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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Caso eu fosse um Vereador de Manaus faria o seguinte discurso no Plenário da Câmara Municipal de Manaus:

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Vereadores,


Manaus enfrenta um problema crônico e vergonhoso: o descarte irregular de lixo em nossas ruas, praças e, sobretudo, nos igarapés que cortam a cidade. É como se parte da população acreditasse que a rua é uma grande lixeira e que a responsabilidade pela limpeza fosse apenas do poder público.

Essa realidade me fez lembrar do personagem “Sugismundo”, criado nos anos 1970, que simbolizava o cidadão desleixado, sujando tudo ao seu redor. À época, a campanha educativa foi um sucesso: quem jogava lixo no chão era imediatamente apelidado de “Sugismundo”. Hoje, precisamos resgatar esse espírito pedagógico para mudar hábitos e formar consciência ambiental.

A Lei Municipal nº 2.295/2018 já prevê multa de 10 UFMs para quem descarta lixo em locais públicos. Mas a lei é genérica demais, aplica a mesma penalidade para qualquer infração e, pior, não obriga o poder público a realizar campanhas de conscientização. Resultado: a fiscalização é precária, as lixeiras viciadas se multiplicam e os igarapés continuam sendo tratados como depósitos de entulho.

Por isso, apresento a seguinte proposta de alteração à lei:

1. Escala proporcional de penalidades — quem joga um papel no chão não pode pagar o mesmo que quem despeja entulho em um igarapé.
2. Campanhas obrigatórias de conscientização — o poder público terá a obrigação legal de realizar campanhas permanentes, com foco nas escolas, onde os hábitos se formam. O personagem “Sugismundo” pode voltar como ferramenta educativa.
3. Proteção específica aos igarapés — multa diferenciada de 50 UFMs para quem descartar resíduos diretamente nesses locais de preservação.
4. Fiscalização efetiva — garantir que a lei seja aplicada na prática, combatendo as lixeiras viciadas e responsabilizando infratores.

Senhoras e Senhores, não se trata apenas de punir, mas de educar e transformar a cultura urbana de Manaus. Outras cidades brasileiras e capitais internacionais já mostraram que é possível. O cidadão muda de comportamento quando há campanhas educativas e consequências claras.

Se queremos uma Manaus mais limpa, saudável e respeitosa com o meio ambiente, precisamos agir agora. O futuro dos nossos igarapés, das nossas ruas e da nossa qualidade de vida depende disso.

Muito obrigado."


Ao passar pela Igreja Nossa Senhora da Conceição — a nossa querida Matriz —, percebi que, mesmo após a chuva da manhã ter levado parte da sujeira das ruas, o problema do lixo urbano continua evidente. Essa cena me trouxe à memória o personagem “Sugismundo”, criado nos anos 1970, que simbolizava o cidadão desleixado, incapaz de cuidar do espaço coletivo. É justamente esse personagem que precisa ser resgatado em campanhas educativas, para que o manauara compreenda que a rua não é lixeira.

Os mais antigos lembram bem: quando alguém jogava até um simples palito de picolé no chão, era logo apelidado de “Sugismundo”. A campanha teve impacto real nas escolas e ajudou a moldar comportamentos. Hoje, porém, a ausência de ações sistemáticas de conscientização faz com que grande parte da população continue descartando lixo em calçadas, ruas, quintais e igarapés, como se a responsabilidade fosse apenas do poder público.

Não falo de cima para baixo: nunca jogo lixo no chão e eduquei filhos e netos a fazerem o mesmo. Repito sempre: “Lixo vai para a lixeira, jamais para o chão!”. Além disso, separo latinhas para facilitar o trabalho dos catadores, que muitas vezes abrem sacos de lixo em busca de material reciclável. Infelizmente, há também quem retire tampas de bueiros, fios de postes e até recipientes de lixo para vender em ferros-velhos — casos que já chegam à polícia.

A Lei Municipal nº 2.295/2018 prevê multa de 10 UFMs para quem descartar resíduos em espaços públicos, dobrando a cada reincidência. Em 2025, o vereador Sérgio Baré apresentou projeto para incluir punições pedagógicas, obrigando infratores a prestar serviços de limpeza por três meses. No entanto, a lei ainda carece de regulamentação e fiscalização efetiva, o que mantém o problema vivo.

Outras cidades brasileiras já avançaram: o Rio de Janeiro foi pioneiro, com multas entre R$ 157 e R$ 3.000; Santos, Salvador, Porto Alegre e Cascavel seguiram o mesmo caminho. No plano federal, tramita no Senado o PL nº 580/2022, que prevê multas de até 10 salários mínimos para pessoas físicas e até 100 para pessoas jurídicas. Internacionalmente, Paris, Londres e Tóquio aplicam regras semelhantes há décadas, com resultados culturais duradouros.

A experiência mostra que sanções administrativas têm caráter pedagógico: o cidadão muda de comportamento quando há consequências claras. Mas não basta punir. É essencial que a Prefeitura de Manaus implante campanhas permanentes de conscientização ambiental, especialmente nas escolas, onde os hábitos se formam. O retorno do personagem “Sugismundo” pode ser uma ferramenta poderosa nesse processo.