sexta-feira, 6 de agosto de 2010

MANAUS - A MINHA CIDADE QUERIDA!

Nasci no Hospital da Santa Casa de misericórdia, no centro antigo da cidade de Manaus; no momento da minha saída para o mundo, contava a minha saudosa mãe, ouviu o badalar dos sinos da Igreja de São Sebastião, marcando meia-noite, era a passagem do dia 11 para 12 de Setembro de 1956. O meu nome seria Juscelino, em homenagem ao maior e melhor presidente do Brasil, venceu a minha avó cearense, passei a ser chamado de José ou Zé Rocha, para os íntimos. Próximos ao local onde nasci ficam o Palácio da Justiça, o Teatro Amazonas, o Ideal Clube, a Instituto de Educação, o Colégio Benjamim Constant, o Palacete Miranda Corrêa, a Praça do Congresso, a Praça e a Igreja de São Sebastião, o Luso Sporting Clube, a Casa do governador Eduardo Ribeiro, a Avenida Eduardo Ribeiro e muitos outros logradouros e prédios históricos de Manaus. Dessa forma, tive o privilegio de nascer onde aconteceram os principais acontecimentos políticos, sociais, econômicos e culturais da nossa cidade. A minha origem foi humilde, fui morar numa Casa Flutuante, no Igarapé de Manaus, tive a oportunidade de ser um ribeirinho, acompanhar a enchente e a vazante do Rio Negro, morar próximo ao Palácio Rio Negro, presenciar, apesar da tenra idade, o jogo politico da década de 60, frequentar os Cines Éden, Polytheama, Odeon e Guarany, estudar no Barão do Rio Branco, fazer tratamento de saúde no Hospital Beneficente Portuguesa e Hospital da Criança, fazer compras no Mercado Adolpho Lisboa, morcegar Carroças e andar de ônibus de madeira, andar pelas Avenidas Sete de Setembro, Joaquim Nabuco e Getúlio Vargas, além das Ruas Major Gabriel, Lauro Cavalcante, Huascar de Figueiredo e Ipixuna, pular das Pontes Romana; por ser filho de Luthier, tive o privilégio de conviver com músicos, artistas plásticos, boêmios, cantores e intelectuais, depois, na minha adolescência fui morar na Vila Paraíso, centro, estudei nos Colégios Divina Providência, Benjamim Constant e IEA, além da Faculdade de Estudos Sociais (na vida adulta); passeava na Praça da Saudade e pelo Rodoway; brincava na piscina do Rio Negro, ia ao Festival Folclórico do General Osório, frequentava as Igrejas de São Sebastião, Matriz, Dom Bosco e Remédios. Depois de passar cinquenta anos da minha vida dormindo em berços esplêndidos, resolvi sair da longa hibernação cultural, passei, há poucos menos de três anos, a escrever “certo” por linhas tortas, tendo como pano de fundo, exatamente a Manaus antiga e contemporânea, focando aqueles prédios, ruas, praças, monumentos e lugares ao redor da qual onde nasci e convivi por todo esse tempo. Confesso que conheço muito pouco sobre a história da nossa cidade, mas com o despertar, ainda que tardio, levou-me a uma sede diária de conhecimentos, busco ler até bulas de remédios antigos, passei a me preocupar mais com os nossos monumentos, com os prédios históricos, com as praças e com o nosso povo; comecei também a frequentar sebos, livrarias, teatros, participar de eventos culturais, militar em movimentos sociais, enfim, estou numa corrida muito grande contra o tempo, para adquirir conhecimentos sobre o passado, com o intuito de compreender o presente e tentar visualizar o futuro da nossa cidade. O blog é uma ferramenta que eu disponho para chegar a este objetivo – tenho uma interação muito grande com pessoas de todo o nosso querido Brasil – não posso me dedicar muito ao desenvolvimento do blog, pois ainda estou na ativa, pensando bem, não quero nunca me aposentar, quando um dia a morte chegar ao meu encontro, espero ainda estar trabalhando e escrevendo – A minha cidade de Manaus é tudo isso que escrevi e escrevo, está no meu sangue, na minha mente, no meu passado e no meu presente -, luto e, lutarei sempre, para ela ser cada vez mais bonita, linda, arborizada, revitalizada, com um povo ordeiro e feliz, uma simbiose da cidade com a sua gente, preservando a sua cultura e a beleza da Amazônia. Sonhar não custa nada! É isso ai Manaus - minha cidade querida!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

BLOG DO ROCHA – OS DEZ CLASSIFICADOS.


1. O LINGUAJAR DO BLOG - procuramos ser o mais simples possível, nada de rebuscar ou caprichar nas palavras ou frases, o nosso público é diversificada, a grande maioria é de Manaus, por isso, incluímos o Amazonês e alguns bordões característicos na nossa região, utilizamos também algumas gírias, em decorrência de sermos muito lidos pelos jovens universitários; gostamos de contar piadas, fazer algumas gozações, porém, evitamos os deboches, as ofensas; escrevemos alguns palavrões (não dá para evitar); aos utilizarmos as citações damos os devidos créditos; procuramos elevar o astral das pessoas, evitamos o pessimismo, enfim, somos simples, mas, procuramos sempre levar uma mensagem de amor às pessoas, o respeito ao meio ambiente e ao planeta terra.

2. OS E-MAILS RECEBIDOS – A grande maioria contem palavras elogiosas ao nosso blog, ficamos muito felizes, existem muitas pessoas que nasceram nesta região e foram morar muito longe, aproveitam as postagens do blog para matar a saudade, outros, são apaixonados pela Amazônia, curtem muito quando postamos sobre a nossa região, alguns adoram a Manaus antiga e contemporânea, os jovens dão o maior valor, começaram a valorizar a nossa cultura, dando a devida importância a nossa música, a maneira de falar, a culinária, os nossos monumentos, a nossa historia, etc.

3. AS FOTOGRAFIAS DO BLOG – publicamos centenas de fotos antigas das cidades da Amazônia, principalmente de Manaus, a maioria foi baixada da net, outras são enviadas para o nosso blog, além de algumas cedidas por particulares. As fotos atuais são advindas, na grande maioria, do banco de dados do fotógrafo “lambe-lambe” José Martins Rocha – procuramos utilizar a foto colagem do programa Picasa, além do programa do Windows Movie Maker, para acrescentar movimentos, efeitos e sons. Todas as fotografias do blog são liberadas para o download sem nenhum ônus, basta somente citar a fonte, nada de foto protegida por direitos autorais, a nossa intenção é divulgar a cultura da nossa cidade e a Amazônia.

4. VISITAS AO BLOG – chegamos a ultrapassar a marca dos 200 mil visitantes em dois anos, ficamos muito felizes, apesar de ser um blog simples, sem nenhum patrocinador, sem revisor, feito na marra, bem como, o editor não é historiador ou pesquisador, apenas um amante da Amazônia e da sua gente. Pela estatística do contador, são as seguintes as características dos nossos visitantes: Brasil 90% - Portugal 5% e USA 1,40% - Amazonas 33% - RJ 20% e SP 6%

5. BLOG TOP 10 – tivemos até agora três votos, continuamos na lanterna do blog com a temática cultura, quem sabe até o final da competição teremos mais três votos. O importante não será a votação no blog, mas a indicação que recebemos.

6. OS BLOGS DOS BONS – a nossa intenção é de colocarmos mais blogs, ficamos muito felizes em servir de plataforma para acesso de outros blogs; aceitamos sugestões para inclusão de outros endereços. Na realidade, as redes sociais, incluindo os blogs, são as que mais crescem no Brasil, os brasileiros estão dando o maior valor aos conteúdos dessas ferramentas.

7. PESQUISA NO BLOG – o blog passou da marca de mil postagens; esta ferramenta é muito útil para buscar assuntos que foram postados faz algum tempo, iremos disponibilizar também a busca nos blogs dos bons e da net.

8. COMERCIAIS DA GOOGLE – na realidade, o site pertence ao Blogger, empresa do Google - como forma de agradecimento a esta empresa (por sinal uma ideia de dois jovens que deu certo), iremos voltar com os anúncios, apesar de não termos ganho nenhum “dindin” até agora.

9. O ZÉ MUNDÃO – é um personagem criado pelo blog – um cabocão manauense, ambientalista, gozador, enrolado até o cabelo, amante da cidade de Manaus, curtidor da vida social, cultural e etílica da sua cidade. Alguns leitores assíduos do blog gostam das peripécias do Zé Mundão, inclusive, confundem com a pessoa do editor do blogdorocha, mas não tem nada a ver, tudo é uma mistura do passado, com a realidade e ficção da vida de um típico manauense.

10. SUGESTÕES PARA MELHORIA DO BLOG - para finalizar o nosso dez classificados, solicitamos aos amigos leitores sugestões para melhorias do nosso blog, a nossa intenção é de melhorar cada vez mais, podem pedir para falarmos sobre algum assunto da nossa cidade ou da Amazônia, procuraremos pesquisar e fazer o resumo do resumo e escrever do nosso jeito - aproveitem e visitem também o Twitter Blogdorocha – o nosso e-mail é o seguinte: jmsblogdorocha@gmail.com – Um abraço do tamanho da Amazônia!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

OS XERIMBABOS DAS NOSSAS VIDAS

Era um hábito comum entre as famílias pobres de Manaus, criar animais em seus quintais, os mais comuns eram as galinhas, os patos, os papagaios, as araras, os jabutis, os cachorros, os gatos e até porcos, ainda é comum na periferia e no interior, onde eles chamam de xerimbabo (tupi = minha criação) – a minha família, inicialmente, criou um cachorro vira-lata, chamado Duque, era considerado o nosso mascote, fazia o papel de segurança da casa, porém, ele pegou a hidrofobia, ficou doido, mordeu a minha irmã e a minha mãe – o meu pai resolveu sacrificá-lo, pegou um terçado para degolá-lo, o animal abaixou a cabeça, chorou nos pés do papai, não o mordeu, o velho chorou também, deu uns passos para trás, foi embora e, deixou o cachorro morrer com a doença – a família nunca mais quis saber de criar outro cachorro.
 Tempo depois, a minha avó paterna, comprou umas galinhas e um galo, os primeiros ovos foram da cor azul, a molecada de casa ficou extasiada, ela resolver guardá-los em cima da Cristaleira, não deu outra – eu e os meus irmãos escalamos o móvel, com o peso, ela tombou e caiu em cima da gente, foram ovos, copos de cristais, xícaras de porcelanas e o escambau para o chão, foi caco para todos os lados, ficamos todos cortados, assim mesmo pegamos sova de galho de goiabeira um ano e três meses – ela resolveu botar o galo e as galinhas na panela.

 Tempo depois, ganhei uma Marreca-cabocla, a ave era muito arisca, foi muito difícil domesticá-la, cuidei com muito carinho, ela ficou comigo até a sua morte, resolvei, em seguida,


 criar um Pombo que apareceu doente na oficina do meu pai, ele tinha uma enorme ferida nas costas, curei com Andiroba (do tupi = óleo amargo, utilizado na medicina popular) – ela ficou bonita, toda empenada, voava e voltava, não queria mais ir embora, construí uma casinha para ela no quintal de um vizinho, ela arranjou um namorado e deu bastantes filhotes, virou um pompal, depois foram morar na Praça de São Sebastião.

 A minha mãe ganhou uns pintinhos, eles eram daquela raça em que o pescoço fica pelado, cada um tinha um nome e tinha dono, o meu chamava-se Piu-Piu, virou um frangão e começou a brigar com os seus irmãos para virar o Galo do terreiro, apanhava todas, não teve jeito, foi parar na panela, apesar dos meus protestos.
 O papai comprou um Papagaio lá no Mercado Adolpho Lisboa, deu de presente para minha mãe, ele era caladão e desconfiado, um verdadeiro interiorano, certo dia, resolveu voar para a casa da vizinha, foi atrás de uma fêmea, ficou por lá um tempão, num belo dia voltou e pousou bem no ombro da minha mãe, foi muita festa, para nossa surpresa o bicho voltou dançando e falando, abria as assas, balançava para um lado e para o outro e mandava ver uma música o dia todo, cantava até furar o disco: - Aleguá, quá, quá! Aleguá, quá, quá! De manhã cedo, acordava toda a galera, gritando para receber a sua broca matinal: pão molhado com café e frutas. A minha mãe falava que o louro tinha passado uns tempos estudando fora, voltou falante e dançarino – os dois conviveram juntos durante longos anos, até a morte natural do papagaio.

 A minha irmã estudou enfermagem e começou a trabalhar no interior, fazendo cursos de capacitação para os ribeirinhos, ela recebia muitos presentes dos seus alunos, certo dia, voltou com uma macaquinha a tiracolo, era a Samantha, ficou uma “macacona”, foi criada dentro de casa, morreu de velhice, tempo depois, trouxe um macaquinho, era o Mingo, estava bastante doente, foi medicado e criado pela minha irmã mais velha, ficou bastante tempo com a gente, quando casei, levava os meus filhos para brincarem com ele, era o bobo da corte, aprontou todas e muito mais, cuidamos muito bem dele, era levado regularmente ao veterinário - viveu até a sua velhice. Com as novas leis de proteção da fauna e a flora, deixamos de criar animais em cativeiro. A minha irmã mais velha ainda criou alguns gatos e cachorros.
 A minha saudosa sogra resolvei criar um Periquito australiano, o meu filho ficava doidinho pela ave, toda vez que eu o levava para visitar a avó fazia uma tremenda guerra, imaginem, gritava: - Eu quelo o periquito da vovó! Tive que comprar outro lá na Casa do Campo, na Avenida Djalma Batista – juntamos os dois, formaram um belo casal – deu uma “periquitada” e tanta! Foi necessário vendê-los, pois a produção foi muito grande, aliás,
 a minha sogra criava cachorros, gatos, passarinhos, papagaios, galinhas, patos e uma jabota, era um verdadeiro zoológico dentro da sua casa!


O último animal que eu criei foi uma cadela, fora abandonada aos três meses de idade, foi encontrado num final de ano, andando pela Rua Tapajós, um amigo perguntou se eu queria ficar com ela, foi amor à primeira vista, leve-a para
os meus filhos, eles adoraram, passou a chamar-se Daha, era de raça, parecia um cão D´Água Português – ficou dez anos com a gente, deu três barrigadas e, resolvemos fazer uma cirurgia para não ter mais filhotes, morreu com a idade avançada, está enterrada ao lado do Conjunto dos Jornalistas.

 Outro dia, fui visitar o meu brother Paulo Mamulengo, na Vila de Paricatuba (Iranduba), pasmem, ele estava criando um filhote de Urubu, santo Deus, nunca tinha visto algum sujeito criar uma ave Flamenguista! Pois é, o dito cujo caiu do ninho, ainda era branco, o Paulo cuidou do bicho a base de Cuscuz, Jabá e Jaraqui, é mole ou quer mais! Quando cresceu, arranjou uma parceira e foram comer carniça lá pelas bandas da Manaus Moderna, segundo o Paulo, ele colocou uma identificação, era uma aliança de ouro na pata do animal, afinal, foi seu xerimbabo por algum tempo! De vez e quando ele faz uns vôos rasantes por Paricá.

 Os meus filhos estão adultos e são pais, mas, até hoje lembram com carinho da Samantha, da Dara e dos Periquitos da Vovó, enquanto eu, ainda lembro muito do Duque, do Mingo, da Samantha, do Papagaio falante (em tupi = sateré-mawé) da Daha e de todos os outros animais que passaram pelas nossas vidas! Agora, os xerimbabos dos meus netos são todos eletrônicos, talvez criem um dia um Poodle ou um Gato Siamês, não sei, mas de qualquer forma, sempre que puder, os levarei aos zoológicos e ao interior, para apreciar e aprender a respeitar os animais e as aves


Está na moda brincar com os Botos Cor-de- Rosa e com a bicharada que fica solta no Hotel Ariaú Tower – É isso aí macacada, viva os xerimbados das nossas vidas! Viva!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

DANÇA MORENA

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DANÇA MORENA – Tadeu Garcia / Paulinho Du Sagrado



COMENTÁRIOS – Entoada (Tadeu Garcia por Linduína Mendes)


SOBRE AS ONDAS DOS RIOS
VIAJA MORENA A MORENAR
DOCE BRILHO NOS OLHOS
SÃO IMÃS A NOS FASCINAR


A presença feminina se encontra associada à água e esta traduz emoções como fonte de vida. A cabocla, com traços profundamente indígenas, segue os caminhos dos rios para brincar no Boi e, durante o percurso, a luz do sol bronzeia seu corpo. Doce brilho nos olhos atrai magneticamente como ímãs, gerando o fascínio de todos.


O RUBRO É A COR
AO RUFAR DO TAMBOR
DO SEU BOI BUMBÁ


A cadência específica dos instrumentos de percussão (tambores) identifica o vermelho (rubro) e, por conseqüência, o seu boi preferido. Em seguida, sonha com a possibilidade de demonstrar seu charme na arena, concorrendo como “cunhã-poranga” expressão indígena adotada também pelos caboclos e que significa “mulher bonita”.


ENFIM, SURGEM AS FORMAS CABOCLAS
COM ADORNOS DE PENAS
NAS PERNAS MORENAS
SUA DANÇÃ É UM CENÁRIO
QUAL PEIXE NO AQUÁRIO
OU SEREIA NO MAR


A concretização do sonho ocorre quando desponta na arena, sob imponente estrutura artística, a cabocla com padrões esculturais, trajando indumentária indígena, na qual se destacam as perneiras em penas coloridas. Observa-se, nessa elevação, um cenário propício à dança, os movimentos leves da mulher morena tornam-se similares ao peixe no aquário ou à sereia no mar.


OS QUADRIS TÊM CONDORNOS DE ESTADA
SÚBIDA E DESCIDA NO RUMO DO NADA
PASSANDO NUM LEITO – ENTRE OS SEIOS
DESLIZA A TERNURA DO OLHAR


O imaginário se concentra, inicialmente, em uma região do corpo que se assemelha à sinuosidade da estrada (lembre-se: na Amazônia, a estrada é o rio), os movimentos dos olhos do observador acima e abaixo dessa parte do corpo comprovam que essa geometria é diferente de tudo (nada). A seguir, visualizam-se, entre os seios, um leito, analogamente, as margens e ao regaço do rio e alcança seus próprios olhos que se correspondem na ternura da chegada ao destino final ou o reencontro.


DANÇA DE ÍNDIO – DANÇA DE NEGRO
DANÇA DE BRANCO – DANÇA MORENA
DANÇA NO MEU BOI BUMBÁ


No final, o espectador nota a mutação dos movimentos dançantes da mulher, de acordo com as formas identificadas dos rituais indígenas, negros e brancos e da qual sintetiza, na morenice, a mais bonita dançarina do boi-bumbá. Essa tríade (índio, negro e branco), representada por ela, tem seus movimentos característicos representados na arena, numa expressão que origina um encontro de raças.



segunda-feira, 2 de agosto de 2010

MANAUS ANTIGA

Fotos: Sistema de captação de águas (bairro de São Jorge) - Tesouro Público (local onde foi construido o Forte de São José) e Clube da Madrugada.

sábado, 31 de julho de 2010

AS FORÇAS ARMADAS BRASILEIRA NA AMAZÔNIA

Os brasileiros que viveram o terror da ditadura, não querem nem ouvir falar sobre as forças armadas, talvez se lembrem daquele ditado “gato escaldado tem medo de água fria”, pois é mano velho, mas, na hora do “Pegar Pra Capar” quem é que vai nos defender de uma invasão internacional - serão eles, os nossos bravos soldados brasileiros. Podes crer, dou o maior valor à atuação dos militares brasileiros, principalmente aos que servem na nossa Amazônia.

O exército brasileiro além de estar presente em toda a faixa da fronteira da Amazônia, faz também o papel do governo federal (muito omisso), dando assistência médica e educacional aos povos da floresta, abrem estradas, constroem aeroportos, fornecem o apoio logístico às populações que vivem neste mundo de meu Deus (abandonados pelo Poder Público) – a Marinha faz missões de fiscalização e apoio aos ribeirinhos, além da FAB fazendo todo o controle aéreo da Amazônia.

A nossa Amazônia sempre foi e sempre será cobiçada pelos gringos – os ingleses e holandeses já andaram por estas plagas, tanto que fomos forçados a construir varias fortificações, lembram-se do Forte de São José, onde foi criada a cidade de Manaus, bem como, o Forte do Presépio, dando origem a cidade de Belém, pois é meu irmão, naquele tempo já éramos ameaçados, imaginem no século XXI – é uma realidade, os outros países ditos desenvolvidos já desmataram quase todas as suas florestas, dizimaram com toda a sua população indígena, estão acabando com as fontes de água potável e com os recursos naturais – é agora papai? Com certeza, podem escrever, eles estão de olho na última fronteira do planeta Terra, aonde a mata está praticamente intacta (apesar das queimadas),  tem água em abundância (no século XXII as guerras serão motivadas por água e não por petroléo)  e uma imensa fonte de recursos minerais – a nossa Amazônia brasileira. E no século XXII, tentem imaginar como será a pressão. Talvez os nossos tataranetos terão que morar numa Estação Orbital, no espaço sideral,  pois pelo andar da carruaguem, estamos partindo em direção  da autodestruição do planeta azul, espero estar errado, mas, quem avisa amigo é, já dizia o ditado popular!

O exército brasileiro sabe muito bem disso, tanto que eles fazem diariamente operações na selva, dotaram a Amazônia de um sistema de defesa muito grande, além de aceitarem em suas tropas os nossos irmãos indígenas (a floresta é a sua casa), estão comprando aviões e equipamentos de tecnologia de ponta, além trazerem militares do sul e sudeste para aprenderem a lutar na selva amazônica. Os  guerrilheiros colombianos já tentaram invadir parte da Amazônia, o exército brasileiro prontamente foi para o fronte e mandou os caras correrem. Caso um dia a Constituição permitir e, o exército aceitar treinar os  civis para repelir uma eventual invasao da Amazônia, podem contar comigo - serei também um guerreiro da selva!.

Na realidade, conhecemos muito pouco sobre a atuação dos militares, eles são muito fechados com relação à sociedade civil, pode ser que este assunto seja de segurança nacional – sendo ou não, o importante é darmos todo o apoio ao exército, marinha e força aérea brasileira.

o próximo presidente do Brasil tem o dever de dotar de todos os recursos necessários para o reaparelhamento das nossas forcas armadas.  Preservar o meio ambiente, requer também a proteçao da Amazônia - as forças armadas brasileira tem esta missão!

SELVA GUERREIROS DA AMAZÔNIA!



quinta-feira, 29 de julho de 2010

AMAZONENSES & PARAENSES


E éramos todos paraenses, não adianta aquela velha briguinha entre os amazonenses e paraenses – estava todo mundo dentro do mesmo saco! É isso mesmo, meu irmão! Quando a Coroa portuguesa resolveu dividir o Brasil em Capitanias (divisão administrativa que originou as províncias e os Estados de hoje), formando em 1737 a Capitania do Grão-Pará, com capital em Belém do Pará – era formado pelo Amazonas, Pará, Roraima, Maranhão e Piauí.

Ficamos 18 anos sob o domínio dos paraenses, pois somente em três de março de 1755 é que o Amazonas e o atual Estado de Roraima foram desmembrados, com a formação da Capitania de São José do Rio Negro, com a capital na Vila de Mariuá (atual Barcelos).

Com a Independência do Brasil, ocorrido em 7 de Setembro de 1822, as Capitanias viraram Províncias, e, em 15 de Agosto de 1823 voltamos novamente à submissão dos paraenses, com a formação da Província do Grão-Pará, com a capital em Belém. 


Na semana da pátria e do Amazonas, comemora-se no dia 05 de Setembro, a elevação do Amazonas à categoria  de Província (1850), ou seja, a data da nossa autonomia política.

Este processo histórico de submissão levou os nativos dos dois Estados a certa discórdia, um fica zombando do outro e, não bebem Tacacá na mesma cuia - tornou-se uma coisa cultural, igual aos brasileiros em relação aos portugueses, cariocas e paulistas, brasileiros e argentinos etc.

Quando alguém nascido em outras plagas, principalmente os nossos vizinhos paraenses, desejosos em ridicularizar algumas ações ou tomada de posição dos amazonenses, falam dessa forma: 


- É por isso que o Amazonas não passa de uma província! Utilizam este termo de uma forma pejorativa, com conotação de atrasado ou superado. 


Ainda existem outros tantos que quando querem sacanear a cidade de Manaus, falam assim:


- Esta cidade não passa mesmo de um Porto de Lenha! No sentido de cidade pequena e atrasada, mas, por incrível que pareça a canção mais adorada pelos manauenses é aquela composição do Torrinho e do Aldísio, chamada “Porto de Lenha - Tu nunca serás Liverpool, com a cara sardenta e olhos azuis...”


Alguns dizem: - Ao chover o amazonense não sai de casa nem com nojo, êta povo preguiçoso! Ou do tipo: - Amazonense só come Jaraqui com Farinha! E por aí vai!

Por outro lado, os amazonenses adoram fazer piadinhas com relação aos paraenses.


Dizem que o curimim paraense quando quer comer, abre o choro e manda ver:


- Maaaenhê eu quelo cici com queié!  - se referindo ao Açai com Jacaré, a broca preferida dos paraenses. 


Outras fazem piadinhas de mau gosto, sempre enfatizando que o paraense é chegado a um objeto alheio. Um carioca gozador sabendo dessa “onda” entre os dois vizinhos - fez a seguinte piada: - Um paraense foi morar em Manaus, passou mal e precisou fazer uma transfusão de sangue (de amazonense, é claro!), depois de restabelecido, o paraense detonou: “Estou com uma vontade de roubar, mas me dá uma preguiça da porra! Não sei o que está acontecendo comigo!


Outros falam assim: - Eu não sou racista, só não gosto de paraense (macho), mas uma paraense (fêmea) tô dentro! E por aí vai!

Esta divergência por ser cultural, não vai acabar nunca, no entanto, deveremos “aparar as arestas” e entender que a cultura do povo Baré e Tupinambá, representando pelos amazonenses e paraenses, possuem uma afinidade muito grande. As cidades de Manaus e Belém são muitas parecidas, assim como, o folclore, as tradições, a música e a gastronomia. 


Senão vejamos:

Manaus, Belém, Mercado Adolpho Lisboa, Mercado Ver-o-Peso, Igreja Matriz da Nossa Senhora da Conceição, Basílica de Nazaré, Porto Rodoway, Porto de Belém, Teatro Amazonas, Teatro da Paz, INPA, Museu Emilio Goeldi, Jaraqui, Jacaré, Tacacá, Maniçoba, Pato no Tucupi, Caldeirada de Tambaqui, Sopa de Piranha, Toada de Boi, Carimbó, Quermesse de São Sebastião, Círio de Nazaré, Boto Tucuxi, Mapinguari, Festival de Parintins, Çairé, Essência de Pau Rosa, Patixuli, Mano!, Pai d´egua! Cerveja XPTO, Cerveja Cerpa, Praias de Maués, Praias de Alter do Chão, David Assayag, Célio Cruz, Nilson Chaves, Pinduca, Tucumã, Açaí, Artesanato Indígena, Artesanato Marajoara, Vilvadão, Mangueirão, Nacional, Paissandu, Aeroporto Eduardo Gomes, Aeroporto Val de Cans, por aí vai...

Aviso aos navegantes: amazonenses e paraenses - fazemos parte da mesma aldeia, a cultura é a mesma, somos irmãos, guerreiros e defensores da Amazônia e do seu povo. 

Foto Colagem: J. Martins Rocha

MANAUS ANTIGA - CARTÃO POSTAL

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quarta-feira, 28 de julho de 2010

PRAÇA D. PEDRO II - MANAUS

Recebi um e-mail de uma leitora do nosso blog, solicitando que escrevesse sobre a Praça D. Pedro II, fiquei a conversar com os meus botões: como poderei escrever sobre a nossa Manaus antiga, pois não sou historiador, não chego nem aos pés do que escreve o Otoni Mesquita e nem a um quilômetro de distância do que escreveu o saudoso Mario Ypiranga Monteiro - mas, insisto em escrever, bebendo da fonte do material disponível na internet, apesar de odiar o famoso “Crtl + C e Crtl + V (copiar e colar) e de dispor de alguns livros conseguidos nos sebos da cidade de Manaus.

Vamos fazer o seguinte nobre leitor: irei escrever o resumo do resumo do que os historiadores e pesquisadores escreveram e, dando a minha impressão de como se encontra, atualmente, este importante espaço público.

Os nossos irmãos índios, já habitavam este lugar muito ante do invasor lusitano chegar; recentemente, na tentativa da reforma da Praça e do Paço da Liberdade, foi encontrada no local uma Urna indígena, tornando o local sagrado, pois ali fora um Cemitério Indígena. O sítio arqueológico daquela área, foi pesquisado por um alemão, chegando a conclusão que data entre 100 e 800 anos d.C.

Lá pelos anos de 1832, o local era conhecido como Largo do Pelourinho – era uma praça, onde existia uma coluna de madeira (pelourinho), servindo para castigar (açoites) os criminosos de penas leves.

Com o término do Pelourinho em 1855, o local recebeu diversas denominações, por último, era conhecido como Largo do Quartel, e, finalmente, Praça D. Pedro II, uma homenagem ao último imperador do Brasil, deposto em 1889 com a proclamação da República - foi remodelado nos anos de 1893/1895, na administração do governador Eduardo Ribeiro.

Segundo a historiadora e agente de viagem Thérése Aubreton, uma francesa que escreveu um livreto “Caminhando por Manaus”, na qual descreve os dois monumentos da Praça: “Chalet de Ferro – observa-se o belo coreto de ferro, fabricado pela firma inglesa Francis Morton & Co. Ltd. Liverpool, de acordo com a inscrição localizada na base quadrada das colunas. em estilo simples, foi edificado sobre uma base octogonal de alvenaria maciça. As grades de parapeito apresentam círculos e elipses com flores estilizadas. Oito esbeltas colunas sustentam ainda o teto, que no inicio do século era beirado por lambrequins (não existem mais). As colunas sustentam, ainda, arcos decorados muito elegantes, com rendilhado em ferro. Fonte de Bronze – rica em detalhes, a base de alvenaria dividi-se em quatro partes, por elementos de bronze pintados de verde. Em cada ângulo do conjunto vê-se graciosos meninos com cara de anjinho, segurando ânforas. Entre cada menino, acima de grandes conchas, vê-se casais de seres do mar segurando tridentes. Mais acima, uma grande bacia de bronze recebe águas vertidas através das bocas de máscaras antigas, na parte superior da fonte mostra quatro musas sentadas, cada uma segurando um objeto (lira, pergaminho, tridente e prancheta). No topo da fonte observa-se outra bacia e quatro golfinhos de bronze artisticamente segurando um globo”.

O grande historiador Mário Ypiranga escreveu que a fonte ornamental foi encomendada a John Birch @ Cia (Bohen & Birch), de Londres, instalada em 1893 – no mesmo ano, foi colocado na Praça um total de 48 bancos de madeira em armação de ferro, fornecidos por S. M. Santos.

Na época áurea da borracha, aquele lugar era freqüentado pela elite de Manaus, também pudera, a Praça era bonita, elegante, charmosa, passeavam em suas charretes, os barões freqüentavam o Hotel Cassina, acendiam os seus charutos com nota de quinhentos mil reis, no seu entorno tinha o Paço da Liberdade e o Palácio Rio Branco, tudo do bom e do melhor acontecia por lá – depois, veio a decadência, a crise da borracha, o local ficou esquecido, depredado, escuro, marginalizado.

Na década de sessenta, veio a redenção para a cidade de Manaus, foi criada a Zona Franca de Manaus, porém, o local continuava sendo uma Zona (puteiro, mesmo!). Houve uma tentativa de revitalização, o então prefeito Serafim Corrêa, conseguiu uma montanha de dinheiro do Projeto Monumenta, do Ministério da Cultura, infelizmente, tudo o que aquele alcaide começou, não terminou! O prefeito atual cruzou os braços, nada vez para ressurgir das cinzas aquele lugar. Recentemente, o governo estadual reformou totalmente o Palácio Rio Branco – palmas para o Robério Braga e vaias para o Serafim e o Amazonino Mendes!

Não aconselho ninguém passar por lá, na verdade, desejo sim, parece contradição, mas não é – apesar de estar abandonado e entregue as “meninas”, mendigos e vândalos, o local deve ser conhecido e valorizado e, aqueles de poderem escrever, gritar, forçar a barra, enfim, batalhar junto ao governo municipal, no sentido de dar prosseguimento ao programa de revitalização da nossa Praça D. Pedro II.

Para quem desejar se aprofundar sobre o assunto - foi disponibilizado na net um trabalho do Jhonathan Nogueira Martiniano, do Curso de Turismo da UFAM e da Elizabeth Filippini, professora doutora em História da UFAM - http://www.revistas.uea.edu.br/old/abore/comunicacao/comunicacao_pesq/Jhonathan%20Martiniano.pdf    

terça-feira, 27 de julho de 2010

AVENIDA JOAQUIM NABUCO

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É considerada como uma das mais extensas de Manaus, com início na margem esquerda do Rio Negro, na “Manaus Moderna” e termina na Avenida Airão, cortando todo o centro antigo.


O nome da avenida foi em homenagem ao pernambucano Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo, político, diplomata, historiador, jurista, jornalista e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Foi considerada uma das mais belas de Manaus - na época áurea de borracha - os barões construíram casas de alto padrão, como exemplos, temos o Palacete dos Nery, um dos mais bonitos da cidade, encontra-se abandonado pelos proprietários e pelo poder público e, o prédio da Beneficente Portuguesa, felizmente, todo restaurado, pintado, uma beleza!

A Joaquim Nabuco juntamente com a Getúlio Vargas, Sete de Setembro, Eduardo Ribeiro, Ramos Ferreira, Leonardo Malcher, Boulevard Álvaro Maia, Saldanha Marinho, Epaminondas e João Coelho (parte da atual Constantino Nery), constituem as principais ruas e avenidas do centro antigo de Manaus, fazem parte da infância e adolescência dos manauaras das décadas de 40, 50 e 60, pois a nossa cidade era muito pequena e tudo girava em torno desses locais. Todo mundo conhecia todo mundo! Que tempo bom!

Por lá existia a Padaria Frankfort, demoliram e virou estacionamento dos donos do CO; a Fábrica de Guaraná Andrade, o prédio abriga várias lojas do ramo de refrigeração; a Casa Renascença, o dono era o Sr. Armindo, virou um restaurante popular; Bar Janela, na esquina com a Rua Huascar de Figueiredo, foi ao chão, virou estacionamento da Uninorte.

Abro o espaço para fazer uma denúncia e mostrar a minha indignação: um dos maiores destruidores das casas centenárias da Avenida Joaquim Nabuco chama-se Uninorte, na pessoa do seu fundador, o professor Waldery Areosa, mesmo assim, ainda foi homenageada pela Câmara Municipal de Manaus, com a medalha de Ouro Rodolpho Valle, pelos relevantes serviços prestados na área educacional – para se ter uma ideia, o homem destruiu vários quarteirões, desde a Rua Huascar de Figueiredo até a Avenida Ramos Ferreira, para construir as suas faculdades.

Apesar de tudo de ruim que fizeram com a nossa Avenida Joaquim Nabuco, não dá para esquecer o Russo, um famoso fabricante de Papagaios de Papel; dos meus colegas e professores do Colégio Barão do Rio Branco; da Escola de Música da UFAM, hoje DCE, onde levava os instrumentos de cordas consertados pelo meu saudoso pai; do pão nosso de cada dia das padarias Modelo e Frankfort, das Mangas Rosa e dos curativos feitos na Beneficente; da trágica morte do meu coleguinha Rofe, na esquina da Huascar de Figueiredo com a Joaquim Nabuco; das caixas (de pinho) de bacalhau, utilizados nos tampos do violões e, dos ranchos fiado feitos na Renascença, naquele tempo era muito comum usar uma “Caderneta de Crédito”; da loja onde comprava as minhas moedas antigas; dos ranchos que a vovó pegava lá na LBA; dos ônibus de madeira que circulavam por lá, das matinês no Cine Popular, apelidado de Cine Poeira, enfim, tenho muitas lembranças da Avenida Joaquim Nabuco.

Ainda resistem no tempo a Casa Bolo Confeitado, Ferro de Engomar, Cine Popular, Colégio Barão do Rio Branco (onde fui alfabetizado), Colégio Nilo Peçanha, Colégio Santa Doroteia, Hospital Beneficente Portuguesa, Legião Brasileira de Assistência (atual Tribunal de Contas de União), Padaria Modelo, Canto do Quintela, Hotel Sombra; Arquidiocese de Manaus; Residência do Sr. J. Cruz, fundador do Guaraná Magistral; a Residência do saudoso Anísio Mello; a Fábrica de Velas (virou um a loja de material de construção); O Prédio da Búfalo; Hospital da Criança e, muitos casarões, apesar das descaracterizações das fachadas.

Esta avenida, outrora, uma beleza, está, atualmente, com uma boa parte descaracterizada, com alguns prédios abandonados e, uma parte dela, ainda prolifera a prostituição, motéis e drogas, apesar disto, o comércio ainda é intenso, principalmente na área de refrigeração, construção civil e material elétrico; existem muitos colégios e faculdades; clínicas médicas, drogarias e hospitais; muitas famílias ainda moram em toda a sua extensão.

Vamos torcer para que os proprietários dos imóveis e o Poder Público façam um trabalho de revitalização em toda aquela artéria, ainda é possível recuperar muito coisa.

Nunca será tarde para restaurar! As famílias devem também recuperar a sua autoestima e, voltarem a amar e a morar no centro antigo de Manaus!

Espero um dia olhar,
a nossa Avenida Joaquim Nabuco,
voltando a brilhar!

É isso ai!

Fotos/Colagem: J. Martins Rocha (foram tiradas domingo, na maior tranquilidade, pois de segunda a sexta-feira é uma loucura aquela Avenida).

segunda-feira, 26 de julho de 2010

JOVENS TARDES DE DOMINGO EM MANAUS


O Rei Roberto Carlos assim canta: “Hoje os meus domingos/São doces recordações/Daquelas tardes de guitarras/Sonhos e emoções/O que foi felicidade/Me mata agora de saudade/Velhos tempos/Belos dias...”. Apesar do saudosismo que sinto das minhas antigas tardes de domingo, confesso a vocês que, neste último domingo não senti nenhum gostinho do passado – foram muitas emoções nas “jovens tardes de domingo” da Manaus atual!

A Avenida Eduardo Ribeiro estava em festa, foram comemorados os dez anos da Feira de Artesanato, com shows de bandas locais, desfiles de modas, sorteios de brindes e outras “cosas mas”, contou com a presença de muitos turistas e das famílias manauenses; aproveitei para jogar conversa fora com o meu amigo Celestino, da banca de sebo “O Alienista”; visitei várias outras barracas, tomei o meu saboroso Suco de Guaraná com Mel e Amendoim, comprei o jornal Amazonas em Tempo – aproveitei para parabenizar a minha amiga Socorro Papoula (funcionária da PMM), pela organização do evento – foi show de bola!

Fiz questão de ler o meu jornal em dois lugares muito legais: no banco da Praça da Igreja Matriz e no Rodoway – o primeiro, é um lugar tranquilo, com poucas pessoas, muito arborizado, os pássaros cantam direto, dá até um pouco de sonolência, aproveitei, também, para caminhar pelo largo, não me canso de olhar para as árvores, os bancos, a imponente igreja da Nossa Senhora da Conceição, o antigo Aviaquário de Manaus e do Chafariz – o segundo, é um dos nossos cartões postal - ler o jornal dando uma olhada para o Rio Negro, para os barcos e a movimentação das pessoas indo e vindo do interior, fico pasmo com a “cabocaba” bebendo, a cerveja é servida em “tubo de ensaio” de um metro de altura – podes crer que é muito bom!

Depois fiz algumas compras na Feira da Banana e na Manaus Moderna – o dia era para apreciar, curtir, visitar os boxes, tomar água de coco, olhar os barcos regionais, enfim, ver tudo pelo lado bom, deixar um pouco de lado as criticas – encontrei velhos amigos, o Tony, seu filho mais novo e o avô Alberto Biondo; acertamos contatar com toda a galera dos velhos tempos do Mercadinho União, no Conjunto dos Jornalistas, para o nosso encontro em Agosto próximo – foi muito bom!

E a família como é que fica? Os meus pais já faleceram, os meus irmãos pegaram o beco, as assas dos meus filhos cresceram, voaram e fizeram os seus ninhos, sobrou somente para o meu xodó, a pequenina Duda, a minha caboquinha – ela adora olhar para o meu rosto já puído pelo tempo e eu adoro olhar para o seu rosto angelical – foi muito legal!

A tarde de domingo só estava começando, foi a vez de encontrar com os boêmios do Bar Caldeira, centro antigo de Manaus - até as três horas tem vez os tocadores “amadores”, os contadores de piadas e os “doidos” de Manaus – depois, chegam os “profissionais”, a caixa de som é ligada, toma vez quem está na vez, o bar fica apinhado de gente daqui e outras plagas, o fuzuê vai até as seis da tarde – pense num lugar pai d´egua!

Tá pensando que o show terminou? Ledo Engano! Foi a vez do encerramento do 5º. Festival Amazonas Jazz 2010, com o tema “A Selva Arde em Jazz” – o Largo de São Sebastião estava muito bonito, cadeiras para todos, palco giratório, telões para todos os lados, a comunidade pernambucana residente em Manaus estava em peso, pois foi o máximo o show do “MAESTRO FORRÓ E A ORQUESTRA POPULAR DA BOMBA DO Hemetério de Recife”, foram muitas machinhas, frevos e maracatu, lembrei da Banda da Bica de Manaus – Êta show arretado! Aproveitei para "matar a broca" no antigo "Kikão" (atual African House), bati um papo com o Tim Maia, com a Maria, Rosa e Joaquim do Tacacá e com o Chiquinho Pipoqueiro Marqueteiro. - É isso ai!

Chega mano velho! A tarde jovem de domingo de Manaus foi o bicho da goiaba verde! O sono veio e, o “véio” teve que “esticar a baladeira”, e, dormir o sono mais profundo. Domingo tem mais! Eu, hein!

sábado, 24 de julho de 2010

FEIRA DE ARTESANATO DA AVENIDA EDUARDO RIBEIRO

Esta feira foi fundada em julho de 2000, portanto, está completando dez anos de existência – a sua criação foi em decorrência da parceria do SEBRAE/AM e da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus/CDL, com o objetivo de criar um espaço turístico e formação de empreendedores. Foi também, uma forma de reunir os artesãos em um local apropriado para venderem os seus produtos diretamente aos consumidores.

Atualmente, a feira é administrada pela AFAPA - Associação de Feiras de Artesanato do Amazonas, uma entidade sem fins lucrativos que presta serviços a comunidade de Manaus. Conta também com o apoio da FAPEAM, que fornece financiamentos para aquisição de stand e capital de giro.

O local é na principal avenida do centro antigo de Manaus - a Avenida Eduardo Ribeiro; tornou-se o "point" das famílias manauenses para tomarem o seu café da manhã aos domingos e efetuarem as suas compras, além de ser mais um atrativo para os turistas.

Encontramos uma enorme variedade de produtos: artesanato indígena, sebos (livros, discos, etc.), quadros, bijuterias indígenas, doces regionais, colares, miniaturas de animais, artes com vidros espelho, cestas, bolsas, sabonetes artificiais, roupas com estampas amazônicas, ervas medicinais, livros, velas, sapatos, luminárias de decoração, itens de decoração para casamento.

O local é também preferido pelos artistas para fazerem as suas apresentações, encontramos palhaços, malabaristas, cover do Michael Jackson, Homem Estátua, além da roda de Capoeira e músicos andinos; na parte próxima ao Teatro Amazonas é o local preferido para as exposições – forças armadas, fotográficas, evangélicas, institucionais, etc.

A feira funciona somente aos domingos, no horário das 7h às 14h, contando com mais de 400 barracas, divididas em blocos: alimentação, vestuário e artesanatos. Vale à pena conferir!

O DESAFIO DE PRESERVAR O ENCONTRO DAS ÁGUAS

Os verdadeiros amazonenses, aqueles que amam esta terra e não medem esforços para defendê-la - estão de parabéns! Mais uma batalha foi vencida, contra a estupidez de um grupo empresários inescrupulosos, liderados nacionalmente pela Vale do Rio Doce e Bovespa (70%) e, regionalmente, pela Juma Participações S.A. (30%), empresa acionista do Grupo Simões (Coca-Cola), apoiados pelo ex-governador Eduardo Braga (candidato ao Senado da República) e pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA).

A mídia nacional, através do jornal O Estado de São Paulo, na figura do jornalista Washington Novaes, publicou um artigo se posicionando contra a idéia insana de construir o famigerado “Porto das Lajes” bem no meio do Encontro das Águas dos Rios Solimões e Rio Negro (um patrimônio paisagístico da humanidade). Abaixo, transcreve o referido artigo:

O DESAFIO DE PRESERVAR O ENCONTRO DAS ÁGUAS

Washington Novaes (*)

O Estado de S.Paulo

Que pensariam os norte-americanos e canadenses se, a pretexto de uma crise energética, se resolvesse desviar as águas do rio e, com isso, deixassem de existir as cataratas do Niagara? Que achariam japoneses se, com a descoberta de uma jazida de um metal precioso, se resolvesse implantar um grande projeto de mineração no sopé do Monte Fuji e de suas neves deslumbrantes? O escritor Ernest Hemingway poderia levantar-se indignado do túmulo se, com igual motivo, se decidisse escavar sob o Monte Kilimanjaro, na África, tema de seus escritos. Pois é com indignação que o poeta amazonense Thiago de Mello brada aos ventos contra o projeto de implantação de um terminal portuário ao lado do majestoso Encontro das Águas do Rio Negro com as do Solimões, que dá origem ao Rio Amazonas. Já há um forte movimento em Manaus para impedir que o projeto vá em frente (os defensores da obra argumentam com a "importância econômica" e a geração de empregos). E da oposição participa boa parte da comunidade acadêmica, que tem seus argumentos consolidados pelo professor Ademir Ramos, da Universidade Federal do Amazonas - que lembra também a importância histórica e científica dos sítios paleontológicos identificados na área.

O majestoso Encontro das Águas fascina brasileiros e turistas de outros países que vêm conhecê-lo (isso não é "importância econômica"?). O escritor Fernando Sabino escreveu (O Encontro das Águas, Editora Record, 1977): "Tudo aqui parece encerrar um sentido simbólico; os rios, as florestas, os animais e as plantas, os próprios homens. Aqui a natureza nos dá a sensação vertiginosa de que um dia fomos deuses. Aqui a alma se expande até perder-se no vazio onde o espaço e o tempo se confundem, para reencontrar-se numa vida além da vida, em que tudo se harmoniza - tempo e espaço, civilização e natureza, homens e deuses - numa perfeita integração."

Pois é nas proximidades desse fenômeno e em área de propriedade da União que se quer levar adiante um projeto de R$ 220 milhões, bancado por duas grandes empresas, com forte apoio em áreas políticas locais.

A Secretaria do Patrimônio da União, em Brasília, deu parecer contrário, mas a Gerência Regional no Amazonas opinou a favor do empreendimento e com isso liberou a regularização de "faixa de terreno marginal do rio federal" (Amazonas). O Ministério Público Federal conseguiu na Justiça, em Manaus, medida liminar sustando o licenciamento - mas ela foi revogada em Brasília pela Justiça Federal. Agora o Ministério Público estadual tenta reverter o quadro.

Segundo a proposta apresentada, o "cais de flutuantes será composto de 4 flutuantes de 65 metros de comprimento, 30 metros de largura (boca) e 4 metros de altura (pontal) cada um, perfazendo uma extensão total de 260 metros", à margem frontal ao Encontro das Águas. E tudo isso ocorre num momento em que se afirma universalmente a necessidade de reavaliar enfoques humanos diante de questões como mudanças climáticas, insustentabilidade de padrões de produção e consumo no mundo.

O próprio Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) está propondo implantar um novo índice que inclua o valor monetário dos serviços prestados gratuitamente pela natureza (fertilidade natural dos solos, regulação do clima e dos recursos hídricos, importância da biodiversidade para a criação de fármacos, etc.). E é com visões dessa natureza que precisam ser confrontados projetos que põem em risco patrimônios naturais e da biodiversidade. Neste momento mesmo estão no meio de polêmicas vários projetos de portos que implicariam esses riscos - em Santarém (PA), no litoral baiano, em Santa Catarina, no litoral norte de São Paulo.

Da mesma forma, o projeto considerado ameaçador para o Encontro das Águas que formam o Amazonas. Neste caso, precisa ser considerado também o patrimônio representado pelas visões da cultura popular amazônida - sempre tão desprezada. Segundo o escritor Márcio de Souza, ela só aparece como folclore "e depois que passa a polícia".

Mas quem viaja pelos rios da Amazônia vai descobrir de repente - como o autor destas linhas -, no Rio Nhamundá, no Lago da Serra do Espelho da Lua (que nome!), que a lenda das amazonas, para os moradores da região, não é uma lenda. É História, com H maiúsculo: elas habitavam a região, sequestravam homens para ter relações sexuais e a eles entregavam os recém-nascidos, se fossem do sexo masculino; com a aproximação dos colonizadores europeus, "elas foram fugindo para o norte, até depois da última cachoeira, em Roraima". Poderá descobrir que a "democracia do consenso" de que fala o antropólogo Pierre Clastres está em pleno vigor entre os índios maués, à beira dos Rios Andirá e Marau. A eles devemos, entre outras coisas, a descoberta das propriedades energéticas do guaraná, reveladas por seu herói criador. E muito mais.

É preciso abrir ouvidos aos poetas, aos artistas, que conseguem incorporar a importância dessas culturas. Como o próprio Thiago: "Vem ver comigo o rio e suas leis./ Vem aprender a ciência dos rebojos,/ vem escutar os cânticos noturnos/ no mágico silêncio do igapó /coberto por estrelas de esmeralda" (Outros Poemas, Global Editora, 2007). Porque, diz ele, "de caminho de barcos sabe o mar. Os ventos é que sabem dos destinos".

Os ventos populares, com certeza, desaconselham a rota que põe em risco o Encontro das Águas. Então, convém ouvir de novo Fernando Sabino, ao visitar esse lugar: "Aqueles que se encontram na fase de industrialização estão correndo constantemente o risco de empobrecerem e de se desnortearem em vários rumos. Talvez amanhã a riqueza de um povo seja medida pelos seus esforços a favor da conservação da Natureza, do seu ambiente natural, ou seja, pela capacidade de conseguir preservar a sua própria alma." E, como sentencia ele, "não se desafia em vão a natureza".

(*) O artigo do jornalista foi publicado nesta sexta-feira (23/7/10) pelo O Estado de S. Paulo http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100723/not_imp585067,0.php    

Contato: e-mail wlrnovaes@uol.com.br

sexta-feira, 23 de julho de 2010

RELÓGIO MUNICIPAL DE MANAUS

Foi inaugurado em 1927, na administração do prefeito nomeado José Francisco de Araújo Lima (autor de Amazônia – A Terra e o Homem), fica na Avenida Eduardo Ribeiro e sua visitaçao faz parte do roteiro turístico da cidade Manaus.

O mecanismo foi importado da Suíça e montado, em base de pedra, sendo revisado e montado pela firma Pelosi & Roberti, localizada na Rua Municipal, atual Avenida Sete de Setembro, ao lado da Loja 4.400 (Loja Marisa). A loja era de italianos, por pouco não foi incendiada na segunda guerra mundial, porém a residência do Sr. Giulio Roberti, não teve a mesma sorte.

A cada hora, o relógio emite um som cativante, apelidado carinhosamente pelos manauenses de “Big Ben”, uma alusão ao famoso relógio inglês. A peça que produz a “batida” está quebrada; o conserto está a cargo da família Sahdo, permissionária de uma loja de venda e consertos de jóias e relógios, estabelecidos no local faz algumas décadas.

Existe uma inscrição em latin Vulnerant Omnes, Ultima Necat (Todas ferem, a última mata) – velha inscrição latina, alusiva às horas, significando que a cada hora fere a nossa vida até que a derradeira a roube. Este registro permaneceu durante anos na minha mente, era intrigante, não sabia o seu significado; os anos se passaram, somente agora surgiu o interesse em pesquisar e entender.

O Relógio continua "mudo" é uma pena! Foram tantos esforços dos nossos antepassados, no sentido de dotarem a nossa cidade do melhor e maior relógio público da região norte, deixaram um maravilhoso exemplar para ser admirado até hoje, porém, o atual alcaide da cidade nada faz para mandar consertar a tal peça defeituosa, a responsabilidade não é da família Sahdo, mas sim, do poder público municipal, pois o relógio é público, pertence a todos os manauenses.

Continuarei pesquisando sobre o nosso Relógio Municipal, tirando fotos e escrevendo a respeito - até a última hora da minha vida! É isso ai!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

CENSO 2010 IBGE


Em 2010, o IBGE realizará o XII Censo Demográfico, que se constituirá no grande retrato em extensão e profundidade da população brasileira e das suas características sócio-econômicas e, ao mesmo tempo, na base sobre a qual deverá se assentar todo o planejamento público e privado da próxima década.

O Censo 2010 será um retrato de corpo inteiro do país com o perfil da população e as características de seus domicílios, ou seja, ele nos dirá como somos, onde estamos e como vivemos.

A fase preparatória da operação censitária teve início em 2007 e seus trabalhos foram intensificados a partir de 2008. A coleta está fixada para começar em 1º de agosto de 2010 e o início da divulgação dos resultados em dezembro do mesmo ano.

Nesta página, um dos canais de divulgação do Censo 2010, você encontrará as principais informações sobre o andamento da pesquisa.

Percorrer por inteiro um país como o Brasil, de dimensões continentais, com cerca de 8 milhões de km2 de um território heterogêneo e, muitas vezes, de difícil acesso, é uma tarefa que envolve grandes números. Veja, a seguir, os números que mostram as dimensões do Censo 2010.

• Universo a ser recenseado: todo o Território Nacional
• Número de municípios: 5.565 municípios
• Número de domicílios: aproximadamente 58 milhões de domicílios
• Número de setores censitários: 314.018 setores censitários
• Pessoal a ser contratado e treinado: cerca de 240 mil pessoas (coleta, supervisão, apoio e administrativo)
• Orçamento previsto: R$ 1,4 bilhão
• Tecnologia: centenas de computadores em rede nacional, rede de comunicação em banda larga e 220 mil computadores de mão equipados com receptores de GPS
• Unidades executoras: 27 unidades estaduais, cerca de 7 mil postos de coleta informatizados e 1.200 Coordenações de Subárea

Seja bem-vindo ao Censo 2010! www.ibge.gov.br/censo2010