sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Dudu Monteiro de Paula

 

          Nasceu em 02 de junho de 1950, na cidade do Recife, capital do Estado de Pernambuco, registrado como Eduardo José Cavalcanti Monteiro de Paula, mas eternizado pelo público como Eduardo Monteiro de Paula, ou simplesmente DUDU.

Filho do saudoso empresário e desportista Edgar Monteiro de Souza e de Helena Cavalcanti Monteiro de Paula, carinhosamente lembrada como a “Dama do Esporte”, Dudu é o terceiro entre quatro irmãos. Como sua querida e saudosa mãe era pernambucana, decidiu-se que ele nasceria em Pernambuco. Porém, sua temporada por lá durou exatos 42 dias. Cresceu tão amazonense que afirma ter conhecido sua cidade natal de verdade apenas aos 22 anos.

E não hesita em declarar: é amazonense de coração, corpo, alma e espírito,  pois tudo o que viveu, construiu e aprendeu foi no Amazonas — seu estado do peito, e Manaus, sua cidade por adoção definitiva.

Na primeira fase de sua vida, Manaus ainda era uma cidade pacata. Morando com seus pais e irmãos na Rua Tapajós, em frente ao Teatro da Divina Providência, viveu uma infância marcada pela tranquilidade e pelo ambiente familiar. Aprendeu a ler e a escrever no Colégio Princesa Isabel, localizado ao lado do Instituto de Educação do Amazonas, onde também estudaria alguns anos mais tarde.

Gostava de ouvir, pelo rádio, o Teatrinho Infantil do Titio Barbosa, transmitido pela Rádio Rio Mar. Nos finais de semana, participava da Missa na Igreja de São Sebastião e, depois, desfrutava um café em família. Jogava bola no Guanabara Clube, passeava pelo Aviaquário — que ficava em frente à Praça XV de Novembro — e sempre dava um pulo no Roadway para apreciar a movimentação de barcos e navios e admirar a beleza da Baía do Rio Negro.

Concluiu o ensino médio no prestigiado e rigoroso Colégio Estadual D. Pedro II, situado em frente à Praça da Polícia. Tornou-se Oficial R2 do Exército Brasileiro de Infantaria, conforme carta patente expedida de acordo com o Exército Brasileiro, pelo Decreto nº 71.495, de 5 de dezembro de 1972.

Aos 24 anos, ingressou na antiga Universidade do Amazonas, hoje Universidade Federal do Amazonas (UFAM), onde concluiu com brilhantismo, em 1979, o curso de Jornalismo e Relações Públicas. Também é graduado em Educação Física. Foi professor de voleibol no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora e recebeu o título de Técnico Campeão de Voleibol Feminino nos Jogos Escolares de 1978 e 1979.

Na juventude, chamava atenção por onde passava. Era visto como um galã das rodas sociais, dono de um sorriso amplo, magnético e de uma comunicação naturalmente cativante. Esses atributos facilitaram sua atuação pelo esporte amador e abriram as portas para sua carreira como apresentador de programas esportivos na televisão, onde sua presença se tornou rapidamente marcante. 

Em reconhecimento à sua trajetória, por iniciativa do então deputado estadual Augusto Ferraz (DEM), foi aprovado o Projeto de Lei nº 196/2017, concedendo-lhe o Título de Cidadão do Amazonas, pela Assembleia Legislativa do Estado. O mérito era evidente: jornalista esportivo influente, Dudu destacou-se ao apresentar, como âncora, por décadas, uma das mais tradicionais programações esportivas exibidas pela Rede Amazônica, afiliada da Rede Globo no Estado.

Cidadão consciente da importância do esporte para o desenvolvimento social, para a redução das desigualdades e para a integração do povo brasileiro, Dudu dedicou-se à divulgação das mais diversas modalidades, tanto em Manaus quanto no interior do Amazonas, projetando a região para o Brasil e para o exterior. Sua contribuição representa, por si só, relevantes serviços prestados ao Estado do Amazonas e ao seu povo.

Seu currículo é vasto, plural e impressionante.

Possui Pós-graduação em Assessoria de Imprensa e Técnica em Futebol pelo Instituto IWL – Universidade Anchieta (São Paulo, 2010). Realizou Curso Técnico em Rádio e Televisão e estudou Inglês na Universidade do Tennessee – Martin, nos Estados Unidos, onde também atuou como Diretor Técnico e jogador, além de dirigir o Camping de Futebol Infantil em 1981.

É Técnico em Mecânica de Motores Diesel pelo Instituto Técnico da ORNAN, em Minneapolis – Minnesota (1981). Realizou o Curso Técnico de Cinegrafista Profissional pela Fundação Rede Amazônica (1994).

Foi nomeado Aluno Honorário da Universidade Federal do Acre por fundar a FDUA — Federação de Desporto Universitário Acreano (1975).

Atuou como Diretor de Relações Internacionais da Confederação Brasileira de Desporto Universitário e conquistou o Prêmio de Melhor Reportagem de Rádio da Academia Amazonense de Imprensa (1989).

Entre 2002 e 2004, exerceu mandato como Vereador de Manaus e também foi Secretário de Comunicação Municipal, na gestão do prefeito Eduardo Braga.

Foi presidente da ACLEA – Associação de Cronistas e Locutores Esportivos do Amazonas e Diretor da AIPS – Associação Mundial de Jornalistas Esportivos, para o Continente Americano. Representou o Brasil em encontros internacionais da categoria no Marrocos (Marakech, 2007), Turquia (Antalya, 2009), Áustria (Innsbruck, 2010) e Rússia (Sochi, 2013).

Também presidiu diversas federações esportivas: a FAUD – Federação Amazonense Universitária de Desporto; a Federação Amazonense de Handball; a Federação Amazonense de Natação; e participou da direção da Seleção de Judô da CBDU no desafio Brasil x Japão, em Miyagi (1990).

Como jornalista esportivo, cobriu eventos do mais alto nível:

– Maratona de Nova York (1990)
– Universíades em Buffalo (EUA), Sheffield (Inglaterra), Duisburg (Alemanha), Beijing (China), Edmonton (Canadá)
– Campeonato Mundial de Atletismo em Edmonton
– Campeonatos Sul-Americano e Pan-Americano de Handebol
– Stock Car Brasil (Interlagos, 2004)
– Copa do Mundo da FIFA – Espanha (1982)
– Copa do Brasil (2014)
– Jogos Olímpicos Rio 2016
– Eliminatórias da Copa do Mundo no Brasil, Venezuela e Amazonas
– Gymnasiade 2009, em Doha, Catar
– Congresso da CONMEBOL, em Assunção, Paraguai
– Palestras sobre Copa do Mundo em Cali, Bogotá e Manágua (2013)

Em 2019, após 43 anos dedicados à Rede Amazônica de Televisão, teve seu contrato rescindido pela emissora. No entanto, mesmo com essa pausa inesperada, o currículo sólido e a trajetória marcante de Dudu Monteiro de Paula falaram mais alto. Não demorou para que fosse chamado de volta, retomando suas atividades e voltando a comandar programas de entrevistas.

Hoje, aos 76 anos, com uma energia que contagia e inspira, Dudu lidera o programa Made In Amazônia, exibido pelo Amazon Sat, do grupo Rede Amazônica de Televisão — celebrando a terra que adotou como sua e reafirmando, dia após dia, seu profundo amor pelo povo amazonense.

Um homem múltiplo, incansável e absolutamente comprometido com o esporte, a comunicação e o Amazonas. Um nome que já faz parte da História.


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terça-feira, 1 de setembro de 2026

A Revolta que Parou Manaus em 1913

 

Há acontecimentos na história de Manaus que parecem ter sido retirados de um filme. A revolta de 15 de junho de 1913 é um deles. Vários fatores contribuiram para este acontecimento: havia uma rebelião dos policiais que estavam revoltados, sem receber seus vencimentos e ficaram no lado do povo, misturado com a revolta popular e ataque contra a empresa inglesa Manáos Improvements Limited Company, sangrava o povo com preços exorbitantes e cortava o abastecimento do precioso líquido, para vários bairros da cidade, além de ataques aos jornais que estavam divididos, com uns a favor e outros contra o governo e uma guerra política entre grupos que disputavam o poder no Amazonas, o governador e seu vice-governador.

Naquele domingo, a cidade vivia uma situação difícil. O Amazonas atravessava uma grave crise financeira, a população estava insatisfeita com os serviços públicos e havia uma forte disputa política dentro do próprio governo.

No centro de uma das maiores reclamações estava a Manaós Improvements, empresa inglesa responsável pelo abastecimento de água e pelos serviços de esgoto da capital. A companhia cobrava pelos serviços e havia grande insatisfação com as tarifas e com os problemas no fornecimento de água. Para uma população que dependia daquele serviço para cozinhar, beber e manter suas casas, ficar sem água era coisa séria.

Houve a ameaça formal de paralisar o fornecimento de água na capital devido a pendências financeiras e dívidas e a força pública chegou a ser utilizada de forma arbitrária para invadir residências e cortar a água dos inadimplentes, gerando extrema indignação coletiva.

Mas a história não começou na empresa inglesa. Tudo começou no quartel. Na tarde de 15 de junho, aproximadamente às 13h30, começou uma rebelião no quartel da Força Policial, localizado na região da atual Praça Heliodoro Balbi, a conhecida Praça da Polícia.

Parte dos soldados se revoltou. Havia insatisfação dentro da corporação e problemas relacionados ao pagamento dos militares, e aproximadamente cem praças participariam de um levante. O comandante interino foi recebido a tiros  e um tenente morreu. O tiroteio tomou conta do quartel.

De um lado estavam os policiais que permaneciam fiéis ao governo. Do outro, os soldados rebelados. A situação ficou tão grave que alguns policiais tiveram de fugir, inclusive pulando os muros do quartel.

O governador do Amazonas era Jonathas de Freitas Pedrosa, diante da rebelião, recorreu às tropas federais. O Exército entrou em ação, tropas de infantaria e artilharia foram mobilizadas para enfrentar os revoltosos. Os homens que ocupavam o quartel receberam ordem para se entregar, mas não se entregaram.

Então aconteceu algo que hoje parece inacreditável: o Exército utilizou artilharia contra o quartel da própria Polícia, canhões foram empregados para obrigar os revoltosos a abandonar a posição. Depois de horas de tensão, o movimento foi derrotado e o controle da cidade começou a ser restabelecido.

Mas o pior ainda estava por vir. A revolta chega às ruas. Com a rebelião militar, a
população saiu às ruas. E foi nesse momento que a Manaós Improvements
entrou diretamente na história. Grupos de populares dirigiram-se às instalações da companhia inglesa. A revolta contra os serviços de água e esgoto transformou a empresa em um dos principais alvos da multidão.

Os escritórios foram invadidos e depredados. Documentos e instalações foram destruídos. Os manifestantes invadiram o prédio, destruíram os arquivos físicos da concessionária e atearam fogo nas instalações. A empresa, que já era vista com enorme desconfiança por parte da população, passou a enfrentar uma situação praticamente insustentável. Após a destruição de sua sede e sob forte rejeição popular, os administradores ingleses abandonaram os serviços e deixaram a cidade.

Também houve ataques contra jornais. A imprensa estava dividida politicamente, e alguns jornais eram identificados com o governo ou com a oposição. Durante os tumultos, instalações jornalísticas foram atacadas e empasteladas, foi o caso do O Jornal de Manaus. A cidade amanheceu depois de uma noite de violência, com mortos, feridos, prisões, destruição e enorme tensão.

E a política? É aí que a história fica ainda mais complicada. O governador Jonathas Pedrosa tinha como vice-governador Antônio Guerreiro Antony. Os dois haviam se transformado em adversários políticos.

Depois da revolta, o grupo ligado ao governador passou a sustentar uma acusação gravíssima: a de que a rebelião não teria sido apenas uma revolta de soldados insatisfeitos. Segundo essa versão, existiria uma conspiração política para derrubar Pedrosa, e até mesmo para matá-lo.

O principal nome acusado foi justamente o do vice-governador, Guerreiro Antony, que negou as acusações. E a briga política não ficou restrita a Manaus. O caso chegou ao Rio de Janeiro e ao Senado Federal. O famoso jurista e senador Rui Barbosa tomou posição em defesa de Antony e passou a atacar a versão apresentada pelo governo amazonense.

E a Manaós Improvements? A empresa inglesa também não esqueceu o que aconteceu. Depois da destruição de suas instalações, começou uma longa disputa com o Governo do Amazonas. A companhia reclamava indenização pelos prejuízos. O governo, por sua vez, enfrentava uma situação financeira complicada e precisava resolver o problema do abastecimento de água da população. Em 17 de agosto de 1913, o governo estadual anulou o acordo com a companhia inglesa e iniciou o processo que levou à incorporação de seus bens pelo Estado. Houve posteriormente uma longa negociação para indenizar a empresa.

A questão acabou se transformando em uma enorme conta para os cofres públicos. E é justamente aí que a história fica ainda mais curiosa: a revolta de 15 de junho não foi apenas uma briga do povo contra uma empresa de água.

O desfecho dos acontecimentos culminou com uma indenização para à Manaos Imporvements Limited, no valor de dez mil e quinhentos contos de réis, quantia considerada exorbitante na época, porque o Teatro Amazonas tinha custado alguns anos antes, com toda a sua beleza arquitetônica, o montante de dez mil contos de réis. A Indenização, entretanto, não atingia apenas as instalações do prédio da concessionária, estabelecida na Rua Izabel, 142, no centro de Manaus, mas quitava dívidas anteriores, contraídas desde 1908, com a empresa americana Manaos Markets and Slaughterhouse, no governo transitório do coronel Raymundo Afonso de Carvalho, de curto período.

Por isso, 15 de junho de 1913 não foi simplesmente uma revolta contra a empresa de água. Foi uma explosão em que água, dinheiro, soldados, política e poder se misturaram nas ruas de Manaus. E talvez seja justamente isso que torna aquele domingo tão importante para compreender a história da nossa cidade. Manaus não estava apenas brigando por água. Manaus estava brigando pelo poder.

Fontes: Gaitano Antonaccio/Catador de Papéis/RevistaUSP/Jornal O Liberal-RJ/Jornal do Commercio.