falado que eu estava com a “firma trincada” por não ter bebido.



Esse foi apenas um pequeno exemplo dos papos que acontecem no Canto do Fuxico, onde a tristeza não encontra guarida, um bom lugar de encontro dos manauaras no Bar Caldeira. É isso ai.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

PROPAGANDAS COMERCIAIS NOS JORNAIS DE MANAUS – 60 ANOS ATRÁS



SALVE! 1956 SALVE! No Alvorecer deste Ano Novo, almejamos as autoridades constituídas, aos nossos fregueses e ao povo em geral, prosperidades e progresso. Jornal do Comercio;



      CASA 22 PAULISTA – Uma bicicleta inglesa para Neiry das Graças Alves Lima, vitoriosa do “Concurso Papai Noel”. Um júri composto de jornalistas e radialistas resolveu proclamar a “Cartinha a Papai Noel” de autoria da linda menina Neyri – é uma linda criança, filha de operários, residente no bairro proletário de Santa Luzia – à Rua Trabalhista no. 16 – Papai Noel do “22 PAULISTA”, fará a entrega hoje, a criança vitoriosa, de uma linda bicicleta inglesa, levando a sua residência – VAMOS TODOS AMANHÃ, COMPRAR NA CASA DO POVO “22 PAULISTA”;

      TIJUCA CLUBE – QUADRA CARNAVALESCA – 1º. GRITO DE CARNAVAL
DIA 07 DE FEVEREIRO DE 1956 – POIS É...FALARAM TANTO - DIA 12 DE FEVEREIRO DE 1956 – FESTA DO BROTO - DIA 14 DE FEVEREIRO DE 1956 – INFANTIL. TRAJE:  Esporte e Fantasia. NOTA: Não é permitido camisa de meia;

GRÊMIO SOCIAL BARELISTA – 1º. GRITO DE CARNAVAL – DIA 7 – 1 – 1956
O Grêmio Social Barelista realizará, no próximo dia 7 de janeiro, na sede do Nacional Fast Clube, à Rua 24 de Maio, 241, seu Primeiro Grito de Carnaval, para o qual convida todos os Barelistas, Fastianos e Exmas. Famílias. Início: 22 horas. Traje: Esporte ou Fantasia Decente. Ingresso: Recibo n.1  para os sócios do Grêmio e do Fast. Reservas de Mesas: Todos os dias na Gerência do Jornal do Comercio, com a Srta. Vanderlise de Paula ou Daniel Gomes;



       GRANDE CONCURSO DE INDÚSTRIA E COMÉRCIO – 1955 – DIPLOMA DE HONRA
Os habitantes de Manaus, por votação popular, em reconhecimento e estimulo, favorecem o primeiro lugar a FÁBRICA DE REFRIGERANTES ANDRADE – no Grande Concurso de Indústria e Comércio realizado nesta Cidade e, publicado na imprensa local, em virtude e honra ao mérito, o Jurado examinador lhe outorga este Diploma. Manaus, 22 de Março de 1956;



      GARAGE RIO NEGRO – EMPREZA DE AUTOMÓVEIS – DE – ANTONIO LOPES
Autos nos. 311 – 312 – 313 – 314 – 315 – 316 e 484. CHAMADAS A QUALQUER HORA DO DIA OU DA NOITE – ESCRITÓRIO:  AVENIDA EDUARDO RIBEIRO – JUNTO AO LEÃO DE OURO – FONE: 11-17 – MANAUS – AMAZONAS – BRASIL;



 Manaus Harbour Ltda. – Concessionária do Porto de Manaus, uma soberba realização do gênio criador inglês – Uma organização que se impôs à confiança pública e pela perfeição dos seus serviços, impulsionando constantemente o progresso do Estado.
No alvorecer deste Ano Novo, desejamos as autoridades constituídas, aos nossos fregueses e ao povo em geral, prosperidades e progresso;




      CASA CRUZ – de CRUZ & CIA. LTDA. – (O Vascaíno no. 1 de Manaus) – IMPORTADORES – Rua Miranda Leão, 161 – Telefone: 21-45 – Manaus – Amazonas – Brasil;



      Fábrica Francfort Ltda. – Casa especializada em massas alimentícias, panificação, torrefação de café, biscoitos e estivas em geral – Avenida Joaquim Nabuco, 732 – Fone: 17-23 – Manaus – Amazonas – Brasil;



      1955 – 1956 – Caixa de Pensões e Aposentadorias dos Despachantes do Amazonas E O Sindicato dos Despachantes do Amazonas – formando o elo fraternal e constante da felicidade comum, saúda aos seus associados, augurando-lhes em harmonia construtiva no advento do ANO NOVO, a reconquista dos interesses múltiplos. Partilhando, ainda, do imensurável regozijo que acoberta seus sagrados destinos, asseguram,  como sempre souberam pautar,  prosseguir, fiel e invencivelmente, na tarefa perene que outrora manifestaram travar, em prol dessa vitória.
MANAUS – AMAZONAS – BRASIL;

   


 FLAGRANTES AUDACIOSOS – Lovely Vicky (foto) é quem demonstra o último tipo de máquinas para fotografia submarina, na Feira Britânica de Fotos. Bem manejada, a câmera, dentro de uma caixa de dois ciclos, é capaz de registrar flagrantes tão audaciosos como o que foi tomado de “Miss” Lovely;



CAMIONETA DE DISTRIBUIÇÃO VOLKSWAGEM MODELO 1956
Essa fotografia foi tirada do Jornal A Critica, edição de janeiro de 1956, arquivo da Biblioteca Pública do Amazonas, ou seja, sessenta anos atrás. Era distribuído pela COMARSA – Comércio de Máquinas e Representações S.A. – a época ficava na Rua Miranda Leão, 154/160. Esse modelo versão Kombi Pick-up foi lançado, em 1950, na Alemanha e inicio das vendas no Brasil, eram importadas pela Brasmotor – em 1953 começou a ser montada no Brasil com as peças importadas (sistema CKD), como motor 1200cc de 36cv - saiu de linha em 2000.


CENTRAL DE FERRAGENS S/A.




É isso ai.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

KUMURÔ

    

Algumas pessoas podem acreditar que essa palavra é oriental, mas talvez não seja – caso tivéssemos conservado a nossa língua mater da região amazônica, o tupi, saberíamos o seu significado de imediato – vamos aproveitar a dica do livro homônimo kumurô, do Instituto Socioambiental e Fed. Das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN).

Os povos indígenas(Tukanos) que habitam o Rio Tiquié, no Alto Rio Negro, no Estado do Amazonas, são os especialistas em kumurô – não é encontrada nada igual fora dessa região, funciona como um distintivo étnico.

Diz a lenda: UmukuNeku, o avô do universo, sentou-se num banco de quartzo, comendo ipadu e fumando, pensava em como faria para criar o mundo e a humanidade, os animais, as terras e as águas.

Hoje, esculpido em madeira, o banco tukano é assento do Kumu, o benzedor – tornou-se, também, um objeto de artesanato, para trocas e presentes para cunhados e sogros de outras etnias e vendido para o mundo todo.

Na língua tupi, Kumurô significa:Kumu = Santo e, = Lugar èLugar de Santo, também conhecido como Banco Tukano.

O Kumurô é um banco de assento, constituindo-se em um objeto cerimonial para o povo tukano, feitos exclusivamente pelos homens dessa etnia.

É uma peça esculpida por inteiro em madeira, sem emendas ou encaixes, com grafismos impresso – o assento é uma plataforma côncava, apoiada sobre pés a quinze centímetros do chão.

Existem três tipos:

1.   PikôseKumurô = Banco Pássaro-Tesoura – possui a estrutura de apoio inteiriça;
2.   WekuSori = Canela de Anta – com pés curvos;
3.  Existe um banco maior, com quatro palmos, destinado ao Mestre de Cerimônia, o Baya.

O grafismo do centro do assento é o desenho do couro de paca (SemeHori).

Os tucanos utilizam as seguintes madeiras para fabricação do banco: Sorva, Sorvinha, Pacarrão e Molongó – uma árvore abatida é possível fazer uns vinte bancos – como são encontradas bem longe da maloca, são cortadas em vários pedados, tirados a casca e transportadas por duas pessoas – são mantidas dentro d’água para não escurecer.

Eles casam com mulheres de outras etnias, quando vão fazer visitas aos seus parentes distantes, abatem as árvores daquela região para fazer os bancos e presenteá-los, conservando as do seu território.

Utilizam, basicamente, três tipos de ferramentas: dois tipos de enxó (sioga e patekaha), uma machadinha (komekumupaweka), terçados, formões, lima de cabo, plainas, facas e outras.

Para a pintura, usam um fixador (resina de árvores), um corante (urucu ou carajuru) e argila com água - um pincel de espigueta de capim e carimbos de arumã dobrado – sobre o fundo vermelho é desenhado um motivo trançado.

Grafismo: os padrões mudam pouco, com trançado de tipiti- possuem diversos significados dentro do ritual, com o desenho do corpo de uma cobra, a Cobra Canoa de Transformação, que transportou a primeira humanidade em seu bojo.

“O BANCO ONDE OS HOMENS TUKANO SE SENTAM, ESCULPIDO A PARTIR DE UM ÚNICO BLOCO DE MADEIRA. É SÍMBOLO DE ESTABILIDADE E SABEDORIA, OFERECE DESCANSO FÍSICO AO CORPO E CONCENTRAÇÃO À MENTE. DIZEM QUE O HOMEM DESAJUIZADO NÃO SABE SE SENTAR, NÃO POSSUI UM BANCO, NÃO ENCONTRA UM LUGAR PARA PENSAR, SENTADO. O HOMEM ESTÁ PROTEGIDO POR SEUS PODERES BENÉFICOS, SENTADO E PENSANDO, CONFORMA UMA POSTURA DE PROCRIAÇÃO E PROTEÇÃO, UM EIXO CÓSMICO DE COMUNICAÇÃO (BASEADO EM REICHEL-DOLMATOFF, G., 1971)”.

Possuo dois bancos comuns, sendo um adquirido na Feira de Artesanatos da Avenida Eduardo Ribeiro e, outro, formado por dois pedaços de troncos de árvores encontrados na natureza.

Sento próximo ao meu pequeno jardim, para descanso físico ao corpo e concentração à mente (pensar), pelo menos, segundo a tradição dos tukanos, não sou um homem desajuizado (que não sabe sentar e não possui banco)!

O maior colecionador de Kumurô Banco Tukano é o artista plástico Rui Machado (segundo uma reportagem passada no Canal Amazon Sat), um amazonense de Manaus que abraça e protege a cultura indígena – ele senta e, se inspira para criar as suas famosas telas.


Alguns historiadores afirmam que, os orientais passaram pelo Estreito de Bering, chegando até a Amazônia, sendo os antepassados dos nossos indígenas atuais – basta verificar os traços dos tukanos, o próprio nome Kumorô e a foto lateral do banco para notar que parece muito com a cultura e o povo oriental.

Pretendo adquirir, brevemente, um legítimo Kumurô Banco Tukano. É isso ai.

Fonte:

Livro Kumurô Banco Tukano–FOIRN/Instituto Socioambiental – São Gabriel da Cachoeira/AM – São Paulo – 2003.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

AS VOZES DA ESCADARIA DOS REMÉDIOS


As vozes eram um serviço de comunicação, entre os que ficavam em terra e, os tripulantes e passageiros dos barcos regionais ancorados na orla do Rio Negro, em Manaus, conhecida antigamente por “Escadaria dos Remédios” (extinta com uma barragem e construção da Feira da Manaus Moderna), em frente à Praça e Igreja dos Remédios, sendo a mais famosa, a “Voz Praiana”, do Kimura.

As vozes constituem-se de pequenos alto-falantes - instalados em postes, sendo muito utilizadas nas beiras de rios e na periferia de Manaus e no interior da Amazônia, prestando um grande serviço de utilidade pública, suprindo as deficiências na área de comunicação.

Com o advento da comunicação em massa, com a internet e a popularização dos celulares Smartfones e das redes sociais, esse serviço ficou relegado a segundo plano nos dias atuais.

As vozes faziam avisos sobre embarcações – chegadas, saídas, destinos – e as mais diversas informações: os anúncios de festas, aniversários, casamentos, em Manaus e no interior, bem como, de publicidade e serviços: ervas miraculosas, garrafadas, remédios, mandingas, barracas de comidas, vendas de passagens, etc.

Passavam mensagens de amor, parabéns, boas-vindas aos que chegavam e boa-viagem para os que partiam, além de muitas músicas de compositores locais (principalmente o gênero brega), nacionais e internacionais e outras informações.

A mais famosa da “Escadeira dos Remédios” Manaus era “A Voz Praiana”, do Raimundo Maia Ismael, o “Dom Kimura”, conhecido, também, como “Boca de Ferro”.

Ele nasceu na cidade de Eurinepé, interior do Amazonas, veio ainda criança para Manaus, em companhia de seu pai, sempre andando pelos arredores do Mercadão, onde trabalhou como estivador.

Na década de setenta, participou de “tele-rings” (TV Ajuricaba, apresentado pelo Arnaldo Santos), onde se revelou um grande lutador, com o nome de Dom Kimura, tendo lutado com o argentino Ted Boy Marino (astro do tele-cath da Rede Record).

O Kimura largou as lutas e, aos 34 anos de idade, dedicou-se exclusivamente a radio, montando a sua Voz Praiana, com os estúdios no Mercado Adolpho Lisboa - onde ficou até a sua morte, em 2013, aos oitenta anos – deixando a continuidade do negócio para a sua filha, a Maria Souza Ismael, de 40 anos.

Atualmente, apesar de toda a tecnologia de informação existente, ainda existem “As Vozes” da antiga “Escadarias dos Remédios”. É isso ai.



Fontes:
Livro Manaus 1965 – Da Floresta e das Águas./Roberta Camila Salgado. – Manaus: Governo do Estado do Amazonas – Secretaria de Estado da Cultura, 2009.

Jornal A Critica/UOL

DRA. AMANDA SOARES


Aproveito esse espaço, para divulgar o trabalho profissional da minha filha mais nova, a Dra. Amanda Soares, cirurgião-dentista, formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

Na sua formatura, ocorrida em 2009, foi agraciada com um diploma de honra ao mérito, por ter sido a segunda melhor aluna da sua turma – fez pós-graduação em Ortodontia, além de outras especialidades.

Logo após a sua graduação, foi admitida pela UFAM para ser Professora Auxiliar, na Faculdade de Medicina, onde permaneceu por dois anos.

Foi selecionada para entrar nos quadros das Forças Armadas Brasileira, no Exército Brasileiro, servindo por quatro anos no município de Tabatinga (AM), na fronteira com a Colômbia, chegando ao posto oficial de Tenente.

Em 2016, foi transferida para Manaus, trabalhando no Hospital Militar de Manaus, onde deve ficar até dezembro, o prazo final do contrato, indo para a reserva.

Nos horários vagos do exército, preenche com estudos e cursos de especialização, além de exercer o trabalho na “Clínica Odonto Vida”, situada na Rua Paraná Mirim, 80, Cidade Nova (próximo ao Terminal 3), atendendo pelos telefones: 92 99226-0861 (Vivo), 98236-1188 (TIM) e 3636-9992 – e-mail: dentistaamandasoares@gmail.com e Blog: www.dentistaamandasoares.blogspot.com (para ler o perfil completo da Dra. Amanda Soares).

Diferencial no atendimento: Nos tratamentos ortodônticos, a Dra. Amanda Soares, faz uma profilaxia (limpeza) grátis a cada três manutenções, bem como, informa, CORRETAMENTE, quanto tempo o paciente irá ficar com o aparelho (final do tratamento), não deixando, de forma alguma, ficar por mais tempo sem necessidade.

A Dr. Amanda Soares faz, também, tratamentos inovadores: Toxina Botulínica e Preenchimento Facial aplicado a Odontologia.


Parabéns a Dra. Amanda Soares! É isso ai.

domingo, 5 de junho de 2016

TRECHOS DO LIVRO ZÉ MUNDÃO



O Zé Mundão era muito danado, escalava os muros dos vizinhos para pegar “Mangas, Pitombas e Biribás”; morcegava carroças e caminhões que passavam pela sua rua – era apaixonado por cinema, todos os finais de semana assistia aos filmes de bang-bang no Cine Guarany e Polytheama. Gostava também de pular da “Ponte Romana I e II”, na Avenida Sete de Setembro – a única que ele respeitava era a “Ponte de Ferro” por ser bastante alta.

O Zé tinha a mania de subir em árvores, ao escalar um pé de Açaizeiro, deu uma ventania danada, ficou a balançar para lá e para cá, pensou que ia cair e morrer, depois da calmaria, jurou que nunca mais iria escalar árvores, no dia seguinte, já estava numa grande mangueira, quando estava no “olho”, o seu velho começou a gritar:

- Desce daí, Zé Mundão, a tua cama tá feita, tu irás pegar uma surra dobrada, ó menino danado, cruz credo!

Não tomava jeito, subia no Abacateiro e, peia, Jenipapeiro, Ingazeiro, Goiabeira,Coqueiro e, peia no Zé!

Existia um terreno bastante amplo na Rua Igarapé de Manaus, entre as ruas Lauro Cavalcante e Huascar de Figueiredo, pertencia a uma família de origem Síria, tendo como patriarca o Sr. Marcelino, comerciante de miudezas na Av. Joaquim Nabuco.

Para deleite do Zé Mundão e da garotada, o terreno era tomado de árvores frutíferas: açaí, biribá, graviola, goiaba, pitomba, tucumã, tamarindo, pajurá, dentre outros.

Mas o que chamava mais atenção eram as mangueiras! Havia de várias espécies, tais como: manga rosa, manga espada, manga massa e manguita.

A molecada ficava todas às tardes na espreita, tentando adentrar ao terreno para colher as mangas caídas, porém, era vigiada pelo Durau (filho do Marcelino, que nunca aprendeu a falar português), a Neide (filha) e por um cachorro bravo.

Quando a garotada entrava no terreno e era descoberto, além de devolver as frutas apanhava do Durau de galho de goiabeira!

Em vista disso, a molecada montou uma estratégia para roubar as mangas: entravam no terreno à noite, quando todos dormiam!

A farra acabou quando descobriu que à noite, no local, aparecia uma visagem (alma), da finada Dundum, ex-mulher do Marcelino.

Todos ficaram apavorados com a história da visagem, e nuca mais entraram lá à noite.

Tempos depois, se soube que a alma fora uma invenção dos moradores mais velhos, que pela manhã bem cedo, iam ao terreno e enchiam as cestas de mangas!

Na rua em que morava o Zé Mundão, tinha alguns carroceiros, todos eram nordestinos, principalmente do Rio Grande Norte – por não terem nenhuma qualificação e por serem poucas as oportunidades de trabalho, optavam pela carroça, movidas pela força de um cavalo e com estrutura feita de restos de camionete ou pequenos caminhões, principalmente das rodas e o eixo, onde assentavam uma caixa de madeira para as cargas de mercadorias ou pessoas.

Sempre às 5 da tarde, eles chegavam à Rua Igarapé de Manaus, vindo pela Rua Lauro Cavalcante, depois de um dia de trabalho no Mercadão Adolpho Lisboa, vinha um após outro: Manoel Hilário, João Batista e Expedito.

A garotada corria para morcegar (pegar carona) das carroças. Era uma festa para o Zé Mundão. 

Quando os carroceiros faziam um bom trocado no dia, vinham todos sorridentes e deixavam a molecada toda morcegar. 

Enchiam a carroça de meninos desde a Rua Lauro Cavalcante até a uma estribaria, situado em um terreno baldio, próximo a Rua Huascar de Figueiredo.

Porém, quando o apurado era ruim, eles chegavam de mau humor, e quem se atrevesse em morcegar era açoitado pelo chicote deles. Nesses dias, o Zé Mundão apanhava, mas, continuava a morcegar as carroças.

Por ser um trabalho duro, pouco lucrativo e sem nenhuma perspectiva de melhorias para esses trabalhadores, quando o Zé Mundão insistia em não ir à aula, a sua mãe gostava de falar:

- Se você não quiser estudar agora, quando crescer, vai ser carroceiro ou carvoeiro!

Era um sábio conselho, ele refletia bem sobre o árduo trabalho dos carroceiros nordestinos e dos caboclos carvoeiros que ficavam no final da Avenida Sete de Setembro e, de imediato se aprontava para ir à escola.

Texto escrito pelo meu irmão Jose José Rocha Martins e adaptado para um livro.